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13 agosto, 2025

Campinas terá novo polo tecnológico em parceria com Exército e Governo do Estado

 Área com quase 200 mil metros quadrados poderá abrigar startups de defesa e segurança

 

*LRCA Defense Consulting - 13/08/2025

Campinas ganhará um novo parque tecnológico. O primeiro passo foi realizado na tarde desta segunda-feira, 11 de agosto, com a assinatura de um memorando de entendimento para estudos do futuro Centro de Ciência e Tecnologia do Exército.  

O prefeito de Campinas, Dário Saadi, assinou o documento junto com o general Achilles Furlan Neto, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército Brasileiro, e com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, durante uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.  

"Hoje lançamos a semente de um ecossistema inovador que vai integrar ciência e tecnologia, consolidando Campinas como referência nacional e internacional em inovação", explicou o prefeito. 

“A gente fica muito feliz com essa iniciativa do Exército, que foi intermediada pelo Governo de São Paulo, de levar o Parque Tecnológico de Defesa e Segurança para Campinas”, disse o governador Tarcísio de Freitas. Segundo ele, nada melhor do que uma cidade muito estruturada e vocacionada para educação, ciência e tecnologia como Campinas para sediar esse projeto. "Tenho certeza de que essa iniciativa vai fazer muita diferença na nossa cidade de Campinas”, destacou o governador. 

A instalação está prevista para acontecer em parte da área da Coudelaria do Exército, entre Campinas e Valinhos. Somente a área dedicada ao futuro centro tem cerca de 200 mil metros quadrados. O parque será voltado para empresas de áreas de tecnologias de segurança, vigilância e defesa.  

“É uma área que o Exército já tem e que será possível implantar essa nova unidade de tecnologia com o apoio do governo do estado. Gratidão ao Exército e ao governador por essa articulação que vai contribuir ainda mais com o desenvolvimento da área de inovação em Campinas”, complementou o prefeito Dário. 

Parque tecnológico consolida plano do Exército 
O desejo de fazer de montar um polo tecnológico do Exército em Campinas já vem de muito tempo,  desde o final da década de 1970, segundo o General Achilles Furlan Neto, chefe do DCT. 

“Hoje foi um dia muito importante para a ciência e a tecnologia do Exército Brasileiro e para o próprio Exército. Campinas foi uma escolha óbvia pelo centro de inovação que a cidade é e sempre foi. Agora com a ajuda da Prefeitura de Campinas e do Governo de São Paulo, o Exército conseguiu finalmente realizar esse objetivo. Temos muita esperança de que vários produtos saiam dessa parceria e que o Brasil fique soberano em ciência e tecnologia como ele tem que ser”, disse.  

"A nossa responsabilidade enquanto Governo do Estado de São Paulo é fazer com que esse passo seja muito bem sucedido", complementa o governador Tarcísio de Freitas.   

Como vai funcionar 

Com prazo de cinco anos, o acordo vai contemplar estudos técnicos, institucionais e jurídicos para identificar o interesse comum e as possíveis formas de participação de cada ente na iniciativa, respeitando as competências e prioridades institucionais.  

O General de Brigada Douglas Corbari Corrêa do DCT contou que será criado um núcleo para a realização dos estudos entre o Estado, a Prefeitura de Campinas e o Exército. “Queremos intensificar as atividades de ciência e tecnologia e, por meio do parque, promover a atração das empresas”, disse. 

Segundo o general Corbari, a coordenação dos estudos será compartilhada entre os três entes. Ainda na fase de concepção, o projeto poderá contemplar empresas de outras áreas, para além da defesa e segurança. Será feito um chamamento para as empresas interessadas. 

Fases de estudo 
- Financiamento, infraestrutura, gestão ambiental e construção: discussão de possibilidades de fomento e desenvolvimento da infraestrutura física necessária, como laboratórios, centros de pesquisa, espaços para startups e áreas de testes;
- Captação de talentos e estímulo à pesquisa;
- Concepção dos ambientes de inovação, regulamentação e certificações; 
- Estratégias para o início das atividades, consolidação do ecossistema e promoção da integração entre os setores público, privado e acadêmico. 

O acordo vai designar posteriormente quais serão as secretarias municipais envolvidas. 

Evento 
Durante o evento foi assinado ainda um acordo entre o Exército e o governo do Estado para a implantação do Instituto de Pesquisas Estratégicas de São Paulo (Ipesp) dentro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).  

O prefeito Dário foi acompanhado pelos secretários municipais de Desenvolvimento Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi; de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Marcelo Coluccini; e pelo secretário adjunto de Justiça, Claudio Henrique Catalano Pires.  

Também participaram da cerimônia a secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Stephanie Yukie Hayakawa da Costa; os reitores da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior; da Unesp, Maysa Furlan; e da Unicamp, Paulo Cesar Montagner; além do diretor do IPT, Anderson Ribeiro Correia. 

*Com informações da Prefeitura Municipal de Campinas 

03 agosto, 2024

Até julho de 2024, exportações de produtos de defesa somaram R$ 8,4 bilhões superando o total do ano passado


*LRCA Defense Consulting - 03/08/2024

Em apenas sete meses, as autorizações para exportações de produtos de defesa brasileiros superaram o total de 2023. Até julho de 2024, as operações autorizadas somam R$ 8,4 bilhões (US$ 1,47 bilhão) em vendas para o exterior, enquanto que, em 2023, o valor chegou a US$ 1,45 bilhão. O dado parcial de 2024 já representa o segundo melhor resultado na série histórica de 2013-2024.

Entre os itens mais exportados estão componentes e aeronaves, como o KC-390 e o A-29 Super Tucano, que foram um sucesso de vendas no período. Somente este ano, aproximadamente 500 milhões de dólares foram arrecadados com exportações, sendo os Estados Unidos, Dinamarca, Hungria e Portugal os principais importadores, com investimentos acima de 100 milhões de dólares cada.

A Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), órgão da Defesa responsável por promover os produtos de defesa nacionais, trabalha para inserir empresas brasileiras no mercado internacional. A atividade ocorre por meio de promoção comercial, coordenação de diálogos entre indústrias de defesa, visitas técnicas à Base Industrial de Defesa (BID), reuniões bilaterais e participação em feiras nacionais e internacionais. O Secretário da Seprod, Heraldo Luiz Rodrigues, comentou sobre o incremento das exportações: “Entre os principais itens exportados estão aeronaves de combate e de transporte militar, que possuem grande valor agregado e tecnologia de ponta. As exportações estimulam a cooperação e integração no âmbito internacional, atraem investimentos externos e retêm talentos no país. Os números indicam desenvolvimento econômico, aumento da competitividade e fortalecimento da Base Industrial de Defesa”, afirmou.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Roberto Gallo, o êxito é resultado de uma ação estratégica conjunta de cerca de uma década. “O que estamos vendendo hoje é fruto de um produto de defesa estratégico que já está em uso há, pelo menos, uma década, pois os produtos precisam ser testados. Ele vem de uma construção, de uma visão estratégica de longo prazo do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, por meio da Seprod, coordenando as atividades para chegar a esse êxito, inclusive com interação com o Ministério de Relações Exteriores. Isso abre uma porta para que o Brasil volte a se tornar um dos maiores exportadores de sistemas de defesa do mundo”, declarou.

A Base Industrial de Defesa (BID) é composta por um conjunto de empresas, tanto estatais quanto privadas, envolvidas em várias etapas, incluindo pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e manutenção de produtos estratégicos de defesa. Esses produtos, que podem ser bens ou serviços, desempenham um papel crucial na realização dos objetivos de segurança e defesa do país.

Atualmente, o Ministério da Defesa tem um cadastro de 235 empresas que fazem parte da BID. O portfólio brasileiro é diversificado e inclui cerca de 1.700 produtos, entre eles aeronaves, embarcações, soluções cibernéticas para proteção de dados, radares, sistemas seguros de comunicação e armamentos. Todos esses itens são de alta tecnologia e contribuem significativamente para a defesa e segurança do país.

SEPROD - A Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod/MD) foi criada por meio do Decreto nº 7.364/2010, como previsão da Estratégia Nacional de Defesa de 2008, que preconizava a reorganização da Base Industrial de Defesa (BID), para assegurar o atendimento às necessidades de equipamento das Forças Armadas (FA) apoiado em tecnologias sob domínio nacional, preferencialmente as de emprego dual. 

*Com informações do Ministério da Defesa.

10 agosto, 2023

Um Setor de Defesa e Segurança forte estimula o crescimento econômico e o domínio tecnológico

*Leonardo de Moraes - LinkedIn - 10/08/2023

Destaco alguns pontos sobre a importância de um Setor de Defesa e Segurança forte para o crescimento econômico e o domínio tecnológico de um país, como o Brasil.

De fato, investir em pesquisa, desenvolvimento e modernização nesse setor pode trazer diversos benefícios, tanto para a economia quanto para a sociedade em geral. Algumas das razões pelas quais um Setor de Defesa e Segurança bem desenvolvido é crucial incluem:

1. Tecnologia e Inovação: investir em pesquisa e desenvolvimento no Setor de Defesa muitas vezes leva à criação de tecnologias avançadas, que posteriormente podem ser aplicadas em outros setores da economia, impulsionando a inovação.

2. Empregos de Qualidade: o desenvolvimento de produtos e tecnologias de Defesa exige mão de obra altamente qualificada, o que pode levar à criação de empregos de alta qualidade e bem remunerados, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

3. Capacidade Industrial: ao capitalizar e modernizar o Setor de Defesa, o país pode fortalecer sua base industrial, promovendo a produção interna de equipamentos e tecnologias avançadas, em vez de depender de importações.

4. Exportações e Balança Comercial: um Setor de Defesa robusto pode gerar excedentes que podem ser exportados, contribuindo para a melhoria da balança comercial do Brasil.

5. Segurança Nacional: um Setor de Defesa forte é essencial para garantir a segurança e a soberania do país, protegendo-o contra ameaças externas.

6. Parcerias Internacionais: investir em Defesa pode abrir portas para colaborações e parcerias internacionais em termos de pesquisa, desenvolvimento e produção, fortalecendo a posição do país no cenário global.

7. Desenvolvimento Regional: muitas vezes, os centros de pesquisa e desenvolvimento em Defesa podem se tornar polos tecnológicos que impulsionam o desenvolvimento de regiões específicas. 

*Leonardo de Moraes é economista e diretor da EXIMBRASIL.

25 fevereiro, 2023

Apoio do Itamaraty a produtos de defesa brasileiros é quase inexistente, diz ex-secretário Degaut


*Sputnik Brasil - 24/02/2023

Embargo da Alemanha à venda de veículos blindados brasileiros colocam a indústria de armamentos de volta à ordem do dia. A Sputnik Brasil conversou com o ex-secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, e especialistas de ponta para saber como o conflito na Ucrânia e o governo Lula impactam a indústria de defesa brasileira em 2023.

Nesta quinta-feira (23), a Alemanha confirmou o embargo à venda de veículos blindados brasileiros para as Filipinas, por possuírem peças de fabricação alemã em sua composição.

O contrato previa a venda de 28 viaturas blindadas VBTP-MSR 6X6 Guarani ao Exército de Manila. De propriedade intelectual do Exército Brasileiro, os Guaranis são produzidos pela empresa IDV, localizada na cidade mineira de Sete Lagoas.

A notícia coloca em evidência a capacidade exportadora da Base Industrial de Defesa brasileira (BID). Mesmo sendo um país pacífico internacionalmente, o Brasil produz uma ampla gama de equipamentos militares, que vão desde facas até aeronaves de ponta, como o KC-390 da Embraer.

"A base industrial brasileira tem vocação exportadora", disse o ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa do Brasil, Marcos Degaut, à Sputnik Brasil. "Cerca de 75% a 80% dos produtos de defesas fabricados no Brasil se destinam ao exterior, fazendo com que o setor se converta em um importante gerador de divisas, empregos de alta qualificação e renda."

Degaut, que também ocupou o cargo de secretário especial adjunto de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, lembra que as exportações são um pilar da Política Nacional da Base Industrial de Defesa publicada em agosto de 2022.


"Neste cenário, merecem relevo os sucessivos recordes de exportações do último triênio", relatou Degaut. "Em 2021, não obstante aos efeitos da pandemia, alcançou-se a cifra recorde de US$ 1,7 bilhão [cerca de R$ 8,7 bilhões], representando acréscimo de 87,2% em relação a 2018."

Segundo Degaut, os principais destinos das exportações brasileiras são o Oriente Médio e a América Latina. O ex-secretário defendeu sua gestão, notando que "conseguimos aumentar significativamente nossa presença em outros mercados relevantes, mas nos quais não tínhamos capacidade de penetração, como o Sudeste Asiático e a África Subsaariana".

"Dentre alguns dos principais produtos, destacam-se sistemas de artilharia por saturação de área, sistemas de criptografia e de proteção das comunicações, material não letal para controle de distúrbios, [...] mísseis e foguetes guiados, aeronaves, sistemas de controle de tráfego aéreo", elencou Degaut. "Aliás, somos o maior fornecedor de munições da OTAN."


Apesar do crescimento das exportações, existem diversos obstáculos à contínua expansão da BID. Degaut pediu maior atenção do governo na prospecção de novos mercados para os produtos brasileiros e não poupou críticas à atuação do Ministério das Relações Exteriores.

"De maneira absolutamente anacrônica, produtos de defesa ainda são vistos com muita desconfiança e reticências no Itamaraty, fazendo com que o apoio daquela Casa seja tímido, quando não francamente inexistente", declarou Degaut.

Segundo ele, "é importante lembrar que a mera presença de embaixadores brasileiros em feiras de produtos de defesa mundo afora apenas para cortar a fita inaugural do Pavilhão do Brasil [organizado pelo Ministério da Defesa e pelo setor privado, com auxílio da APEX] nesses eventos ou o oferecimento de um jantar de boas-vindas às delegações brasileiras nessas ocasiões estão longe de configurar atividades de promoção comercial".

Made in Brasil
O caso do embargo alemão à venda de Guaranis brasileiros também coloca em pauta a necessidade de garantir maior índice de conteúdo nacional nos produtos de defesa brasileiros. Para Degaut, no entanto, esse esforço envolve financiamento, políticas públicas e cooperação internacional.

"Não se trata de aumentar conteúdo nacional ou diminuir componentes importados por meio de uma 'canetada' presidencial ou ministerial. A história recente do Brasil demonstra que isso não funciona, o que foi bastante evidente durante o governo Dilma Rousseff", disse o ex-secretário do Ministério da Defesa. "É necessária a alocação de recursos financeiros para fomentar e viabilizar projetos de pesquisa de interesse da Defesa, para o desenvolvimento endógeno de alta tecnologia."

O analista militar e consultor Pedro Paulo Resende acredita que as Forças Armadas brasileiras devem capitanear as compras dos produtos nacionais, e lembra que a dificuldade em garantir investimentos consistentes já prejudicaram importantes projetos da BID.

"Um dos principais obstáculos é a falta de encomendas internas, precisamos ter mais", disse Resende à Sputnik Brasil. "Produtos que foram vencedores no passado entraram em obsolescência, como é o caso do A-29 Super Tucano. O Tucano original T27, um avião de treinamento que poderia ser substituído por uma nova família de treinadores, é outro que ficou pra trás e precisa ser retomado com urgência."


O analista ainda cita a necessidade de modernizar os sistemas de lançamento de foguetes Astros da Avibras, que devem atender à crescente demanda dos clientes por sistemas de mísseis guiados.

"Isso é uma deficiência que tem que ser suprida no sistema, mas depende de encomendas das Forças Armadas brasileiras", acredita Resende.

Governo Lula e Produtos de Defesa
Já nas suas primeiras semanas, o governo Lula enfrentou alguns atritos com setores militares. A troca precoce no Comando do Exército poderia anunciar uma reticência por parte do petista em investir na base industrial de defesa.

No entanto, o professor da UNICAMP e pesquisador da área de indústria aeroespacial e de defesa, Marcos José Barbieri Ferreira, não acredita que o governo Lula terá dificuldades ideológicas em apostar na BID.

"Não acredito nisso, aliás os sinais apontam para o contrário", disse Ferreira à Sputnik Brasil. "A primeira reunião que Lula teve com setores da defesa incluiu não só os comandantes militares e o ministro Alckmin, mas também o presidente da FIESP, justamente para atender a demandas das Forças Armadas na área de defesa", disse Ferreira.

Para o pesquisador, a nova política econômica do governo busca a retomada do crescimento e a reindustrialização nacional, o que favorece os investimentos na BID.


"No mundo inteiro, a relação entre Estado e empresas de defesa é uma relação simbiótica. Um auxiliando o outro. Se não tiver apoio do Estado, não tem indústria de defesa", disse Ferreira.

De acordo com Marcos Degaut, "a BID representa, atualmente, 4,8% do PIB nacional e gera cerca de três milhões de empregos, diretos e indiretos", o que favorece o setor como propulsor do crescimento econômico.

"O novo governo prometeu aumentar os recursos para investimentos das Forças Armadas. Isso é uma iniciativa extremamente bem-vinda e muito necessária. Vamos esperar que a promessa seja cumprida", disse Degaut. "Investimentos significam recursos não apenas para aquisição de produtos, mas também para o desenvolvimento de novas tecnologias, de forma a superar situações de dependência tecnológica de produtos estrangeiros."

Ferreira faz uma ressalva ao otimismo, lembrando que "o contexto internacional agora é muito mais complicado do que era nos governos Lula anteriores".

Conflito ucraniano e BID brasileira
O conflito ucraniano e aumento de tensões entre potências como EUA, Rússia e China geram aumento total nos gastos militares o que, teoricamente, favoreceria o aumento das exportações de produtos de defesa brasileiros.

"Estamos em um contexto de disputa hegemônica, que se concretizou em um conflito de facto entre Ocidente, OTAN e Rússia, que está ocorrendo na Ucrânia", ponderou Ferreira. "Isso está gerando um aumento nos gastos militares totais, que precisa estar aliado a investimentos em novas tecnologias."

Os especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil divergem quanto aos impactos do conflito ucraniano na indústria brasileira.

Para Pedro Paulo Resende, o envolvimento de uma ampla gama de países no conflito ucraniano pode dificultar as exportações nacionais.

"Por enquanto [o conflito na Ucrânia] serviu como um obstáculo", acredita Resende. "O Brasil não fornece para países em guerra, e houve várias tentativas de governos ocidentais de burlar esse embargo para repassar [produtos de defesa] para a Ucrânia. Obviamente o Brasil não aceitou. Então [o conflito] restringiu as nossas exportações."

Degaut acredita que o Brasil deve transformar essa crise geopolítica em oportunidade para desenvolver sua indústria de defesa, que pode funcionar como um pilar para o desenvolvimento do país.

"Baseada na constatação de que não se pode ser pacífico sem ser forte, a permanente capacitação da indústria nacional deve figurar como um dos pilares centrais das políticas e estratégias nacionais de defesa do Brasil", disse Degaut. "Em Defesa, não há espaço para improviso."

Nesta quinta-feira (23), a Alemanha embargou a venda brasileira às Filipinas de veículos blindados Guarani que contêm componentes de fabricação alemã. Os veículos brasileiros Guarani já foram exportados para países como o Líbano e vendas para Argentina e Malásia estão em negociação. Em 2021, as exportações de produtos de defesa brasileiros atingiram US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,7 bilhões), recorde histórico para o setor.

17 fevereiro, 2023

As perspectivas são boas para a Base Industrial de Defesa e Segurança


*Portal ABIMDE - 17/02/2023

As associadas da ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) tiveram a oportunidade de se inteirarem sobre o “Cenário Econômico e Perspectivas para a Base Industrial de Defesa” na plenária realizada na última terça-feira (14), em São Paulo, no Círculo Militar de São Paulo, em formato híbrido.

O tema foi abordado pelo Dr. Marcos José Barbieri Ferreira, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro do Conselho Consultivo da ABIMDE.

Em sua apresentação, o Professor Barbieri traçou um panorama da atual situação econômica, abordando temas importantes: o Cenário Internacional, o Cenário Político, a Política Econômica, o Diagnóstico e as Perspectivas para a Base Industrial de Defesa.

No âmbito global, deu ênfase aos aspectos tecnológico, geopolítico e econômico, ressaltando as mudanças estruturais geradas pela Indústria 4.0; o aumento dos gastos militares; o fim do modelo de globalização consolidado nos anos 1990; e a crescente demanda por equipamentos militares sofisticados.

Com relação à política econômica nacional, o Conselheiro da ABIMDE disse que a Indústria de Defesa está entre as prioridades da Política Industrial do novo governo, não apenas por questões de soberania, mas também por se tratar de “um setor chave que opera com alta tecnologia e tem demanda pública".

Em relação à política fiscal, ele destacou quatro Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que estão em tramitação no Congresso que, após aprovadas, impactarão significativamente as indústrias, são elas: Reforma Tributária (45/2019 e 110/2019), Marco Fiscal (95/2016) e PEC da Transição (32/2022).

"Existe [com a Reforma Tributária] a possibilidade de uma maior eficiência do setor produtivo e, particularmente, do setor industrial. Do ponto de vista técnico são projetos muito bem elaborados, com ganhos muito grandes. O maior desafio de uma Reforma Tributária, principalmente para um país com a complexidade econômica, social e federativa do Brasil, será arbitrar as perdas e ganhos. Há sinalização que avançaremos neste sentido”, afirmou o professor durante a palestra.

Ele disse ainda que vê espaço para a BIDS discutir o percentual e a regularidade dos investimentos em Defesa. "Uma discussão que garanta não apenas um percentual maior, mas a criação de mecanismos que garantam que esta variável investimentos tenha menor volatilidade", ressaltando também a importância da PEC 17/22 que garante a continuidade dos recursos para os Projetos Estratégicos de Defesa, de autoria do deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança.

Após a palestra, o Professor Barbieri respondeu a perguntas de associadas.

Perspectivas Positivas
O presidente do Conselho Diretor da ABIMDE, Dr. Roberto Gallo, agradeceu ao Professor Barbieri pela apresentação e, com relação aos temas abordados, fez duas observações.

A primeira foi sobre o fato de que as soluções encontradas para os problemas políticos, em geral, raramente são definitivas. "Isso é ruim, principalmente para os setores estratégicos onde a gente busca soluções definitivas."

A segunda observação foi sobre o tamanho dos gastos previdenciários, que dependem de uma revisão em direitos adquiridos. "E o Brasil não é um país que mexe em direito adquirido", salientou o Presidente.

Atualizando as associadas sobre as ações da ABIMDE junto ao novo Governo, Dr. Gallo disse que tem conversado com o Ministério da Defesa, com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) na busca de soluções estruturantes para a Base Industrial de Defesa e Segurança.

Ele ressaltou que as perspectivas neste momento são positivas, mas que são necessários planos estratégicos, que estão sendo elaborados pela ABIMDE em parceria com diversos atores.

O Presidente da ABIMDE acredita que o Ministro da Defesa, José Múcio, está empenhado em buscar soluções para reforçar imediatamente os investimentos, o crescimento das empresas e o incremento no número de empregos. “Óbvio que há variáveis a serem equacionadas, como o índice de conteúdo nacional que além de ser instável, se não for muito bem guardado, tem uma tendência de ser reduzido ao longo do tempo”, disse o Dr. Gallo.

Para ele, apesar do ambiente fiscal e de outras variáveis do país, a importância da Indústria de Defesa está bem entendida por todos os atores que entraram em posição de decisão. “A questão é o caminho que vai ser tomado e se conseguiremos, finalmente, soluções estratégicas um pouco mais perenes”, ressaltou.

No dia 8 de fevereiro, o Presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, recebeu o Dr. Roberto Gallo e o General Aderico Mattioli, da ABIMDE, e o Secretário de Produtos de Defesa, Brigadeiro Rui Chagas Mesquita, com equipe, para discutir demandas da Base Industrial de Defesa - Foto: Divulgação

Ações e Eventos
Dando continuidade à plenária, o Diretor Executivo da ABIMDE, Coronel Armando Lemos, e o Diretor de Projetos, Coronel Antonio Ribeiro, apresentaram às associadas as ações e os eventos agendados pela Associação.

Entre as iniciativas da ABIMDE apresentadas pelo Diretor Executivo, estão o projeto do livro A História da Base Industrial de Defesa, que será lançado em dezembro e terá consultoria do General Ivan Ferreira Neiva Filho; a organização da Inova BID, uma feira de inovações tecnológicas que será realizada em parceria com o Senai/Cimatec, no início do segundo semestre.

O Diretor de Projetos falou sobre a participação da ABIMDE na IDEX 2023, de 20 a 24 de fevereiro, em Abu Dhabi; e na Laad 2023, entre 11 e 14 de abril, no Rio de Janeiro.

Novas Associadas
Nesta plenária, duas novas associadas da ABIMDE foram apresentadas: as empresas Força e Defesa Consultoria e Sarkar Tactical, ambas com sede em Brasília (DF).

A Força e Defesa Consultoria assessora e acompanha processos de classificação de produtos de Defesa e de credenciamento de Empresas de Defesa, presta consultoria sobre benefíciois como o Regime Especial Tributário (Retid) e o TLE (Termo de Licitação Especial) e oferece treinamento, entre outros serviços.

A Sarkar Tactical fabrica e comercializa blindagem balística opaca, coletes à prova de bala, capacetes e placas balísticas, entre outros produtos, e também importa e exporta produtos controlados.

Promoção da BIDS
O Presidente Executivo da ABIMDE, General Aderico Mattioli, falou sobre as iniciativas da ABIMDE para promoção das empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança, por meio de ações da Comunicação Social e da Catalogação de Produtos e Serviços de Defesa e Segurança.

“Temos que ter um banco de dados onde os produtos e as capacidades das empresas estejam ali lançados e, a depender do cliente, a gente possa levantar as informações apropriadas, no tempo apropriado”, disse o General Mattioli.

Neste sentido, ele afirmou: “estamos fazendo um esforço, junto com a ABIMAQ e o Comdefesa de Santa Catarina, para ampliarmos a catalogação".

Novidades da BIDS
Com o objetivo de fortalecer o networking entre as empresas, a ABIMDE concederá um espaço nas plenárias para que as associadas possam mostrar suas inovações e novidades.

A primeira a inaugurar o novo espaço, na reunião de terça-feira, foi a Bombas Triglau, uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), sediada em Santa Catarina. A associada apresentou uma embarcação para navegação em águas rasas, desenvolvida a partir de capacidades adquiridas ao participar de projetos da Marinha. A embarcação, capaz de navegar sobre uma lâmina de 200ml de água, já está sendo utilizada na limpeza de rios e afluentes.

“Não estamos apresentando exatamente um produto, mas a capacidade que a empresa adquiriu e que, para sobreviver, tem que empregá-la em outras áreas. A dualidade aqui é muito forte”, explica o General Mattioli.

Encerramento
Finalizando a plenária, o General Mattioli falou sobre as visitas que têm feito ao lado do Presidente do Conselho Diretor, Dr. Roberto Gallo, ressaltando que há um entendimento entre os atores políticos de que a reindustrialização passa pelo fortalecimento da Base Industrial de Defesa e seu transbordo tecnológico e de capacitações industriais.

"A Defesa, felizmente, tem sido tratada de uma maneira suprapartidária. Hoje temos uma maturidade de diálogo de Defesa e conseguimos colocar a Defesa na agenda com muito mais facilidade que há 20 ou 30 anos. Os atores que aí estão passaram a entender que a Defesa é questão de soberania”, disse.

30 junho, 2022

Secretário Marcos Degaut fala sobre a importância da Base Industrial de Defesa para o Brasil


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2022

No dia 25 último, o programa “Por Dentro da Defesa” recebeu o Secretário de Produtos de Defesa, Marcos Degaut, para abordar os Projetos Estratégicos do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, bem como as ações em conjunto com a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).

Em sua entrevista, o Secretário esclareceu como o investimento no setor de Defesa é benéfico em diferentes níveis para nosso país, seja para uma integridade e soberania no campo, ou para o crescimento econômico, já que um grande retorno financeiro é feito através do investimento de tecnologias que beneficiam não apenas o setor de defesa, mas a população no geral.

“Por Dentro da Defesa” é um programa que traz personalidades militares e civis para debates em diversos segmentos de Defesa. A proposta é aproximar e fortalecer a integração civil e militar, por meio de comunicação direta, acessível e transparente, além de promover a troca de conhecimentos por parte de especialistas da área.



https://www.youtube.com/watch?v=OmtZXfDlwBY

16 setembro, 2021

Criação da Política Nacional da Base Industrial de Defesa é defendida em documento interministerial


*LRCA Defense Consulting - 16/09/2021

O desenvolvimento do setor de Defesa é importante para contribuir com a retomada do crescimento econômico e a geração de emprego e renda, fundamento da Política Nacional da Base Industrial de Defesa (PNBID). Para implantar a iniciativa, em 08 de setembro, o Ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, assinou a Exposição de Motivos Interministerial nº 133/2021. Além da pasta da Defesa, estão incluídos os Ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovações, que são coautores da proposta.

Essa exposição de motivos justifica o decreto de criação da nova política. A intenção é que a PNBID, estruturada e negociada pela Secretaria de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, seja instrumento condutor do planejamento estratégico do setor produtivo de bens e serviços de defesa.

Para isso, será organizada em eixos que buscarão a regularidade e a continuidade na execução de projetos; a integração entre as instituições científicas e tecnológicas, tanto militares como civis, e a Base Industrial de Defesa (BID); e a aquisição de produtos de defesa no exterior, condicionada, sempre que possível, à transferência de tecnologia, inclusive por meio de parcerias.

O texto sobre a exposição de motivos, ainda, contempla a promoção de isonomia tributária em relação a bens de defesa importados e a desoneração tributária na produção de bens e serviços de defesa para as Forças Armadas e órgãos de segurança; a adequação e a expansão dos financiamentos, por meio de linha de crédito especial; e o fortalecimento da cadeia fornecedora no Brasil.

O documento assinado pelo Ministro Braga Netto foi encaminhado para assinatura dos ministros da Economia e da Ciência, Tecnologia e Inovações.

 Com informações da SEPROD

15 setembro, 2021

Protocolo de inovação e tecnologia estimula a Base Industrial de Defesa


*Parque Tecnológico São José dos Campos - 14/09/2021

Ocorreu nessa segunda-feira (13) a Cerimônia de Assinatura do Protocolo de Intenções entre o Ministério da Defesa, a Associação Parque Tecnológico de São José dos Campos (APTSJC), que gere o PqTec, e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos da Universidade de Brasília (FINATEC/UnB).

Para o diretor-geral do PqTec, Marcelo Nunes, os protocolos fortalecem o compromisso com o Estado brasileiro. “A grande importância foi enaltecida por todas as empresas, sejam startups, sejam empresas ligadas ao setor de defesa, no sentido de conectar as demandas tecnológicas estratégicas do País e também de negócios gerados”, afirma.

O Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação (DECTI), General de Divisão Luiz Antônio Duizit Brito, fez a abertura do evento. Ele enfatizou a importância da assinatura desses protocolos para a inovação. “Foi dado mais um passo na execução do plano estratégico, com ênfase na tríplice hélice [conceito dado quando empresa, academia e governo contribuem para a inovação tecnológica e o desenvolvimento econômico do país] no fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e o atingimento da independência tecnológica”, pontuou o General Duizit Brito.

O Diretor-presidente da FINATEC/UnB, Augusto César de Mendonça Brasil, destacou que a missão da Fundação que ele representa é disseminar o conhecimento para a sociedade, por meio da articulação de projetos acadêmicos. “Com a assinatura do Protocolo de Intenções, podemos visualizar uma aplicação direta na sociedade, não só na sociedade civil, mas na área da defesa, das instituições, na academia e principalmente nas startups”, explicou Augusto César.

Finalizando o evento, o Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (SEPROD), Marcos Rosas Degaut Pontes, ressaltou que as assinaturas dos protocolos se tornam oportunas, pois assim concluem redes de conexões que ajudam a gerar ecossistemas adequados ao desenvolvimento de negócios, produtos e autonomia tecnológica. “Serviços que vão nos conceder um grau cada vez maior de autonomia tecnológica. Que vão nos permitir gradativamente diminuir a dependência que ainda temos de produtos estrangeiros”, enfatizou Marcos Degaut.

Prestigiaram, ainda, a solenidade, o Chefe de Assuntos Estratégicos, General de Exército Eduardo Antônio Fernandes; o Secretário de Pessoal, Ensino e Desporto, Tenente Brigadeiro do Ar Jeferson Domingues de Freitas; demais autoridades militares e civis.

31 agosto, 2021

Ministro da Defesa de Guiné-Bissau quer ampliar parcerias com Indústria de Defesa brasileira

Presidente brasileiro e Presidente da Guiné-Bissau

*LRCA Defense Consulting - 31/08/2021

Em visita ao Brasil no dia 24, o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse que o país africano quer ampliar e diversificar a cooperação com o Brasil e intensificar as relações econômica e empresarial entre os dois países. Embaló está em visita ao Brasil e se reuniu na manhã desta terça-feira, no Palácio do Planalto, com o presidente Jair Bolsonaro.

Em declaração à imprensa, ele explicou que o Brasil foi um dos primeiros países que reconheceu a independência de Guiné-Bissau, em 1974, e, desde então, nunca deixou de assistir o país. "O Brasil tem tudo que a Guiné-Bissau mais precisa nesse momento, por exemplo, para modernizar a agricultura, a área da saúde e etc. Tem tecnologias muito importantes que são capazes de apoiar a formação da Guiné-Bissau para podermos desenvolver nosso país", disse, sugerindo a criação de comissões mistas em diferentes áreas.

A relação bilateral entre os dois países é marcada pela cooperação técnica em áreas como saúde, agricultura, educação, formação profissional e fortalecimento das instituições do Estado. A cooperação prestada pelo Brasil ao país africano ocorre tanto bilateralmente quanto multilateralmente, por meio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Para o presidente Bolsonaro, o país é uma porta de entrada para o comércio na região da África Ocidental. O intercâmbio comercial bilateral, composto, majoritariamente, de bens exportados pelo Brasil, foi de cerca de US$ 4 milhões em 2020.

Segundo Bolsonaro, durante o encontro reservado, os dois conversaram rapidamente sobre questões como agricultura, saúde e defesa. "Temos muito a colaborar com a Guiné-Bissau e eles também na questão da segurança no Atlântico Sul", disse, contando ainda que aceitou o convite para, oportunamente, visitar o país africano.

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Ministros da Defesa do Brasil e de Guiné-Bissau

No mesmo dia, o Ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, recebeu, em seu gabinete, a visita do Ministro da Defesa da Guiné-Bissau, General Sandji Fati. Na oportunidade, debates estratégicos relacionados à área da Defesa e iniciativas de cooperação entre os dois países nortearam as conversas.

Ao destacar a Indústria de Defesa Brasileira, o General Sandji Fati também considerou que é relevante ampliar parcerias no setor, além de fomentar a cooperação no aperfeiçoamento de militares. O Ministro Braga Netto convidou o seu homólogo a conhecer as escolas militares de formação brasileiras e empresas da Base Industrial do País.

Prestigiaram a reunião o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (CEMCFA), General de Exército Laerte de Souza Santos; o Secretário-Geral do Ministério da Defesa (MD), Sérgio José Pereira; o Assessor Especial Militar do MD, General de Divisão Josias Pedrotti da Rosa; e o Subchefe de Assuntos Internacionais, General de Brigada Himario Brandão Trinas.

 

*Fontes: Agência Brasil e CCOMSOD

26 maio, 2021

Fortalecimento da Base Industrial de Defesa está entre objetivos do Ministério da Defesa


*LRCA Defense Consulting - 26/05/2021

Ao comemorar o Dia da Indústria, neste 25 de maio, o Ministério da Defesa, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), destaca a Mobilização Industrial e a Economia de Defesa como atividades essenciais para a interface da Pasta em diferentes setores da indústria. O objetivo é fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) e buscar a independência tecnológica no preparo das Forças Armadas e em benefício da sociedade.

A Mobilização Industrial abrange o conjunto de atividades a serem empreendidas e orientadas pelo Estado, com ênfase nos setores econômico, científico e tecnológico. É responsável por promover imediatas e profundas repercussões em todas as demais expressões do Poder Nacional. Já a Economia de Defesa engloba a parte de tecnologia, informação, geração de emprego e tudo que está relacionado aos produtos de defesa.

O Secretário da SEPROD, Marcos Degaut, ressalta que é necessário estabelecer nova agenda para o setor de Indústria de Defesa, adequando-a aos novos tempos. “É preciso semear hoje o que queremos colher no futuro. O aperfeiçoamento de indústrias de interesse de defesa é fundamental para que possam sustentar os projetos estratégicos das Forças Armadas”, afirma.

Coordenação
Responsável por planejar, coordenar e executar estratégias e diretrizes relacionadas à Base Industrial de Defesa, a SEPROD constrói importantes parcerias com mais de 1.100 instituições ligadas ao setor da indústria em todo o País. A BID gera, em média, 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos e movimenta cerca de R$ 200 bilhões na economia nacional, representando 4% do Produto Interno Bruto Nacional (PIB).

Dentre as entidades parceiras da BID estão a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e oito de seus conselhos estaduais (BA, GO, MG, PR, PE, RJ, RS, SC e SP); a Agência Brasileira de Promoção e Exportações (Apex); a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE); o Sindicato Nacional das Indústrias de Defesa (SIMDE), entre outras.

A parceria da SEPROD com a CNI resultou na criação, em março deste ano, do Curso "Economia de Defesa". Destinado àqueles que desejam ampliar o conhecimento sobre o setor de Defesa no Brasil e no mundo, aborda temas como: a BID e a economia de defesa, a indústria de defesa no Brasil, as características do mercado de defesa no Brasil e no mundo, Projetos Estratégicos das Forças, e a Secretaria de Produtos de Defesa e fomento da BID.


Produtos Estratégicos
As parcerias estabelecidas por meio da BID possibilitam alavancar diversos projetos estratégicos, de forma a atender às necessidades operacionais e de modernização dos produtos de defesa empregados pelas Forças Armadas. O domínio de novas tecnologias e o aumento da produtividade e da diversidade na indústria brasileira asseguram a capacidade operacional das Forças e a consolidação da Política de Defesa e de Segurança Nacional.

Entre os diversos projetos estratégicos de defesa em desenvolvimento destacam-se: Fragatas Classe “Tamandaré”, desenvolvido pela Marinha, Programa Guarani, a cargo do Exército, e KC-390 Millennium, da Aeronáutica.

Fragatas Classe “Tamandaré”
O programa prevê a aquisição de quatro navios versáteis, dotados de elevado poder de combate, capazes de proteger a extensa área marítima brasileira, com mais de 5,7 mil km² - “Amazônia Azul”; realizar operações de busca e salvamento; monitorar e combater ações de poluição, pirataria, pesca ilegal, dentre outras ameaças; e atender aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.


Programa Guarani
Concebido para equipar o Exército Brasileiro com moderna família de blindados sobre rodas que atendam às exigências doutrinárias e de cumprimento das missões de defesa externa e proteção da sociedade brasileira. Além da proteção blindada, o Guarani traz valores agregados, como os sistemas de armas, de comando e controle e de comunicações.

KC-390 Millennium

Maior aeronave militar já produzida no Brasil, o KC-390 Millennium consegue aliar a emissão de requisitos e de pacotes de offset de maneira a impulsionar diversos setores da Base Industrial de Defesa. Ao todo, mais de 50 empresas brasileiras participam do projeto, que conta ainda com a colaboração da Argentina, de Portugal e da República Tcheca. A aeronave tem capacidade para transportar tropas e carga por todo o território nacional, reabastecer outras aeronaves em voo, realizar evacuação aeromédica, lançar paraquedistas e combater incêndios.

Além dos produtos operacionais de defesa, há outros setores estratégicos, nas áreas espacial, nuclear e cibernética, que se tornaram campos prioritários para o Ministério da Defesa. O que reforça a importância do desenvolvimento tecnológico e industrial para o fortalecimento da Defesa Nacional.

Texto original: Soraya Brandão / MD
Fotos: Divulgação/Ministério da Defesa


20 abril, 2021

Evento bilateral Brasil-Turquia abre novos canais de exportação para empresas da BIDS


*LRCA Defense Consulting - 20/04/2021

A ABIMDE participará esta semana do Brazil and Turkey Virtual Sectoral Trade Delegation Event, organizado pela Associação em parceria com o governo da Turquia e a Defence and Aerospace Industry Exporters’ Association (SSI), entidade que reúne as indústrias de defesa do país.

O evento, que é realizado de forma virtual devido à pandemia do Coronavírus, teve início na manhã desta segunda-feira e segue até a sexta-feira (23) reunindo diversos encontros entre empresas brasileiras e turcas. O objetivo do evento é estimular as parcerias bilaterais, em especial os contatos B2B.

“Brasil e Turquia têm um grande interesse em ampliar suas relações comerciais, especialmente no setor de Defesa. Tenho certeza de que as reuniões B2B serão muito valiosas e aumentar essa oferta de oportunidades é uma prioridade para a ABIMDE”, afirmou o diretor de Projetos e Relações Institucionais da entidade, Paulo Albuquerque.

Na abertura, o presidente da ABIMDE, Dr. Roberto Gallo, falou sobre o importante passo dado com a realização do evento. “Para mim é motivo de alegria pessoal ver a frutificação dos esforços pela aproximação. Os dois países não dividem apenas os mais altos valores no teatro das nações, mas buscamos também um caminho para que nossas capacidades soberanas sejam potencializadas em parcerias equilibradas”.

Gallo destacou as qualidades da BIDS (Base Industrial de Defesa e Segurança) e sua competitividade no mercado internacional e que seu principal foco de crescimento é por meio de exportações. Ele destacou também a excelência tecnológica do setor. “O Brasil possui uma massa crítica em pesquisa e desenvolvimento em geral, com grandes universidades e institutos de pesquisa”.

Interesse mútuo

Os representantes do governo turco e também da indústria de Defesa local destacaram o grande potencial de parcerias e novos negócios entre os dois países. O presidente das Indústrias de Defesa do governo da Turquia, Ismail Demir, falou do interesse em contar com as empresas brasileiras para reforçar alguns segmentos da estrutura militar do país. “Temos de fazer parcerias, não só comprar e vender produtos”.

O Embaixador da Turquia no Brasil, Murat Yavuz Ates, falou que a meta para um futuro próximo é elevar para US$ 10 bilhões o volume de negócios entre os dois países, cinco vezes mais do que registrado nos últimos anos.

*Com informações da ABIMDE.


01 abril, 2021

Setor de Defesa brasileiro é destaque em reportagem do Jornal da Band


*ABIMDE - 05/03/2021

As indústrias da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) foram destaque de reportagem do Jornal da Band, da Rede Bandeirantes. A matéria do repórter Valteno de Oliveira falou do crescimento do setor nos últimos anos e deu amplo enfoque aos investimentos em tecnologia por parte das empresas nacionais.

A ABIMDE ganhou amplo espaço na reportagem para falar dos principais desafios enfrentados pela BIDS. O presidente da entidade, Dr. Roberto Gallo, explicou que o setor tem potencial para crescer ainda mais caso haja mais investimentos do setor privado.

A matéria citou ainda alguns dos principais programas de defesa do Brasil e as empresas da BIDS envolvidas, além de citar números como o recorde de exportações em 2019 (US$ 3,5 bilhões). Veja o vídeo da matéria:


 

29 março, 2021

Indústria de defesa do Brasil avança no mercado internacional

KC-390: A força na aeronáutica - VEJA.com

*Veja, Radar, por Robson Bonin - 29/03/2021

Apesar da pandemia da Covid-19 ter impactado a economia em todas as partes do mundo, a base industrial de defesa brasileira segue ampliando a carteira de negócios em mercados internacionais. Somente neste primeiro trimestre de 2021, o setor já movimentou, com o apoio da Secretaria de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, mais de 316 milhões de dólares em contratos assinados.

Adicionalmente, existem contratos em fase final de negociação que chegam a 1,2 bilhão de dólares.

O setor exporta para mais de 130 países no continente Americano, África, Ásia, Europa e Oriente Médio. “Empresas como Agrale, Akaer, Avibras, CBC, Condor, CSD, Digitro, Gespi, Kriptus, Nitroquímica, Omnisys, Rustcom e Taurus, dentre outras, têm mostrado a força e qualidade dos produtos e soluções nacionais exportados, que incluem veículos blindados, sistemas aviônicos, munição leve, sistemas de artilharia, equipamento não-letal, sistemas de segurança cibernética, sistemas de controle de tráfego aerea e de Defesa aerea, simuladores e armas leves, dentre muitos outros”, diz uma fonte da Defesa ao Radar.

08 março, 2021

Indústria de defesa bate marca de 1 bilhão de dólares em exportações


*Veja, por Robson Bonin - 07/03/2021

Nem sempre lembrada com o devido reconhecimento, a indústria de defesa, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos no país, conseguiu atravessar 2020 com resultados importantes para a economia.

Dados preliminares do Ministério da Defesa mostra que o setor bateu a marca de 1 bilhão de dólares em exportações no ano passado.

O ministro toca com sua equipe, neste momento, uma série de projetos importantes tanto para a melhoria da capacidade de defesa do país quanto para a geração de empregos e renda, já que a produção de aviões, submarinos, navios e veículos militares empregam milhões de brasileiros diretamente e ainda geram vagas indiretas na cadeia de peças.

No ano passado, quando o país esteve próximo de um apagão industrial na produção de respiradores e de insumos para combater a pandemia, como álcool gel, por exemplo, foi a atuação direta da Secretaria de Produtos de Defesa que mobilizou mais de 1.000 empresários para suprir a demanda nacional.

Esse trabalho deixou como legado uma plataforma permanentemente mobilizada de empresas do setor de defesa e de outras áreas que podem ser acionadas a qualquer momento para socorrer o país nas emergências.

Nessa crise econômica, tanto o ministro Azevedo quanto seus auxiliares lutam para mostrar aos parlamentares que analisam o orçamento no Congresso que os projetos de defesa podem ampliar a contratação de mão de obra e estimular economias que foram impactadas recentemente por medidas como o fechamento das fábricas, por exemplo.

20 fevereiro, 2021

ABIMDE luta por manutenção de convênios de ICMS para indústrias do setor de defesa


*LRCA Defense Consulting - 20/02/2021

A ABIMDE mantém sua linha de ação em prol de melhorias fiscais para as empresas da BIDS (Base Industrial de Defesa e Segurança). A entidade participou, nesta sexta-feira (19), de reunião com o presidente da COTEPE (Comissão Técnica Permanente do ICMS), Carlos Henrique de Azevedo Oliveira, para tratar da renovação dos convênios relativos aos setores aéreo e da indústria de materiais de defesa e segurança.

A ABIMDE, ao lado de outras associações ligadas às atividades aeronáuticas, reivindica a prorrogação, por prazos mais extensos, da redução da base de cálculo do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).

“Essa medida é necessária devido aos longos ciclos de aquisição por parte dos órgãos governamentais”, explica o diretor do Conselho Diretor da ABIMDE, Rodrigo Modugno. “As renovações por curtos períodos geram incertezas aos setores, dificultando seus planejamentos de médio e longo prazo. Tudo isso causa instabilidade em suas precificações, ameaçando a manutenção de empregos e provocando redução dos investimentos”.

Em dezembro do ano passado, a ABIMDE e as demais entidades obtiveram uma importante vitória, quando o Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) prorrogou os convênios até 31 de março de 2021. “seguimos em nossos esforços para ampliar o prazo até dezembro deste ano”, frisa Modugno.

As demais entidades que integram os esforços são a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Associação Brasileira de Táxi Aéreo e Oficinas de Manutenção (ABTAER), Associação de Empresas Revendedoras de Aeronaves (AERA), Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (AOPA), Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Sindicato Interestadual das Escolas de Ensino da Aviação Civil (SINEAC) e Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo.

04 dezembro, 2020

Vice-Chefe da Casa Civil da Ucrânia participou do Diálogo da Indústria de Defesa entre a Ucrânia e o Brasil

бразилія - o vice-chefe da casa civil da ucrânia participou do diálogo da indústria de defesa entre a ucrânia e o brasil

 
*Embaixada da Ucrânia no Brasil - 03/12/2020

O Vice-chefe da Presidência da Ucrânia, Ihor Zhovkva, se reuniu com a delegação do Brasil, chefiada pelo Secretário (vice-ministro) de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa do Brasil, Marcos Degaut, que visita Kyiv para participar do primeiro Diálogo da Indústria de Defesa entre os dois países.

As partes discutiram a cooperação estratégica entre elas nas esferas técnico-militar e de defesa. Foram delineados projetos bilaterais promissores nos campos de cooperação técnico-militar, bem como de indústria aeroespacial.

Foi destacada também a importância do primeiro Diálogo da Indústria de Defesa entre a ambos. As partes parabenizaram a Ucrânia e comemoraram o fato dela ter se tornado o sexto país do mundo com o qual o Brasil lançou tal Diálogo (junto com Estados Unidos, Itália, França, Índia e Portugal).

“O primeiro Diálogo da Indústria de Defesa entre Ucrânia e Brasil, que ocorreu no cumprimento dos acordos entre os Presidentes, torna-se um formato interestadual único, que, entre outras coisas, permite estabelecer vínculos diretos não só entre empresas estatais, mas também privadas nesta área", disse Ihor Zhovkva.

Nesse contexto, o Vice-Chefe da Casa Civil agradeceu ao Secretário do Ministério da Defesa do Brasil, Marcos Degaut, por incluir na delegação oficial representantes de empresas mundialmente conhecidas como Embraer, Taurus Armas, AVIBRAS, IMBEL, Condor, e Kryptus. 

“A Ucrânia e o Brasil possuem tecnologias próprias e altamente desenvolvidas que atuam em mercados de terceiros países. Estou convencido de que, por meio de esforços conjuntos, poderemos aumentar nossas vantagens competitivas nos mercados estrangeiros", enfatizou Ihor Zhovkva..

 

03 dezembro, 2020

Avanços da Defesa brasileira são destacados na Eurasia Airshow 2020


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*Ministério da Defesa - 02/12/2020

Brasília (DF), 02/12/2020 - Com o objetivo de promover negócios no setor da aviação comercial e militar, ocorreu, nesta quarta-feira (2), o início da Eurasia Airshow 2020. Nesta edição, o Eurasia Airshow será virtual e ocorrerá até domingo (6). Durante a abertura, o Secretário de Produtos de Defesa (SEPROD) do Ministério da Defesa (MD), Marcos Degaut, representou o Ministro Fernando Azevedo e falou sobre a “Visão Estratégica do Modelo Brasileiro”, com destaque para os seguintes aspectos: cenário, futuro da mobilidade, inovação e realidade no Brasil. A abertura também contou com a participação de Haitham Misto, representando o Primeiro Ministro da Jordânia, Bisher Al-Khasawneh. Ele falou sobre a necessidade de desenvolvimento de projetos em conjunto na área de inovação. O evento, em 2018, teve a participação de 168 delegações militares e civis oficiais de 73 países.

Em uma avaliação inicial, o Secretário Degaut destacou que “à medida em que incertezas e riscos cresceram e permaneceram em níveis preocupantes, nossas conexões e interdependências passaram a ser inevitáveis”. Na ocasião, ele ressaltou que é fundamental a busca de tecnologias avançadas para dar suporte aos desafios que virão, especialmente no que se refere à segunda onda mundial da COVID-19, que ameaça a recuperação econômica em alguns países. Ao analisar o momento brasileiro, o Secretário comentou que, apesar das turbulências ocasionadas pela pandemia do coronavírus, o setor de Defesa começa a dar sinais claros de recuperação. “O Brasil superou momentos desafiadores e a nossa Indústria de Defesa comprovou o seu valor. Após mais de 60 anos desenvolvendo produtos e soluções, o setor se apresenta como robusta e diversificado”, destacou.

Degaut enfatizou que a indústria nacional tem competência para oferecer produtos em diferentes ambientes operacionais: aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético. Além de possuir experiência no desenvolvimento, certificação, fabricação, entrada em serviço e suporte para operação de novos produtos. Um exemplo disso é o avião C-390, que já entrou em operação com a Força Aérea Brasileira e foi vendido para Portugal e Hungria.

No que diz respeito à ação governamental no setor de Defesa, o secretário revelou que o Brasil vem fortalecendo as relações com alguns países no sentido de ampliar a cooperação na área de indústria de defesa. Ele comentou que a Industria de Defesa nacional vive um momento de amadurecimento, tendo estabelecidas ações voltadas à sustentabilidade do negócio, como o fortalecimento da Tríplice Hélice (projetos que envolvem o Governo, Indústria e Academia).

A indústria também tem buscado parcerias para ampliar a eficiência operacional e melhorar o uso de recursos, além de ampliar os mercados. “O Brasil entende que o cenário atual requer uma colaboração significativa entre as diferentes áreas de Defesa para que o setor tenha condições de ampliar a sua força e capacidade de reação, neste cenário complexo”. Os produtos de Defesa (PRODE) brasileiros já estão presentes em 130 países. “Além disso, o Ministério da Defesa brasileiro está intensificando as relações com os governos e a participação em feiras internacionais”.

Setor Aéreo
Em relação ao setor aéreo brasileiro, Marcos Degaut relatou que nos anos 70, a Força Aérea Brasileira desenvolveu o sistema integrado de gestão de tráfego aéreo e Defesa, em parceria com a iniciativa privada. O modelo é aplicado em outros países, com o mesmo nível de integração. O sistema, que conta com alto nível de integração, permite economia de custos e resposta mais rápida, o que facilita ações de defesa e segurança.

Ele também teve sua segurança comprovada internacionalmente pela ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional) no Programa de Auditoria de Supervisão de Segurança Universal. Conforme avaliação, o sistema brasileiro alcançou o índice de 95,07% de conformidade, o que o classifica entre os cinco primeiros do mundo.

No que diz respeito à capacidade, a indústria brasileira conta com uma base bem estabelecida. O principal cluster do setor está localizado no estado de São Paulo onde se concentram mais de 300 empresas e dezenas de startups.

Ao comentar aspectos relativos à mobilidade, Degaut informou que São Paulo já tem o segundo maior tráfego global de helicópteros. “Estamos cientes dos novos desafios que chegam com o Urban Air Traffic Management (UATM) e a popularização do ecossistema. Os órgãos públicos e empresas privadas brasileiras têm um roteiro para expandir suas capacidades e lidar com o novo modelo. Os impactos precisam ser tratados corretamente para obter a sustentabilidade do modelo”, avaliou. No futuro, aeronaves elétricas irão ampliar o tráfego urbano. O cenário exigirá cooperação entre as nações, na busca de soluções. “O Brasil está preparado para fazer parte deste cenário global”.

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Inovação
No que se refere à inovação, o Secretário destacou projetos em que as empresas brasileiras desenvolveram aeronaves que operam com alta eficiência, o que demanda menos quantidade de combustível por passageiro. Também há uma elaboração de estudos para o desenvolvimento de plataformas híbridas em que as aeronaves terão condições de decolar e pousar em pistas curtas, com menos de mil metros. O conceito estabelece o desenvolvimento de motores híbridos nos sistemas de turboélice e elétrico. Também, em produção no Brasil, projetos no segmento de sistemas de radar e segurança cibernética.


“A próxima década terá muitos desafios. Mas o conceito brasileiro de Gestão Integrada do Tráfego Aéreo (ATM) é uma base estável para lidar com a ideia de operação integrada de um novo padrão de mobilidade urbana”. Degaut lembrou que o Brasil, com a sua tradição está preparado para liderar os esforços internacionais e oferecer soluções ao mercado. “O cluster brasileiro é referência internacional em aeronaves de controle full fly-by-wire e automação, capacidade de desenvolvimento multifuncional, defesa e desenvolvimento de software”, concluiu.

Com informações da SEPROD
Fotos: divulgação/SEPROD

06 outubro, 2020

Há luz no fim do túnel para a Base Industrial de Defesa e Segurança, mas é preciso mobilização da sociedade

 Mobilização da sociedade junto ao Congresso será fundamental para a aprovação do Projeto de Lei PLP 244/20

 

 

*LRCA Defense Consulting - 06/10/2020

É sabido que o Brasil possui uns dos sistemas tributários mais complexos e burocráticos do mundo. Menos conhecido é o absurdo fato de que ele privilegia fortemente empresas fornecendo bens e serviços a partir do exterior, quando há uma compra direta realizada por um ente público.

Por exemplo, quando um órgão de segurança resolve abrir uma licitação internacional, em que podem participar empresas brasileiras e também empresas fornecendo a partir do exterior, a carga tributária envolvida é respectivamente 40% (na média) para as nacionais e 0% para as estrangeiras.

Mas como isso acontece? Transações comerciais realizadas entre empresas no Brasil e órgãos públicos nacionais estão sujeitas às usuais tributações (para bens: IPI, ICMS, PIS, COFINS. Para serviços: ISSQN, PIS, COFINS, CPRB) com eventuais alívios de regimes tributários ou alívios parciais de certos regimes tributários. A carga tributária típica é entre 26,25% e 72,25%.

Por outro lado, quando a transação é realizada entre o poder público e uma empresa no exterior, por conta da imunidade tributária derivada da Constituição Federal, o total de impostos é zero.

O Projeto de Lei Complementar 244/20 vem justamente combater essa aberração: uma vez aprovado, irá assegurar isonomia para as empresas brasileiras no fornecimento aos Órgãos Governamentais de Defesa e Segurança Pública, aumentando o seu poder de compra e uma concorrência mais justa.

O Projeto foi recentemente protocolado no Congresso Nacional pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, PSL-SP e é resultado de um extenso trabalho realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Material de Defesa e Segurança – ABIMDE para o fomento a quem gera empregos e valor no Brasil.

O próximo passo é conseguir as assinaturas dos líderes dos partidos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, para que o PLP possa ser votado em regime de urgência. Para isto, a ABIMDE vem liderando a mobilização junto à sociedade buscando apoio à proposta e o fortalecimento do setor neste momento tão delicado que o País vive.

“O problema na legislação atual é que quem fornece a partir do exterior acaba realizando dumping, já que não precisa arcar com impostos elevados”, explica o coordenador do Comitê de Segurança Pública (COMSEG) da Associação, Rogério Beltrão. Ele esclarece ainda que a lei, se aprovada, irá beneficiar a cadeia produtiva nacional e, em consequência, promover a geração de empregos e renda no país.

De acordo com dados da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), do Ministério da Defesa, hoje a BIDS é formada por 1.120 empresas, que geram 1,3 milhão de vagas diretas e indiretas e movimentam R$ 8,5 bilhões anualmente no país. Em 2019, o setor gerou US$ 1,3 bilhão em exportações.

“Esta proposta permite preservar empregos e renda, evitar a evasão de investimentos e beneficiar os Órgãos de Defesa e de Segurança, ampliando as suas capacidades de investimentos e, consequentemente, melhorando os serviços prestados à sociedade”, acrescenta Beltrão.

O coordenador lembra que a proposta conta com o apoio de diversos parlamentares, “tendo no deputado Orleans e Bragança receptividade imediata. Dois dias depois de enviarmos a Nota Técnica, ele já tinha apresentado o Projeto de Lei”.

Mobilização da sociedade
A ABIMDE segue com seu trabalho buscando a aprovação da proposta no Congresso Nacional e está endereçando a todos os órgãos de Defesa e Segurança Pública do país, solicitando o apoio à medida, como forma de motivar os líderes partidários no Congresso a votarem o PLP em regime de urgência e aprovarem o texto.

No site da ABIMDE e no Portal BIDS, que traz notícias sobre o setor, há um modelo de carta de apoio disponível e que pode ser utilizada e divulgada na mobilização em torno da proposta.

As instituições que desejarem apoiar a tramitação em regime de urgência do PLP 244/2020 podem enviar as suas manifestações de apoio para o e-mail: comseg@abimde.org.br.
 

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