Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador Ministério da Defesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ministério da Defesa. Mostrar todas as postagens

04 novembro, 2026

Do diagnóstico da BID à sala de aula: FIA formará gestores para a indústria de Defesa

Programa previsto para a primeira quinzena de março de 2027 terá 112 horas, seis módulos e certificado de extensão; à LRCA, o general Ivan Neiva Filho defende que as empresas da BID olhem além das compras das Forças Armadas 



*
LRCA Defense Consulting - 04/11/2026 -  18h00

A Fundação Instituto de Administração (FIA Business School) prepara para a primeira quinzena de março de 2027 o início do Curso de Especialização em Gestão de Indústrias de Defesa, formação executiva concebida a partir do Projeto de Avaliação e Monitoramento da Base Industrial de Defesa (BID), conduzido pela FIA para a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Apesar do nome, o programa não conferirá título de especialista: a certificação prevista é de curso de extensão. Em respostas exclusivas à LRCA Defense Consulting, o general de divisão da reserva Ivan Ferreira Neiva Filho, consultor-geral do projeto de pesquisa, detalhou a proposta, o público que pretende alcançar e a mudança de mentalidade que considera necessária para o setor.

Segundo o general, o projeto, desenvolvido em 2025 e 2026, avaliou aproximadamente mil empresas e os 12 segmentos da BID, com análises sobre cadeias produtivas, competitividade, capital humano, inovação, internacionalização e instrumentos de apoio à indústria. A metodologia publicada no portal Radar BID Brasil registra cerca de 985 unidades empresariais, contadas por CNPJ, número que não corresponde necessariamente ao de empresas distintas.

Paralelamente, a equipe conduziu, por meio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um estudo prospectivo sobre as competências que a indústria de Defesa exige hoje e, sobretudo, exigirá no futuro. Os dois levantamentos apontaram desafios que ultrapassam as particularidades técnicas de cada segmento e demandam competências gerenciais especializadas.

“Trata-se, portanto, de uma evolução do projeto de avaliação e monitoramento: do diagnóstico das características e dos desafios da BID para a formação de gestores capazes de contribuir para sua superação”, afirmou Neiva Filho. 

O general conhece bem a BID pelo lado do Estado. Entre 2015 e 2018, dirigiu a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), órgão do Exército que regula a fabricação, o comércio e a exportação de armas e outros produtos controlados; em seguida, chefiou o Escritório de Projetos do Exército (EPEx), responsável pelo portfólio dos programas estratégicos da Força. Comandou ainda a 7ª Região Militar, em Recife, e encerrou quase 38 anos de serviço, em 2023, como subcomandante logístico do Exército. Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é mestre em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e em Estudos de Defesa pelo King's College London. Também tem experiência em operações de paz: foi observador militar da ONU em Moçambique, em 1994, e oficial de planejamento na sede da organização, em Nova York, entre 2009 e 2011.

Além das compras das Forças Armadas 
De acordo com o militar, a forte participação do governo na demanda, os projetos de longa maturação, as dificuldades de financiamento e de acesso a mercados externos, as exigências regulatórias e de certificação e a dependência de componentes importados e de tecnologias críticas tornam a gestão dessas empresas particularmente complexa. As necessidades de capacitação identificadas incluem planejamento estratégico, gestão financeira, avaliação de investimentos, gestão da inovação, integração de fornecedores, negociações comerciais e gestão de projetos complexos, além da formação e retenção de profissionais qualificados.

Para Neiva Filho, a principal mudança é de mentalidade. Historicamente vinculada às demandas governamentais, aos programas militares e às capacidades de engenharia, a indústria precisa, segundo ele, “evoluir de uma gestão predominantemente orientada por projetos e capacidades técnicas para uma abordagem mais integrada, voltada à criação de valor, à inovação, à sustentabilidade econômica e ao desenvolvimento de vantagens competitivas”.

“Também é necessário superar a percepção de que as oportunidades empresariais da defesa se restringem às aquisições das Forças Armadas brasileiras”, declarou. Na avaliação dele, a diversificação de mercados, as aplicações duais, as parcerias tecnológicas e a inserção em cadeias internacionais podem ampliar a escala produtiva e reduzir a exposição às oscilações da demanda nacional.

O general ressalva que essa mudança não diminui o papel do Estado, que continuará atuando como formulador de políticas, financiador, regulador e demandante. Ao contrário, ela exige que as empresas se articulem melhor com as políticas públicas e, ao mesmo tempo, construam estratégias próprias de desenvolvimento.

Seis módulos e o chão de fábrica 
A proposta vigente organiza o programa em seis módulos: Fundamentos da Economia e da Indústria de Defesa; Estratégia e Gestão Empresarial na BID; Finanças e Gestão Orçamentária em Defesa; Inovação e Tecnologia na Defesa; Logística e Cadeias de Negócio de Defesa; e Liderança, Cultura Organizacional e Gestão de Pessoas. Os conteúdos incluem economia de Defesa, geopolítica, governança corporativa, financiamento público e privado, proteção de ativos tecnológicos, processos de obtenção, contratações públicas, exportações, composição de preços para mercados externos, negociações governo a governo e mecanismos de compensação comercial e tecnológica (offset). As relações entre empresas e governo serão tratadas de forma transversal.

O ensino seguirá a metodologia Digital Action Training (DAT), desenvolvida pela própria FIA, que combina fundamentos conceituais, estudos de caso, simulações empresariais e projetos aplicados. Estão previstos também seis webinars, um para cada eixo, que poderão ser realizados em empresas do setor, “gerando a possibilidade de maior interação com o ‘chão de fábrica’”, segundo o general.

O principal instrumento de avaliação será o Trabalho de Aplicação, desenvolvido em grupo sobre um desafio concreto de gestão de uma organização selecionada, sob orientação de professores e consultores da FIA. Os resultados serão apresentados a uma comissão de professores, com previsão de participação da alta direção das organizações envolvidas. 


Extensão, não pós-graduação 

Conforme a proposta, o curso terá 112 horas: 72 horas de encontros remotos síncronos, dois encontros presenciais ou híbridos de 12 horas cada (24 horas no total) e 16 horas para o Trabalho de Aplicação. A duração indicada pelo general é de quatro meses, de março a julho de 2027.

O material de divulgação anuncia “aulas presenciais em imersão no PIT SJC”, o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos. Questionado especificamente sobre essas imersões, Neiva Filho informou que os encontros presenciais deverão ocorrer preferencialmente em São Paulo, em São José dos Campos ou nas duas cidades, com possibilidade de ajustes conforme a demanda dos participantes.

A LRCA também perguntou se a formação seria reconhecida como pós-graduação lato sensu, com emissão de certificado de especialista. A resposta foi que a proposta prevê certificado de conclusão de curso de extensão, emitido pela Faculdade FIA de Administração e Negócios e condicionado ao aproveitamento acadêmico e à frequência. O prospecto apresenta a FIA como “vinculada à Universidade de São Paulo”; a fundação foi criada por professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, mas o certificado será emitido pela faculdade da própria FIA. 

Quem pode participar 
O programa se dirige a dirigentes, executivos, empresários e profissionais de estratégia, finanças, operações, logística, inovação, desenvolvimento de negócios, recursos humanos e relações institucionais de organizações da cadeia de Defesa ou que mantenham relações com ela. Engenheiros e especialistas técnicos com funções gerenciais, ou em preparação para cargos de liderança, também estão no público previsto, assim como militares da ativa e da reserva, pesquisadores e consultores ligados ao setor. A seleção considerará a adequação do perfil profissional aos objetivos do curso, sobretudo a atuação em atividades gerenciais.

A FIA estima um limite de 35 participantes por módulo, somando os alunos regulares, matriculados no programa completo, e os participantes especiais, inscritos em módulos isolados, que serão admitidos até que esse limite seja atingido. O número definitivo de vagas será confirmado na abertura das inscrições, e os valores serão informados na matrícula, com possibilidade de condições especiais para grupos de uma mesma empresa. Segundo o general, algumas organizações já manifestaram interesse em turmas in-company, adaptadas às suas necessidades e viáveis a partir de um número mínimo de participantes. A pergunta sobre bolsas de estudo ainda não teve uma definição.

Para as pequenas e médias empresas, os obstáculos do setor “podem assumir maior intensidade, em razão de limitações de escala, capacidade financeira e disponibilidade de estruturas gerenciais especializadas”, avalia Neiva Filho. A proposta não prevê trilha exclusiva para esse segmento, mas o general aponta os módulos isolados como forma de concentrar a capacitação em temas como financiamento, custos, expansão comercial e inovação, ainda que essa matrícula dependa de vagas remanescentes. Os projetos aplicados também poderão tratar de problemas típicos dessas empresas.

Articulação institucional 
A FIA é a instituição proponente e responde pela estruturação acadêmica, pela coordenação pedagógica e pela execução do programa. O curso nasceu de uma articulação com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e o PIT SJC e conta com apoio institucional do Ministério da Defesa e da ABDI. Segundo o general, a ABDI teve participação fundamental na origem da iniciativa, pois os diagnósticos do projeto de monitoramento constituem uma das principais bases do curso. A ABIMDE e o PIT SJC têm “potencial para contribuir” na aproximação com empresas e centros tecnológicos, e o Ministério da Defesa é “interlocutor institucional relevante” para a compreensão das prioridades estratégicas do setor.

Neiva Filho vê na competição entre grandes potências, na reorganização das cadeias globais de suprimentos e no aumento dos investimentos internacionais em Defesa uma janela de oportunidades, acompanhada de desafios cada vez mais complexos para as empresas brasileiras. Para ele, a mensagem principal ao setor é que “o futuro da Base Industrial de Defesa brasileira dependerá não apenas das tecnologias que suas empresas forem capazes de desenvolver, mas também da competência de seus dirigentes para transformar essas capacidades em inovação, oportunidades de mercado e desenvolvimento econômico sustentável”.

Informações para interessados 
O início está previsto para a primeira quinzena de março de 2027. O cronograma definitivo, as condições de matrícula, os valores e o corpo docente ainda serão divulgados pela FIA. Contato: linok@fia.com.br.

09 outubro, 2026

Exército, IMBEL e EDGE formalizam cooperação estratégica com os Emirados Árabes Unidos

Comunicado oficial confirma as quatro organizações na Carta de Intenções, vincula o entendimento à Força Terrestre 40 e prevê discussões sobre modernização militar, desenvolvimento industrial e transferência de tecnologia



*LRCA Defense Consulting - 09/10/2026 - 13h36 (atualizado em 13/10, às 10h04)

O EDGE Group confirmou oficialmente que assinou, em Abu Dhabi, uma Carta de Intenções com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, o Exército Brasileiro, representado pelo Estado-Maior do Exército (EME), e a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). O instrumento orienta futuras iniciativas conjuntas nos campos militar, operacional, industrial, tecnológico, comercial e governamental. A cerimônia havia sido noticiada em setembro pela revista militar emiradense Al Jundi, que enfatizou a cooperação técnica, operacional e logística.

A confirmação, divulgada pelo EDGE em 13 de outubro, esclarece o papel formal das quatro organizações, anteriormente indicado pelo coronel da reserva Jetson Turquiello Machado da Silva, executivo de desenvolvimento de negócios do grupo para o Brasil e a América Latina. A fotografia oficial da assinatura também exibe os símbolos do Ministério da Defesa emiradense, do Exército, da IMBEL e do EDGE. A Carta de Intenções, contudo, não constitui, por si só, contrato de aquisição ou garantia de transferência de tecnologia. No entanto, representa um passo importante em direção a esse objetivo.

Segundo o comunicado, o acordo se apoia no Acordo de Cooperação em Defesa Brasil–Emirados Árabes Unidos de 2014 e no acordo de 2019 sobre intercâmbio e proteção mútua de informações e materiais classificados. O propósito é orientar discussões para identificar soluções às necessidades do Exército Brasileiro, em alinhamento ao processo de transformação da Força Terrestre 40 e ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID).

Uma cooperação que já produziu iniciativas concretas 
A aproximação entre o EDGE e instituições brasileiras antecede a nova Carta de Intenções. Em abril de 2026, o grupo anunciou uma iniciativa com o Exército para avaliação operacional dos armamentos CARACAL CAR 816, de 5,56 mm, e CSR50, de 12,7 mm, por unidades especializadas. A avaliação não representa, por si só, uma decisão de aquisição.

Em agosto, o EDGE e o Comando de Defesa Cibernética do Exército anunciaram a criação de um Centro de Excelência em Defesa Cibernética, com investimentos diretos das duas instituições e atividades previstas de capacitação, resposta a incidentes, pesquisa e desenvolvimento. Trata-se de iniciativa distinta, cuja vinculação à nova Carta de Intenções não foi anunciada.

IMBEL e EDGE: contribuições previstas à cooperação 
O EDGE descreve papéis complementares para os participantes: o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos oferece a dimensão governamental e bilateral; o Exército Brasileiro apresenta necessidades operacionais e prioridades de modernização; a IMBEL contribui com capacidades industriais nacionais de defesa; e o EDGE disponibiliza seu portfólio integrado, experiência em sistemas e presença industrial crescente no Brasil. Essa divisão de contribuições explicita a dimensão industrial do entendimento, sem definir ainda projetos ou contratos.

Há antecedentes de integração tecnológica entre essas organizações. Em dezembro de 2024, o EDGE anunciou uma solução de comunicações seguras para o CENSIPAM, combinando dispositivo da KATIM, tecnologias da SIATT e rádios da IMBEL. O novo comunicado menciona transferência de tecnologia e programas conjuntos futuros como áreas de cooperação, mas não identifica sistemas selecionados, montantes de investimento, cronogramas, direitos de propriedade intelectual ou obrigações específicas de fabricação no Brasil.

Compromisso anunciado pela direção do EDGE 

Hamad Al Marar, diretor-geral e CEO do EDGE Group, afirmou que o Brasil está construindo capacidades soberanas de defesa e que o grupo pretende contribuir para esse processo. Segundo o executivo, o EDGE colocará seu portfólio, seus engenheiros e sua presença industrial no Brasil a serviço da modernização do Exército e do fortalecimento duradouro da BID. Trata-se de um compromisso estratégico anunciado pela direção do conglomerado, cujo desdobramento em programas e contratos ainda dependerá de definições posteriores.

A iniciativa se insere em uma aproximação mais ampla. Em declaração conjunta durante o G20 de 2024, Brasil e Emirados Árabes Unidos destacaram a expansão dos vínculos em defesa e segurança. O EDGE vem ampliando sua atuação industrial no País, inclusive por meio da SIATT, da Akaer, da Condor e de outras iniciativas. Esses antecedentes ajudam a compreender o contexto do acordo, mas não significam que cada projeto anterior tenha sido incorporado à nova Carta de Intenções.

Próximas etapas e resultados esperados 
O comunicado de 13 de outubro resolve a dúvida sobre os signatários, mas não detalha quais capacidades militares terão prioridade, quais sistemas serão avaliados, como ocorrerá eventual transferência de tecnologia ou se haverá financiamento e metas industriais. A Carta de Intenções estabelece uma direção de trabalho e diálogo; a execução dependerá de instrumentos e decisões subsequentes.

Para o Exército Brasileiro, a relevância do entendimento será medida pela transformação das intenções em capacidades operacionais verificáveis. Para a IMBEL e a BID, o resultado dependerá de oportunidades efetivas de engenharia, produção e absorção tecnológica. A declaração do CEO do EDGE sinaliza disposição de mobilizar recursos técnicos e industriais, mas os resultados concretos ainda precisarão ser demonstrados.

08 setembro, 2026

Do orçamento às fronteiras: drones ganham novo peso na Defesa brasileira

Fala de José Múcio encontra respaldo em uma das maiores dotações de investimento da Força Terrestre, com R$ 520 milhões para a ação Aviação do Exército e Drones; SISFRON recebe outros R$ 467 milhões



*
LRCA Defense Consulting - 09/09/2026

A declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que o Brasil deverá investir fortemente em drones para reforçar a proteção das fronteiras encontra respaldo direto na programação orçamentária proposta para 2027. O PLOA 2027 reserva R$ 520 milhões à ação “Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones” e outros R$ 467 milhões ao SISFRON, sistema destinado ao monitoramento das fronteiras terrestres.

Os valores não significam que R$ 520 milhões serão destinados exclusivamente à compra de drones. A ação 3138 reúne capacidades da Aviação do Exército e sistemas não tripulados. Ainda assim, a presença explícita de “Drones” no título da ação e sua posição entre os maiores projetos de investimento do Exército revelam uma prioridade que ganha especial significado após a manifestação do ministro. 

Múcio aponta os drones como multiplicadores de força 
Em entrevista à coluna de Matheus Leitão, publicada pelo Metrópoles em 8 de setembro, Múcio afirmou que as Forças Armadas investirão “muito” na aquisição de drones para reforçar a proteção das fronteiras. O ministro disse que o Brasil mantém atualmente cerca de 20 mil militares nessa faixa do território e considerou o contingente insuficiente diante da extensão territorial do País.

Segundo Múcio, os drones terão a função de ampliar a capacidade de vigilância sem depender exclusivamente da expansão do efetivo. Ele citou a experiência da Ucrânia e apontou China e Turquia como referências tecnológicas. O ministro também afirmou que pretende visitar fábricas de drones nesses dois países e relatou que fabricantes brasileiros já haviam apresentado equipamentos ao Ministério da Defesa. 

O orçamento já coloca os drones entre os grandes projetos do Exército 

O PLOA 2027 prevê, no âmbito do Exército, R$ 1,02 bilhão para a Implantação do Projeto Forças Blindadas, R$ 671,4 milhões para o sistema ASTROS-FOGOS, R$ 520 milhões para a Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones e R$ 467 milhões para o SISFRON. A ação de Aviação do Exército e Drones, portanto, figura entre as quatro maiores iniciativas de investimento da Força Terrestre.

A proposta orçamentária não identifica fabricantes, modelos ou quantidade de drones que poderão ser adquiridos. Também não é possível atribuir toda a dotação de R$ 520 milhões a aeronaves remotamente pilotadas, pois a ação abrange outras capacidades da Aviação do Exército. O dado seguro é que o planejamento orçamentário de 2027 passa a explicitar os drones como componente próprio da ação.
 
Drones e SISFRON formam uma combinação estratégica 
A proximidade entre as duas dotações é relevante. O SISFRON foi concebido como uma arquitetura de vigilância, monitoramento, comunicações, inteligência e comando e controle para ampliar a consciência situacional ao longo da faixa de fronteira. A incorporação de SARP e outros vetores aéreos não tripulados permite levar sensores a áreas onde a presença permanente de tropas ou de infraestrutura fixa é limitada.

O PLOA 2027, nesse sentido, combina dois instrumentos complementares: uma ação de R$ 520 milhões que agora explicita os drones e uma ação de R$ 467 milhões destinada ao SISFRON. Somadas, as duas dotações alcançam R$ 987 milhões, embora constituam ações orçamentárias distintas e não possam ser tratadas como uma única verba para aquisição de drones.
 
A experiência com o Nauru 1000C coloca a XMobots em posição privilegiada 
Entre as empresas brasileiras, a XMobots apresenta o caso público mais consistente de aderência às necessidades do Exército. O Nauru 1000C foi selecionado para a Aviação do Exército como SARP Categoria 2 e passou por avaliação técnica e operacional e experimentação doutrinária. Em 2024, o sistema foi empregado em experimentação com tropa no 7º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Sant’Ana do Livramento, justamente em ambiente associado à missão de vigilância de fronteira.

O sistema reúne três aeronaves, estações de controle, sensores eletro-ópticos, radares e outros equipamentos de apoio. A XMobots informou recentemente ao LRCA que já acumulou cerca de 5 mil horas de voo e 5 mil operações em sua família de plataformas e que sua capacidade instalada supera duas mil unidades por ano, considerando as diferentes plataformas Nauru e o sensor XSIS 222A.

A empresa também vem ampliando a família Nauru. O Nauru 100D, de menor porte, emprega arquitetura eVTOL e foi apresentado em versões de inteligência, vigilância e reconhecimento e, posteriormente, como plataforma armada. Essa amplitude de portfólio pode permitir ao Exército trabalhar com diferentes categorias de SARP em uma arquitetura escalonada. 

Stella Tecnologia amplia a oferta nacional para sistemas de maior porte 
Outra empresa a ser acompanhada é a Stella Tecnologia, responsável pelo desenvolvimento do SARP Atobá. A plataforma foi concebida para missões de vigilância e monitoramento de grandes áreas e possui autonomia muito superior à de pequenos sistemas táticos. O LRCA registrou ainda a existência do projeto Condor, de maior porte e voltado ao monitoramento persistente de fronteiras.

A parceria da Stella com a Thales e a Omnisys acrescenta uma dimensão importante: sensores, sistemas de bordo, comunicações e integração de capacidades. Isso reforça a possibilidade de que futuros programas sejam estruturados não apenas em torno da aeronave, mas de todo o sistema de missão. 

Harpia amplia as opções da BID para vigilância de longo alcance 
Outro sistema que merece atenção nesse cenário é o Harpia, desenvolvido pela brasileira Advanced Technologies Security & Defense (AdTech SD). O SARP de asa fixa foi concebido para missões de vigilância e reconhecimento em grandes áreas e apresenta características particularmente adequadas às dimensões e às condições geográficas brasileiras.

O Harpia possui autonomia de até 12 horas, pode ser lançado por catapulta e recuperado por paraquedas e airbag, dispensando pista convencional. Seu sistema de comunicação foi certificado para operações BVLOS a até 180 quilômetros da estação de pilotagem, enquanto a aeronave pode percorrer distâncias muito superiores em sua autonomia de voo. A plataforma também pode receber diferentes cargas úteis, incluindo sensores eletro-ópticos e infravermelhos, radar de abertura sintética e equipamentos de guerra eletrônica.

A maturidade do sistema é outro fator relevante. Em abril de 2026, o Harpia recebeu a Autorização de Projeto da ANAC, permitindo sua produção em série, e posteriormente obteve o Certificado de Aeronavegabilidade Especial de RPA. A AdTech SD é reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, enquanto o Harpia integra a relação de Produtos Estratégicos de Defesa.

A plataforma também já apresenta experiência operacional. O Governo do Acre adquiriu o sistema para emprego integrado pelos órgãos estaduais de segurança, e o Harpia vem sendo considerado para aplicações em outras regiões de difícil acesso. Em julho de 2026, o sistema participou da Operação Furnas, da Marinha do Brasil, onde foi empregado em missões de vigilância, observação e reconhecimento em ambiente ribeirinho. A participação ocorreu em meio à avaliação do equipamento para o futuro Programa SARP-E da Marinha.

Para o Exército, o interesse potencial é evidente. As mesmas características que tornam o Harpia adequado ao monitoramento de áreas ribeirinhas, florestais e de difícil acesso também podem ser aplicadas à vigilância de extensos trechos de fronteira. Seu emprego poderia ocupar uma camada intermediária entre pequenos drones táticos e sistemas de maior porte, oferecendo autonomia elevada, mobilidade e capacidade de operar sem infraestrutura aeroportuária convencional.

Akaer, AEL Sistemas e Santos Lab também permanecem relevantes nesse ecossistema. A Akaer possui competências em engenharia aeronáutica e sistemas não tripulados; a AEL Sistemas reúne experiência em SARP, sensores, comunicações e integração de sistemas; e a Santos Lab mantém uma posição consolidada no segmento de plataformas menores, como a família Carcará. O ponto central é que a BID brasileira não depende de uma única solução: há um conjunto crescente de empresas capazes de atender diferentes camadas de uma futura arquitetura nacional de sistemas não tripulados.

Uma arquitetura em camadas pode ser mais provável do que um único drone 
A extensão das fronteiras brasileiras e a variedade de missões sugerem que uma eventual expansão não deverá depender de um único modelo. Pequenos sistemas podem apoiar unidades em missões de reconhecimento local; SARP de Categoria 2 podem proporcionar vigilância tática e operacional; plataformas de maior porte podem realizar missões persistentes sobre grandes áreas.

Nessa arquitetura, a aeronave é apenas um dos elementos. Sensores eletro-ópticos e infravermelhos, radares, enlaces de dados, estações de controle, processamento de imagens, inteligência artificial, guerra eletrônica, comunicações seguras e integração com o SISFRON são componentes igualmente importantes.

O impacto potencial para a Base Industrial de Defesa
A dimensão dos recursos previstos pode produzir efeitos que vão muito além da eventual compra de aeronaves. Um programa de expansão de SARP tende a movimentar fornecedores de sensores, aviônicos, comunicações, software, inteligência artificial, propulsão, estruturas, baterias, estações de controle, logística e manutenção.

Esse aspecto é especialmente relevante porque o Brasil já possui uma cadeia tecnológica capaz de fornecer parte considerável desses elementos. O desafio será transformar competências dispersas em uma arquitetura integrada, com produção em escala, disponibilidade operacional, atualização tecnológica e capacidade de sustentação durante todo o ciclo de vida.

A XMobots é um exemplo dessa verticalização. Segundo informações divulgadas pela própria empresa e repercutidas pelo LRCA, mais de R$ 220 milhões foram destinados desde 2022 ao desenvolvimento de soluções de Defesa e Segurança. A empresa também afirma possuir uma estrutura que integra engenharia aeronáutica, software embarcado, aviônicos, sensores, inteligência artificial, estruturas e propulsão.
 
O que ainda não está definido 
É importante evitar interpretações que o PLOA não permite sustentar. A proposta não informa quantos drones serão comprados, quais modelos serão selecionados, quais empresas participarão de futuras concorrências ou qual parcela dos R$ 520 milhões será efetivamente aplicada em sistemas não tripulados.

Além disso, o PLOA é uma proposta. O texto ainda passa pelo Congresso Nacional, pode sofrer alterações e, depois de aprovado e sancionado, sua execução dependerá da programação financeira e da disponibilidade efetiva de recursos.
 
Uma mudança de patamar 
Mesmo com essas ressalvas, há uma mudança qualitativa. O Exército já emprega SARP nacionais e vem experimentando sua utilização em diferentes ambientes. O PLOA 2027 agora explicita “Drones” no nome de uma das maiores ações de investimento da Força Terrestre, ao mesmo tempo em que mantém uma dotação robusta para o SISFRON.

A declaração de José Múcio, portanto, deve ser lida menos como uma ideia isolada e mais como uma manifestação política que converge com uma linha de planejamento já refletida na proposta orçamentária. Se os recursos forem preservados e transformados em contratos, o País poderá assistir a uma expansão significativa do emprego de sistemas não tripulados na vigilância das fronteiras.

Para a Base Industrial de Defesa, a oportunidade é ainda maior: o programa poderá representar não apenas a aquisição de aeronaves, mas a consolidação de uma cadeia nacional de sistemas autônomos, sensores e comando e controle. Nesse cenário, o desafio será fazer com que o investimento em drones se traduza em capacidade operacional permanente, autonomia tecnológica e maior presença brasileira em um dos segmentos que mais rapidamente transformam a guerra e a vigilância territorial.

24 junho, 2026

Ministério da Defesa e Fiesp firmam acordo de cooperação para a Base Industrial de Defesa

Documento assinado em São Paulo prevê capacitação de adidos militares, promoção comercial dos produtos nacionais e intercâmbio de informações entre o governo federal e o empresariado paulista


*LRCA Defense Consulting - 24/06/2026

O Ministério da Defesa (MD) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinaram, na segunda-feira (22), na sede da Fiesp, em São Paulo, um Acordo de Cooperação voltado ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID). O documento foi firmado pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, durante reunião de diretoria da entidade.

O que prevê o acordo
Segundo o Ministério da Defesa, o acordo estabelece a execução de ações de interesse recíproco, em regime de mútua colaboração e sem transferência de recursos entre as partes. O foco está no desenvolvimento e na promoção de produtos e serviços de defesa e segurança brasileiros, além do intercâmbio de informações e da contribuição para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao setor.

Plano de trabalho e capacitação
Na mesma ocasião, foi firmado o Plano de Trabalho vinculado ao acordo, que detalha ações de capacitação e promoção da BID. Estão previstas atividades para os alunos do Estágio para Diplomatas e Adidos Militares Estrangeiros, promovido pela Escola Superior de Defesa (ESD), e para o Curso de Gestão de Recursos de Defesa no estado de São Paulo, com apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/SP).

O secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, afirmou que o acordo deve ampliar a capacitação de adidos militares brasileiros designados para missões no exterior, de modo que conheçam melhor a indústria nacional de defesa e possam contribuir para a promoção dos seus produtos no mercado internacional. Segundo ele, a parceria também alcança adidos estrangeiros no Brasil e representa uma oportunidade de estimular as exportações do setor.

O plano também prevê capacitações destinadas às próprias empresas da BID, com foco no aprimoramento de processos, na qualificação para atuação junto à administração pública e no desenvolvimento de estratégias de negócios. Devem participar das atividades integrantes do MD, militares das Forças Armadas designados como adidos de defesa e representantes das empresas do setor.

Repercussão
Para o ministro da Defesa, a cooperação com a Fiesp amplia oportunidades para a indústria nacional e contribui para que o país avance com autonomia tecnológica, a partir de planejamento e responsabilidade. Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, avaliou que a parceria representa um passo importante para que o Brasil ocupe posição de protagonismo na produção de tecnologias e na geração de empregos qualificados, ampliando a competitividade do setor.

Uma cooperação de longa data
A relação entre o Ministério da Defesa e a Fiesp não é recente. Desde 2006, o Departamento da Indústria de Defesa da federação, o Comdefesa, sedia o Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), voltado à qualificação de representantes da BID. Em 2020, as duas instituições firmaram um primeiro Acordo de Cooperação Técnica, que resultou, entre outras iniciativas, no projeto de criação de uma fintech voltada ao financiamento do setor de defesa, anunciado em reunião na sede da Fiesp.

O novo acordo, assinado nesta semana, amplia o alcance dessa parceria histórica, incorporando ações específicas de promoção internacional por meio de adidos militares e reforçando a interlocução entre o governo federal e o empresariado paulista. O movimento se soma a outras iniciativas recentes do Ministério da Defesa voltadas ao fortalecimento da BID, como a parceria firmada em outubro de 2024 com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do Observatório Nacional da Indústria, com vigência de seis anos e foco em inteligência de dados para monitorar orçamento, financiamento e oportunidades comerciais do setor.

A Base Industrial de Defesa em números
De acordo com o Ministério da Defesa, a BID responde por cerca de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos no país e por aproximadamente 3,49% do Produto Interno Bruto (PIB), abrangendo a produção de aeronaves, embarcações, sistemas de comunicação segura, soluções cibernéticas, radares e satélites, entre outros segmentos. Em 2025, o setor registrou autorizações de exportação de produtos de defesa da ordem de US$ 3,4 bilhões, recorde histórico para a indústria nacional.

O acordo com a Fiesp se insere nesse movimento de expansão da BID, somando-se aos esforços do governo federal para ampliar a competitividade e a autonomia tecnológica do setor.

23 abril, 2025

Brazil Defense: o Projeto do Setor de Defesa Brasileiro liderado pela ABIMDE e ApexBrasil

 


*LRCA Defense Consulting - 23/04/2025

O Projeto do Setor de Defesa Brasileiro – Brazil Defense – tem como objetivo impulsionar as exportações através do desenvolvimento e implementação de plataformas para empresas não exportadoras e intermediárias avançadas, incluindo monitoramento de mercado, feiras comerciais e iniciativas comerciais integradas.

O Projeto Brazil Defense, em síntese, visa promover a internacionalização da Base Industrial de Defesa (BID) do País. Seu principal objetivo é impulsionar as exportações de produtos e serviços do setor de defesa, especialmente por meio do desenvolvimento e implementação de plataformas para empresas que ainda não exportam ou que estão em estágios intermediários de internacionalização. As ações do projeto incluem monitoramento de mercado, participação em feiras internacionais e iniciativas comerciais integradas.​

Sob a direção conjunta da ABIMDE-ApexBrasil, em colaboração com os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, o projeto executa um plano de promoção internacional de curto prazo (dois anos) com o objetivo de atrair empresas qualificadas para o mercado global. Para consolidar a presença e competitividade brasileira no cenário global, a integração das empresas no plano de promoção e na agenda do setor a médio e longo prazo é um avanço estratégico.

O Projeto Brazil Defense foi formalizado no período de 2016 a 2018, conforme registros de parcerias entre a ApexBrasil e a ABIMDE. Desde então, tem desempenhado um papel significativo na estratégia do Brasil para aumentar sua participação no mercado internacional de defesa, viabilizando a participação de empresas da Base Industrial de Defesa em dezenas de feiras e outras exposições pelo mundo, proporcionando o estabelecimento de contatos estratégicos entre empresas e com governos, além de gerar importantes divisas para o Brasil em contratos de exportação e de joint ventures.

O exemplo mais atual está acontecendo no México, de hoje ao dia 26, na Feira Aeroespacial Mexicana (FAMEX), onde o Espaço Brasil reúne 12 empresas que atuam em segmentos estratégicos da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS):  Modirum | Gespi, Omnisys Engenharia, IAS, Edasim, Pensa, IMBEL, IDV - Iveco Defense Vehicles, DuPont, CSA AeroEngines, Xmobots, BRENG e o Parque de Inovação Tecnológica São José dos Campos (PIT).

ABIMDE
Fundada em 1985, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) tem como propósito congregar as indústrias de defesa e segurança do País. Atuando como a legítima interlocutora da Base Industrial de Defesa e Segurança do Brasil e reconhecida oficialmente como a principal Associação do setor, vem durante sua existência representando as indústrias em diferentes fóruns quer no Brasil quer no exterior.

Levando os anseios dos empresários aos diversos poderes constituídos, participando do esforço do País para implementar suas exportações, gerando empregos altamente especializados e estando presente em todas as fases da vida dos produtos e serviços, tem o orgulho de avalizar a chancela "Fabricado no Brasil por uma associada da ABIMDE". 

A entidade promove ações para valorização e fomento das empresas do setor nos mercados nacional e internacional, e para o fortalecimento ou implementação de políticas e programas que assegurem o desenvolvimento desta indústria. Dentre suas mais de 240 associadas, estão as principais empresas de Defesa e Segurança instaladas no País.

ApexBrasil
A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. 

Para alcançar os objetivos, a agência realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. 

A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

17 outubro, 2024

Indústria brasileira de defesa tem presença inédita no Future Forces Exhibition 2024, na República Tcheca


*LRCA Defense Consulting - 16/10/2024

Pela primeira vez, a indústria brasileira de defesa e segurança está representada na República Tcheca, no Future Forces International Exhibition & Forum 2024. O evento, que acontece em Praga, de 16 a 18 de outubro, reúne grandes players do setor de defesa, incluindo o Brasil.

Coordenado pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o espaço conta com o apoio do Ministério da Defesa (MD) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil.

A área brasileira agrupa três empresas: a Embraer, a CSD e a Desmodus, que apresentam ao público soluções tecnológicas avançadas, demonstrando a capacidade e a competência da indústria de defesa nacional.

A 15ª edição do Future Forces Forum (FFF) estima a presença de mais de 8 mil participantes e delegações de mais de 70 países. O evento, apoiado pelo governo tcheco, é organizado em estreita colaboração com as forças armadas, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a European Defence Agency (EDA). Neste ano, os debates se concentram em temas como defesa cibernética, sistemas autônomos, robótica, inteligência artificial e combate ao terrorismo.

A primeira atividade do Espaço Brasil foi marcada pela assinatura de um memorando de entendimento entre a ABIMDE e a Associação da Indústria de Defesa e Segurança da República Tcheca (AOBP). A ABIMDE foi representada pelo seu Diretor de Projetos, Coronel Antonio Ribeiro — que assinou em nome do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Roberto Gallo —, ao lado do Presidente da AOBP, Jiří Hynek.

Após a formalização do acordo, o Coronel Antonio Ribeiro presenteou Hynek com o livro "Base Industrial de Defesa e Segurança: Uma trajetória de desenvolvimento e soberania", recém-lançado pela ABIMDE. A obra oferece um relato detalhado sobre o progresso da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) ao longo dos anos, destacando conquistas, desafios e a evolução do setor no Brasil.



"A assinatura deste memorando reforça os laços de cooperação entre o Brasil e a República Tcheca, fortalecendo a Base Industrial de Defesa de ambos os países e promovendo o desenvolvimento de soluções tecnológicas. A troca de conhecimento e experiência é essencial para ampliarmos nossas capacidades", ressaltou o Coronel Antonio Ribeiro.

A mesma posição foi compartilhada pela AOBP. “Após um longo período de planejamento, finalmente as duas associações assinam este memorando. Trata-se de um passo significativo na cooperação entre nossos países", acrescentou Hynek.

A cerimônia oficial de abertura do FFF foi marcada pelo descerramento da faixa do Espaço Brasil, realizado pelo Secretário-Geral do Ministério da Defesa, Luiz Henrique Pochyly da Costa, acompanhado por Fábio Cereda Cordeiro, Conselheiro e Chefe do Setor de Promoção Comercial (SECOM), que representou a Embaixadora do Brasil na República Tcheca, Sônia Gomes.

Estiveram presentes também o Secretário de Produtos de Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues, e Jiří Hynek, Presidente da Associação da Indústria de Defesa e Segurança da República Tcheca (AOBP), além de outras autoridades e convidados.

Cooperação Brasil-República Tcheca
A participação brasileira no Future Forces International Exhibition & Forum 2024 foi incentivada pela Embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrliková, que, durante uma plenária realizada na sede da ABIMDE, em agosto, ressaltou a importância da colaboração entre Brasil e República Tcheca em setores como defesa, segurança, QBRN (Químicos, Biológicos, Radiológicos e Nucleares), cibernética, entre outros.

O Espaço Brasil, coordenado pelo Coronel Antonio Ribeiro, recebeu como incentivo uma área gratuita na feira. “A ação faz parte de uma iniciativa da Embaixadora Havrliková em buscar uma aproximação das empresas brasileiras com a indústria tcheca”, comentou Ribeiro.

O FFF é uma plataforma multidimensional, que engloba exposições, conferências e reuniões bilaterais, proporcionando um espaço para que as empresas brasileiras apresentem sua expertise e explorem oportunidades de negócios. A presença de empresas nacionais no evento reflete o empenho do Brasil em ampliar sua atuação em mercados estrangeiros promovendo suas soluções e fortalecendo laços comerciais e estratégicos em um setor cada vez mais competitivo.

Conheça as empresas brasileiras que representam o país no FFF:
A CSD opera no setor de Defesa e pertence ao Grupo Hübner. Atua no desenvolvimento e produção de bombas de aviação, foguetes, espoletas, munições e componentes para o setor de defesa. Alguns de seus produtos são credenciados como Produtos Estratégicos de Defesa (PED) pelas autoridades brasileiras.

A Desmodus é uma empresa especializada na fabricação de torniquetes para o controle de hemorragias, com o objetivo de salvar vidas. Reconhecida como a única fábrica na América Latina, a empresa busca difundir o uso desses instrumentos em diversos segmentos do mercado brasileiro. A Desmodus foi qualificada como Empresa Estratégica de Defesa.
 
A Embraer, fundada em 1969 e com sede em São José dos Campos, é uma empresa aeroespacial brasileira que opera em vários segmentos, incluindo aviação comercial, executiva, agrícola, e defesa e segurança. Reconhecida como líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos, é uma das maiores exportadoras do Brasil.

Brazil Defense

O Projeto do Setor de Defesa Brasileiro – Brazil Defense – tem como objetivo impulsionar as exportações através do desenvolvimento e implementação de plataformas para empresas não exportadoras e intermediárias avançadas, incluindo monitoramento de mercado, feiras comerciais e iniciativas comerciais integradas.

Sob a direção conjunta da ABIMDE-ApexBrasil, em colaboração com os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, o projeto executa um plano de promoção internacional de curto prazo com o objetivo de atrair empresas qualificadas para o mercado global. Para consolidar a presença e competitividade brasileira no cenário global, a integração das empresas no plano de promoção e na agenda do setor a médio e longo prazo é um avanço estratégico.

Sobre a ABIMDE

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) é reconhecida como legítima interlocutora da Base Industrial de Defesa e Segurança do Brasil. A entidade promove ações para valorização e fomento das empresas do setor nos mercados nacional e internacional, e para fortalecimento ou implementação de políticas e programas que assegurem o desenvolvimento desta indústria. Dentre suas mais de 240 associadas, estão as principais empresas de Defesa e Segurança instaladas no País.

 

Postagem em destaque