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sábado, fevereiro 29, 2020

Indústria Brasileira de Defesa: em busca de novos mercados





*Defesanet / O Globo - 26/02/2020 (Continuação)

No caso da associação entre empresas brasileiras e estrangeiras em outros países, um exemplo recente é a joint venture entre a fabricante brasileira de armas Taurus e a siderúrgica indiana Jindal Steel, anunciada na Índia, durante visita do presidente Jair Bolsonaro àquele país, em janeiro.

A nova empresa, da qual a Taurus terá 49%, vai produzir armas de pequeno porte e aproveitar a expertise da companhia brasileira, que fará a transferência de tecnologia.

Atualmente, os principais compradores de produtos de defesa brasileiros são Oriente Médio, África e América Latina. A ideia é ganhar espaço, também, nos países asiáticos, como China, Índia e Indonésia. De acordo com o Itamaraty, o Brasil exporta para 133 países. A participação em feiras internacionais e a realização de missões também farão parte dessa agenda.

Apesar da alta nas vendas ao exterior, o Brasil contabilizou um déficit de US$ 700 milhões na balança comercial do setor no ano passado com cerca de US$ 2 bilhões em importações. O Brasil importa, principalmente, plataformas terrestres e aeronáuticas. O novo plano de ação tem como meta reduzir a dependência das Forças Armadas brasileiras de produtos estrangeiros. Assim, além da questão econômica, o governo optou por estimular uma base industrial de defesa por razões estratégicas.

— A soberania nos permite nos livrarmos da dependência tecnológica, ou do cativeiro tecnológico. O desejável é que nossas Forças Armadas tenham condições, de uma maneira autônoma, de adquirir os meios para manter seu preparo, a sua prontidão, e cumprir suas missões constitucionais e institucionais — diz Marcos Degaut, secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa.

A indústria de defesa tem uma peculiaridade: todos os negócios do setor são controlados pela pasta da Defesa e pelo Itamaraty. Os dois ministérios fazem análises prévias sobre a venda de um produto a determinado país, com base no risco político e nas relações diplomáticas. Em eventos internacionais, é obrigatória a presença de uma comissão das duas pastas. Diferentemente de outros setores, o comércio de produtos de defesa entre dois países é feito de governo para governo.

Parceria com Portugal

Portugal, por exemplo, está na lista dos países com interesse direto na produção brasileira na área de defesa. O país foi o primeiro a adquirir aviões KC-390 fabricados pela Embraer. O contrato, fechado no ano passado, também prevê suporte, serviços e simulador de voo, como parte do processo de modernização da Força Aérea portuguesa. As entregas do cargueiro militar começam em 2023. Empresas portuguesas participaram do desenvolvimento de peças para a aeronave, assim como companhias argentinas e tchecas.

Brasil já esteve entre os dez maiores exportadores de produtos de defesa no mundo

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) lembra que o Brasil esteve na década de 1980 entre os dez maiores exportadores de produtos de defesa no mundo. Segundo a revista americana Defense News, em 2019 o Brasil estava na 84ª posição entre os cem maiores exportadores.

De acordo com a ABIMDE, as exportações de produtos de defesa, em geral, ainda são pequenas, e poucas empresas brasileiras conseguem se inserir no mercado mundial do setor, que é altamente competitivo e dinâmico. Requer investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O cenário empresarial interno não é favorável, destacou a entidade, em nota.

Salesio Nuhs, presidente da Taurus, lembra que na Estratégia Nacional de Defesa do governo há regras de acordos de compensação importantes para as indústrias nacionais. Por esse mecanismo, em caso de importação de produtos de defesa, a exemplo de armas de fogo, deve haver, como condição para a compra, uma compensação tecnológica, industrial ou comercial por parte da empresa estrangeira contratada.

— O objetivo de tal contrapartida é evitar a dependência tecnológica de fornecedores estrangeiros, assegurando condições para o fortalecimento da base industrial de defesa em busca da autonomia, que estaria comprometida caso o país passasse a depender dos produtos fabricados no exterior — diz Nuhs, que se queixa da alta carga tributária como um fator que tira competitividade do setor.

sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Taurus Armas - "Como fazer: Um tiro para nova largada"






Empresas de vida longa podem se beneficiar da experiência acumulada ao longo dos anos — mas ficar presas à tradição pode ter um efeito negativo.
Foi o que ocorreu com a Taurus, fabricante gaúcha de armas. Comprada em 2014 pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), a empresa fundada em 1939 encontrava-se mergulhada em dívidas. “Ela estava perdida, sem processos definidos e com prejuízo acumulado”, diz Salesio Nuhs, presidente da Taurus. Depois de mapear os processos e realizar diagnósticos, a nova gestão iniciou uma transformação total da companhia.
Colocou em prática ações para recuperar o caixa, como a renegociação de dívidas com credores, e tratou de reorganizar a casa: todos os processos foram revistos e, onde foi possível, automatizados. Nesse percurso, a Taurus se desfez de negócios secundários para concentrar seus investimentos no mercado de armas de fogo. Com um portfólio mais amplo e atualizado, conseguiu conquistar novos mercados. 
O resultado foi positivo: saiu de um prejuízo de 286 milhões de reais, em 2017, para um lucro líquido superior a 20 milhões, nos três primeiros trimestres de 2019 (os dados do último trimestre ainda não foram fechados). Veja o passo a passo da reestruturação.



quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Com venda recorde no exterior, Indústria Brasileira de Defesa terá incentivo federal


*Defesa TV - 27/02/2020

Aeronaves, embarcações, ferramentas cibernéticas para proteção de dados, radares, sistemas seguros de comunicação, armamento, entre outros itens de alta tecnologia, contribuíram para que a indústria brasileira de defesa registrasse US$ 1,3 bilhão em exportações em 2019, o maior valor em 50 anos.
O governo prevê um acréscimo de 30% no total exportado pelo setor este ano e um potencial para atingir a cifra de US$ 5 bilhões em até três anos. Para isso, elabora um plano nacional para aumentar as vendas internacionais, atrair empresas do exterior para o país e estimular a formação de associações entre companhias nacionais e estrangeiras.
No governo, que conta com participação cada vez maior de militares, a avaliação é que a indústria nacional de defesa foi negligenciada nos últimos 30 anos. A partir de agora, o plano é aprofundar o papel do BNDES — que já financia as vendas desses produtos no mercado externo — na expansão das exportações de produtos de defesa.
Na última quinta-feira, o banco assinou um protocolo com o Ministério da Defesa, para elaboração de um plano de ação com esse objetivo. Melhores condições para os tomadores de empréstimos para viabilizar a exportação de itens estão entre as medidas a serem adotadas.
“O objetivo é ampliar as exportações brasileiras e, com isso, reduzir a dependência (do setor) do Orçamento das Forças Armadas”, diz Marcos Rossi Martins, superintendente da Área de Indústria, Serviços e Comércio Exterior do BNDES, sem entrar em detalhes sobre como será a execução do plano.

Da Internet ao M&M’s: conheça alguns produtos que se originaram na Industria de Defesa




*Defesa TV - 27/02/2020


Nem todo mundo sabe, mas as tecnologias que resultaram no desenvolvimento do telefone celular, do notebook, da internet e do home banking, por exemplo, nasceram na indústria de defesa.
O GPS e a criptografia, tão presente em aplicativos de mensagens hoje, bem como exames feitos na área de saúde, como ressonância magnética e tomografia, também tiveram origem em inovações para o setor militar em vários países, particularmente os EUA.
Até panelas antiaderentes teflon e o confeito M&M’s (inspirado nos chocolates que os soldados comiam durante a Guerra Civil Espanhola) têm em comum o fato de terem sido feitos originalmente para emprego militar.
Hoje, todos esses produtos são usados largamente pelos consumidores civis. Estimativas apontam que apenas 1,7% da indústria de defesa se destina a armas e munição.
“O efeito multiplicador é muito grande. Para cada real investido na indústria de defesa, há R$ 9,8 de retorno. Além disso, a média do setor é de três vezes a renda de outros setores industriais. Sem contar que nossa base é industrial e robusta. Conseguimos produzir do alfinete ao foguete com qualidade”, diz o secretário de produtos de defesa do Ministério da Defesa, Marcos Degaut.
Segundo ele, essa indústria representa quase 8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) brasileiro, se for levada em conta toda a cadeia produtiva da defesa.
Atualmente, há 1.100 empresas do setor, das quais 107 cadastradas na pasta da Defesa e contempladas com programas de incentivos fiscais. Elas respondem por 280 mil empregos diretos e 850 mil indiretos. Em um cálculo ambicioso, o secretário diz que o setor tem potencial para alcançar 10 milhões de vagas.

terça-feira, fevereiro 25, 2020

Taurus Armas: outros países têm interesse em firmar joint venture com a empresa



*LRCA Consulting - 24/02/2020

Em entrevista concedida à revista Amanhã e publicada no dia último dia 10, o CEO global da Taurus Armas, Salésio Nuhs, afirmou que "depois do anúncio do fato relevante e da assinatura do contrato [de joint venture com o Jindal Group, na Índia, em 27/01] outros países procuraram a Taurus para uma aliança em bases semelhantes". 

Ao explicar que a empresa que dirige "passa de fabricante e vendedora de armas a um novo patamar, credenciando-se a partir de agora como exportadora de tecnologia para esses equipamentos", Salesio completa: “Não se trata, apenas, de montar uma fábrica na Índia. Temos de transferir tecnologia para essa unidade, pois o governo daquele país não abre mão de ter para si o know-how – e a maioria dos governos quer ter sua indústria de defesa”.

A experiência adquirida na complexidade de negócios característica da Índia, além da "vitrine mundial" que a parceria internacional proporcionou, poderá fazer com que a empresa brasileira feche uma ou mais joint ventures semelhantes com outro (s) país(es) com mais facilidade e rapidez, fortalecendo ainda mais sua presença como grande fabricante global de armas leves.

‘Portugal pode ajudar na venda do C-390'

Ministro da Defesa português diz que país está disposto a fazer a ponte entre a Embraer e países da Otan
Após ser o primeiro país a comprar o cargueiro militar C-390 Millenium, o maior avião já produzido pela Embraer, em um contrato de ¤ 827 milhões, Portugal deve fazer uma espécie de meio de campo para a venda da aeronave para os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Estamos disponíveis para contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da Otan”, disse o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, que esteve no Brasil na semana passada.
Com a medida, umas das intenções do país é beneficiar a indústria local. O governo de Portugal é sócio da Embraer na OGMA, de manutenção de aeronaves, com 35% de fatia. A seguir, os principais trechos da entrevista.
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Ministro da Defesa de Portugal, João Cravinho, diz que parceria entre Boeing e Embraer pode ser interessante para Portugal Foto: Tiago Queiroz

O governo português comprou cinco C-390 Millenium. Hoje o país tem quatro Hércules C-130, que estão com 40 anos de uso. Os cinco C-390 são suficientes para renovar a frota da Força Aérea Portuguesa?

Sim. Nesses assuntos, temos de encontrar um equilíbrio entre o que é nosso desejo e o que é razoável. Portugal está fazendo o maior investimento em defesa desde a volta da democracia. A lei de programação militar de 2019, que prevê a compra de equipamentos em 12 anos, nos dá cerca de ¤ 4,5 bilhões. O C-390 representa ¤ 827 milhões.

Portugal vem se recuperando, desde 2014, de uma crise profunda. Qual era a situação dos equipamentos militares após a crise?

Houve alguma degradação na medida em que foi necessário reduzir o investimento na área militar, como em outras áreas. Estamos com a economia crescendo há cinco anos e desemprego baixo. Há também um contexto internacional que nos impele a fazer investimentos em defesa. Uma volatilidade internacional e um alto nível de insegurança: Portugal está próximo do Oriente Médio, também temos militares no Afeganistão e em vários países africanos. Olhando para o contexto geoestratégico e para a natureza dos nossos equipamentos, estávamos em uma fase em que precisávamos fazer este investimento.

Em visita à fábrica da Embraer, o sr. falou da necessidade de Portugal de treinar pilotos militares. Isso pode significar também uma necessidade de adquirir Super Tucanos (aviões da Embraer usados em treinamentos)?

Estudamos isso. Vamos montar uma escola de pilotos internacional com parceiros privados e com a Força Aérea Portuguesa. Portanto, serão os parceiros privados que decidirão o investimento. O Super Tucano é conhecido pelas suas qualidades como avião de formação e estamos a olhar para ele.

Quantos aviões de treinamento vocês precisariam?

Há uma necessidade sentida por vários países europeus. Individualmente, um país como Portugal, Bélgica, Dinamarca ou Holanda não tem escala para fazer uma escola de formação de pilotos para sua força aérea. Nossa ideia é nos unirmos e evitar que pilotos tenham de atravessar o Atlântico e fazer a formação nos EUA. Esse projeto está adiantado e seria baseado em Beja, uma cidade no sul de Portugal onde o céu é azul 300 dias por ano, o que é muito importante para a formação, e o espaço aéreo é descongestionado.

Portugal se beneficia da venda do C-390 porque produz peças usadas na fabricação do avião. O país pode promover o modelo entre os países da União Europeia e da Otan?

O C-390 é uma história de sucesso e de parceria luso-brasileira. Ele foi desenvolvido pela Embraer, mas com uma contribuição significativa da engenharia portuguesa e de produção em dois locais de Portugal. Seremos também o centro para qualquer venda para países da OTAN. Portanto, qualquer venda para países terceiros vai beneficiar o país. Primeiro porque as peças serão fabricadas em Portugal e a engenharia portuguesa continuará ativa. E quando as vendas forem para países da OTAN, as configurações específicas da OTAN serão feitas em Portugal.

O país trabalhará na venda desses aviões para países da Otan?

Sim. Não temos isso formalizado, mas é natural. Estamos disponíveis par contar a nossa experiência (com o C-390) para parceiros da OTAN. Contar qual tem sido a experiência da nossa força aérea no trabalho com a Embraer. Fazemos isso com gosto e interesse próprio, porque a Embraer também tem uma bandeirinha portuguesa no C-390.

Sendo Portugal parceiro da Embraer, como o governo viu a venda de 80% da divisão comercial da empresa para a Boeing?

Estamos falando com a Boeing agora pela primeira vez. Para nós, é uma oportunidade nova e interessante. Digamos que Portugal não estava no radar da Boeing. A Boeing não tem plantas na Europa. E, de repente a Boeing passa a ser dona de 80% de duas fábricas em Évora. Isso para nós é uma oportunidade interessante. 

O Estado português é dono de 35% da OGMA, empresa de manutenção de aeronaves em que a Embraer tem 65% de participação. O governo português anterior falava da possibilidade de a companhia também fabricar aeronaves. Esse projeto pode ser retomado?

Há um consenso que a OGMA pode e deve aumentar significativamente seu trabalho e seu faturamento. Hoje a OGMA fatura algo como ¤ 200 milhões (R$ 945 milhões) por ano. Estamos satisfeitos porque todos os anos dá lucro, mas pode e deve ser uma empresa bem maior. Não é esse o momento de desvendar novidades, mas acredito que em 2020 a OGMA vai dar um salto grande.

Como ela poderia incrementar esse faturamento?

Com novas linhas de trabalho.

Em 2010, se falava de a OTAN ter um braço no Atlântico Sul. À época, o então ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, se posicionou contra. Houve alguma retomada nesse assunto?

Não há nenhuma conversa para o Atlântico Sul. Há conversas sobre projeção para a região do Mediterrâneo e sobre nossa preocupação comum em relação ao que acontece na margem sul do Mediterrâneo.

E o projeto para defesa do Atlântico?

Isso é um dos elementos da minha conversa com o ministro da Defesa (Fernando Azevedo e Silva). Estamos a desenvolver, e não tem nada a ver com sua pergunta anterior, um centro que provavelmente será chamado Centro Atlântico, para promover uma plataforma de cooperação entre as marinhas do Atlântico. Sobretudo tendo em vista alguma vulnerabilidade que se tem manifestado nos últimos anos. Até recentemente, a pirataria no Atlântico era uma proporção pequena da pirataria internacional. Mas, em 2019, mais de 60% da pirataria mundial foi no Golfo da Guiné. Muito do comércio dos nossos países passa pelo Golfo da Guiné e portanto há uma preocupação comum em criar condições para que haja estabilidade e controle sobre essa parte do Atlântico. O Brasil pode dar uma contribuição muito interessante nesse aspecto. Estamos a falar de um centro que é multinacional, não é vinculado à OTAN, embora possa receber inputs da Otan, da União Europeia e da União Africana.

Qual seria a participação do Brasil?


Estamos a falar de partilha de conhecimento situacional, isto é, partilha de informação. 

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Americana ExpressJet Airlines anuncia compra de 36 aviões Embraer ERJ145

Em comunicado à imprensa, a empresa disse que pretende se tornar a maior operadora do modelo brasileiro de 50 lugares no mundo



*Exame - 24/02/2020

A companhia aérea americana ExpressJet Airlines, que opera nos Estados Unidos como United Express em nome da United Airlines Holdings, anunciou nesta segunda-feira, 24, que vai adicionar 36 aviões Embraer ERJ145 à sua frota nos próximos 12 meses.

Em comunicado à imprensa, a empresa disse que pretende se tornar a maior operadora do modelo brasileiro de 50 lugares no mundo.

A ExpressJet Airlines informou, ainda, que vai eliminar uma pequena quantidade de aviões E175 para ter uma frota composta apenas pelo ERJ145.

“Fizemos um compromisso de longo prazo com o Embraer ERJ145 e projetamos uma abrangente melhora da cabine, assentos e entretenimento para entregar uma experiência de consumidor contemporânea”, disse a vice-presidente sênior da empresa, Sarah Murphy, no comunicado.


domingo, fevereiro 23, 2020

Indústria de Defesa: cada real investido dá um retorno de R$ 9,8 à economia


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A cada um real investido neste setor há um retorno de R$ 9,8 à economia (Imagem: Reuters/Diego Vara)

*Agência Brasil via Money Times - 23/02/2020

O Brasil quer facilitar a exportação de produtos e de tecnologias de defesa. Para tanto, foi assinado, nesta semana, um protocolo de intenções entre Ministério da Defesa (MD) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – cerimônia que contou, inclusive, com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do Ministro da Economia, Paulo Guedes.
A presença dessas e de outras autoridades na cerimônia demonstra a relevância dada pelo governo ao tema.
De acordo com o secretário de Produtos de Defesa, do Ministério da Defesa, Marcos Degaut, para cada Real investido neste setor há um retorno de R$ 9,8 à economia. “Nenhum outro setor, industrial ou não, sequer se aproxima da metade disso”, disse o secretário em entrevista à Agência Brasil.
Segundo Degaut, o pouco conhecimento das pessoas sobre produtos e tecnologias de defesa acaba gerando algumas confusões sobre o assunto. Uma delas, a de que as empresas deste setor são voltadas, em sua maioria, à fabricação de armas e munições.
“Apenas 1,7% das 1.100 empresas ligadas à indústria da defesa produzem armas ou munições”, informou o secretário do MD, acrescentando que 107 são cadastradas à pasta.

Tecnologias de ponta na defesa

A absoluta maioria dos produtos desenvolvidas pela Indústria da Defesa é voltada a tecnologias de ponta, tendo resultado em produtos que vão desde a internet até tintas e panela teflon, passando por celulares, computadores, aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos, GPS, sistemas eletrônicos, entre outros.
Ex-oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Degaut tem no currículo os cargos de assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República e de Secretário Especial Adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Foi também membro da Força-Tarefa que revisou e atualizou a Política Nacional de Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional, bem como a Estratégia Nacional de Inteligência. Em 2019, foi indicado pela Presidência da República para ser seu representante no Grupo Executivo da Câmara de Comércio Exterior (GECEX).
Doutor em Segurança Internacional pela University of Central Florida, mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Inteligência de Estado pela Escola Nacional de Inteligência, o atual secretário de Produtos de Defesa concedeu, à Agência Brasil, uma entrevista na qual além de detalhar o protocolo assinado com o BNDES, fala sobre questões estratégicas e sensíveis de sua pasta, na relação com as empresas do setor de Defesa.
Marcos Degaut
“Muita gente desconhece a importância da economia de defesa como fonte de geração de empregos altamente qualificados; como fonte de geração de renda”, explica Degaut (Imagem: Marcos Corrêa/PR)
Agência Brasil: O que já dá para se antever, de concreto, deste protocolo de intenções assinado entre BNDES e Ministério da Defesa?
Marcos Degaut: É preciso a gente fazer uma pequena introdução a respeito disso. Pesa sobre o setor da Indústria da Defesa um grande desconhecimento. Muita gente desconhece a importância da economia de defesa como fonte de geração de empregos altamente qualificados; como fonte de geração de renda; como fonte de acréscimo de tecnologia; veículo de exportação; de geração de divisas, royalties; e de atração de investimentos.
Ano passado nós já batemos um recorde histórico no que diz respeito à exportação de produtos de defesa. Conseguimos um acréscimo de 33% em relação a 2018. Para esse ano esperamos um crescimento de mais de 30%.
Desconhece-se que o efeito multiplicador desse segmento é de 9,8. Ou seja, para cada R$ 1 investido nós temos de retorno à economia R$ 9,8. Nenhum outro setor, industrial ou não, sequer se aproxima da metade disso. A renda média do setor é cerca de três vezes maior do que qualquer outro setor industrial. Agora, internamente, não se é gerada uma demanda suficiente para que as empresas que operam no setor de indústria de defesa possam produzir para se manter abertas, para gerar essa capacidade, para gerar esses empregos, essa renda e essas tecnologias. Então a saída que existe é exportar.
A ideia é criar condições para reduzir e superar gargalos, porque um dos grandes gargalos que temos é a virtual escassez de mecanismos de financiamento à exportação, que incluam seguros e garantias.
O que acontece é que os bancos privados, em seus países de origem financiam a indústria de defesa. Aqui no Brasil, para não gerar um concorrente à altura, eles não financiam. Então restaria esse papel aos bancos de fomento; aos bancos públicos. Não estamos falando aqui de subsídios. Ninguém trata de subsídios, mas simplesmente de regras claras de atuação, porque o setor privado não pode ficar esperando dois anos para ter uma resposta sobre se vai ter ou não um financiamento. Estamos falando de gerar emprego e renda aqui; de financiar empresas nacionais sediadas aqui.
O que esse acordo pretende é justamente eliminar esse gargalo, ao estabelecer regras muito claras de atuação. O industrial, quando for procurar o BNDES para manter sua empresa em pé, saberá que existe um mecanismo de financiamento, e que dentro de determinadas condições ele poderá ter, dentro de determinado tempo, o que é aceitável.
ABr: Mas esse protocolo vai além de financiamento. O que mais ele prevê?
MD: Na verdade são estudos para melhorar a governança do sistema brasileiro de exportação. Uma coisa é a existência de linhas de crédito para financiamento à exportação, que inclui seguro e garantias. Outra coisa são estudos promovidos pelo Ministério da Defesa e pela equipe do BNDES para melhorar o próprio sistema de apoio à exportação, em conjunto com o setor privado, para que a gente possa atender o interesse do Estado e o interesse do sistema privado, que se traduz no interesse de toda a sociedade. O objetivo desse acordo é o de eliminar um grande gargalo.
ABr:  Quer eliminar gargalos por meio da adoção de regras claras, visando dar maior segurança jurídica?
MD: É tudo isso: regras de conformidade, boas práticas… Mas o ponto fulcral é exatamente a questão do timing, porque os concorrentes estrangeiros, quando entram em uma licitação internacional para fornecer um produto para um país, já têm dos seus órgãos; dos Exim Banks [bancos de exportação e importação] um pacote completo. Então ele já sabe o que vai oferecer na venda de um determinado produto. Aqui no Brasil, o setor privado vive uma verdadeira romaria, de porta em porta, de banco em banco, para tentar conseguir esse financiamento. Nós perdemos exportações substanciais por falta desse mecanismos.
ABr: No exterior eles têm mais facilidades para obter financiamentos via bancos públicos e privados?
MD: Nos outros países, como na França, por exemplo, o acesso é a recursos de bancos privados e públicos. Mas o fato é que quem se instala no Brasil é um banco privado, e esse banco privado – seja da França, da Espanha ou da Suécia – só financia a indústria de defesa de seu país de origem. Aqui no Brasil não financiam a nossa indústria de defesa. Esse é o grande problema. E os bancos privados nacionais acabam não oferecendo linhas de crédito por desconhecimento do potencial bilionário desse mercado, por desconhecerem as características que falei, de renda e de efeito multiplicador.
ABr: Esse setor envolve muita estratégia, com tecnologias sensíveis que estrategicamente não podem cair em mãos que possam fazer mau uso delas. Como está sendo feito o trabalho junto ao setor privado, no sentido de evitar que esses conteúdos sensíveis sejam acessados?
MD: São várias vertentes que precisam ser analisadas. Uma delas é em relação à segurança orgânica das empresas. Temos aqui, dentro da Secretaria de Produtos de Defesa, o Departamento de Produtos de Defesa, que é responsável por verificar essas condições de segurança orgânica e as próprias credenciais de funcionamento. Enfim, tudo aquilo que faz com que uma empresa possa se caracterizar como de Defesa ou como Estratégica de Defesa. Nós verificamos permanentemente suas condições.
Para além disso, como estamos falando de exportações, existe um duplo filtro. Um primeiro, realizado pelo Ministério de Relações Exteriores, que faz uma avaliação sob o ponto de vista da conveniência diplomática de se exportar determinado produto, porque é um setor em que considerações de natureza geopolítica estão presentes, como você bem mencionou.
O segundo filtro é realizado pelo Ministério da Defesa. Aí nós avaliamos não apenas a questão técnica, mas também a questão da conveniência militar. Então existe todo esse tipo de filtragem em relação à exportação de qualquer produto e de qualquer tecnologia.
ABr: Existe uma lista de empresas credenciadas e supervisionadas?
MD: Existe um cadastro de empresas, que é o Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa. Para se qualificarem como de Defesa ou Estratégica de Defesa, as empresas devem atender requisitos que são impostos por lei. Temos 1.100 empresas no setor da indústria da defesa no Brasil. Destas, apenas 1,7% são de armas e munição. É importante desmistificarmos essa história de que a Indústria da Defesa é voltada apenas a armas e munições.
ABr: Nos Estados Unidos o setor da indústria de defesa tem muita participação de militares. Nessas empresas brasileiras acontece o mesmo, no sentido de absorver militares da reserva?
MD: Vejo isso como um caminho natural, porque essas pessoas têm familiaridades com produtos de defesa devido a uma formação ao longo de toda a sua vida. Agora, são empresas civis. Como empresas privadas têm toda liberdade de contratar quem eles achem que se encaixe em determinado perfil. Mas é fato que temos militares ocupando, pelo conhecimento e pela expertise que têm, posições nessas empresas, depois que deixam a vida militar, como ocorre no mundo todo.

Phenom 300 da Embraer é o mais requisitado da categoria de jatos leves em 2019





A Embraer (EMBR3) atingiu um novo marco com o seu jato Phenom 300 e Phenom 300E em 2019, que se tornou o jato leve com mais entregas realizadas no período. Desde de dezembro de 2009, o jato já acumulou 530 entregas e 8 anos seguidos de conquistas semelhantes.

“O marco histórico de entregas revelado hoje reforça o sucesso desta fenomenal aeronave, que recentemente recebeu novos avanços de desempenho, conforto e tecnologia”, disse Michael Amalfitano, Presidente e CEO da Embraer Aviação Executiva. “Embora já seja o jato leve mais entregue no mundo, iniciamos o novo decênio tornando o Phenom 300E ainda melhor para atingir nosso objetivo principal que é oferecer a melhor experiência em aviação executiva aos clientes.”

Em janeiro de 2020, a Embraer anunciou avanços de desempenho, conforto e tecnologia para o Phenom 300E, que estará disponível no mercado a partir de maio de 2020. Agora, a aeronave oferece mais velocidade, o que a tornou o jato executivo single-pilot mais veloz e com maior alcance do mundo.

O Phenom 300E passa a oferecer velocidade máxima de cruzeiro de 464 nós (859 km/h) e um alcance de 2.010 milhas náuticas (3.724 km) com cinco ocupantes.

“Em termos de tecnologia, o Phenom 300E está recebendo uma atualização aviônica que incluirá um sistema de alerta e prevenção de saídas de pista (ROAAS), sendo a Embraer a primeira fabricante na Aviação Executiva a desenvolver, certificar e patentear uma tecnologia do tipo, além de proteção contra o fenômeno tesoura de vento (windshear), modo de descida de emergência, PERF, TOLD, FAA, Datacom e muitos outros sistemas”, informou a Embraer.

quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Ministério da Defesa e BNDES assinam acordo para fomentar a Base Industrial de Defesa




*Defesa TV - 20/02/2020

O Ministério da Defesa (MD) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinam, nesta quinta-feira (20), um protocolo de intenções, com o objetivo de promover estudos para apoiar o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID) com foco em suas empresas, incluindo, mas não se limitando a políticas adequadas de financiamento, ao sistema brasileiro de apoio público às exportações e ao desenvolvimento de programas de nacionalização progressiva de produtos e tecnologia de defesa.

Após a celebração do acordo, as partes terão 30 dias para concluir um plano de trabalho, com detalhes sobre o escopo e prazos das ações. Também está definido que o protocolo terá vigência de dois anos, com a possibilidade de prorrogação até 60 meses.

O Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (SEPROD/MD), Marcos Degaut, explica que o protocolo faz parte do planejamento estratégico da Secretaria e tem potencial para viabilizar ecossistema ajustado ao desenvolvimento e sustentabilidade da BID, especialmente no que se refere ao aumento de sua competitividade regional e global, da sua capacidade de geração de empregos, renda, royalties, receitas diversas, exportações e divisas.

Ele também destaca que “este protocolo permitirá desenhar, de maneira inédita, uma política de fomento às exportações da BID, a qual colocará todos os atores relevantes intervenientes no processo de produção, exportação e financiamento de Produtos de Defesa dentro de uma mesma moldura estratégica, o que tornará as empresas mais competitivas nos mercados externos”.

*Via Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Defesa

quarta-feira, fevereiro 19, 2020

Número de armas nas mãos de caçadores, colecionadores e atiradores esportivos cresce sob Bolsonaro





*BBC News Brasil - 19/02/2020

A quantidade de novos registros dessas categorias vem crescendo a cada ano e bateu recorde em 2019. O volume de armas nas mãos dos CACs também cresceu. Especialistas em segurança pública atribuem o aumento à disseminação de uma cultura de armas, facilitada por comunidades online, e às várias mudanças na legislação.

Em 2019, a sigla CACs, até então mais usada por pessoas que se interessam por armas de fogo, começou a fazer parte do vocabulário popular.

Decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro mudaram regras de acesso a armas e munições para, nas palavras do presidente, "facilitar a vida" de colecionadores, atiradores esportivos e caçadores — representados pela sigla.

O interesse da população em entrar para esse grupo já vinha se mostrando nos dados públicos há anos, e atingiu o ápice em 2019. O número de pessoas registradas como CACs cresceu consideravelmente depois das mudanças na legislação, e o volume de armas nas mãos dos CACs, também, segundo dados do Exército obtidos pelo Instituto Sou da Paz, organização que pesquisa e propõe políticas públicas sobre segurança.

A quantidade de registros ativos de CACs fechou 2019 em 396.955, aumento de 50% em relação a 2018. A maior parte dos CACs é composta por atiradores (200.178), seguidos por colecionadores (114.210) e caçadores (82.567).

Novos registros de CACs aumentam anualmente desde pelo menos 2014. Entre 2014 e 2018, esse aumento foi de 879%, de 8.988 para 87.986. De 2018 para 2019, o crescimento foi de 68%.

Grande parte está nos Estados de São Paulo (93.678 registros ativos), Paraná e Santa Catarina (57.265) e Rio Grande do Sul (55.741). Em seguida vêm Goiás, Distrito Federal, Tocantins e parte do Mato Grosso (32.665). Também é nesses Estados que está concentrado o maior número de clubes de tiro e lojas de arma de fogo.

O volume de armas nas mãos dos CACs também cresceu 24%, o maior aumento percentual desde pelo menos 2015, fechando 2019 em 433.246 armas, um crescimento de 91% desde 2014.

Especialistas em segurança pública atribuem o aumento à disseminação de uma cultura de armas, facilitada por comunidades online, e às várias mudanças na legislação que deram aos CACs acesso a mais armas e munições.

Eles veem com preocupação tanto as mudanças na lei quanto o aumento da procura e do volume de armas nas mãos dessa categoria. Apontam que a legislação abriu brecha para o porte de arma, ou seja, o uso no cotidiano, sem que o usuário receba um treinamento adequado para isso.

Dizem também que há sinais de que procedimentos de fiscalização não acompanharam o aumento do número de CACs e de armas nas mãos desse grupo. Finalmente, alertam que haver mais armas em circulação representa ameaça para a população.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Exército foram procurados para responder às avaliações, mas não haviam se pronunciado até a publicação deste texto.

O que mudou na lei?
Antes de assinar um decreto sobre mudanças para os CACs, Bolsonaro disse, em transmissão ao vivo feita em abril em rede social, que elas "facilitariam e muito a vida" da categoria.

Depois de muito vaivém, com decretos publicados, revogados e substituídos por outros, estas são as principais mudanças que estão valendo, de acordo com levantamento do Sou da Paz:

Por que aumentou a procura?
A maior parte dos brasileiros (66%) acham que a posse de armas deve ser proibida, segundo pesquisa Datafolha feita em julho de 2019; 31% acham que a posse de armas deve ser um direito e uma parcela de 2% não opinou.

Ao mesmo tempo, o número de registros de posse vem crescendo há anos e também o número de armas vendidas no mercado legal. Essa tendência de aumento no interesse também se mostra em dados de CACs.

Perguntado sobre os possíveis motivos dessa busca da população por registros de CAC, o presidente da Associação CAC Brasil, Marcelo Midaglia Resende, diz que "é um subterfúgio para ter a arma de fogo. Nosso trabalho na associação é dar orientação sobre a responsabilidade que vem com ser um CAC".

Até o início de 2019, a lei exigia que um cidadão que quisesse ter posse de uma arma — ou seja, o direito de usá-la em casa para defesa pessoal e do patrimônio — deveria provar à Polícia Federal que precisava realmente do artefato — por exemplo, por viver em uma área isolada.

Um CAC precisa provar ao Exército muitas das mesmas coisas que alguém que tem posse de arma, como ter endereço fixo, ocupação lícita, que não cometeu crimes no passado e que não é investigado ou responde a processos criminais, além de demonstrar capacidade técnica e psicológica, mas não é preciso provar a necessidade de ter uma arma.

A facilitação da posse de armas trazida pelos decretos do governo não deveria, então, neutralizar a procura por CACs? Na opinião de especialistas e do presidente da Associação CAC Brasil, o aumento dos CACs reflete também o desejo de porte de arma, ou seja, de poder transportá-la para fora de casa e circular com o artefato em locais públicos.

"Hoje existe uma cultura mais forte de arma. A pessoa compra uma arma e quer poder usá-la, não só deixar guardada. Quer praticar o tiro esportivo. Mas outros também querem ter porte, embora a gente tente deixar muito claro que o CAC não tem porte, tem apenas porte de trânsito", diz Resende.

"Não é possível dizer com certeza por que aumentou a procura. No entanto, é verdade que começaram a surgir grupos e fóruns que divulgam o que é correto por lei, que é o caminho para tirar uma licença de CAC, mas também a informação de que é mais fácil obter arma por meio do registro CAC do que pela Polícia Federal. Há despachantes nesses fóruns que dizem explicitamente, 'se você quer ter porte de arma, se registre como atirador'. Essas práticas não são baratas. Portanto, essa explosão faz a gente suspeitar que essas pessoas não estão praticando tiro esportivo, participando de competições ou colecionando armas de valor histórico", diz Natalia Polachi, do Sou da Paz.

"Hoje, o cidadão consegue a posse mais facilmente, mas o porte, não. Porte exige prova de que a pessoa vive sob ameaça, exige uma situação mais grave", diz Polachi.

Por que o aumento de CACs pode ser um problema?
Um dos grandes problemas apontados por especialistas é que o impacto da maior circulação de armas no mercado legal pode se refletir, também, no mercado clandestino.

"O arsenal de armas e munições autorizado para CACs preocupa sobremaneira porque as munições vendidas a particulares no Brasil não são marcadas, o que impede rastrear o destino que recebem após a aquisição. Permitir que atiradores tenham 60 armas para praticar o esporte e que colecionadores tenham até 5 armas do mesmo modelo ignora o grave problema de desvio de armas de fogo e munições no país", diz o Sou da Paz, em nota divulgada em novembro.

Segundo Polachi, há indícios de que a fiscalização não tem sido suficiente. A pesquisadora diz que não é possível afirmar se há mais desvios agora porque o banco de dados onde ficam registrados os CACs, que é do Exército, não está disponível para as polícias estaduais, então, quando um policial apreende uma arma, não vai conseguir consultar a origem dela se a origem for um CAC. "Essas armas só são rastreadas em casos muito específicos."

Ivan Marques, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que"o impacto vem também do aumento de armas em circulação na sociedade brasileira". "A sociedade fica inundada com novas armas de fogo. Há uma ligação do mercado legal com o ilegal por meio de roubos, esquemas com clubes de tiro e colecionadores mal intencionados. Um aumento no mercado legal acaba elevando o número de armas em circulação no mercado ilegal também. Pesquisas mostram que quanto mais armas, mais fácil é para criminosos obterem armas também."

A questão do porte de trânsito também é vista com preocupação. Um decreto do governo de Michel Temer permitiu que atiradores levassem uma arma municiada consigo no caminho de casa para o local de prática de tiro.

Com os decretos de 2019, isso passou a valer também para caçadores e colecionadores. Especialistas dizem que isso cria problemas para a fiscalização, pois é difícil avaliar se o dono da arma está de fato indo a um local de treino.

"Do ponto de vista formal, não é porte, mas do ponto de vista prático, é", diz Marques. "A legislação virtualmente garante o porte para o CAC sem que ele faça o treinamento necessário para isso. E aí os acidentes acontecem", diz ele.

O Sou da Paz avalia, em nota pública, que "o preparo técnico em stands ou na mata em nada se compara ao preparo necessário para atuar em situações cotidianas dinâmicas e em meio a multidões".

Resende, da Associação CAC Brasil, diz que a lei confunde os usuários e abre brechas para ilegalidade. "As pessoas muitas vezes querem vir para a categoria para achar que têm porte de arma. O que acaba acontecendo? A pessoa pega a arma, começa a transitar para cima e para baixo. Aí é parada pela polícia e, se não estiver indo para o clube de tiro, pode perder o registro, mas também não tem uma condenação, porque a lei é pouco clara", diz Marcelo.

Para Marques, as mudanças na lei dificultam a tomada de decisão de agentes de segurança que deparam com uma pessoa com registro de CAC, mas que esteja usando sua arma fora do trajeto de sua casa para o local de prática.

O aumento do número de clubes de tiro também preocupa os especialistas. Uma investigação da Polícia Federal que teve início em fevereiro de 2019 expôs indícios de falsidade ideológica na emissão feita por instrutores de tiro de laudos de capacidade técnica.

Os instrutores credenciados são responsáveis pela emissão de laudos que atestam a capacidade técnica dos que requerem registro e de porte de arma de fogo para defesa pessoal junto à Polícia Federal e também dos que pretendem obter o Certificado de Registro (CR) como atiradores esportivos junto ao Exército Brasileiro.

Para conseguir os laudos, pessoas que buscavam comprar ou portar arma de fogo pagavam valores diferentes dos que costumam ser praticados no setor.

Em janeiro, a corporação deflagrou uma operação para fiscalizar instrutores credenciados pela Polícia Federal em São Paulo. Os agentes encontraram irregularidades em ao menos dez locais — por exemplo, autorizações em branco já assinadas por instrutores.

"O aumento do número de clubes abre brechas para fraudes, para atiradores que só querem andar armados", diz Marques.

Saiba mais:

 


Fuzil T4 da Taurus pode ter outro comprador internacional


*LRCA Consulting - 19/02/2020

Questionada sobre seu recente comunicado onde afirma que a procura pelo Fuzil T4 "superou todas as previsões de vendas", a Taurus respondeu que: "tivemos aumento na demanda em outros mercados no exterior, isso é o reflexo de nossa política de expansão de vendas  para conquistar novos mercados no exterior, além dos Estados Unidos. Essa nova demanda, está em linha com o que havíamos divulgado em nosso Press Release do 3T19".

Sobre novas vendas ao exterior, a única informação constante no Press Release do 3T19 é: "Também merecem destaque as vendas realizadas para países do continente Africano e da América Central".

Ou seja, é de se esperar que, em breve, a Taurus divulgue a venda de Fuzis T4 para outros mercados, possivelmente para países do continente Africano ou da América Central.

Uma das possibilidades é Honduras, para onde a empresa fez uma boa venda de pistolas em 2019 e prosseguiu em contatos comerciais ao longo do ano.


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