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| Imagem renderizada para ilustração |
*LRCA Defense Consulting - 17/06/2026
A Embraer está disposta a abrir uma linha de montagem do C-390 Millennium na Índia como parte de sua oferta ao programa Medium Transport Aircraft (MTA) da Força Aérea Indiana (FAI). O anúncio foi feito à publicação especializada FlightGlobal em 16 de junho de 2026 por executivos da fabricante brasileira, incluindo o presidente-executivo Francisco Gomes Neto e o diretor de marketing da Embraer Defesa & Segurança, Marcio Monteiro.
O programa MTA tem como objetivo substituir a frota de mais de 100 Antonov An-32 e 17 Ilyushin Il-76 que a FAI opera desde os anos 1980. O processo de aquisição, avaliado entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões, prevê a compra de 60 aeronaves sob o modelo "Buy and Make": 12 unidades serão entregues prontas para voo pelo fabricante original e 48 serão produzidas localmente por um parceiro industrial indiano. O Defence Procurement Board aprovou o programa em 2 de março de 2026, dando início a um processo que ainda depende de aval do Defence Acquisition Council (DAC) e do Cabinet Committee on Security antes da publicação do edital de licitação.
Parceria com a Mahindra e transferência integral de
tecnologia
Para atender
aos requisitos de conteúdo local exigidos pela política de defesa indiana, que
em geral demandam ao menos 50% de componentes fabricados no país, a Embraer
formalizou parceria com o grupo Mahindra. O MoU inicial foi assinado em
fevereiro de 2024; em outubro de 2025, durante a inauguração do escritório da
Embraer em Nova Délhi, a cooperação evoluiu para um acordo estratégico de
produção. Em fevereiro de 2026, as empresas anunciaram planos conjuntos para
uma instalação de manutenção, reparo e revisão (MRO) no país, condicionada à
seleção do C-390 no MTA.
A proposta para o programa MTA vai além do MRO. Segundo Monteiro, a Embraer está disposta a replicar na Índia a estrutura de sua fábrica em Gavião Peixoto (SP), que inclui dois hangares com montagem estrutural de seções da fuselagem e linha de montagem final. "Estamos dispostos a transferir tudo, o máximo possível", afirmou o executivo ao FlightGlobal. Dependendo dos percentuais de localização exigidos no edital, a Embraer poderá ir além e instalar no país fábricas de componentes estruturais que hoje são fabricados em São Paulo e transportados para Gavião Peixoto.
A linha indiana também poderia atender exportações do C-390 para outros operadores ao redor do mundo. "Acho que a Índia teria interesse nesse tipo de negócio", disse Monteiro. O CEO Francisco Gomes Neto foi mais direto: "Em termos de operações, custo de manutenção e desempenho, acreditamos que é a melhor solução para a Força Aérea Indiana."
Concorrência acirrada: C-130J à frente em presença
industrial
O principal
rival do C-390 no MTA é o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin. A
Força Aérea Indiana já opera 12 exemplares da versão J-30, configurada para
apoio a forças de operações especiais, o que confere à Lockheed uma vantagem de
familiaridade operacional e logística. A empresa norte-americana tem parceria
com a Tata Advanced Systems desde setembro de 2024 para a produção de empenas
do C-130J em Hyderabad, peças que abastecem toda a linha global de novas
aeronaves do tipo.
Para reforçar sua candidatura, a Lockheed desenvolveu um kit de extensão de alcance para o C-130J ofertado à Índia, atualmente em processo de certificação, voltado a cobrir as vastas distâncias do Oceano Índico e atingir bases avançadas de altitude elevada sem escalas frequentes de reabastecimento. A empresa também afirma ser capaz de adaptar a aeronave com arquitetura aberta para integração de sistemas nacionais indianos.
A Airbus concorre com o A400M, que já tem precedente de produção local pelo programa C295 (montado pela Tata em Vadodara, com 40 dos 56 exemplares encomendados pela Índia a serem fabricados no país). Contudo, fontes da indústria e analistas indianos indicam que o A400M tem sido progressivamente descartado por ser considerado grande e caro demais para os requisitos do MTA, estreitando a disputa para um confronto direto entre o C-390 e o C-130J.
Requisitos operacionais: altitude e carga são
diferenciais do C-390
Um dos pontos
mais sensíveis da competição é a operação em pistas de altitude elevada e
semipreparadas, essencial para bases avançadas em Ladakh e no nordeste indiano,
regiões próximas às fronteiras com China e Paquistão. O C-130J tem histórico
comprovado nesse ambiente, incluindo missões no Afeganistão e voos históricos
no Himalaia durante a Guerra Fria. O C-390, mais pesado e com maior distância
de decolagem, poderia estar em desvantagem nesse quesito.
Monteiro, porém, afirma que a Embraer já avaliou a questão diretamente com a FAI. "A aeronave é completamente capaz de atender a esses requisitos", disse. Outro diferencial do C-390 é a capacidade de carga: até 26 toneladas, ante 20 toneladas do C-130J. Esse dado é relevante porque uma das exigências do MTA é a capacidade de transportar o tanque leve Zorawar, de 25 toneladas, na baia de carga, o que excluiria na prática o Super Hercules se a exigência for mantida no edital.
A Embraer aponta taxa de disponibilidade operacional de 93% para a frota de C-390 em serviço (14 aeronaves no Brasil, Portugal e Hungria), em comparação com 60% registrados no C-130J da Guarda Costeira dos EUA e 72% na Força Aérea norte-americana, segundo relatórios de 2025 do Congressional Budget Office e da publicação Air & Space Forces Magazine.
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| Sequência renderizada do C-390 e do tanque leve Zorawar, criada por IA |
Cronologia da parceria Embraer-Mahindra
A aproximação
entre Embraer e Mahindra tem avançado por etapas desde 2024. Em fevereiro
daquele ano, as empresas assinaram o MoU inicial para o MTA. Em outubro de
2025, o acordo evoluiu para uma cooperação estratégica de produção, formalizada
na abertura do escritório da Embraer em Nova Délhi. Em fevereiro de 2026, o MRO
foi anunciado como componente adicional da proposta. A reportagem do FlightGlobal
desta semana revela a disposição de ir além: uma segunda linha de montagem
completa do C-390, com potencial para fabricação de componentes estruturais e
para servir como base de exportação global.
A Embraer descreveu a Índia como estando em "modo de urgência" para publicar o pedido de proposta (request for proposal, RFP). O processo ainda depende de aprovações de múltiplas instâncias burocráticas indianas, mas a expectativa da fabricante é que o edital seja publicado nos próximos meses.
O C-390 no mercado global
O atual
portfólio de pedidos e opções do C-390 soma cerca de 90 aeronaves. Uma vitória
no MTA indiano, com 60 unidades confirmadas e possibilidade de expansão para
80, representaria praticamente dobrar o backlog da aeronave e
consolidaria o programa como referência global em transporte tático de médio
porte. A Embraer projeta entregar seis C-390 em 2026 e atingir uma taxa de até
dez aeronaves por ano até 2030 na linha de Gavião Peixoto.














