Exército prevê contratar dois obuseiros em 27 de outubro; montagem em Jacareí e participação da IMBEL podem ampliar o conteúdo nacional de um programa de 36 viaturas
*LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 15h10
O Exército Brasileiro deverá assinar em 27 de outubro, no Comando Logístico (COLOG), em Brasília, o primeiro contrato relativo à aquisição do obuseiro autopropulsado ATMOS 2000, de 155 mm, desenvolvido pela israelense Elbit Systems. A etapa inicial abrange duas viaturas destinadas à avaliação e precede uma eventual contratação de outras 34 unidades. A data foi informada nesta segunda-feira (19) pelo jornalista Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo, e repercutida pelo portal Forças Terrestres. Até a publicação desta reportagem, portanto, a assinatura ainda era uma previsão.
A novidade não se limita à retomada de uma aquisição interrompida por divergências diplomáticas entre Brasil e Israel. A entrada da Avibras Aeroco no arranjo industrial, mediante memorando de entendimento com a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit, cria a perspectiva de montagem das 36 viaturas em Jacareí (SP). A produção de munições de 155 mm também aparece nas informações divulgadas como uma frente de participação da IMBEL. O detalhamento das obrigações, contudo, dependerá dos instrumentos contratuais.
Da seleção técnica ao novo arranjo industrial
O ATMOS foi selecionado em abril de 2024 no processo para obtenção de Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado Sobre Rodas (VBCOAP-SR). A contratação não avançou no ritmo inicialmente esperado, em meio à deterioração das relações políticas entre os governos brasileiro e israelense por causa da guerra na Faixa de Gaza.
A solução industrial que agora ganha contornos mais definidos não surgiu de improviso. O LRCA Defense Consulting registrou, em julho de 2026, tratativas entre Avibras, AEL e Elbit. Em 7 de setembro, detalhou a proposta de montagem nacional dos dois exemplares de avaliação e das 34 viaturas de série, submetida ao COLOG no fim de agosto. Segundo a apuração publicada por Godoy, a oferta vencedora já contemplava uma parceira nacional sem identificá-la nominalmente, circunstância que teria permitido incluir a Avibras sem alterar as condições essenciais da seleção.
A Avibras e o aproveitamento da experiência com o ASTROS
A escolha de Jacareí apresenta coerência industrial. A Avibras possui experiência na integração de sistemas de artilharia, veículos especiais e plataformas da família Tatra empregadas no ASTROS. A configuração brasileira do ATMOS é associada, nas informações divulgadas, a um chassi Tatra, embora seus detalhes finais ainda dependam de confirmação contratual e técnica.
Em 15 de outubro, a Avibras anunciou a conclusão de sua aquisição pela Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais de Joesley e Wesley Batista. A reorganização societária e a retomada das atividades industriais formam o contexto da nova oportunidade. A eventual montagem do ATMOS pode diversificar encomendas e preservar competências industriais, mas não equivale, por si só, à transferência integral de tecnologia ou à fabricação nacional de todos os componentes.
O Exército Brasileiro deverá assinar em 27 de outubro, no Comando Logístico (COLOG), em Brasília, o primeiro contrato relativo à aquisição do obuseiro autopropulsado ATMOS 2000, de 155 mm, desenvolvido pela israelense Elbit Systems. A etapa inicial abrange duas viaturas destinadas à avaliação e precede uma eventual contratação de outras 34 unidades. A data foi informada nesta segunda-feira (19) pelo jornalista Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo, e repercutida pelo portal Forças Terrestres. Até a publicação desta reportagem, portanto, a assinatura ainda era uma previsão.
A novidade não se limita à retomada de uma aquisição interrompida por divergências diplomáticas entre Brasil e Israel. A entrada da Avibras Aeroco no arranjo industrial, mediante memorando de entendimento com a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit, cria a perspectiva de montagem das 36 viaturas em Jacareí (SP). A produção de munições de 155 mm também aparece nas informações divulgadas como uma frente de participação da IMBEL. O detalhamento das obrigações, contudo, dependerá dos instrumentos contratuais.
Da seleção técnica ao novo arranjo industrial
O ATMOS foi selecionado em abril de 2024 no processo para obtenção de Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado Sobre Rodas (VBCOAP-SR). A contratação não avançou no ritmo inicialmente esperado, em meio à deterioração das relações políticas entre os governos brasileiro e israelense por causa da guerra na Faixa de Gaza.
A solução industrial que agora ganha contornos mais definidos não surgiu de improviso. O LRCA Defense Consulting registrou, em julho de 2026, tratativas entre Avibras, AEL e Elbit. Em 7 de setembro, detalhou a proposta de montagem nacional dos dois exemplares de avaliação e das 34 viaturas de série, submetida ao COLOG no fim de agosto. Segundo a apuração publicada por Godoy, a oferta vencedora já contemplava uma parceira nacional sem identificá-la nominalmente, circunstância que teria permitido incluir a Avibras sem alterar as condições essenciais da seleção.
A Avibras e o aproveitamento da experiência com o ASTROS
A escolha de Jacareí apresenta coerência industrial. A Avibras possui experiência na integração de sistemas de artilharia, veículos especiais e plataformas da família Tatra empregadas no ASTROS. A configuração brasileira do ATMOS é associada, nas informações divulgadas, a um chassi Tatra, embora seus detalhes finais ainda dependam de confirmação contratual e técnica.
Em 15 de outubro, a Avibras anunciou a conclusão de sua aquisição pela Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais de Joesley e Wesley Batista. A reorganização societária e a retomada das atividades industriais formam o contexto da nova oportunidade. A eventual montagem do ATMOS pode diversificar encomendas e preservar competências industriais, mas não equivale, por si só, à transferência integral de tecnologia ou à fabricação nacional de todos os componentes.
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| ATMOS 2000 |
O papel estratégico da IMBEL
A participação indicada para a IMBEL na produção de munições de 155 mm merece atenção própria. Para uma força terrestre, a disponibilidade de munições, sua qualificação, a capacidade de reposição e o domínio de processos produtivos são elementos essenciais da autonomia logística. Ainda não estão esclarecidos publicamente o escopo exato da produção, os tipos de munição abrangidos e o grau de nacionalização previsto.
Dois obuseiros agora, 34 em etapa posterior
A assinatura prevista para 27 de outubro diz respeito somente ao lote inicial de duas viaturas. Segundo a apuração de Godoy, o passo seguinte dependerá da avaliação do equipamento, da análise das compensações industriais e tecnológicas (offset), da cadeia logística, da integração aos sistemas de artilharia do Exército e de nova comprovação de preços. A contratação das outras 34 unidades é apontada como possibilidade para 2027, não como obrigação já firmada.
As estimativas financeiras publicadas também exigem cautela: a reportagem atribuída a Godoy menciona aproximadamente R$ 800 milhões, enquanto o Forças Terrestres se refere a investimento total próximo de R$ 1 bilhão. Sem a documentação contratual definitiva, não é adequado tratar qualquer desses valores como preço final fechado.
Mobilidade e sobrevivência no combate moderno
O ATMOS combina canhão de 155 mm com tubo de 52 calibres e plataforma sobre rodas, além de recursos automatizados de navegação, pontaria e operação. A mobilidade e a redução do tempo de permanência em posição de tiro são atributos particularmente relevantes diante da ameaça de drones de reconhecimento, munições vagantes e fogos de contrabateria. Isso não elimina a necessidade de camuflagem, dispersão, defesa antidrone, comunicações seguras e integração com sensores e sistemas de comando e controle.
Para o Exército, o ganho operacional dependerá menos da simples incorporação de uma peça moderna do que de sua inserção em uma arquitetura de fogos capaz de detectar alvos, transmitir dados, engajar e mudar rapidamente de posição. A nacionalização do suporte e das munições pode ser decisiva para sustentar essa capacidade ao longo do tempo.
O que ainda precisa ser confirmado
A assinatura anunciada deverá esclarecer o cronograma de entregas, a divisão de trabalho entre Elbit, AEL e Avibras, a configuração das viaturas, as obrigações de suporte e os mecanismos de transferência de conhecimento. Também será importante verificar a extensão da participação da IMBEL e os critérios para a passagem do lote inicial à produção em série.
Se confirmada, a contratação encerrará uma fase de incerteza e abrirá outra, de execução industrial e validação operacional. Para a Base Industrial de Defesa, o resultado estratégico não estará apenas nas 36 viaturas previstas, mas nas competências que efetivamente permanecerem no País.





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