Pesquisar este portal

07 novembro, 2022

Caça avançado Gripen E tem produção da primeira fuselagem dianteira no Brasil

 

*LRCA Defense Consulting - 07/11/2022

A Saab está comemorando mais um marco do programa Gripen: a produção da primeira fuselagem dianteira do caça Gripen E em sua fábrica no Brasil. Esta é a parte mais complexa que está sendo produzida no país e demandou esforço e conhecimento especializado de profissionais para sua conclusão.

A fuselagem dianteira da aeronave é a célula onde senta o piloto. Nela são instalados o assento ejetável, comandos de voo como manche e pedais, o canopi, o radar AESA, os displays de cabine e toda a aviônica da aeronave.

A peça foi finalizada na última semana de outubro e será enviada para a Suécia para compor a cadeia global de suprimentos para a produção dos próximos caças, uma vez que as estruturas produzidas no Brasil ou na matriz são idênticas e podem ser instaladas em qualquer aeronave Gripen E.

“Essa produção traz consigo a mensagem de que foi possível realizar essa enorme transferência de conhecimento e tecnologia no Brasil. Os profissionais brasileiros são altamente qualificados. Estamos cumprindo todas as nossas obrigações contratuais com o governo brasileiro”, diz Ola Rosén, chefe de operações da fábrica de aeroestruturas da Saab no Brasil.

Essa não foi a primeira estrutura a ser produzida em território nacional. Conforme o planejamento original, a equipe brasileira iniciou os trabalhos com a fabricação de peças menos complexas como o cone de cauda e os freios aerodinâmicos em 2020. Desde então, vem ampliando a experiência e o conhecimento nos processos de fabricação para a produção de estruturas altamente complexas como a fuselagem dianteira.

Nesta nova etapa de produção, estiveram envolvidos cerca de 15 profissionais brasileiros dedicados, entre montadores, engenheiros, além de um time de logística local e funcionários suecos expatriados. Estes experientes funcionários têm como missão garantir que o conhecimento adquirido pelos técnicos brasileiros na Suécia seja consolidado durante o processo de fabricação no país.

“É muito gratificante produzir uma aeroestrutura tão complexa como a fuselagem dianteira aqui no Brasil. Isso significa que o treinamento das equipes, os processos e a instalação dos ferramentais necessários foram concluídos com sucesso para a produção dessa estrutura, capacitando a fábrica do Brasil para as próximas entregas, que já estão em produção. Os passos seguintes serão a otimização e o amadurecimento dos processos para termos a mesma eficiência que a fábrica da Suécia”, conclui Alexandre Barbosa, gerente de engenharia da fábrica de aeroestruturas da Saab no Brasil.

Características técnicas da Fuselagem Dianteira
- Material: Alumínio
- Tamanho: 3,30m de largura x 1,50m altura x 92cm profundidade
- Peso: 250 kg
- Composta por aproximadamente 1.500 partes e 14.500 prendedores

O Programa Gripen
A parceria com o Brasil começou em 2014, com um contrato para o desenvolvimento e produção de 36 aeronaves Gripen E/F para a Força Aérea Brasileira, incluindo sistemas, suporte e equipamentos. Um amplo programa de transferência de tecnologia, que está sendo executado em um período de dez anos, está impulsionando o desenvolvimento da indústria aeronáutica local por meio das empresas parceiras que participam do programa Gripen Brasileiro.

No decorrer desse período, mais de 350 técnicos e engenheiros brasileiros estão participando de treinamentos teóricos e práticos, na Suécia, para adquirirem o conhecimento necessário para a execução das mesmas tarefas no Brasil.

O caça avançado Gripen F-39 dará início a uma "nova era" para a Defesa Aérea nacional, pois é uma aeronave de última geração que conta com um sistema completo de combate e foi projetada para missões ar-ar, ar-mar e ar-solo, sob quaisquer condições meteorológicas.

"De fato, o Gripen é um diferencial. A aeronave é um game changer quando empregada em um cenário operacional com a junção de outras ferramentas, como os mísseis IRIS-T e Meteor, tornando, nesse contexto, a Força Aérea Brasileira ainda mais bem equipada", afirmou o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), Brigadeiro do Ar Antonio Luiz Godoy Soares Mioni Rodrigues.

Saiba mais:
A aquisição e produção de um avião supersônico [o caso do caça Gripen]



 

Taurus recebe proposta firme pelo imóvel da Taurus Blindagens Nordeste


*LRCA Defense Consulting - 07/11/2022

A Taurus Armas recebeu uma proposta de compra para o imóvel da Taurus Blindagens Nordeste, localizado na área industrial da cidade de Simões Filho (BA), que estava à venda desde 2019.

Acredita-se que o negócio, no valor de R$ 7 milhões, possa vir a ser concretizado em breve, haja vista que, na ata da reunião do Conselho de Administração realizada em 02/11/2022, foi publicado que "restou deliberado a aprovação de autorização para que a Diretoria pratique todos os atos necessários para dar cumprimento à alienação do Imóvel Taurus Blindagens Nordeste".

A Taurus Blindagens Nordeste entrou em operação em 2010 e foi desativada em 2018, quando a controladora decidiu se focar no seu core, que são armas e acessórios. O imóvel tem 32.813m2 e área construída de 8.211 m2.

Além da injeção de capital que o negócio pode representar, a Taurus se livraria do custo de manutenção do imóvel, que gira em torno de R$ 300 mil por ano.

No 3T22, Embraer entregou 10 jatos comerciais e 23 executivos


*LRCA Defense Consulting - 07/11/2022

A Embraer entregou 33 jatos no terceiro trimestre de 2022, sendo 10 comerciais e 23 executivos (15 leves e oito médios). O volume de entregas é 10% maior em relação aos 30 jatos entregues no mesmo período de 2021, quando a companhia entregou nove jatos comerciais e 21 executivos. No ano, a empresa acumula um total de 79 aeronaves entregues (27 comerciais e 52 executivas). A carteira de pedidos firmes (backlog) encerrou o 3T22 em US$ 17,8 bilhões, estável em relação ao trimestre anterior. A Embraer reafirma a projeção de entregas (guidance) para o ano de 2022.

Em setembro, a Embraer celebrou a entrega do E-Jet de número 1.700. Um E195-E2, adquirido pela Aircastle, foi entregue à KLM Cityhopper durante uma cerimônia em São José dos Campos. O programa é um sucesso global desde o seu início, em 2004. Os E-Jets já foram adquiridos por mais de 150 companhias aéreas e empresas de leasing de 50 países.

Em outubro, a SalamAir, de Omã, e a TUI, da Bélgica, anunciaram a seleção do E195-E2 para integrar as suas respectivas frotas. A companhia aérea de Omã assinou um pedido firme para a aquisição de seis aeronaves, com direito de compra para mais seis aviões. As entregas para a SalamAir serão feitas a partir do final de 2023. A TUI, por sua vez, irá receber três E195-E2 da AerCap, por meio de um contrato de leasing de longo prazo.

Em setembro, a Embraer celebrou a entrega do E-Jet de número 1.700. Um E195-E2, adquirido pela Aircastle, foi entregue à KLM Cityhopper durante uma cerimônia em São José dos Campos. O programa é um sucesso global desde o seu início, em 2004. Os E-Jets já foram adquiridos por mais de 150 companhias aéreas e empresas de leasing de 50 países.

Em outubro, a SalamAir, de Omã, e a TUI, da Bélgica, anunciaram a seleção do E195-E2 para integrar as suas respectivas frotas. A companhia aérea de Omã assinou um pedido firme para a aquisição de seis aeronaves, com direito de compra para mais seis aviões. As entregas para a SalamAir serão feitas a partir do final de 2023. A TUI, por sua vez, irá receber três E195-E2 da AerCap, por meio de um contrato de leasing de longo prazo.

06 novembro, 2022

Embraer E195-E2 ‘TechLion’ estreia no Airshow China 2022


*LRCA Defense Consulting - 06/11/2022

A Embraer participará do 14º Airshow China 2022, em Zhuhai, onde apresentará o E195-E2 ao mercado local e divulgará as perspectivas para os próximos 20 anos de aviação comercial e frete aéreo na China. A companhia irá destacar a importância da flexibilidade da frota e da adequação da capacidade à demanda, especialmente na expansão da malha e na preparação das companhias aéreas para uma indústria mais sustentável. O E195-E2 é o avião mais silencioso e eficiente da categoria com até 150 assentos.

“Este ano levaremos a Zuhai a maior aeronave da família E-Jet, com a pintura 'TechLion', para impressionar nossos clientes chineses”, disse Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “Estamos confiantes de que, com o desenvolvimento de longo prazo do país, teremos diversas oportunidades de negócios na China. O país tem a segunda maior economia do mundo, com oportunidades para ampliar a conectividade no país e aprofundar a cooperação com parceiros locais.”

As expectativas para o mercado chinês serão divulgadas em 9 de novembro, no Zhuhai Airshow Media Center, às 14 horas, Sala 232.

Com o objetivo de estreitar a colaboração com a indústria aeronáutica chinesa, a empresa realizará o evento 'Embraer Day' em 10 de novembro, no Media Center, às 10h, Sala 232. As inscrições serão realizadas no estande da Embraer (H4D1). O estande também oferecerá aos visitantes acesso à experiência interativa com o E195-E2.

“Dados revelam que um bilhão de chineses nunca andaram de avião. Essa parcela da população está concentrada em capitais regionais e cidades médias. Esses potenciais passageiros serão o foco do crescimento”, disse Guo Qing, Diretor-Geral Vice-Presidente de Aviação Comercial da Embraer China. “Com a capacidade adequada e eficiência de custos, as aeronaves comerciais da Embraer são ideais para construir conexões e atender à crescente demanda do mercado local na era pós-pandemia.”

Antes da pandemia de Covid-19, 91 E-Jets operavam 460 rotas na China, conectando 150 cidades no país e no exterior e transportando cerca de 15 milhões de passageiros anualmente. A frota da Embraer desempenhou um papel importante durante a pandemia para manter as principais rotas em atividade e ajudar na recuperação da indústria.

No início deste ano, a Embraer lançou o programa E190F e E195F Passenger to Freight Conversions (P2F), atendendo à alta demanda por carga e às tendências positivas do mercado chinês.

“A demanda de carga aérea da China é destaque no mercado global, impulsionada pelo desenvolvimento econômico e pela demanda de comércio eletrônico em rápido crescimento no país”, afirma Guo. “O mercado precisa de uma nova geração de cargueiros com capacidade de 13 a 15 toneladas. Esses cargueiros oferecerão serviços de logística aérea mais rápidos e eficientes, que sustentarão o surgimento de operações de hubs de carga. O programa E190 e E195 P2F chega na hora certa para atender às necessidades desse mercado, com a capacidade certa e desempenho operacional muito melhor.”

CEO da 3ª Maior Fabricante de Aeronaves do Mundo “Coreia como Centro de Expansão para a Ásia”


*Portal Cascais, por Benedito Cabral - 06/11/2022

Jackson Schneider, CEO da divisão de defesa da brasileira Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves civis do mundo depois da Boeing e da Airbus, enfatizou isso em entrevista a um repórter em 27 de outubro. O presidente Jackson Schneider disse: “Visitei a Coréia pela primeira vez para explorar várias possibilidades de cooperação industrial, como assinar memorandos de entendimento com empresas coreanas”. Em comunicado à imprensa, a Embraer disse: “Para fortalecer a cooperação com a Coréia na fabricação de aeronaves, assinamos um memorando de entendimento com as empresas aeroespaciais ASTG, EMK, Kencore Aerospace (KENCOA) e o fornecimento de peças para o C-390 ‘Millennium’.

A aeronave de transporte C-390 da Embraer está participando do segundo maior programa de aeronaves de transporte promovido pela Administração do Programa de Aquisição da Força Aérea e Defesa. O 2º Grande Projeto de Aeronaves de Transporte foi designado como um projeto piloto que exigirá que as empresas nacionais participem da fabricação e exportação de componentes-chave para aeronaves de transporte e expandam a participação nas cadeias de suprimentos globais por empresas de defesa domésticas. A cooperação com empresas nacionais é necessária para obter pedidos. Nesse contexto, foi assinado um memorando de entendimento entre a Embraer e três empresas nacionais.

O Presidente Schneider disse: “Acredito que o fortalecimento da cooperação por meio deste MOU beneficiará tanto a Embraer quanto as empresas coreanas. Com base em nossas diversas experiências, esperamos construir parcerias significativas com empresas coreanas para criar novos negócios e soluções”.

A aeronave de transporte brasileira Embraer KC-390 participou do segundo grande projeto de aeronave de transporte da Força Aérea Coreana. Ele também tem uma função de reabastecimento aéreo. Foto Embraer

Investimento de 710 bilhões adquiridos 3 grandes aeronaves de transporte
A Embraer é uma fabricante de aeronaves de classe mundial, mas é uma empresa relativamente desconhecida na Coréia, e a visita do CEO à Coréia é incomum. Como Schneider e Embraer observaram, isso está intimamente relacionado ao desafio da aeronave de transporte C-390 na segunda fase do programa da Força Aérea para grandes aeronaves de transporte.

O segundo plano para grandes aeronaves de transporte é investir 710 bilhões até 2026 para comprar três grandes aeronaves de transporte da Força Aérea. O Lockheed Martin C-130J Super Hercules dos EUA, o Airbus A400M da Europa e o Embraer C-390 do Brasil estão participando da guerra em três frentes. Sabe-se que as três empresas apresentaram um pedido de proposta (RFP) para o projeto à Administração do Programa de Aquisição de Defesa em 25 de outubro. Os processos de negócios, como negociação e avaliação, continuarão enquanto a Administração do Programa de Aquisição de Defesa determina se a proposta é elegível até meados deste mês.

“A aeronave de transporte C-390 atende a todos os requisitos críticos (ROC) da Força Aérea Coreana”, enfatizou o presidente Schneider. “O C-390 é mais rápido e tem um alcance maior em comparação com outras aeronaves, e atende a muitos requisitos de seleção, além dos requisitos essenciais da Força Aérea Coreana”, disse ele.

A aeronave de transporte C-390, que realizou seu primeiro voo em 2015, é dividida em C-390 básico e KC-390 com capacidade adicional de reabastecimento aéreo. Equipado com dois motores turbofan, tem uma autonomia de 8450 km. A distância de decolagem e pouso é de apenas 1000-1100m. Tem 35 m de comprimento, 11,8 m de altura e 35 m de envergadura, podendo transportar até 26 toneladas de carga. Pode transportar 24 contêineres, 64 pára-quedistas totalmente armados e 3 tanques auxiliares de combustível de 4 toneladas. Além disso, realiza várias tarefas como extinguir incêndios florestais, evacuar o trabalho.

O KC-390 está em serviço desde que foi entregue à Força Aérea Brasileira em 2019, e o tempo total de voo ultrapassou 7.000 horas. A taxa de conclusão de obras atingiu 99%, o que mostra a melhor disponibilidade e produtividade no setor de transporte, disse a Embraer. A Força Aérea Brasileira encomendou um total de 22 KC-390.

Em junho passado, o Ministério da Defesa holandês anunciou que havia selecionado o KC-390 (cinco) para substituir o operacional C-130 Hercules. O motivo da escolha do KC-390 foi que “a aeronave de transporte tem excelente desempenho e pode ser operada e mantida com eficiência”, segundo o Ministério da Defesa Nacional holandês. Portugal e Hungria planejam introduzir cinco e dois KC-390 em 2023 e 2024, respectivamente.

O presidente Schneider enfatizou sua disposição de cooperar ativamente com as empresas coreanas em relação ao segundo projeto de grandes aeronaves de transporte. Durante esta visita, a equipe da Embraer visitou 22 empresas coreanas e assinou MoUs com 3 delas. “Muitas empresas coreanas entraram no Brasil, como Samsung e Hyundai, e têm boa reputação pelos produtos coreanos”, disse.

“Espero que essa cooperação estratégica também seja estendida à Ásia”, acrescentou. A Embraer disse: “Ao trabalhar com fornecedores estrangeiros, o volume de importações como peças chega a 4 bilhões de dólares (cerca de 5,7 trilhões de won) por ano.

A aeronave de transporte brasileira Embraer C-390 CG participou do segundo grande projeto de aeronave de transporte da Força Aérea Coreana.  A marca Taegeuk está estampada nele.  Foto Embraer

“A possibilidade de cooperação com a KAI está aberta”
Anteriormente, a KOTRA (Korea Trade Investment Promotion Agency) em seu relatório de tendências do mercado externo em novembro do ano passado disse: “As companhias aéreas brasileiras, incluindo a Embraer, veem a indústria de aviação coreana como um grande mercado. Também estamos considerando formas de fornecer peças. Construir o avião juntos.

Uma das razões pelas quais o Embraer KC-390 está chamando a atenção é o potencial de cooperação com a KAI. A Embraer realizou um dia de mídia da Embraer em São José dos Campos, Brasil, em junho, para buscar um parceiro para a indústria KC-390. Na época, o presidente Schneider disse: “A Embraer está em consulta antecipada com parceiros do setor para expandir o escopo comercial de seu principal produto, o KC-390.

A razão pela qual a KAI é mencionada como parceira industrial da Embraer é porque a KAI anunciou no ano passado um conceito para uma aeronave de transporte militar de médio porte com um design semelhante ao KC-390. Na ‘2021 Aerospace Power Generation Conference’, a KAI anunciou que desenvolverá aeronaves de transporte doméstico para substituir as aeronaves de transporte C-130 e CN-235 atualmente operadas pela Força Aérea. O custo de desenvolvimento é de cerca de 3 trilhões de won, e o período de desenvolvimento deve ser de 7 anos para aeronaves de transporte e aeronaves de patrulha marítima, respectivamente, e 5 anos para aeronaves civis de médio porte. Em relação à possibilidade de cooperação com a KAI, o presidente Schneider disse: “Ainda não há discussão específica com a KAI, mas todas as possibilidades estão abertas (em relação à cooperação)”.

Desde sua fundação em 1969, a Embraer fabricou e entregou mais de 8.000 aeronaves. Tem 18.000 funcionários em todo o mundo. As aeronaves construídas pela Embraer transportam mais de 145 milhões de passageiros por ano. Na década de 1980, o caça AMX foi desenvolvido em colaboração com a Itália e, depois disso, o avião de ataque leve a hélice Super Tucano ganhou destaque no mercado global. Em 2015, a Korea Express Air estabeleceu um relacionamento com a Coreia ao lançar o ERJ-145, um jato de 50 assentos. Algumas empresas nacionais forneceram a infraestrutura necessária para a produção regional de E-jets.

Indústria de armas e munições divulga comunicado sobre o momento atual


*LRCA Defense Consulting - 06/11/2022

No dia 02 novembro, a ANIAM divulgou um comunicado aos setores com interesses diretos na indústria de armas e munições (lojistas, assistências técnicas, clubes, atiradores, caçadores, colecionadores, instrutores e despachantes), posicionando-se frente aos resultados das eleições brasileiras. Veja a íntegra:

"A ANIAM - Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições atua fortemente, desde 1969, na defesa e fortalecimento de todo o segmento legal de armas e munições. Superamos diversos desafios ao longo da nossa história, como a proibição do registro de armas, e conseguimos de forma absolutamente LEGAL manter os nossos direitos e proteger nosso negócio, que é plenamente lícito, gera empregos e renda, paga impostos elevadíssimos e contribui para o desenvolvimento do país.

Agora, não será diferente. Seguiremos atentos e atuantes na defesa de um setor que é forte, legitimo e estratégico para o Brasil e os brasileiros.

Respeitamos esse momento democrático e acompanharemos o processo de transição e a formação do novo Governo, levando nosso conhecimento e as necessidades do nosso setor, sempre baseados na ética, no diálogo e no direito conquistado em 2005, no referendo popular, cujo resultado foi apoiado por mais de 65 milhões de brasileiros.

Importante lembrar que, nos dois governos anteriores do Presidente eleito, conseguimos avançar e tivemos importantes conquistas, como a realização do recadastramento e a anistia de armas, a autorização de porte de arma e redução de exigências a determinadas categorias, redução e isenção de taxas, aumento do prazo de validade dos registros, regulamentação da caça de subsistência, extensão do porte para o local de trabalho, e outras. Sempre atuando de forma republicana e dentro da legalidade.

Alertamos que não houve, até o momento, qualquer modificação na legislação. Estão mantidos todos os direitos, os requisitos, as classificações e quantidades no que se refere aquisição dos nossos produtos. Portanto, nossas atividades seguem normalmente, as indústrias estão trabalhando no sentido de atender todas as demandas dos nossos consumidores, de acordo com a legislação vigente.

No mais, o cenário atual apresenta-se mais favoravelmente em relação ao nosso segmento. As constantes discussões sobre o direito à legitima defesa contribuem para um maior conhecimento e conscientização da população sobre seus direitos. No passado, muitos nem sabiam sobre a possibilidade de adquirirem armas; hoje, somos um segmento importante da sociedade, inclusive com grande representatividade no Congresso Nacional.

O Brasil é um país democrático e alguns fatores devem prevalecer sobre qualquer viés ideológico. O nosso segmento traz importantes contribuições sob a forma de empregos, renda, tecnologia e divisas para o nosso país, e está fundado em, pelo menos, três pilares importantes para além de sua função no fortalecimento da segurança pública:
(i) o esporte do tiro, que nos deu a primeira medalha olímpica e nos tornou protagonistas no cenário mundial:
(ii) a legítima defesa, que é um direito previsto em nossa Constituição e referendado nas urnas;
(iii) o necessário controle espécies invasoras, como o javali, fundamental para o equilíbrio da fauna.

O momento para todos nós é de ação e trabalho, respeitando as opiniões e ideologias, e focados na preservação dos direitos, dos empregos e das atividades que envolvem o nosso setor. Contem com o trabalho sério, ético e comprometido da ANIAM. Continuaremos atentos e atuantes na defesa da nossa missão, buscando sempre, de forma transparente e responsável, o desenvolvimento, a solidez e a segurança jurídica deste importante setor."

05 novembro, 2022

Taurus e CBC prospectam negócios na maior feira de segurança e defesa do Sudeste Asiático


*LRCA Defense Consulting - 05/11/2022

A Taurus e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) participam da Indo Defence 2022, exposição bienal de tecnologia e venda de produtos voltados ao segmento de Defesa e Segurança. O evento acontece em Jakarta, na Indonesia, entre os dias 2 e 5 de novembro de 2022.

As marcas, consideradas entre as principais fabricantes de armas e munições do mundo, estão presentes em um estande no Pavilhão Brasil, organizado pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), ao lado de outras 16 empresas brasileiras, com o objetivo de divulgar a expertise tecnológica e de inovação da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

Organizada pelo Ministério da Defesa da Indonésia, a Indo Defence Expo & Forum, que acontece desde 2004, simultaneamente com a Indo Aerospace Expo & Forum e a Indo Marine Expo & Forum, é considerada a maior exposição de segurança e defesa terrestre, aérea e naval do Sudeste Asiático, e uma das principais exposições internacionais do setor. Em sua última edição, em 2018, participaram 217 delegações oficiais de 33 países e recebeu mais de 30 mil visitantes de 66 países.

Apresentando as mais recentes tecnologias de defesa e segurança militar, aérea e náutica, é um ponto de encontro que reúne os principais tomadores de decisão, autoridades de defesa e empresas de todo o mundo.

Taurus
Os visitantes poderão encontrar no estande da Taurus modelos de armas reconhecidos internacionalmente pelas forças militares e policiais, como o fuzil Taurus T4 no calibre 5.56 NATO em variadas versões, além da submetralhadora SMT9 e a espingarda ST12 Tactical Full.

No segmento de pistolas, destaque para a Taurus TS9 e a TH9, nas versões full e compacta, e a pistola Taurus GX4, que recentemente conquistou a premiação mais importante da indústria de armas dos Estados Unidos – o cobiçado prêmio Handgun of the Year 2022 oferecido pela revista americana GUNS & AMMO. Os visitantes ainda poderão ver as pistolas da linha G3, PT92 e 1911.

CBC
No estande da CBC, está em exposição o completo portfólio da companhia, incluindo soluções inovadoras e de alto desempenho produzidas para o segmento militar e policial, com destaque para as munições de alta tecnologia CBC 5,56 e 7,62 IR Tracer - com traço visível apenas com óculos de visão noturna -, 5,56 SAT - nova geração de munições com alto poder de penetração, com desempenho equivalente ao calibre 7,62 -, e as munições .50 Limited Range - com alcance reduzido a 50% da munição convencional para fins de treinamento sem prejuízo da precisão e eficiência.  

Além das munições CBC 40x53 mm de alta velocidade nas versões de treinamento e operacional para uso das Forças Armadas, que são compatíveis com os Lançadores Automáticos de Granadas (LAGs) mais modernos do mercado mundial. As principais vantagens dessas munições são a versatilidade de emprego e o poder de fogo superior.



Ocellott assina acordo com o Ministério do Investimento da Arábia Saudita


*LRCA Defense Consulting - 05/11/2022

A Ocellott, uma Empresa Estratégica de Defesa, assinou na última quinta-feira (27/10) um MoU (Memorandum of Understanding) com a MISA (Ministério do Investimento da Arábia Saudita). O objetivo do acordo é a aplicação de investimentos no desenvolvimento de baterias de propulsão para aeronaves elétricas, os eVTOLs (Electric vertical take-off and landing).

Essa iniciativa está alinhada com o foco de investimentos da Arábia Saudita em aviação e eletrificação, assim como no desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão para o país.

Para a Ocellott, o acordo viabiliza a aceleração do desenvolvimento do produto e permite a entrega da solução com maior brevidade ao mercado aeronáutico do Brasil e do mundo.

Sobre a assinatura do acordo, o CEO Ocellott, Henrique Lemos, comenta: “A assinatura desse acordo é um passo importante na relação entre Ocellott e a Arábia Saudita, mas também um estreitamento da relação entre a Arábia Saudita e o Brasil, principal país da América Latina. Oferecemos uma colaboração tecnológica robusta e tecnologia aeroespacial de ponta que está alinhada a visão da Invest Saudi em desenvolver uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão no Reino da Arábia Saudita.”

Display Tático de Comando e Controle

Ocellott
A Ocellott (antiga LACE) é uma empresa brasileira de engenharia eletroeletrônica especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas para os mercados Aeroespacial, Defesa e T&M (Testes e Medições). Com enorme know-how em EMI/EMC, a Oce possui as ferramentas e conhecimentos necessários para apoiar no processo de desenvolvimento dos produtos e sistemas de seus clientes com o mais alto grau de qualidade.

A Ocellott possui três unidades: Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), Vale da Eletrônica Brasileiro (Santa Rita do Sapucaí – MG) e John Mica Engineering & Aerospace Innovation Complex (MicaPlex) em Orlando, nos Estados Unidos.

Conversor de Tensão

Seus principais produtos são:
- Supressores de Surto Elétrico (Aeronáuticos e Militar)
- Filtros de Ruídos (EMI/EMC)
- Filtros de Radiofrequência (RF Filters)
- Baterias para Rádios Militares
- Conversores de Tensão
- Display Tático de Comando e Controle
- Antenas MAGE
- Bateria OCE-152
- Gerador de Raios
- Baterias Aeronáutica
- Caixas blindadas para testes 5G
- Salas Blindadas e Câmaras Anecoicas
- Antena Vivaldi LC-DPVA-0672

Bateria Aeronáutica


04 novembro, 2022

A aquisição e produção de um avião supersônico [o caso do caça Gripen]


*OBSERVATÓRIO MILITAR da Praia Vermelha, por Rodrigo Tavares Ferreira - 04/11/2022

1. Introdução

A plataforma aeronáutica militar abrange o conjunto de aeronaves e equipamentos aeronáuticos utilizados em missões militares, que vão desde os aviões de combate, como o caça, até as aeronaves de transporte, treinamento, busca e salvamento. O Estado é o principal, talvez o único comprador, para a maioria dessas plataformas (FERREIRA, 2016). As aeronaves militares, por sua vez, são produtos complexos, pois são integrados por diversos sistemas e componentes, o que torna imprescindível para a sua produção a absorção de inovações tecnológicas, desenvolvidas por diversos ramos da indústria como a eletrônica, a mecânica e a de materiais.

Para tornar este negócio economicamente viável, os fabricantes adotam uma estrutura produtiva dual, ofertando produtos e serviços para o mercado militar e civil (FERREIRA, 2016; CROUCH, 2008; FRENKEN, 2000). A relevância deste assunto pode ser demonstrada em números. Para que se tenha uma ideia dos valores movimentados por este ramo, as empresas que fabricam as plataformas aeronáuticas militares apresentaram receitas na casa de US$ 181,2 bilhões em 2015. Nesse segmento, encontram-se empresas como as norte-americanas Lockheed Martin e Boeing, a britânica BAE Systems, a italiana Finmeccanica, a russa Russian Helicopters e a sueca SAAB (FERREIRA, 2016).

A empresa brasileira Embraer também atua neste ramo. Com foco voltado na fabricação de aviões, a EMBRAER ocupa uma posição de destaque no mercado internacional. Em 2021, a EMBRAER apresentou uma receita líquida de US$ 4,60 bilhões. Como dados, cumpre ressaltar que a indústria aeronáutica brasileira produz cerda de 60% dos aviões e 40% dos helicópteros utilizados nas Forças Armadas (ISTO É, 2022; FERREIRA, 2016; FERREIRA, 2009).

Considerando a relevância das informações anteriormente mencionadas e pelo fato de o Brasil ter adquirido recentemente a aeronave Gripen junto à empresa sueca SAAB, surge o seguinte questionamento: Como é realizada a aquisição e a produção de um avião supersônico?

Para responder este questionamento, este artigo está estruturado da seguinte forma: incialmente realiza-se uma breve introdução seguida do anúncio da pergunta que norteia este artigo. Na sequência, discorre-se sobre o planejamento estratégico para a aquisição do caça Gripen. Após, realiza-se uma apresentação sobre a cadeia de suprimentos para produção do caça Gripen. Depois disso, descreve-se sobre o modal de transporte utilizado para a entrega do caça Gripen ao Brasil. Em seguida, são tecidos alguns detalhes adicionais sobre o regime especial de tributação e a sua importância para a aquisição do caça Gripen. Na parte final deste artigo, são realizadas algumas considerações sobre a aquisição e a produção do caça Gripen.

2. O Planejamento Estratégico para a aquisição do caça Gripen

O Governo Brasileiro, de acordo com o planejamento estratégico previsto no Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN), autorizou a Força Aérea Brasileira, por meio do projeto F-X2, a adquirir aeronaves caça de última geração, para cumprir um variado leque de missões, como a defesa aérea, o ataque e o reconhecimento aéreo (FERREIRA, 2016; BRASIL, 2020; FAB, 2021; SOUZA, 2021). Além da aquisição de novas aeronaves, outro objetivo é a obtenção e transferência de tecnologia importada, capacitando a indústria nacional a produzir aviões supersônicos (SAAB, 2021; SOUZA, 2021; FERREIRA, 2016).

Para isso, a Força Aérea Brasileira determinou alguns requisitos para as empresas interessadas no projeto F-X2, tais como: o Know-how para a fabricação de aviões supersônicos para a Embraer e suas parceiras nacionais, a adaptação da aeronave a necessidade do cliente, a construção de uma cadeia de suprimento complexa, a produção e montagem do avião, o transporte das aeronaves e a realização do suporte com o treinamento de pilotos e mecânicos (ABRACOMEX, 2022; SAAB, 2021; SOUZA, 2021; FERREIRA, 2016).

3. A Cadeia de Suprimentos para produção do caça Gripen

A fabricante sueca SAAB, responsável pelo avião Gripen, obedeceu a todos os requisitos técnicos e, assim, foi iniciada a aquisição de 36 aeronaves F-39 Gripen, ao custo de R$13,4 bilhões. A partir deste ponto, iniciou-se o planejamento para as atividades da cadeia de suprimento do caça Gripen, visando o seu desenvolvimento e produção (FERREIRA, 2016; FAB, 2021; SAAB, 2021; SOUZA, 2021).

Primeiramente, a SAAB empreendeu a prospecção de empresas nacionais, com a capacidade de fornecer materiais de alta tecnologia. Como resultado, a SAAB estabeleceu parcerias estratégicas com seis empresas e estas forneceram os insumos necessários à produção do caça Gripen, conforme discriminado a seguir:

Primeira Empresa - EMBRAER

Empresa responsável pelo desenvolvimento conjunto na área de engenharia, integração final, produção, ensaios em voo e suporte logístico (SAAB, 2021). A Embraer irá coordenar todas as atividades de produção no país, incluindo a integração dos sistemas, a montagem final, os testes em voo e as entregas para a FAB (SAAB, 2021; ANDRADE, 2016; STOCHERO, 2014).

Segunda Empresa - AKAER:

Empresa responsável pelo desenvolvimento das estruturas para aviação com o projeto da fuselagem traseira, fuselagem central, asas, portas do trem de pouso principal, local de instalação do canhão, assessoria na área de manufatura e de projetos elétricos (SAAB, 2021).

Terceira Empresa - AEL SISTEMAS:

Empresa responsável pelo fornecimento dos três displays de cabine do Gripen: o Wide Area Display (WAD), o Helmet-Mounted Display (HMD) e o Head-up Display (HUD). Em novembro de 2018, a AEL Sistemas passou a integrar a cadeia global da Saab (SAAB, 2021).

Quarta Empresa - ATECH

Empresa responsável pelo fornecimento dos simuladores, dos sistemas de treinamento e dos sistemas de apoio terrestre (SAAB, 2021).

Quinta Empresa -  SAAB AERONÁUTICA MONTAGENS

Empresa responsável pela produção de aero estruturas do cone de cauda, dos freios aerodinâmicos, do caixão das asas, da fuselagem traseira e da fuselagem dianteira (SAAB, 2021).

Sexta Empresa - SAAB SENSORES E SERVIÇOS DO BRASIL

Empresa responsável pelo suporte logístico e técnico para o radar, para o sensor de busca de alvos por infravermelho e para os sistemas de guerra eletrônica (SAAB, 2021).

Para o processo de fabricação dos caças Gripen, a EMBRAER e a SAAB estabeleceram um acordo para o desenvolvimento final e a produção da aeronave Os primeiros 21 caças serão produzidos na SAAB (situada na Suécia), na EMBRAER (situada em Gavião Peixoto-SP), na AKAER (situada em São Bernardo do Campo-SP) e na SAAB Aeronáutica Montagens (também situada em São Bernardo do Campo-SP). As 15 aeronaves restantes deverão ser totalmente montadas no Brasil, sob a liderança da EMBRAER (SAAB, 2021; ANDRADE, 2016; STOCHERO, 2014).

A fase final do projeto é a entrega do caça Gripen à Força Aérea Brasileira. As aeronaves serão entregues no Gripen Flight and Test Centre (GFTC), unidade conjunta da SAAB e EMBRAER, situada na cidade de Gavião Peixoto-SP. Neste local, os pilotos e técnicos, das empresas e da Força Aérea Brasileira, empreenderão os testes finais nos aviões, homologando os mesmos a efetivar os voos para diversas regiões e países. Depois disso, as aeronaves serão entregues em definitivo para a Força Aérea Brasileira, finalizando o projeto (VALOR ECONÔMICO, 2022).

4. O modal de transporte utilizado para a entrega do caça Gripen ao Brasil

Os aviões não poderiam vir voando da Suécia até o Brasil pelos seguintes motivos: o primeiro é a distância de 10.000 km entre os países. Tendo em vista que estas aeronaves possuem uma autonomia de voo de 4.000 km, as aeronaves precisariam fazer dois reabastecimentos, o que tornaria a operação muito custosa; o segundo motivo é a falta de habilitação da aeronave para o voo, que é concedida por uma autoridade aeronáutica (FOLHA DE S. PAULO, 2022; VALOR ECONÔMICO, 2022).

A solução foi transportar os aviões por navio. O modal de transporte marítimo é o modal mais utilizado no transporte internacional para longas distâncias, pois tem o menor custo de transporte, possui uma enorme capacidade de carga e pode carregar qualquer tipo de carga, como os caças Gripen (ABRACOMEX, 2022a).

Tendo como premissa de que as aeronaves chegariam no Brasil em portos, surgiram outros desafios a serem superados, quais sejam: o primeiro era relativo ao porto, que precisava estar situado próximo a um aeroporto, local de onde os aviões seguiriam voando até a Gavião Peixoto-SP; o segundo era otimizar o translado das aeronaves do porto até o aeroporto, pois evitaria que o mesmo ficasse exposto nas ruas da cidade. Desse modo, a escolha recaiu sobre o porto de Navegantes (SC), localizado a menos de 3 quilômetros do aeroporto internacional de Santa Catarina (AEROIN, 2022; NSC, 2022; VALOR ECONÔMICO, 2022).

Por conseguinte, os dois primeiros aviões foram transportados da Suécia para o Brasil. Depois de 23 dias, o navio cargueiro holandês Marsgracht, chegou ao porto de Navegantes, localizado no estado de Santa Catarina.

5. O Regime especial de tributação e a sua importância para a aquisição do caça Gripen

Este complexo sistema logístico, envolvendo uma empresa estrangeira e diversas empresas nacionais, foi possível, devido a promulgação da lei nº 12.598/2012, que estabeleceu as normas especiais para compras, contratações e desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa (BRASIL, 2012). Esta lei regulamentou o benefício do Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa (RETID), permitindo que as empresas estratégicas de defesa nacionais participem em melhores condições competitivas nas licitações dos projetos de reaparelhamento das Forças Armadas brasileiras (SOUZA, 2021).

Por meio desta lei, as empresas da Base Industrial de Defesa, recebem benefícios fiscais que desoneram praticamente toda a cadeia produtiva, tanto no mercado interno, quanto para a importação. O RETID é aplicado sobre a Cofins. As exonerações de tributos contribuem para a redução dos custos de produção, permitindo assim, uma redução média de 36,87% no preço final dos produtos para as Forças Armadas brasileiras (SOUZA, 2021).

6. Conclusão

A aquisição de uma aeronave de combate, como o caça Gripen, é um projeto complexo e de difícil execução. Um avião deste tipo, com uma enorme quantidade de tecnologia embarcada, não é um item “de prateleira” disponível para comprar a qualquer momento. Para a sua obtenção, faz-se necessário um planejamento estratégico no nível do Governo Federal, envolvendo não só a Força Aérea Brasileira, como também, diversas empresas nacionais e estrangeiras.

No caso do Gripen, o resultado observado com a sua compra foi o enorme ganho tecnológico proporcionado às empresas brasileiras participantes da cadeia produtiva da aeronave, como por exemplo, a AEL SISTEMAS, que passou a integrar a cadeia global da SAAB, e a Embraer ,que está obtendo o know how para a produção de aviões supersônicos. Assim sendo, o Brasil alcançará a tão almejada autonomia na fabricação de caças de última geração, podendo no futuro, beneficiar-se com a exportação de aviões para outros países. Outro benefício alcançado foi a expertise na logística de transporte de cargas especiais para a FAB, e por conseguinte, para as Forças Armadas.

A atuação do Poder Legislativo Federal foi fundamental para esta empreitada, porque ao legislar sobre a Lei nº 12.598/2012, o Congresso Nacional contribuiu para a desoneração de impostos para as empresas da Base Industrial de Defesa. Dessa forma, as Forças Armadas brasileiras atualmente estão conseguindo adquirir produtos de defesa com uma redução de, aproximadamente, 36,87% do seu preço final.

Em vista do exposto, pode-se concluir que a aquisição e produção de um avião supersônico envolveu o Governo Federal, o Poder Legislativo Federal, a Força Aérea Brasileira, as empresas da base industrial de defesa, uma empresa estrangeira e uma grande parcela da sociedade brasileira, demonstrando a enorme relevância deste assunto para o Brasil.

CEO da Taurus prevê mais de 300 vagas de emprego em nova operação de São Leopoldo


*Berlinda News, por Juliano Palhinha - 21/10/2022

Cumprindo fielmente o Planejamento Estratégico de cinco anos, a Taurus prevê abrir mais de 300 vagas de empregos para operação da nova planta localizada no bairro São Borja, em São Leopoldo.

A empresa investiu R$ 14,6 milhões em 14 novos maquinários. São eles: oito centros de usinagem verticais série KF, quatro centros de usinagem verticais série I-CUT e dois centros de torneamento horizontal. Todos estão sendo instalados no pavilhão de aproximadamente 2 mil metros quadrados. O prédio que já passou por reformas fica em uma área que foi adquirida pela Taurus no final de 2021. A partir da utilização destes equipamentos, a empresa terá um significativo aumento na linha de produção de pistolas e armas táticas.

“A Taurus continua fortemente comprometida com a nossa sociedade e sempre que possível aumentando os postos de trabalho, mas principalmente investindo no desenvolvimento das pessoas. A ampliação do complexo industrial da Taurus prevê uma geração de mais de 300 novos empregos na operação. Seguindo sempre com nosso compromisso com a sociedade, de gerar empregos e capacitar/treinar as pessoas”, afirmou o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, com exclusividade à reportagem do BerlindaNews.

O CEO também destacou os programas e projetos desenvolvidos pela empresa, entre eles o do Jovem Aprendiz, Taurus do Bem e o Projeto Brilhar.

“Temos vários projetos envolvendo a área de recursos humanos. O Jovem Aprendiz tem como objetivo incluir jovens-adolescentes no mercado de trabalho, através da qualificação técnica. Há ainda o Programa Educacional de Excelência em Pesquisa e Inovação, o PROET, que visa a qualificação acadêmica e profissional, através de desenvolvimento de talentos em parcerias universitárias com até 70% de reembolso no valor do curso. Este programa é destinado aos colaboradores-estudantes que, através do aprendizado adquirido nos cursos de pós-graduação, mestrado, e doutorado, desenvolvem projetos de melhoria contínua em produtos e processos nas áreas estratégicas da companhia”, explicou Nuhs, que detalhou como funciona outros programas e projetos realizados pela empresa. 

“Tem o Taurus do Bem – Respeitando as diferenças em prol da igualdade, que por meio de capacitação técnica, visa incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Leopoldo e o Projeto Trilhar, que iniciou como forma de desenvolvimento profissional, através da criação de trilhas de carreiras dentro de cada unidade fabril. Assim, todos os colaboradores têm acesso claro sobre a trilha de desenvolvimento profissional dentro da companhia, gerando engajamento e satisfação dos profissionais.”

Produção de armas para este ano e 2023
De acordo com o planejamento estratégico da Taurus, o ano de 2023 deve seguir dentro do previsto, considerando um forte plano de lançamento de novos produtos e novas tecnologias, além de focar nos principais mercados, como os Estados Unidos, priorizando sempre o mercado interno. “Somos uma empresa global e nosso direcionamento estará focado naqueles mercados onde teremos melhor rentabilidade e estrategicamente compensando possíveis fatores externos regionais”, afirma Nuhs.

Só ano passado, a Taurus produziu 2,250 milhões armas, sendo que dessas, 1,382 milhão armas foram produzidas aqui no Brasil. “Não estamos prevendo grandes mudanças nesse momento, apenas no mix de produtos, em virtude da mudança de comportamento do mercado norte-americano, que está mais direcionado para aquisição de revólveres, ao invés de pistolas. A fabricação do revólver envolve mais mão de obra e horas de trabalho”, projeta.

03 novembro, 2022

Autoridades brasileiras inauguram o Pavilhão Brasil na Indo Defence 2022


*LRCA Defense Consulting - 04/11/2022

Na manhã desta quarta-feira (2), o Embaixador Brasileiro na Indonésia, José Amir da Costa Dornelles, e o Secretário-Geral do Ministério da Defesa do Brasil, General Sérgio José Pereira, descerraram a fita de abertura do Pavilhão Brasil na Indo Defence 2022. A exposição, maior evento da área de Defesa e Segurança do sudoeste asiático, acontece até sábado (5) no Jakarta International Expo Center.

O Pavilhão Brasil é organizado pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materias de Defesa e Segurança), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)

Também participaram da solenidade de abertura o Secretário de Produtos de Defesa, General Luis Antônio Duizit Brito, o Diretor de Promoção Comercial, Major-Brigadeiro Antonio Ferreira de Lima Júnior, e o Presidente Executivo da ABIMDE, General Aderico Mattioli, além de representantes das associadas expositoras.

O Pavilhão Brasil ocupa uma área de mais de 200 metros quadrados e acolhe 18 empresas brasileiras, que aceitaram o convite da ABIMDE para participar da Indo Defence: A.S. Avionics, AEQ, Akaer, Ares, Avibras, BCA, CBC, Condor, CSD, Embraer, Emgepron, Gespi, Kryptus, M&K Assessoria, Mac Jee, Neger, Siatt e Taurus.

O grande número de delegações que passaram pelo Pavilhão Brasil, logo no primeiro dia da exposição, já deu mostras do potencial do mercado asiático.

Entre as autoridades que visitaram os estandes das empresas brasileiras, estão o Ministro da Defesa da Tailândia, com sua comitiva, o Secretário de Produtos de Defesa da Indonésia e as delegações das Filipinas e da Arábia Saudita. Todos ficaram positivamente impressionados com a capacidade da Base Industrial de Defesa Brasileira, sinalizando boas oportunidades de parcerias e negócios.


Akaer leva suas modernas soluções de defesa para a Indo Defence 2022 na Indonésia


*LRCA Defense Consulting - 03/11/2022

Entre 2 e 5 de novembro de 2022, a empresa brasileira Akaer participará da Indo Defence Expo & Forum, considerada a maior feira de Defesa do Sudeste Asiático e uma das mais relevantes do setor no mundo.

Realizada simultaneamente com a Indo Aerospace Expo & Forum e a Indo Marine Expo & Forum, a exposição ocorrerá em Jacarta, na Indonésia. Em sua última edição, em 2018, recebeu mais de 30 mil visitantes, incluindo 217 delegações estrangeiras.

“Sempre de olho nas tendências do mercado nacional e internacional, a Akaer marca presença em importantes feiras para demonstrar suas capacidades tecnológicas, fomentar negócios e ficar por dentro das novidades e demandas do segmento”, afirma Aldo da Silva Junior, Vice-Presidente de Marketing e Vendas da Akaer.

Na Indo Defence, os destaques da empresa serão o programa de modernização de veículos de combate blindados “Cascavel”,  o Albatross - projeto de UAS para reconhecimento terrestre e naval, que pode ser configurado para outros tipos de missões, e a capacidade de modernizações e modificações de aeronaves.

“Somos preparados para prover soluções em plataformas aéreas ou terrestres, cobrindo todo o ciclo de desenvolvimento, desde a concepção, projeto, integração de sistemas, testes e certificação”, declara Aldo.

Modernização de veículos de combate
A empresa exibe suas capacidades para modernização de veículos blindados, aumentando a vida útil das viaturas e a força de combate.

Dentre os possíveis pacotes de modernização, salientam-se a implantação de nova motorização, revitalização da suspensão, instalação de torres de comando automatizada para melhora da consciência situacional, substituição das miras óticas por optrônicos de última geração para busca e pontaria dos alvos e instalação de lançadores de mísseis anti-tanque.

Destaca-se a possibilidade de instalação de modernos computadores de tiro para execução de todos os cálculos balísticos e um outro computador de comando e controle o qual analisará em tempo real os parâmetros ambientais que possam interferir na execução das missões.

Recentemente, a Akaer venceu a concorrência aberta pelo Exército Brasileiro para atualização da viatura blindada Cascavel. O programa já está em andamento.

UAS (Unmanned Aircraft System ou Sistema de Aeronave não Tripulada)
Outra capacidade apresentada pela Akaer é o UAS “Albatross” para reconhecimento terrestre e naval, sendo que o mesmo pode ser adequado para outras finalidades como ataque ao solo. A plataforma possui  amplos compartimentos internos os quais somados aos seus pontos duros possibilitam o transporte de uma carga útil que poderá ser composta de sensores e sistemas de ataque.

Por meio do seu design inovador e de sua grande autonomia de voo, esse sistema fica por muitas horas sobre a área de atuação, atendendo plenamente as múltiplas necessidades do seu operador.

Drone Albatross

Modificação e Modernização de Aeronaves
A empresa expõe sua capacidade de desenvolvimento de modificações para aeronaves - alterações de estruturas, mecanismos primários, novos interiores e instalação de equipamentos e sistemas. Todas essas atividades são plenamente aplicáveis em aeronaves comerciais, VIPs e militares tanto de asa rotativa como fixa.

Para as modernizações, destacamos o trabalho feito com o P3 Orion da Força Aérea Brasileira (FAB) destinado à patrulha do litoral brasileiro, no qual o mesmo passou por um processo completo de revitalização das suas asas, prolongando assim a vida útil dessa importante plataforma de vigilância aérea.

Em modificações a Akaer está desenvolvendo para a empresa Turca Turkish Aerospace Industries uma aeronave da versão especial ASOJ (Airborn Standoff Jammer ou Jammer de Suporte Aéreo) (Outstanding Jammer Aircraft), especializada em guerra eletrônica. Neste projeto a Akaer é a responsável por grande parte da modificação, incluindo as estruturas, instalação de sistemas, aerodinâmica, entre outras áreas de tecnologia.
 

Taurus fornece 1.200 pistolas TS9 para PM de Roraima

*LRCA Defense Consulting - 03/11/2022

A Taurus, maior vendedora de armas leves do mundo, entregou, no dia 25 de outubro, 1.200 pistolas modelo TS9, calibre 9mm, para a Polícia Militar de Roraima (PMRR).

A pistola Taurus TS9 é mundialmente reconhecida como uma arma que possui inovação, confiabilidade, segurança e precisão. Seu projeto exclusivo foi desenvolvido atendendo aos mais rigorosos padrões de qualidade e segurança exigidos pelos órgãos de segurança mais qualificados do mundo.

A aquisição aconteceu por meio de projeto da PMRR e da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP), com recursos do governo federal junto à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), e reforça a confiança das instituições policiais e militares brasileiras na qualidade e desempenho dos produtos Taurus.

Os armamentos serão distribuídos para integrantes da Polícia Militar de Roraima visando o fortalecimento da segurança pública do Estado.

 

02 novembro, 2022

A eleição de Lula e a indústria brasileira de armas leves e munições


*LRCA Defense Consulting - 02/11/2022

A eleição de um Presidente de esquerda e francamente contrário ao direito de o cidadão de bem possuir e/ou portar armas, mesmo dentro dos rígidos limites da lei, é realmente um problema para a indústria brasileira do setor de armas leves e munições, haja vista que lhe retira uma parcela das vendas destinadas aos civis, que pode ser expressiva ou não conforme a empresa.

Evidentemente, nesse novo cenário, desde que todos os Decretos do Presidente Bolsonaro sobre o assunto sejam revogados, algumas das cinco empresas brasileiras que produzem armas leves poderiam ser seriamente prejudicadas, já que, até o momento, têm seu direcionamento quase que exclusivo para o mercado interno civil, como é o caso da DFA Defense e da Fire Eagle.

A estatal Imbel, apesar de vir a ser prejudicada, ainda tem o mercado institucional cativo do Exército Brasileiro e a possibilidade de continuar vendendo para alguns órgãos policiais e guardas civis municipais. Caso similar aconteceria com a divisão de armas longas da CBC, que ficaria praticamente restrita ao mercado de segurança institucional (destino majoritário de suas vendas) e à exportação de carabinas Puma e de espingardas. 

A venda de munições da CBC seria afetada apenas marginalmente, já que possui unidades produtivas no Brasil, Alemanha e República Tcheca (inclusive uma na Índia em joint venture, que deverá entrar em funcionamento em 2023), além de centros de distribuição no Brasil, Estados Unidos e Europa, o que faz da CBC Global Ammunition a líder mundial em munições para armas portáteis. No Brasil, tem quase 100% do mercado, com foco maior nas Forças Armadas e nas demais forças de segurança. 

A Boito, embora venha a ser atingida, ainda terá alguma margem de manobra, haja vista que seu foco principal são armas de caça, embora possua uma linha de espingardas pump, mais direcionada às forças de segurança.

O caso da Taurus Armas
A Taurus Armas domina (em conjunto com as armas longas da CBC) quase 80% do mercado brasileiro de armas leves. Ao longo dos anos, diversas empresas internacionais tentaram aqui se estabelecer, mas todas desistiram frente à insegurança jurídica, aos entraves regulatórios e à política tributária que se abate sobre este setor.

Com orgulho de ser uma empresa nascida e crescida no Brasil há mais de 80 anos, os consumidores brasileiros sempre foram a prioridade estabelecida pela Taurus ao traçar suas estratégias empresariais, mesmo tendo ela uma maior lucratividade no mercado externo. Com isso, apesar de uma demanda externa muito aquecida nos últimos três anos, fez questão de atendê-los primeiro, em detrimento do mercado internacional, onde está a quase totalidade de seu backorder. Este é um dos motivos pelos quais o mercado interno, embora represente, historicamente, somente de 12 a 15% do total de vendas (18,5% no 1S22), contribuiu com cerca de 28,6% da receita operacional líquida (armas & acessórios) do último semestre.

Nesse ponto, é relevante lembrar que o turnaround da Taurus Armas foi iniciado logo após sua aquisição pela CBC em 2015, sendo fortalecido e consolidado após a chegada da atual equipe diretiva. Em consequência, a "virada de mesa" da Taurus aconteceu sob a vigência das normas ainda estabelecidas pela Lei nº 10.826/2003 (conhecida como Estatuto do Desarmamento), sendo anterior, portanto, aos decretos emitidos pelo Presidente Bolsonaro a partir de 2019 e ao próprio Presidente.

A Taurus vendeu 1 milhão de armas no 1º semestre de 2022. Foram 770 mil para os EUA e 52 mil para o resto do mundo, no total de 822 mil, comercializadas em dólar. Para o Brasil foram 186 mil armas, comercializadas em reais, boa parte delas para os órgãos de segurança.

Com um backorder (pedidos em carteira) de 462 mil armas no final do primeiro semestre, ou seja, com quase três meses de produção já praticamente vendida, sendo 90% para o mercado externo, a Taurus, por ser uma multinacional e ter mais de 80% de sua produção voltada para o mercado internacional, está numa situação bastante confortável para encarar o cenário traçado, como tem declarado Salesio Nuhs, CEO Global da empresa, desde que, ainda em 2021, tal cenário começou a ser esboçado como uma possibilidade.

Nova fachada da Taurus Armas após as ampliações previstas para até 2025

Planejamento estratégico firme prevê opções para a empresa
Em março de 2021, em declaração a esta editoria, Salesio Nuhs afirmou que "a Taurus tem um planejamento estratégico muito firme e, evidentemente, nesse planejamento estratégico, pela natureza de seu produto, são consideradas possíveis alterações no mercado e nas questões políticas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, que é o maior mercado da companhia. O mercado brasileiro é pequeno para a Taurus. Com isso, essas alterações políticas [as possibilidades, na época, de Lula concorrer e vencer nas eleições de 2022, e a ingerência do STF] não mudam os resultados financeiros da empresa". 

Salesio completou dizendo que "Evidentemente, o que pode mudar é a questão do direito do cidadão de possuir uma arma para a legitima defesa, mas isso não chega a impactar financeiramente a empresa".

Em agosto de 2021, em entrevista ao InfoMoney, o CEO da Taurus foi bastante claro:  “Se tivermos um revés na questão política, o mais grave será o cerceamento do direito democrático de comprar arma de fogo. Em 2005 tivemos uma vitória [63,94%] em referendo a favor das armas, que não foi democraticamente respeitada.”

Em relação aos negócios da empresa, foi categórico: “É inconveniente ter uma fábrica de armas em um país anti-armas, mas em resultado isso não nos preocupa. Toda a nossa produção seria mandada para o exterior se houvesse uma proibição total.”

Em tal cenário, uma possível queda nas vendas internas poderia ser compensada facilmente com aumento do esforço de vendas nos EUA e em outros países, como na Índia a partir de janeiro de 2023, quando a unidade fabril nesse país entrará em operação. 

Para tanto, entre outras medidas e além da exportação direta de produtos acabados, o planejamento estratégico da empresa prevê o estabelecimento de um hub de produção de peças e componentes (kits) no Brasil, que serão enviados às unidades fabris dos EUA e da Índia, onde serão utilizados para a montagem das armas que receberão o Made in USA ou Made in India, conforme o caso.

Prevê ainda a possibilidade de dobrar a capacidade produtiva da fábrica americana, haja vista que esta tem espaço físico para crescer muito. Possibilidade similar poderá ser concretizada também na Índia, pois lá se encontra o maior e mais inexplorado mercado mundial para armas leves, e a Taurus tem possibilidades reais de passar a ser um dos grandes players desse mercado.

Uma outra opção possível é a transferência estratégica de linhas de montagem do Brasil para os EUA e/ou para Índia, assim como já aconteceu com uma da pistola TS9 e outra da pistola G2c em 2020 para os Estados Unidos, o que pode ser feito em um prazo curto, se for necessário.

É ainda importante salientar que as Polícias de todos os tipos, Guardas Municipais e integrantes das Forças Armadas e das Forças Policiais continuariam comprando armas de calibres superiores, como faziam até 2018, conforme a legislação específica permitia. A propósito, as armas de calibres restritos (que recentemente tiveram a venda proibida a CACs pelo STF) representam apenas 3% do faturamento da empresa, sendo que seus consumidores, na grande maioria, são dos Estados Unidos.

A nova configuração do Congresso e dos principais governadores
O Partido Liberal (PL), do qual o Presidente Jair Bolsonaro é integrante, conquistou oito das 27 vagas em disputa no Senado, formando a maior bancada dessa Casa Legislativa. Na Câmara, o PL elegeu uma superbancada de 99 deputados – novamente a maior para o ano que vem. 

No total, foram eleitos 43 senadores (53%) e 274 deputados (53%) representando os ideais conservadores.

Em conjunto, o novo Congresso e os governadores de direita que foram eleitos em 14 estados, inclusive nos mais influentes do País (vide imagem), representam a maior vitória dos ideais conservadores na história do Brasil.


Essa nova configuração política possibilitará ao novo Congresso (com o respaldo dos governadores dos principais estados) rejeitar, aprovar, alterar ou extinguir normas legais de acordo com os interesses da maioria - como o Estatuto do Desarmamento, por exemplo - trazendo ao País um novo e perene arcabouço legal que possa proporcionar uma maior segurança jurídica às empresas, aos investidores e aos consumidores.

Possibilitará também que seja votada e aprovada uma nova "lei das armas", com base no Projeto de Lei n° 2424, de 2022, de autoria do atual Senador Lasier Martins, que visa "alterar os arts. 3º, 4º, 5º, 8º, 23 e 27 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, para regulamentar o direito de propriedade de arma de fogo, prever requisitos de idoneidade para aquisição de arma de fogo, definir a quantidade e espécies de armas permitidas à posse e porte, regulamentar o uso de arma para defesa e dar interpretação a artigos da Lei 10.826".

Conclusões
Caso se imponha esse cenário restritivo, limitando (em maior ou menor grau) os produtos disponíveis ao mercado interno (armamento, munições e acessórios), os grandes prejudicados serão os consumidores brasileiros, tanto os CACs como os demais cidadãos de bem que terão seu direito à legítima defesa não respeitado (mais uma vez), enquanto veem criminosos de todo o tipo se armarem e atentarem livremente contra sua segurança, de sua família e de seu patrimônio.

De igual forma, também serão prejudicados os milhares de proprietários e trabalhadores nas  pequenas fábricas, lojas, clubes e demais empresas do setor atingidas, que poderão perder seus negócios ou seus empregos. 

Perderá também a economia de municípios e estados, seja pela diminuição de receita com impostos e divisas, seja por terem que arcar com novos custos sociais e de saúde para com os desempregados. 

Quanto à Taurus, por ser uma multinacional vocacionada para a exportação, bastará colocar em execução o seu planejamento estratégico para a situação e se voltar, nova e primordialmente, ao mercado internacional, direcionando para este a maior parte de seus produtos e/ou transferindo outras linhas de montagem para as unidades dos EUA e da Índia.

Ao fim e ao cabo, é possível estimar que, em qualquer que seja o cenário, a Taurus tenderá a continuar crescendo e apresentando números expressivos de vendas e receitas, semelhantes aos verificados nos últimos anos, haja vista que o mercado internacional tem condições de absorver o que não puder ser comercializado no Brasil. 

No entanto, tais restrições e consequências negativas poderão deixar de existir, à revelia da vontade do futuro Presidente, bastando que o novo Congresso Nacional decida votar e aprovar o Projeto de Lei n° 2424, de 2022. Neste cenário, o mercado brasileiro de armas e munições seria integralmente mantido, com todas as consequências positivas decorrentes para o setor, para os investidores e para os consumidores.

01 novembro, 2022

Indo Defence 2022: ABIMDE e 18 empresas expõem tecnologia brasileira de Defesa e Segurança


*LRCA Defense Consulting - 01/11/2021

A Base Industrial de Defesa e Segurança do Brasil estará representada na Indo Defence Expo & Forum 2022, que acontece entre os dias 2 e 5 de novembro em Jacarta, na Indonésia. O Pavilhão Brasil, organizado pela ABIMDE (Associação  Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), contará com a participação de 18 empresas brasileiras.

A Indo Defence é considerada a maior exposição de segurança e defesa terrestre, aérea e naval do Sudeste Asiático, e uma das principais exposições internacionais do setor. Em sua última edição, em 2018, recebeu mais de 30 mil visitantes, incluindo 217 delegações estrangeiras.

O Pavilhão Brasil tem como objetivo divulgar a expertise tecnológica e de inovação da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

“Criar oportunidades de novos negócios no mercado global e fomentar as exportações de produtos de defesa e segurança estão entre os principais compromissos da ABIMDE com a indústria nacional.  Graças ao apoio da ApexBrasil, conseguimos levar um grande número de empresas e representar a BIDS nas principais feiras internacionais de interesse de nossas associadas”, disse o General Aderico Mattioli, Presidente Executivo da ABIMDE.

Empresas brasileiras participantes
Estarão presentes no Pavilhão Brasileiro da Indo Defence as empresas: A.S. Avionics, AEQ, Akaer, Ares, Avibras, BCA, CBC, Condor, CSD, Embraer, Emgepron, Gespi, Kryptus, M&K Assessoria, Mac Jee, Neger, Siatt e Taurus.

Mostra BID Brasil encerrará agenda de exposições
A Indo Defence Expo & Forum 2022 encerra a agenda de participação da ABIMDE em exposições internacionais neste ano, mas o grande evento da área de Defesa e Segurança do calendário nacional acontece em dezembro: a 7ª Mostra BID Brasil.

Realizada pela ABIMDE com apoio da ApexBrasil, a Mostra BID Brasil acontecerá entre os dias 6 e 8 de dezembro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). Durante os três dias, as principais empresas brasileiras do setor irão expor seus produtos e tecnologias para um público qualificado, que inclui delegações estrangeiras, embaixadores e adidos militares de diversos países.

Postagem em destaque