Pesquisar este portal

12 fevereiro, 2026

Avibras reafirma retomada de atividades para 16 de março após nova rodada de negociações com sindicato

Empresa planeja retornar com 450 trabalhadores e deve apresentar reprocessamento da folha salarial até sexta-feira 

Reunião entre o Sindicato e representantes da Avibras - Foto: Paulo Sam

*LRCA Defense Consulting - 12/02/2026

A Avibras confirmou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região sua intenção de retomar as operações da fábrica em Jacareí no próximo dia 16 de março. A declaração foi feita durante reunião de negociação realizada na tarde desta quarta-feira na sede da entidade sindical.

O encontro marcou mais um capítulo na tentativa de solucionar uma das mobilizações mais longas da categoria metalúrgica no país. Os trabalhadores da Avibras estão em luta por empregos e salários desde março de 2022, acumulando quatro anos de paralisação das atividades.

Durante a negociação, o sindicato voltou a cobrar o pagamento de 35 salários em atraso, além do depósito do FGTS e da contribuição ao INSS. A entidade também exigiu que a empresa apresente os valores específicos a serem pagos a cada trabalhador para dar continuidade às tratativas.

Em resposta, representantes da Avibras comprometeram-se a realizar o reprocessamento da folha de pagamento até esta sexta-feira (13). A empresa também garantiu que apresentará os informes de rendimentos referentes a 2025 de forma correta e se comprometeu a retificar, até abril, os informes do período entre 2022 e 2024.

Segundo o plano apresentado pela empresa em 21 de janeiro, a retomada prevê o retorno de 450 trabalhadores em duas etapas: 210 funcionários em março e outros 240 a partir de junho. Esta é a quinta reunião entre sindicato e empresa desde o anúncio da proposta de retomada.

A efetivação do retorno, no entanto, ainda depende da conclusão da proposta de pagamento das dívidas trabalhistas e da resolução de pendências relacionadas à recuperação judicial em tramitação no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Representantes da Avibras informaram ainda que têm reunião agendada com o governo federal para 2 de março. Um novo encontro entre sindicato e empresa está marcado para 23 de fevereiro, às 14 horas.

"Demos mais um passo em direção à retomada da Avibras, e isso é muito importante. Nesses quatro anos de luta, infelizmente, o governo federal só fez promessas vazias e não apresentou medidas concretas em favor dos metalúrgicos, mesmo com o caráter estratégico da empresa. O Sindicato segue cobrando o governo", afirmou Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.

A Avibras é considerada uma empresa estratégica para o setor de defesa brasileiro, o que torna a situação dos trabalhadores ainda mais delicada do ponto de vista econômico e social para a região do Vale do Paraíba. 

11 fevereiro, 2026

Taurus participa do WDS 2026 e sinaliza aquisição estratégica que pode revolucionar seu portfólio militar

Participação com portfólio militar na Arábia Saudita e parceria com a Marinha indicam que a empresa brasileira está próxima de adquirir fabricante turca Mertsav para acelerar entrada no mercado de metralhadoras leves e pesadas 

Pistola TX9 e submetralhadora RPC

*LRCA Defense Consulting - 11/02/2026

A participação da Taurus Armas no World Defense Show 2026 (WDS), realizada em Riade, Arábia Saudita, de 8 a 12 de fevereiro, marca um ponto de inflexão na trajetória da maior vendedora de armas leves do mundo. Mais do que simplesmente apresentar produtos, a empresa brasileira utilizou o evento internacional para consolidar sua entrada definitiva no segmento militar de armas coletivas, um mercado estimado em US$ 71,5 bilhões até 2032.

Entre os lançamentos apresentados em Riade, destaca-se a submetralhadora RPC (Raging Pistol Carbine) em calibre 9x19mm, a "pequena notável" que chega para competir com a Heckler & Koch MP5, submetralhadora alemã de calibre 9 mm, mundialmente reconhecida por sua confiabilidade, precisão e design compacto. 

Mas é a conjunção entre essa participação em Riade e as informações sobre o desenvolvimento de metralhadoras leves e pesadas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50 BMG que permite deduzir um movimento estratégico de maior alcance: a iminente aquisição da fabricante turca Mertsav Savunma Sistemleri, como será visto mais abaixo.

Submetralhadora RPC: inovação sem parafusos na estrutura
Projetada sob rigorosos protocolos militares, a RPC se apresenta como uma das mais compactas, leves e de maior capacidade em sua categoria. Com opções de cano de 4,5" ou 8", a arma está disponível em duas configurações de regime de disparo: semiautomático ou automático (full auto). Totalmente modular e ambidestra, traz um pioneirismo mundial da Taurus: não possui nenhum parafuso na parte estrutural da arma.

O sistema de funcionamento por blowback com retardo de abertura utilizando roletes (roller delayed blowback) reduz significativamente o recuo durante os disparos, otimizando a controlabilidade mesmo em rajadas plenas. A submetralhadora aceita carregadores de 32 munições e oferece opções de coronha para diferentes aplicações operacionais.

Submetralhadora RPC em uma de suas versões

Taurus Military Products
A submetralhadora RPC é parte do novo portfólio Taurus Military Products, que também inclui a recém-lançada pistola TX9 em calibre 9mm, que tem como um dos principais diferenciais o Taurus Modular System (TMS), frame único com sistema de disparo comum a todos os tamanhos da plataforma, e conta com gatilho Striker-Fired de 3ª geração, além do sistema T.O.R.O. (Taurus Optic Ready Option), que o deixa pronto para o uso de miras ópticas. 

No segmento de armas portáteis, inclui o fuzil T4 (nas versões 5,56x45mm, 7,62x51mm e .300 BLK) o fuzil T4 Pistão em calibre 5,56x45mm, o fuzil T10 em .308 Win/7,62x51mm (que agora conta com a opção de cano de 16”), além do revolucionário drone armado TAS (Tactical Air Soldier).

Portfólio militar apresentado na WDS 2026:

• Pistola TX9 (calibre 9x19mm)

• Submetralhadora RPC (calibre 9x19mm)

• Fuzil T4 Pistão (calibre 5,56x45mm)

• Fuzil T4 (calibres 5,56mm, 7,62x51mm e .300 Blackout)

• Fuzil T10 (calibre .308 Win/7,62x51mm)

• Drone armado TAS - Tactical Air Soldier

Em desenvolvimento (via Mertsav):

• Metralhadoras leves (calibres 5,56mm e 7,62mm)

• Metralhadora pesada (calibre .50 BMG)

Parceria estratégica com a Marinha do Brasil
Em 10 de fevereiro de 2026, um dia antes do encerramento da WDS, a Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), celebrou um Protocolo de Intenções com a Taurus para o desenvolvimento de novos sistemas de armas leves e coletivas nos calibres 5,56, 7,62 e .50, além do inédito drone armado, destinados às tropas anfíbias. A cerimônia, realizada na histórica Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro, contou com o apoio institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, destacou a importância da iniciativa: "O armamento empregado pelo Fuzileiro Naval deve ser sempre o mais confiável. Disso depende a segurança dele, de todas as pessoas que estão à sua volta e daqueles que ele está protegendo. Assim, a busca por armamento desenvolvido especificamente para atender plenamente aos nossos requisitos operacionais representa uma excelente oportunidade".

O CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, foi direto ao afirmar: "Essa colaboração com os Fuzileiros Navais para nós é extremamente importante. Estamos dando um passo decisivo dentro da Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as Minimi em calibre 5.56 mm, a 7.62 mm, e a .50. Isso é uma tecnologia que nós estamos desenvolvendo. O Brasil, a nossa Base Industrial de Defesa, tem que ampliar os seus horizontes, tem que ampliar a sua área de atuação".


Mertsav: a peça que faltava
É precisamente neste ponto que a estratégia da Taurus se revela em sua totalidade. Em 1º de abril de 2025, a empresa divulgou, por meio de Fato Relevante, a celebração de um Memorando de Entendimentos (MoU) não vinculante para possível operação de aquisição do controle societário da empresa turca Mertsav Savunma Sistemleri.

A Mertsav possui mais de 20 anos de experiência no setor de defesa e foi fornecedora durante muitos anos da indústria estatal turca. Atualmente, possui três unidades de produção nas cidades de Istambul e na Área Industrial de Defesa de Kırıkkale. Seu portfólio inclui exatamente aquilo que a Taurus necessita para cumprir o protocolo com o CFN: metralhadoras leves nos calibres 5,56mm e 7,62mm, além de metralhadora pesada em calibre .50 BMG.

Ao longo de mais de 20 anos, a Mertsav produziu os principais componentes de armas como MG-3, G-3, MP-5, HK-33, MPT-76, MPT-55, Bora-12, além de lançadores de granadas, fuzis de gás e equipamentos para desativação de explosivos. Essa expertise fez da empresa um dos mais importantes fornecedores da MKEK (Corporação de Máquinas e Indústrias Químicas), das Forças Armadas da Turquia (TSK) e da Direção Geral de Segurança (EGM).

A transação está sujeita à celebração dos documentos definitivos, bem como à realização de diligência legal, contábil e financeira pela Taurus. Após alguns adiamentos, as partes têm prazo até o final de abril de 2026, renovável por mais três meses, para concluir os estudos de viabilidade. Segundo informações divulgadas à época, caso efetivada, a aquisição reduziria em vários anos o tempo para desenvolvimento destes produtos e permitiria um salto no patamar do portfólio de produtos da empresa brasileira.

A lógica da operação
O compromisso assumido pela Taurus com o Corpo de Fuzileiros Navais, de desenvolver sistemas de armas leves e coletivas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50, casa perfeitamente com o portfólio da Mertsav. Não se trata de coincidência, mas de planejamento estratégico.

A empresa brasileira já possui domínio tecnológico nos calibres 5,56mm e 7,62mm através de seus fuzis T4 e T10. O que lhe falta, precisamente, é a expertise em metralhadoras, tanto leves quanto pesadas. Desenvolver essa tecnologia do zero levaria anos e exigiria investimentos substanciais em P&D, testes de campo e homologações.

A aquisição da Mertsav resolveria esse gargalo de forma elegante. A empresa turca possui não apenas os projetos e a tecnologia, mas também as linhas de produção em operação e, mais importante, a expertise consolidada ao longo de duas décadas fornecendo para as Forças Armadas turcas, reconhecidamente uma das mais exigentes em termos de equipamento militar.

Com a Mertsav integrada, a Taurus poderia honrar o protocolo com o CFN entregando produtos já testados e comprovados, adaptados às necessidades específicas das tropas anfíbias brasileiras. Mais do que isso: posicionaria o Brasil como único país da América Latina capaz de produzir uma linha completa de armamento militar, do calibre 9mm ao .50 BMG, como afirmou a própria empresa.

Taurus Military Products (em destaque as metralhadoras e o drone armado) e o MoU com a Mertsav

O apoio do BNDES e a Nova Indústria Brasil
A presença do BNDES na cerimônia de assinatura do protocolo com a Marinha não foi meramente protocolar. Durante o evento, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, formalizou o apoio por meio de documento oficial e destacou que a parceria está em plena sintonia com as missões da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada em janeiro de 2024 que mobiliza R$ 3,4 trilhões em investimentos públicos e privados até 2033.

A Missão 6 da NIB, voltada para a defesa nacional, conta com R$ 112,9 bilhões em investimentos até 2026, sendo R$ 79,8 bilhões de recursos públicos e R$ 33,1 bilhões do setor privado. As metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) preveem alcançar 55% de domínio das tecnologias críticas para a defesa até 2026, e 75% até 2033. Atualmente, o Brasil domina 42,7% dessas tecnologias.

"Um dos esforços grandes que o BNDES precisa fazer é o resgate da Indústria Nacional de Defesa", afirmou Mercadante. "Hoje estamos trabalhando com a tropa de pronto emprego, representada pelos Fuzileiros Navais, a única 100% profissional. Nós precisamos que essa tropa se debruce sobre a produção junto com a Taurus, que possui tecnologia secular desenvolvida. Eu vejo isso como uma semente promissora, inclusive para equipamentos mais pesados e mais sofisticados".

Mercado global e posicionamento estratégico
O mercado de armas militar mundial movimentou mais de US$ 41 bilhões em 2023 e possui potencial para atingir US$ 71,5 bilhões até 2032. O segmento militar corresponde atualmente a 39% do mercado total de armas leves do mundo. Dentro desse universo, as metralhadoras leves e pesadas representam cerca de 40%, ou aproximadamente US$ 28,6 bilhões.

A Taurus, que já lidera globalmente em armas leves civis e policiais, enxerga neste segmento uma oportunidade de expansão significativa. A empresa possui unidades produtivas no Brasil, Estados Unidos e Índia, além de escritório na Arábia Saudita, um dos cinco maiores gastos militares do mundo e considerado um dos países que mais investe em defesa.

Segundo a própria Taurus, há mais de 50 países em conflito no mundo atualmente, o que gera uma demanda enorme por produtos militares. Estima-se que, somente a reposição desses equipamentos levaria ainda 10 anos se todos os conflitos cessassem hoje. 

A eventual aquisição da Mertsav também abrirá à Taurus novos mercados no Oriente Médio e em outras regiões para onde a empresa turca direciona suas vendas, complementando a estratégia de internacionalização da fabricante brasileira.

Alguns produtos da Mertsav

Cronologia e perspectivas
A cronologia dos eventos sugere uma operação cuidadosamente planejada. Em abril de 2025, a Taurus anunciou o MoU com a Mertsav. Em setembro de 2025, apresentou sua linha militar completa na feira LAAD, incluindo metralhadoras que ainda estavam "em desenvolvimento". Em fevereiro de 2026, participou da WDS em Riade apresentando a RPC e outros produtos. E, simultaneamente, firmou o protocolo com o CFN comprometendo-se a desenvolver exatamente aquilo que a Mertsav já produz.

O protocolo com a Marinha possui vigência de dois anos e prevê a realização de reuniões técnicas periódicas para avaliar o andamento dos estudos. Caso os estudos apontem soluções viáveis, poderão ser propostos futuramente novos instrumentos jurídicos para a aquisição das tecnologias desenvolvidas.

Embora a Taurus ainda não tenha confirmado oficialmente a conclusão da aquisição da Mertsav, todos os elementos técnicos, estratégicos e cronológicos apontam para a iminência dessa operação. A capacidade de honrar o protocolo com o CFN nos prazos estabelecidos depende essencialmente da tecnologia turca. E a entrada da Taurus na quarta maior feira de defesa do mundo, em Riade, exibindo um portfólio militar ampliado e recém tendo firmado um acordo com a Marinha brasileira, sinaliza confiança de que os recursos tecnológicos necessários estarão disponíveis.

Para a Base Industrial de Defesa brasileira, a possível aquisição representa um marco significativo. Caso concretizada, será a primeira vez que uma empresa brasileira absorve tecnologia estrangeira de ponta no segmento de armas coletivas com o objetivo explícito de desenvolver capacidade nacional de produção e exportação. Mais do que isso: demonstrará que o Brasil possui empresas capazes de competir globalmente não apenas em nichos comerciais, mas também no exigente mercado militar internacional.

A Taurus, que ao longo de seus 86 anos consolidou-se como maior vendedora mundial de armas leves, estaria assim dando o passo definitivo para se tornar não apenas uma fabricante de volume, mas uma empresa completa de soluções de defesa. E o Brasil, pela primeira vez passaria a ter uma indústria nacional capaz de equipar integralmente suas Forças Armadas em armamento leve e coletivo representado por pistolas, fuzis e metralhadoras, com tecnologia própria, produção local e potencial exportador.

Embraer na disputa bilionária: a fabricante brasileira pode surpreender na megaencomenda da AirAsia

Por que a escolha entre o E2 brasileiro e o A220 europeu vai muito além de números e pode redefinir o futuro da aviação regional na Ásia



*LRCA Defense Consulting - 11/02/2026

A decisão que Tony Fernandes, CEO da Capital A Bhd, controladora da AirAsia, anunciará no próximo mês pode representar um ponto de virada histórico para a aviação comercial na Ásia-Pacífico. A companhia aérea está prestes a escolher entre os jatos regionais da Airbus (A220) e da Embraer (família E2) em uma encomenda que, segundo Fernandes, será "maior do que a relatada anteriormente", superando as estimativas iniciais de 100 a 150 aeronaves.

O que torna essa disputa ainda mais intrigante é que, pela primeira vez em décadas, a fabricante brasileira Embraer tem chances concretas de quebrar o domínio europeu em uma das companhias aéreas de baixo custo mais importantes do mundo. E os sinais de que isso pode acontecer são mais fortes do que muitos observadores imaginam.

O contexto: uma reestruturação que muda tudo
A AirAsia passa por sua maior transformação desde a fundação em 2001. Depois de sobreviver à crise da pandemia sem ajuda governamental, um feito raro no setor, a companhia concluiu recentemente seu processo de reestruturação financeira sob o regime PN17 da Malásia. Agora, com as finanças estabilizadas, Fernandes está redesenhando completamente a estratégia de frota.

O movimento mais significativo foi o cancelamento do pedido de 15 aeronaves Airbus A330neo, sinalizando uma mudança radical de filosofia. Em vez de apostar em jatos de longo alcance e alta capacidade, a AirAsia quer jatos regionais menores para criar uma rede hub-and-spoke ao estilo americano, conectando destinos menores através de centros de conexão.

"Ter uma aeronave com 240 assentos não me permite atender muitos destinos pequenos", explicou Fernandes à Reuters. "Minha filosofia é sobre frequência, conectar ponto a ponto o máximo possível".

Essa visão estratégica favorece naturalmente aeronaves na faixa de 100 a 150 assentos, exatamente o segmento onde a família E2 da Embraer compete diretamente com o A220 da Airbus.

Por que a Embraer tem chances reais
Historicamente, Tony Fernandes sempre foi visto como um cliente fiel à Airbus. Toda a frota atual da AirAsia é composta por aeronaves do fabricante europeu: 258 jatos da família A320 e A330. Além disso, a companhia tem 347 pedidos pendentes de A321neo, incluindo 50 unidades do modelo de longo alcance A321XLR.

Mas há sinais concretos de que, desta vez, a competição pode ser diferente:

1. O momentum da E2 na Ásia-Pacífico
A Embraer vem ganhando terreno significativo na região. A Scoot, subsidiária de baixo custo da Singapore Airlines, tornou-se a primeira operadora do Sudeste Asiático a adotar o E190-E2, recebendo nove unidades entre 2024 e 2025. O sucesso dessa operação abriu portas que antes pareciam fechadas.

"Isso abre as portas, não apenas com a Scoot, mas com todas as companhias aéreas no Sudeste Asiático, que junto com o Sul da Ásia, era o mercado mais difícil para nós penetrarmos", afirmou Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas da Embraer para a Ásia-Pacífico.

A Virgin Australia também firmou pedidos para E2s, e a All Nippon Airways (ANA), um cliente tradicionalmente conservador, surpreendeu o mercado ao encomendar 15 E190-E2 em 2025, sua primeira compra da Embraer.

2. Performance técnica superior em rotas específicas
O E195-E2 oferece vantagens técnicas específicas que podem ser decisivas para a estratégia da AirAsia. A aeronave pode decolar de pistas com apenas 1.300 metros de comprimento, capacidade que permite acesso a aeroportos regionais menores e que o A220 não consegue atender com a mesma eficiência.

Para uma companhia que quer conectar destinos menores através de hubs, essa capacidade de operar em aeroportos com infraestrutura limitada é um diferencial estratégico importante.

3. Melhor economia de combustível no segmento
A Embraer promove o E2 como "o jato de fuselagem estreita pequeno mais eficiente do mundo", uma reivindicação que tem respaldo em dados operacionais. Para uma companhia aérea de baixo custo como a AirAsia, onde cada ponto percentual de economia de combustível impacta diretamente a lucratividade, essa eficiência pode compensar outros fatores.

4. Flexibilidade de financiamento e prazos de entrega
Enquanto a Airbus enfrenta uma carteira de pedidos lotada até meados da década de 2030, a Embraer tem mais flexibilidade para acelerar entregas. Fernandes mencionou que precisa de aeronaves operacionais até 2027, um prazo que pode favorecer a fabricante brasileira.

Além disso, a Embraer tem trabalhado ativamente com arrendadores como a Azorra para oferecer soluções de financiamento competitivas, crucial para uma companhia que acabou de sair de reestruturação financeira.

5. Treinamento simplificado de pilotos
Um ponto frequentemente subestimado é a facilidade de transição. Pilotos migrando de jatos E-Jets antigos para a família E2 precisam de apenas dois dias de treinamento, uma economia operacional significativa. A Embraer inaugurou um centro de treinamento completo em Singapura em 2024, com simuladores de última geração.

A estratégia agressiva da Embraer
Não é coincidência que a Embraer esteja investindo pesadamente na Ásia-Pacífico justamente agora. A fabricante brasileira identificou a região como seu principal alvo de crescimento e está executando uma estratégia de "proximidade", mantendo peças, treinamento e suporte técnico próximos aos operadores.

Em setembro de 2025, Fernandes admitiu à publicação especializada Skift que está "deixando tanto a Airbus quanto a Embraer loucos" com as negociações. "Ainda estamos passando por essa avaliação. Faz parte do meu grande plano mestre de fornecer conectividade", disse.

Essa declaração revela duas coisas: primeiro, que as negociações estão realmente equilibradas; segundo, que Fernandes está usando a competição para extrair as melhores condições possíveis.

Os desafios da Embraer
Apesar das perspectivas favoráveis, a Embraer enfrenta obstáculos significativos:

- Influência política: a Airbus conta com o apoio dos governos europeus, especialmente França e Alemanha, que historicamente usam influência diplomática para fechar negócios. O Brasil, embora tenha peso econômico crescente, não possui a mesma força geopolítica na Ásia.

- Histórico de relacionamento: a AirAsia opera exclusivamente Airbus há mais de duas décadas. Introduzir um novo fabricante significa complexidades operacionais, custos de treinamento e necessidade de novas cadeias de suprimento.

- Questões com motores Pratt & Whitney: tanto o E2 quanto o A220 usam motores GTF (Geared Turbofan) da Pratt & Whitney, que enfrentaram problemas de confiabilidade em 2025. No entanto, a Embraer reportou em fevereiro de 2026 que apenas cinco E2s ainda estavam no solo devido a problemas com motores, uma melhora drástica dos 35 jatos que chegaram a ficar parados no pico da crise.

- Tradição de "jogo duro" de Fernandes: analistas do setor apontam que Fernandes tem histórico de usar fabricantes concorrentes como alavanca para conseguir melhores preços da Airbus. Em 2015, ele visitou o estande da Bombardier (então fabricante do que hoje é o A220) na feira de Le Bourget, uma visita que durou 20 minutos e resultou em nada, mas que garantiu condições melhores com a Airbus logo depois.

Por que desta vez pode ser diferente
Mas há razões para acreditar que, desta vez, não se trata apenas de táticas de negociação:

  1. Necessidade real de diversificação: a AirAsia precisa genuinamente de aeronaves menores para sua nova estratégia. O A220, embora menor que o A320, ainda pode ser grande demais para algumas rotas que Fernandes quer desenvolver.

  2. Momento financeiro da Embraer: a fabricante brasileira teve um 2025 excepcional, com 154 pedidos firmes para a família E2, um recorde. Empresas como Avelo Airlines (50 E195-E2 + 50 opções), LATAM (24 + 50 opções) e Porter Airlines (30 unidades) demonstram que o E2 está conquistando até clientes tradicionais da Airbus.

  3. Maturidade do produto: diferente da tentativa de venda do C-Series/A220 anos atrás, a família E2 hoje é um produto maduro, com operações comprovadas em múltiplos continentes e diferentes condições climáticas.

  4. Aposta estratégica regional: a AirAsia poderia se tornar a "âncora" da Embraer no Sudeste Asiático, um papel que a fabricante brasileira precisa para ganhar escala na região. Isso poderia resultar em condições comerciais excepcionalmente favoráveis.

O que está em jogo
Esta não é apenas uma transação comercial. Para a Embraer, vencer este pedido significaria:

  • Estabelecimento definitivo no mercado de baixo custo asiático;
  • Validação do E2 como alternativa real ao domínio Airbus-Boeing;
  • Plataforma para conquistar outros operadores regionais que observam de perto.

Para a AirAsia, a escolha definirá:

  • A arquitetura de sua rede pelos próximos 15-20 anos;
  • A capacidade de executar sua visão de hub regional;
  • O custo operacional e a competitividade frente a rivais.

O anúncio iminente
Fernandes afirmou que a decisão virá "no próximo mês", uma promessa que já foi adiada algumas vezes enquanto a companhia finalizava o financiamento. Mas agora, com a reestruturação concluída e o plano estratégico definido, o anúncio parece iminente.

A indústria da aviação observa atentamente. Se a Embraer conseguir essa vitória, será um dos maiores feitos comerciais da fabricante brasileira, comparável apenas à entrada no mercado norte-americano décadas atrás.

E mesmo que a Airbus mantenha sua histórica dominação, o simples fato de a Embraer ter chegado tão longe nas negociações já representa uma mudança fundamental na dinâmica competitiva da aviação regional asiática.

A resposta virá em breve. E pode surpreender o mercado.

Tony Fernandes, conhecido por transformar a AirAsia de uma companhia falida em uma das maiores operadoras de baixo custo do mundo, está prestes a tomar uma das decisões mais importantes de sua carreira. E a Embraer pode estar mais perto de uma vitória histórica do que muitos imaginam.

Marinha e Taurus firmam parceria estratégica para desenvolvimento de armamento nacional

Acordo, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN),  conta com apoio do BNDES e visa desenvolver novos sistemas de armamento e drones destinados às tropas anfíbias



*LRCA Defense Consulting - 11/02/2026
A Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), celebrou na terça-feira (10/2) um Protocolo de Intenções com a Taurus Armas S.A., maior fabricante de armas leves do mundo, para o desenvolvimento de novos sistemas de armas leves e coletivas nos calibres 5,56, 7,62 e .50, além do inédito drone armado, destinados às tropas anfíbias, ampliando assim a capacidade tecnológica nacional. A cerimônia, realizada na histórica Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro, contou com o apoio institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Desenvolvimento tecnológico e autonomia estratégica
A parceria nasce com a missão de traduzir as necessidades operacionais reais dos Fuzileiros Navais em soluções tecnológicas efetivas. O foco principal está no desenvolvimento de estudos para novos sistemas de armas leves e coletivas, além de drones armados, projetados especificamente para os diversos ambientes onde a Marinha opera, desde operações anfíbias em zonas costeiras até missões em rios e regiões de mata.
De acordo com o Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, a iniciativa representa uma conquista coletiva. "O armamento empregado pelo Fuzileiro Naval deve ser sempre o mais confiável. Disso depende a segurança dele, de todas as pessoas que estão à sua volta e daqueles que ele está protegendo. Assim, a busca por armamento desenvolvido especificamente para atender plenamente aos nossos requisitos operacionais representa uma excelente oportunidade", destacou o comandante.
O protocolo estabelece que o CFN será responsável por identificar as necessidades específicas da tropa e orientar o desenvolvimento dos equipamentos, garantindo que estejam alinhados aos objetivos da Força Naval. Além disso, conduzirá a avaliação prática dos produtos em ambiente operacional, visando homologar os novos materiais e assegurar que suportem as exigências das missões reais.
Taurus amplia atuação no segmento militar
A Taurus Armas, fundada há 86 anos e com sede em São Leopoldo (RS), vem investindo fortemente no segmento militar, que representa cerca de 39% do mercado mundial de armas leves. A empresa, que possui unidades produtivas no Brasil, Estados Unidos e Índia, apresentou recentemente sua linha militar em eventos internacionais, incluindo a DSEI 2025 no Reino Unido e a World Defense Show 2026 na Arábia Saudita.
Entre os destaques do portfólio militar da Taurus estão os fuzis T4 (calibres 5,56mm e .300 Blackout) e T10 (7,62mm), plataformas versáteis e modulares projetadas para missões que exigem alta confiabilidade. A empresa também lançou a pistola TX9, desenvolvida sob protocolo militar com sistema modular que permite adaptação a diferentes perfis de emprego, e a submetralhadora RPC, ambas em calibre 9×19mm.
Segundo o CEO Global e Diretor Presidente da Taurus, Salesio Nuhs, a parceria com o CFN marca um passo decisivo. "Essa colaboração com os Fuzileiros Navais para nós é extremamente importante. Estamos dando um passo decisivo dentro da Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as Minimi e calibre 5.56 mm, a 7.62 mm, e a .50. Isso é uma tecnologia que nós estamos desenvolvendo. O Brasil, a nossa Base Industrial de Defesa, tem que ampliar os seus horizontes, tem que ampliar a sua área de atuação", afirmou.
A Taurus atuará como o braço industrial e tecnológico da aliança, mobilizando sua equipe técnica especializada para propor soluções inovadoras que atendam aos requisitos definidos pelo CFN. A fabricante também dará suporte direto à execução dos testes, disponibilizando suas instalações laboratoriais para garantir a qualidade e eficiência dos produtos.
BNDES e a Nova Indústria Brasil
Durante a cerimônia, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, formalizou o apoio da instituição por meio de documento oficial. O banco destacou que a parceria está em plena sintonia com as missões da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada em janeiro de 2024 que mobiliza R$ 3,4 trilhões em investimentos públicos e privados até 2033.
A Missão 6 da NIB, voltada para a defesa nacional, conta com R$ 112,9 bilhões em investimentos até 2026, sendo R$ 79,8 bilhões de recursos públicos e R$ 33,1 bilhões do setor privado. As metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) preveem alcançar 55% de domínio das tecnologias críticas para a defesa até 2026, e 75% até 2033. Atualmente, o Brasil domina 42,7% dessas tecnologias.
"Um dos esforços grandes que o BNDES precisa fazer é o resgate da Indústria Nacional de Defesa. Hoje estamos trabalhando com a tropa de pronto emprego, representada pelos Fuzileiros Navais, a única 100% profissional. Nós precisamos que essa tropa se debruce sobre a produção junto com a Taurus, que possui tecnologia secular desenvolvida. Eu vejo isso como uma semente promissora, inclusive para equipamentos mais pesados e mais sofisticados", afirmou Mercadante.
O BNDES já investiu R$ 205 bilhões nas seis missões da NIB desde janeiro de 2023, sendo R$ 23,9 bilhões destinados especificamente para a defesa. A instituição se colocou à disposição para discutir futuras ações conjuntas e analisar o apoio financeiro a projetos que assegurem avanços tecnológicos e maior conteúdo local na Base Industrial de Defesa.
Fomento à indústria nacional
A iniciativa busca contribuir diretamente para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID), priorizando o uso de produtos de alta qualidade fabricados no Brasil. O objetivo é fomentar o desenvolvimento conjunto de tecnologias ainda inexistentes no mercado nacional, reduzindo a dependência de importações e aumentando a autonomia estratégica do país.
O protocolo, que possui vigência de dois anos, prevê a realização de reuniões técnicas periódicas para avaliar o andamento dos estudos. As atividades serão conduzidas em regime de cooperação mútua, sem transferência de recursos financeiros entre os participantes nesta fase inicial.
Caso os estudos apontem soluções viáveis, poderão ser propostos futuramente novos instrumentos jurídicos para a aquisição das tecnologias desenvolvidas. A parceria também pode abrir caminho para futuras exportações, uma vez que equipamentos certificados por forças brasileiras ganham maior credibilidade no mercado internacional de defesa.
Contexto e desafios
A parceria surge em um momento de modernização das capacidades do Corpo de Fuzileiros Navais, que busca ampliar sua prontidão com equipamentos de alta robustez adaptados às demandas de uma força anfíbia. Conforme admitido pelo comandante-geral do CFN em 2025, a tropa enfrenta desafios relacionados à obsolescência de equipamentos, com a desativação de obuseiros de 155 milímetros e envelhecimento de mísseis antiaéreos e carros de combate.
O programa de investimento PROADSUMUS, voltado para a modernização do CFN, tem avançado com dificuldades, concentrando-se principalmente em aquisições relacionadas à mobilidade, que também possibilitam atuação em ações humanitárias.
Os Fuzileiros Navais, conhecidos como a tropa de elite da Marinha, são uma força de pronto emprego de caráter expedicionário, composta exclusivamente por militares voluntários selecionados e treinados para combate em terra, mar e ar. Com 217 anos de história, o CFN atua desde operações anfíbias até missões de paz das Nações Unidas, sendo considerado a infantaria naval mais antiga da América Latina.
Perspectivas
A aproximação institucional entre Marinha e Taurus fortalece a Base Industrial de Defesa ao criar condições para que processos de demonstração, testes de campo e homologação nacional elevem o nível de autonomia tecnológica do país. A parceria também se alinha à Estratégia Nacional de Defesa, que desde 2008 destaca a importância de desenvolver capacidades nacionais nos setores espacial, cibernético e nuclear.
Com a Taurus investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento (a empresa já recebeu 38 prêmios internacionais por inovação e qualidade) e o BNDES mobilizando recursos significativos para a indústria de defesa, a expectativa é que novos produtos sejam desenvolvidos nos próximos dois anos, contribuindo para reduzir a dependência de armamentos importados e posicionar o Brasil como exportador de tecnologia militar.
A iniciativa representa não apenas um avanço tecnológico, mas também um passo importante na construção de uma indústria de defesa robusta, capaz de atender às necessidades das Forças Armadas brasileiras e competir no mercado internacional.

10 fevereiro, 2026

O país que esqueceu de quem o defende e o socorre quando o Estado falha

 


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 10/02/2026

Em países como os Estados Unidos, a carreira militar continua cercada de respeito explícito. Civis cumprimentam soldados com um simples e poderoso “thank you for your service”. Não é folclore, é cultura. A farda representa sacrifício, compromisso nacional e continuidade histórica. Famílias se orgulham de ter militares entre seus membros, e muitos filhos seguem essa trajetória como herança moral transmitida entre gerações.

No Brasil, esse elo simbólico foi se rompendo silenciosamente, não se sabe se de forma natural ou deliberadamente construída ao longo do tempo. Os números mostram queda consistente nas inscrições para as academias militares e aumento da evasão, inclusive entre oficiais experientes. Isso não ocorre por acaso. É reflexo de um esvaziamento cívico mais amplo, que começa muito antes da porta dos quartéis.

Durante décadas, o civismo era cultivado desde cedo. Colégios ensinavam o valor dos símbolos nacionais. Bandas marciais, simples e acessíveis, despertavam disciplina, pertencimento e orgulho. Desfiles cívicos mobilizavam cidades inteiras. Cantar o Hino Nacional era um gesto natural. Esses elementos não formavam militares, formavam cidadãos conscientes do Estado, da Nação e de suas responsabilidades coletivas.

Hoje, esse repertório praticamente desapareceu. O mundo mudou, é verdade. A hiperconectividade ampliou opções e comparações imediatas. Disciplina, hierarquia e sacrifício passaram a competir com promessas de conforto, autonomia e retorno financeiro rápido. Mas isso não explica tudo.

Nos Estados Unidos, o mesmo mundo digital existe. A diferença está na mensagem transmitida. Lá, defesa não é gasto, é pilar da nação, sustentado por instituições fortes. O militar é visto como alguém disposto a assumir encargos que a maioria não assume. Aqui, muitas vezes, ele se torna invisível ou hostilizado. Em certos ambientes, vestir a farda pode até ser arriscado, em outros, simplesmente menosprezado.

Internamente, o problema se agrava com a perda da convivência militar intensa. Celulares, redes sociais e a redução de espaços de socialização enfraquecem o espírito de corpo, cimento invisível da carreira das armas. As academias não perderam sua essência, foi a sociedade que deixou de reforçá-la.

A busca por uma vida mais confortável não é falta de patriotismo. É consequência de um país que não reconhece nem recompensa, material e simbolicamente, quem escolhe servir. Também não é ausência de ameaças. A história mostra que as nações só percebem o valor da defesa quando já é tarde.

Reverter esse quadro exige mais do que ajustes salariais. Exige educação básica, reinternalizar o civismo, recuperar símbolos, rituais e referências. Como sempre lembra meu pai: “é preciso manter a liturgia do cargo”. Defesa exige pessoas vocacionadas, bem preparadas, bem remuneradas e tratadas como ativos que sintam orgulho de envergar suas fardas. 

Prestígio não se decreta. Ele se constrói. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.   

Postagem em destaque