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quinta-feira, junho 30, 2022

Embraer oferece KC-390 à Força Aérea Egípcia em acordo de transferência de tecnologia


*defensa.com, por Alex Ribero - 16/06/2022 e LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

A empresa brasileira Embraer apresentou uma oferta à Força Aérea Egípcia para a aeronave de transporte militar KC-390 em um acordo que incluiria transferência de tecnologia e que, se bem sucedido, derrubaria a compra de 12 aeronaves C-130J-30 Hercules da Estados Unidos, que foi aprovado em janeiro pelo Departamento de Estado daquele país.

A Embraer apresentou sua oferta após a assinatura de acordos de cooperação e transferência de tecnologia militar entre Brasil e Egito. O KC-390, além de competitivo em custo, possui maior capacidade de carga útil, 26 toneladas, em comparação às 20 toneladas do Hércules. Ele pode realizar operações de reabastecimento aéreo e transportar 34 toneladas de combustível, além de decolar e pousar em pistas curtas e despreparadas.

Uma delegação das indústrias de defesa brasileiras viajou em maio passado para vários países árabes, incluindo Egito e Marrocos, a bordo de um KC-390, para discutir as possibilidades de acordos militares.

O Marrocos também sofre com a obsolescência da frota Hércules operada pela sua Força Aérea, e está de olho, à semelhança da Tunísia, Argélia e Egipto, no Super Hércules para se tornar o 4º país do Norte de África a renovar a sua frota com a última versão do C-130, aeronave com longa história na região.

A Embraer deve apostar bem nesse movimento, com facilidades financeiras e questões relacionadas ao offset, para tornar sua proposta uma oferta suficientemente atrativa em relação à da gigante norte-americana Lockheed Martin.
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Interesse egípcio em produtos da Indústria de Defesa do Brasil?

*LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

De acordo com o portal Tactical Report, em publicação de 27 de junho, o Egito estaria interessado em adquirir o Sistema de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área (Astros 2020), fabricado pela empresa brasileira de defesa Avibras. O Ministério da Produção Militar do Egito (MoMP) estaria considerando assinar o contrato do acordo, juntamente com a transferência de tecnologias (ToT) e acordos de co-produção.

A mesma fonte publicou, em 02 de junho, que o Egito estaria próximo de adquirir mísseis AV-TM 300 junto com sua plataforma de lançamento, o sistema Avibras Astros II MK6, observando ainda que este acordo faria parte de uma série mais ampla de acordos que foram recentemente assinados entre o Egito e empresas de defesa brasileiras.

Já no dia 08 de junho, o Tactical Report publicou que Egito estaria atualmente em negociações com o Brasil para a aquisição do radar de defesa aérea Embraer SABER, sem especificar o modelo (a foto publicada foi a do M60). Negociações seriam muito promissoras e estariam progredindo.

No dia 24 de maio, o portal divulgou que o Egito teria assinado um contrato de licença com a multinacional brasileira Taurus Armas para o estabelecimento de uma filial no país para produção de armamento leve. Consultada, a empresa brasileira negou a afirmação.

Mais armas legais reduziram a criminalidade no Brasil

Os homicídios caíram 34% depois que Bolsonaro tornou as licenças de armas de fogo mais fáceis e baratas.


*Wall Street Journal, por John R. Lott Jr. - 26/06/2022

“Vidas estão em jogo”, disse o presidente Biden depois que a Suprema Corte considerou inconstitucional o regime restritivo de permissão de armas do estado de Nova York na semana passada. A governadora Kathy Hochul alertou: “Isso pode colocar milhões de nova-iorquinos em perigo”. A experiência do Brasil sugere o contrário.

Em 2018, um ano antes de Jair Bolsonaro se tornar presidente, o Brasil tinha uma das maiores taxas de homicídios entre os países desenvolvidos: 27,8 por 100.000 pessoas, comparado com 5 por 100.000 nos EUA. A solução de Bolsonaro: “Dê armas para pessoas boas. Deixe as pessoas terem armas para que tenham a chance de se defender.”

No Brasil, armas de fogo do mercado negro estão amplamente disponíveis para criminosos, e 70% dos assassinatos em 2019 envolveram armas de fogo. Quando Bolsonaro assumiu o cargo, havia cerca de 330.000 proprietários de armas de fogo licenciados no Brasil. Na época, de acordo com a BBC , “apenas grupos estritamente definidos de pessoas, incluindo policiais e oficiais de segurança, podem obter uma licença de porte de arma”. Em 2019, quando as muitas mudanças de Bolsonaro começaram a entrar em vigor, o Brasil adicionou mais de 400.000 proprietários de armas de fogo licenciados.

Durante sua campanha presidencial, os críticos disseram que ele estava perigosamente errado. Um redator da Bloomberg Opinion zombou : “É difícil comprar as propostas atuais defendidas por lobistas de armas e alguns políticos que visam tornar o Brasil mais seguro afrouxando os controles”. O New York Times escreveu em uma notícia que suas propostas estavam “preocupando alguns especialistas que argumentam que mais armas alimentam mais violência”.

As leis brasileiras anteriores a 2019 pareciam a lista de desejos dos defensores americanos do controle de armas. Possuir uma arma sem licença acarretava uma sentença de quatro anos de prisão. Em comparação, quase nenhum estado nos EUA exige uma licença para possuir uma arma, e 25 estados não exigem uma licença para portar uma arma.

No Brasil, os aspirantes a proprietários de armas precisam ter pelo menos 25 anos, passar por triagem psicológica e de aptidão técnica, apresentar comprovante de emprego e explicar por que desejam uma arma de fogo. O Sr. Bolsonaro eliminou os requisitos de triagem psicológica e outros.

Em novembro de 2021, Bolsonaro fez 32 mudanças para facilitar as leis de armas do Brasil. Os brasileiros foram autorizados a possuir armas cada vez mais poderosas – até seis armas e até .50, o mesmo calibre máximo dos EUA.

Antes de Bolsonaro, os brasileiros tinham que pagar US$ 260 por uma nova licença de arma e US$ 25 a cada três anos para renová-la. Isso colocou a posse legal de armas fora do alcance dos pobres. A taxa de licença inicial caiu para cerca de US$ 18,50 e as licenças são válidas por 10 anos.

Em vez de aumentar, a criminalidade declinou acentuadamente no Brasil. Em três anos sob o governo de Bolsonaro, a taxa de homicídios caiu 34%, para 18,5 por 100.000.

A mídia e os defensores do controle de armas estavam errados sobre o Brasil. O Sr. Biden e a Sra. Hochul devem tomar nota.

*O Sr. Lott é presidente do Crime Prevention Research Center e autor de “More Guns, Less Crime”.

Embraer e Pratt & Whitney completam teste de voo 100% SAF com motor GTF em um jato E195-E2


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

Embraer e Pratt & Whitney realizaram o teste bem-sucedido com motores GTF na aeronave E195-E2 utilizando 100% de combustível sustentável de aviação (da sigla SAF em inglês, sustainable aviation fuel). O teste, realizado com um motor utilizando 100% de SAF, comprovou que os motores GTF e a família de E-Jets E2 podem voar com ambos os motores com blends de até 100% SAF, sem comprometer a segurança ou a performance. A aeronave completou dois dias de testes em solo no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, resultando em 70 minutos de testes de voo no Aeroporto Regional de Vero Beach, na Flórida.

“O E2 já é a aeronave de corredor único mais eficiente atualmente no mercado, que economiza até 25% de emissões de CO2 quando comparado com as gerações anteriores da aeronave. A redução das emissões pode chegar a 85% ao utilizar 100% de SAF. A substituição de aeronaves antigas por produtos de nova geração e a utilização de SAF na produção são as duas ações mais efetivas na aviação comercial para alcançar uma redução significativa das emissões”, afirmou Rodrigo Silva e Souza, Vice-Presidente de Estratégia e Sustentabilidade da Embraer Aviação Comercial. “Embraer e Pratt & Whitney na vanguarda da indústria com produtos que são mais eficientes para nossos clientes e mais sustentáveis para a nossa sociedade. Esse teste demonstra que o E2 está pronto para a certificação e operação 100% SAF uma vez que a indústria finalizar a padronização dos combustíveis.”

No momento, os motores Pratt & Whitney e as aeronaves Embraer estão certificadas para operar com uma mistura de até 50% de SAF adicionado ao querosene Jet A/A1, de acordo com as determinações da ASTM International. Especificações futuras permitirão misturas de até 100% de SAF para maximizar o potencial na redução das emissões do uso de combustível derivado de matérias-primas sustentáveis e não fósseis.


“O SAF é uma parte essencial da nossa rota de sustentabilidade e continuamos trabalhando com parceiros e órgãos reguladores da indústria para apoiar o desenvolvimento de um padrão 100% SAF”, afirma Graham Webb, Diretor de Sustentabilidade na Pratt & Whitney. “Este teste comprova que os motores GTF podem operar com qualquer combustível e que a família de jatos E2 está pronta para a certificação 100% SAF assim que a indústria finalizar os padrões para SAF puro.”  

O SAF usado pela Embraer e pela Pratt & Whitney foi 100% SPK de ésteres e ácidos graxos hidroprocessados (HEFA-SPK), adquirido da World Energy. HEFA-SPK é um tipo específico de matéria-prima renovável hidrotratada usada na aviação e é considerada uma das principais alternativas de substituição do combustível convencional para aviação pela Commercial Aviation Alternative Fuels Initiative (CAAFI), devido à sustentabilidade de sua matéria-prima.

O motor Pratt & Whitney GTF™ é o único sistema de propulsão com caixa de redução que oferece os melhores benefícios de sustentabilidade do setor e custos operacionais extremamente competitivos. As aeronaves Embraer E195-E2 que utilizam motores GTF representam a combinação mais ecológica de fuselagem e motor, oferecendo o menor nível de ruído e emissões. 

Secretário Marcos Degaut fala sobre a importância da Base Industrial de Defesa para o Brasil


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

No dia 25 último, o programa “Por Dentro da Defesa” recebeu o Secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, para abordar os Projetos Estratégicos do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, bem como as ações em conjunto com a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

Em sua entrevista, o Secretário esclareceu como o investimento no setor de Defesa é benéfico em diferentes níveis para nosso país, seja para uma integridade e soberania no campo, ou para o crescimento econômico, já que um grande retorno financeiro é feito através do investimento de tecnologias que beneficiam não apenas o setor de defesa, mas a população no geral.

“Por Dentro da Defesa” é um programa que traz personalidades militares e civis para debates em diversos segmentos de Defesa. A proposta é aproximar e fortalecer a integração civil e militar, por meio de comunicação direta, acessível e transparente, além de promover a troca de conhecimentos por parte de especialistas da área.



https://www.youtube.com/watch?v=OmtZXfDlwBY

quarta-feira, junho 29, 2022

No RS, Taurus totaliza venda de 5.252 pistolas TS9 e 168 fuzis T4 para a SUSEPE

 


*LRCA Defense Consulting - 29/06/2022

A Taurus Armas totalizou, neste trimestre, a entrega de 5.252 pistolas TS9 e 168 fuzis T4 para a Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo (SJSPS) e para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE) do Rio Grande do Sul.

Na última sexta-feira (24), o governo do Estado, por meio da SJSPS e da SUSEPE, começou a entrega de armamentos para os agentes penitenciários. Os primeiros contemplados com os novos armamentos (Pistola cal. 9mm em cautela individual) foram os servidores lotados no Órgão Central, em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Posteriormente, elas serão entregues para os servidores das demais regiões, conforme cronograma e aviso prévio.

Primeiros contemplados foram os servidores lotados no Órgão Central, em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Foto: Imprensa Susepe

Para o secretário de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo, Mauro Hauschild, a entrega é de grande importância para a garantia da segurança individual dos servidores. Ele aproveitou a ação, também, para salientar que os equipamentos trazem benefícios para a sociedade como um todo. “Uma equipe melhor equipada, melhor treinada e melhor preparada garante também segurança pública e eficiência no serviço que ela presta”, acrescentou.

O superintendente da SUSEPE, José Giovani Rodrigues de Souza, destacou que as entregas também garantem o reconhecimento ao servidor penitenciário, qualificando-o e capacitando-o. “Equipar os agentes é essencial para que nós consigamos trabalhar com maior eficiência na segurança das unidades prisionais, garantindo o auxílio à sociedade”, afirmou. O responsável pela Seção de Material Bélico do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), Jeferson Pavanelo, demonstrou a sua satisfação com o trabalho. “Estamos muito felizes por essa evolução na nossa instituição”, disse.

Os 168 fuzis T4 foram distribuídos por todo sistema prisional gaúcho, bem como aos Grupos de Intervenção Regional da SUSEPE.

Visita à Taurus Armas em 28/09/2021

A aquisição foi concretizada após uma visita técnica às instalações da fábrica da Taurus, em São Leopoldo (RS), realizada em setembro pelo titular da SJSPS, Mauro Hauschild, e da SUSEPE, José Giovani Rodrigues de Souza. Fizeram parte da comitiva visitante o secretário adjunto, Cel PM Egon Kvietinski, o diretor do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), Vagner Cogo, o responsável pelo setor de material bélico da SUSEPE, Jeferson Pavanelo, e os assessores de assuntos institucionais da SJSPS, Jonathan Silva e César Kurtz. Essa comitiva, representando o alto escalão administrativo e técnico das duas instituições, realizou uma visita técnica guiada nas dependências da fábrica, onde pode conhecer e acompanhar o desenvolvimento das peças e componentes das armas, bem como os novos armamentos produzidos pela empresa, conferindo in loco o elevado sistema de qualidade da empresa e alta tecnologia de seus produtos.

Confiança do Estado do RS nos produtos Taurus
Por meio de diversas e significativas aquisições iniciadas em 2021, o Governo do RS está dotando todo o efetivo da Brigada Militar (PMRS), do Corpo de Bombeiros Militar e da SUSEPE com pistolas TS9 e fuzis T4, refletindo a grande credibilidade da empresa junto aos órgãos de segurança do Estado e o compromisso da Taurus com a qualidade, confiabilidade, segurança e resistência de seus produtos, além de todos os benefícios e suporte que oferece no pré e pós-venda. 

O contrato estabelecido com a empresa prevê, além da aquisição de armas, treinamento para armeiros e suporte da equipe de assistência técnica da empresa.



Pistola TS9 e fuzil T4 - duas armas ímpares para as forças de segurança

A pistola TS9 é reconhecida internacionalmente como uma arma que possui inovação, confiabilidade, segurança, robustez e precisão. Fabricada sob rígido protocolo militar, seu projeto exclusivo foi desenvolvido atendendo aos mais rigorosos padrões internacionais de qualidade e segurança.

O fuzil T4, assim como os demais produtos da linha TSeries desenvolvidos nos últimos anos, embute inovação, alta qualidade, flexibilidade para o uso de acessórios e facilidade de manejo, além de ser também fabricado sob rigoroso protocolo militar, o que torna a arma muito mais robusta, resistente e confiável.

Além de serem duas armas escolhidas por muitas instituições nacionais, estaduais e municipais da área de Segurança para dotar seus efetivos, o fuzil T4 e a pistola TS9 são também exportados para organizações policiais e militares de diversos países, sendo adquiridos após participarem de renhidas licitações internacionais onde competiram com armas produzidas pelos grandes fabricantes mundiais, sobrepujando-as. 

Logística de pré e pós-venda: o grande diferencial da Taurus e da CBC
Além do alto padrão de qualidade que caracteriza o moderno armamento da Taurus e da CBC, a opção por armas dessas empresas embute uma completa logística de pós-venda, haja vista que não adianta adquirir um produto se a empresa vendedora não puder, com oportunidade, oferecer suporte, manutenção e assistência técnica na própria região onde as armas estarão em serviço.

Diferentemente do que acontece com empresas que apenas exportam para o Brasil ou somente têm escritório no País, a Taurus e a CBC investem pesadamente na qualificação dos armeiros das entidades de segurança pública e privada, bem como no treinamento técnico de sua equipe de representantes, que está capilarizada por todo o país, o que lhes permite resolver rápida e oportunamente os eventuais problemas que surjam.

Com a conclusão da 2ª edição do Programa Instrutores de Armamento e Tiro, por exemplo, a logística de pré e pós-venda das duas empresas foi reforçada recentemente com mais 100 Instrutores de Armamento e Tiro altamente especializados, que terão como compromisso a disseminação de conhecimentos técnicos sobre os produtos das duas marcas e a realização de treinamentos, eventos e demonstrações, entre outras atividades. Atuando como Embaixadores Taurus & CBC, os Instrutores poderão também melhor orientar os consumidores brasileiros nas eventuais decisões de aquisição de uma ou mais armas.

Além disso, o grupo oferece ao consumidor uma ampla e ágil rede de distribuidores, pontos de venda e assistência técnica treinada em todo o território nacional, além de uma equipe de instrutores credenciados e peças de reposição rapidamente acessíveis.

Marinha apresenta projeto de veículo não tripulado


*Agência Marinha de Notícias, via ABIMDE - 28/06/2022

O Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), da Marinha do Brasil (MB), desenvolve diversas atividades na área científico-tecnológica. Entre elas está o Projeto VSNT-E (Veículo de Superfície Não Tripulado – Experimental), que consiste no incremento e no monitoramento das fiscalizações na Amazônia Azul, além de contribuir com pesquisas desenvolvidas nas principais universidades do Brasil.

A tecnologia de veículos não tripulados, sejam aéreos, de superfície ou submarinos está cada vez mais presente nas atividades que envolvem risco, repetição ou ambientes adversos de operação. Isso não se resume apenas a atividades voltadas para a área de defesa, mas também a setores civis como a indústria offshore, transporte e logística de bens, localização de objetos no fundo do mar e levantamentos batimétricos.

Nesse contexto, a MB realizou, em 2021, a conversão da lancha URCA-III em um VSNT-E (foto). A iniciativa levou em consideração dois fatores principais: o crescimento exponencial e a nível mundial do surgimento de novos Sistemas Marítimos Não-Tripulados (SMNT) e a disponibilidade de uma moderna embarcação de pesquisas, a URCA-III.

Com o veículo de superfície experimental, a Marinha estimula o desenvolvimento tecnológico no segmento de sistemas não tripulados com elevada relação custo-benefício, conforme explica o Encarregado na Divisão de Modelagem e Simulação do CASNAV, Capitão de Mar e Guerra Cláudio Coreixas de Moraes. “Suas principais vantagens são, primeiramente, a não exposição da vida de operadores a riscos inerentes a determinadas regiões de operação, como por exemplo, em operações de varredura de minas. Outra vantagem é reduzir custo da operação e a complexidade da logística atrelada. Por último, expandir a capacidade de sensores para aplicação no SisGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul)”.

Após a instalação de uma série de sistemas eletrônicos, a embarcação encontra-se apta à operação remota. A tecnologia foi apresentada para universidades e diversas outras Organizações Militares que já demonstraram interesses operacionais no projeto, conforme destaca o Capitão de Mar e Guerra Coreixas. “Como exemplos, a Diretoria de Hidrografia e Navegação poderá viabilizar levantamentos hidrográficos empregando veículos não tripulados e a Esquadra poderá empregar a tecnologia para realizar exercícios operativos. Esses são só alguns exemplos das potencialidades desse novo sistema”.

Além do emprego militar, há o interesse de universidades parceiras como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade de São Paulo (USP). Para o professor da UFF Esteban Walter Gonzalez Clua, a participação da Marinha, em projetos de veículos autômatos e marítimos, é de extrema importância. “Em primeiro lugar, a Marinha conhece, mais do que ninguém, todos os procedimentos de navegabilidade, principalmente na região muito movimentada como a Baía de Guanabara. Em segundo, a Marinha tem acesso a uma quantidade enorme de informações estratégicas que para a navegação se tornam fundamentais. E por fim, a Marinha traz consigo uma série de demandas importantes, nas quais esses veículos podem ser usados e aplicados, principalmente aqui na universidade”, destacou.

Já para o Coordenador Executivo do LabOceano da UFRJ, Paulo de Tarso Themistocles Esperança, a cooperação entre Universidades e Centros de Pesquisa da Marinha também é fator fundamental para o desenvolvimento de tecnologia autônoma, em especial na área de Veículos Não Tripulados, usualmente cercada por rígidos protocolos de confidencialidade. “Existem diversas pesquisas em nível de mestrado e doutorado nos cursos da COPPE/UFRJ sendo desenvolvidas por oficiais da Marinha do Brasil. Dentre estas, posso citar especificamente a pesquisa de Doutorado que se encontra em sua fase final, que busca avaliar a influência dos efeitos de superfície livre na manobrabilidade de embarcações submersas”, ressaltou o professor.

Nesse contexto, o Centro Tecnológico da Marinha, no Rio de Janeiro, abriu a possibilidade de que pesquisas aplicadas de pós-graduação, geridas por centros de excelência, possam ser realizadas no VSNT-E. Com tantas demandas, o VSNT-E já foi empregado este ano em operações da Esquadra, como  “Aspirantex” e “Poseidon”, e prossegue em estudo pelo CASNAV e pelo Instituto de Pesquisas da Marinha, podendo em breve ser expandido.


 

Registro de armas pessoais dispara quase 500% sob governo Bolsonaro


*Diário de Pernambuco - 28/06/2022

O número de cidadãos registrados para possuir armas no Brasil cresceu 474% entre 2018 e 2022, período em que o governo de Jair Bolsonaro flexibilizou as regras e fomentou o acesso às armas, segundo dados divulgados por uma ONG nesta terça-feira (28).

Em 2018, ano da eleição de Bolsonaro, havia 117.467 pessoas registradas como CACs (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), um número que saltou para 673.818 em junho de 2022, segundo dados do Exército Brasileiro reunidos pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), um aumento de 474%.

"Houve um crescimento muito grande no número de armas de fogo em circulação no país a partir do governo Bolsonaro", disse à AFP o pesquisador Renato Sérgio de Lima, presidente do FBSP.

A ONG calcula que existem cerca de 4,4 milhões de armas em mãos de particulares no Brasil, com base nos dados do Exército e da Polícia Federal, órgãos que avaliam e autorizam o uso de armas para civis.

Além das armas dos CACs, esse número inclui outras categorias autorizadas a solicitar um registro, como determinados funcionários públicos e empresários, e as armas de uso particular de membros da polícia, das Forças Armadas e outros agentes de segurança fora de seu serviço.

"O problema é que cerca de um terço delas [1,5 milhão] estão em situação irregular, com registro vencido", advertiu Lima.

Isso não permite saber se as armas continuam com seus proprietários legais ou se foram desviadas para o crime, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ex-capitão do Exército, Bolsonaro é favorável ao armamento da população e, vez ou outra, repete que "um povo armado jamais será escravizado".

Desde que chegou ao poder em 2019, o presidente flexibilizou através de decretos os requisitos de acesso às armas, assim como o número permitido de artefatos e munições por pessoa.

Algumas dessas mudanças estão sendo questionadas na Justiça.

Homicídios em queda
Em seu Anuário de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira, o FBSP informou que o Brasil registrou um total de 47.503 homicídios em 2021, uma redução de 6,5% em relação a 2020.

"Mas essa boa notícia esconde uma realidade extremamente perversa: o Brasil respondeu por uma de cada cinco mortes violentas intencionais no planeta em 2020, segundo dados da ONU", apesar de ter apenas 2,7% da população mundial, com 213 milhões de habitantes.

Enquanto os homicídios caíram em todas as demais regiões do país, na região Norte eles aumentaram em 7,9% e a Amazônia Legal concentra 13 das 30 cidades com maiores índices de assassinatos do país.

terça-feira, junho 28, 2022

Pará adquire mais 2.000 pistolas TS9 e 200 fuzis T4, agora para a Polícia Penal


*LRCA Defense Consulting - 28/06/2022

No começo deste mês, foram entregues para a Polícia Penal do Estado do Pará 2.000 pistolas semiautomáticas Taurus TS9 calibre 9mm, 1.000 espingardas CBC calibre 12 e 200 fuzis Taurus T4 calibre 5.56mm, consideradas as mais modernas disponíveis hoje no País, além de dois mil coletes e escudos balísticos coletivos e individuais. Ao todo, os investimentos do Governo do Estado, realizados por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Pará (SEAP), ultrapassam os R$ 11,5 milhões.

A aquisição foi concretizada após a direção da SEAP ter realizado, em 26 de agosto de 2021, uma visita técnica à fabrica da Taurus Armas, localizada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.  O objetivo foi avaliar os equipamentos que poderiam fazer parte do kit de armamentos voltado aos policiais penais, incluindo os que serão aprovados em concurso público.

Durante essa visita, também foram avaliados modelos específicos para os policiais penais, já que os armamentos  irão contribuir com os futuros agentes, um efetivo de cerca de dois mil novos concursados. Para este objetivo, a comitiva testou a pistola TS9 RA, com o intuito de, segundo a Taurus, torná-la "arma padrão da Instituição".

Redução da criminalidade
O governador Helder Barbalho destacou o fato de o Estado do Pará ter reduzido em 48%, de 2018 para cá, o número de homicídios registrados em seu território, além da diminuição dos índices gerais de criminalidade. “Sem dúvida, uma das decisões mais acertadas que tomamos na gestão foi a de dar protagonismo para o sistema penitenciário, investindo na criação da Secretaria, nos concursos, armamentos, equipamentos e capacitação, porque tudo isso é fundamental para garantirmos paz à população. Sabemos que muito foi feito e muito ainda há a fazer, mas não podemos deixar de festejar os avanços já alcançados”, concluiu. 

Para o titular da SEAP, Samuelson Igaki, todos os investimentos do Governo do Estado no sistema penitenciário contribuem decisivamente para a melhoria da segurança pública, não apenas dentro das unidades prisionais, mas principalmente fora das casas penais. “Hoje é um dia muito feliz para a SEAP, mas, principalmente, para a sociedade paraense, pois quem ganha com tudo isso é principalmente a população, que tem muito mais segurança por todo o Pará”,

Polícia Civil também adquiriu pistolas TS9
Em 26 de janeiro deste ano, a Taurus Armas S.A. já havia vendido 1.100 pistolas TS9 para a Polícia Civil do Estado do Pará (PCPA), havendo ainda a possibilidade de uma nova venda de mais 3.000 dessas armas, a fim de que a PCPA possa também padronizar suas pistolas, facilitando, racionalizando e dinamizando sua logística de suprimentos e manutenção.

ARES integra o sistema de armas REMAX 4 RCWS na nova Viatura Blindada Multitarefa do Exército


*LRCA Defense Consulting - 28/06/2022

A ARES Aeroespacial e Defesa, subsidiária da Elbit Systems no Brasil, marca a integração bem-sucedida do sistema de armas REMAX 4 RCWS a bordo do mais novo veículo 4x4 blindado do Exército Brasileiro, a Viatura Blindada Multitarefa Leve Sobre Rodas 4x4 (VBMT-LSR 4x4), adquirida pelo Exército Brasileiro no âmbito do Programa Guarani - nova família de blindados sobre rodas.

Isso ocorre após a entrega de 300 unidades REMAX RCWS a bordo do Guarani 6x6 do Exército Brasileiro.

O REMAX é uma estação de armas remotamente controlada giro-estabilizada para metralhadoras 12,7 mm e 7,62 mm que foi desenvolvida a partir dos requisitos do Exército Brasileiro por meio de uma parceria da ARES com o CTEx (Centro Tecnológico do Exército). Trata-se de um projeto ambicioso iniciado em 2006 com a promessa de desenvolvimento da primeira estação de armas 100% nacional.

Hoje é uma realidade no Exército Brasileiro e já equipa diversas unidades da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas (VBTP-MR) 6X6 Guarani, indo agora equipar também a nova Viatura Blindada Multitarefa Leve Sobre Rodas 4x4 (VBMT-LSR 4x4).

O REMAX 4 RCWS é mais leve e de silhueta inferior, com uma gama de melhorias de capacidade entre eles uma capacidade de munição 3 vezes maior e capacidade de rastreamento automático de alvos.



Embraer foi uma das vencedoras do Prêmio Destaque Gestão de Pessoas 2022


*LRCA Defense Consulting - 28/06/2022

A Embraer foi uma das vencedoras do Prêmio Destaque Gestão de Pessoas 2022, uma ação anual da ABTD Nacional - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, para o reconhecimento por conteúdos específicos em prol da comunidade de Recursos Humanos.

O case premiado foi o “Projeto Futuro do Trabalho”, um projeto global, gerido a partir de uma metodologia Ágil com sprints semanais e formado por mais de 50 colaboradores, representando todas as áreas da companhia.

O objetivo principal deste projeto é a implementação de modelos flexíveis de trabalho oferecendo aos colaboradores da Embraer a oportunidade de trabalhar no modelo híbrido e no modelo 100% remoto.

segunda-feira, junho 27, 2022

Taurus pode ter aumento de demanda e manter a lucratividade dos últimos anos?


*LRCA Defense Consulting - 27/06/2022

Alguns analistas têm questionado a capacidade de a Taurus Armas aumentar a demanda por seus produtos e, assim, manter a alta lucratividade que tem obtido nos últimos anos. Tais análises se baseiam na possibilidade de o Presidente Biden impor medidas restritivas às armas, na queda do número NICS (intenções de compra) nos EUA (para onde a empresa destina quase 80% de suas produtos), na performance apenas razoável de suas concorrentes americanas Smith & Wesson e Ruger, assim como também na capacidade de o restante do mercado internacional absorver uma suposta queda nos EUA.

Com relação à possibilidade de o Presidente Biden e o Partido Democrata conseguirem aprovar leis mais rígidas que restrinjam de forma significativa o direito constitucional de os americanos de bem portarem armas, a matéria publicada ontem por esta editoria esclarece o problema: "Empresas de armas, munições e esportes ao ar livre têm forte alta após decisão da Suprema Corte dos EUA".

Os demais itens serão tratados a seguir.

Performance da Taurus é superior à das concorrentes americanas
Nos Estados Unidos, a Taurus é vista como uma legítima empresa americana, já que tem fábrica no país há 40 anos, é a quarta marca de armas mais vendida e a primeira mais importada lá, com esse país absorvendo cerca de 80% das vendas atuais da unidade brasileira.

Além de continuar firme em terras americanas, onde está mantendo seu nível de vendas e performando melhor que a concorrência, a empresa teve um aumento de 80% na quantidade de armas vendidas para o resto do mundo (desconsiderando-se o Brasil e os EUA).

A nova fábrica na Georgia seguiu, no decorrer desses últimos 12 meses, o seu processo de ramp up com sucesso maior que o previsto. Com capacidade instalada original estimada em 800 mil unidades/ano, a unidade produziu 216 mil armas no 1T22, volume 23,5% superior ao apurado no 1T21, totalizando 909 mil unidades produzidas nos últimos 12 meses. O complexo industrial tem ainda de cerca de 60% de sua área disponível, com espaço para ampliação da capacidade a partir de novos investimentos.

Taurus USA

A produção de armas da unidade brasileira no 1T22 foi de 358 mil unidades, o que representou um aumento de 13,0% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior. A produção média diária no 1T22 foi de 9,0 mil armas/dia, considerando as unidades industriais do Brasil e dos EUA, volume 15,4% superior ao registrado no mesmo período do ano de 2021.

Em termos de vendas totais, foram 517 mil unidades de armas vendidas pela Taurus no 1T22, volume 3,8% superior ao registrado no 1T21. O fato é importante, pois em 2021, o mercado americano ainda estava sob o efeito da alta demanda "fora da curva".

Além de ter o menor custo de produção do mundo e um dos mais eficientes sistemas de vendas e de distribuição, a Taurus está apresentando uma performance superior às suas principais concorrentes, tanto em vendas - já que passou a se constituir na maior vendedora de armas leves do mundo em 2021, como em suas margens, haja vista que sua margem EBITDA é igual ou até superior à margem bruta de muitas delas.

A multinacional gaúcha está hoje focada em manter o forte desempenho operacional que tem apresentado em seus balanços nos últimos anos. Assim, para se adequar ao perfil de mercado atual, a empresa está ampliando a produção de revólveres, arma que se constitui em um produto clássico no qual é líder de produção no mundo. Diferente do segmento de pistolas, cuja demanda aumentou muito nos últimos dois anos e agora começa a se estabilizar, o revólver conta com um mercado mais estável, especialmente nos Estados Unidos.

Por ter previsto esse movimento ainda quando o mercado americano de armas estava superaquecido, a Taurus investiu forte em novas máquinas e no treinamento/formação de recursos humanos envolvidos com o projeto chamado internamente de "Excelência Revólver", automatizando operações, racionalizando processos, diminuindo custos e otimizando seu sistema de vendas.

Tal estratégia se mostrou um grande sucesso e já está fazendo diferença nos resultados da empresa, haja vista que as margens da Linha Revólver, que eram cerca da metade das demais armas, agora estão praticamente iguais. Com isso, a companhia ganha em lucratividade.

Em 2022, além dinamizar ainda mais o esforço de vendas nos EUA e em outros países de alto potencial, o foco da empresa é realizar o lançamento de produtos que tragam ainda melhores margens, visando atingir ou reforçar nichos específicos de mercado, contando também com tecnologias de ponta, como a inserção de grafeno e, inclusive, com o chamado "revólver mais barato do mundo".

O "novo normal" do mercado americano não é tão normal assim
Nos EUA, a intenção de compras de armas medida pelo número NICS ajustado de maio deste ano foi a 3º maior da história para o mês, o que mostra que a demanda por armas de fogo é constante e sustentada, embora abaixo dos totais de pico de 2020 e 2021, anos totalmente atípicos.

O número de maio (ajustado), continuou a sequência de mais de 1 milhão de verificações de antecedentes para a venda de uma arma de fogo ao longo de 34 meses, demonstrando que os consumidores americanos continuam buscando esse produto em níveis elevados. Com essa longa sequência de meses nesse patamar, analistas americanos do setor acreditam que ele tenha passado a se constituir no "novo normal" para o mercado de armas de fogo dos EUA.

No 1T22, mesmo com o NICS variando em -23,8%, as vendas da Taurus nesse país se mantiveram praticamente no mesmo nível do 1T21. Como 2021 foi um período atípico, caracterizado por uma demanda "fora da curva", a performance do empresa no 1T22 evidenciou e caracterizou uma maior presença da marca brasileira/americana no maior mercado consumidor de armas leves, contrariando as oscilações verificadas no NICS e, também, a baixa performance de suas concorrentes locais.

Outro fator relevante a considerar foi que, em 2021, 8,5 milhões de americanos adquiriram sua primeira arma e a tendência é que estes mostrem comportamento semelhante aos demais consumidores locais, ou seja, que continuem comprando mais armas depois da primeira. Além disso, as intenções de compra de 2022 já são 26% maiores do que os dois anos pré-pandemia. Para tais consumidores, o custo mais acessível das "armas de entrada" da Taurus, como a pistola G2c e o revólver 856, são a opção mais interessante.

Armas longas
No maior mercado do mundo para armas leves (pistolas, revólveres, submetralhadoras e fuzis), as armas longas (fuzis, carabinas e rifles) representam cerca de 40% do total, tornando-se um atrativo para qualquer grande empresa mundial do setor.

Até o ano de 2020, a Taurus não manifestava a intenção de entrar nesse mercado, haja vista que produzia apenas um modelo de fuzil e este ainda não estava consolidado internacionalmente. Além disso, todas as grandes empresas americanas do setor, além de centenas de outras pequenas, fabricam uma versão do AR-15/M4.

Com o reconhecimento internacional de seus fuzis obtido nos últimos dois anos, com o desenvolvimento de várias versões do T4 (em tamanhos de cano e calibres), do recente T10 no calibre 7,62 x 51mm e de um rifle de ferrolho (bolt action), a empresa redefiniu sua estratégia e, pelo visto, partirá para o ataque nos EUA. Segundo CEO Global, Salesio Nuhs, a empresa pretende concretizar esse novo e importante passo tendo, como carros-chefes iniciais, o novo rifle de ferrolho e as carabinas lever action (ação por alavanca), sendo que estas já têm uma fatia de mercado de cerca de 4% nos EUA com as carabinas Puma.

As altas margens da empresa, devidas a um custo de produção significativamente menor, permitem que possa ser bastante agressiva, tanto em licitações para o mercado de Law Enforcement (órgãos de segurança americanos), onde ainda não está presente, como para a venda de grandes lotes ao mercado civil.

A propósito, a fábrica de armas longas merecerá uma ampliação própria, haja vista a nova estratégia nos EUA e, também, à possibilidade de vir a fornecer fuzis para o imenso mercado asiático.

Fuzil T4 .300 MLOCK

Ásia, África e Oriente Médio ampliam a diversificação geográfica das vendas
Em mais uma antecipação à normalização da demanda nos EUA (mesmo que em patamares muito mais altos ao período pré-pandemia), a multinacional brasileira continua ampliando a diversificação geográfica de suas vendas, conquistando novos mercados e passando a ter posição de proeminência em outros com grande potencial e/ou com expressivo crescimento.

Dentro dessa estratégia, a Ásia assume importância capital para a empresa, haja vista que alguns de seus países estão entre os que mais crescem no mundo. Além disso, é a região que possui o maior adensamento populacional do planeta e onde os mercados civil, militar, policial, paramilitar e de segurança privada estão entre os mais promissores, haja vista que, via de regra, dispõem de armamentos de muitas origens e, em vários casos, parcialmente obsoletos.

Com esse foco, a empresa já tem uma fábrica na Índia, que deve iniciar suas operações em 2022, contando ainda com a perspectiva paralela de vencer a licitação fast track (regime de urgência) para fornecer em torno de 94 mil fuzis T4 5.56mm ao Exército Indiano, além da possibilidade de concorrer com êxito em uma licitação maior de 350 mil fuzis T4 para essa Força Armada. Há ainda licitações menores em curso, envolvendo forças paramilitares e policiais interessadas em armamentos da Taurus.

A "vizinha" República das Filipinas é outro dos países asiáticos onde a empresa brasileira tem sucesso, já tendo vendido quase 30 mil pistolas TS9 para a Polícia Nacional e mais de 13 mil fuzis T4 para o Exército do país.

Ainda na Ásia, a empresa está direcionando seus esforços atuais de vendas para dois outros países muito promissores e que poderão anunciar novidades ainda em 2022: a  República Popular do Bangladesh (um antigo cliente) e o Nepal, também vizinhos da Índia, o que facilitaria futuros negócios.

Por outro lado, desde o final de 2021, a estratégia de exportações envolvendo a indústria de defesa brasileira passou a ter alguns novos países em foco, como Malásia, Filipinas e Indonésia, no sudeste asiático. A região vive um clima de forte tensão com a expansão militar promovida por Pequim na região marítima ao sul da China. Outro foco de interesse é o norte da África, especialmente o Egito e a Tunísia.

Em maio de 2020, a Taurus Armas realizou a venda de 1 mil fuzis modelo T4 e 200 submetralhadoras para as forças de segurança do Senegal (Gendarmerie Nationale Sénégalaise). A entidade já utilizava as pistolas Taurus e passou a contar também com o Fuzil T4 e com a submetralhadora SMT no calibre 9mm.

Em meados de 2021, o fuzil T4 calibre 5,56mm e a submetralhadora SMT9 calibre 9mm foram aprovados na dura bateria de testes a que foram submetidos pela Malaysian Royal Police (Polícia Real da Malásia). Os testes abordaram: precisão, intercambialidade, areia, lama, imersão em água, queda e funcionalidade. Segundo a Taurus, "o sucesso obtido nessa etapa abre caminho para negociações relevantes do fuzil T4 e da submetralhadora SMT9 com a força policial do país, em uma ação que está em linha com plano estratégico da companhia de expandir sua penetração na região asiática".

Em julho de 2021, a empresa vendeu 4 mil pistolas TS9 calibre 9mm para a Polícia Nacional e Força de Segurança do Líbano. A ISF possui um efetivo de mais de 40 mil policiais. A Taurus foi escolhida para o fornecimento do armamento em licitação internacional aberta, em meio a importantes concorrentes mundiais.

Em setembro de 2021, a Taurus Armas realizou uma venda de armamentos para um país da África Subsaariana, cujo nome não pode ser divulgado por questões de contrato, ampliando a atuação da companhia no mercado dessa região. A nova aquisição pela Força Policial desse país contempla 3.650 unidades do fuzil T4 calibre 5,56 e 3.500 pistolas 9mm PT 92. Em junho de 2021, a Taurus havia realizado a venda de outras 1.850 unidades do fuzil T4 calibre 5,56 e 550 unidades da pistola 9mm PT92 para as Forças Armadas deste mesmo país. Em consequência, o total de armas vendidas para esse país da África Subsaariana é de 5.500 fuzis T4 e de 4.050 pistolas PT92.

Atualmente, o fuzil Taurus T4 participa de uma licitação no Egito, para a venda de 2.000 unidades dessa arma. 

Novos lançamentos para ocupar nichos no mercado internacional
Além desse esforço em outros países para aumentar a diversificação de suas vendas, a Taurus está preparando o lançamento de uma nova gama de fuzis em vários calibres e tamanhos de cano, de uma submetralhadora compacta e de um rifle de ferrolho para ocupar importantes nichos mercadológicos mundiais, como foi o caso do fuzil T4 .300 MLOCK e como será, ainda em 2022, do fuzil T4 em 7,62x39mm, do fuzil T10 em 7,62x51mm e da carabina CTT9c Executive Grade (remove a coronha e vira uma pistola), além de uma nova e atrativa gama de revólveres em diversos modelos e/ou calibres.

É importante ressaltar que o foco da empresa, nos EUA e no resto do mundo, é o mercado de armas civis, pois é neste que obtém as melhores margens, sendo o motivo primordial de a fábrica indiana começar sua fase operacional produzindo esse tipo de armas. As licitações, como toda a venda por atacado, causam uma diminuição das margens, que é compensada, no entanto, pelos altos volumes envolvidos.

Pistola TS9 e fuzil T4

Uma equipe ímpar
A grande equipe que vem transformando a história da Taurus Armas desde 2018, sob a liderança do CEO Global Salesio Nuhs, caracteriza-se pela competência, pelo dinamismo e, principalmente, pela visão de futuro que possui, haja vista que empreendeu um verdadeiro turnaround "de livro" na empresa, levando-a de uma situação difícil à posição de maior vendedora mundial de armamento leve em 2021. E isso não seria conseguido se seus produtos não evidenciassem qualidade e tecnologia.

Servindo-se das informações coletadas e analisadas por um robusto sistema de inteligência de mercado e do Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil / Estados Unidos (CITE), o staff diretivo tem conseguido antecipar fatos e tendências, indo ao encontro dos desejos/necessidades dos clientes e realizando/executando planejamentos de curto, médio e longo prazos para se adequar às muitas variáveis do mercado e à visão de futuro da empresa.

Além de uma mentalidade de alta produtividade, tecnologia, economia de custos e primorosa qualidade, presente hoje desde o CEO até o funcionário mais simples, é de se ressaltar ainda o dinamismo das equipes de vendas nacional e internacional, trabalhando dia e noite na conquista de novos clientes e na manutenção dos atuais.

Rumo ao futuro
O sucesso crescente do fuzil T4 e da Pistola TS9 entre forças armadas e policiais mundiais - especialmente da Ásia, da África e do Oriente Médio (onde há outras boas possibilidades de vendas) - pode fazer com que a Taurus tenha que replanejar sua estratégia de produção da armas, pelo menos enquanto a ampliação na unidade brasileira e a fábrica da Índia não estiverem plenamente operacionais, haja vista que eventuais pedidos de grandes proporções terão que ter o suporte fabril necessário. Neste cenário, é possível que a empresa já possa estar estudando uma solução mais próxima, seja por meio de uma aquisição estratégica, seja pela formação de uma nova joint venture internacional.

Para concluir e responder à pergunta-título desta matéria, tomou-se por ainda base as seguintes considerações:
- o crescimento histórico do mercado americano de armas leves nos últimos 20 anos (7%, segundo a Taurus) e a tendência de seu prosseguimento para os próximos anos, mas agora em um "novo patamar normal";
- a conquista constante de um maior market share nos EUA, como tem ocorrido anualmente desde 2018;
- a visão de futuro da atual administração, que se caracteriza por antecipar movimentos do mercado e aproveitá-los a seu favor; e
- as enormes possibilidades que se abrem na Índia, principalmente, mas também no restante da Ásia e na África.

Portanto, com base nessas e nas demais considerações, esta Consultoria acredita que a produção de 15.000 armas/dia por volta de 2025 possa se tornar real e necessária, sendo viabilizada pela já planejada ampliação/modernização dos parques fabris da Taurus no Brasil, nos EUA e na Índia, concretizando assim um crescimento da demanda por seus produtos e mantendo o alto índice de lucratividade que a tem caracterizado.

Egito poderá adquirir o Sistema Astros 2020 da Avibras


*LRCA Defense Consulting - 27/06/2022

De acordo com o portal Tactical Report, o Egito estaria interessado em adquirir o Sistema de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área (Astros 2020), fabricado pela empresa brasileira de defesa Avibras.

O Ministério da Produção Militar do Egito (MoMP) estaria considerando assinar o contrato do acordo, juntamente com a transferência de tecnologias (ToT) e acordos de co-produção.

A mesma fonte publicou, em 02 de junho, que o Egito estaria próximo de adquirir mísseis AV-TM 300 junto com sua plataforma de lançamento, o sistema Avibras Astros II MK6, observando ainda que este acordo faria parte de uma série mais ampla de acordos que foram recentemente assinados entre o Egito e empresas de defesa brasileiras. 

Caso sejam concretizadas essas negociações, poderão representar um bem-vindo fôlego para a combalida Avibras, que enfrenta um difícil período de recuperação judicial devido ao grande endividamento que tem e ao encolhimento de suas vendas internacionais.

A Embraer pode conquistar a Ásia?

A fabricante regional de jatos está de olho na Índia, no Vietnã e além. Os concorrentes têm outras ideias

A Embraer realiza a montagem final de seus jatos de passageiros em um grande hangar em São José dos Campos. Até seis jatos podem ser acomodados em um hangar. (Foto cortesia da Embraer)

*NIKKEI Asia - 24/06/2022

Na ampla fábrica de montagem da fabricante brasileira de jatos Embraer, uma pequena placa japonesa está fixada em um quadro branco: "Kaizen", diz, uma palavra japonesa para melhoria contínua.

"Fazemos centenas de projetos kaizen todos os anos para aumentar a produtividade em nossos locais de produção", disse um gerente de fábrica, observando onde um E195-E2 de 146 lugares aguarda suas asas, motores e pintura. “No ano passado, conseguimos uma redução de 17% [no lead time de produção], apesar de toda a dificuldade que tivemos na cadeia de suprimentos”, disse. A empresa pretende atingir uma redução de 40% até o final de 2023.

Kaizen ficou famoso no Japão pela Toyota e outros, e o pedaço de papel preso na fábrica é emblemático de um campeão nacional brasileiro cada vez mais aberto a ideias de fora. Francisco Gomes Neto, o novo CEO da Embraer, veio da indústria automobilística. A Embraer agora tem dois cidadãos norte-americanos em seu conselho. A ampliação da perspectiva é crucial: a batalha pela participação de mercado é global e, de acordo com entrevistas com executivos daqui, será cada vez mais travada na Ásia.

A Embraer prevê que sua produção de jatos de passageiros aumentará para 60-70 aeronaves este ano e, eventualmente, voltará ao nível anterior de 100-110, após dois anos prejudicado pela pandemia. Mas atingir o objetivo pode não ser tão simples. A empresa agora enfrenta a concorrência da Airbus por jatos maiores e da estatal Commercial Aircraft Corp. of China (COMAC) para os menores – enquanto a japonesa Mitsubishi Heavy Industries, que adquiriu o negócio de jatos regionais da canadense Bombardier em 2020, está pressionando seus clientes usar suas frotas existentes pelo maior tempo possível em vez de comprar da Embraer.

Gomes Neto está realizando um verdadeiro turnaround na Embraer
"O mercado é muito competitivo", reconheceu Gomes Neto em entrevista. Ele diz que a Embraer está buscando redução de custos e expansão para novos mercados para sua divisão de aviação comercial. "Esse segmento é extremamente importante para nós. A aviação comercial era e será o maior negócio da nossa organização. Acreditamos que temos potencial para dobrar o tamanho da empresa em cinco anos."

Os pequenos jatos de passageiros são um nicho distinto do mercado de grandes jatos que há muito é dominado pela Boeing e Airbus. Os chamados jatos regionais, com 100 assentos ou menos, são um nicho dentro de um nicho, utilizado pelas companhias aéreas para conectar cidades menores aos grandes aeroportos. É um negócio pequeno, mas estável, que os players existentes, como a Embraer e a antiga Bombardier, agora chamada MHI RJ sob a Mitsubishi Heavy Industries, estão tentando manter contra novos participantes como a COMAC. Permanecer magro é fundamental.

“Antes da COVID, a Embraer produzia de 100 a 110 aeronaves comerciais por ano e costumava perder dinheiro”, disse Victor Mizusaki, analista do Bradesco BBI, banco de investimento brasileiro. "Agora falamos de 45-50 aeronaves por ano e eles estão ganhando dinheiro. Eles são muito mais eficientes em termos de custo."

Sob Gomes Neto, CEO desde 2019, a Embraer reduziu sua força de trabalho em quase 3.000 funcionários, para 18.320. Vendeu fábricas em Portugal. Nos EUA, consolidou a produção de jatos executivos na Flórida e reestruturou as operações de manutenção e suporte em Connecticut. "Queremos ser atraentes para os investidores", disse Gomes Neto. "Queremos crescer e ser muito rentáveis.

Gomes Neto também representa uma crescente diversidade de gestão. No passado, os executivos da Embraer eram principalmente da escola de engenharia de elite ITA, também localizada aqui, disse Mizusaki. Hoje, os não-engenheiros do C-Suite incluem o diretor financeiro Antonio Carlos Garcia, ex-executivo da ThyssenKrupp. Os membros do conselho não são mais apenas brasileiros com pouca experiência global na indústria aeroespacial, disse Mizusaki. Tem dois americanos, da Boeing e da GE Aviation, de olho em mercados como o asiático.

"A diversificação é fundamental", disse Gomes Neto. Ela “traz conhecimento diferenciado e relacionamento diferenciado para a empresa. Mais de 80% do faturamento que fazemos está fora do Brasil”.

A Ásia ocupa um lugar de destaque na busca da Embraer por novos mercados. A empresa planeja desenvolver uma aeronave turboélice no final da década de 2020 para rotas de curta distância que espera serem populares na região. Um turboélice pode decolar e pousar em pistas mais curtas e é mais eficiente em termos de combustível em distâncias curtas do que jatos.

Índia
Na Índia, a Embraer está em negociações para vender jatos regionais para a transportadora de baixo custo IndiGo. A nomeação de Pieter Elbers pela IndiGo como CEO em maio gerou especulações de que a companhia aérea indiana se tornará mais aberta ao uso de jatos da Embraer. Elbers foi o ex-CEO da transportadora nacional holandesa KLM, um grande cliente da Embraer.

"Claro que conheço Pieter muito bem. Claro que temos um bom relacionamento com Pieter porque ele era nosso cliente", disse Arjan Meijer, chefe de aviação comercial da Embraer, durante um recente evento de mídia. "Mas teremos que falar com a IndiGo, não apenas com Pieter, para o desenvolvimento de sua frota."

Outra companhia aérea indiana, a Star Air, é usuária do ERJ-145 de 50 lugares da Embraer e precisa de uma atualização. "Estamos em contato com potenciais clientes na Índia. Já temos nossas aeronaves operando na Índia", disse Gomes Neto. "A Índia pode ser um mercado importante para o nosso turboélice, bem como para o E2", acrescentou, referindo-se à principal família de jatos de passageiros que podem transportar entre 100 e 146 pessoas.

Vietnã e China
Em abril, a Embraer realizou uma demonstração de sua aeronave E190-E2 para companhias aéreas do Vietnã, incluindo a Bamboo Airways, uma companhia aérea de baixo custo que oferece acesso a resorts e pontos turísticos dentro do longo e estreito país. A Bamboo conta atualmente com cinco aeronaves Embraer da geração anterior.

A Embraer, no entanto, tem tido mais dificuldade em expandir na China, onde o governo de Pequim quer nutrir uma indústria aeroespacial doméstica como parte de sua política industrial "Made in China 2025", e é vista pressionando as companhias aéreas chinesas a comprar da COMAC, não da fornecedores estrangeiros.

A COMAC está expandindo sua família de aeronaves. Já estão em operação o jato regional ARJ21 com até 90 assentos e o jato de fuselagem estreita C919 maior com capacidade para 168. O jato widebody C929 para 280 passageiros está em desenvolvimento. A China pretende reduzir sua dependência da Airbus e da Boeing para o fornecimento de aeronaves comerciais ao ter seu próprio fabricante de aeronaves. O país poderia até desenvolver uma rede de instalações de vendas e serviços em todo o mundo em um impulso de exportação. Mas sem certificação da Europa ou dos EUA, as aeronaves da COMAC só podem ser usadas na China por enquanto.

A Embraer costumava produzir ERJ-145 de 50 lugares na China de 2003 a 2016, mas agora enfrenta desafios para vender ou produzir jatos lá.

"Na China, ainda estamos trabalhando para certificar o E2", disse Gomes Neto. Sem certificação, uma aeronave não pode voar no país.

A poderosa Mitsubishi (antiga Bombardier) tem foco na América do Norte
A japonesa Mitsubishi Heavy - a nova proprietária do programa de jatos regionais da Bombardier - está focada em vender na América do Norte e cética quanto à oportunidade na Ásia, onde aeronaves de fuselagem estreita maiores produzidas pela Boeing e Airbus são mais populares entre as companhias aéreas e empresas de leasing . Em parte, isso ocorre porque eles podem transportar mais pessoas entre as cidades densamente povoadas da Ásia. Eles também têm maior valor de revenda.

"As aeronaves regionais, abaixo de 100 assentos ou abaixo de 70 ou 80 assentos, realmente serão tão populares na Ásia quanto nos EUA? Talvez. Talvez não", disse Hiroaki Yamamoto, CEO do MHI RJ Aviation Group. Desde a aquisição do CRJ na divisão da Bombardier, a MHI RJ encerrou a produção, concentrando-se em fornecer suporte e serviços para as aeronaves em serviço.

Os EUA têm sido o maior mercado para jatos regionais. Tem muitas grandes cidades espalhadas por grandes distâncias e carece de infraestrutura ferroviária. O mercado dos EUA também foi apoiado por uma cláusula de escopo entre as principais companhias aéreas e seus sindicatos de pilotos, que limitava o tamanho das aeronaves que as companhias aéreas regionais podem operar. "Nos próximos três anos, não acreditamos que haverá uma mudança significativa" na cláusula de escopo, disse Meijer, da Embraer.

A Mitsubishi não tem pressa em retomar a produção de aeronaves, seja do antigo CRJ ou do seu próprio SpaceJet, em meio a um ambiente de negócios altamente incerto, incluindo a pandemia e a invasão russa da Ucrânia. "Se a situação for como hoje, realmente não sabemos o que vai acontecer. E a ciclicidade desse negócio já foi comprovada. Naturalmente, [as companhias aéreas] são um pouco tímidas" para fazer grandes investimentos, disse Yamamoto. "A escolha natural seria ficar com o produto existente pelo maior tempo possível."

A estratégia da Mitsubishi é manter e desenvolver a base de clientes da Bombardier e buscar uma parceria para o possível lançamento futuro de aeronaves de emissão zero, talvez movidas a hidrogênio.

"Eu não desisto de nada", disse Yamamoto sobre a atual participação de mercado da CRJ. "Farei qualquer coisa para permanecer no jogo e até ganhar participação de mercado, seja por meio de novos produtos ou melhoria da aeronave... ou melhores serviços de manutenção", disse ele.

Ambição global da Embraer
A Embraer também está desenvolvendo seus próprios aviões de emissão zero, mas é sua ambição global que a destaca. Embora a COMAC esteja limitada à China por enquanto e a Mitsubishi se concentre principalmente na América do Norte, ela está olhando para a Ásia e além. "Vendemos muitos produtos nos EUA, jatos comerciais e jatos executivos", disse Gomes Neto. "E queremos vender para a China também. Ambos são importantes mercados de aviação para a Embraer."

WEG entre as Melhores do ESG


*LRCA Defense Consulting - 27/06/2022

A WEG, referência global em equipamentos eletroeletrônicos, com foco em motores e acionamentos elétricos, geradores e transformadores de energia, produtos e sistemas para eletrificação, automação e digitalização, ficou entre as classificadas no Prêmio Melhores do ESG da Exame, que reconhece as empresas de maior destaque por suas posturas socioambientais em 17 diferentes setores da economia.

Criado em 2000, com o nome de Guia EXAME de Boa Cidadania Corporativa, o Melhores do ESG é o principal guia sobre capitalismo consciente, mais humano e inclusivo, em direção a uma economia circular e colaborativa.

Para a seleção, as empresas passaram por um rigoroso processo de avaliação desenvolvido pela ABC Associados e seguido pelo time de jornalistas da EXAME. O Melhores do ESG considerou as principais práticas sociais, ambientais e de governança, além do comprometimento de empresas com o capitalismo de stakeholder no Brasil.

A WEG foi uma das três companhias destaque no setor de Bens de Capital e Eletroeletrônicos. A entrega do troféu aconteceu ontem, dia 23 de junho, em São Paulo, e foi recebido pelo Diretor de Sustentabilidade Hilton José da Veiga Faria.

domingo, junho 26, 2022

Empresas de armas, munições e esportes ao ar livre têm forte alta após decisão da Suprema Corte dos EUA

 

*LRCA Defense Consulting - 26/06/2022

Após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado uma lei de controle de armas do Estado de Nova York, as empresas fabricantes de armas leves americanas registraram fortes altas na quinta e na sexta-feira passadas. 

A Suprema Corte decidiu que a lei do Estado de Nova York - que proíbia as pessoas de obter uma permissão para portar uma arma publicamente (de maneira velada/oculta), a menos que demonstrassem uma necessidade especial - violou a Segunda e a Décima Quarta Emenda da Constituição dos EUA, que dá a "cidadãos comuns e cumpridores da lei" o direito de portar armas publicamente. 

Essa foi a mais importante decisão desse tribunal sobre direitos relativos às armas em mais de uma década, sinalizando um resultado favorável para o setor em outras contendas que visem limitar o direito constitucional de o cidadão de bem americano portar armas.

As ações da Smith & Wesson Brands Inc. subiram mais de 25% nesses dois dias, enquanto as da Sturm Ruger & Co. apresentaram ganhos de 7,1%. Vale registrar que as ações da Sturm Ruger haviam caído 12,3% nos últimos três meses e as ações da Smith & Wesson haviam declinado 13,1%, enquanto o S&P 500 SPX caiu 14,9%.

No caso da S&W, a empresa também acabara de divulgar lucro no quarto trimestre fiscal, embora a receita tivesse caído 44% devido à moderação da demanda por armas de fogo em comparação com um aumento nas vendas de armas um ano atrás, causado por fatores "fora da curva", como eleições, pandemia e distúrbios civis.

Outras ações ligadas ao setor de armas leves, como as de munições e esportes ao ar livre (outdoor), também apresentaram expressivas altas: American: 13%; Vista Outdoor: 5,3%; Clarus Corp.: 6,8%; AMMO Inc.: 5,5%; Sportman's: 4,5%; Big 5: 6%.

Lei Bipartisan Safer Communities Act
Essa lei, aprovada ainda na sexta-feira pelo Congresso, é praticamente inócua no que diz respeito ao controle ou restrições de armas, haja vista que apenas fecha uma brecha de anos em uma legislação sobre violência doméstica – apelidada de “brecha do namorado” – que impede indivíduos que foram condenados por crimes de violência doméstica contra cônjuges, parceiros com quem compartilharam filhos ou parceiros com quem coabitaram, de ter armas. Estatutos antigos não incluíam parceiros íntimos que não podiam não viverem juntos, serem casados ​​ou terem filhos.

O projeto também inclui US$ 750 milhões para ajudar os estados a implementar e executar programas de intervenção em crises. O dinheiro pode ser usado para implementar e gerenciar programas de “bandeira vermelha” – que por meio de ordens judiciais podem impedir temporariamente que indivíduos em crise acessem armas de fogo – e para outros programas de intervenção em crises, como tribunais de saúde mental, tribunais de drogas e tribunais de veteranos.

No final das contas, trata-se mais de um "efeito cosmético" de natureza político-social, do que algo decisivo, sendo apenas uma resposta bipartidária ao clamor de parte da população americana (especialmente dos democratas) em face dos diversos episódios de tiroteios que aconteceram recentemente.

Assim, Biden e os democratas "mostram" que estão cumprindo suas promessas de campanha, enquanto os republicanos "evidenciam" que estão colaborando para "solucionar" os problemas ligados aos tiroteios, sendo que, na verdade, os direitos garantidos pela 2ª e pela 14ª Emenda à Constituição continuam intocáveis.

Para efeitos práticos, o que conta mesmo é a decisão histórica da Suprema Corte ratificando os direitos de os americanos portarem armas.



sábado, junho 25, 2022

A Petrobras poderá ter uma "privatização honrosa"?

Ações da Petrobras no Novo Mercado? Não afaste esta possibilidade

*LRCA Defense Consulting - 21/06/2022

Considerando a indiscutível importância estratégica da Petrobras para o Brasil e, logicamente, para o seu Setor de Defesa e Segurança, esta Consultoria resgata um artigo de abril de 2019, versando sobre uma possível "privatização honrosa" da empresa.

Marink Martins: Quer saber como a Petrobras será privatizada? Olhe para a Vale

*Money Times, por Marink Martins, do MyVOL e autor da newsletter Global Pass - 19/04/2019

“Ontem os acionistas da Petrobras (PETR3; PETR4) aprovaram uma reforma no estatuto social da empresa que permitirá à estatal vender as suas subsidiárias sem a necessidade do aval da assembleia. Com a mudança, a privatização das controladas passa a depender da aprovação somente do conselho de administração, dando agilidade ao processo.”

Já mencionei aqui que durante os anos entre 2015 e 2017 tive a oportunidade, representando a Corretora MyCAP, de promover diversos encontros entre o Roberto Castello Branco, atual presidente da Petrobras, e investidores institucionais domésticos.

Ao ler o comentário acima, penso como o Roberto parece estar de fato aproveitando o ambiente reformista presente no país para acelerar reformas necessárias ao crescimento da companhia.

Observe que o executivo passou anos atuando na área de relações com investidores da Vale (VALE3). Roberto foi o criador do Vale DAY – um modelo de interação com investidores estrangeiros que foi posteriormente imitado por diversas empresas brasileiras.

Ao falar sobre as perspectivas para Vale – foco das primeiras reuniões que organizei com o executivo – ele enfatizava o esforço de Murilo Ferreira (CEO da empresa) em retornar as operações da mineradora para sua área de expertise. Anos de preços elevados no minério fizeram com que a Vale perdesse o foco e se tornasse uma empresa bem menos eficiente. A gestão do já falecido Roger Agnelli foi marcada por excessos e idealizações transformacionais que muito contribuíram para um processo de “de-rating” nas ações da empresa.

Na Petrobras o processo não foi muito diferente. A vinda do Pré-Sal e a síndrome de vira-lata brasileira contribuíram para uma destruição de valor inimaginável para aqueles que sonhavam ver o Brasil como um membro da OPEP.

Core business e "privatização honrosa"
Hoje, Roberto Castello Branco, uma espécie de discípulo de Murillo Ferreira, busca fazer com a Petrobras justamente o que foi feito com a Vale – trazê-la de volta ao seu “core business” que é exploração e produção. O poder de se desfazer de ativos sem a necessidade de aval de assembleias de acionistas é o catalisador que faltava para que o processo transformacional transcorra de forma rápida e eficiente. É possível que a Petrobras, em um prazo de 3 anos, seja uma outra empresa, tendo a exploração do pré-sal como foco de forma análoga ao que a Vale fez com seu projeto S11D.

E aqui, cabe a seguinte pergunta: será que é possível vislumbrar um processo de reorganização societária na Petrobras que culmine em uma unificação entre ações ON e PN, com a empresa entrando no Novo Mercado da B3 de forma análoga ao que foi feito na Vale?

Antes que você rejeite esta possibilidade de bate-pronto, alegando perda de controle da União, pense que essa seria uma privatização honrosa, sem a necessidade de venda de ações. Para um executivo com a história de vida de Castello Branco, isso seria um sonho!!!

Carla Albano, executiva de RI da Vale que tanto trabalhou com Roberto por lá, e que esteve a frente de todo o processo de unificação das ações da Vale, acaba de integrar o time de RI da Petrobras.

E, para complementar, há indícios de uma eventual escassez de petróleo a partir de 2021. Eu falo um pouco sobre esse cenário no MyCAP Tendências Globais desta semana. Veja abaixo “A New Oil Order”:



Na Nigéria, Ministério da Defesa e Itamaraty promovem Base Industrial de Defesa


*LRCA Defense Consulting - 25/06/2022

O Ministério da Defesa (MD), por intermédio da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), e a Embaixada do Brasil na Nigéria, organizaram o Brazil - Nigeria Aviation Security & Defense Trade Forum. O evento, que teve por objetivo aproximar ambos os países para cooperarem na área de aviação, segurança e defesa, ocorreu entre os dias 21 e 23 de junho, em Abuja, Nigéria.

Compareceram autoridades governamentais e representantes da iniciativa privada nigeriana, juntamente com os representantes do Ministério da Defesa Brasileiro e das empresas da Base Industrial de Defesa do Brasil: Embraer, Embraer Radar, Atech, Avibrás, Akaer, Condor e Iveco. Contou, também, com o apoio da Associação Brasileiras das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).

Projetos - No evento, o Gen Div R1 Luiz Antônio Duizit Brito, representando a Seprod, apresentou os projetos estratégicos das Forças Armadas brasileiras, entre eles o programa nuclear da Marinha Brasileira e o programa de construção de Fragatas, bem como as empresas brasileiras que dão suporte a esses programas. Apresentou, ainda, o programa de aquisição do carro de combate Guarani, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira (Sisfron) e o programa de lançamento de foguetes e mísseis.


Por último, apresentou os projetos estratégicos da Força Aérea Brasileira, como o cargueiro KC-390 e o caça Gripen, assim como o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese) e o programa de desenvolvimento da aeronave hipersônica. Em sua exposição, o General afirmou que o Brasil está pronto para receber as autoridades nigerianas a fim de conhecerem a Base Industrial de Defesa (BID).

Segundo o Embaixador do Brasil na Nigéria, Ricardo Guerra de Araújo, as empresas brasileiras trouxeram soluções significativas para fortalecer a área de aviação, defesa e segurança nigerianas, cooperando para trocas comerciais e tecnológicas que podem ser pontes permanentes para aproximação dos dois países. Após a realização do evento, a comitiva brasileira realizou uma série de reuniões com as Forças Armadas Nigerianas, sendo também recebida pelo Comandante da Marinha Nigeriana.


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