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20 julho, 2026

Embraer amplia ecossistema de treinamento do C-390 Millennium com Suécia e Áustria

Fabricante brasileira firma acordo para simuladores e cursos das duas forças aéreas europeias durante o Farnborough International Airshow, enquanto a Chéquia batiza seu primeiro C-390 recém-chegado em homenagem a herói da Segunda Guerra Mundial 

 

*LRCA Defense Consulting - 20/07/2026

A Embraer anunciou nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, um acordo para fornecer dispositivos de treinamento do C-390 Millennium às forças aéreas da Suécia e da Áustria. O objetivo é preparar pilotos, operadores de carga, tripulantes e pessoal de manutenção para operar as aeronaves com mais segurança e prontidão operacional.

Segundo comunicado da fabricante, a Força Aérea Sueca receberá um pacote completo, composto por um simulador de voo completo (Full Flight Simulator, FFS), uma estação de treinamento de manuseio de carga (Cargo Handling Station Trainer, CHST), desenvolvida em parceria com a Rheinmetall, e uma solução de treinamento baseado em computador (Computer-Based Training, CBT), desenvolvida com a empresa ETI. Já a Força Aérea Austríaca receberá apenas a solução CBT, voltada à instrução teórica e à qualificação de tripulações.

Simulador busca certificação de nível D
De acordo com a Embraer, o simulador de voo completo foi projetado para alcançar a qualificação Nível D, o mais alto padrão do setor, e permite treinamento em condições normais, anormais e de emergência, incluindo cenários de missões militares e mais de 350 tipos de falhas simuladas. A estação de manuseio de carga, por sua vez, utiliza tecnologia de visualização avançada para recriar tanto o compartimento de carga quanto o ambiente externo da aeronave, apoiando o preparo e a execução de missões. Já o módulo CBT é entregue por meio de um sistema de gestão de aprendizagem (Learning Management System) compatível com o padrão SCORM, o que permite instrução teórica flexível para diferentes funções a bordo.

Em nota, Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer Services & Support, afirmou que a entrega de capacidades avançadas de treinamento aos operadores europeus do C-390 Millennium reforça o compromisso da companhia com a prontidão de missão e a excelência operacional no longo prazo, destacando que, em conjunto com seus parceiros, a Embraer está construindo um ecossistema de treinamento que amplia a interoperabilidade e a padronização entre as frotas.

Suécia e Áustria fazem parte de modelo trilateral de padronização
A Suécia confirmou em 2025 a aquisição de quatro C-390 Millennium, com opção para mais sete unidades, liderando, ao lado da Holanda e da Áustria, um modelo trilateral de aquisição compartilhada que busca padronizar frotas e maximizar a interoperabilidade e a eficiência de custos entre os três países europeus. O pacote de treinamento anunciado hoje em Farnborough dá continuidade a essa estratégia, ao consolidar sinergias regionais de suporte, logística e formação de tripulações entre operadores vizinhos.

Chéquia batiza seu primeiro C-390 recém-chegado
A reportagem de hoje soma-se a um marco recente do programa C-390 Millennium na Europa: em 16 de julho, a Força Aérea da República Tcheca incorporou oficialmente seu primeiro exemplar da aeronave, em cerimônia realizada na 24ª Base de Aviação de Transporte, em Praga-Kbely. O jato havia chegado ao território tcheco dez dias antes, em 6 de julho, após ser transladado do Brasil, e é o primeiro de dois exemplares contratados pelo governo tcheco em outubro de 2024, com a segunda unidade prevista para dezembro de 2027.

O avião recebeu pintura de camuflagem exclusiva, criada pelo artista acadêmico Pavel Holý, do Instituto de História Militar de Praga, com áreas claras e escuras que dificultam a avaliação de distância, dimensões e direção de voo por um observador externo. Como manda a tradição das forças aéreas europeias, a aeronave também foi batizada: recebeu o nome do brigadeiro-general Karel Toman Mareš, natural da cidade de Tábor e primeiro comandante do 311º Esquadrão de Bombardeiros Tchecoslovaco da Royal Air Force durante a Segunda Guerra Mundial. O segundo C-390 tcheco usará a mesma camuflagem, mas terá matrícula e nome próprios, ainda não divulgados.

Com a incorporação tcheca, o C-390 Millennium soma oito clientes governamentais confirmados: Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca e um cliente não divulgado, além da Suécia, que aguarda as primeiras entregas a partir de 2027. O conjunto de anúncios recentes, que combina novos contratos de treinamento e a chegada operacional de unidades a novos países, reforça a trajetória do C-390 como principal referência de transporte tático multimissão entre os aliados da OTAN na Europa.

Maricá amplia parceria com a Desaer e lança bolsas para formar pilotos e mecânicos de aviação

Programa Voar é para Todos vai custear até 70 vagas anuais em cursos de formação aeronáutica, iniciativa que acompanha a expansão do aeroporto municipal e a instalação da fábrica da empresa no Galpão Tecnológico de Inoã

Imagem meramente ilustrativa
 

*LRCA Defense Consulting - 20/07/2026

A Prefeitura de Maricá, no litoral fluminense, regulamentou nesta semana o programa Voar é para Todos, que vai custear integralmente a formação de pilotos comerciais e de mecânicos de manutenção aeronáutica para moradores do município. A medida foi assinada na quarta-feira (15) e é conduzida em conjunto pela Secretaria de Educação e pela Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar).

Até 70 vagas por ano
O programa prevê a oferta anual de até 20 vagas para o curso de Piloto Comercial, com habilitações de Voo por Instrumentos (IFR) e Multimotor Terrestre (MLTE), além de até 50 vagas para Mecânico de Manutenção Aeronáutica (MMA), com formação nas áreas de Célula, Grupo Motopropulsor e Aviônicos. As inscrições ainda não foram abertas; datas, critérios de seleção, documentação exigida e cronograma deverão ser divulgados em edital.

Segundo a Prefeitura, a iniciativa busca ampliar o acesso à formação profissional em um setor considerado estratégico para o município, preparando mão de obra qualificada para atender à expansão da aviação civil e da indústria aeroespacial local.

Aeroporto em expansão puxa demanda por profissionais
A criação do programa acompanha o crescimento das operações no Aeroporto de Maricá, sobretudo no segmento de voos offshore para plataformas de petróleo e gás. Entre 2022 e 2025, o número de operações aéreas no aeroporto passou de 4.830 para 18.363, enquanto a movimentação de passageiros saltou de 16.265 para 156.287; no mesmo período, o transporte aéreo de trabalhadores para plataformas cresceu 396%.

A expectativa da Prefeitura é que a formação de novos mecânicos também fortaleça a implantação de serviços de manutenção de aviões e helicópteros na cidade, reduzindo a necessidade de deslocamento dessas atividades para outros municípios.

Parceria com a Desaer segue como eixo central
Além da expansão do aeroporto, Maricá mantém parceria com a Empresa de Desenvolvimento Aeronáutico (Desaer) para pesquisa, desenvolvimento e futura produção de aeronaves na cidade. O vínculo entre o Município e a empresa foi formalizado em março, quando a Prefeitura assinou com a Desaer um contrato de Encomenda Tecnológica (ETEC) no valor de R$ 32 milhões, no Galpão Tecnológico de Inoã, com participação do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e da própria Codemar.

Na ocasião, o prefeito Washington Quaquá afirmou que o investimento geraria de imediato 60 empregos para engenheiros locais, com projeção de até 6 mil vagas diretas e indiretas em três ou quatro anos, prazo em que um protótipo da aeronave desenvolvida pela empresa deverá voar a partir do Aeroporto de Maricá.

Desaer abre 40 vagas para engenheiros e arquitetos
O avanço mais recente da parceria ocorreu no início de julho, quando a Desaer anunciou a abertura de 40 vagas para engenheiros e arquitetos que atuarão na implantação da unidade industrial da empresa em Maricá. O anúncio foi feito em reunião promovida pela Prefeitura com o Movimento das Cooperativas, no Território do Futuro, no bairro do Flamengo, e reuniu mais de 50 profissionais cooperativados da cidade.

Segundo a empresa, os engenheiros selecionados passarão por capacitação específica, voltada a adaptar profissionais de áreas diversas às exigências técnicas da produção aeronáutica, enquanto os arquitetos poderão atuar em diferentes setores da fábrica, incluindo o desenvolvimento de interiores das aeronaves. As vagas, de acordo com a Desaer, não devem se concentrar apenas na linha de produção, havendo também oportunidades em planejamento, projetos, engenharia e acabamento.

A primeira frente de produção da fábrica será o ATL-100, aeronave bimotor turboélice não pressurizada, com capacidade para 19 passageiros ou 2,5 toneladas de carga, projetada para operar em pistas curtas e rústicas. A previsão inicial da empresa é fabricar até quatro unidades por mês. A Desaer também participa de licitação relacionada ao ATL-300, turboélice de maior porte, com capacidade para 40 passageiros; caso o processo avance, a demanda por profissionais poderá crescer, abrindo novas vagas no município.

Um polo em construção por etapas
A implantação da fábrica, portanto, deve ocorrer em etapas: primeiro, a estruturação da equipe técnica e o início da produção do ATL-100; depois, eventuais novos contratos poderão ampliar o porte da operação. Fundada em 2017 em São José dos Campos (SP) por ex-funcionários da Embraer, entre eles o CEO Evandro Fileno, a Desaer é uma empresa independente e de capital nacional, voltada a aeronaves utilitárias para os mercados regional e militar. Antes de firmar o acordo com Maricá, a companhia buscou instalar sua fábrica em Araxá (MG), negociação que não avançou.

Com o programa Voar é para Todos somado à instalação da fábrica, Maricá busca consolidar um novo polo industrial ligado à aviação, reunindo formação de mão de obra, engenharia, arquitetura, manutenção, produção, tecnologia e logística. A estratégia integra o esforço do Município para diversificar a economia local, hoje fortemente dependente dos royalties do petróleo.

19 julho, 2026

Eve fecha pedidos de até 16 e 30 eVTOLs em Farnborough, com destaque para Cabo Verde

Farnborough Airshow reúne avanços comerciais, regulatórios e de testes de voo do eVTOL da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada à mobilidade aérea urbana (UAM, na sigla em inglês), reuniu, entre os dias 14 e 19 de julho de 2026, uma sequência de anúncios comerciais e regulatórios durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Os destaques incluem um novo pedido de até 16 aeronaves eVTOL, uma carta de intenções (LOI) para até 30 unidades destinadas a Cabo Verde e a publicação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da proposta de critérios de certificação acústica do Eve 100.

Pedido da Shearwater Global Capital
A Eve assinou, em 19 de julho, uma carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point, para até 16 aeronaves eVTOL. Segundo comunicado da empresa, a Shearwater atua como credora especializada em financiamento baseado em ativos para clientes não bancários dos setores comercial e privado da aviação, com experiência em financiamentos de pré-entrega, aeronaves de missão especial e ativos de geração mais antiga.

Fundada em 2014 por Chris Miller, a Shearwater integrou a Bay Point, gestora de crédito privado sediada em Atlanta, em abril de 2026, para estabelecer uma vertical dedicada a mobilidade aérea avançada (AAM, na sigla em inglês). De acordo com Chris Miller, diretor administrativo de aviação da Shearwater, a companhia pretende usar o backlog da Eve e seu ecossistema integrado de aeronaves e serviços para oferecer soluções de leasing a operadores.

O CEO da Eve, Johann Bordais, afirmou que a mobilidade aérea avançada deve desempenhar papel relevante no futuro do transporte e que a empresa espera apoiar a Shearwater na oferta de soluções de leasing ao mercado.

LOI com a Moov para Cabo Verde
Também em 19 de julho, a Eve e a Moov, companhia aérea suíça sediada em Lugano, firmaram carta de intenções para até 30 eVTOLs, com o objetivo de explorar oportunidades de turismo e mobilidade regional no arquipélago de Cabo Verde e, em paralelo, na Europa.

As empresas devem avaliar usos como passeios turísticos e deslocamentos entre aeroportos, portos e resorts, além de mobilidade regional entre as ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista. Segundo o comunicado, também foi identificado potencial para transporte médico e inspeção de infraestrutura. Dados do Banco Mundial citados pela Eve indicam que o setor turístico de Cabo Verde recebeu cerca de 1,18 milhão de visitantes em 2024, alta de 16,5% em relação ao ano anterior.

A Moov integra o projeto Atlantic Gateway, plataforma que pretende conectar Europa, África e América Latina, e conta com executivos oriundos de empresas como Azul, Swiss International Air Lines, Etihad Airways, FedEx e ASL Aviation Group, segundo a própria companhia.

ANAC publica critério de ruído para o Eve 100
Ainda em 19 de julho, a ANAC publicou a proposta de critérios de certificação de ruído para o Eve 100, aeronave eVTOL da Eve que, pela primeira vez oficialmente, é assim denominada. A consulta pública sobre o tema segue aberta até 8 de agosto e representa, segundo a empresa, um passo relevante para o estabelecimento do arcabouço de certificação ambiental de eVTOLs no País.

De acordo com Isabel Lima, responsável pela área de ruído e vibração da Eve, a certificação acústica define metodologias de medição e critérios de conformidade que devem garantir a introdução de aeronaves com proteção ambiental adequada às comunidades no entorno das operações.

A empresa afirma que o projeto do Eve 100, de arquitetura lift-plus-cruise, foi concebido para operar de forma mais silenciosa que helicópteros convencionais, com apoio de um estudo de percepção visual e sonora conduzido em parceria com o Centro Aeroespacial Real dos Países Baixos (NLR, na sigla em inglês), que reuniu mais de 100 participantes em Nova York, Orlando e São Francisco. Encerrada a consulta, a ANAC deve avaliar as contribuições recebidas e seguir com a definição dos requisitos aplicáveis.

 

Testes de voo e panorama comercial
Ainda no âmbito do Farnborough Airshow, a Eve destacou o andamento da campanha de testes de voo do protótipo de engenharia do Eve 100, iniciada em dezembro de 2025. Segundo a empresa, dezenas de voos já foram realizados, com a fase de testes de transição prevista para este trimestre e a produção de seis protótipos de conformidade a começar ainda neste ano.

A companhia afirma manter uma carteira de aproximadamente 2.700 pré-pedidos de eVTOL, a maior do setor segundo a própria Eve, e cita como pedidos vinculantes recentes os da Revo, do Brasil, para até 50 aeronaves, e da AirX, do Japão, também para até 50 unidades, com previsão de operação inicial a partir de 2029. Os produtos Eve TechCare, de manutenção e suporte de frota, e Eve Vector, de gestão de tráfego aéreo urbano, completam o ecossistema comercial da empresa.

República Tcheca: um C-390 não muda uma frota, mas consolida um corredor na Europa Central

A entrega à República Tcheca importa menos pelo avião recebido e mais pelo que ele sinaliza sobre a Europa Central, a indústria brasileira e a força aérea tcheca

 

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LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Embraer entregou, em 16 de julho, o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea da República Tcheca, em cerimônia realizada na 24ª Base Aérea de Transporte, em Praga-Kbely. A aeronave é a primeira das duas adquiridas pelo governo tcheco em contrato assinado em outubro de 2024, avaliado em 11,3 bilhões de coroas tchecas (cerca de US$ 493 milhões), e sua entrega ocorreu apenas 20 meses após a assinatura, prazo destacado pela fabricante como evidência da maturidade de sua linha de produção. O segundo exemplar está previsto para dezembro de 2027. Esses dados já circularam amplamente pelos portais especializados. O que ainda não foi explorado é o significado da entrega em três camadas distintas: a geopolítica da Europa Central, o retorno para a indústria brasileira e a mudança operacional dentro da força aérea tcheca.

O corredor logístico da Europa Central
A República Tcheca ocupa uma posição geográfica que reforça o significado estratégico da aquisição: está cercada por Alemanha, Polônia e Áustria, esta última já operadora do C-390 em arranjo conjunto com a Holanda. Ao todo, o cargueiro brasileiro já foi selecionado por onze países além do Brasil: Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Lituânia e, agora, a República Tcheca. Na Europa Central e Oriental, forma-se um agrupamento particularmente denso, com Áustria, Hungria, Eslováquia, Tcheca e, mais ao norte, a Lituânia.

Essa concentração geográfica sugere, ainda que de forma preliminar, a possibilidade de um corredor logístico regional: compartilhamento de treinamento, manutenção cruzada entre bases próximas e um eventual pool de peças sobressalentes entre operadores vizinhos. Não há, até o momento, confirmação oficial desse tipo de arranjo formal entre os países citados, mas a proximidade geográfica e a padronização da plataforma tornam essa hipótese operacionalmente plausível e coerente com o discurso de interoperabilidade que a própria OTAN tem promovido entre seus membros no leste europeu.

O que o Brasil ganha com isso
A leitura mais comum desse tipo de entrega concentra-se no cliente estrangeiro, mas o episódio também diz respeito à maturidade da cadeia industrial brasileira. Cada nova incorporação, a décima segunda linha de produção internacional em sequência, reforça o regime seriado da fábrica da Embraer em Gavião Peixoto e consolida receita recorrente para a divisão de Defesa & Segurança da companhia, reduzindo sua dependência histórica da aviação comercial.

Há também um dado pouco explorado: a cadeia de fornecimento do programa C-390 não corre em uma única direção. Empresas tchecas como a Aero Vodochody e a OMNIPOL já integram a cadeia de fornecedores do programa, produzindo componentes de fuselagem traseira, portas de tripulação e de paraquedistas, saídas de emergência, partes do bordo de ataque das asas e a rampa de carga. Esse desenho de offset industrial recíproco, no qual clientes internacionais também fornecem partes da própria aeronave que operam, funciona como instrumento de fixação política do contrato e como modelo replicável em negociações futuras, caso da Índia, onde o programa MTA da força aérea local acompanha de perto o precedente tcheco. Para o País, isso significa que cada nova venda amplia não apenas a receita, mas também a rede internacional de parceiros industriais em torno de um produto de bandeira nacional.

O que muda operacionalmente para a força aérea tcheca
A frota de transporte tcheca era composta, até então, por turboélices CASA C-295 e por dois Airbus A319CJ. O C-390 muda essa equação: transporta até 26 toneladas de carga útil, alcança cerca de 470 nós e opera tanto em pistas pavimentadas quanto em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, além de poder atuar como aeronave-tanque ou receptora em reabastecimento em voo. Trata-se de um salto de capacidade, não de uma simples substituição de modelo.

O comandante da 24ª Base Aérea de Transporte, brigadeiro-general Jaroslav Falta, destacou durante a cerimônia que a aeronave amplia significativamente a capacidade logística das forças armadas tchecas, tanto para necessidades nacionais quanto para operações ao lado de aliados da OTAN. Antes da entrega, tripulações e equipes técnicas tchecas passaram por treinamento no Brasil, incluindo atividades no centro de treinamento da Embraer e no complexo de Gavião Peixoto, onde a aeronave também realizou seu voo inaugural, em 19 de maio, antes de seguir para pintura em Confins e, depois, para a Europa, com escala no Recife. A mudança, portanto, não é apenas material: é também humana, com uma nova geração de tripulantes tchecos já formada para operar um vetor logístico de outro patamar.

Três camadas, um mesmo episódio
Isoladamente, um C-390 a mais não altera o equilíbrio de forças na Europa. O significado da entrega está na sobreposição de três movimentos: a consolidação de um agrupamento regional de operadores na Europa Central, o amadurecimento de uma cadeia industrial brasileira que já exporta para doze países, e a mudança operacional concreta dentro de uma força aérea que ganha, de uma só vez, alcance, carga e flexibilidade que sua frota anterior não oferecia. É essa sobreposição, mais do que a cerimônia em Praga-Kbely, que dá à entrega seu real peso estratégico.

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