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21 junho, 2026

Com drones como motor do crescimento, mercado global de defesa antiaérea deve quase dobrar até 2035



*LRCA Defense Consulting - 20/06/2026

O mercado global de sistemas de defesa antiaérea segue em trajetória de alta. Segundo levantamento da consultoria Market Research Future (MRFR), o setor foi avaliado em US$ 21,2 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 22,58 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 42,47 bilhões em 2035. O avanço equivale a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR, na sigla em inglês) de 6,52% no período 2025-2035.

De acordo com o relatório, a expansão é impulsionada pelo aumento das tensões geopolíticas, pelo crescimento das ameaças representadas por drones e mísseis, e pela aceleração de investimentos em tecnologias de defesa aérea de próxima geração em países da OTAN, no Oriente Médio e na Ásia-Pacífico.

Players estabelecidos concentram o pipeline de inovação
A MRFR lista dez companhias como principais players do setor: Raytheon Technologies, Lockheed Martin e Northrop Grumman, dos Estados Unidos; BAE Systems, do Reino Unido; Thales Group, da França; Saab AB, da Suécia; Leonardo S.p.A., da Itália; Kongsberg Gruppen, da Noruega; Rafael Advanced Defense Systems, de Israel; e Almaz-Antey, da Rússia.

Raytheon e Lockheed Martin mantêm a base do mercado americano, com expertise em interceptadores de mísseis e arquitetura integrada de defesa aérea, enquanto a Northrop Grumman concentra força em radar, sensores e sistemas de comando e controle. Na Europa, BAE Systems, Thales e Saab avançam soluções móveis, em rede e cada vez mais integradas por inteligência artificial (IA) para forças aliadas.

Estados Unidos e Europa concentram a maior parte do mercado
Por região, a América do Norte lidera com aproximadamente 45% do mercado global, segundo a MRFR, puxada por orçamentos de defesa em alta e pela atuação de Raytheon, Lockheed Martin e Northrop Grumman. A Europa vem em segundo lugar, com cerca de 30% de participação, impulsionada por iniciativas conjuntas entre países da União Europeia e por mecanismos como o Fundo Europeu de Defesa.

A Ásia-Pacífico responde por cerca de 20% do mercado e é apontada como a região de crescimento mais acelerado, em razão da modernização de forças armadas na China, na Índia e no Japão. Oriente Médio e África somam aproximadamente 5%, com destaque para investimentos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da África do Sul.

C-UAS é o segmento de aplicação que cresce mais rápido
Dentro da segmentação por aplicação (defesa aérea, counter-unmanned aircraft systems ou C-UAS, proteção de infraestrutura crítica e segurança de fronteiras), o relatório aponta a defesa aérea convencional como o maior segmento, mas identifica o C-UAS como a frente de crescimento mais rápido, em razão da proliferação de drones e do desafio que esse tipo de ameaça representa para a segurança nacional.

Estimativas específicas de C-UAS variam fortemente entre consultorias
Quando o recorte é o mercado específico de counter-UAS, e não o de defesa antiaérea como um todo, os números divulgados por diferentes consultorias guardam grande disparidade entre si, o que provavelmente reflete metodologias e recortes de segmentação distintos. A Fortune Business Insights estima o mercado em US$ 8,40 bilhões em 2025, com projeção de US$ 69,67 bilhões até 2034 (CAGR de 26,5%). Já a própria MRFR, em relatório dedicado ao tema, projeta US$ 2,01 bilhões em 2025 e US$ 18,29 bilhões em 2035 (CAGR de 24,72%).

Outras consultorias trazem ainda outros números: a MarknTel Advisors projeta US$ 5,12 bilhões em 2025 e US$ 27,98 bilhões até 2032; a Meticulous Research estima US$ 4,1 bilhões em 2025 e US$ 12,6 bilhões em 2036; a MarketsandMarkets calcula US$ 5,99 bilhões em 2024 e US$ 20,31 bilhões até 2030; e a Precedence Research projeta US$ 2,08 bilhões em 2025 e US$ 19,06 bilhões até 2035. Apesar da variação nos valores absolutos, todas as fontes convergem para taxas de crescimento anual elevadas, entre 10% e mais de 30%, o que indicaria consenso sobre a direção do mercado, ainda que não sobre sua dimensão exata.

Brasil também mira o nicho de drones interceptadores
Dentro desse cenário de crescimento do C-UAS, a base industrial de defesa (BID) brasileira identifica uma janela de oportunidade específica no segmento de drones interceptadores. O 1º Encontro de Inovação Aeroespacial (INOVAERO), realizado pela Força Aérea Brasileira em Salvador (BA), foi dominado por plataformas de vigilância, logística e ataque; a dimensão da defesa ativa contra drones, por sua vez, foi agregada ao evento tanto pela TRL9 quanto pela Taurus, nicho ainda sem solução nacional consolidada e no qual o Exército Brasileiro estaria próximo de contratar até R$ 3,4 bilhões, segundo a mesma apuração.

No evento, a TRL9, empresa nacional de tecnologia aeroespacial, exibiu em seu estande um modelo conceitual com fuselagem cilíndrica e ogiva cônica pronunciada, asas em arranjo cruciforme de pequeno alongamento, cada uma com um rotor na ponta, configuração típica de um híbrido de asa fixa com capacidade de decolagem e aterrissagem verticais (VTOL). A empresa não divulgou especificações técnicas nem a denominação oficial do sistema durante o evento.

 

A Taurus, por sua vez, expôs seus drones em outra ocasião, não no INOVAERO: no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre (SSNTFT 2026), seminário promovido pelo Exército Brasileiro entre 25 e 27 de maio de 2026 no Quartel-General do Exército (QGEx), em Brasília. 

Na vitrine montada pela empresa, três sistemas distintos foram exibidos, confirmada junto à equipe da empresa no estande: em primeiro plano, um quadricóptero compacto de chassi exposto, com quatro motores e antenas visíveis, em estética de drone FPV (sigla em inglês para first person view) de corrida, identificado como drone kamikaze; ao centro, um corpo de fuselagem cilíndrica na cor preta com superfícies de cauda próprias, montado sob a estrutura maior, identificado como drone interceptador; e, envolvendo o conjunto, uma aeronave em formato de asa voadora delta, na cor laranja e com a marca Taurus, identificada como sistema de munição vagante e de emprego em enxame.

A combinação ilustra, num único estande, três das frentes que dominam o debate tático internacional sobre drones: ataque por kamikaze, interceptação e munição vagante de enxame. 

O drone interceptador da Taurus, com corpo de fuselagem e cauda própria, seguiria uma arquitetura mais próxima da tradição de mísseis e interceptadores de asa fixa do que da filosofia de quadricóptero FPV que caracteriza o Sting, drone interceptador ucraniano desenvolvido pela Wild Hornets: um 
quadricóptero de baixo custo (entre US$ 2,1 mil e US$ 2,5 mil por unidade), produzido em escala de cerca de 10 mil unidades por mês e já creditado com a interceptação de centenas de drones russos do tipo Shahed e Geran desde 2024. 

 

Tanto o interceptador da Taurus quanto o modelo conceitual da TRL9, este último também de arquitetura híbrida de asa fixa com VTOL, pareceriam, portanto, seguir uma linha de projeto distinta da que prevalece no caso ucraniano, sem prejuízo da lógica de assimetria de custo que domina o debate internacional sobre C-UAS: interceptadores baratos, e em muitos casos descartáveis, contra ameaças também relativamente baratas, em contraste com o custo elevado de mísseis de defesa aérea convencionais.

Cabe a ressalva de que, por ambos estarem em fase de desenvolvimento e sem especificações técnicas públicas divulgadas pelas duas empresas brasileiras, as descrições acima se baseiam no registro visual e na identificação verbal obtida, o que significa que alterações significativas podem ou não ser feitas até a concretização final dos projetos.

Próxima década deve ser definida pela integração de sistemas
Segundo a MRFR, à medida que as ameaças ao espaço aéreo evoluem, de enxames de drones de baixo custo a mísseis hipersônicos e de cruzeiro, a próxima década tende a ser marcada pela interoperabilidade entre sistemas, pela detecção orientada por inteligência artificial e pela integração mais rápida de plataformas, e não necessariamente por uma única tecnologia revolucionária. Para um setor historicamente acostumado a ciclos de compra longos, o ritmo de transformação em curso seria, segundo a consultoria, particularmente expressivo.

20 junho, 2026

Quem quer faz, e quem não quer procura uma desculpa. E qual será o Caminho da Defesa Nacional?


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 20/06/2026

Essa é uma metáfora que está em paredes de quartel , inclusive do quartel que comandei , o saudoso Batalhão da Serra. Frase essa que serve para explicar a importância das Forças Armadas e da indústria de defesa.

Quando uma pessoa realmente deseja alcançar um objetivo, seu caminho raramente é uma linha reta. Ela tenta, erra, aprende, insiste, melhora e recomeça quantas vezes forem necessárias. Cada obstáculo se transforma em aprendizado. Cada dificuldade gera experiência. Ao final, o resultado aparece porque houve persistência.

Já quem não está verdadeiramente comprometido encontra algo muito mais fácil: uma desculpa. As nações também seguem essa lógica.

Nenhum país ou grande empresa construiu capacidades relevantes sem percorrer um longo caminho de desafios, investimentos, correções de rumo e aperfeiçoamento contínuo. Não existe atalho para a soberania. Ela é construída da mesma forma que qualquer grande conquista, com visão de longo prazo, disciplina e perseverança.

A indústria de defesa é um exemplo claro dessa realidade. Desenvolver radares, satélites, sistemas de comunicação, blindados, navios ou aeronaves exige anos de pesquisa, formação de pessoal e amadurecimento tecnológico. Muitos projetos enfrentam dificuldades, revisões e adaptações ao longo do caminho. Faz parte do processo.

O mesmo ocorre com as Forças Armadas. A formação de um soldado e um marinheiro leva tempo. A de um piloto, mais tempo ainda. A de um comandante exige décadas de experiência acumulada. Nenhuma dessas capacidades pode ser improvisada quando a necessidade aparece.

Entretanto, periodicamente surge a tentação de procurar o caminho mais fácil. Afinal, em tempos de relativa estabilidade, sempre haverá quem pergunte por que investir em defesa, por que manter uma indústria estratégica ou por que preparar-se para riscos que ainda não se materializaram.

A resposta está justamente na metáfora.

Os países que desejam preservar sua soberania seguem pelo caminho mais longo, investem, treinam, desenvolvem tecnologia, fortalecem instituições e constroem capacidades. Sabem que o processo é lento, custoso e exige continuidade.

Os que não querem fazer esse esforço normalmente encontram justificativas para adiar decisões, cortar investimentos e transferir responsabilidades. Em vez de capacidades, acumulam explicações.

A história, porém, costuma ser implacável. Quando uma crise surge, não há tempo para começar a preparação. Nesse momento, apenas colhem resultados aqueles que passaram anos construindo suas capacidades.

No campo da defesa, a diferença entre segurança e vulnerabilidade raramente está nos recursos disponíveis. Está na decisão de percorrer o caminho da preparação ou permanecer parado no conforto das desculpas.

As grandes nações escolhem preparar-se. Porque entendem que soberania não é um presente da geografia ou da sorte. É uma conquista construída todos os dias. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.   

Aegis lança mira eletrônica A-Dot R1 para armas longas

 


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LRCA Defense Consulting - 20/06/2026

A Aegis, fabricante gaúcha de equipamentos táticos, anunciou, em publicação no Instagram e em seu site institucional, o lançamento da A-Dot R1, mira eletrônica red dot para armas longas, projetada para oferecer desempenho, rapidez na aquisição do alvo e confiabilidade em diferentes condições de uso.

Ficha técnica anunciada
De acordo com a página de vendas da Aegis, a A-Dot R1 conta com sistema multi-retículo (ponto, círculo ou ponto mais círculo), lente off-axis com 95% de transmitância e revestimento anti-reflexo multicamadas, voltada a rifles e carabinas com trilho Picatinny.

A mira tem 11 níveis de brilho ajustáveis e tecnologia Shake-n-Wake, que liga o equipamento automaticamente ao detectar movimento e o desliga após 225 segundos de inatividade, proporcionando maior praticidade e economia de bateria.

A alimentação é híbrida, combinando bateria CR2032 lateral e painel solar auxiliar, com autonomia de até 10 mil horas. O mecanismo de ajuste, em aço manganês, traz cliques de 1 MOA, feedback tátil e regulagem de até ±75 MOA. A fabricante também informa certificação IP68, resistência a choque de 3.000 G e compatibilidade com calibres 9 mm, 5,56 e 7,62. O peso é de 215 g, com dimensões de 83,8 × 44,1 × 42 mm. O preço de tabela é de R$ 3.900, ante um valor cheio de R$ 4.490.

Nas imagens de divulgação, a unidade fotografada traz o número de série AA00010, o que sugere se tratar de um exemplar de lote inicial ou de pré-lançamento.

Estreia da Aegis no segmento de miras eletrônicas
A R1 marca a expansão da Aegis, reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa, para o segmento de óptica eletrônica. Sediada em Gravataí (RS), a empresa é apontada pela imprensa especializada como a primeira fabricante latino-americana dedicada exclusivamente a equipamentos de iluminação tática para uso militar e policial.

Segundo cobertura sobre sua participação na LAAD Security Milipol Brazil 2026, a companhia apresentou naquela ocasião o modelo P1, primeira mira da linha A-Dot, projetada para armas curtas e longas. A R1 chega como o desdobramento dessa linha voltado especificamente a fuzis e carabinas.

Aegis e o projeto Cobra
A Aegis já mantém relação institucional com o Exército Brasileiro fora do campo de miras: a empresa foi selecionada para fornecer equipamentos de iluminação tática ao projeto Combatente Brasileiro (Cobra), conduzido pelo Comando de Operações Terrestres (Coter) dentro do conceito de “soldado do futuro”.

No entanto, não há, até o momento, confirmação pública de que a linha A-Dot esteja sendo avaliada ou testada dentro do Cobra. 

A mira R1 seria PCE?
Miras red dot convencionais, sem ampliação óptica e sem funções de visão noturna ou termal, vêm sendo tratadas pela DFPC como não enquadradas na lista de Produtos Controlados pelo Exército, à luz da Portaria nº 118-COLOG/2019 e dos entendimentos administrativos vigentes em 2024–2026. O Decreto nº 11.615/2023 não promoveu, por si só, a inclusão automática desses itens como PCE.

O fato de a mira ter regulagem ampla de ±75 MOA e retículos configuráveis não mudam sua classificação com um red dot convencional. Só mudaria se ela incorporasse ampliação óptica real, imagem térmica ou visão noturna. É justamente essa combinação que a DFPC tem apontado como a linha divisória relevante para PCE, especialmente no tratamento de lunetas térmicas/noturnas.

Mercado nacional de miras: um comparativo possível
A entrada da Aegis no segmento ocorre em um mercado já habitado por outra mira nacional com histórico institucional: a Guará, da AEL Sistemas, operação brasileira da israelense Elbit Systems. O modelo, desenvolvido desde 2016 em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Embrapii e o Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, foi adquirido pelo Comando de Logística do Exército em quase mil unidades para o fuzil de assalto Imbel IA2, calibre 5,56 mm.

Diferentemente da Guará, já adotada institucionalmente, a A-Dot R1 chega, por ora, como produto de varejo civil, com preço de tabela de R$ 3.900.

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