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11 janeiro, 2026

RZ-21 "Periquito": a nova era dos paraquedas militares brasileiros

 

*LRCA Defense Consulting - 11/01/2026

O Exército Brasileiro está substituindo seus paraquedas de tropa após três décadas de uso do mesmo modelo. O novo equipamento, denominado RZ-21 "Periquito", representa um marco na modernização das capacidades aeroterrestres do país e é fruto de desenvolvimento 100% nacional.

Desenvolvido pela empresa brasileira Vertical do Ponto, localizada na Vila Militar de Deodoro no Rio de Janeiro, o RZ-21 é produzido pela primeira e única fábrica de paraquedas militares da América Latina. A empresa, que atua no mercado desde 1990, integra a Base Industrial de Defesa do país e tem o Exército Brasileiro como seu principal cliente.

Primeiro salto e emprego real na Amazônia
O primeiro salto oficial utilizando o modelo RZ-21-1 foi realizado em 8 de fevereiro de 2024 na Zona de Lançamento dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Para demonstrar a confiança no novo equipamento, os primeiros a saltar foram o Tenente-Coronel Rodrigo Tavares Ferreira, comandante do Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA), e o Tenente-Coronel Fabio Renato Majeski, subcomandante da unidade.

Recentemente, durante a Operação Atlas em 2025, 80 militares da Força-Tarefa Afonsos realizaram saltos táticos em Boa Vista (RR) utilizando o RZ-21, demonstrando a capacidade de infiltração aeroterrestre em ambiente amazônico.


Inovações
O modelo RZ-21-1 destaca-se por possibilitar saltos intencionais a partir de aeronaves, com abertura automática acionada diretamente pela Bolsa do Velame. O sistema requer um tempo mínimo de salto superior a um segundo, garantindo maior estabilidade no lançamento, especialmente em saltos a partir de aeronaves em movimento.

Uma das principais inovações técnicas do RZ-21 está em seu velame, confeccionado com um tecido especial de dupla permeabilidade. Composto por 30 painéis e 30 linhas de suspensão que atravessam da rede para o interior do velame, este método construtivo confere ao paraquedas sua distintiva forma lenticular, proporcionando melhor desempenho aerodinâmico e estabilidade durante o voo.

A estrutura cônica do paraquedas, feita em tecido híbrido de nylon, reduz significativamente o impacto no momento da abertura do velame em comparação ao modelo anterior. Esta característica proporciona maior conforto e segurança aos paraquedistas, diminuindo o risco de lesões causadas pela desaceleração brusca.

Com capacidade de suportar até 181 quilogramas e velocidade de descida controlada de 4 metros por segundo, o RZ-21-1 oferece aos paraquedistas maior capacidade de carga e pousos mais suaves e previsíveis.

O paraquedas demonstra capacidade de direção em 360 graus em apenas 9 segundos, permitindo navegação precisa até o ponto de aterragem previsto. A velocidade máxima de lançamento é de 150 nós, compatível com as aeronaves de transporte militar utilizadas pelo Brasil, incluindo o KC-390 Millennium.

A modernização não se limita apenas ao equipamento principal. Recentemente, o 1º Tenente André Luiz Leal Bevictori, aluno do Instituto Militar de Engenharia (IME), desenvolveu um novo pino de acionamento em aço inoxidável para o paraquedas reserva RZ-21, substituindo o modelo anterior feito com cabo de aço flexível revestido com teflon. A inovação garante maior durabilidade, rigidez e confiabilidade no acionamento do paraquedas de emergência.

Investimento estratégico na BID
A adoção do RZ-21 pelo Exército Brasileiro representa um investimento estratégico na Base Industrial de Defesa (BID) nacional. Ao contar com fornecedores locais como a Vertical do Ponto, o país fortalece sua autonomia tecnológica e reduz a dependência de equipamentos importados, aspecto fundamental para a soberania nacional em cenários de crise ou conflito. 

Maior operacionalidade para a Brigada de Infantaria Para-quedista
O Batalhão DOMPSA já iniciou a dobragem em série dos novos paraquedas, marcando oficialmente o fim de uma era de mais de 30 anos com o modelo anterior. A transição fortalece as capacidades operacionais da Brigada de Infantaria Para-quedista, sediada no Rio de Janeiro e considerada uma das tropas de elite do Exército Brasileiro.

Com capacidade de resposta rápida, a Brigada pode atuar em até 24 ou 48 horas em qualquer ponto do território nacional, permanecendo sem apoio logístico por até 72 horas. O novo equipamento reforça essas capacidades, proporcionando maior eficiência e segurança nas operações aeroterrestres, sejam elas em ambiente de selva, caatinga, pampa, cerrado, montanha, pantanal ou qualquer outro.

 


Especificações técnicas do paraquedas principal RZ-21 R

Fabricante: Vertical do Ponto - primeira e única fábrica de paraquedas militares da América Latina, localizada na Vila Militar de Deodoro, Rio de Janeiro.

Capacidade de carga: suporta até 181 kg (aproximadamente 400 libras), permitindo maior flexibilidade operacional.

Velocidade de descida: 4 m/s (aproximadamente 10 pés por segundo), proporcionando pousos controlados e seguros.

Manobrabilidade: dirigível em 360º em apenas 9 segundos, garantindo navegação precisa até o ponto de aterragem.

Velocidade máxima: 150 nós de lançamento, compatível com aeronaves de transporte militar modernas.

Design do velame: forma lenticular com 30 painéis e 30 linhas de suspensão. Tecido de dupla permeabilidade para melhor desempenho aerodinâmico.

Sistema de abertura: acionamento automático direto da Bolsa do Velame, requerendo tempo de salto superior a 1 segundo.

Material: estrutura cônica em tecido híbrido de nylon, reduzindo impacto na abertura.

Primeiro salto: 8 de fevereiro de 2024, na Zona de Lançamento dos Afonsos (RJ).

Uso operacional: já empregado em operações reais como a Operação Atlas 2025 na Amazônia, com 80 militares em saltos táticos.

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