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24 julho, 2026

Lula promete “encomendas” às Forças Armadas em visita à Avibras Aeroco

Presidente citou a Guerra do Paraguai e disse que o país vai vender “armas da paz”; Alckmin revelou 480 novos empregos e planos de reabrir fábrica em Lorena, mas nenhum aporte financeiro foi anunciado para a dívida trabalhista

 

*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta sexta-feira, dia 24 de julho, a fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), em um discurso marcado por referências históricas e promessas genéricas de novas encomendas às Forças Armadas, mas sem qualquer anúncio de recursos para quitar a dívida trabalhista da empresa. A agenda, que começou às 10h, contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Guerra do Paraguai e “armas da paz”
Em discurso na unidade fabril, Lula recorreu à Guerra do Paraguai para justificar a necessidade de investimentos permanentes em defesa. “Nós gostamos de paz. Mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou 3 Orçamentos do Brasil na época. Quando você entra em guerra, você não fica perguntando se tem dinheiro ou não tem dinheiro”, disse, segundo o Poder360.

O presidente também defendeu a ampliação das exportações de material bélico pela Avibras, associando as vendas externas a um discurso de soberania nacional. “Quando eu vender uma arma lá fora, eu falo: essa arma foi feita por trabalhadores brasileiros e trabalhadoras, muitos deles corintianos, e que não querem matar ninguém. Essa arma é da paz. Essa arma não é para você detonar, é só para você falar que tem, para ninguém mexer com você. E nós vamos vender”, declarou, de acordo com o Congresso em Foco.

Na mesma linha, à CNN Brasil, Lula afirmou que o investimento em defesa não pode ser tratado como algo secundário. “Quero ela [as Forças Armadas] bem preparada do ponto de vista de poderio, de armamento, de conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, disse.

Promessa de novas encomendas, sem valores ou prazos
O presidente sinalizou que o governo federal deve ampliar as compras de equipamentos das Forças Armadas nos próximos anos, embora sem detalhar valores, cronograma ou fornecedores específicos. “Hoje é um dia especial para as Forças Armadas brasileiras, que agora têm que se preparar para a gente fazer as encomendas necessárias, necessárias, num pensamento de médio e longo prazo”, afirmou, segundo o Congresso em Foco.

Em tom pessoal, Lula recorreu a uma lembrança da juventude para reforçar o argumento. “Teve um tempo, eu era molecão, e tinha uma garrucha .22. Eu não colocava bala na garrucha, eu com medo de me machucar com as balas. O Brasil não pode ser assim. Nós não podemos ter as Forças Armadas, ter Aeronáutica, Marinha, e não ter as coisas que a gente precisa”, disse. À CNN Brasil, completou o raciocínio: “E quando alguém quiser invadir, a gente falar: não invade agora, não, deixa eu comprar, me dá uns seis meses de prazo. Ninguém espera, cara”.


Alckmin detalha números da retomada em coletiva
Em entrevista coletiva após a visita, Geraldo Alckmin classificou a Avibras como empresa “estratégica” e apresentou números da retomada. Segundo o vice-presidente, a reabertura da fábrica permitiu contratar 480 colaboradores, e a empresa deve reabrir uma segunda unidade, em Lorena, onde fabrica insumos para o combustível de foguetes, mísseis e lançadores.

Alckmin também citou dados do setor de defesa como um todo para sustentar o discurso de crescimento. “O Brasil, em produtos de defesa em 2022, exportou US$ 600 milhões. No ano passado [foram] US$ 3,4 bilhões, aumentou cinco vezes a exportação brasileira. A Avibras tem tudo para retomar [o crescimento] e é muito importante para o Brasil ter uma defesa com tecnologia, capacidade de persuasão, isso é importantíssimo para o país, para o desenvolvimento do Brasil”, disse, conforme registrou o g1.

O número de 480 colaboradores contratados, dito pelo próprio vice-presidente na coletiva, diverge de registros anteriores: o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região vinha informando cerca de 271 trabalhadores recontratados no início da retomada, subindo para aproximadamente 500 até julho. A fala de Alckmin é a mais recente e oficial disponível até o momento, mas a variação entre as fontes ainda não foi esclarecida publicamente.

Tarifaço dos EUA tratado à parte, fora do discurso
Assim como já havia sido antecipado por reportagens anteriores, Lula não mencionou o novo tarifaço dos Estados Unidos durante o pronunciamento na fábrica. O tema só apareceu depois, na coletiva de Alckmin à imprensa, quando o vice-presidente classificou como “injusta” e “descabida” a nova taxa de 12,5% imposta pelo governo americano a produtos brasileiros, sob justificativa de supostas práticas de trabalho forçado.

Sobre a possibilidade de o governo brasileiro usar a Lei da Reciprocidade como resposta, Alckmin evitou cravar uma decisão. Segundo a CNN Brasil, o vice-presidente disse que o governo vai decidir sobre o uso da lei “no momento adequado”, defendendo, por ora, apoio aos setores afetados pela tarifa, busca de novos mercados e manutenção da mesa de negociação com os Estados Unidos.

O que ficou de fora
Apesar do tom favorável à indústria de defesa, a visita não trouxe anúncio de recursos federais para o pagamento da dívida trabalhista da Avibras, estimada em cerca de R$ 230 milhões e negociada com o Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo o jornal OVALE, a entidade sindical entregou a Lula, durante a visita, um pedido formal de aporte federal de R$ 300 milhões, mas o presidente não informou prazo, fonte de recursos ou qualquer decisão sobre o pleito.

Também não houve, ao menos publicamente, qualquer menção à negociação em curso entre a AEL Sistemas, a Elbit Systems e a Avibras Aeroco para viabilizar a montagem local do obuseiro autopropulsado Atmos 155 mm, no âmbito da licitação do Exército Brasileiro para aquisição de 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado (VBCOAP 155 mm SR).

 

Uma promessa vaga em ano eleitoral
A ausência de valores, prazos ou contratos específicos na promessa de novas encomendas chama atenção por coincidir com um ano eleitoral e com uma sequência recente de agendas de Lula pelo Vale do Paraíba, região que reúne parte importante da base industrial de defesa e aeroespacial do País (Embraer, em São José dos Campos, e agora a Avibras, em Jacareí). 

É possível argumentar que a formulação “médio e longo prazo” reflete simplesmente o ritmo naturalmente lento de contratações no setor de defesa, que costuma depender de ciclos orçamentários plurianuais e de negociações prolongadas, como já ocorre há mais de dois anos na tratativa em torno do ATMOS. 

Mas também é possível ler a fala como um gesto político de baixo custo, que sinaliza apoio a uma indústria estratégica sem assumir compromisso orçamentário imediato, em um momento no qual o próprio Sindicato dos Metalúrgicos cobrava, no mesmo evento, uma resposta concreta e não a obteve. 

Nenhuma das duas leituras pode ser tomada como certa a partir do que foi dito publicamente até aqui; a diferença só deve ficar clara quando, e se, a promessa se traduzir em contrato, orçamento ou cronograma.

Assim, pelo menos por enquanto, a visita presidencial resultou, para a Avibras Aeroco e para a BID, em "muita fumaça e pouco fogo", haja vista que nada de concreto foi anunciado pelo presidente ou pelo vice-presidente durante o ato.

Retomada da Avibras
A Avibras retomou suas atividades em Jacareí neste ano, após mais de três anos de crise financeira, recuperação judicial e uma greve que se estendeu por cerca de 1.280 dias, uma das mais longas da indústria brasileira. O acordo que encerrou a paralisação, assinado em março com o Sindicato dos Metalúrgicos, previu a quitação de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1,4 mil pessoas; a produção voltou a rodar em maio. A empresa também recebeu, recentemente, o credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED), concedido pelo Ministério da Defesa.

Mato Grosso compra 233 fuzis T4 da Taurus por R$ 3,6 milhões para a PM

Contratação por inexigibilidade de licitação amplia presença institucional da fabricante gaúcha em forças de segurança estaduais

  

*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

O Governo de Mato Grosso firmou contrato de R$ 3.639.312,49 com a Taurus Armas S.A. para a aquisição de 233 fuzis modelo T4, no calibre .300 Blackout (300 BLK), destinados à Polícia Militar do Estado (PMMT). O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso (Iomat) na quinta-feira (23/07), segundo apuraram os portais mato-grossenses VGN Notícias e Nortão News.

Como foi a contratação
A aquisição foi conduzida pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) por meio de inexigibilidade de licitação nº 045/2026, modalidade prevista em lei para os casos em que há inviabilidade de competição, geralmente associada a fornecedores exclusivos de determinado produto ou tecnologia. O instrumento resultante é o contrato nº 112/2026, celebrado entre o Estado de Mato Grosso, por intermédio da Sesp, e a Taurus Armas S.A., fabricante do armamento.

O valor total do contrato equivale a um custo médio de aproximadamente R$ 15,6 mil por unidade. A vigência estabelecida vai de 22 de julho de 2026 a 21 de julho de 2027. O documento foi assinado pelo secretário-adjunto de Segurança Pública, Rodrigo Bastos da Silva, em nome do Estado, e pelos representantes da Taurus Armas S.A., Eduardo Minghelli e Cícero Ferreira Prado.

O fuzil T4 em calibre .300 Blackout
O T4 é a plataforma de fuzil semiautomático de estilo M4 fabricada pela Taurus em São Leopoldo (RS), disponível em diferentes calibres e comprimentos de cano. A versão .300 Blackout, lançada institucionalmente pela empresa em 2022, foi desenvolvida como cartucho intermediário para operações táticas de curta e média distância, com desempenho comparável ao 7,62x39mm e vantagens de peso e volume de transporte em relação a calibres tradicionais de fuzil. A munição também apresenta maior eficiência quando empregada com supressores de ruído, característica que a fabricante associa ao uso em ambientes urbanos por forças policiais.

Segundo o extrato do contrato, os 233 fuzis serão destinados a atender às demandas operacionais da Polícia Militar de Mato Grosso, sem detalhamento público, até o momento, sobre quais unidades receberão o armamento.

Precedentes na adoção institucional
A compra pelo Governo de Mato Grosso não é o primeiro caso de adoção institucional do T4 .300 Blackout por órgãos de segurança estaduais. Em 2022, a Superintendência dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul (Susepe-RS) já havia adquirido 52 unidades do mesmo modelo, num dos primeiros contratos institucionais da nova linha, poucos meses após seu lançamento comercial.

Mais recentemente, entre 22 de junho e 3 de julho de 2026, cerca de dois mil fuzileiros navais da Marinha do Brasil validaram em campo, durante a Operação Furnas 2026, em Minas Gerais, os fuzis T4 (calibre 5,56mm) e T10 (calibre 7,62mm), além da carabina RPC e da pistola TX9, no âmbito de um protocolo de intenções firmado entre a Taurus e o Corpo de Fuzileiros Navais para o desenvolvimento de novos sistemas de armas.

Por que a Taurus aposta em vendas institucionais
A contratação em Mato Grosso se insere numa estratégia mais ampla da Taurus de diversificação de mercados. A empresa vem buscando reduzir a dependência do mercado civil norte-americano, hoje responsável por até 80% de seu faturamento internacional, e ampliar as vendas institucionais no País e no exterior. Além do fornecimento a forças estaduais de segurança pública, a fabricante gaúcha já exporta o T4 para forças armadas de outros países, caso das Filipinas, e mantém parceria com a Jindal Defense na Índia.

No mercado interno, o T4 também tem sido apontado como opção às forças de segurança em razão do custo de produção mais baixo em relação a fuzis importados e da produção integralmente nacional, fator que favorece contratações por inexigibilidade quando o produto atende a especificações técnicas específicas exigidas pelo órgão comprador.

23 julho, 2026

Embraer amplia presença na Flórida com nova parceria da Eve Air Mobility em mobilidade aérea avançada

Eve Air Mobility e Departamento de Transportes da Flórida vão usar o centro SunTrax Air para testar infraestrutura e procedimentos de operação de eVTOLs 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, uma parceria com o Departamento de Transportes da Flórida (FDOT, na sigla em inglês) para uma iniciativa de mobilidade aérea avançada, a Advanced Air Mobility (AAM), no centro de pesquisas SunTrax Air.

A iniciativa, conduzida pelo FDOT, vai reunir a experiência da Eve em aeronaves eVTOL, operações e serviços com a capacidade de pesquisa, testes e validação do SunTrax Air. Segundo a empresa, o esforço deve gerar subsídios sobre infraestrutura, procedimentos operacionais e regras de navegação aérea necessários para permitir a integração segura e eficiente da mobilidade aérea avançada à rede de transportes do estado americano.

O centro SunTrax Air é operado pelo FDOT e funciona como o principal polo estadual de pesquisa e desenvolvimento em mobilidade aérea avançada. Localizado em Auburndale, o complexo oferece um ambiente controlado para avaliação de tecnologias, conceitos operacionais e infraestrutura de apoio voltados à próxima geração de aviação.

Em nota, o presidente executivo da Eve Air Mobility, Johann Bordais, afirmou que a Flórida reconhece seu papel estratégico no futuro da mobilidade aérea avançada e vem construindo de forma proativa o ecossistema necessário para sustentá-la. Bordais também destacou o entendimento do secretário do FDOT, Jared W. Perdue, e de sua equipe de que a introdução de um novo modo de transporte exige alinhamento entre aeronaves, infraestrutura, operações e comunidades, e disse que a Eve tem orgulho de contribuir com sua experiência, dando continuidade ao relacionamento de longa data da Embraer com o estado.

Perdue, por sua vez, classificou o acordo como mais um avanço rumo à implementação da mobilidade aérea avançada na Flórida, e disse que os recursos e a infraestrutura exclusivos do SunTrax serão fundamentais para as pesquisas e os testes da Eve, com vistas à integração segura dessas aeronaves ao sistema de transportes estadual.

A parceria se soma a uma colaboração já em curso entre a Eve e o FDOT. As duas partes vão avaliar, a partir do SunTrax Air, conceitos operacionais, prontidão de infraestrutura, experiência do passageiro e requisitos futuros do ecossistema, com o objetivo declarado de posicionar a Flórida como referência nacional em mobilidade aérea avançada e de acelerar a comercialização das operações eVTOL.

O anúncio ocorre em meio a um período de intensa atividade da Eve no Farnborough International Airshow, no qual a empresa também divulgou avanços no processo de certificação global do seu modelo Eve 100 e um pedido firme de até 16 aeronaves feito pela Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point.

A Eve é listada na Bolsa de Valores de Nova York (EVEX, EVEXW) e na B3 (EVEB31), e tem como controladora a Embraer, fabricante brasileira com 56 anos de história na indústria aeroespacial.

Caçador II: Avionics Services destaca VANT brasileiro em participação no Farnborough International Airshow 2026

Empresa de Botucatu completa 30 anos de atuação e apresenta o veículo aéreo não tripulado Classe 4 entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio de aviônica, certificação e modernização de aeronaves

Imagem renderizada por IA de uma Caçador II sobre o Aeroporto de Botucatu
 
*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Avionics Services, empresa brasileira de engenharia aeronáutica com sede em São Paulo e base operacional e industrial no Aeródromo Municipal de Botucatu (SDBK), interior do Estado de São Paulo, confirmou participação no Farnborough International Airshow 2026, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O evento ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, no Farnborough International Exhibition & Conference Centre, em Hampshire, no Reino Unido, e deve reunir mais de 1.400 expositores, cerca de 400 delegações oficiais e mais de 100 mil visitantes. A empresa brasileira ocupa o estande nº 41124, no Hall 4, dentro do espaço do Pavilhão Brasil.

O Caçador II
Entre os destaques da participação está o projeto do Caçador II, veículo aéreo não tripulado (VANT) de asa fixa, Classe 4, desenvolvido para aplicações civis e militares. O sistema é uma nova geração do Caçador original, lançado em 2016 como versão brasileira do Heron-1, da israelense Israel Aerospace Industries (IAI), fruto de um acordo de transferência de tecnologia entre as duas empresas. Segundo reportagem do portal espanhol Infodefensa, o Caçador II é baseado no IAI Heron CAT 4 MALE e é capaz de realizar toda a missão de forma autônoma, incluindo pouso automático sem interferência humana. Segundo a Avionics Services, o Caçador II foi projetado para missões de monitoramento ambiental, vigilância de fronteiras, proteção de infraestruturas críticas, combate a incêndios, busca e salvamento, fiscalização de atividades ilícitas e apoio a operações de segurança pública, mantendo o perfil de uso dual que já caracterizava o modelo anterior.

Registros fotográficos de um exemplar com a inscrição "experimental" e a matrícula civil PP-ZVM, feitos no hangar da empresa em Botucatu e creditados pela Infodefensa ao jornalista especializado Roberto Caiafa, indicam que o novo VANT já realiza voos de ensaio sob autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda sem certificação de tipo definitiva. Visualmente, a aeronave preserva a configuração aerodinâmica de asa de grande envergadura e cauda em V invertido que caracteriza a família Heron. Segundo a mesma reportagem, o Caçador I e o Caçador II são operados a distância por meio de um shelter, contêiner padrão de vinte pés, com toda a aviônica de missão apresentada em telas multifuncionais coloridas, e podem empregar conexão via satélite, o que amplia de forma significativa o alcance da missão.

O que ainda não foi revelado
Até a publicação desta matéria, a Avionics Services não havia divulgado uma ficha técnica própria do Caçador II, com dados como envergadura, peso máximo de decolagem, autonomia de voo e teto de serviço. O Caçador original, para efeito de comparação, tem envergadura de 16,6 metros, peso máximo de decolagem de 1.270 quilogramas, autonomia de 40 horas, teto de serviço de 9.100 metros e alcance de até 1.000 quilômetros com uso de canal satelital em banda Ku. Se o Caçador II repete ou supera esses números, ainda não está confirmado publicamente.

Uma vitrine mais ampla que o drone
Segundo release oficial da empresa, o Caçador II está entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio mais amplo de soluções em engenharia aeronáutica: modernização de painéis e sistemas aviônicos, retrofit de aviônicos, conectividade em voo por meio do Gogo Galileo HDX, simuladores de voo, soluções de interiores desenvolvidas pelo Aircraft Interiors Center, além de serviços de engenharia e certificação. A empresa afirma acumular mais de 600 processos conduzidos junto à ANAC, o maior volume entre companhias brasileiras do setor, e atuação também junto à Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, e à European Union Aviation Safety Agency (EASA), da União Europeia.

O catálogo da empresa reúne mais de 70 produtos para aplicações aeronáuticas, entre sistemas de iluminação em LED, equipamentos eletrônicos embarcados, conversores, inversores e sistemas de segurança, desenvolvidos conforme as normas DO-160, DO-178 e DO-254 e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Avionics Services também desenvolve projetos de integração de sistemas como EFIS, FMS, TCAS, EGPWS, CVR, GPS, comunicação via satélite e entretenimento de bordo, além de programas de modernização de interiores para aeronaves civis e militares.

Em nota, o presidente da empresa, João Vernini, afirmou que o Farnborough International Airshow reúne fabricantes, operadores, autoridades aeronáuticas e empresas de tecnologia de todo o mundo, e que a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar a presença global da companhia, estabelecer novas parcerias e demonstrar a capacidade da engenharia brasileira.

Trinta anos de história
A Avionics Services celebra, em 2026, 30 anos de atuação, com fundação registrada em janeiro de 1996. A empresa acumula certificações RBAC 145, da ANAC; Part-145, da EASA; ISO 9001; e AS9100D, além do reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Mantém projetos em desenvolvimento com fabricantes como a Embraer e o Grupo Airbus e, em 2025, participou de outros seis eventos internacionais de porte: o Paris Air Show, o Dubai Airshow, o NBAA-BACE, nos Estados Unidos, o EDEX, no Egito, e a Expodefensa, na Colômbia, entre outros, reforçando a estratégia de internacionalização da companhia.

A parceria com a IAI
A relação entre a Avionics Services e a IAI remonta a 2013, quando as duas empresas firmaram acordo de cooperação para o desenvolvimento do Caçador original. O processo envolveu transferência de tecnologia e a entrada da IAI Brasil na sociedade, com participação acionária minoritária, o que preserva o enquadramento da Avionics Services como Empresa Estratégica de Defesa segundo a legislação brasileira, que exige controle de dois terços do capital por sócios nacionais. O primeiro Caçador voou pela primeira vez em fevereiro de 2016 e passou a ser usado, entre outros clientes, pelo Departamento de Polícia Federal, no controle de fronteiras do País.

Avibras Aeroco recebe a visita do presidente da República nesta sexta

Aviso de pauta da Presidência confirma agenda às 10h, com participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, em meio à negociação para destravar o programa ATMOS e à cobrança do Sindicato por aporte financeiro federal 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta sexta-feira, dia 24 de julho, as instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), segundo aviso de pauta publicado pela Presidência da República nesta quarta-feira (22), às 16h28. A agenda tem início às 10h, no endereço Rodovia dos Tamoios, km 14, Estrada do Varadouro, 1.200, na zona rural de Jacareí, e conta também com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Segundo o comunicado oficial, serão visitadas as instalações responsáveis pela produção de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis, entre outros itens do portfólio da empresa. O aviso de pauta informa que as atividades da Avibras Aeroco foram retomadas em março deste ano; a informação diverge, em parte, da cronologia apresentada anteriormente pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que já havia relatado retomada gradual da produção a partir de maio, com cerca de 271 trabalhadores ativos no início daquele mês.

Profissionais de veículos de imprensa interessados na cobertura devem se credenciar junto ao sistema da Presidência da República até as 20h desta quinta-feira (23); profissionais com credencial anual da Presidência também precisam confirmar a participação na visita. As credenciais serão entregues entre 9h e 10h de sexta-feira, no próprio local da agenda.

Trata-se da primeira ida do atual presidente à unidade fabril, que retomou operações após passar quatro anos paralisada em razão da grave crise financeira que atingiu a antiga Avibras Indústria Aeroespacial. A empresa foi reestruturada sob o nome de Avibras Aeroco, com Sami Hassuani na presidência, e conta com aporte de investidores que incluem os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F.

Uma fábrica em reconstrução
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, o número de trabalhadores ativos na Avibras Aeroco, que começou a retomada com cerca de 271 recontratados, já havia subido para aproximadamente 500 até o mês de julho. Apesar da volta gradual da produção, a fábrica ainda depende da liberação de um aporte financeiro pelo governo federal para quitar parte das dívidas trabalhistas negociadas com a entidade sindical, um dos principais focos de pressão dos metalúrgicos sobre o Palácio do Planalto nos últimos meses.

“A volta da Avibras foi muito importante, mas seguiremos com a nossa defesa da estatização desta empresa tão estratégica para o nosso país. O Sindicato fez sua parte para que a Avibras não fechasse as portas. Agora é hora de o governo federal liberar recursos para que a fábrica quite a dívida trabalhista e para a preservação da principal indústria bélica do Brasil”, afirmou Weller Gonçalves, em nota divulgada pelo Sindicato.

O adiamento da inauguração oficial
A cerimônia oficial de inauguração do complexo industrial de Jacareí estava originalmente marcada para 2 de julho, mas foi adiada poucos dias antes da data, a pedido formal da Presidência da República. Em 1º de julho, véspera da data original, o comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, visitou as 18 unidades fabris do complexo, acompanhado dos generais Ricardo Piai Carmona (comandante do Sudeste), Everton Pacheco da Silva (Escritório de Projetos do Exército), Erb Lyra Leal (Departamento de Ciência e Tecnologia), Marcelo Lorenzi Zucco (2ª Divisão de Exército) e Evandro Luís Amorim Rocha (Aviação do Exército).

À época do adiamento, circulavam no setor, sem confirmação oficial, hipóteses de que a nova data poderia coincidir com o anúncio presidencial da liberação do aporte público previsto no plano de reestruturação da empresa, estimado em cerca de R$ 300 milhões adicionais, com origem possível na Finep, no BNDES ou no PAC. O aviso de pauta divulgado pela Presidência para a visita desta sexta-feira não menciona, contudo, qualquer anúncio financeiro; segundo o texto oficial, o foco da agenda é conhecer a produção de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis da empresa.

O pano de fundo, o programa ATMOS
A visita presidencial ocorre em meio a negociações entre a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, e a Avibras Aeroco para viabilizar a montagem e a integração local do obuseiro autopropulsado ATMOS 155 mm sobre rodas, no âmbito da licitação do Exército Brasileiro para aquisição de 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado (VBCOAP 155 mm SR). Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Marcelo Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo, e reproduzidas por veículos especializados, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, obteve do presidente Lula sinal verde para avançar em um arranjo que tornaria o sistema israelense montado em território nacional, reduzindo o desgaste político de uma compra direta de armamento israelense em meio à guerra no Oriente Médio.

O pacote em negociação poderia incluir também o sistema de lançamento múltiplo de foguetes PULS, da Elbit. O desfecho das tratativas depende da conclusão das negociações entre as empresas e da formalização do aval presidencial em instrumento contratual, além de eventual evolução do quadro diplomático no Oriente Médio.

Segunda ida a São José dos Campos em poucos meses
A agenda em Jacareí seria a mais recente de uma série de visitas do presidente à região do Vale do Paraíba, marcada nos últimos meses por tensões trabalhistas em diferentes indústrias locais, incluindo protestos de metalúrgicos durante visitas anteriores de Lula à Embraer, em São José dos Campos, nas quais os manifestantes cobraram do governo federal medidas em favor dos trabalhadores, tanto da fabricante aeronáutica quanto da própria Avibras.

Esta reportagem será atualizada conforme novas informações forem confirmadas oficialmente sobre a agenda presidencial em Jacareí.

22 julho, 2026

Embraer confirma parceria com a Northrop Grumman para dotar o KC-390 de boom de reabastecimento

Nota publicada nesta quarta-feira no LinkedIn reafirma acordo assinado em fevereiro para evolução do KC-390 Millennium rumo a capacidades avançadas de reabastecimento em voo, com foco na Força Aérea dos Estados Unidos e em nações aliadas  


*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Embraer publicou nesta quarta-feira, no LinkedIn, uma nota confirmando a parceria estratégica firmada com a Northrop Grumman para o desenvolvimento conjunto de capacidades de mobilidade aérea avançada aplicadas ao KC-390 Millennium, cargueiro tático multimissão fabricado pela empresa brasileira. Segundo a nota, o objetivo é evoluir a aeronave para oferecer capacidades avançadas de reabastecimento em voo aos Estados Unidos e a nações aliadas.

O que prevê o acordo
As principais características anunciadas incluem um boom de reabastecimento aéreo autônomo e avançado, comunicações aprimoradas, maior consciência situacional e novas opções de sobrevivência, além de sistemas de missão adaptáveis. De acordo com a Embraer, essas melhorias devem ampliar a gama de aeronaves atendidas pelas operações de reabastecimento do KC-390 e expandir seu escopo de missão em diferentes ambientes operacionais.

Hoje, o KC-390 realiza reabastecimento em voo pelo sistema de mangueira e cesta (probe and drogue), operado por meio de pods instalados sob as asas. A adoção de um boom, lança rígida controlada por operador, amplia a compatibilidade da aeronave com caças e outras plataformas equipadas com receptáculo, padrão amplamente utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

Como surgiu a parceria
O acordo entre as duas empresas foi formalizado em 19 de fevereiro de 2026, por meio de um memorando de entendimento. À época, a Embraer Defesa e Segurança e a Northrop Grumman anunciaram que uniriam expertise técnica e industrial para acelerar o desenvolvimento de um sistema de reabastecimento aéreo de nova geração, com vistas ao conceito de emprego ágil em combate (ACE, na sigla em inglês).

Tom Jones, vice-presidente corporativo e presidente da Northrop Grumman Sistemas Aeronáuticos, afirmou que a companhia realiza investimentos estratégicos para suprir uma lacuna em soluções avançadas de mobilidade aérea, sobretudo entre países aliados que buscam maior autonomia e eficiência operacional. Já Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, destacou que o KC-390 é uma plataforma operacional comprovada e de boa relação custo-benefício, com potencial de rápida incorporação à frota da Força Aérea dos EUA.

A parceria com a Northrop Grumman sucede uma tentativa anterior de aliança com a L3Harris Technologies, firmada em 2022 para o desenvolvimento de um chamado Agile Tanker baseado no KC-390, e que não avançou. Executivos da Embraer já indicaram publicamente que essa parceria anterior não segue mais em vigor para o programa de tanque tático.

 

Por que interessa aos Estados Unidos e a aliados
A colaboração se insere no programa da USAF conhecido como Next Generation Air-refueling System (NGAS), terceira etapa de um plano de recapitalização da frota de reabastecedores em voo do País, após o KC-X, que resultou no KC-46 Pegasus, e o KC-Y. A visão da Força Aérea para o NGAS combina um grande tanque de asa larga para o grosso das operações de reabastecimento com aeronaves capazes de operar e sobreviver no mesmo espaço aéreo contestado das aeronaves de combate que apoiam, sendo essa a lacuna na qual o KC-390 se posiciona como candidato tático de médio porte.

Nesse desenho de "família de sistemas", o KC-390 Multi-Mission Tanker é posicionado como opção tática e de menor custo, complementar a um tanque de maior porte e a uma futura aeronave não tripulada de reabastecimento. A Embraer já sinalizou disposição de investir recursos próprios relevantes em uma linha de produção dedicada nos Estados Unidos, atendendo a exigências de conteúdo local do tipo Buy American Act.

Repercussão e contexto recente
A parceria voltou a ser destaque em abril, quando a Embraer levou o KC-390 e a aliança com a Northrop Grumman à conferência ARSAG 2026, em Orlando, apresentando o projeto do sistema de boom centralizado na fuselagem como complemento ao sistema atual de mangueira e cesta da aeronave, com o objetivo declarado de reabastecer caças como o F-35 e outras aeronaves de asa fixa usadas por forças dos Estados Unidos e da OTAN.

O tema também voltou ao noticiário na semana passada, quando o KC-390 realizou, em 17 de julho, uma série de passagens em baixa altitude pelo Mach Loop, no País de Gales, durante campanha internacional de demonstração da aeronave no Reino Unido, episódio que reforçou a exposição da plataforma junto a operadores e especialistas europeus em meio às tratativas com os Estados Unidos.

Histórico da Northrop Grumman no setor de tanques
O retorno da Northrop Grumman ao debate sobre reabastecedores tem paralelo histórico. Em 2008, a empresa integrou consórcio com a então EADS, controladora da Airbus, e venceu inicialmente a competição KC-X da USAF com o KC-45, baseado no A330 MRTT, resultado que depois foi contestado e revertido em favor do Boeing KC-46. A nova aliança com a Embraer marca a reentrada da companhia norte-americana em uma disputa por reabastecedores, agora ao lado de uma fabricante sul-americana.

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