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07 outubro, 2026

Marcos Degaut: Defesa, indústria e diplomacia sob uma mesma estratégia nacional

Marcos Degaut tornou-se um dos nomes relevantes para compreender as ideias de política externa e Defesa que circulam no entorno da candidatura de Flávio Bolsonaro. A trajetória do ex-secretário revela uma arquitetura estratégica baseada em autonomia tecnológica, transferência de tecnologia, previsibilidade orçamentária, fortalecimento da BID e integração entre Defesa, diplomacia, indústria e comércio exterior



*LRCA Defense Consulting - 07/10/2026

Marcos Degaut tornou-se um dos nomes relevantes para compreender as ideias de política externa e Defesa que circulam no entorno da candidatura de Flávio Bolsonaro. Aliado próximo de Eduardo Bolsonaro, o ex-secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa participa do debate político atual, mas suas formulações sobre poder nacional são muito anteriores à campanha de 2026.

A análise de artigos, entrevistas, discursos e iniciativas de Degaut ao longo de quase uma década revela mais do que uma sucessão de posições conjunturais. Há uma consistência estrutural entre sua atuação na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), sua passagem pela Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), sua experiência posterior no setor privado de Defesa e seus textos recentes.

No centro dessa arquitetura aparecem conceitos recorrentes: autonomia tecnológica, transferência de tecnologia, previsibilidade orçamentária, Base Industrial de Defesa (BID) sustentável e exportadora, capacidade de dissuasão e uma política externa orientada pelo interesse nacional.

Defesa como instrumento de poder nacional 
Para Degaut, Defesa não pode ser tratada apenas como despesa pública nem como política isolada das demais dimensões do Estado. Ainda em 2020, quando comandava a SEPROD, defendia que Defesa, Segurança e BID deveriam integrar uma grande estratégia nacional e eram indissociáveis da política externa de um país que pretendesse possuir peso internacional.

Em textos recentes, o diagnóstico tornou-se mais abrangente. A competição estratégica contemporânea, em sua leitura, deslocou parte da vulnerabilidade nacional para áreas como semicondutores, comunicações, satélites, componentes eletrônicos, sistemas antiaéreos, armas inteligentes, cibernética, inteligência artificial, drones e sensores. A soberania, portanto, dependeria não apenas de território e efetivos militares, mas do domínio ou acesso seguro a tecnologias, cadeias produtivas e infraestrutura crítica.

No artigo “A Sétima República”, publicado em 6 de outubro, Degaut defende explicitamente Forças Armadas capazes de proteger o território e uma Defesa orientada pela dissuasão por negação, com Amazônia e Atlântico Sul como teatros prioritários.

O conceito procura tornar inviável ou excessivamente custoso ao adversário alcançar seus objetivos, o que remete a vigilância, consciência situacional, capacidade de reação e meios capazes de negar liberdade de ação em áreas vitais.

Uma linha que antecede a SEPROD 
A preocupação com programas estratégicos e autonomia já aparecia quando Degaut atuava na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, no governo Michel Temer.

Em setembro de 2017, durante visita à Corveta Jaceguai, foi registrado publicamente que ele vinha trabalhando ativamente para apoiar a construção das então Corvetas Classe Tamandaré, programa que posteriormente evoluiu para as Fragatas Classe Tamandaré.

Esse antecedente é relevante porque mostra que a preocupação com o fortalecimento material das Forças e com programas nacionais não nasceu de sua passagem pela SEPROD. Ela atravessa diferentes funções exercidas por Degaut e ajuda a explicar a continuidade entre sua atuação administrativa e suas formulações atuais.

Autonomia tecnológica como eixo central 
Poucos conceitos aparecem com tanta frequência em suas manifestações quanto autonomia tecnológica.

Em 2021, ao tratar de protocolos de inovação e tecnologia, Degaut afirmou que a criação de redes entre governo, academia e empresas deveria gerar produtos e serviços capazes de aumentar progressivamente a autonomia tecnológica brasileira e reduzir a dependência de produtos estrangeiros.

Em 2023, já no EDGE Group, sintetizou a ideia de maneira direta: não existe autonomia estratégica sem autonomia tecnológica.

A formulação ajuda a organizar todo o restante de seu pensamento. Um país que dependa integralmente de terceiros para sensores, componentes, munições, sistemas de comando, satélites, comunicações ou armamentos sofisticados pode conservar soberania jurídica, mas terá sua liberdade de decisão limitada em uma crise.

Transferência de tecnologia: comprar não basta 
A consequência prática desse raciocínio é a importância atribuída à transferência de tecnologia.

Para Degaut, a aquisição de equipamentos no exterior não deveria ser analisada apenas pelo desempenho do produto ou pelo preço da compra. O valor estratégico aumenta quando a operação permite absorver conhecimento, formar pessoal, internalizar competências, produzir componentes, realizar manutenção e evoluir sistemas no Brasil.

Isso não significa que toda tecnologia sensível esteja disponível para transferência, nem que acordos de offset produzam automaticamente autonomia. A questão central é negociar compras e parcerias de modo que parte relevante do conhecimento permaneça no País.

Sob essa lógica, transferência de tecnologia deixa de ser contrapartida acessória e passa a integrar o cálculo estratégico da aquisição.

Essa orientação também ajuda a interpretar sua atuação posterior no EDGE Group e a aproximação com empresas brasileiras. Parcerias internacionais são vistas como instrumentos úteis quando agregam tecnologia, capacidade produtiva, acesso a mercados e desenvolvimento conjunto, e não apenas capital.

Previsibilidade orçamentária: condição para planejar 
Outro pilar é a previsibilidade orçamentária.

Degaut tem sustentado que a indústria de Defesa não consegue executar planejamento estratégico consistente se não souber se haverá continuidade de recursos para programas que atravessam muitos anos. Em entrevista de 2023, afirmou que a imprevisibilidade afeta desenvolvimento de projetos e produtos, contratação de pessoal e participação em licitações internacionais.

O problema é particularmente sensível porque grandes projetos militares possuem longos ciclos de maturação, contratos complexos, pagamentos distribuídos por vários exercícios e, frequentemente, compromissos em moeda estrangeira, compensações industriais e transferência de tecnologia.

Cortes abruptos podem elevar custos, retardar cronogramas, provocar perda de equipes especializadas e enfraquecer a confiança de fornecedores e parceiros.

A ênfase, portanto, não está apenas em gastar mais. Está em permitir que Forças Armadas e indústria saibam, dentro de horizontes plurianuais razoáveis, quais recursos estarão disponíveis.

A discussão sobre mecanismos capazes de oferecer essa estabilidade financeira é estratégica, mas eventuais modelos ainda em formulação não podem ser tratados como política definida enquanto não forem apresentados publicamente.

A BID como instrumento militar, econômico e tecnológico 
Na visão de Degaut, a BID ultrapassa a função de abastecer as Forças Armadas. Ela produz empregos qualificados, inovação, renda, exportações, divisas e tecnologias de uso dual.

Durante sua gestão na SEPROD, procurou aproximar Ministério da Defesa, BNDES, indústria, academia e instrumentos de promoção comercial.

Em artigo de 2021 republicado pelo LRCA Defense Consulting, destacou novas formas de financiamento e garantias, aperfeiçoamento da Tríplice Hélice, envolvendo Estado, academia e iniciativa privada, e busca de maior isonomia normativa e tributária para a indústria nacional. Também sustentou que exportar é crucial para preservar a capacidade de fornecer produtos, serviços e tecnologia de ponta.

A lógica econômica é objetiva: a demanda interna brasileira, sujeita a restrições fiscais e oscilações, não oferece escala contínua para todos os segmentos industriais de Defesa.

Exportações permitem diluir custos, sustentar linhas produtivas, conservar equipes especializadas e financiar novos ciclos de inovação.

Financiamento e garantias completam a equação 
A previsibilidade das encomendas domésticas, contudo, não resolve sozinha o problema.

Degaut também tem chamado atenção para financiamento e garantias às exportações. Produtos de Defesa disputam mercados nos quais Estados estrangeiros frequentemente apoiam suas empresas com crédito, seguro, garantias soberanas e instrumentos diplomáticos.

Sem mecanismos competitivos, uma empresa brasileira pode possuir um bom produto e ainda assim perder uma concorrência porque o comprador recebeu condições financeiras melhores de outro país.

Daí a tentativa, durante a SEPROD, de aproximar a BID de instituições como o BNDES e fortalecer instrumentos de promoção comercial. 


Capital estrangeiro e autonomia não são necessariamente opostos 
A experiência posterior de Degaut no EDGE Group acrescenta uma nuance importante.

Sua concepção de autonomia não implica fechamento ao capital estrangeiro. Investimentos e parcerias internacionais podem fortalecer a soberania quando aumentam domínio tecnológico, produção local, qualificação de pessoal e capacidade exportadora.

O critério relevante, nessa perspectiva, não seria simplesmente a nacionalidade do investidor, mas o resultado estratégico da parceria: quanto conhecimento é absorvido, quais competências permanecem no Brasil e se a operação reduz ou amplia dependências críticas.

Política externa: diplomacia como instrumento de poder
A mesma arquitetura aparece em suas formulações sobre política externa.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo em 1º de outubro, Degaut defendeu um Itamaraty mais forte, estratégico e valorizado, capaz de converter diplomacia em influência, mercados, investimentos, tecnologia, segurança e prosperidade.

No texto, contestou a caracterização de suas ideias como uma suposta “Reforma Rubio”. Afirmou que nunca discutiu projeto com esse nome nem defendeu transplantar ao Brasil a reforma do Departamento de Estado norte-americano.

Também registrou que suas reflexões não constituíam programa fechado nem proposta oficial de governo. A distinção é importante para qualquer tentativa de antecipar políticas futuras: existem ideias em debate, mas nem todas podem ser apresentadas como decisões da campanha.

O conteúdo defendido publicamente por Degaut inclui fortalecimento da capacidade de formulação e antecipação do Itamaraty, maior centralidade para diplomacia econômica, comércio, investimentos, tecnologia e Defesa, simplificação administrativa e critérios mais objetivos de mérito e desempenho na carreira.

Estados Unidos, China e interesse nacional 

Suas manifestações recentes apontam para maior aproximação estratégica com os Estados Unidos, mas não necessariamente para ruptura econômica com a China.

O fio condutor é o interesse nacional: relações internacionais deveriam ser avaliadas pela capacidade de gerar segurança, tecnologia, mercados, investimentos e liberdade de ação.

Esse pragmatismo também aparece na discussão sobre minerais críticos, energia, inteligência artificial e infraestrutura. Recursos naturais, isoladamente, não produzem poder. Eles precisam ser transformados em capacidade industrial, conhecimento, tecnologia e instrumentos de negociação internacional.

A nova guerra tecnológica 
A atenção dada a drones, inteligência artificial, sensores, espaço, defesa cibernética, comunicações e sistemas antiaéreos mostra que a visão de Degaut não está limitada aos grandes programas tradicionais.

As guerras recentes demonstraram que plataformas sofisticadas convivem com sistemas baratos, produção em massa, software, guerra eletrônica e ciclos tecnológicos extremamente rápidos.

Para o Brasil, o desafio seria combinar programas de longo prazo com capacidade de inovação acelerada, aproximando Forças Armadas, empresas, universidades e centros de pesquisa.

Nesse ambiente, autonomia não significa produzir absolutamente tudo, mas identificar tecnologias cuja dependência externa pode comprometer a liberdade de ação e desenvolver capacidade nacional ou parcerias confiáveis para dominá-las. 

Uma arquitetura de poder nacional 
Quando reunidas, as posições de Degaut formam uma cadeia coerente: previsibilidade orçamentária permite planejamento; planejamento sustenta programas e indústria; transferência de tecnologia e pesquisa ampliam autonomia tecnológica; autonomia tecnológica fortalece a BID; uma BID robusta aumenta a capacidade militar e exportadora; capacidade militar gera dissuasão; e dissuasão oferece maior liberdade de ação à política externa.

É essa conexão que diferencia sua abordagem de uma discussão restrita ao orçamento das Forças Armadas.

Defesa, indústria, tecnologia, comércio exterior, diplomacia, energia e recursos estratégicos aparecem como componentes de um mesmo sistema de poder nacional.

O que pode ser inferido 
Caso essas ideias tenham influência efetiva sobre um eventual governo Flávio Bolsonaro, é razoável inferir uma pressão por maior previsibilidade dos recursos destinados aos programas estratégicos, fortalecimento da BID, mecanismos de financiamento e garantias às exportações, maior exigência de transferência de tecnologia em parcerias internacionais e prioridade para áreas tecnológicas consideradas críticas.

Também seria coerente com esse pensamento uma maior integração entre Defesa e política externa, atenção especial à Amazônia e ao Atlântico Sul e aproximação estratégica com parceiros capazes de oferecer tecnologia, investimentos e acesso a mercados.

Essas são, entretanto, inferências construídas a partir de posições públicas e de uma trajetória administrativa. Não equivalem a compromissos formalmente assumidos pela candidatura.

Permanecem abertas questões decisivas: qual será o nível de recursos destinado à Defesa, quais programas terão prioridade, como serão financiados, quais tecnologias serão consideradas críticas e quais mecanismos serão usados para assegurar continuidade orçamentária.

Consistência estrutural
A principal conclusão da pesquisa é que o pensamento de Marcos Degaut apresenta forte consistência estrutural.

O apoio a programas navais quando estava na SAE, a defesa de autonomia tecnológica e fortalecimento da BID na SEPROD, a ênfase posterior em parcerias industriais e transferência de conhecimento e suas formulações atuais sobre Defesa e política externa pertencem a uma mesma arquitetura intelectual.

Mais do que saber qual cargo Degaut poderia ocupar em um eventual governo, o interesse público está em compreender essa arquitetura.

Se suas ideias efetivamente influenciarem políticas a partir de 2027, a mudança mais relevante poderá não estar em um programa isolado ou em uma aquisição específica, mas na tentativa de integrar instrumentos que o Brasil historicamente administra de maneira fragmentada: orçamento, tecnologia, indústria, Defesa, comércio exterior e diplomacia.

05 outubro, 2026

Programa e interlocutores indicam os prováveis rumos de Flávio Bolsonaro para a defesa e a BID

Drones e inteligência artificial no programa oficial somam-se à experiência de Marcos Degaut no apoio à indústria e ao acesso de Eduardo Bolsonaro ao governo Trump, enquanto orçamento, prioridades e compromissos formais permanecem em aberto 



*LRCA Defense Consulting - 05/10/2026

A cerca de três semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) ficou acirrada: 47% a 45% dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Para o setor de defesa, a dúvida é o que mudaria com a vitória da oposição. Como o programa de Flávio dedica poucas informações ao tema, esta matéria cruza o documento oficial com as propostas de seus interlocutores e com a campanha da Embraer nos Estados Unidos, buscando separar compromissos formais de indícios.

Novas tecnologias e poder militar
O incentivo a novas tecnologias e a defesa de um poder militar capaz de sustentar a atuação internacional do Brasil permitem identificar uma provável orientação de Flávio Bolsonaro para as Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa (BID). O direcionamento emerge da leitura conjunta do programa da candidatura e das propostas apresentadas por Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato radicado nos EUA, e pelo ex-secretário de Produtos de Defesa Marcos Degaut, hoje o articulador internacional da campanha. Há convergência em torno do fortalecimento das capacidades nacionais, embora os instrumentos para executá-lo ainda não estejam detalhados publicamente.

A distinção entre as fontes é essencial. Drones e inteligência artificial aparecem no programa oficial. Já a transformação mais abrangente das Forças Armadas e o fortalecimento da BID foram defendidos pelos dois interlocutores em uma entrevista de setembro, na qual anunciaram a elaboração de um projeto para um eventual governo de Flávio.

A experiência de Degaut em financiamento e promoção comercial, somada ao acesso do irmão do candidato à Casa Branca, sugere a possibilidade de uma política que combine modernização militar, sustentação industrial e diplomacia voltada a negócios. O KC-390 Millennium permite avaliar como essa combinação poderia funcionar. A Embraer já desenvolve, com a Northrop Grumman, capacidades destinadas ao mercado americano, e uma eventual articulação política brasileira poderia dar visibilidade e apoio institucional a essa campanha. 

Tecnologia e fronteiras no programa
O texto publicado no site da candidatura prevê concentrar esforços contra o crime organizado e outras ameaças à segurança e à defesa nacional. Nesse contexto, propõe estimular tecnologias, com menção explícita a drones e inteligência artificial, e afirma que os investimentos nas Forças Armadas devem corresponder à inserção internacional do Brasil.

Outra proposta é criar o Sistema Nacional de Fronteira, reunindo integrantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, equipados com inteligência, tecnologia e armamentos para interceptar drogas e armas. O documento também contempla a proteção cibernética dos serviços públicos, das infraestruturas críticas e dos cidadãos.

Essas referências estabelecem prioridades gerais, mas não especificam orçamento, modelos de drones, aplicações militares de IA, quantidades, fornecedores ou prioridades de reequipamento. Tampouco permitem concluir que haverá preferência por equipamentos nacionais ou importados. Essa definição será determinante para avaliar quanto da demanda poderá se converter em desenvolvimento e produção no País.

A proposta de transformação militar
Em 7 de setembro de 2026, Eduardo Bolsonaro e Marcos Degaut participaram do programa ALive, de Claudio Dantas. Segundo a publicação do próprio programa, ambos trabalhavam em um projeto de reforma e reestruturação das Forças Armadas destinado ao senador.

Degaut defendeu atualização de missões, métodos e doutrina, recuperação da capacidade de interpretar o cenário internacional e equipamentos adequados às atribuições militares. Relacionou a transformação ao fortalecimento da liderança, da unidade de propósito e da legitimidade institucional das Forças.

A ligação com a política externa foi explícita. Para Degaut, "uma boa diplomacia, uma boa política externa, não prescinde de um poder militar forte". Eduardo associou respeito internacional e liderança regional a Forças Armadas modernas e a uma indústria de defesa desenvolvida no Brasil.

Na cobertura da entrevista, a DefesaNet registrou que Degaut situou as propostas em um planejamento estratégico de longo prazo, envolvendo defesa, comércio e investimentos. Ele afirmou que o projeto estava pronto e seguia em aperfeiçoamento, mas informou que seus detalhes não seriam integralmente divulgados naquele momento.

O conjunto dessas manifestações sugere uma ambição que ultrapassa o emprego militar nas fronteiras. A capacidade de dissuasão e a sustentação industrial aparecem como componentes da posição internacional pretendida para o País. Trata-se de uma interpretação das declarações, não de um programa de reequipamento já aprovado pelo candidato.

Degaut e a ampliação do acesso ao crédito
A defesa de uma indústria nacional fortalecida tem antecedentes na trajetória administrativa de Degaut. Um dos resultados mais concretos associados à sua passagem pela Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) foi a articulação com o BNDES. Em fevereiro de 2020, o Ministério da Defesa e o banco firmaram um protocolo para estudar instrumentos de financiamento, apoio às exportações e nacionalização progressiva de produtos e tecnologias. Na ocasião, conforme registro do LRCA, Degaut vinculou a iniciativa ao planejamento estratégico da secretaria.

O desdobramento verificável veio em 2021. Segundo o Ministério da Defesa, empresas encontravam dificuldades para cadastrar seus produtos no BNDES e, por isso, não conseguiam financiá-los. A parceria levou a um regulamento específico de credenciamento de produtos de defesa, com vigência a partir de 1º de novembro daquele ano, ampliando o conjunto de bens elegíveis ao crédito, inclusive pelas linhas BNDES Exim Pré-Embarque e Pós-Embarque.

A importância dessa mudança está na remoção de um obstáculo operacional. Um produto que não consegue ingressar no sistema de financiamento perde competitividade mesmo quando atende às necessidades do comprador. O regulamento ampliou a possibilidade de acesso ao crédito; não significou aprovação automática de operações ou desembolso garantido às empresas.

Promoção comercial e resultados institucionais
O balanço oficial da SEPROD de 2019 registrou atendimento a 361 empresas, realização de 14 missões internacionais e diálogos da indústria de defesa com seis países. A secretaria também produziu estudos comerciais sobre 69 países. Os dados mostram uma atuação organizada de prospecção e apoio às empresas, além da presença em feiras.

No mesmo balanço, o Ministério informou crescimento de 21,8% no número de empresas habilitadas ao Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa (RETID) e de 75% no número das que passaram a usufruir do regime, em relação a 2018. São resultados institucionais do período de sua gestão, produzidos por equipes e outros órgãos envolvidos; não realizações individuais exclusivas do secretário.

O Relatório de Gestão do Ministério da Defesa de 2021 registrou, à época, cerca de US$ 1,7 bilhão em exportações autorizadas de produtos de defesa, apresentado como recorde histórico. A expressão é importante: autorizações não devem ser confundidas com embarques efetivados ou receitas recebidas no mesmo ano. O indicador documenta a expansão das autorizações durante aquela gestão, sem permitir atribuir toda a evolução comercial a uma única autoridade.

Há ainda reconhecimentos posteriores. Em janeiro de 2023, já na nova administração federal, o então secretário Rui Chagas Mesquita enalteceu o trabalho de seus antecessores, destacando Degaut e o general Luis Antônio Duizit Brito. 

No mês seguinte, em entrevista reproduzida pelo portal LRCA em 25 de fevereiro de 2023, o próprio Degaut cobrou maior atuação do Itamaraty na promoção das exportações de defesa e defendeu recursos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir a dependência externa.

Esse histórico confere consistência à orientação apresentada em setembro, pois a articulação entre diplomacia, indústria e capacidade militar não surgiu apenas na discussão eleitoral. Uma eventual participação de Degaut teria potencial para aproximar a discussão estratégica dos instrumentos de execução: credenciamento, crédito e promoção externa. Sua tradução em política de governo, porém, dependerá de medidas que transformem essa visão em financiamento, apoio comercial e continuidade de projetos.

Eduardo e o acesso à Casa Branca
A capacidade de interlocução de Eduardo com o governo Trump tem evidência recente. A Reuters informou que ele acompanhou Flávio em uma reunião com o presidente americano no Salão Oval, em 26 de maio de 2026. Um representante da Casa Branca confirmou o encontro. Segundo Flávio, foram discutidos crime organizado, tarifas e minerais críticos.

Embora o relato não mencione o KC-390, há um antecedente específico de promoção do avião por Eduardo. Em entrevista à Agência de Notícias Brasil-Árabe, publicada em agosto de 2019, ele relatou que discutira a possibilidade de venda do KC-390 durante reuniões nos Emirados Árabes Unidos, quando presidia a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. O registro documenta familiaridade com a promoção internacional do produto, sem comprovar resultado comercial ou atuação equivalente nos EUA. Sete anos depois, em maio de 2026, a Embraer fechou com os Emirados um contrato para até 20 aeronaves, a maior encomenda internacional do cargueiro por um único país e a primeira venda no Oriente Médio.

A influência possível seria, sobretudo, de acesso e articulação: facilitar a apresentação da proposta a autoridades, incentivar seu exame no diálogo bilateral e dar visibilidade aos benefícios industriais para os americanos. 

Uma campanha industrial que já está em andamento
A iniciativa da Embraer tem trajetória própria. Em comunicado de 19 de fevereiro de 2026, a empresa e a Northrop Grumman anunciaram investimentos conjuntos para desenvolver o KC-390 Multi-Mission Tanker, voltado aos Estados Unidos e a países aliados. O trabalho inclui uma lança rígida autônoma de reabastecimento, comunicações aprimoradas, opções de consciência situacional e sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis.

Em setembro, a FlightGlobal voltou a destacar a campanha sob o conceito Multi-Mission Airlift and Tanker, apresentando o KC-390 como complemento ao KC-46. A lógica comercial é oferecer uma plataforma que reúna transporte tático e reabastecimento, ampliando as alternativas de emprego da frota.

O desenvolvimento da lança rígida é uma distinção técnica essencial. O KC-390 já dispõe de reabastecimento por mangueira e cesto, documentado pela Embraer, mas o sistema anunciado com a Northrop pretende ampliar o universo de aeronaves atendidas, embora essa nova configuração ainda não esteja pronta e qualificada.

Também há contato operacional anterior à campanha eleitoral. A própria USAF registrou a participação de um C-390 brasileiro no exercício Storm Flag, na Louisiana, em março de 2024, junto a aeronaves americanas e suecas. O exercício demonstra interação militar e familiaridade com o modelo.

O argumento americano que poderia interessar a Trump
A perspectiva de produção local oferece um argumento concreto para uma eventual articulação política. Em declaração publicada pela Defense One em fevereiro de 2026, Bosco da Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que a empresa estaria disposta a investir mais de US$ 500 milhões em uma instalação dedicada ao KC-390 nos EUA, caso houvesse viabilidade de negócio. 

Em 24 de setembro, o vice-presidente de Estratégia de Mercado e Produto da Embraer, Alvadi Serpa Junior, indicou Melbourne, na Flórida, onde a empresa já monta jatos executivos, como possível sede da fábrica, condicionada a uma encomenda expressiva do governo americano.

Uma proposta desse tipo permitiria apresentar o avião também como fonte de investimento, atividade industrial e empregos nos Estados Unidos. A associação com a Northrop Grumman reforça essa dimensão. Como análise, esse seria um argumento mais consistente para mobilizar interesse em Washington do que a afinidade pessoal entre dirigentes brasileiros e americanos.

A orientação pública de Trump oferece um ponto de convergência: a ordem executiva de 9 de abril de 2025 sobre aquisições de defesa enfatiza rapidez, inovação e revitalização da base industrial americana. A proposta da Embraer poderia ser defendida à luz desses objetivos.

Para o Brasil, o valor de uma eventual montagem nos EUA dependeria da divisão industrial negociada. Seria necessário avaliar quais atividades de engenharia, componentes, propriedade intelectual e receitas permaneceriam no País. Uma venda internacional relevante pode beneficiar a BID, mas seus efeitos não são iguais em qualquer arranjo de produção.

Onde termina o acesso político e começa a decisão de compra
Uma eventual atuação de Eduardo poderia ajudar a colocar o projeto na agenda. A conversão desse acesso em aquisição dependeria de necessidade operacional reconhecida, desenvolvimento e demonstração da configuração proposta, custos de implantação e sustentação e disponibilidade de recursos. A discussão orçamentária também passa pelo Congresso americano, como mostram as audiências públicas da USAF sobre suas prioridades de modernização.

A apresentação como complemento ao KC-46 pode reduzir a percepção de confronto direto com um programa existente, mas não elimina a disputa por orçamento. Mesmo um avião com funções adicionais precisa demonstrar por que sua incorporação oferece vantagem diante de outras formas de atender à missão. 

Tarifaço e mercado interno: o teste do acesso político
O raciocínio aplicado ao KC-390 vale também para um problema mais imediato da BID: as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Desde 22 de julho, vigora uma sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da lei comercial dos EUA, justificada pelo USTR com o Pix, a taxação do etanol americano e falhas no combate à corrupção e ao desmatamento. Somada ao adicional de 12,5% ligado à investigação sobre trabalho forçado, a carga chega a 37,5%, segundo a Taurus. Partes de aviões ficaram entre as exceções, o que preserva uma parcela das exportações da Embraer, mas as armas leves e aeronaves militares não.

Uma vitória de Flávio no dia 25 poderia mudar o quadro. Como as tarifas de 2025 nasceram vinculadas à situação de Jair Bolsonaro, um governo alinhado a Washington teria mais condições de negociar um acordo comercial amplo, e o acesso de Eduardo ajudaria a abrir portas. A redução, nesse caso, decorreria de um entendimento soberano entre Estados, não de afinidades pessoais com empresas, e poderia exigir concessões brasileiras concretas nos temas que fundamentam a Seção 301.

Por outro lado, para a Taurus e para as demais empresas que produzem armamento leve, um eventual governo Flávio poderia oferecer ainda uma compensação doméstica. Em agosto, o deputado Marcos Pollon (PL-MS), integrante da equipe do candidato, defendeu como "primeiro passo" a revogação dos decretos de armas editados por Lula. Em seguida viria uma nova lei para substituir o Estatuto do Desarmamento, com critérios objetivos para aquisição e porte e a recomposição das prerrogativas de caçadores, atiradores desportivos e colecionadores (CACs). A proposta não consta do programa registrado no TSE, mas indica a disposição do grupo político do candidato.

O histórico recente mostra como o mercado reage a essas regras. Segundo o Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal, os registros chegaram a 185.497 em 2021 e a 135.334 em 2022. Com as restrições adotadas a partir de 2023, caíram 80%, para 28.328, o menor número desde 2004. A receita da Taurus no Brasil recuou 70,5% no quarto trimestre de 2023, e o presidente da empresa, Salesio Nuhs, afirmou que o mercado interno "simplesmente não existiu" naquele ano. Com as exportações para os Estados Unidos encarecidas pela tarifa, a reativação da demanda interna funcionaria como alternativa parcial.

O efeito, porém, teria limites. Em 2021, o Brasil respondia por apenas 8% a 10% da produção da Taurus, de modo que o mercado interno complementaria as vendas americanas, mas não as substituiria. Regras fixadas por decreto também podem ser revertidas rapidamente, como ocorreu em 2023, e uma nova lei dependeria do Congresso e de eventuais questionamentos no Supremo.

Indícios relevantes e compromissos ainda abertos
A participação do irmão do candidato e de um ex-secretário com larga experiência no setor constitui um indício relevante para compreender a direção em discussão. Isso não equivale, entretanto, à confirmação de que todas as propostas foram incorporadas pela candidatura.

Em reportagem de 29 de setembro sobre uma possível reforma do Itamaraty, a Folha de S.Paulo registrou que a campanha declarou que nem Eduardo Bolsonaro nem Degaut falavam pelo candidato. A manifestação ocorreu no contexto da política externa e não elimina o valor analítico das declarações, mas exige atribuir aos próprios autores as ideias apresentadas e distingui-las dos compromissos oficiais de Flávio.

Também permanecem lacunas materiais. A análise dos programas publicada pelo Forças Terrestres em 11 de setembro apontou a ausência, no documento de Flávio, de meta orçamentária específica para defesa, prioridades de plataformas e uma política detalhada para a BID. A promessa de duplicar investimentos, observou o portal, refere-se à segurança pública, não ao orçamento militar.

Para a indústria, a questão decisiva será como a orientação anunciada se converterá em demanda previsível. Um compromisso com modernização ganha alcance industrial quando define recursos, prazos e condições para desenvolver, produzir e sustentar equipamentos. Sem essas escolhas, ainda não é possível projetar encomendas ou identificar empresas beneficiadas.

Direção provável: tecnologia, capacidade militar e fortalecimento da BID
Os dados conhecidos permitem, portanto, reconhecer uma direção provável: tecnologia aplicada à segurança, valorização da capacidade militar e interesse, expresso por interlocutores próximos, em fortalecer a base industrial de defesa. 

Degaut reúne experiência documentada em instrumentos de apoio à BID. Eduardo dispõe de acesso político e já participou da promoção do KC-390 no exterior; a Embraer possui uma iniciativa industrial concreta nos Estados Unidos e a Taurus, além de já estar estabelecida neste país, poderia se beneficiar tanto de uma negociação tarifária quanto da reabertura do mercado interno. 

Esses elementos sustentam a hipótese de uma diplomacia de defesa mais ativa em favor das empresas brasileiras. A confirmação dependerá da apresentação, pela própria candidatura, das prioridades e dos meios para executar essa orientação.

21 abril, 2023

Grupo EDGE, dos Emirados, avança em todas as frentes de exportação, inclusive no Brasil

- O Grupo Edge contratou Marcos Degaut, destacado ex-Secretário de Produtos de Defesa, para ser o novo executivo para os mercados latino-americanos, e abriu escritório em Brasília.


*Defense-Aerospace, por Tim Maxwell - 18/04/2023

Tornou-se lugar-comum dizer que os players ocidentais de defesa estão enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada dos recém-chegados ao mercado. Depois de décadas como um grande importador de armas, os Emirados Árabes Unidos parecem emergir como um desses novos concorrentes importantes, com sucessos notáveis ​​alcançados por seu recém-criado conglomerado de defesa EDGE (estatal). Quais mercados Abu Dhabi está conseguindo atender e como a pequena federação está fazendo isso?

A cada feira de defesa que passa, um novo player está deixando uma marca na indústria. O EDGE Group, o conglomerado industrial de defesa dos Emirados estabelecido em 2019, conseguiu capturar os holofotes em todos os eventos, seja pela apresentação de produtos às vezes com aparência futurista, seja pelo anúncio de novos contratos com clientes inesperados ou parcerias com empresas estabelecidas.

Este ambicioso concorrente está agora afirmando suas ambições de exportação, tendo feito grandes esforços para se transformar, de fornecedor nacional de equipamentos para as forças dos Emirados Árabes Unidos, em sério concorrente global. Em 2022, a empresa registrou US$ 1,5 bilhão em exportações (na época, um aumento de 500% em relação ao ano anterior), representando 30% do total de pedidos recebidos. Nesse mesmo ano, a empresa reorganizou sua estrutura para melhor atuar nos mercados de exportação, conforme relatado pela publicação confidencial francesa Intelligence Online, por meio da criação de um novo departamento dedicado.

Até agora, o EDGE tendia a se concentrar em projetos de baixo custo de entrada, como enxame de drones, conforme observado pelo membro sênior do Instituto do Oriente Médio, Bilal Saab, na Shephard Media. No entanto, o grupo está presente em uma impressionante variedade de segmentos: de pequenas armas à construção naval, a mísseis e sistemas de defesa antimísseis, UAVs e sistemas anti-UAV, veículos blindados, guerra eletrônica e soluções cibernéticas…

A jornada dos Emirados rumo ao estabelecimento de uma indústria nacional de defesa provou ser bastante eficaz. Conforme expresso pelo diretor de negócios internacionais do EDGE, Miles Chambers, em entrevista ao Flight Global, “passamos dos Emirados Árabes Unidos como destinatários da transferência de tecnologia para os Emirados Árabes Unidos como aquele que transfere a tecnologia”.

Vamos mergulhar em alguns desses sucessos e delinear as razões pelas quais alguns players ocidentais devem realmente se preocupar com seus mercados tradicionais.

Vários sucessos de exportação já reservados
O exemplo mais impressionante de sucesso de exportação ocorreu em fevereiro passado, quando a subsidiária naval da empresa Abu Dhabi Ship Building (ADSB) anunciou um acordo de US $ 1 bilhão - o maior contrato de exportação do EDGE - para a construção de quatro corvetas BR71 Mk II para a Marinha Angolana.

Afastando-se do negócio naval, mas ainda na África, o EDGE firmou uma parceria estratégica com os militares da Tanzânia, outro exemplo do potencial de mercado ainda a explorar para o conglomerado no continente.

Olhando para a Ásia, o EDGE esteve presente na Indo Defense 2022, com o CEO Mansour AlMulla falando sobre “a importância estratégica do mercado indonésio” para a empresa. A Índia é mais uma importante perspectiva de mercado para o conglomerado dos Emirados.

A subsidiária Al Tariq do EDGE, desenvolvida a partir de uma JV forjada entre o fundo soberano Tawazun e a sul-africana Denel Dynamics, assinou dois MoUs com parceiros indianos em 2023: um com a Bharat Dynamics para a produção conjunta de munições Al Tariq na Índia, e outro com a HAL para a integração das munições nas plataformas de asa fixa desta última (nomeadamente Tejas).

Fontes também indicaram que Al Tariq ajudaria a HAL a comercializar seu LCA para os países do MENA, abrindo mais possibilidades de exportação para suas munições guiadas de precisão na região. A região MENA, e o Golfo em particular, é um mercado natural para o EDGE, que participou do Riyadh World Defense Show inaugural em 2022, com seu presidente executivo Faisal Al Bannai dizendo que “a Arábia Saudita é um mercado estratégico fundamental para a empresa.”

O EDGE fez parceria com a Saudi Arabian Military Industries (SAMI) no passado: em 2021, sua subsidiária NIMR assinou um acordo com a SAMI para a produção de veículos militares na Arábia Saudita.

Rio de Janeiro como futura potência da América Latina
O EDGE também acaba de participar do LAAD Defence & Security 2023 no Rio de Janeiro, onde vários anúncios foram feitos sobre a futura cooperação com entidades brasileiras. A reaproximação foi originalmente iniciada em um nível muito político no governo Bolsonaro, notadamente através do filho do ex-presidente Eduardo Bolsonaro e Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa do Brasil, que então se tornou chefe do EDGE Brasil.

Questionado sobre como uma presença mais forte do EDGE no Brasil beneficiaria o país, Degaut disse que enquanto “empresas de vários países” têm um “viés predatório”, citando EUA, Itália ou Egito, os Emirados Árabes Unidos não. As últimas notícias do Brasil mostram que a chegada de Lula no lugar de Bolsonaro não acabou com essas boas perspectivas, como demonstra a visita do atual ministro da Defesa do Brasil, José Lúcio, ao estande do EDGE na feira LAAD em 11 de abril.

Além de propor soluções convincentes do ponto de vista tecnológico a preços mais baixos (pelo menos, assim diz a propaganda do EDGE), o player dos Emirados se beneficia de seu posicionamento político, abertura para transferência de tecnologia e apoio ao surgimento de players industriais de defesa em suas exportações mercados.

Esse sucesso não vem sem desafios, no entanto: o EDGE agora precisa aumentar sua capacidade de produção, que ainda não está adaptada para produção em larga escala, e fortalecer sua cadeia de suprimentos, contando com a integração de fornecedores estrangeiros. Tudo isto, mantendo a PI recém-adquirida… e continuando a apostar no desenvolvimento de novas competências e conhecimentos tecnológicos.

Em suma, ainda há um longo caminho a percorrer para que o EDGE se torne o principal player de defesa que deseja ser; ainda assim, as empresas ocidentais tradicionais devem ficar de olho nesse novo concorrente, especialmente em países emergentes. Os mercados há muito considerados seguros podem acabar sucumbindo aos encantos dos Emirados…
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Acordos, parcerias e MoU firmados pelo Grupo EDGE durante a LAAD 2023


*LRCA Defense Consulting - 21/04/2023

- com a Marinha do Brasil: acordo de desenvolvimento conjunto para cooperar no desenvolvimento de mísseis anti-navio de longo alcance e mísseis hipersônicos;

- com a Akaer: parceria estratégica para a área de Defesa e Aeroespacial. As duas companhias assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) com o objetivo de desenvolver e produzir sistemas e equipamentos de altíssima tecnologia no setor de aeroespaço e defesa em ambos os países;

- com a Kryptus: parceria para colaborar para aprimorar os recursos de comunicações cibernéticas e seguras e buscar oportunidades estratégicas nos mercados de tecnologia avançada e defesa;

- com a SIATT: MoU para cooperar no domínio de armas inteligentes;

- com a Condor, especialista em tecnologias não letais do Brasil, para combinar as capacidades das empresas e buscar conjuntamente oportunidades de negócios nos mercados dos Emirados Árabes Unidos e do Brasil. O MoU com a Condor já foi assinado por Marcos Degaut.

Sobre a participação do Grupo EDGE na LAAD 2023, Mansour AlMulla, diretor administrativo e CEO disse: “A participação do EDGE na LAAD 2023 nos permite mostrar nossas capacidades avançadas nos domínios aéreo, terrestre, marítimo e cibernético, e é uma indicação clara da grande importância que a EDGE atribui ao mercado brasileiro. mercado, e outros grandes mercados na América Latina. Nosso objetivo é aproveitar as valiosas parcerias que mantemos com alguns dos principais players da região e forjar novas colaborações para expandir nossa presença por meio de exportações, aumentando as cadeias de suprimentos locais e auxiliando no desenvolvimento de capacidades de defesa nacional em todo o continente.”

Abertura de escritório em Brasília para gerenciar negócios na América Latina

O Grupo EDGE anunciou, em 11 de abril, que abrirá um novo escritório regional na capital federal do Brasil, Brasília. O novo escritório, que será administrado por uma equipe dedicada e experiente de profissionais da indústria de defesa e dos ecossistemas de negócios locais, está programado para ser inaugurado em breve. O anúncio foi feito no estande do EDGE na LAAD Defence & Security 2023.

A mudança sinaliza a confiança do EDGE nos mercados latino-americanos à medida que expande sua presença global nas áreas de tecnologia avançada e defesa.

Mansour AlMulla, diretor administrativo e CEO do EDGE, disse: “Este é um momento de enorme orgulho para o EDGE como uma empresa relativamente jovem de pouco mais de três anos. O anúncio de hoje de nosso novo escritório regional LATAM em Brasília é um sinal claro de nossa confiança nos mercados de todo o continente e nas valiosas oportunidades que eles apresentam para o desenvolvimento de negócios internacionais, compartilhamento de conhecimento e maior prosperidade.

“À medida que expandimos nossa presença global, agora estamos tendo um grande interesse comercial nesses mercados com o objetivo de apresentar nossa tecnologia avançada líder do setor e soluções de defesa, forjando novas parcerias e auxiliando no desenvolvimento de capacidades de defesa nacional, no espírito de colaboração internacional e para realizar objetivos mútuos e apoiar o crescimento econômico”.

25 fevereiro, 2023

Apoio do Itamaraty a produtos de defesa brasileiros é quase inexistente, diz ex-secretário Degaut


*Sputnik Brasil - 24/02/2023

Embargo da Alemanha à venda de veículos blindados brasileiros colocam a indústria de armamentos de volta à ordem do dia. A Sputnik Brasil conversou com o ex-secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, e especialistas de ponta para saber como o conflito na Ucrânia e o governo Lula impactam a indústria de defesa brasileira em 2023.

Nesta quinta-feira (23), a Alemanha confirmou o embargo à venda de veículos blindados brasileiros para as Filipinas, por possuírem peças de fabricação alemã em sua composição.

O contrato previa a venda de 28 viaturas blindadas VBTP-MSR 6X6 Guarani ao Exército de Manila. De propriedade intelectual do Exército Brasileiro, os Guaranis são produzidos pela empresa IDV, localizada na cidade mineira de Sete Lagoas.

A notícia coloca em evidência a capacidade exportadora da Base Industrial de Defesa brasileira (BID). Mesmo sendo um país pacífico internacionalmente, o Brasil produz uma ampla gama de equipamentos militares, que vão desde facas até aeronaves de ponta, como o KC-390 da Embraer.

"A base industrial brasileira tem vocação exportadora", disse o ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa do Brasil, Marcos Degaut, à Sputnik Brasil. "Cerca de 75% a 80% dos produtos de defesas fabricados no Brasil se destinam ao exterior, fazendo com que o setor se converta em um importante gerador de divisas, empregos de alta qualificação e renda."

Degaut, que também ocupou o cargo de secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, lembra que as exportações são um pilar da Política Nacional da Base Industrial de Defesa publicada em agosto de 2022.


"Neste cenário, merecem relevo os sucessivos recordes de exportações do último triênio", relatou Degaut. "Em 2021, não obstante aos efeitos da pandemia, alcançou-se a cifra recorde de US$ 1,7 bilhão [cerca de R$ 8,7 bilhões], representando acréscimo de 87,2% em relação a 2018."

Segundo Degaut, os principais destinos das exportações brasileiras são o Oriente Médio e a América Latina. O ex-secretário defendeu sua gestão, notando que "conseguimos aumentar significativamente nossa presença em outros mercados relevantes, mas nos quais não tínhamos capacidade de penetração, como o Sudeste Asiático e a África Subsaariana".

"Dentre alguns dos principais produtos, destacam-se sistemas de artilharia por saturação de área, sistemas de criptografia e de proteção das comunicações, material não letal para controle de distúrbios, [...] mísseis e foguetes guiados, aeronaves, sistemas de controle de tráfego aéreo", elencou Degaut. "Aliás, somos o maior fornecedor de munições da OTAN."


Apesar do crescimento das exportações, existem diversos obstáculos à contínua expansão da BID. Degaut pediu maior atenção do governo na prospecção de novos mercados para os produtos brasileiros e não poupou críticas à atuação do Ministério das Relações Exteriores.

"De maneira absolutamente anacrônica, produtos de defesa ainda são vistos com muita desconfiança e reticências no Itamaraty, fazendo com que o apoio daquela Casa seja tímido, quando não francamente inexistente", declarou Degaut.

Segundo ele, "é importante lembrar que a mera presença de embaixadores brasileiros em feiras de produtos de defesa mundo afora apenas para cortar a fita inaugural do Pavilhão do Brasil [organizado pelo Ministério da Defesa e pelo setor privado, com auxílio da APEX] nesses eventos ou o oferecimento de um jantar de boas-vindas às delegações brasileiras nessas ocasiões estão longe de configurar atividades de promoção comercial".

Made in Brasil
O caso do embargo alemão à venda de Guaranis brasileiros também coloca em pauta a necessidade de garantir maior índice de conteúdo nacional nos produtos de defesa brasileiros. Para Degaut, no entanto, esse esforço envolve financiamento, políticas públicas e cooperação internacional.

"Não se trata de aumentar conteúdo nacional ou diminuir componentes importados por meio de uma 'canetada' presidencial ou ministerial. A história recente do Brasil demonstra que isso não funciona, o que foi bastante evidente durante o governo Dilma Rousseff", disse o ex-secretário do Ministério da Defesa. "É necessária a alocação de recursos financeiros para fomentar e viabilizar projetos de pesquisa de interesse da Defesa, para o desenvolvimento endógeno de alta tecnologia."

O analista militar e consultor Pedro Paulo Resende acredita que as Forças Armadas brasileiras devem capitanear as compras dos produtos nacionais, e lembra que a dificuldade em garantir investimentos consistentes já prejudicaram importantes projetos da BID.

"Um dos principais obstáculos é a falta de encomendas internas, precisamos ter mais", disse Resende à Sputnik Brasil. "Produtos que foram vencedores no passado entraram em obsolescência, como é o caso do A-29 Super Tucano. O Tucano original T27, um avião de treinamento que poderia ser substituído por uma nova família de treinadores, é outro que ficou pra trás e precisa ser retomado com urgência."


O analista ainda cita a necessidade de modernizar os sistemas de lançamento de foguetes Astros da Avibras, que devem atender à crescente demanda dos clientes por sistemas de mísseis guiados.

"Isso é uma deficiência que tem que ser suprida no sistema, mas depende de encomendas das Forças Armadas brasileiras", acredita Resende.

Governo Lula e Produtos de Defesa
Já nas suas primeiras semanas, o governo Lula enfrentou alguns atritos com setores militares. A troca precoce no Comando do Exército poderia anunciar uma reticência por parte do petista em investir na base industrial de defesa.

No entanto, o professor da UNICAMP e pesquisador da área de indústria aeroespacial e de defesa, Marcos José Barbieri Ferreira, não acredita que o governo Lula terá dificuldades ideológicas em apostar na BID.

"Não acredito nisso, aliás os sinais apontam para o contrário", disse Ferreira à Sputnik Brasil. "A primeira reunião que Lula teve com setores da defesa incluiu não só os comandantes militares e o ministro Alckmin, mas também o presidente da FIESP, justamente para atender a demandas das Forças Armadas na área de defesa", disse Ferreira.

Para o pesquisador, a nova política econômica do governo busca a retomada do crescimento e a reindustrialização nacional, o que favorece os investimentos na BID.


"No mundo inteiro, a relação entre Estado e empresas de defesa é uma relação simbiótica. Um auxiliando o outro. Se não tiver apoio do Estado, não tem indústria de defesa", disse Ferreira.

De acordo com Marcos Degaut, "a BID representa, atualmente, 4,8% do PIB nacional e gera cerca de três milhões de empregos, diretos e indiretos", o que favorece o setor como propulsor do crescimento econômico.

"O novo governo prometeu aumentar os recursos para investimentos das Forças Armadas. Isso é uma iniciativa extremamente bem-vinda e muito necessária. Vamos esperar que a promessa seja cumprida", disse Degaut. "Investimentos significam recursos não apenas para aquisição de produtos, mas também para o desenvolvimento de novas tecnologias, de forma a superar situações de dependência tecnológica de produtos estrangeiros."

Ferreira faz uma ressalva ao otimismo, lembrando que "o contexto internacional agora é muito mais complicado do que era nos governos Lula anteriores".

Conflito ucraniano e BID brasileira
O conflito ucraniano e aumento de tensões entre potências como EUA, Rússia e China geram aumento total nos gastos militares o que, teoricamente, favoreceria o aumento das exportações de produtos de defesa brasileiros.

"Estamos em um contexto de disputa hegemônica, que se concretizou em um conflito de facto entre Ocidente, OTAN e Rússia, que está ocorrendo na Ucrânia", ponderou Ferreira. "Isso está gerando um aumento nos gastos militares totais, que precisa estar aliado a investimentos em novas tecnologias."

Os especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil divergem quanto aos impactos do conflito ucraniano na indústria brasileira.

Para Pedro Paulo Resende, o envolvimento de uma ampla gama de países no conflito ucraniano pode dificultar as exportações nacionais.

"Por enquanto [o conflito na Ucrânia] serviu como um obstáculo", acredita Resende. "O Brasil não fornece para países em guerra, e houve várias tentativas de governos ocidentais de burlar esse embargo para repassar [produtos de defesa] para a Ucrânia. Obviamente o Brasil não aceitou. Então [o conflito] restringiu as nossas exportações."

Degaut acredita que o Brasil deve transformar essa crise geopolítica em oportunidade para desenvolver sua indústria de defesa, que pode funcionar como um pilar para o desenvolvimento do país.

"Baseada na constatação de que não se pode ser pacífico sem ser forte, a permanente capacitação da indústria nacional deve figurar como um dos pilares centrais das políticas e estratégias nacionais de defesa do Brasil", disse Degaut. "Em Defesa, não há espaço para improviso."

Nesta quinta-feira (23), a Alemanha embargou a venda brasileira às Filipinas de veículos blindados Guarani que contêm componentes de fabricação alemã. Os veículos brasileiros Guarani já foram exportados para países como o Líbano e vendas para Argentina e Malásia estão em negociação. Em 2021, as exportações de produtos de defesa brasileiros atingiram US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,7 bilhões), recorde histórico para o setor.

30 junho, 2022

Secretário Marcos Degaut fala sobre a importância da Base Industrial de Defesa para o Brasil


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

No dia 25 último, o programa “Por Dentro da Defesa” recebeu o Secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, para abordar os Projetos Estratégicos do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, bem como as ações em conjunto com a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

Em sua entrevista, o Secretário esclareceu como o investimento no setor de Defesa é benéfico em diferentes níveis para nosso país, seja para uma integridade e soberania no campo, ou para o crescimento econômico, já que um grande retorno financeiro é feito através do investimento de tecnologias que beneficiam não apenas o setor de defesa, mas a população no geral.

“Por Dentro da Defesa” é um programa que traz personalidades militares e civis para debates em diversos segmentos de Defesa. A proposta é aproximar e fortalecer a integração civil e militar, por meio de comunicação direta, acessível e transparente, além de promover a troca de conhecimentos por parte de especialistas da área.



https://www.youtube.com/watch?v=OmtZXfDlwBY

11 dezembro, 2021

Marcos Degaut: Base Industrial de Defesa forte significa autonomia tecnológica e estratégica, mais emprego, renda e investimentos


*LRCA Defense Consulting - 11/12/2021 

Em uma esclarecedora entrevista ao programa "Os Pingos no Is", da TV Jovem Pan, o Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Marcos Degaut, comenta e explica os motivos de o Governo Federal continuar impulsionando a Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil, que vem batendo sucessivos recordes de exportação, tendo superado 1,5 bilhão de dólares na comercialização de produtos para o exterior no mês de novembro de 2021. 

A meta é fechar o ano com a soma de 2 bilhões de dólares em exportações.

BID forte significa autonomia tecnológica e estratégica, mais emprego, renda e investimentos.  


 

12 setembro, 2021

Defesa tem destaque nas exportações


*CIEAM - Centro da Indústria do Estado do Amazonas - 11/09/2021

Por Marcos Rosas Degaut Pontes*

Durante o ano de 2021, a Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), da Secretaria-Geral do Ministério da Defesa, desenvolveu várias atividades e iniciativas, com base em seu planejamento estratégico, para a promoção dos produtos, serviços e tecnologias da Base Industrial de Defesa (BID), buscando o desenvolvimento da economia de Defesa do país.

Destaco que o Ministério da Defesa tem buscado derrubar barreiras; inovar em soluções que ampliem e fortaleçam a base industrial de Defesa brasileira, com ênfase nas ações focadas em novas formas de financiamentos e garantias para o setor; aperfeiçoar a Tríplice Hélice (que congrega ações envolvendo academia, Estado e iniciativa privada); e buscar isonomia normativa e tributária, que permita uma concorrência entre a indústria nacional e os fabricantes internacionais, em igualdade de condições.

Dessa forma, em 2019, as exportações autorizadas atingiram um número recorde até então, US$ 1.231.091.652,66, com um salto de mais de 30% em relação ao ano anterior. Se considerarmos a média de exportações autorizadas desde 2001, o ano de 2020 foi também muito significativo para a economia de Defesa, com exportação superior à média, atingindo o total de US$ 777.087.845,52, mesmo no cenário de pandemia.

Fruto de todas as ações do governo federal em prol da retomada econômica, e das ações estratégicas que vêm sendo elaboradas por este ministério, atingimos um número recorde de exportações autorizadas, US$ 1.322.690.166,19 (até 26 de agosto de 2021), o que fará do ano de 2021 o melhor resultado até o momento. Ainda existem grandes negociações em andamento, confirmando o ano de 2021 como o melhor resultado para a indústria de Defesa brasileira.

A economia de Defesa é importante para o país, pois gera renda e empregos altamente qualificados. É um setor que tem um efeito multiplicador sobre a economia, que impulsiona qualitativamente o desenvolvimento tecnológico, com forte efeito sobre o PIB. Segundo estudo elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em 2021, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), sobre a Mensuração da Base Industrial de Defesa e Segurança, o setor representa 4,46% do PIB brasileiro, gerando 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos (2,19% dos empregos do Brasil). Esse estudo é um dos resultados do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre o Ministério da Defesa e a Confederação Nacional da Indústria, e será lançado brevemente para consulta.

A exportação fortalece a indústria nacional de Defesa, além de mantê-la com capacidade de fornecer produtos, serviços e tecnologia de ponta. Assim, a exportação assume um papel crucial, por ser um caminho eficaz num ambiente globalizado, cada vez mais competitivo, e é nesse contexto que o Ministério da Defesa tem prestado relevante apoio à Base Industrial de Defesa (BID) na consecução de seus objetivos.

*Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa

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