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23 janeiro, 2026

Do quartel ao mercado de trabalho: as vantagens de alistar quem serviu à Pátria

Milhares de militares deixam as Forças Armadas anualmente, levando consigo um sólido período de formação. Mas o que encontram do outro lado do portão das armas?


*LRCA Defense Consulting - 23/01/2026

Neste mês de janeiro, para diversas organizações militares, acontece o licenciamento de um grande contingente de soldados incorporados no ano passado (Grupamento A). Para quem observa de fora, pode parecer apenas uma data administrativa. Para os militares que atravessam o portão das armas pela última vez, representa o início de uma das maiores transições da vida.

Durante um longo período, esses profissionais foram moldados em valores como disciplina, liderança, adaptabilidade, espírito de corpo e cumprimento da missão. Acordaram antes do sol, enfrentaram desafios que testaram seus limites físicos e psicológicos, e aprenderam que a missão vem sempre em primeiro lugar. Agora, deixam a farda e entram em um mundo corporativo que, muitas vezes, não está preparado para recebê-los.

"A transição não é o fim da missão. É só a mudança de uniforme."

A questão que se impõe é incômoda, mas necessária: quem estará esperando por eles? Empresas preparadas para acolher? Departamentos de Recursos Humanos capacitados para traduzir competências militares em habilidades corporativas? Gestores dispostos a enxergar potencial além do "currículo tradicional"?

Ou será indiferença, portas fechadas e a frase devastadora que muitos veteranos ouvem: "Você não tem experiência no mercado"?

O paradoxo do desperdício de talentos
O Brasil investe recursos significativos na formação desses profissionais. Escolas militares, cursos de especialização, treinamentos táticos e operacionais, desenvolvimento de liderança. Tudo isso constrói um perfil profissional único, com competências raras no mercado civil: capacidade de tomar decisões sob pressão, trabalho em equipe em situações extremas, comprometimento ético e responsabilidade absoluta.

Desperdiçar esse capital humano não faz sentido do ponto de vista empresarial, social ou econômico. Enquanto empresas investem milhões em programas de desenvolvimento de liderança, existe um contingente de profissionais já formados, testados e aprovados nas condições mais adversas possíveis.

"Ninguém deve servir à Pátria e cair na vala comum", alerta o movimento que defende a valorização de veteranos militares.

Uma ponte entre dois mundos
Reconhecendo essa lacuna, surgiu a plataforma Ache um Veterano, uma iniciativa que se propõe a ser justamente essa ponte entre o universo militar e o corporativo. Diferente de consultorias de recrutamento tradicionais, a plataforma se especializa em traduzir carreiras militares para o mercado civil.

O projeto opera com uma metodologia específica: mapeamento de patentes e funções militares para cargos civis, triagem pré-qualificada de candidatos, treinamentos sob demanda e um sistema de acompanhamento que inclui um "padrinho" para garantir a adaptação do veterano na nova função.

O cadastro para veteranos pode ser realizado pelo site do proprietário, onde podem também ser tiradas dúvidas etc. 

Como funciona a plataforma

  • Cadastro gratuito para empresas
  • Publicação de vagas com triagem especializada
  • Perfis pré-selecionados alinhados à cultura da empresa
  • Sistema de success fee (pagamento apenas por contratação efetivada)
  • Acompanhamento contínuo com indicadores de performance
  • Suporte regional por veteranos licenciados

A proposta é clara: reduzir o risco na contratação e aumentar a previsibilidade de resultados. Segundo a plataforma, veteranos militares tendem a apresentar menor turnover e performance desde o primeiro dia, justamente pelas características desenvolvidas durante a carreira nas Forças Armadas.

Além do benefício individual
A contratação de veteranos militares não representa apenas uma oportunidade para as empresas encontrarem profissionais qualificados. Trata-se também de impacto social mensurável e fortalecimento da reputação como marca empregadora.

Empresas que adotam programas estruturados de contratação de veteranos demonstram responsabilidade social e reconhecimento pelo serviço prestado ao País. É uma forma de a sociedade civil retribuir, ainda que parcialmente, a dedicação de quem serviu.

Mais do que isso, é aproveitar um potencial que já foi desenvolvido com recursos públicos. É criar um ciclo virtuoso onde o investimento na formação militar se traduz em ganhos para a economia e a sociedade como um todo.

"Menos risco na contratação. Mais previsibilidade no resultado."

O desafio da tradução cultural
Um dos maiores obstáculos na transição militar-civil é justamente a tradução de competências. Quando um sargento coordena uma operação logística complexa, está exercendo habilidades de gestão de projetos, liderança de equipes e resolução de problemas. Quando um oficial planeja missões estratégicas, está desenvolvendo pensamento analítico, visão sistêmica e capacidade de antecipação de cenários.

Mas essas competências raramente aparecem traduzidas em um currículo da forma que o RH tradicional está acostumado a ler. Daí a importância de intermediários especializados que compreendem ambos os universos e conseguem fazer essa ponte de forma efetiva.

A própria linguagem militar precisa ser decodificada. Termos como "cumprimento da missão", "espírito de corpo" e "hierarquia e disciplina" carregam significados profundos que se traduzem em comportamentos corporativos valiosos: foco em resultados, trabalho em equipe e respeito a processos.

O momento é agora
Com a primeira baixa de 2025 acontecendo, o tema volta ao centro das atenções. Milhares de militares estão, neste exato momento, iniciando suas transições. Nos próximos meses, outros seguirão o mesmo caminho.

A pergunta permanece: o mercado está pronto para recebê-los? As empresas brasileiras vão desperdiçar esse talento ou vão reconhecer o valor de quem já provou sua capacidade de superar desafios?

A resposta não depende apenas de boa vontade. Depende de estruturas concretas, de processos especializados, de disposição real para entender que experiência de mercado não é o único indicador de competência profissional.

Para os veteranos que deixam o quartel agora, a missão não termina. Ela apenas muda de cenário. E cabe à sociedade civil garantir que esses profissionais encontrem, do outro lado do portão, não a indiferença, mas oportunidades dignas de quem dedicou um longo período servindo ao País.

 

*Nota da Redação: esta editoria não possui qualquer vínculo comercial, institucional ou de parceria com a plataforma Ache um Veterano ou com a empresa Divisão mencionadas nesta reportagem. A publicação tem caráter exclusivamente informativo, com o objetivo de contribuir para a conscientização sobre a importância da recolocação de ex-militares no mercado de trabalho e valorização dos profissionais que serviram às Forças Armadas. A citação da plataforma se deu em razão de sua relevância temática para a pauta abordada. 

27 dezembro, 2023

"Portaria dos CACs" marca retomada do mercado interno para armas, munições e acessórios


*LRCA Defense Consulting - 27/12/2023 (atualizada às 09h04)

Após a publicação da Portaria Conjunta Exército/Polícia Federal disciplinando os calibres oficialmente permitidos e da Portaria do Comando Logístico do Exército referente às normas para os militares, foi publicada hoje a Portaria Nº 166-COLOG/C Ex, de 22 de dezembro de 2023, que aprova as Normas para a Gestão de Produtos Controlados pelo Exército nas atividades de colecionamento, tiro desportivo e caça excepcional, além de outras providências.

Alívio significativo
A publicação dessas normas representa um alívio significativo para as empresas que produzem e/ou comercializam armas, munições e acessórios no Brasil, bem como para os clubes de tiro, haja vista que, na prática, muitas dessas empresas estavam com suas atividades quase paralisadas, o que vinha gerando um crescente desemprego e até o fechamento de várias delas, especialmente as de pequeno porte e/ou as que não tinham suporte financeiro para aguardar as novas regras.

É voz corrente no setor que, independente das normas hoje publicadas serem melhores ou piores que as anteriores, o que mais importa, pelo menos no cenário atual, é que elas existam e sejam claras, pois assim as empresas podem ter tranquilidade para trabalhar e planejar, bem como os CACS podem exercer a respectiva atividade com pleno conhecimento das regras que os regem.

Salesio Nuhs, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições (ANIAM) e CEO Global da Taurus, assim se posicionou sobre a Portaria hoje publicada:

- “Finalmente, saiu uma portaria antes do final do ano. Isso significa que no ano de 2024, pelo menos nós vamos ter as regras do jogo e isso era o que faltava, porque existe uma demanda que foi reprimida durante este ano todo. A gente está entendendo as regras, mas existem coisas positivas e coisas negativas que inclusive nós, por intermédio da ANIAM, iremos continuar reivindicando, que é a questão do calibre .22 semiautomático ser de uso restrito, a questão da habitualidade por calibre e não por tipo de calibre, a questão das distâncias entre os clubes e as escolas, porque nós entendemos que uma legislação federal não pode alterar o plano diretor ou plano de zoneamento de um município. A portaria em si vai permitir que os CACs voltem a adquirir seus produtos para a prática de seus esportes e tudo o mais. Assim, temos certeza de que o ano de 2024 será um ano bastante desafiador e positivo. Ainda hoje eu vou fazer uma reunião com toda a estrutura do nosso segmento no Brasil, entre os representantes lojistas e clubes, para dar a interpretação da ANIAM com relação à portaria e dizer dos temas pelos quais a gente vai continuar brigando”.

Demanda reprimida
Estimativas feitas por integrantes do mercado mostram a existência de uma grande demanda que foi reprimida durante todo o ano de 2023 e que deverá começar a ser atendida após a publicação dessa portaria, perfazendo cerca de 150 mil novos Certificados de Registro (CR) e de 300 mil CACs (já com CR) aguardando autorizações para aquisição de produtos controlados de uso permitido.

Esse enorme represamento de vendas totaliza aproximadamente 450 mil itens, acreditando-se que boa parte deles seja referente à aquisição de novas armas.

A exclusão do dispositivo que determinava a incidência do imposto seletivo ("imposto do pecado") sobre armas e munições, do bojo da reforma tributária recentemente aprovada, a proximidade das Festas de final de ano e o advento da temporada de caça ao javali em fevereiro, deverão se constituir em fatores impulsionadores adicionais para a venda desses produtos.

Demanda reprimida também nos calibres restritos
É necessário lembrar que a demanda reprimida não se limita aos calibres permitidos, haja vista que os militares (ativos e inativos) e, principalmente, os CACs podem adquirir armas de calibres restritos (Ex.: Atirador nível 3 até 04 armas; Caçador até 02 armas), desde que respeitados os demais parâmetros previstos na nova legislação.

Taurus Armas: estoques, caixa, dividendos e recompra
A Taurus Armas S.A. é única empresa do Setor de Armas e Munições com capital aberto e dados acessíveis ao público. Com isso, torna-se possível analisar algumas das consequências do grande hiato causado pela ausência da legislação e, também, estimar os benefícios que o retorno dessa deverá proporcionar para a empresa.

Vendas da Taurus 2018-2022 (Fonte: balanço da empresa)
 
Vendas no Brasil (em % sobre o total) após o início do turnaround da empresa:
- 2018: 8,67%
- 2019: 9,75%
- 2020: 15,25%
- 2021: 15,84%
- 2022: 19,20%
- 2023: 7 % (estimado pela LRCA)

Embora cerca de 85% (ou mais) da sua produção seja historicamente direcionada ao mercado externo (exceção ao ano atípico de 2022), a parcela referente ao mercado nacional é significativa para a empresa, além de a priorização desse mercado ser parte de sua estratégia, tanto comercial como afetiva. 
 
Portanto, com base nos dados do infográfico acima é possível inferir que, em sendo normalizado o mercado interno, a Taurus poderá, em 2024, voltar a ter números elevados em suas vendas no Brasil, haja vista especialmente a demanda reprimida existente.

A combinação dessa demanda com o aumento de vendas que já está ocorrendo nos EUA, possibilitará a liberação dos estoques que foram acumulados em 2023, principalmente pela exagerada demora na publicação das novas normas no País. 

Com isso, a Taurus normalizará suas atividades e terá uma maior previsibilidade no gerenciamento do caixa, podendo se focar novamente em duas grandes estratégias referentes a seus acionistas: recompensá-los com um maior dividendo (a empresa ainda dispõe de R$ 304,7 milhões em reserva estatutária) e, conjuntamente, iniciar a recompra de até 3,3 milhões de ações (programa autorizado em 21/06/2023 pelo prazo de até 18 meses), beneficiando também seus sócios com a valorização destas.

Taurus Pistol Caliber (TPC): G2c e GX4 já no novo calibre
A Taurus informou recentemente que o novo calibre desenvolvido pela CBC, chamado de Taurus Pistol Caliber (TPC), é 40% mais poderoso que o atual calibre .380, ficando no limite de energia à boca da arma (em joules) permitido pela nova legislação imposta pelo governo Brasileiro.

Segundo Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, o novo calibre .38 TPC será excelente para o esporte do tiro prático (IPSC), haja vista ser potente o suficiente e apresentar um menor recuo da arma, quando comparado ao 9mm, facilitando a retomada de cada tiro.

O executivo afirmou que, em breve, a Taurus lançará no mercado nacional novas armas nesse calibre, com ênfase inicial nas pistolas G2c e GX4, as mais vendidas no Brasil; tais lançamentos só estavam aguardando a Portaria hoje publicada e sua consolidação. Estima-se que boa parte das novas aquisições tenderão a priorizar armas no calibre máximo permitido, como as referidas pistolas.

O vídeo abaixo detalha o novo calibre e mostra as vantagens de ser usado por atiradores esportivos no IPSC.

Saiba mais:
- Ibama volta a analisar os pedidos de autorização para controle de javalis

27 setembro, 2022

A tragédia de ser militar aposentado na Venezuela: pensões miseráveis, negação de direitos e proibição de entrar no quartel

Além disso, o atendimento outrora excelente que recebiam em hospitais militares, atendimento clínico e fornecimento de medicamentos, hoje é apenas uma memória do passado.


*Infobae, por Sebastiana Barraez - 21/09/2022

Se o serviço de assistência médica dos militares ativos venezuelanos é deficiente, o dos aposentados é uma tragédia. Embora ao longo de suas carreiras tenham pago a previdência social e assegurado cuidados na aposentadoria, especialmente na velhice, a crise econômica não só despedaça sua escassa pensão, mas também os cuidados outrora excelentes que recebiam nos hospitais militares, atendimento nas clínicas, fornecimento de medicamentos para eles e seus familiares, hoje é apenas uma lembrança do passado.

Em 15 de setembro, a Diretoria do Instituto de Oficiais Aposentados das Forças Armadas (Iorfan) reuniu-se com GD Alberto Miltiniano Bermúdez Valderrey, presidente da Seguros Horizonte, que informou que durante 2022 o convênio entre o Instituto de Previdência Social da Forças Armadas (IPSFA) com a Seguros Horizonte, razão pela qual o quadro filiado não possui apólice de grupo, para a qual oferece apólices complementares de mil bolívares (aproximadamente $120) até 50 mil bolívares (mais de 6 mil dólares), que "Os afiliados podem pagar em parcelas bimestrais, sem limite de idade, com carência de 6 e 8 meses, mas as emergências são atendidas imediatamente."

É impressionante o número de militares que, quando adoecem, não encontram local para serem atendidos, nem como cobrir exames médicos, tratamentos, cirurgias, entre outros, de modo que vários camaradas fazem coletas e desenvolvem campanhas de solidariedade. O mesmo acontece quando alguém morre.

Por outro lado, a grande maioria dos militares aposentados não tem acesso às instalações militares, porque foi proibido que quem não seja militar ativo não possa entrar em um quartel ou visitar. Aqueles que se manifestaram contra o governo nacional ou simplesmente caíram sob suspeita não são apenas perseguidos, presos e alguns torturados, mas nas fotos deles na Galeria dos Comandantes eles têm uma faixa com a palavra “traidor”.

Enquanto o empobrecimento dos militares aposentados ou da Reserva se deteriorou a níveis alarmantes, um setor da revolução bolivariana vê a oportunidade de tirar vantagem política dos militares aposentados, tentando uni-los, como fazem com outros setores, para fazê-los votar nos candidatos do chavismo, principalmente por Nicolás Maduro Moros que pretende ficar no Palácio de Miraflores.

Em maio de 2018, a ilegal Assembleia Nacional Constituinte (ANC) convocou eleições presidenciais antecipadas, cuja presença foi mínima e permitiu que Maduro permanecesse no poder, sem uma eleição válida e transparente, agravando a crise que já vivia.

Uma das estratégias do setor que Maduro tem na revolução é estudar o lançamento de uma megaeleição, para que a participação de inúmeros candidatos lhe dê a aparência de maior possibilidade de se legitimar no poder.

O general Juan Antonio Herrera Betancourt considera que “estão buscando, através da tributação, ter toda a 'reserva ativa' sob seu controle, ideologizá-la e, sob pressão, levá-los a fazer parte do PSUV, sob o pretexto de outra organização. Isso foi amplamente rejeitado e há grupos se organizando para rejeitá-lo”.

A Lei Orgânica das Forças Armadas foi modificada como Lei Constitucional

A reserva
Uma das estratégias utilizadas pelo chamado Movimento Social da Reserva Ativa Bolivariana (MovSocRsvaAct) é recrutar os milhares de soldados aposentados das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas para utilizá-los com fins políticos.

Um oficial ativo disse ao Infobae : “Isso é repreensível. Tem sido muito desagradável ter que dizer a um colega que não se pode recebê-lo em seu escritório sem fazê-lo parecer suspeito e ameaçado de ser chamado à DGCIM (Direção Geral de Contra-Inteligência Militar) para entrevistas e com o temor de que devido a qualquer intriga você deixa que eles o detenham e o classifiquem como um traidor”.

“Agora eles também querem manipular os aposentados. Pena que meu general Chourio se preste a isso; tivemos um bom relacionamento e compartilhamos muitas anedotas, ele é bem-humorado, mas é vergonhoso que um oficial que chegou a um cargo tão alto (chefe-general) não se aposente com dignidade e queira usar seus companheiros de armas para manter-se no poder, porque esse é o verdadeiro objetivo. É uma pena o que acontece com soldados aposentados, jogados no esquecimento, humilhados e muitos na miséria”.

“Já perdi a conta das vezes que enviei secretamente ajuda a colegas que caíram em desgraça e vagam em busca de um hospital onde possam ser tratados, implorando por remédios, esperando uma equipe médica ou remédios. Não posso dizer o quanto muitos de nós estão desapontados por não poder lidar com os casos de oficiais que foram professores ou instrutores, porque fizeram inimigos de soldados a aposentados. Agora pretendem manipulá-los para comprometê-los nas eleições, aproveitando-se da situação de miséria em que muitos se encontram. Não menina, isso dá arr… não sei como classificar essa ação”, diz por fim.

Reservar ou combinar
O Coronel Aposentado (GN) Hidalgo Antonio Valero Briceño, doutor em Ciências Jurídicas, preside o Movimento Defensores Populares (DPR), que em 13 de setembro de 2022 catalogou como o cúmulo da degeneração que existem “oficiais militares aposentados que propõem a criação do partido político que chamou: Reserva Ativa Bolivariana, tentando incluir os militares, da situação outrora honrosa de aposentadoria, hoje denegrindo pela situação socioeconômica, de desprezo em que o Regime Comunista nos conduziu”.

“Todos nós militares, como a maioria da população, com exceção de um pequeno grupo de bandidos corruptos, estamos passando pela crise mais profunda que nosso povo viveu em sua história política contemporânea. É lamentável a forma como são tratados os nossos camaradas de armas, depois de terem dado a vida ao serviço da Pátria ”.

"Muitos, de generais a sargentos, estão em situação de pobreza crítica, alguns até indigentes, têm que recorrer à caridade de colegas e amigos, quando surge uma emergência médica, para salvar suas vidas e as de seus familiares."

“A situação dos salários dos militares é degradante. As pensões são para a fome; um sargento e sua família não podem sobreviver com um salário-base sem bônus, de US$ 43 por mês, ou um coronel com US$ 104 por mês, quando só a cesta básica ultrapassa US$ 380 por mês”.

Destaca a “situação caótica dos serviços de saúde e assistência social dos militares da mal nomeada Reserva Ativa. É o cúmulo da bajulação dos promotores desta monstruosidade aberrante, de converter a organização de militares aposentados em partido político ligado ao PSUV, com o consentimento do GJ (Ex) Jesús Suárez Chourio, que ordenou que unidades militares iniciassem trabalho para o PSUV, com o 1X10″.

“Para piorar, agora estão propondo a eliminação do único bastião de defesa de nossos direitos, como o IORFAN. Por que não cuidam de melhorar as condições socioeconômicas e de saúde do sindicato?"

“As primeiras Leis do Exército e da Marinha falavam de militares aposentados, que se estivessem em condições físicas, poderiam ser chamados em caso de mobilização. A última Lei Orgânica das Forças Armadas, aprovada pela Assembleia Nacional, de acordo com as normas constitucionais, foi promulgada no Diário Oficial nº 38.280, de 26 de setembro de 2005. Reserva Nacional e Guarda Territorial”.

“A partir da análise dos regulamentos, podemos concluir que a Reserva Ativa ou Reserva Nacional, enquanto organização que reúne todos os militares reformados, nunca poderá tornar-se um partido político, independentemente da preferência partidária de cada um dos seus membros.”

O Coronel Valero Briceño conclui dizendo que “a situação aberrante é motivada pelo desespero do Regime , que viola inescrupulosamente todas as nossas normas, valores e princípios, para se firmar no poder, usando vantagem eleitoral e tentando usar os militares como ovelhas para seus fins desprezíveis."

Quando os militares da ativa se aposentam, a magia que dá o poder ao uniforme acaba.

Apenas para as Forças Armadas
Por sua vez, o Coronel aposentado (Ex) Ángel Alberto Bellorín, turma de 1977, que é advogado Magna Cum Laude, além de graduado em Educação Física e Esportes, bem como em Ciências e Artes Militares, com mestrado e doutorado em Direito Constitucional, diz que “Constitucionalmente, reformar leis orgânicas por lei habilitante, ou seja, Decreto-Lei, mais do que inconstitucional, quando se refere às Forças Armadas é imoral. Isso pode ser discutido na linguagem política obscena venezuelana, mas não na linguagem acadêmica com argumentos epistêmicos e gramaticais”.

Vale lembrar que, a partir de 2008, começou essa prática de modificação da Lei Orgânica das Forças Armadas (LOFAN) e demais leis orgânicas por decreto-lei. O plano óbvio no campo militar era eliminar progressivamente as poucas regras que ainda existiam sobre as promoções militares, preparar o terreno para a criação da Milícia e outras mudanças organizacionais que dispensavam a destruição.

Muitos advogados “incluindo colegas militares, tentaram sem sucesso recursos de anulação perante um Supremo Tribunal que desde 2004 já era controlado pelo chavismo. As sucessivas reformas nos decretos-leis, todas por Lei Habilitante, foram lentamente fazendo seu trabalho. É na reforma de 2014 que o oxímoro da reserva ativa aparece pela primeira vez. Não foi isolado, em paralelo fizeram o trabalho com o controle partidário das demais instituições para eliminar a possibilidade de anulação daquelas leis”.

“A última aberração aplaudida pela ignorância, é aquela falta de racionalidade chamada Direito Constitucional, aprovada pela Constituinte inconstitucional. Qualquer pessoa moderadamente honesta intelectual e moralmente sabe que é uma monstruosidade legalmente inexistente”.

“Foi aprovado para propaganda política e para disfarçar o motivo secundário da convocação da referida assembleia, que além de ser arbitrariamente constituída para anular uma Assembleia Nacional adversa ao governo, pretendia vincular emocionalmente uma FAN subjugada e diminuída a outra farsa de 'lealdade constitucional' . Uma fraude constitucional grosseira”.

Ele sugere analisar “por que a atual Lei que rege os destinos do que resta das Forças Armadas é a primeira e única lei venezuelana intitulada 'constitucional'. Da mesma forma, os militares foram 'privilegiados' com uma Lei Previdenciária também única, sendo batizados com a alcunha de um personagem do qual devemos nos orgulhar já que simbolicamente o levaram ao panteão”.

“Claro que pouco importa para a propaganda do governo que a lei de segurança com o nome de um herói não garanta nada e não cumpra seu conteúdo. Enorme privilégio dado aos militares venezuelanos para substituir salários reduzidos, bônus reduzidos, pensões embaraçosas e dívidas não pagas”, diz Bellorín.

25 outubro, 2019

Compra de armas será facilitada para policiais e bombeiros, determina Exército


https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2019-10-25/compra-de-armas-sera-facilitada-para-policiais-e-bombeiros-determina-exercito.html

Portaria foi publicada nesta sexta-feira (25) no Diário Oficial da União. Instituições não precisarão mais de autorização prévia para comprar armas

IG - Último Segundo - 25/10/2019

Uma nova portaria do  Exército  sobre o comércio de armamentos vai facilitar a compra de armas e munições de uso permitido para polícias estaduais e corpo de bombeiros. Antes, essas corporações precisavam de autorizações prévias do Exército para adquirirem armas . Agora, essa autorização será dispensada.

 A normativa publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União (DOU) vem na esteira de uma série de decretos e portarias emitidos nos últimos meses pelo governo federal. A flexibilização da compra e porte de armas no Brasil é uma das principais bandeiras de campanha do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL).

A portaria altera algumas das normas para a compra de armas por órgãos públicos. A partir de agora, as polícias militares de todos os Estados e do Distrito Federal, Corpos de Bombeiros, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Pelo novo texto, essas instituições não precisarão mais de autorização prévia do Exército para a compra de armamento que será usado pelas corporações. Agora, os órgãos precisam apenas comunicar o Exército sobre a compra, que deverá ser tratada diretamente entre o comando da corporação e o fornecedor do material.

O Exército só terá que autorizar previamente as solicitações de compra de armamento e munições de uso restrito, aqueles com maior potencial de destruição.

A nova portaria também altera a quantidade de pólvora que cada pessoa registrada como caçador ou atirador esportivo poderá armazenar. A quantidade saiu de quatro quilos para 20. A pólvora poderá ser usada para recarregar cartuchos usados por eles.

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