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terça-feira, 7 de abril de 2020

UFSM firma parceria com o Exército Brasileiro para desenvolvimento do projeto Astros


*UFSM - 07/04/2020

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) firmou novo convênio com o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército Brasileiro (EB), para o desenvolvimento do projeto “Sistema Integrado de Simulação ASTROS – Grupo de Mísseis e Foguetes (SIS-ASTROS GMF)”, que ocorrerá nos próximos 4 anos.

A parceria tem por finalidade o intercâmbio de recursos técnicos e humanos, buscando desenvolver ações de extensão, ensino e pesquisa, envolvendo interesses mútuos nas áreas de tecnologia da informação e comunicações (TIC), inovação tecnológica, segurança e capacitação de recursos humanos.

Para a UFSM e para a região de Santa Maria significa o reconhecimento e fortalecimento do setor de defesa e TIC, em especial nas áreas de computação e simulação. Os benefícios diretos são a melhoria da qualificação na formação de pessoal na UFSM e a inserção de profissionais especializados para alavancar a indústria de software na região.

O projeto visa o treinamento baseado em simulação para o sistema de artilharia ASTROS, para atender as demandas de ensino do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes, do Comando de Artilharia do Exército, sediado no Forte Santa Bárbara, em Formosa/Goiás.

O ASTROS é um sistema de lançadores múltiplos de foguetes, produzido pela empresa brasileira AVIBRAS, de São José dos Campos. Opera com foguetes, foguetes guiados e míssil tático de cruzeiro, e envolve altos custos em treinamentos que usam o sistema real. O projeto SIS-ASTROS GMF deverá gerar novas tecnologias, capazes de melhorar a eficiência da instrução, reduzir o impacto ambiental e o custo do treinamento no Centro de Instrução, permitindo que aulas e instruções ocorram usando apenas computadores, evitando disparos de munições.

A equipe do projeto é composta de sete professores doutores (quatro do Departamento de Computação Aplicada do CT/UFSM, dois do Departamento de Eletrônica e Computação do CT/UFSM e um do Instituto de Informática da UFRGS) e trinta alunos de graduação, pós-graduação e profissionais especializados.

Taurus iniciou nesta segunda-feira a fabricação de protetores faciais contra o coronavírus (COVID-19)



*LRCA Defense Consulting - 07/04/2020; Vídeo: Deputado Estadul Tenente-Coronel Zucco

A partir desta segunda-feira, 06 de abril, a Taurus, Empresa Estratégica de Defesa e uma das principais fabricantes de armas leves do mundo, iniciou em sua fábrica em São Leopoldo (RS) a produção de um lote inicial de 60 mil máscaras de proteção contra o coronavírus (COVID-19).

Os equipamentos do modelo proteção facial, chamado de Face Shield, são feitos de polímero, com uma tiara para a testa e presilha de borracha na parte de trás da cabeça que fazem o suporte para uma viseira de material translúcido, servindo pata proteger olhos, nariz e boca.

Injetora de polímero da Taurus manufaturando os materiais necessários para produção das máscaras

Tiaras para a testa fabricadas pela Taurus que servirão para montagem dos protetores faciais

Uma linha de produção foi montada nas instalações da Taurus especialmente para fabricar essas máscaras, onde militares do Exército Brasileiro de forma voluntária auxiliarão no processo de montagem e embalagem.  Cinco militares por turno ajudam na montagem. Inicialmente, está prevista a fabricação de 2,5 mil máscaras por dia. Com a chegada de mais matéria-prima, a partir da semana que vem, a produção deve dobrar.

A produção inicial de 60 mil equipamentos de proteção individual será doada a partir desta terça-feira, 7 de abril, para os profissionais da área da saúde que atuam no atendimento de pessoas com coronavírus em hospitais de todo o estado do Rio Grande do Sul e, prioritariamente, a cidade de São Leopoldo onde a Taurus tem a sua fábrica. Além dos profissionais da saúde, policiais militares que atuam em São Leopoldo, assim como os profissionais da Guarda Municipal, deverão receber o equipamento de proteção. Ao final desta etapa, a Taurus pretende expandir o projeto para outros Estados, disponibilizando o maquinário montado no local para produzir a partir da doação de outras empresas.        
  
    
     


O projeto somente foi possível devido à parceria da Taurus com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que possibilitou que a máscara Face Shield pudesse ser produzida em larga escala. O equipamento foi criado, originalmente, a partir de impressoras 3D dos laboratórios da UFRGS, sendo viabilizado através de um trabalho voluntário conjunto de docentes, técnicos e alunos da Escola de Engenharia, Faculdade de Arquitetura, Pacto Alegre (movimento de articulação de entidades da capital responsável pelo cadastramento prévio dos estabelecimentos de saúde) e também por alguns cidadãos comprometidos com a causa.

— O mundo está passando por um momento difícil, lidando com um inimigo desconhecido. E os profissionais da saúde são os que estão mais expostos à pandemia. Esse é um investimento pequeno para a companhia, mas de fundamental importância para protegê-los agora — disse o presidente da Taurus, Salesio Nuhs.



“Como Empresa Estratégica de Defesa, a Taurus quer contribuir nesse momento difícil e unir forças para superarmos juntos os desafios impostos por esta pandemia. Essa iniciativa é mais uma forma de ajudar a diminuir o contágio, fornecendo equipamentos para proteção de profissionais e heróis da saúde do nosso país, que estão na linha de frente no combate ao coronavírus. A empresa também está fornecendo refeições para os integrantes do Batalhão da Polícia Militar e para a Guarda Municipal em serviço na cidade de São Leopoldo, onde está localizada sua fábrica, durante o tempo em que os restaurantes e lanchonetes estiverem fechados, por determinação do decreto de calamidade pública assinado pelo prefeito, em virtude do COVID-19”, afirma o presidente Salesio. 

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Forças Armadas e Indústria Nacional de Defesa somam esforços na luta contra o coronavírus

A aeronave utilizada na operação é o VC-99, que pertence ao Grupo de Transporte Especial (GTE) e que, para atender às demandas da Operação Covid-19, foi adaptada para transportar até 4.000 kg de carga.


*Ministério da Defesa - 06/04/2020

Na guerra contra a Covid-19, o Ministério da Defesa (MD) vem desenvolvendo várias ações em diversas frentes dentro da Operação COVID-19. Uma delas é desempenhada pelo Centro de Coordenação de Logística e Mobilização (CCLM) do MD que, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), oferece o transporte de respiradores e outros bens para o combate à doença, em apoio às ações do Ministério da Saúde.

Com o envolvimento da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) do MD e da Confederação Nacional de Indústria (CNI), que conta com centros de manutenção em algumas regiões do país, o trabalho começará a ser executado nesta semana, visando o reparo daqueles equipamentos que estão danificados. As ações também são focadas na distribuição de produtos para unidades de saúde em diversas localidades do país.

Nesta segunda-feira (6), um avião da FAB faz o transporte de 18 respiradores para serem manutenidos, na sede do Centro de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Belo Horizonte (MG), que já está preparado para desenvolver o trabalho de reparo. Os equipamentos são provenientes de Macapá (AP) e Brasília (DF). O avião também leva 2,8 mil doses de vacinas tetravalente e contra gripe Influenza para Macapá (que receberá 1,5 mil doses) e Palmas (TO), de onde uma parte do estoque irá, via terrestre, para Araguaína (TO).

Em outra frente, também por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), o MD está cadastrando empresas que atuam no setor e que podem auxiliar no combate à COVID-19. A meta da ação denominada “COVID-19, Produtos ao Alcance de Todos” é identificar as empresas que possam fornecer equipamentos para auxiliar no combate ao novo vírus.

Em paralelo, o Ministério está disponibilizando as informações sobre as empresas para órgãos públicos. O link com os nomes das empresas, os locais onde atuam e os equipamentos que podem fornecer foi enviado ao Ministério da Saúde, às Forças Armadas, ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), que congrega todos os Secretários de Saúde dos mais de 5,5 mil municípios do país, e ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), que envolve os Secretários Estaduais de Saúde. A ação irá agilizar os processos, uma vez que a capilaridade de empresas de Defesa é ampla, alcançando quase todas as regiões do Brasil.

A ação comprova a dualidade da Base Industrial de Defesa (BID), uma vez que, até o momento, mais de 120 produtos já foram ofertados. A lista compreende álcool gel, artigos de laboratório, aparelhos de terapia respiratória, artigos de uso cirúrgico, kits para teste rápido de diagnóstico da doença, desinfetantes, luvas e máscaras cirúrgicas e de proteção, óculos de segurança, termômetros digitais a laser, viseiras de segurança, entre outros.

Outras empresas que não são do setor de Defesa também foram cadastradas. Elas ofertam produtos como: drones, filtros de água capaz de bloquear o vírus, sistemas de localização, impressoras 3D, sistemas tecnológicos para a área de saúde, plataforma de Inteligência Artificial para realização de diagnóstico da COVID-19 e unidades móveis adaptadas para realização de consultas médicas.

Atualmente, a BID conta com cerca de 1,1 mil empresas. Desse total, 114 estão cadastradas no MD como Empresa de Defesa (ED) ou como Empresas Estratégicas de Defesa (EED).

Embraer confirma negociação de contratos de trabalho com sindicatos



*Valor Investe - 06/04/2020

A Embraer informou em nota que negocia com diferentes sindicatos propostas para preservar os empregos de seus funcionários durante a crise causada pela pandemia de covid-19. A empresa propôs redução de jornada salarial de 25% dos funcionários das áreas de engenharia e de linhas de produção das fábricas; e também a suspensão de parte dos contratos de trabalho por 60 dias, informou a “Folhapress” mais cedo.

Em comunicado, a Embraer informou que negocia com sindicatos para “tomar a decisão mais adequada para proteger os colaboradores do contágio pelo coronavírus e, ao mesmo tempo, manter atividades essenciais para atender clientes e a população, de forma a preservar empregos e a continuidade dos negócios. As novas medidas, ainda em discussão, incluem a possibilidade de redução da jornada de trabalho e suspensão temporária de contratos.”

domingo, 5 de abril de 2020

ABIMDE apresenta propostas ao MD para fortalecimento e atuação da BIDS durante a pandemia de COVID-19


*Defesanet - 04/04/2020

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) tem participado direta e ativamente de reuniões com o Ministério da Defesa na busca por apoiar o órgão em suas necessidades emergenciais no que tange a produtos e serviços essenciais neste momento de proliferação do coronavírus, e também para pensar em soluções que fortaleçam a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS), que difere do resto da indústria ao possuir relação intrinsicamente simbiótica com os entes Estatais, requerendo políticas de Estado claras e de longo curso para que sobreviva e mantenha suas capacidades operacionais nacionais, tão necessárias em tempos de crise.

Nesta semana, a entidade teve a oportunidade de se reunir com o Ministro da Defesa, General de Exército, Fernando Azevedo, e com outras entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI); Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ); Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), os COMDEFESA do Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás e do Paraná, entre outras, e apresentar propostas para a mitigação dos desafios que já tem impactado a indústria ou que possam impactar num futuro próximo.
As proposições apresentadas pela ABIMDE estão subdivididas em dois tópicos, sendo eles:
1) Estratégia de enfrentamento imediato, e,
2) Estratégia de Rescaldo e Proteção da BIDS de Médio e Longo Prazos.

O primeiro, considerando que a BIDS possui adensamento tecnológico e que se apresentam demandas específicas de “dia seguinte” para contenção e monitoramento da COVID-19, a ABIMDE sugere e se coloca à disposição do órgão para que seja realizado levantamento e monitoramento de tecnologias e ações empregadas por países que já passaram pelos picos de infecção, em particular China e Coreia do Sul e que sejam atualizados os mapeamentos de fornecedores de material empregado na atual crise, de acordo com o conteúdo tecnológico de cada item, com comunicação aos gabinetes de crise.

Dentro dessa estratégia, a entidade identificou possíveis linhas de ação táticas:
   
- Medição de temperatura em escala em ambientes públicos como metrôs e centros comerciais, tendo como potenciais tecnologias: portais de acesso multifuncionalidade com medição térmica e respectivo alarme e “hot-spots” de identificação, via termômetros laser de médio alcance e tecnologia FLIR;

- Unidades móveis (e.g. rebocável) para exames de imagens torácico e doação de plasma sanguíneo;

- Infraestrutura de campanha para o pico de hospitalizações brandas, em particular: barracas médicas, geradores de energia e meios de comunicação, e,

-  Sstemas de informação de monitoramento e planejamento, tais como: sistemas para GEOINT, simulações prospectivas para preparação para ondas secundárias e localizadas de infeções e sistemas para triagem remota de pacientes, reduzindo pressão sobre hospitais
.
 
Para o segundo tópico, referente à Estratégia de Rescaldo e Proteção da BIDS de Médio e Longo Prazos, a ABIMDE, considerando a crise fiscal que já se agrava em decorrência da pandemia, bem como da provável queda acentuada das exportações de materiais de defesa e segurança, propõe a implementação de duas ações.



Mesa formada no Ministério da Defesa com a presença do Sr Ministro Gen Ex Fernando Azevedo

A primeira delas refere-se à Reestruturação Qualitativa dos Investimentos de Defesa e Segurança. Este objetivo estratégico, que exige o envolvimento conjunto do Ministério da Defesa (MD), das Forças Armadas (FFAA) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e tem o intuito de otimizar e reduzir o dispêndio de recursos remetidos ao exterior nas compras públicas de Defesa e Segurança, bem como aumentar o arrasto dos grandes programas de Defesa em toda a BIDS. Integram esse pilar as seguintes propostas:

 
- Assegurar a execução orçamentária de 2020, provendo a necessária segurança para que as empresas da BIDS possam continuar suas atividades e planejamentos;

- Flexibilização contratual de forma expedita, de tal forma que prazos e condições cambiais, dentre outros, possam ser acomodados de acordo com as incertezas geradas pela crise;

- Elevar o conteúdo nacional nos contratos vigentes (por meio de termos aditivos) e como cláusula obrigatória para todas as futuras contratações;

- Inserir cláusula contratual de difusão tecnológica, exigindo que nos grandes programas (acima de R$ 100 milhões) seja realizada a contratação de pequenas e médias empresas independentes, totalizando, por exemplo, 30% do valor contratual;

- Restringir o uso de comissões estrangeiras apenas a compras emergenciais;

- Inserir cláusula obrigatória de offset para a indústria nacional, a ser efetivadade forma escalonada, para todos os contratos acima de R$ 5 milhões;

 Determinar que os contratos públicos sob responsabilidade do MD, FFAA e MJSP passem a conter cláusula que permita que os mesmos possam ser utilizados como garantia junto ao sistema financeiro;

- Aprimorar a Lei 12.598, permitindo com que: (i) todos os entes da federação possam utilizar o TLE (termo de licitação especial) para materiais de defesa e segurança e (ii) o Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa (RETID) passe a ser de adesão automática e não via solicitação;

- Fazer valer as políticas de proteção da BIDS e das pequenas empresas de forma que na necessidade de pausa contratual, redução de escopo ou adiamento na liquidação de pagamentos, se poupe as pequenas e médias empresas de controle nacional, em particular as Empresas Estratégicas de Defesa (EED). Orientar e monitorar as “prime contractors” para que sigam a mesma política.
Consulta jurídica preliminar da ABIMDE indica que as medidas acima podem em sua maioria ser implementadas via Portaria simples ou Portaria Interministerial.

A segunda ação sugere a criação do Estoque Estratégico Nacional de Interesse da Defesa e Segurança (EENIDS). Inspirado pelos estoques reguladores setoriais e pelos estoques estratégicos de alguns países, tem por objetivo garantir aos entes federativos a pronta disponibilidade de itens de uso comum para crises (não necessariamente padronizados), ao passo em que permite manutenção de carga mínima da BIDS. Dentre as soluções sugeridas para o EENIDS, estão:

 
- Realizar compras integradas entre MD e MJSP, que devem se pautar pela obtenção de itens com elevado tempo útil de estocagem e que em caso de crise possam ser fornecidos e/ou doados a demais entes; e, em tempos regulares, possam servir como linha de fornecimento a outros entes via mero Termo de Execução Descentralizado (TED), e,

- Definir regras de aquisição que maximizem o arrasto, baseadas no princípio de manutenção da disponibilidade operacional, com exigência de diversidade de fornecedores, uso de compras educativas, elevado conteúdo nacional, manutenção de capacidades de pronto emprego e pautadas por análise de cenários;
 
Outras sugestões foram trazidas pelas associadas, como a garantia, por parte do Exército Brasileiro (EB), de pleno funcionamento operacional da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), por meio do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC), no atendimento às EEDs, bem como da IMBEL no fornecimento de insumos produtivos para as EEDs;
 
- manifestação formal do MD quanto à essencialidade da BID e das EEDs, de forma a subsidiar amparo contra ações locais de municípios e estados; e,

- reestruturação da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), transformando-a, no médio prazo, em Secretaria Especial Interministerial de Produtos de Defesa, dotada de capacidade operacional plena para tratar do tema de produtos de defesa, em suas vertentes de aquisição, controle e promoção comercial, em coordenação com todos os entes envolvidos (MD, MRE, APEX, MCTIC, ME).

sábado, 4 de abril de 2020

Engajamento social em tempos de distanciamento social



*LRCA Defense Consulting - 04/04/2020

Tenho recebido mensagens preocupantes, principalmente de antigos soldados que serviram comigo em algum momento nos quase 40 anos em que servi à Pátria no Exército.

São pessoas humildes que, devido à crise, não podem exercer o seu ganha-pão ou que já perderam o emprego. Não tendo reservas, estão sem dinheiro para as necessidades mínimas da família e não sabem o que fazer.

Como aqui em casa queremos colaborar mais ativamente com estas e com tantas outras pessoas que estão em situação de vulnerabilidade semelhante, resolvi procurar uma forma simples de fazê-lo, mas com a certeza de que as doações serão efetivamente empregadas.

A ideia foi, também, manter o maior distanciamento social possível.

Assim, pesquisei entidades que estejam engajadas, cumprindo essa missão com seriedade, responsabilidade e abrangência. Em Porto Alegre, selecionei duas, pois as conheço de perto, embora haja muitas outras igualmente sérias e ativas, e as deixo aqui como sugestões práticas e eficazes para os que ainda não sabem como colaborar:

- Instituto Cultural Floresta: materiais/equipamentos para profissionais de saúde e forças de segurança, cestas básicas e material de higienização. Doações online em dinheiro.

- Banco de Alimentos (doa para 800 entidades no RS): cestas básicas, material de higienização. Doações online em dinheiro; gêneros e materiais de higiene.

Em cada cidade do RS e do Brasil  há também muitas entidades sérias, ativas e responsáveis que estão fazendo trabalho semelhante e esperando o engajamento de todos quantos possam colaborar.

Continuo enfatizando a necessidade de ser perseguido o máximo distanciamento social possível, como publiquei ainda em 15 Mar.

Muita saúde e um grande abraço!

Leonardo RC Araujo - editor

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Base Industrial de Defesa se coloca à disposição para ajudar no combate ao Coronavírus


*Ministério da Defesa - 02/04/2020

Nesta quinta-feira (02), o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo, se reuniu, por videoconferência, com representantes de 14 associações da Base Industrial de Defesa (BID) e com o Diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. Essas instituições, que coordenam milhares de empresas, se colocaram à disposição dos Ministérios da Defesa e da Saúde para minimizar os impactos causados pela epidemia do Coronavírus.
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Participaram do evento a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (SIMDE), a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) e o COMDEFESA do Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás e do Paraná.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Americanos compram um número recorde de armas em meio ao coronavírus

People wait in line to purchase guns and ammunition in San Bruno, California. Photograph: Justin Sullivan/Getty Images

*The Guardian - 02/04/2020

Os americanos responderam à epidemia de coronavírus com um número recorde de compras de armas, de acordo com novos dados do governo sobre o número de checagens realizadas em março.

Mais de 3,7 milhões de verificações totais de antecedentes de armas de fogo foram realizadas através do sistema de verificação de antecedentes do FBI em março, o maior número já registrado em mais de 20 anos. Estima-se que 2,4 milhões dessas verificações de antecedentes foram realizadas para venda de armas, de acordo com estatísticas ajustadas de um grupo líder do setor de armas de fogo. Isso representa um aumento de 80% em comparação com o mesmo mês do ano passado, informou o grupo comercial.

Quase 1,2 milhão de verificações totais de antecedentes de armas foram realizadas em uma única semana , a partir de 16 de março, quebrando todos os registros anteriores desde 1998, de acordo com dados do FBI.

Embora o número de verificações de antecedentes não se correlacione individualmente em termos de armas vendidas, o número de verificações de antecedentes de armas de fogo conduzidas pelo Sistema Nacional de Verificação Criminal Instantânea do FBI é o melhor proxy disponível para vendas de armas nos Estados Unidos. Os números destacam como a pandemia criou um aumento na demanda por posse de armas, com algumas lojas de armas sendo inundadas por compradores de pânico, incluindo, pelo menos de forma anedótica, muitos americanos comprando uma arma pela primeira vez.

A semana recorde de 16 de março foi quando os moradores da Califórnia foram fotografados alinhados pelas dezenas de lojas de armas locais, como a Bay Area e depois a Califórnia como um todo anunciaram os primeiros pedidos de emergência em casa para impedir a propagação do coronavírus nos Estados Unidos.

Sexta-feira, 20 de março, bateu o recorde de maior número de checagens de armas de fogo realizadas em todo o país em um único dia: 210.308.

Os americanos podem comprar várias armas de um revendedor de armas licenciado com uma única verificação de antecedentes, o que significa que o número de verificações realizadas não reflete o número total de armas vendidas.

Na maioria dos estados, os cidadãos privados também podem vender armas um para o outro sem uma verificação de antecedentes, e essas vendas privadas não estão incluídas nos números do FBI. Não há como rastrear quantas armas foram compradas e vendidas em vendas privadas no mês passado. Alguns estados também permitem que os residentes que possuem uma licença para portar armas de fogo de forma veladas em público comprem armas sem uma verificação de antecedentes, outra categoria de venda de armas não incluída nas estatísticas do FBI.

As verificações federais de antecedentes de armas de fogo também são realizadas por outros motivos que não as vendas de armas, incluindo a validação de licenças para permitir que as pessoas portem uma arma de fogo de forma velada em público e, na Califórnia, para vendas de munição.

A National Shooting Sports Foundation, o grupo comercial da indústria americana de armas de fogo, produz estimativas "ajustadas" regulares para verificações de antecedentes de armas que subtraem verificações de antecedentes que as etiquetas do FBI relacionadas a pedidos de permissão de transporte velados ou a verificações periódicas feitas por funcionários para fazer as permissões ainda são válidas. Isso produz um número menor, que é um proxy mais próximo das vendas de armas.

Os números ajustados do grupo comercial para março ainda são "simplesmente impressionantes", escreveu Mark Oliva, porta-voz do grupo, em um e-mail.

A segunda semana mais alta de checagem total de antecedentes de armas de fogo registrada foi em 17 de dezembro de 2012, uma semana após um tiroteio em massa na escola primária Sandy Hook em Newtown, Connecticut, que deixou 20 crianças mortas e provocou temores de que os Estados Unidos passassem por uma extensa campanha nacional. medidas de controle de armas.

Mais de 950.000 verificações de antecedentes de armas de fogo foram realizadas naquela semana, embora os legisladores norte-americanos finalmente não tenham aprovado uma legislação adicional sobre controle de armas depois da resistência de ativistas dos direitos das armas e de muitos políticos republicanos.

Embora as estatísticas do FBI não incluam nenhuma informação sobre que tipo de compradores estão provocando um aumento nas vendas de armas, alguns vendedores de armas disseram que estão vendo um aumento no número de novos proprietários de armas.

"Os varejistas estão nos dizendo que a esmagadora maioria dos que compraram armas de fogo no último mês foram proprietários de primeira vez", escreveu Oliva, porta-voz do grupo comercial da indústria de armas de fogo, em um email.

Os defensores americanos do controle de armas disseram ter encontrado as estatísticas sobre um número recorde de verificações de antecedentes de armas de fogo, e pediram aos americanos que pensassem duas vezes antes de entrar em pânico, especialmente se nunca tiveram uma arma antes.

Também foram levantadas preocupações sobre crianças abrigadas em casas onde possam ter acesso a armas, bem como o risco de suicídio por armas, o que equivale a aproximadamente dois terços das mortes por armas nos EUA a cada ano.

"Precisamos nos preparar para o aumento do risco de mais armas de fogo em mãos destreinadas", disse David Chipman, consultor sênior de políticas da Giffords, principal especialista em prevenção da violência armada, em comunicado. "Se você não achou que precisava de uma arma antes de março deste ano, certamente não precisa sair correndo e pegar uma agora."

Os ativistas disseram que o número de armas vendidas no mês passado poderia ter sido ainda maior, se algumas cidades e estados não tivessem dito aos revendedores de armas que fechassem durante pedidos de quarentena, considerando-os negócios não essenciais. No entanto, algumas dessas ordens foram alteradas sob pressão de ativistas dos direitos das armas, particularmente depois que o governo Trump incluiu fabricantes de armas de fogo, varejistas e campos de tiro como parte da "força de trabalho essencial da infraestrutura crítica" do país.

Taurus compra impressora de metal 3D e eleva investimentos em pesquisa

*Tecnodefesa - 02/04/2020

A Taurus, uma das maiores fabricantes de armas do mundo, acaba de receber a impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Priting) Flex 350, da 3D Systems, em sua fábrica de São Leopoldo (RS).

Essa é a primeira impressora da fabricante Suíça a ser entregue em todo o Hemisfério Sul.

O sistema de fabricação Direct Metal Priting de alto desempenho é uma alternativa robusta aos processos de produção de metal tradicionais.

Com um volume de construção de 275 x 275 x 380 mm (10,82 x 10,82 x 14,96 pol.), a máquina oferece redução do desperdício, maiores velocidades de impressão, tempo de configuração curto e peças de metal com propriedades mecânicas excelentes.

O novo equipamento chega para reforçar a estratégia da companhia de investir no processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Um dos grandes diferenciais da Taurus, diante da concorrência, é a quantidade de novos produtos lançados e a tecnologia aplicada nestes produtos.

Para isso, seguimos investindo em tecnologia para suportar e aumentar a velocidade do processo de P&D”, afirma o presidente da Taurus, Salesio Nuhs.

Nos últimos dois anos a empresa adquiriu outros equipamentos para a ferramentaria de protótipos, tais como centros de usinagem CNC de 5 eixos, eletroerosão a fio multi-eixos e impressora 3D de polímeros.

Além disso, a Taurus investiu no desenvolvimento de 50 novos produtos que resultaram em cerca de 400 modelos diferentes de armas, ampliando seu portfólio.

Procura por armas de fogo aumenta nos EUA em meio à pandemia de coronavírus



O FBI, espécie de polícia federal dos Estados Unidos, relatou um aumento de 41% nas checagens de antecedentes por pessoas interessadas em comprar armas de fogo no mês de março em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Os dados divulgados pela agência indicam que 3,7 milhões de checagens de antecendentes para compra de armas foram conduzidas em março, o maior número de verificações em um único mês desde que o FBI lançou o Sistema Nacional de Verificação Instantânea de Antecedentes Criminais (NICS) em 1998.

O estado que liderou essas verificações, com ampla vantagem, foi Illinois, com mais de meio milhão de checagens de antecedentes, seguido por Texas, Kentucky, Flórida e Califórnia.

De acordo com a lei dos EUA, os revendedores de armas licenciados pelo governo federal devem verificar os antecedentes de todos os compradores, independentemente de a compra ser feita em uma loja ou em uma feira de armas. Esse processo é feito em duas etapas.

Primeiro, o comprador apresenta seu documento de identidade ao vendedor e preenche um formulário do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA (ATF, em inglês), que lista a idade, endereço, raça e qualquer histórico criminal do comprador.

Então, o vendedor envia as informações ao FBI e a agência verifica as informações do solicitante nos bancos de dados para garantir que um registro criminal não impeça a compra.

O aumento drástico na tentativa de compra de armas de fogo nos EUA ocorre ao mesmo tempo em que o país luta com a disseminação do novo coronavírus. Em meados de março, o presidente Donald Trump anunciou diversas diretrizes, incluindo uma recomendação de que os americanos fiquem em casa e evitem reuniões públicas e viagens não essenciais.

"Muitas vezes vemos picos sazonais nas vendas de armas de fogo, mas não é incomum ver um aumento nas vendas de armas com base em eventos e atitudes políticas ou sociais", disse Cara Herman, porta-voz da ATF. "Verificações de antecedentes e outras salvaguardas regulatórias estão em vigor para garantir que apenas pessoas elegíveis sob a lei federal possam obter e possuir armas de fogo", completou.

As estatísticas do FBI mostram que o número de verificações de antecedentes realizadas em todo o país aumentou constantemente desde que o sistema foi lançado há mais de duas décadas. As compras de armas também aumentaram historicamente após tragédias nacionais – ocorrência que alguns especialistas atribuem à necessidade de as pessoas se sentirem seguras.

"O aumento nas vendas de armas e munições durante esta crise é compreensível, pois o medo do desconhecido pode fazer com que as pessoas comprem coisas além do habitual", disse Jonathan Wackrow, analista em leis da CNN e ex-agente especial do Serviço Secreto dos EUA.

"Pesquisas mostram que, durante uma crise, se os indivíduos deixarem o medo, a ansiedade e a confusão se espalharem, provavelmente começarão a se sentir desamparados. Para muitos, a compra de uma arma resolve esse sentimento de desamparo", completou Wackrow.

Um porta-voz da Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês), uma das maiores organizações de lobby a favor das armas nos EUA, sugeriu que a preocupação com a segurança pessoal durante a pandemia de coronavírus é provavelmente o principal motivador para o aumento das verificações de antecedentes pelo FBI.

"As vendas de armas de fogo aumentam em tempos de incerteza porque os americanos sabem que sua segurança está em suas próprias mãos", disse Amy Hunter, porta-voz da NRA. "As manchetes nos mostram presos sendo soltos e socorristas serem instruídos a aplicar seletivamente as leis. Agora, mais do que nunca, é importante que as famílias tenham a capacidade e as ferramentas necessárias para se sentirem seguras e capazes de defender si mesmas."

Por outro lado, grupos a favor de um controle mais rígido das armas também alertam sobre o aumento das vendas de armas durante o que muitos consideram um período de medo e ansiedade nacionais sem precedentes.

"Adicionar mais armas ao cenário durante uma pandemia não tornará ninguém mais seguro, mas tornará o lobby das armas mais rico", disse Shannon Watts, fundador da Moms Demand Action, movimento que trabalha a favor de medidas que impeçam violência com armas de fogo.

"Esse aumento nas vendas de armas é profundamente preocupante, principalmente para milhões de crianças que agora estão em casa com armas guardadas de forma insegura, para mulheres que moram com agressores e para qualquer pessoa que esteja lutando econômica e psicologicamente [contra os efeitos da crise]", disse.

As questões levantadas por Watts foram repetidas por outros ex-funcionários da área de segurança, que veem o aumento de armas de fogo como uma adição desnecessária a uma situação já volátil.

"Minha maior preocupação envolve o número potencial de pessoas que compram armas pela primeira vez. Pessoas que, antes de março, não achavam que precisavam de uma arma", disse David Chipman, um agente especial aposentado da ATF e consultor sênior da organização Giffords que combate a violência armada.

"Agora, em um momento de pânico, eles estão correndo para uma loja e comprando uma arma letal que não sabem usar e não sabem armazenar com segurança. Infelizmente, milhares de americanos colocam suas famílias em risco em um momento em que eles simplesmente querem estar seguros."

IMBEL e Nitro Química fornecerão nitrocelulose para a General Dynamics


*Defesanet - 02/02/2020

A Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) e a Nitro Química concluíram acordo para o fornecimento de nitrocelulose de grau energético para a St. Marks Powder, empresa do grupo General Dynamics e maior fabricante de propelentes sólidos para munições do mundo. O acordo estabelece o fornecimento regular para 2020, com possibilidade de extensão para 2021 e a fabricação do produto será realizada nas instalações da Fábrica Presidente Vargas (FPV) - IMBEL.

O acordo de desenvolvimento tecnológico entre a Companhia Nitro Química Brasileira e a IMBEL vem de longa data e a fabricação de nitrocelulose de grau energético visando ao mercado internacional teve início em 2018. As negociações com a St. Marks Powder também iniciaram em 2018.

A equipe técnica da empresa americana visitou as instalações da FPV-IMBEL e da Nitro Química em outubro daquele ano e trabalhou em conjunto com os técnicos brasileiros para acerto das especificações do produto, de acordo com norma MIL244C.

O fornecimento de nitrocelulose de grau energético para a fabricante americana iniciou em dezembro 2019, com a finalidade de realizar os testes industriais. A fabricante americana comunicou às empresas em Março de 2020 que os produtos atenderam todos os requisitos técnicos, de segurança e qualidade.

A St. Marks Powder pertence ao grupo General Dynamics, uma das maiores empresas do setor de defesa no mundo. Fundada em 1952, a General Dynamics oferece um amplo portfólio de produtos e serviços inovadores na aviação executiva, veículos de combate, sistemas de armas e munições. A St. Marks Powder é a maior consumidora de nitrocelulose de grau energético do mundo e fabrica mais de 95% dos propelentes usados em munições de armas de pequeno porte das Forças Armadas dos Estados Unidos.

No Brasil, compra de armas dispara durante o governo Bolsonaro

(The New York Times)

O presidente Jair Bolsonaro galvanizou a cultura das armas no Brasil.

 
O símbolo característico de sua campanha foi uma mão que simula a forma de uma pistola. Uma de suas primeiras manobras no cargo foi relaxar as regras de posse de armas. Seus três filhos mais velhos, que também são políticos, têm sido defensores ferozes da expansão da posse de armas por meio de projetos de lei e publicações nas redes sociais.

Com suas ações, Bolsonaro e seus filhos fizeram mais do que apenas facilitar a compra legal de armas para brasileiros. Eles alimentaram um debate político e cultural em torno de armas que era novo no Brasil, mas de muitas maneiras se assemelha ao dos Estados Unidos, onde os críticos dessas políticas acreditam que o fato de haver mais armas significa que haverá mais mortes, enquanto os defensores afirmam que armas são necessárias para a autodefesa.

"Com as leis de desarmamento, que renuncia o acesso a armas de fogo, cidadão decente que só quer para proteger ou criminal, que, por definição, não seguem as leis? Bolsonaro questionou no Twitter. "Você não pode continuar violando o direito de legitimar a autodefesa!"

No Brasil, um país de mais de 209 milhões de pessoas com uma das maiores taxas de homicídios do mundo, o direito de possuir armas não é uma garantia constitucional, como ocorre nos Estados Unidos. Durante muito tempo, o movimento pelo direito de possuir armas está do lado dos perdedores nos debates políticos.

Aproximadamente dois em cada três brasileiros são contra a posse de armas, e mesmo um segmento maior da população se opõe a fornecer uma permissão para comprar armas, de acordo com um estudo de 2019 do Datafolha, um dos principais grupos de pesquisa no Brasil.

No entanto, com o governo Bolsonaro, isso pode estar mudando a atitude em relação às armas. Desde que Bolsonaro relaxou as regras de posse de armas nas primeiras semanas de seu mandato, o número de pedidos de permissão aumentou dramaticamente .

"A longo prazo, isso pode ser desastroso", disse Natália Pollachi, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, uma organização de políticas públicas que apóia leis rígidas de propriedade de armas.

Odimir Moraes practica tiro al blanco en São Paulo, el 15 de marzo de 2020. (Victor Moriyama/The New York Times)
Durante o primeiro ano de Bolsonaro, o governo emitiu mais de 200.000 licenças para os proprietários de armas. Em 2019, a polícia federal, a instituição encarregada de emitir licenças de autodefesa, aprovou 54.300 licenças, um aumento de 98% em relação ao ano anterior. Em 2019, os militares, que concedem licenças de caçadores e colecionadores, emitiram mais de 147.800 novas licenças, um aumento de 68% .

O Instituto Sou da Paz obteve esses números por meio do acesso à lei da informação e os compartilhou com o The New York Times. O fluxo de novas armas para os lares brasileiros tornaria a violência doméstica mais mortal, os confrontos comuns se tornariam fatais e um mercado negro que já é próspero é promovido, alertou Pollachi .

Atualmente, o Congresso está avaliando um punhado de projetos de lei que relaxariam ainda mais os regulamentos. E os defensores mais destacados do movimento pelo direito de possuir armas são os três filhos mais velhos do presidente.

Em resposta a um aumento dramático da violência relacionada às drogas que ocorreu na década de 1990, em 2003, o Congresso Brasileiro aprovou uma lei de desarmamento de longo alcance que visava tornar a posse de armas excepcional através de um processo caro, burocrático e demorado para solicitar uma licença.

A lei determinava que qualquer pessoa interessada em solicitar uma permissão para possuir uma arma de autodefesa deveria convencer a polícia federal de que havia uma "necessidade razoável" de possuir uma arma, um critério vago que dava ao governo total poder de negar. Colecionadores e caçadores tiveram que solicitar uma permissão junto ao exército.

Os candidatos também tiveram que fazer pagamentos altos, demonstrar que não possuíam antecedentes criminais, fazer um teste psicológico e treinar pontaria. Depois de emitidas, as licenças autorizavam os civis a manter suas armas em casa, mas não a carregá-las para fora delas.

A lei também pagou aos proprietários de armas - com ou sem licença - para entregá-las ao estado, e quase 650.000 pessoas o fizeram no primeiro ano, segundo o governo federal.

Milton de Oliveira en su tienda de São Paulo, el 15 de marzo de 2020. (Victor Moriyama/The New York Times)
Dois anos após a aprovação da lei, uma medida de maior alcance votada em um referendo foi rejeitada, o que teria efetivamente banido todas as vendas de armas a civis.

No entanto, mesmo com os rígidos regulamentos para a posse de armas de fogo, houve uma grande circulação de armas ilícitas.

Há muito tempo, cartéis poderosos de tráfico de drogas desobedecem às regulamentações de armas através do contrabando, principalmente através da fronteira porosa com o Paraguai. Membros de gangues carregam pistolas e rifles de alta potência à vista em vários distritos do Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades onde as organizações criminosas geralmente têm uma influência maior sobre os cidadãos do que o estado.

No ano passado, a polícia do Rio de Janeiro apreendeu mais de 8.400 armas de fogo, incluindo 505 rifles, um número recorde.

Quando Jair Bolsonaro lançou sua campanha presidencial, o Brasil tinha mais de 63.800 homicídios, um recorde, e liderava o número de mortes por armas de fogo no mundo.

O decreto executivo de Bolsonaro, assinado duas semanas depois que ele se tornou presidente, relaxou o processo de obtenção de uma licença, facilitando o cumprimento dos requisitos para a posse de uma arma. Por exemplo, atualmente e de acordo com o decreto, o simples fato de morar em uma área rural ou em uma área urbana com uma alta taxa de criminalidade é suficiente como justificativa para solicitar a posse de uma arma.

O decreto estendeu a validade das licenças de cinco para dez anos e aumentou a quantidade de munição que pode ser comprada em uma única compra, bem como a quantidade de armas que um indivíduo pode possuir. Também permitiu a venda de armas de maior calibre.

Entre as armas que estão agora à venda está o T4 - um rifle semi-automático de estilo militar produzido pelo fabricante brasileiro de armas Taurus - uma arma que antes estava disponível apenas para as forças armadas.

Quando assinou o decreto, Bolsonaro disse que a capacidade de ter armas traria "paz às casas" dos brasileiros.

No Brasil, ainda existe um longo processo para obter permissão para comprar uma arma - incluindo uma avaliação de saúde mental e uma verificação de antecedentes criminais - que pode levar meses. No entanto, os campos de tiro e as lojas de armas começaram a se recuperar em seus negócios, mesmo antes de as novas regras entrarem em vigor.

c.2020 The New York Times Company

Taurus é destaque no evento “Marcas de Quem Decide 2020”



*LRCA Defense Consulting - 02/04/2020

A empresa Taurus Armas S.A., uma das maiores fabricantes de armas do mundo, recebeu no mês passado o reconhecimento no evento “Marcas de Quem Decide 2020” pela liderança na lembrança e na preferência dos gaúchos na categoria “Armas de Fogo”.

O resultado da pesquisa, que é realizada anualmente desde 1999 pela Qualidata, demonstra o destaque da marca entre os empresários e gestores mais influentes do Rio Grande do Sul.

"Arma de Fogo" é o primeiro dos oito novos setores que foram incluídos nesta edição do projeto Marcas de Quem Decide. Os números dessa estreia revelam que a Taurus lidera o setor com enorme vantagem sobre as demais marcas citadas pelos entrevistados.

Na pesquisa feita pela Qualidata, a Taurus foi a primeira marca de arma de fogo lembrada espontaneamente por 63,3% dos entrevistados. E, também, apontada como a preferida em uma situação de compra, por 55,2%.

Com tais números, ocupa a quarta posição entre as marcas dominantes em todas as categorias avaliadas, sendo maiores que a soma de todas as demais citadas neste setor. 


A Taurus possui um portfólio completo de produtos composto por revólveres, pistolas, submetralhadoras, fuzis, carabinas, rifles e espingardas, atendendo os mercados militar, policial e civil. Sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, emprega cerca de 2.000 pessoas no Estado e é responsável por 35% das exportações do município.

Em junho de 2019, a fabricante venceu a 47ª edição do Prêmio Exportação RS na categoria Trajetória Exportadora Master, figurando entre as empresas gaúchas que obtiveram os melhores resultados e desenvolveram estratégias para comercializar seus produtos no mercado internacional.

Desde 2017, a Taurus adotou e desenvolveu processos operacionais eficientes e robustos, proporcionando estabilidade na produção e atuando de forma intensa na renovação do portfólio. O lançamento de produtos voltou a fazer parte do dia a dia da empresa: foram 47 produtos lançados nos últimos 24 meses, com boa aceitação nos mercados nacional e internacional.

A empresa é a maior produtora de revóveres do mundo, a quarta marca mais vendida nos Estados Unidos (maior e mais exigente mercado desse tipo de produto) e sua pistola Taurus G2C é a mais vendida nesse país, com mais de dois milhões de unidades comercializadas em todo o planeta. Além disso, na questão da qualidade, conquistou os grandes prêmios de 2019 nos Estados Unidos:
 - Revista especializada Guns & Ammo: pistola G3 – melhor compra (best buy) de 2019; e pistola TX22 – arma do ano de 2019 (handgun of the year);
- NRA (National Rifle Association): revólver Raging Hunter, Golden Bullseye 2019 de melhor arma de caça do ano.

(Com informações do Jornal do Comércio, do portal Defesa TV e da Taurus Armas)

terça-feira, 31 de março de 2020

Brasil está se tornando um balcão de negócios de armas, diz CEO da Taurus



*Exame - 31/03/2020

Na segunda-feira, a Taurus divulgou seus resultados referentes a 2019. Desde então, Salesio Nuhs, presidente da companhia, aprecia o sentimento de dever cumprido. A maior fabricante de armas do Brasil registrou seu primeiro lucro em sete anos. “Tinha muito analista no mercado que duvidava da nossa capacidade”, afirma Nuhs. “Não vejo a hora de ligar para eles”.

A fabricante de revólveres e pistolas reverteu um prejuízo de quase 60 milhões de reais, em 2018, e alcançou um lucro líquido de 43,4 milhões de reais no ano passado. Foi uma vitória para a atual administração, que assumiu o comando da companhia há dois anos em um momento difícil. A Taurus vinha enfrentando críticas do mercado em virtude de uma série de defeitos apresentados em seus equipamentos, que chegaram a ocasionar acidentes fatais.

“Quando assumimos, nossa primeira medida foi retirar do mercado toda a linha que havia apresentado defeito”, afirma Nuhs. “Ao mesmo tempo, criamos duas frentes de trabalho, uma interna, de melhoria dos processos industriais, e outra externa, de desenvolvimento de novos produtos e abertura de mercados”. Nos últimos dois anos, a Tarus lançou 50 produtos, a maioria nos mercados internacionais.

Saíram das linhas de produção da companhia, em 2019, cinco mil armas por dia, totalizando mais de 1,2 milhão de produtos fabricados no ano. Esse ritmo foi possível graças à inauguração de uma fábrica nos Estados Unidos, no estado da Geórgia, que dobrou a capacidade de produção da companhia no país, maior mercado armamentista do mundo. “Avançamos no nosso plano de internacionalização”, diz Nuhs. Além da nova unidade, a Taurus firmou uma joint venture com uma empresa siderúrgica na Índia para a produção de pistolas no país.

Conquistar mercados internacionais é a nova meta da companhia. Num momento em que o governo brasileiro facilita a importação, com a flexibilização das regras para aquisição de armas de fogo, e autoriza a instalação de uma nova fabricante no país, algo que não acontecia há 80 anos, a maior fabricante de armamentos brasileira mira o exterior. “Hoje, compensa mais importar da nossa fábrica na Geórgia do que produzir aqui”, diz o executivo.

A Taurus foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, diversas vezes. Eduardo chegou a afirmar que o governo iria “quebrar o monopólio da Taurus” e questionou a qualidade dos produtos da empresa. Apesar disso, Nuhs afirma que a relação com o governo é muito boa. “Com os órgãos que lidamos diretamente, os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, nunca tivemos problema”, afirma.

Já em relação ao arcabouço tributário e às políticas de liberalização da compra de armas no país, que favorecem a importação, Nuhs é crítico. “Com essa estrutura de impostos, simplesmente não compensa produzir no Brasil. O país está se transformando num balcão de negócios de armas. As empresas que vierem, vão apenas importar ou montar aqui. O certo seria fazer como na Índia, em que a Taurus é obrigada a transferir tecnologia”, diz ele.

Sobre a crise do novo coronavírus, o executivo afirma que a empresa dá prioridade à saúde dos seus funcionários, por isso estabeleceu uma série de medidas preventivas. A fabricação não parou, no entanto, pelo fato da companhia ser reconhecida como empresa estratégica de defesa. “Estamos tomando todos os cuidados nas fábricas, como manter uma distância mínima, e fizemos alterações, especialmente na área de refeitórios”, diz ele. Por enquanto, também não há interrupções na cadeia de fornecimento.

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