XMobots, Petrobras e Marinha firmam parceria de R$ 40 milhões para revolucionar defesa naval e proteção ambiental no mar brasileiro
*LRCA Defense Consulting - 27/01/2026
Em um movimento estratégico que consolida a autonomia tecnológica brasileira no setor de defesa, a XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, fechou acordo de cooperação técnica com a Diretoria de Aeronáutica da Marinha do Brasil, com financiamento parcial da Petrobras. A iniciativa integra o projeto MMRE (Monitoramento Marítimo com Recursos Embarcados), que representa investimento de R$ 40 milhões no desenvolvimento de tecnologias avançadas para fortalecer o monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras.
Números do Projeto MMRE
R$ 40 mi de investimento
5,7 mi km² de águas jurisdicionais
10h de autonomia do Nauru 1000C
100% de tecnologia nacional
Uma aliança estratégica para o mar brasileiro
O acordo, formalizado no Rio de Janeiro, estabelece
colaboração inédita entre indústria nacional, forças armadas e setor
energético. A parceria visa expandir o uso de aeronaves remotamente pilotadas
(ARPs) da família Nauru em navios, plataformas offshore e operações críticas de
monitoramento ambiental e defesa nas Águas Jurisdicionais Brasileiras, área
conhecida como Amazônia Azul.
O projeto MMRE foca no desenvolvimento de drones equipados com sensores avançados para múltiplas aplicações: aprimoramento da detecção de manchas de óleo, ampliação da capacidade de resposta a emergências ambientais, apoio a missões de busca e salvamento, e reforço ao combate de tráficos ilegais no mar territorial brasileiro.
"Essa parceria mostra o quanto o país quer garantir que as tecnologias aqui desenvolvidas tragam impactos positivos na eficácia da vigilância e segurança marítima e na proteção ambiental." - Giovani Amianti, CEO da XMobots
A XMobots: potência nacional em drones
Fundada em 2007 em São Carlos (SP), a XMobots consolidou-se
como referência continental e mundial no setor de drones. A empresa saltou da
14ª para a 6ª posição no ranking global da Drone Industry Insights, principal
plataforma de dados do setor, tornando-se a maior fabricante da América Latina.
A companhia se destaca como única no Brasil com domínio vertical completo da cadeia de desenvolvimento de drones, desde a aviônica até o software embarcado. Com mais de 700 colaboradores, sendo cerca de 60 engenheiros dedicados à pesquisa e desenvolvimento, a empresa possui capacidade de produção e inovação que rivaliza com gigantes internacionais.
Capacidades tecnológicas da XMobots
- Desenvolvimento 100% nacional de hardware, software e design
- Primeira empresa brasileira com equipamento certificado pela ANAC para operações BVLOS (Beyond Visual Line of Sight) acima de 400 pés
- Taxa de nacionalização próxima a 90% dos componentes
- Parceria estratégica com Embraer desde 2022, que detém participação na empresa
- Acordo com MBDA para desenvolvimento de versão armada do Nauru 1000C
- Fornecedora do Exército, Marinha, Receita Federal e órgãos de segurança pública
Os drones militares e de segurança da família Nauru: tecnologia de ponta
Nauru 100D - O "Aliado Invisível" (não prioritário para este projeto)
Lançado em abril de 2025, o Nauru 100D representa a nova geração de drones táticos militares da XMobots e marca a inauguração da divisão XMobots Defense. Projetado especificamente para operações de reconhecimento, monitoramento e observação tática em nível de companhia e batalhão, este UAS (Unmanned Aerial System) une mobilidade extrema, inteligência embarcada e características furtivas.
Com apenas 9 kg de peso e 2,1 metros de comprimento, o Nauru 100D é transportado em duas maletas táticas e pode ser montado em menos de três minutos através de tecnologia Plug & Play. A aeronave possui autonomia de voo de até 2 horas por bateria, alcance de comunicação de 30 km e teto operacional de 400 pés (120 metros). O kit operacional inclui três baterias, permitindo até 6 horas de operação contínua, enquanto a segunda maleta funciona como estação de carregamento para garantir ciclos ininterruptos.
O diferencial estratégico do Nauru 100D está em suas características furtivas: fabricado com materiais antirreflexo, possui baixa assinatura térmica e sonora, tornando-se praticamente indetectável. A tecnologia eVTOL (Electric Vertical Take-Off and Landing) possibilita decolagens e pousos verticais em locais restritos e confinados, essencial para infiltrações silenciosas e operações em ambientes urbanos ou com infraestrutura limitada.
Capacidades do Nauru 100D com Gimbal SIS031A
- Rastreio avançado de múltiplos alvos com Inteligência Artificial embarcada
- Sensores RGB e Infravermelho Termal para operações diurnas e noturnas
- Cálculo de distâncias em tempo real com telerômetro laser
- Leitura automatizada de placas de veículos
- Tracking inteligente de veículos e pessoas
- Reconhecimento facial para identificação de alvos
- Localização precisa para operações de busca e salvamento
- Transmissão segura de imagens em tempo real para equipes de solo
A XMobots desenvolveu ainda dois conceitos avançados baseados na plataforma Nauru 100D. O conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle) prevê sistema de combate com capacidade de ataque de precisão milimétrica, incluindo disparo a 60 metros de altura, correção de trajetória em tempo real e retorno à base para rearmamento. As cargas em estudo incluem bombas de alto poder explosivo (HE) e bombas antitanque com penetração (HEAT).
Já o conceito Swarm (enxame) explora o lançamento simultâneo de até 30 aeronaves a partir de um contêiner de 20 pés, com três drones dedicados ao reconhecimento e 27 ao ataque coordenado. Esta capacidade multiplica exponencialmente o poder de fogo e a cobertura operacional, representando salto qualitativo nas capacidades de defesa brasileira. Com capacidade de produção de 360 unidades por mês (mais de 4.000 por ano), a XMobots já iniciou a fabricação com lote de teste de 20 sistemas e recebeu pedidos iniciais.
Nauru 500C (prioritário)
O Nauru 500C é o primeiro VTOL (Vertical Take-Off and Landing) híbrido
certificado pela ANAC para voos BVLOS. Com decolagem e pouso verticais, elimina
a necessidade de equipamentos de lançamento e recolhimento, características
essenciais para operações embarcadas em navios. Possui autonomia nominal de 4
horas, alcance de até 60 km, comprimento de 1,94 m, envergadura de 3,6 m e peso
máximo de decolagem de 25 quilos. Pode operar em condições adversas,
enfrentando ventos de até 60 km/h e alcançando altitudes superiores a 1.300
metros.
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Nauru 1000C (prioritário)
Modelo mais robusto, o Nauru 1000C foi selecionado pelo Exército Brasileiro
para missões ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e
Reconhecimento). Com peso de 150 kg, possui impressionantes 10 horas de
autonomia, alcance de comunicação de 60 km e capacidade de payload de 18 kg.
Equipado com o sistema Gimbal XSIS (XMobots Stabilized Imaging System),
primeiro gimbal voltado para defesa e segurança produzido no Brasil, integra
câmera eletro-óptica com zoom de até 30 vezes, sensor infravermelho termal,
telerômetro e apontador laser.
Adaptações para o ambiente marítimo
O acordo prevê significativas adaptações nos sistemas aviônicos, de
potência e propulsão dos ARPs da linha Nauru para suportar as severas condições
marítimas. Os drones serão preparados para resistir a salinidade elevada,
umidade extrema, presença de areia e fungos, além de receberem integração de
tecnologias de comunicação via satélites para ampliar o alcance em áreas
remotas.
Um dos desenvolvimentos mais ambiciosos é a criação de algoritmos avançados que permitam decolagens e pousos a partir de navios em movimento, como fragatas e navios-patrulha. Esta capacidade ampliará dramaticamente o raio de ação das operações navais brasileiras, permitindo vigilância contínua em alto-mar sem necessidade de retorno à costa.
Testes e validação
- Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (RJ)
- Embarcações da Marinha em operação
- Validação de requisitos operacionais para emprego contínuo
- Simulação de condições extremas de mar
- Certificação para operações embarcadas
O papel estratégico da Petrobras
A Petrobras entra nesta parceria não apenas como financiadora, mas como
stakeholder direto interessado em elevar a eficiência operacional e fortalecer
medidas de baixo carbono. Nos últimos anos, a estatal ampliou
significativamente o uso de aeronaves pilotadas remotamente em atividades de
detecção de hidrocarbonetos, monitoramento de áreas sensíveis e transporte leve
de cargas no ambiente marítimo.
A empresa busca reduzir riscos operacionais e melhorar a capacidade de resposta a emergências ambientais, especialmente derramamentos de óleo. O projeto MMRE alinha-se perfeitamente com essas necessidades, oferecendo tecnologia de ponta para monitoramento em tempo real de suas operações offshore.
Vale destacar que este não é o único investimento da Petrobras em parceria com a Marinha. Recentemente, a estatal assinou Termo de Cooperação no valor de R$ 100 milhões para expansão da Rede de Modelagem e Observação Oceanográfica (REMO), que utiliza boias autônomas e veículos submarinos para monitoramento da costa brasileira, da Bacia de Pelotas até a Margem Equatorial.
"A cooperação beneficia não só a Petrobras, mas todo o País. Temos um enorme litoral que precisa ser monitorado e também compartilhamos dados com a academia, o que contribui para ampliar o conhecimento sobre nossa costa e para o desenvolvimento de tecnologia nacional." - Renata Baruzzi, Diretora de Engenharia e Tecnologia da Petrobras
Fortalecimento da Marinha do Brasil
Para a Marinha do Brasil, a cooperação reforça seu papel estratégico no
fortalecimento da capacidade nacional de vigilância e resposta a emergências. A
incorporação dos ARPs Nauru aos meios navais amplia significativamente a
consciência situacional marítima, essencial para a proteção da Amazônia Azul.
A Marinha já vem investindo em tecnologias de drones em outras frentes. Em dezembro de 2025, ativou o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque do Corpo de Fuzileiros Navais, demonstrando o compromisso institucional com a evolução tecnológica.
Em outubro de 2024, a Marinha recebeu a aeronave remotamente pilotada NAURU 500C, rebatizada de "RQ-2", fruto de acordo com Shell Brasil, CLS Brasil e XMobots para desenvolvimento de sistemas de busca e salvamento marítimo. O equipamento integrou o 1° Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (EsqdQE-1), marcando importante passo na evolução do Sistema de Planejamento e Apoio à Decisão em Operações de Busca e Salvamento (SPAD-SAR).
Aplicações operacionais dos drones navais
- Detecção de óleo
- Busca e Salvamento
- Vigilância ISR
- Combate ao tráfico
Impacto na soberania nacional
A cooperação entre XMobots, Marinha do Brasil e Petrobras sinaliza mudança
estrutural na estratégia brasileira para tecnologias críticas. Ao combinar
recursos financeiros, expertises técnicas e necessidades operacionais
concretas, o Brasil avança na construção de capacidade própria em sistemas
autônomos de monitoramento.
Este movimento alinha-se com diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, que estabelece como prioridade o desenvolvimento de drones militares para inteligência, vigilância e reconhecimento. A produção nacional desses sistemas reduz a dependência de tecnologia estrangeira, diminui custos de importação e fortalece a base industrial de defesa brasileira.
A parceria estratégica da XMobots com a Embraer, anunciada em 2022, potencializa ainda mais essas capacidades. A entrada da terceira maior fabricante mundial de aeronaves no capital da XMobots abre portas para o mercado internacional e traz expertise em sistemas aeronáuticos de alto desempenho.
Contexto global: tendências em drones militares
- Mercado global de drones deve movimentar US$ 42 bilhões entre 2020-2025
- Conflitos recentes demonstraram importância crucial de drones em operações militares
- Países investem pesadamente em desenvolvimento de tecnologia nacional
- Integração entre defesa, energia e inovação torna-se tendência estratégica
- Sistemas autônomos e inteligência artificial revolucionam monitoramento marítimo
Tecnologias emergentes e futuro
O projeto MMRE incorpora tecnologias de ponta que representam o estado da
arte em monitoramento marítimo. Os drones serão equipados com sensores
multiespectrais, especialmente UV/IR para detecção de hidrocarbonetos, sistemas
de comunicação via satélite para operações em áreas remotas, e capacidade de
integração em tempo quase real com sistemas oceanográficos.
Um aspecto inovador é o desenvolvimento de inteligência artificial embarcada que prioriza o envio de dados analisados, e não apenas vídeo bruto. Os drones processarão informações a bordo e transmitirão produtos prontos como máscara da mancha de óleo, perímetro, área afetada e vetor de deriva. Esta abordagem garante que dados relevantes cheguem aos centros de comando de forma ágil e processada para tomada de decisão imediata.
A XMobots também desenvolve versões armadas do Nauru 1000C em parceria com a MBDA, empresa multinacional especializada em mísseis. O drone brasileiro receberá mísseis Enforcer, marcando o desenvolvimento do primeiro sistema de arma aéreo não tripulado genuinamente brasileiro.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. A operação de drones a partir de
navios em movimento requer desenvolvimento de algoritmos complexos e sistemas
de controle extremamente precisos. As condições marítimas severas testam os
limites dos materiais e sistemas eletrônicos. A integração com sistemas
existentes da Marinha demanda padronização e interoperabilidade.
No entanto, as perspectivas são amplamente positivas. O Brasil demonstra capacidade de desenvolver tecnologia de ponta em áreas estratégicas, reduzindo vulnerabilidades de dependência externa. A XMobots, com crescimento anual médio de 53% nos últimos 10 anos, continua expandindo suas capacidades e mercados.
A empresa já atua em agricultura de precisão, geotecnologias, defesa e segurança, com planos de expansão para logística e mobilidade urbana. O desenvolvimento do drone FW 150, capaz de transportar até 41 kg de carga ou percorrer 1.000 km, demonstra ambição de democratizar entregas no interior do Brasil.
Um marco para o Brasil
O acordo entre XMobots, Petrobras e Marinha do Brasil representa mais que
um contrato comercial ou projeto técnico. É um marco na consolidação da
autonomia tecnológica brasileira em área estratégica para soberania nacional.
As operações navais e ambientais que contarão com a linha Nauru reforçam a tendência de integração entre defesa, energia e inovação. O Brasil mostra que é possível desenvolver tecnologia de classe mundial, competir no mercado global e atender necessidades nacionais críticas simultaneamente.
Com investimentos robustos, parcerias estratégicas bem estruturadas e uma base industrial de defesa em crescimento, o país avança rumo à independência tecnológica em sistemas críticos. A combinação de capacidade técnica, visão estratégica e compromisso de longo prazo coloca o Brasil em posição privilegiada no cenário internacional de tecnologias de defesa e monitoramento autônomo.
"A cooperação entre Xmobots, Marinha do Brasil e Petrobras também sinaliza uma mudança estrutural na estratégia brasileira para tecnologias críticas. Combinando recursos e expertises, o Brasil avança na construção de uma capacidade própria em sistemas autônomos de monitoramento." - Giovani Amianti, CEO da XMobots

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