Pesquisar este portal

25 maio, 2026

Colt CZ Group registra melhor trimestre da história e eleva aposta no eixo CBC-Taurus

Grupo tcheco-americano anuncia EBITDA ajustado de CZK 2,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 72,1%; resultado reforça o peso estratégico da CBC como segundo maior acionista e amplia as perspectivas para a Taurus Armas 


*LRCA Defense Consulting - 25/05/2026

O Colt CZ Group SE anunciou na última quarta-feira, 21 de maio, os resultados consolidados não auditados do primeiro trimestre de 2026, encerrado em 31 de março. Os números são históricos: a receita total do grupo chegou a CZK 7,3 bilhões, alta de 32,7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o EBITDA ajustado saltou 72,1%, para CZK 2,1 bilhões, com margem de 28,5%. O lucro líquido ajustado cresceu 73,9%, atingindo CZK 950,6 milhões.

Para a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e sua controlada Taurus Armas S.A., o resultado tem implicações que vão além do balanço trimestral. A CBC detém 27,71% do capital do Colt CZ Group como segundo maior acionista, posição conquistada em maio de 2024 após a venda da Sellier & Bellot ao grupo tcheco por uma combinação de US$ 350 milhões em dinheiro e ações recém-emitidas, totalizando US$ 703 milhões na transação. Em outras palavras: cada resultado recorde do Colt CZ Group se reflete diretamente no valor da participação que o grupo brasileiro detém em Praga e em Amsterdã.

O trimestre que reescreveu o manual
O Colt CZ Group opera hoje com três segmentos: armas de fogo, munições e energéticos, este último consolidado a partir de janeiro de 2026 com a integração da Synthesia Nitrocellulose e da Synthesia Power. O segmento de energéticos foi a surpresa positiva do trimestre: gerou receita de CZK 1,5 bilhão e EBITDA ajustado de CZK 803 milhões, com margem de 52,5%, a mais elevada do grupo.

O segmento de munições, que inclui a Sellier & Bellot (ex-ativo da CBC), a swissAA e parcela da Colt CZ Defence Solutions, também se destacou com margem de EBITDA ajustado de 33,6%, acima da média consolidada do grupo. O segmento de armas de fogo registrou receita de CZK 3,5 bilhões, alta de 23,3%, apesar de uma queda de 22,0% no volume de armas vendidas, compensada por mix mais favorável e novos contratos militares e policiais.

"O primeiro trimestre de 2026 confirmou a força do nosso modelo de negócios diversificado e a relevância da direção estratégica do grupo. Alcançamos os melhores resultados históricos do primeiro trimestre, tanto em receita quanto em lucratividade", afirmou Radek Musil, CEO do Colt CZ Group.

Destaques financeiros comparados (em CZK bilhões)

Indicador

Q1 2025

Q1 2026

Receita total

CZK 5,5 bi

CZK 7,3 bi (+32,7%)

EBITDA ajustado

CZK 1,2 bi

CZK 2,1 bi (+72,1%)

Lucro líquido ajustado

CZK 546,5 mi

CZK 950,6 mi (+73,9%)

Margem EBITDA ajustada

22,0%

28,5%

Fonte: Colt CZ Group SE, comunicado de 21/05/2026

No dia 24 de maio, o Colt CZ Group celebrou os cinco anos desde a aquisição da Colt's Manufacturing Company LLC e da Colt Canada, um marco importante no seu desenvolvimento. Graças a essa aquisição, o grupo se tornou parceiros do Exército dos EUA, das Forças Armadas Canadenses e de muitos outros clientes militares e policiais ao redor do mundo.

A posição da CBC: acionista que valoriza e que cresce junto
A participação da CBC no Colt CZ Group não é passiva. Desde a conclusão da operação em maio de 2024, um representante do grupo brasileiro assumiu assento no conselho de supervisão do grupo tcheco. A valorização consistente das ações do Colt CZ, impulsionada por resultados como o divulgado nesta semana, fortalece o balanço patrimonial da CBC e amplia sua capacidade de investimento.

O Colt CZ Group também concluiu em abril de 2026 a listagem dupla na Euronext Amsterdam, passando a negociar suas ações simultaneamente na Bolsa de Valores de Praga e no mercado europeu, sob o símbolo "COLT". A dupla listagem aumenta a liquidez das ações e eleva o perfil institucional do grupo, o que tende a beneficiar indiretamente a CBC como acionista relevante.

Outro desdobramento financeiro relevante é o dividendo de CZK 30 por ação proposto pelo conselho do Colt CZ Group, sujeito à aprovação em assembleia geral ainda no primeiro semestre de 2026. Com 27,71% do capital, a CBC deve receber uma fatia proporcional dessa distribuição.

Taurus: da fábrica gaúcha ao coração da cadeia global
Para a Taurus Armas (TASA3), controlada indiretamente pela CBC por meio da CBC Global Ammunition, o cenário que emerge do crescimento do Colt CZ Group é igualmente significativo, mas por razões distintas. Não se trata de participação acionária direta, mas de uma cadeia de sinergias operacionais em construção.

Desde que as relações entre os grupos se aprofundaram após 2024, foi identificada uma sinergia concreta que pode tornar a Taurus um fornecedor industrial do Colt CZ Group: a produção de peças por MIM (metal injection molding), tecnologia dominada por apenas duas fábricas de armas no mundo, sendo a Taurus a única no Hemisfério Sul. Uma arma produzida pelo Colt CZ Group pode conter até 14 dessas peças, e a unidade de São Leopoldo (RS) já produz mais de 110 mil peças MIM por dia, distribuídas para as unidades do grupo brasileiro no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia e, prospectivamente, na Turquia.

Em maio de 2025, uma delegação de altos executivos da CZ (Česká zbrojovka), liderada pelo CEO Jan Zajíc, visitou a sede da Taurus em São Leopoldo (RS). O encontro foi interpretado por analistas do setor como um sinal de que as negociações avançaram para um nível mais aprofundado, possivelmente envolvendo contratos formais de fornecimento de peças MIM para as unidades do grupo tcheco no mundo.

Quanto maior o crescimento da Colt CZ Group, maior a demanda por peças e componentes que a Taurus pode fornecer. O resultado recorde do Q1 2026 sinaliza que esse crescimento não é passageiro, o que torna o potencial contrato de fornecimento ainda mais relevante para a receita futura da fabricante gaúcha.

CBC em expansão: o Extreme Performance Group e a ambição global
Enquanto aguarda o amadurecimento das sinergias com o Colt CZ Group, a CBC não parou de se mover. Em 18 de março de 2026, a CBC Global Ammunition anunciou a aquisição de participação de controle no Extreme Performance Group (EPG), empresa britânica sediada em Retford, no condado de Nottinghamshire. O EPG é fornecedor homologado pelo Ministério da Defesa do Reino Unido e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, especializado em munições de precisão para uso militar e policial de elite, incluindo projéteis para franco-atiradores.

A operação, assessorada financeiramente de forma exclusiva pela G5 Partners, representa a entrada da CBC no mercado britânico de defesa e amplia sua capacidade de competir por contratos governamentais na Europa, um mercado em expansão dado o novo ciclo de investimentos militares no continente. A transação tem valor estratégico evidente: a CBC acessa tecnologia balística desenvolvida em parceria direta com as Forças Armadas do Reino Unido, no coração do sistema de defesa da OTAN.

Com a aquisição do EPG, a CBC expande seu portfólio global que já incluía a MEN (Alemanha), a SinterFire (EUA), além da participação no Colt CZ Group (República Tcheca e Euronext Amsterdam). Em maio de 2025, o grupo brasileiro também anunciou um investimento de US$ 300 milhões para inaugurar uma fábrica de munições em Oklahoma, nos Estados Unidos, com capacidade para produzir cartuchos de calibres que vão do 9mm ao 12,7mm.

O que está em jogo: um bloco industrial sem precedentes
Somando as peças desse quebra-cabeça industrial, emergem os contornos de um bloco de poder sem precedentes no mercado global de armamento leve: a CBC como acionista relevante do Colt CZ Group, a Taurus como potencial fornecedora industrial do grupo tcheco, e o EPG como porta de entrada para a tecnologia de munições de precisão britânica.

No plano simbólico e estratégico, uma parceria formalizada entre as marcas Taurus e Colt, dois dos nomes mais reconhecidos da indústria de armas leves, poderia remodelar o mercado americano de Law Enforcement, segmento no qual o Colt CZ Group já possui participação histórica de primeira linha e ao qual a Taurus ainda não acessou de forma consistente.

Os resultados recordes do Q1 2026 do Colt CZ Group não são apenas um dado financeiro de Praga. São, para CBC e Taurus, a mais recente confirmação de que o movimento estratégico iniciado em 2024 foi bem calibrado, e que seus desdobramentos práticos ainda estão sendo escritos.

24 maio, 2026

Avibras Aeroco marca presença no maior fórum mundial de artilharia e sinaliza retorno ao mercado internacional

Em Londres, empresa foi uma das patrocinadoras da Future Artillery Conference 2026 e teve produtos estratégicos apresentados por general do Exército Brasileiro para auditório de mais de 600 participantes de 55 nações 


*LRCA Defense Consulting - 24/05/2026

A Avibras Aeroco marcou presença na Future Artillery Conference 2026, realizada de 19 a 21 de maio no Novotel London West, em Londres, como patrocinadora do principal fórum mundial dedicado ao tema dos fogos indiretos e da artilharia. Organizado pela Defence IQ, em sua 25ª edição, o evento reuniu mais de 600 participantes de 55 nações, entre comandantes militares seniores, representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de forças aliadas, além de líderes do setor industrial de defesa.

A participação ocorre num momento de virada para a empresa. Após quatro anos de paralisia produtiva e um processo de recuperação judicial iniciado em março de 2022 com dívidas de R$ 394 milhões, a Avibras Aeroco retomou operações sob nova estrutura societária e em maio de 2026 reiniciou efetivamente a produção. A presença em Londres funciona como um anúncio simbólico e estratégico ao mercado global: a empresa está de volta.

ASTROS na vitrine de Londres
No primeiro dia da conferência, em 19 de maio, os sistemas de mísseis e foguetes ASTROS, o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) e o Míssil Tático Balístico (MTB), todos desenvolvidos pela Avibras Aeroco, foram apresentados ao auditório internacional numa palestra do General de Brigada R/1 Moisés da Paixão Junior, Gerente do Subprograma Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro.

A palestra, intitulada "Modernização da artilharia do Exército Brasileiro para um futuro multidomínio", descreveu a nova estrutura do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS e seus três subprogramas: artilharia de campanha de mísseis e foguetes, artilharia de campanha (canhão de tubo) e defesa antiaérea.

O general enumerou como prioridades da artilharia brasileira o aumento da mobilidade e do alcance dos sistemas, a digitalização do controle de tiro, a integração em rede dos elementos de combate e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) nacional. Na avaliação do oficial, esses avanços contribuem para uma artilharia "mais moderna, confiável e interoperável, sustentada por elevada capacidade tecnológica, conhecimento do material empregado e sistemas eficientes de suporte e manutenção".

Engenharia e estratégia comercial lado a lado
A Avibras Aeroco levou ao evento dois executivos com perfis complementares: Marcos Stephany, gerente de Engenharia de Vendas & Estratégia de Produto, e Almir Lemos, gerente de Engenharia de Sistemas. A composição da delegação reflete a dupla agenda da empresa no fórum: técnica e comercial. Além de acompanhar as apresentações e os painéis estratégicos, os representantes ocuparam o espaço de networking do evento para reforçar contatos com potenciais clientes internacionais, especialmente no Oriente Médio, região que historicamente integra a carteira de compradores do sistema ASTROS.

 

O contexto do retorno
A Future Artillery 2026 reuniu, ao lado da Avibras Aeroco, empresas como Lockheed Martin (patrocinadora principal), Hanwha, KNDS, Thales, Northrop Grumman, Leonardo, Kongsberg, Saab e Diehl Defence, entre outros pesos pesados da indústria bélica global. Num ambiente dominado por players estabelecidos da OTAN e da Coreia do Sul, a presença brasileira chama atenção pelo contexto: a empresa integrou o evento como patrocinadora imediatamente após superar sua crise de liquidez e retomar a produção.

O timing dialoga com o cenário internacional. A guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio recolocaram os sistemas de artilharia de longo alcance no centro do debate estratégico global, criando uma janela de oportunidade para fabricantes que oferecem capacidades competitivas fora do eixo tradicional OTAN-Rússia. O ASTROS, com alcance variável entre 30 e 300 quilômetros, dependendo do módulo utilizado, e com histórico de emprego em conflitos reais, enquadra-se nesse perfil.

Em paralelo à presença em Londres, a empresa também avançou no relacionamento doméstico. Em 6 de maio de 2026, dias antes da conferência, a Avibras Aeroco realizou reunião com oficiais do Exército Brasileiro no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, para alinhamento técnico e discussão de futuros contratos. O encontro contou com a participação dos generais Tales Vilella e Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, atual e futuro Diretores de Fabricação do EB, além do General Maurício Ramos de Rezende Neves, Chefe do CTEx.

Uma nova fase
A Avibras Aeroco chega a Londres com marca reformulada, site institucional relançado e uma narrativa de recomeço sustentada por aportes privados. A empresa opera a partir de sua sede em Jacareí (SP) e busca reposicionar o ASTROS como referência global de sistemas de foguetes multicalibre para exércitos que buscam soberania tecnológica em fogos de longo alcance.

A Future Artillery Conference 2026 encerrou-se em 21 de maio. Os desdobramentos comerciais da participação brasileira, incluindo eventuais negociações ou cartas de intenção, ainda não foram divulgados publicamente.

Postagem em destaque