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sexta-feira, agosto 30, 2019

Taurus se concentrará mais na divisão de armamentos

Valor Econômico 30/08/2019 

SÃO PAULO - (Atualizada às 11h43) - O presidente da Taurus Armas, Salesio Nuhs, defendeu que a companhia se concentrará, cada vez mais, na divisão de armamentos, durante reunião com analistas realizada nesta sexta-feira na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), em São Paulo.

"Antigamente, tivemos dificuldades por não nos concentrarmos no que sabemos fazer", disse Nuhs, destacando que a empresa está vendendo sua unidade de produção de capacetes. Outra justificativa para tal estratégia é a de que mais de 50% do faturamento da Taurus vem da venda das armas desenvolvidas nos últimos dois anos. Foram 37 lançamentos nesse período.

Com a estratégia, a empresa espera reduzir custos para produzir armas mais baratas.
"Nós produzimos a pistola mais barata do mundo. Agora, vamos retomar nossas origens e estamos com projeto de produzir o revólver mais barato do mundo. Queremos um revólver de cinco tiros por US$ 85", disse Nuhs.

Ele afirmou também ter boas perspectivas para o Brasil com o decretos do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a expectativa do mercado é de que as portarias relacionadas aos decretos sejam publicadas na quarta-feira ou na quinta-feira da semana que vem.

"Novos decretos vão liberar uma demanda por armas reprimida. O sonho de todo brasileiro é ter uma 9 milímetros", disse Nuhs. Para ele, as novas regras deverão encontrar resistência no Congresso, por abrirem muito o leque de categorias que terão direito ao porte. Mas esse não é um fator crítico para a empresa, segundo ele. "Para o nosso segmento, porte não é vital, a posse é que muda nossa vida. Acabou com a discricionalidade do delegado, isso foi importante", diz Nuhs.

De acordo com ele, a Taurus tem trabalhado com a frente parlamentar armamentista no projeto de um instituto que promova a cultura de armas no Brasil. "Queremos qualificar instrutores e garantir que o comprador saiba evitar acidentes. Vamos patrocinar esse possível instituto", afirma o presidente da Taurus.

"Além da abertura permitida pelos novos decretos, Nuhs afirma que é preciso que o governo pense na questão tributária específica desse segmento.

Segundo ele, é absurda a possibilidade de abertura do mercado à importação sem que tributos sejam aplicados enquanto a empresa tem seus produtos tributados em até 70%. "Mas eles vão ter que resolver isso, porque, caso contrário, é simples: eu vou embora e passo a produzir lá na Geórgia."

Desalavancagem
Todas as mudanças de melhora da marca e expansão de mercado estão se refletindo nos números da Taurus Armas, diz Sérgio Sgrillo, diretor de relações com investidores da companhia. "A estratégia de desalavancagem da empresa está funcionando", acrescentou.

O executivo argumenta que os resultados de 2018 foram surpreendentes, mas 2019 está conseguindo ser melhor. "Melhoramos indicadores de vendas em todos os mercados. A receita subiu 12,5% de 2018 para 2019, mas sem pressionar a margem", diz. Sgrillo destaca que o semestre de 2019 foi o melhor em lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de toda história da Taurus, de R$ 94,9 milhões.

O executivo reconhece que, apesar da melhora em todos os indicadores financeiros, a dívida ainda é alta, mas diz que a situação é muito mais confortável do que parece. Dos R$ 839 milhões de dívida bruta registrados no primeiro semestre de 2019, apenas 27,6% tem vencimento no curto prazo, sendo que, desse percentual, R$ 112,7 milhões podem ter pagamentos postergados. "Mesmo com alta do dólar, a dívida bruta caiu", acrescenta Sgrillo.

O pagamento de R$ 58,7 milhões correspondente à primeira parcela da dívida com os bancos é visto como um dos passos mais importantes dessa estratégia de desalavancagem estabelecida pela empresa. "Ainda nem precisamos nos desfazer dos dois ativos disponíveis para venda."

Os dois ativos citados por Sgrillo são o terreno da antiga sede em Porto Alegre e sua operação de capacetes, que já não integra os números operacionais da empresa desde 2017. O terreno em Porto Alegre é avaliado em R$ 50 milhões e já esteve bem próximo da venda no primeiro trimestre deste ano, segundo ele, que diz haver ainda dois ou três interessados pela área. "O preço médio do metro quadrado em Porto Alegre caiu pelo terceiro ou quarto mês seguido. Como nosso próximo pagamento da dívida é apenas em junho de 2020, não vemos necessidade em uma venda forçada agora". A operação de capacetes é avaliada entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões. "Estamos em conversas para a venda", diz.

Pressão cambial
A valorização do dólar diante do real não é grande preocupação da Taurus. Embora boa parte da dívida esteja em dólar, Sgrillo explica que fatia proporcional da receita também é em dólar. "A Taurus é uma empresa majoritariamente exportadora e somente 10% de nossos insumos são em dólar".

Por Raquel Brandão | Valor

Taurus lança a pistola G3 9mm

A pistola semiautomática Taurus G3 de 9 mm sucede à popular pistola G2c


Representando a próxima geração da série G, a Taurus anunciou o lançamento da pistola semiautomática G3 9mm.

Veja a matéria em http://bit.ly/2HzKKXs

terça-feira, agosto 27, 2019

Taurus: joint venture na Índia poderá representar um negócio bilionário


Plataforma de pistolas T Series, com 12 modelos nas versões TS e TH


Em fevereiro deste ano, a Taurus assinou um memorando de entendimentos, não vinculante, para permitir o estudo de viabilidade da constituição de uma joint venture na Índia, com uma grande empresa do ramo siderúrgico local. O objetivo, se obtidas todas as autorizações estatutárias e legais, será a fabricação e a comercialização de armas no território indiano, de acordo com programa denominado "Make in India", que visa desenvolver a indústria local, gerando empregos, divisas e tecnologia para o país.

A partir da assinatura do memorando do documento, as partes teriam até 180 dias para concluir os estudos de criação da joint venture e o plano de negócios a ser desenvolvido. Durante este período, a empresa local participaria das licitações com os produtos Taurus para as Forças Armadas e Policiais e seria estabelecida a participação de cada uma das partes envolvidas, bem como as demais condições para efetivação da joint venture.

Através de um Fato Relevante enviado à B3 (Bolsa de Valores) após o fechamento do pregão de 22 de agosto, a empresa comunicou ao mercado que "foi assinado um adendo ao Memorando de Entendimentos (MoU), prorrogando seu prazo de validade por mais três (03) meses, a fim de permitir as finalizações do estudo de viabilidade e da constituição de uma joint venture na Índia, com uma grande empresa do ramo siderúrgico local. A continuidade nas negociações para celebração desse Acordo é mais um passo importante na estratégia global da Taurus no processo de reestruturação baseado em rentabilidade sustentável, qualidade e melhora dos indicadores financeiros e operacionais, além do forte investimento no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias". [grifos do editor]

Fabricação de armas na Índia
A fabricação de armas e munições na Índia é regulada por um sistema de licenciamento estabelecido pela  Lei de Indústrias (Desenvolvimento e Regulamentação) de 1951 e pela Lei de Armas de 1959 / Regras de Armas de 2016, sob domínio completo do Governo. Até 2001, a fabricação de armas de pequeno porte para as forças armadas, paramilitares e policiais estava restrita à produção de empresas pertencentes ao Departamento de Defesa. Em 2001, o governo permitiu a participação de 100% do setor privado indiano na fabricação de armas, sujeita a licenciamento, mas foi só a partir de 2015, através do Arms Act Amendment Bill, que o setor privado começou efetivamente a poder participar da indústria de defesa indiana. 

Em março de 2016, o Kalyani Group e a Fabbrica D'armi Pietro Beretta SpA, da Itália, iniciaram discussões para uma joint venture com a finalidade de fabricar armas leves para as forças armadas e policiais. Ao que tudo indica, o projeto não foi adiante.

Em 2017, a Beretta adquiriu a marca Victrix Armaments da empresa italiana Rottigni. Em associação com a empresa americana Barrett, essas duas companhias vão produzir cerca de 6.000 fuzis sniper “com mira telescópica e acessórios” para a Índia. Segundo noticiou o site The Firearm Blog, em 19/02/2019, a venda seria iniciada com uma entrega de emergência de 24 fuzis para “muito em breve".

Fuzis e metralhadoras
Em julho de 2018, foi estabelecida a primeira fábrica privada indiana de armas leves, localizada em Malanpur / Madhya Pradesh, em uma joint venture entre o conglomerado de defesa indiano Punj Lloyd com a Israel Weapons Industries (IWI), a fim de fabricar o fuzil de assalto X95, o fuzil sniper Galil, o fuzil de assalto Tavor, a metralhadora Negev e o fuzil de assalto Ace. As armas serão fabricadas na Índia e exportadas, inclusive para Israel. Algumas dessas armas já são utilizadas pelas forças e grupos especiais indianos.

Em abril de 2018, Índia e Rússia começaram a discutir a formação de uma joint venture para fabricar o fuzil russo AK-203, última versão do famoso AK-47 Kalashnikov, a fim de dotar as forças armadas, paramilitares e policiais do país, substituindo o obsoleto e problemático fuzis de assalto INSAS utilizado desde a década de 90 e produzido por uma estatal indiana. Após diversas tratativas, a parceria evoluiu bem, mas só foi efetivada quase um ano depois, com a "pedra fundamental" da nova empresa sendo lançada somente em março de 2019.

Ambas as iniciativas estão dentro do programa "Make in India", destinado a estabelecer e fomentar a produção dentro do país.

Pistolas
A pistola padrão das forças armadas e policiais é a Pistol Auto 9mm 1A, uma antiga e obsoleta pistola semiautomática de ação simples, cópia licenciada da pistola Inglis 9mm (Browning Hi-Power), fabricada sob licença na Índia pela empresa estatal Rifle Factory Ishapore desde 1981. A Hi-Power foi descontinuada em 2017 pela Browning Arms, mas permanece em produção sob licença e ainda é utilizada como pistola padrão pelas forças armadas e policiais de diversos países.

A antiga e obsoleta Pistol Auto 9mm 1A, pistola padrão das forças armadas e policiais indianas
 As pistolas em uso pelas forças e grupos especiais indianos são, predominantemente, a Glock 17 (forças especiais), a Beretta 92 (forças especiais), a FN Five-seven (Grupo de Proteção Especial) e a SIG Sauer P226 (Guarda de Segurança Nacional), importadas da Áustria, da Itália, da Bélgica e da Alemanha, respectivamente. 

Um mercado bilionário
Em virtude de a pistola padrão das forças armadas, paramilitares e policiais ser a obsoleta Pistol Auto 9mm 1A, a joint venture entre a Taurus Armas S.A. e uma "grande empresa do ramo siderúrgico indiana" pode representar um negócio bilionário para a empresa brasileira, pois sua produção na Índia pode ter como objetivo fabricar a nova pistola padrão para o mercado militar, paramilitar e policial desse país.

O segundo país mais populoso do mundo (1,37 bilhão de pessoas) é considerado também uma das maiores potências militares do planeta, atrás apenas dos EUA, Rússia e China. Com mais de 1,3 milhão de homens e mulheres a serviço da nação, a Índia possui a quarta maior força militar do mundo em termos de efetivo, segundo levantamento da Global Firepower. Seu orçamento de defesa para 2018 foi de 45 bilhões de dólares, embora haja fontes que situem os gastos militares do país nesse ano entre 62 e 65,5 bilhões de dólares. 

No entanto, as forças armadas da Índia se encontram em um estado alarmante. Se combates intensos tivessem início amanhã, a Índia só poderia manter suas tropas abastecidas de munição por 10 dias, de acordo com estimativas do governo. E 68% do equipamento do exército são tão velhos que recebem oficialmente a designação de “antiguidades”.

Na área de Segurança Pública, a Índia possui 1,4 milhão de policiais e cerca de 7 milhões de agentes de segurança particulares, sendo um dos países do mundo em que o efetivo de agentes de segurança pertencentes às empresas particulares do setor supera em muito o efetivo policial. Seja como for, o número de agentes e policiais armados impressiona.

Como consequência da obsolescência de grande parte do material bélico nacional, além de pistolas de última geração, como a TH9, TS9 e PT57SC, a Taurus poderá fornecer também outras armas de seu moderno mix de produtos, como o fuzil T4 e a submetralhadora SMT, especialmente desenvolvidas para o mercado militar e policial. 
Fuzil T4
Submetralhadora SMT
Caso a joint venture se concretize, o padrão indiano estabelecido com Israel e com a Rússia determinou, em linhas gerais, um controle de 51% para o país e 49% para a empresa internacional, podendo se repetir com a empresa brasileira. 

Além de poder suprir parte do vasto mercado interno desse país, os produtos da Taurus passariam a dispor de uma “vitrine” mundial inédita, devido à magnitude do empreendimento e às possibilidades de exportação que se abririam.

Assim, é de se esperar que, se tudo der certo, a Taurus possa dar o maior salto produtivo de todos os tempos, ingressando em uma inédita e próspera Era Taurus.

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