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08 setembro, 2026

Do orçamento às fronteiras: drones ganham novo peso na Defesa brasileira

Fala de José Múcio encontra respaldo em uma das maiores dotações de investimento da Força Terrestre, com R$ 520 milhões para a ação Aviação do Exército e Drones; SISFRON recebe outros R$ 467 milhões



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LRCA Defense Consulting - 09/09/2026

A declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que o Brasil deverá investir fortemente em drones para reforçar a proteção das fronteiras encontra respaldo direto na programação orçamentária proposta para 2027. O PLOA 2027 reserva R$ 520 milhões à ação “Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones” e outros R$ 467 milhões ao SISFRON, sistema destinado ao monitoramento das fronteiras terrestres.

Os valores não significam que R$ 520 milhões serão destinados exclusivamente à compra de drones. A ação 3138 reúne capacidades da Aviação do Exército e sistemas não tripulados. Ainda assim, a presença explícita de “Drones” no título da ação e sua posição entre os maiores projetos de investimento do Exército revelam uma prioridade que ganha especial significado após a manifestação do ministro. 

Múcio aponta os drones como multiplicadores de força 
Em entrevista à coluna de Matheus Leitão, publicada pelo Metrópoles em 8 de setembro, Múcio afirmou que as Forças Armadas investirão “muito” na aquisição de drones para reforçar a proteção das fronteiras. O ministro disse que o Brasil mantém atualmente cerca de 20 mil militares nessa faixa do território e considerou o contingente insuficiente diante da extensão territorial do País.

Segundo Múcio, os drones terão a função de ampliar a capacidade de vigilância sem depender exclusivamente da expansão do efetivo. Ele citou a experiência da Ucrânia e apontou China e Turquia como referências tecnológicas. O ministro também afirmou que pretende visitar fábricas de drones nesses dois países e relatou que fabricantes brasileiros já haviam apresentado equipamentos ao Ministério da Defesa. 

O orçamento já coloca os drones entre os grandes projetos do Exército 

O PLOA 2027 prevê, no âmbito do Exército, R$ 1,02 bilhão para a Implantação do Projeto Forças Blindadas, R$ 671,4 milhões para o sistema ASTROS-FOGOS, R$ 520 milhões para a Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones e R$ 467 milhões para o SISFRON. A ação de Aviação do Exército e Drones, portanto, figura entre as quatro maiores iniciativas de investimento da Força Terrestre.

A proposta orçamentária não identifica fabricantes, modelos ou quantidade de drones que poderão ser adquiridos. Também não é possível atribuir toda a dotação de R$ 520 milhões a aeronaves remotamente pilotadas, pois a ação abrange outras capacidades da Aviação do Exército. O dado seguro é que o planejamento orçamentário de 2027 passa a explicitar os drones como componente próprio da ação.
 
Drones e SISFRON formam uma combinação estratégica 
A proximidade entre as duas dotações é relevante. O SISFRON foi concebido como uma arquitetura de vigilância, monitoramento, comunicações, inteligência e comando e controle para ampliar a consciência situacional ao longo da faixa de fronteira. A incorporação de SARP e outros vetores aéreos não tripulados permite levar sensores a áreas onde a presença permanente de tropas ou de infraestrutura fixa é limitada.

O PLOA 2027, nesse sentido, combina dois instrumentos complementares: uma ação de R$ 520 milhões que agora explicita os drones e uma ação de R$ 467 milhões destinada ao SISFRON. Somadas, as duas dotações alcançam R$ 987 milhões, embora constituam ações orçamentárias distintas e não possam ser tratadas como uma única verba para aquisição de drones.
 
A experiência com o Nauru 1000C coloca a XMobots em posição privilegiada 
Entre as empresas brasileiras, a XMobots apresenta o caso público mais consistente de aderência às necessidades do Exército. O Nauru 1000C foi selecionado para a Aviação do Exército como SARP Categoria 2 e passou por avaliação técnica e operacional e experimentação doutrinária. Em 2024, o sistema foi empregado em experimentação com tropa no 7º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Sant’Ana do Livramento, justamente em ambiente associado à missão de vigilância de fronteira.

O sistema reúne três aeronaves, estações de controle, sensores eletro-ópticos, radares e outros equipamentos de apoio. A XMobots informou recentemente ao LRCA que já acumulou cerca de 5 mil horas de voo e 5 mil operações em sua família de plataformas e que sua capacidade instalada supera duas mil unidades por ano, considerando as diferentes plataformas Nauru e o sensor XSIS 222A.

A empresa também vem ampliando a família Nauru. O Nauru 100D, de menor porte, emprega arquitetura eVTOL e foi apresentado em versões de inteligência, vigilância e reconhecimento e, posteriormente, como plataforma armada. Essa amplitude de portfólio pode permitir ao Exército trabalhar com diferentes categorias de SARP em uma arquitetura escalonada. 

Stella Tecnologia amplia a oferta nacional para sistemas de maior porte 
Outra empresa a ser acompanhada é a Stella Tecnologia, responsável pelo desenvolvimento do SARP Atobá. A plataforma foi concebida para missões de vigilância e monitoramento de grandes áreas e possui autonomia muito superior à de pequenos sistemas táticos. O LRCA registrou ainda a existência do projeto Condor, de maior porte e voltado ao monitoramento persistente de fronteiras.

A parceria da Stella com a Thales e a Omnisys acrescenta uma dimensão importante: sensores, sistemas de bordo, comunicações e integração de capacidades. Isso reforça a possibilidade de que futuros programas sejam estruturados não apenas em torno da aeronave, mas de todo o sistema de missão. 

Harpia amplia as opções da BID para vigilância de longo alcance 
Outro sistema que merece atenção nesse cenário é o Harpia, desenvolvido pela brasileira Advanced Technologies Security & Defense (AdTech SD). O SARP de asa fixa foi concebido para missões de vigilância e reconhecimento em grandes áreas e apresenta características particularmente adequadas às dimensões e às condições geográficas brasileiras.

O Harpia possui autonomia de até 12 horas, pode ser lançado por catapulta e recuperado por paraquedas e airbag, dispensando pista convencional. Seu sistema de comunicação foi certificado para operações BVLOS a até 180 quilômetros da estação de pilotagem, enquanto a aeronave pode percorrer distâncias muito superiores em sua autonomia de voo. A plataforma também pode receber diferentes cargas úteis, incluindo sensores eletro-ópticos e infravermelhos, radar de abertura sintética e equipamentos de guerra eletrônica.

A maturidade do sistema é outro fator relevante. Em abril de 2026, o Harpia recebeu a Autorização de Projeto da ANAC, permitindo sua produção em série, e posteriormente obteve o Certificado de Aeronavegabilidade Especial de RPA. A AdTech SD é reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, enquanto o Harpia integra a relação de Produtos Estratégicos de Defesa.

A plataforma também já apresenta experiência operacional. O Governo do Acre adquiriu o sistema para emprego integrado pelos órgãos estaduais de segurança, e o Harpia vem sendo considerado para aplicações em outras regiões de difícil acesso. Em julho de 2026, o sistema participou da Operação Furnas, da Marinha do Brasil, onde foi empregado em missões de vigilância, observação e reconhecimento em ambiente ribeirinho. A participação ocorreu em meio à avaliação do equipamento para o futuro Programa SARP-E da Marinha.

Para o Exército, o interesse potencial é evidente. As mesmas características que tornam o Harpia adequado ao monitoramento de áreas ribeirinhas, florestais e de difícil acesso também podem ser aplicadas à vigilância de extensos trechos de fronteira. Seu emprego poderia ocupar uma camada intermediária entre pequenos drones táticos e sistemas de maior porte, oferecendo autonomia elevada, mobilidade e capacidade de operar sem infraestrutura aeroportuária convencional.

Akaer, AEL Sistemas e Santos Lab também permanecem relevantes nesse ecossistema. A Akaer possui competências em engenharia aeronáutica e sistemas não tripulados; a AEL Sistemas reúne experiência em SARP, sensores, comunicações e integração de sistemas; e a Santos Lab mantém uma posição consolidada no segmento de plataformas menores, como a família Carcará. O ponto central é que a BID brasileira não depende de uma única solução: há um conjunto crescente de empresas capazes de atender diferentes camadas de uma futura arquitetura nacional de sistemas não tripulados.

Uma arquitetura em camadas pode ser mais provável do que um único drone 
A extensão das fronteiras brasileiras e a variedade de missões sugerem que uma eventual expansão não deverá depender de um único modelo. Pequenos sistemas podem apoiar unidades em missões de reconhecimento local; SARP de Categoria 2 podem proporcionar vigilância tática e operacional; plataformas de maior porte podem realizar missões persistentes sobre grandes áreas.

Nessa arquitetura, a aeronave é apenas um dos elementos. Sensores eletro-ópticos e infravermelhos, radares, enlaces de dados, estações de controle, processamento de imagens, inteligência artificial, guerra eletrônica, comunicações seguras e integração com o SISFRON são componentes igualmente importantes.

O impacto potencial para a Base Industrial de Defesa
A dimensão dos recursos previstos pode produzir efeitos que vão muito além da eventual compra de aeronaves. Um programa de expansão de SARP tende a movimentar fornecedores de sensores, aviônicos, comunicações, software, inteligência artificial, propulsão, estruturas, baterias, estações de controle, logística e manutenção.

Esse aspecto é especialmente relevante porque o Brasil já possui uma cadeia tecnológica capaz de fornecer parte considerável desses elementos. O desafio será transformar competências dispersas em uma arquitetura integrada, com produção em escala, disponibilidade operacional, atualização tecnológica e capacidade de sustentação durante todo o ciclo de vida.

A XMobots é um exemplo dessa verticalização. Segundo informações divulgadas pela própria empresa e repercutidas pelo LRCA, mais de R$ 220 milhões foram destinados desde 2022 ao desenvolvimento de soluções de Defesa e Segurança. A empresa também afirma possuir uma estrutura que integra engenharia aeronáutica, software embarcado, aviônicos, sensores, inteligência artificial, estruturas e propulsão.
 
O que ainda não está definido 
É importante evitar interpretações que o PLOA não permite sustentar. A proposta não informa quantos drones serão comprados, quais modelos serão selecionados, quais empresas participarão de futuras concorrências ou qual parcela dos R$ 520 milhões será efetivamente aplicada em sistemas não tripulados.

Além disso, o PLOA é uma proposta. O texto ainda passa pelo Congresso Nacional, pode sofrer alterações e, depois de aprovado e sancionado, sua execução dependerá da programação financeira e da disponibilidade efetiva de recursos.
 
Uma mudança de patamar 
Mesmo com essas ressalvas, há uma mudança qualitativa. O Exército já emprega SARP nacionais e vem experimentando sua utilização em diferentes ambientes. O PLOA 2027 agora explicita “Drones” no nome de uma das maiores ações de investimento da Força Terrestre, ao mesmo tempo em que mantém uma dotação robusta para o SISFRON.

A declaração de José Múcio, portanto, deve ser lida menos como uma ideia isolada e mais como uma manifestação política que converge com uma linha de planejamento já refletida na proposta orçamentária. Se os recursos forem preservados e transformados em contratos, o País poderá assistir a uma expansão significativa do emprego de sistemas não tripulados na vigilância das fronteiras.

Para a Base Industrial de Defesa, a oportunidade é ainda maior: o programa poderá representar não apenas a aquisição de aeronaves, mas a consolidação de uma cadeia nacional de sistemas autônomos, sensores e comando e controle. Nesse cenário, o desafio será fazer com que o investimento em drones se traduza em capacidade operacional permanente, autonomia tecnológica e maior presença brasileira em um dos segmentos que mais rapidamente transformam a guerra e a vigilância territorial.

03 setembro, 2026

Do laboratório da USP às Forças Armadas: como a XMobots construiu uma indústria brasileira de drones de combate

Com mais de R$ 220 milhões investidos em soluções de Defesa desde 2022, empresa de São Carlos verticaliza tecnologia, avança em drones armados e mira operações navais e enxames autônomos 

Nauru 1000C armado com míssil MBDA Enforcer Air


*LRCA Defense Consulting - 03/09/2026 

A XMobots, fabricante brasileira de veículos aéreos não tripulados sediada em São Carlos, interior de São Paulo, informou ter destinado mais de R$ 220 milhões, desde 2022, ao desenvolvimento de soluções para Defesa e Segurança. O valor, revelado pela própria empresa, soma-se a outros R$ 11 milhões aplicados entre 2010 e 2022 em projetos de pesquisa apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 


Reinaldo Junior - Diretor de Defesa da XMobots

Fundada em 2007 por Giovani Amianti, então estudante de mestrado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a empresa nasceu incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia da própria universidade (Cietec-USP). Quase duas décadas depois, tornou-se a única fabricante brasileira de drones próprios fornecidos simultaneamente ao Exército Brasileiro, à Marinha do Brasil, à Receita Federal e ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), além de ocupar, segundo o ranking da consultoria alemã Drone Industry Insights, a sexta posição entre as maiores empresas de drones do mundo. 

Uma cadeia produtiva verticalizada dentro de casa 
Com sede em São Carlos, polo aeronáutico e universitário do interior paulista, a XMobots conta atualmente com quadro de funcionários que já superou 500 colaboradores, mais da metade deles engenheiros de diferentes especialidades. Essa estrutura sustenta o principal diferencial da empresa: a verticalização de toda a cadeia tecnológica e produtiva, da engenharia aeronáutica ao software embarcado, passando por aviônicos, sensores, inteligência artificial, estruturas e propulsão.

Segundo a empresa, essa integração reduz peso, potência e custo dos sistemas, em abordagem que a companhia compara à lógica adotada pela Apple na integração entre software e hardware. A capacidade instalada de produção já ultrapassa duas mil unidades por ano, considerando as diferentes plataformas da linha Nauru e o sensor XSIS 222A. 

Linha de produção do Nauru 1000C

Nauru 1000C do Exército Brasileiro

Família Nauru: da vigilância tática ao ataque com munição 
O portfólio militar da XMobots está reunido na Família Nauru, conjunto de plataformas de diferentes portes e capacidades voltadas a missões de inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos, a chamada ISTAR.

O menor da linha, o Nauru 100D, pesa 9 kg, emprega tecnologia eVTOL (decolagem e pouso vertical elétrico) e alcança até seis horas de autonomia em campanha, com alcance de 30 quilômetros. Sua evolução armada, o Nauru 100D UCAV, foi apresentada ao Alto Comando do Exército em maio de 2026, durante o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, e voltou a ser exibida em abril, na LAAD Security Milipol Brazil, com direito a demonstração conjunta das versões ISR e UCAV que atingiu o alvo com precisão de 1,4 metro.

O Nauru 500C ISR, de 25 kg e autonomia de quatro horas, foi o primeiro VTOL autorizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) a operar além da linha de visada visual (BVLOS) no país, incluindo autorização inédita para voos noturnos obtida em 2024. Está hoje em uso pelo Censipam, pela Marinha do Brasil e pela Polícia Militar de Santa Catarina, além de empresas do setor de celulose.

Já o Nauru 1000C ISTAR, com 181 kg e autonomia de dez horas, é o modelo mais robusto em operação, entregue ao 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté, no interior paulista, em dezembro de 2022. Passou por avaliação técnica e operacional do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), concluída em julho de 2024, e por experimentação doutrinária encerrada em dezembro do mesmo ano, tendo ainda participado das operações Perseu (novembro de 2024) e IVR (março de 2025), esta última conjunta entre Exército, Marinha e Força Aérea.

Ao longo de sua trajetória, a Família Nauru acumulou cerca de 5 mil horas de voo e 5 mil operações, distribuídas entre mais de 1.500 voos do Nauru 100D, aproximadamente 2.600 do Nauru 500C e cerca de 800 do Nauru 1000C. 


Nauru 100D na versão bombardeiro (acima) e em voo noturno (abaixo)

Sensores, aviônicos e navegação: a arquitetura por trás dos drones 
Por trás das plataformas está uma arquitetura tecnológica própria, desenvolvida progressivamente pela empresa. Ela inclui os softwares de comando e controle XCockpit e XSIS Manager; o sistema de gerenciamento automático de bordo AMS XG, de sétima geração, que aplica redundâncias e aciona paraquedas em caso de falha; a navegação por filtro de Kalman estendido (EKF); o controle robusto TECS (Total Energy Control System); e o enlace de rádio definido por software com salto de frequência (FHSS), que blinda as comunicações contra tentativas de bloqueio deliberado, o jamming.

A empresa aposta ainda em baterias de lítio-íon em estado semi-sólido com troca rápida em campo (quick-connect), estruturas em polímeros avançados, espumas de impacto e tubos de carbono, e em manufatura aditiva combinada à injeção plástica para produção em escala.

No campo dos sensores, o XSIS 222A, de aproximadamente 6 kg e arquitetura compacta de baixo peso, consumo e tamanho (SWaP), integra imageamento diurno e noturno, câmera térmica, telêmetro a laser, rastreamento automático de alvos e leitura de placas veiculares por inteligência artificial. Desenvolvido originalmente para o Nauru 1000C ISTAR, o sensor já é adaptado também a helicópteros tripulados, como o Airbus AS350.

A empresa destaca ainda um algoritmo próprio de lançamento de alta precisão, testado no Nauru 100D UCAV com erro circular provável inferior a 2 metros, que corrige em tempo real os efeitos do vento e da velocidade sobre a munição, dispensando ajustes manuais do operador e permitindo que a aeronave seja recuperada, rearmada e reempregada em novas missões. 

Nauru 1000C ISTAR com sensor XSIS 222A

Marinha, Petrobras e a corrida pela Amazônia Azul 
A aproximação com a Marinha do Brasil se intensificou ao longo de 2026. Em fevereiro, o comandante Carlos Alexandre Tunala da Silva, oficial superior do Corpo de Fuzileiros Navais, visitou a sede da empresa em São Carlos para avaliar o emprego do Nauru 100D em missões de reconhecimento e vigilância em ambientes litorâneos, fluviais e expedicionários. Em abril, o drone foi testado pelos Fuzileiros Navais na Ilha da Marambaia, no litoral fluminense, em voos diurnos e noturnos. Em maio, autoridades de alto escalão da Marinha, incluindo o diretor geral do Material da Marinha, retornaram à empresa para tratar da integração de plataformas eVTOL a operações embarcadas em navios de superfície.

Em janeiro de 2026, a XMobots iniciou, em parceria com a Marinha e com a Petrobras, um programa orçado em R$ 50 milhões para adaptar a Família Nauru a operações navais e offshore, contemplando resistência à salinidade e à umidade, comunicação por satélite (SATCOM) e pouso e decolagem a partir de plataformas móveis. O interesse da Marinha se relaciona à vigilância da chamada Amazônia Azul, o território marítimo de cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados sobre o qual o Brasil reivindica direitos soberanos, hoje monitorado com apoio limitado de meios não tripulados nacionais. 


Nauru 500C na Marinha do Brasil

Capital, sócios e credenciamento como empresa de Defesa 
A expansão da XMobots no setor de Defesa acompanhou mudanças relevantes em sua estrutura societária. Em setembro de 2022, a Embraer anunciou acordo para participação minoritária na companhia, por meio de fundo cujo único cotista era a própria fabricante aeroespacial, com opção de aportes adicionais no futuro. O negócio sucedeu uma rodada Série A de R$ 30 milhões captada em 2019, liderada pelo fundo Aerotec, com participação da Confrapar. Em janeiro de 2024, a gestora Spectra adquiriu fatia de 20% na XMobots, movimento que coincidiu com ampliação da participação da Embraer, sem que os valores das transações fossem divulgados.

No plano regulatório, a razão social XMobots Aeroespacial e Defesa Ltda. figura entre as empresas avaliadas pelo Ministério da Defesa para credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED), categoria prevista na Lei 12.598/2012 que reconhece companhias consideradas essenciais à soberania tecnológica nacional. A companhia consolidou uma estrutura dedicada ao setor, a XMobots Defense, apresentada durante a LAAD Defence & Security de 2025 e hoje comandada por Reinaldo de Campos Gonçalves Junior, executivo com mais de dez anos de experiência no setor e passagens por empresas como Akaer, Becker Avionics e IACIT.

“Nossa estratégia é construir uma capacidade de Defesa que não termine na entrega de uma aeronave. Dominamos a engenharia, a produção, a integração, o treinamento, a manutenção e a evolução tecnológica do sistema. Essa verticalização nos permite responder com mais agilidade às necessidades das Forças Armadas e, ao mesmo tempo, manter dentro do País o conhecimento necessário para sustentar capacidades estratégicas”, afirma Reinaldo. 

Conceito de sistema contentorizado projetável da XMobots para emprego de enxames de drones 
(Créditos: @Defence360)

Cooperação internacional e o caminho até o UCAV nacional 
A evolução das plataformas armadas contou também com cooperação tecnológica externa. Em 2022, a XMobots firmou acordo com a MBDA, uma das principais empresas globais do setor de mísseis, para integrar os mísseis Enforcer Air ao Nauru 1000C. A parceria permitiu à empresa brasileira acumular conhecimento posteriormente aproveitado no desenvolvimento das capacidades armadas do Nauru 100D.

Para a XMobots, projetar, integrar, testar e operar uma aeronave de combate reutilizável exige domínio de múltiplas áreas de engenharia e sistemas críticos, competência que a empresa associa ao objetivo de reduzir a dependência de sistemas armados importados e fortalecer a cadeia produtiva nacional.

Próximas fronteiras: enxames, plataformas armadas e o Nauru 3000D 
Entre os projetos em desenvolvimento está o Nauru 1000C Armado, evolução da plataforma ISTAR para missões de ataque, avaliando arquitetura de ataque em mergulho (dive bomber) semelhante à do Nauru 100D, na qual o Nauru 1000C ISTAR identifica e acompanha o alvo enquanto uma segunda aeronave armada recebe os dados de posição, deslocamento e vento necessários ao cálculo da trajetória.

Outra frente é o Nauru 100D Swarm, arquitetura para coordenação de múltiplas aeronaves em uma mesma operação. Na configuração em desenvolvimento, três aeronaves cuidam do reconhecimento do ambiente e da aquisição de alvos, enquanto outras 27 atuam de forma coordenada a partir das informações obtidas durante a missão, combinando navegação, enlace de dados, processamento de informações e comando e controle compartilhados.

A empresa desenvolve ainda o Nauru 3000D, plataforma de maior porte, configuração VTOL, propulsão híbrida e até 14 horas de autonomia, projetada para módulos intercambiáveis de missões ISTAR, transporte de carga e transporte de tropas. Em cenário de referência estudado pela própria companhia, considerando o transporte equivalente a 28 soldados ao longo de 20 anos de operação, a solução distribuída com o Nauru 3000D apresentaria custo total cerca de 54% inferior ao de uma solução equivalente baseada em helicópteros, mantendo capacidade de transporte semelhante.

A companhia organiza essa evolução em um roteiro próprio, o programa FW1000, que classifica as plataformas em quatro categorias crescentes de porte e complexidade, da CAT0 (Nauru 100D) à CAT3 (Nauru 3000X), com certificação prevista para 2028. 


Uma indústria em ascensão dentro da Base Industrial de Defesa 
O avanço da XMobots ocorre em meio à expansão mais ampla da Base Industrial de Defesa brasileira em sistemas não tripulados, movimento que também inclui empresas como Taurus e Ambipar Robotics. Para analistas do setor, o desafio remanescente é a articulação dessas iniciativas dispersas em torno de uma estratégia nacional integrada para drones e robôs de combate, capaz de orientar prioridades de investimento e doutrina entre Exército, Marinha e Força Aérea.

Enquanto essa arquitetura institucional amadurece, a XMobots segue como a referência mais visível do setor: fornecedora estabelecida de duas três Forças Armadas brasileiras que hoje operam drones nacionais, parceira de programas industriais internacionais e protagonista dos primeiros testes brasileiros de drones armados reutilizáveis.

27 janeiro, 2026

Brasil avança na soberania tecnológica com acordo inédito em drones navais

XMobots, Petrobras e Marinha firmam parceria de R$ 40 milhões para revolucionar defesa naval e proteção ambiental no mar brasileiro 



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LRCA Defense Consulting - 27/01/2026

Em um movimento estratégico que consolida a autonomia tecnológica brasileira no setor de defesa, a XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, fechou acordo de cooperação técnica com a Diretoria de Aeronáutica da Marinha do Brasil, com financiamento parcial da Petrobras. A iniciativa integra o projeto MMRE (Monitoramento Marítimo com Recursos Embarcados), que representa investimento de R$ 40 milhões no desenvolvimento de tecnologias avançadas para fortalecer o monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras.

Números do Projeto MMRE

R$ 40 mi de investimento

5,7 mi km² de águas jurisdicionais

10h de autonomia do Nauru 1000C

100% de tecnologia nacional

Uma aliança estratégica para o mar brasileiro
O acordo, formalizado no Rio de Janeiro, estabelece colaboração inédita entre indústria nacional, forças armadas e setor energético. A parceria visa expandir o uso de aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) da família Nauru em navios, plataformas offshore e operações críticas de monitoramento ambiental e defesa nas Águas Jurisdicionais Brasileiras, área conhecida como Amazônia Azul.

O projeto MMRE foca no desenvolvimento de drones equipados com sensores avançados para múltiplas aplicações: aprimoramento da detecção de manchas de óleo, ampliação da capacidade de resposta a emergências ambientais, apoio a missões de busca e salvamento, e reforço ao combate de tráficos ilegais no mar territorial brasileiro.

"Essa parceria mostra o quanto o país quer garantir que as tecnologias aqui desenvolvidas tragam impactos positivos na eficácia da vigilância e segurança marítima e na proteção ambiental." - Giovani Amianti, CEO da XMobots

A XMobots: potência nacional em drones
Fundada em 2007 em São Carlos (SP), a XMobots consolidou-se como referência continental e mundial no setor de drones. A empresa saltou da 14ª para a 6ª posição no ranking global da Drone Industry Insights, principal plataforma de dados do setor, tornando-se a maior fabricante da América Latina.

A companhia se destaca como única no Brasil com domínio vertical completo da cadeia de desenvolvimento de drones, desde a aviônica até o software embarcado. Com mais de 700 colaboradores, sendo cerca de 60 engenheiros dedicados à pesquisa e desenvolvimento, a empresa possui capacidade de produção e inovação que rivaliza com gigantes internacionais.

Capacidades tecnológicas da XMobots

  • Desenvolvimento 100% nacional de hardware, software e design
  • Primeira empresa brasileira com equipamento certificado pela ANAC para operações BVLOS (Beyond Visual Line of Sight) acima de 400 pés
  • Taxa de nacionalização próxima a 90% dos componentes
  • Parceria estratégica com Embraer desde 2022, que detém participação na empresa
  • Acordo com MBDA para desenvolvimento de versão armada do Nauru 1000C
  • Fornecedora do Exército, Marinha, Receita Federal e órgãos de segurança pública

Os drones militares e de segurança da família Nauru: tecnologia de ponta

Nauru 100D - O "Aliado Invisível" (não prioritário para este projeto)

Lançado em abril de 2025, o Nauru 100D representa a nova geração de drones táticos militares da XMobots e marca a inauguração da divisão XMobots Defense. Projetado especificamente para operações de reconhecimento, monitoramento e observação tática em nível de companhia e batalhão, este UAS (Unmanned Aerial System) une mobilidade extrema, inteligência embarcada e características furtivas.

Com apenas 9 kg de peso e 2,1 metros de comprimento, o Nauru 100D é transportado em duas maletas táticas e pode ser montado em menos de três minutos através de tecnologia Plug & Play. A aeronave possui autonomia de voo de até 2 horas por bateria, alcance de comunicação de 30 km e teto operacional de 400 pés (120 metros). O kit operacional inclui três baterias, permitindo até 6 horas de operação contínua, enquanto a segunda maleta funciona como estação de carregamento para garantir ciclos ininterruptos.

O diferencial estratégico do Nauru 100D está em suas características furtivas: fabricado com materiais antirreflexo, possui baixa assinatura térmica e sonora, tornando-se praticamente indetectável. A tecnologia eVTOL (Electric Vertical Take-Off and Landing) possibilita decolagens e pousos verticais em locais restritos e confinados, essencial para infiltrações silenciosas e operações em ambientes urbanos ou com infraestrutura limitada.

 

Capacidades do Nauru 100D com Gimbal SIS031A

  • Rastreio avançado de múltiplos alvos com Inteligência Artificial embarcada
  • Sensores RGB e Infravermelho Termal para operações diurnas e noturnas
  • Cálculo de distâncias em tempo real com telerômetro laser
  • Leitura automatizada de placas de veículos
  • Tracking inteligente de veículos e pessoas
  • Reconhecimento facial para identificação de alvos
  • Localização precisa para operações de busca e salvamento
  • Transmissão segura de imagens em tempo real para equipes de solo

A XMobots desenvolveu ainda dois conceitos avançados baseados na plataforma Nauru 100D. O conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle) prevê sistema de combate com capacidade de ataque de precisão milimétrica, incluindo disparo a 60 metros de altura, correção de trajetória em tempo real e retorno à base para rearmamento. As cargas em estudo incluem bombas de alto poder explosivo (HE) e bombas antitanque com penetração (HEAT).

Já o conceito Swarm (enxame) explora o lançamento simultâneo de até 30 aeronaves a partir de um contêiner de 20 pés, com três drones dedicados ao reconhecimento e 27 ao ataque coordenado. Esta capacidade multiplica exponencialmente o poder de fogo e a cobertura operacional, representando salto qualitativo nas capacidades de defesa brasileira. Com capacidade de produção de 360 unidades por mês (mais de 4.000 por ano), a XMobots já iniciou a fabricação com lote de teste de 20 sistemas e recebeu pedidos iniciais.

Nauru 500C (prioritário)
O Nauru 500C é o primeiro VTOL (Vertical Take-Off and Landing) híbrido certificado pela ANAC para voos BVLOS. Com decolagem e pouso verticais, elimina a necessidade de equipamentos de lançamento e recolhimento, características essenciais para operações embarcadas em navios. Possui autonomia nominal de 4 horas, alcance de até 60 km, comprimento de 1,94 m, envergadura de 3,6 m e peso máximo de decolagem de 25 quilos. Pode operar em condições adversas, enfrentando ventos de até 60 km/h e alcançando altitudes superiores a 1.300 metros.


Nauru 1000C (prioritário)
Modelo mais robusto, o Nauru 1000C foi selecionado pelo Exército Brasileiro para missões ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento). Com peso de 150 kg, possui impressionantes 10 horas de autonomia, alcance de comunicação de 60 km e capacidade de payload de 18 kg. Equipado com o sistema Gimbal XSIS (XMobots Stabilized Imaging System), primeiro gimbal voltado para defesa e segurança produzido no Brasil, integra câmera eletro-óptica com zoom de até 30 vezes, sensor infravermelho termal, telerômetro e apontador laser.

 

Adaptações para o ambiente marítimo
O acordo prevê significativas adaptações nos sistemas aviônicos, de potência e propulsão dos ARPs da linha Nauru para suportar as severas condições marítimas. Os drones serão preparados para resistir a salinidade elevada, umidade extrema, presença de areia e fungos, além de receberem integração de tecnologias de comunicação via satélites para ampliar o alcance em áreas remotas.

Um dos desenvolvimentos mais ambiciosos é a criação de algoritmos avançados que permitam decolagens e pousos a partir de navios em movimento, como fragatas e navios-patrulha. Esta capacidade ampliará dramaticamente o raio de ação das operações navais brasileiras, permitindo vigilância contínua em alto-mar sem necessidade de retorno à costa. 

Testes e validação

  • Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (RJ)
  • Embarcações da Marinha em operação
  • Validação de requisitos operacionais para emprego contínuo
  • Simulação de condições extremas de mar
  • Certificação para operações embarcadas

 

O papel estratégico da Petrobras
A Petrobras entra nesta parceria não apenas como financiadora, mas como stakeholder direto interessado em elevar a eficiência operacional e fortalecer medidas de baixo carbono. Nos últimos anos, a estatal ampliou significativamente o uso de aeronaves pilotadas remotamente em atividades de detecção de hidrocarbonetos, monitoramento de áreas sensíveis e transporte leve de cargas no ambiente marítimo.

A empresa busca reduzir riscos operacionais e melhorar a capacidade de resposta a emergências ambientais, especialmente derramamentos de óleo. O projeto MMRE alinha-se perfeitamente com essas necessidades, oferecendo tecnologia de ponta para monitoramento em tempo real de suas operações offshore.

Vale destacar que este não é o único investimento da Petrobras em parceria com a Marinha. Recentemente, a estatal assinou Termo de Cooperação no valor de R$ 100 milhões para expansão da Rede de Modelagem e Observação Oceanográfica (REMO), que utiliza boias autônomas e veículos submarinos para monitoramento da costa brasileira, da Bacia de Pelotas até a Margem Equatorial.

"A cooperação beneficia não só a Petrobras, mas todo o País. Temos um enorme litoral que precisa ser monitorado e também compartilhamos dados com a academia, o que contribui para ampliar o conhecimento sobre nossa costa e para o desenvolvimento de tecnologia nacional." - Renata Baruzzi, Diretora de Engenharia e Tecnologia da Petrobras

Fortalecimento da Marinha do Brasil
Para a Marinha do Brasil, a cooperação reforça seu papel estratégico no fortalecimento da capacidade nacional de vigilância e resposta a emergências. A incorporação dos ARPs Nauru aos meios navais amplia significativamente a consciência situacional marítima, essencial para a proteção da Amazônia Azul.

A Marinha já vem investindo em tecnologias de drones em outras frentes. Em dezembro de 2025, ativou o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque do Corpo de Fuzileiros Navais, demonstrando o compromisso institucional com a evolução tecnológica.

Em outubro de 2024, a Marinha recebeu a aeronave remotamente pilotada NAURU 500C, rebatizada de "RQ-2", fruto de acordo com Shell Brasil, CLS Brasil e XMobots para desenvolvimento de sistemas de busca e salvamento marítimo. O equipamento integrou o 1° Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (EsqdQE-1), marcando importante passo na evolução do Sistema de Planejamento e Apoio à Decisão em Operações de Busca e Salvamento (SPAD-SAR).

Aplicações operacionais dos drones navais

- Detecção de óleo

- Busca e Salvamento

- Vigilância ISR

- Combate ao tráfico

 

Impacto na soberania nacional
A cooperação entre XMobots, Marinha do Brasil e Petrobras sinaliza mudança estrutural na estratégia brasileira para tecnologias críticas. Ao combinar recursos financeiros, expertises técnicas e necessidades operacionais concretas, o Brasil avança na construção de capacidade própria em sistemas autônomos de monitoramento.

Este movimento alinha-se com diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, que estabelece como prioridade o desenvolvimento de drones militares para inteligência, vigilância e reconhecimento. A produção nacional desses sistemas reduz a dependência de tecnologia estrangeira, diminui custos de importação e fortalece a base industrial de defesa brasileira.

A parceria estratégica da XMobots com a Embraer, anunciada em 2022, potencializa ainda mais essas capacidades. A entrada da terceira maior fabricante mundial de aeronaves no capital da XMobots abre portas para o mercado internacional e traz expertise em sistemas aeronáuticos de alto desempenho.

Contexto global: tendências em drones militares

  • Mercado global de drones deve movimentar US$ 42 bilhões entre 2020-2025
  • Conflitos recentes demonstraram importância crucial de drones em operações militares
  • Países investem pesadamente em desenvolvimento de tecnologia nacional
  • Integração entre defesa, energia e inovação torna-se tendência estratégica
  • Sistemas autônomos e inteligência artificial revolucionam monitoramento marítimo

Tecnologias emergentes e futuro
O projeto MMRE incorpora tecnologias de ponta que representam o estado da arte em monitoramento marítimo. Os drones serão equipados com sensores multiespectrais, especialmente UV/IR para detecção de hidrocarbonetos, sistemas de comunicação via satélite para operações em áreas remotas, e capacidade de integração em tempo quase real com sistemas oceanográficos.

Um aspecto inovador é o desenvolvimento de inteligência artificial embarcada que prioriza o envio de dados analisados, e não apenas vídeo bruto. Os drones processarão informações a bordo e transmitirão produtos prontos como máscara da mancha de óleo, perímetro, área afetada e vetor de deriva. Esta abordagem garante que dados relevantes cheguem aos centros de comando de forma ágil e processada para tomada de decisão imediata.

A XMobots também desenvolve versões armadas do Nauru 1000C em parceria com a MBDA, empresa multinacional especializada em mísseis. O drone brasileiro receberá mísseis Enforcer, marcando o desenvolvimento do primeiro sistema de arma aéreo não tripulado genuinamente brasileiro.

Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A operação de drones a partir de navios em movimento requer desenvolvimento de algoritmos complexos e sistemas de controle extremamente precisos. As condições marítimas severas testam os limites dos materiais e sistemas eletrônicos. A integração com sistemas existentes da Marinha demanda padronização e interoperabilidade.

No entanto, as perspectivas são amplamente positivas. O Brasil demonstra capacidade de desenvolver tecnologia de ponta em áreas estratégicas, reduzindo vulnerabilidades de dependência externa. A XMobots, com crescimento anual médio de 53% nos últimos 10 anos, continua expandindo suas capacidades e mercados.

A empresa já atua em agricultura de precisão, geotecnologias, defesa e segurança, com planos de expansão para logística e mobilidade urbana. O desenvolvimento do drone FW 150, capaz de transportar até 41 kg de carga ou percorrer 1.000 km, demonstra ambição de democratizar entregas no interior do Brasil.

Um marco para o Brasil
O acordo entre XMobots, Petrobras e Marinha do Brasil representa mais que um contrato comercial ou projeto técnico. É um marco na consolidação da autonomia tecnológica brasileira em área estratégica para soberania nacional.

As operações navais e ambientais que contarão com a linha Nauru reforçam a tendência de integração entre defesa, energia e inovação. O Brasil mostra que é possível desenvolver tecnologia de classe mundial, competir no mercado global e atender necessidades nacionais críticas simultaneamente.

Com investimentos robustos, parcerias estratégicas bem estruturadas e uma base industrial de defesa em crescimento, o país avança rumo à independência tecnológica em sistemas críticos. A combinação de capacidade técnica, visão estratégica e compromisso de longo prazo coloca o Brasil em posição privilegiada no cenário internacional de tecnologias de defesa e monitoramento autônomo.

"A cooperação entre Xmobots, Marinha do Brasil e Petrobras também sinaliza uma mudança estrutural na estratégia brasileira para tecnologias críticas. Combinando recursos e expertises, o Brasil avança na construção de uma capacidade própria em sistemas autônomos de monitoramento." - Giovani Amianti, CEO da XMobots

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