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23 janeiro, 2026

Do quartel ao mercado de trabalho: as vantagens de alistar quem serviu à Pátria

Milhares de militares deixam as Forças Armadas anualmente, levando consigo um sólido período de formação. Mas o que encontram do outro lado do portão das armas?


*LRCA Defense Consulting - 23/01/2026

Neste mês de janeiro, para diversas organizações militares, acontece o licenciamento de um grande contingente de soldados incorporados no ano passado (Grupamento A). Para quem observa de fora, pode parecer apenas uma data administrativa. Para os militares que atravessam o portão das armas pela última vez, representa o início de uma das maiores transições da vida.

Durante um longo período, esses profissionais foram moldados em valores como disciplina, liderança, adaptabilidade, espírito de corpo e cumprimento da missão. Acordaram antes do sol, enfrentaram desafios que testaram seus limites físicos e psicológicos, e aprenderam que a missão vem sempre em primeiro lugar. Agora, deixam a farda e entram em um mundo corporativo que, muitas vezes, não está preparado para recebê-los.

"A transição não é o fim da missão. É só a mudança de uniforme."

A questão que se impõe é incômoda, mas necessária: quem estará esperando por eles? Empresas preparadas para acolher? Departamentos de Recursos Humanos capacitados para traduzir competências militares em habilidades corporativas? Gestores dispostos a enxergar potencial além do "currículo tradicional"?

Ou será indiferença, portas fechadas e a frase devastadora que muitos veteranos ouvem: "Você não tem experiência no mercado"?

O paradoxo do desperdício de talentos
O Brasil investe recursos significativos na formação desses profissionais. Escolas militares, cursos de especialização, treinamentos táticos e operacionais, desenvolvimento de liderança. Tudo isso constrói um perfil profissional único, com competências raras no mercado civil: capacidade de tomar decisões sob pressão, trabalho em equipe em situações extremas, comprometimento ético e responsabilidade absoluta.

Desperdiçar esse capital humano não faz sentido do ponto de vista empresarial, social ou econômico. Enquanto empresas investem milhões em programas de desenvolvimento de liderança, existe um contingente de profissionais já formados, testados e aprovados nas condições mais adversas possíveis.

"Ninguém deve servir à Pátria e cair na vala comum", alerta o movimento que defende a valorização de veteranos militares.

Uma ponte entre dois mundos
Reconhecendo essa lacuna, surgiu a plataforma Ache um Veterano, uma iniciativa que se propõe a ser justamente essa ponte entre o universo militar e o corporativo. Diferente de consultorias de recrutamento tradicionais, a plataforma se especializa em traduzir carreiras militares para o mercado civil.

O projeto opera com uma metodologia específica: mapeamento de patentes e funções militares para cargos civis, triagem pré-qualificada de candidatos, treinamentos sob demanda e um sistema de acompanhamento que inclui um "padrinho" para garantir a adaptação do veterano na nova função.

Como funciona a plataforma

  • Cadastro gratuito para empresas
  • Publicação de vagas com triagem especializada
  • Perfis pré-selecionados alinhados à cultura da empresa
  • Sistema de success fee (pagamento apenas por contratação efetivada)
  • Acompanhamento contínuo com indicadores de performance
  • Suporte regional por veteranos licenciados

A proposta é clara: reduzir o risco na contratação e aumentar a previsibilidade de resultados. Segundo a plataforma, veteranos militares tendem a apresentar menor turnover e performance desde o primeiro dia, justamente pelas características desenvolvidas durante a carreira nas Forças Armadas.

Além do benefício individual
A contratação de veteranos militares não representa apenas uma oportunidade para as empresas encontrarem profissionais qualificados. Trata-se também de impacto social mensurável e fortalecimento da reputação como marca empregadora.

Empresas que adotam programas estruturados de contratação de veteranos demonstram responsabilidade social e reconhecimento pelo serviço prestado ao País. É uma forma de a sociedade civil retribuir, ainda que parcialmente, a dedicação de quem serviu.

Mais do que isso, é aproveitar um potencial que já foi desenvolvido com recursos públicos. É criar um ciclo virtuoso onde o investimento na formação militar se traduz em ganhos para a economia e a sociedade como um todo.

"Menos risco na contratação. Mais previsibilidade no resultado."

O desafio da tradução cultural
Um dos maiores obstáculos na transição militar-civil é justamente a tradução de competências. Quando um sargento coordena uma operação logística complexa, está exercendo habilidades de gestão de projetos, liderança de equipes e resolução de problemas. Quando um oficial planeja missões estratégicas, está desenvolvendo pensamento analítico, visão sistêmica e capacidade de antecipação de cenários.

Mas essas competências raramente aparecem traduzidas em um currículo da forma que o RH tradicional está acostumado a ler. Daí a importância de intermediários especializados que compreendem ambos os universos e conseguem fazer essa ponte de forma efetiva.

A própria linguagem militar precisa ser decodificada. Termos como "cumprimento da missão", "espírito de corpo" e "hierarquia e disciplina" carregam significados profundos que se traduzem em comportamentos corporativos valiosos: foco em resultados, trabalho em equipe e respeito a processos.

O momento é agora
Com a primeira baixa de 2025 acontecendo, o tema volta ao centro das atenções. Milhares de militares estão, neste exato momento, iniciando suas transições. Nos próximos meses, outros seguirão o mesmo caminho.

A pergunta permanece: o mercado está pronto para recebê-los? As empresas brasileiras vão desperdiçar esse talento ou vão reconhecer o valor de quem já provou sua capacidade de superar desafios?

A resposta não depende apenas de boa vontade. Depende de estruturas concretas, de processos especializados, de disposição real para entender que experiência de mercado não é o único indicador de competência profissional.

Para os veteranos que deixam o quartel agora, a missão não termina. Ela apenas muda de cenário. E cabe à sociedade civil garantir que esses profissionais encontrem, do outro lado do portão, não a indiferença, mas oportunidades dignas de quem dedicou um longo período servindo ao País.

 

*Nota da Redação: esta editoria não possui qualquer vínculo comercial, institucional ou de parceria com a plataforma Ache um Veterano ou com a empresa Divisão mencionadas nesta reportagem. A publicação tem caráter exclusivamente informativo, com o objetivo de contribuir para a conscientização sobre a importância da recolocação de ex-militares no mercado de trabalho e valorização dos profissionais que serviram às Forças Armadas. A citação da plataforma se deu em razão de sua relevância temática para a pauta abordada. 

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