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19 setembro, 2026

Cadernos Prospectivos mapeiam competências decisivas para o futuro da BID

Oito estudos apontam que inteligência artificial, autonomia, integração de sistemas e novos materiais ampliarão a demanda por profissionais híbridos, formação contínua e políticas industriais de longo prazo



*LRCA Defense Consulting - 19/09/2026

Uma agenda para antecipar gargalos 
O futuro da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira dependerá tanto da incorporação de novas tecnologias quanto da capacidade de formar, atualizar e reter os profissionais que irão desenvolvê-las, integrá-las, certificá-las e mantê-las. Essa é a mensagem central dos oito Cadernos Prospectivos da BID, lançados em 19 de agosto, em Brasília, como resultado de uma parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP).

A iniciativa foi acompanhada pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), representada no lançamento por seu secretário de Relações Institucionais, Coronel RR Marcos Nunes. Os estudos abrangem os segmentos aeroespacial; armas e equipamentos de controle de tiro; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR; munições, propelentes e explosivos, mísseis e foguetes; plataformas militares marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres; e uniformes militares.

Mais do que relacionar tecnologias promissoras, os documentos procuram antecipar seus efeitos sobre o trabalho. Para isso, combinam pesquisa em fontes secundárias e consulta a especialistas, analisando difusão tecnológica, eventos futuros de impacto, mudanças nos perfis profissionais, conhecimentos, habilidades, aptidões, lacunas formativas e estratégias para o desenvolvimento da mão de obra. O horizonte predominante é de cinco a dez anos.

A tecnologia avança por sistemas integrados 
Embora tratem de cadeias produtivas muito diferentes, os cadernos convergem em um ponto: a inovação em defesa deixa de estar concentrada apenas na plataforma física e passa a depender de sistemas integrados, intensivos em software, dados, conectividade e capacidade de validação. Inteligência artificial, sistemas autônomos, gêmeos digitais, arquiteturas abertas, manufatura aditiva, cibersegurança embarcada, novos materiais e digitalização do ciclo de vida aparecem de forma recorrente.

No segmento aeroespacial, a transformação é descrita como uma passagem do modelo centrado em plataformas para outro orientado por sistemas integrados. A convergência entre inteligência artificial, autonomia, engenharia de sistemas, arquiteturas modulares, materiais avançados, propulsão elétrica ou híbrida e digitalização deverá ampliar a hibridização das funções profissionais. O estudo alerta que a falta de competências pode atrasar certificações, impedir a incorporação de tecnologias em programas estratégicos e comprometer capacidades produtivas nacionais.

Em armas e equipamentos de controle de tiro, sobressaem os sistemas baseados em inteligência artificial, munições programáveis, manufatura aditiva, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, soluções eletrônicas de disparo, cibersegurança de hardware e firmware e rastreabilidade. O respectivo caderno associa essas mudanças à necessidade de combinar conhecimentos de mecânica, eletrônica, software, dados, materiais e metrologia.

Para munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes, o mapa tecnológico inclui manufatura aditiva de motores e componentes, novos propelentes, materiais nanoenergéticos, gêmeos digitais, engenharia baseada em modelos, inteligência artificial aplicada a guiagem, navegação e controle, proteção térmica e tecnologias hipersônicas. Trata-se de uma cadeia na qual os requisitos de segurança, ensaio, controle de qualidade e certificação elevam ainda mais o custo de uma eventual escassez de especialistas.

Ciberdefesa e C4ISTAR colocam o fator humano no centro 
Os dois cadernos mais diretamente ligados ao ambiente digital rejeitam a ideia de que a automação reduzirá a importância das pessoas. Na defesa cibernética, a força de trabalho é apresentada simultaneamente como o principal ativo e o principal fator de vulnerabilidade. Arquiteturas de confiança zero, inteligência artificial defensiva, automação da resposta a incidentes, criptografia pós-quântica, segurança de sistemas ciberfísicos e inteligência de ameaças exigirão profissionais capazes de supervisionar algoritmos, validar modelos e decidir sob incerteza.

O crescimento quantitativo do emprego tende a ser moderado, mas a exigência qualitativa deverá aumentar. O caderno identifica demanda por perfis híbridos, rápida atualização e maturidade técnica e institucional. A competição com outros setores, a dificuldade de reter especialistas, a oferta limitada de cursos e o acesso restrito a ambientes realistas de treinamento aparecem entre os principais riscos.

No C4ISTAR, que integra comando, controle, comunicações, computação, inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento, o profissional deixa de operar componentes isolados e assume funções de integração, validação e decisão. Arquiteturas centradas em dados, redes definidas por software, fusão de sensores, segurança de confiança zero, automação criptográfica e apoio à decisão por inteligência artificial reforçam a necessidade de conhecimentos combinados em engenharia, operação, dados, cibersegurança e governança.

Plataformas ganham autonomia, conectividade e novos meios de sustentação
Nas plataformas militares marítimas e fluviais, os estudos projetam a adoção progressiva de gêmeos digitais, arquiteturas modulares e abertas, propulsão híbrida-elétrica, sistemas autônomos, cibersegurança embarcada, manufatura aditiva certificável, monitoramento estrutural contínuo e suporte logístico digital. A principal ruptura prevista não é a eliminação generalizada de ocupações, mas a reconfiguração das competências ao longo de todo o ciclo de vida, do projeto à manutenção.

O mesmo padrão aparece nas plataformas veiculares militares terrestres. Materiais avançados para blindagem, sistemas de proteção ativa, propulsão elétrica e híbrida, autonomia, fusão de sensores, conectividade segura e fabricação de peças sob demanda aproximam áreas que antes podiam trabalhar de maneira mais separada. Engenharia de sistemas, software, dados, cibersegurança, testes e certificação passam a formar um núcleo comum.

Nos dois segmentos, a capacidade de sustentar os meios ao longo de décadas ganha relevância comparável à capacidade de construí-los. Isso aumenta a importância da gestão de configuração, da documentação técnica, da rastreabilidade, da manutenção preditiva e da preservação do conhecimento acumulado por equipes experientes.

Uniforme militar passa a ser sistema tecnológico
O caderno dedicado aos uniformes militares mostra que a transformação digital e os materiais avançados alcançam também setores por vezes percebidos como tradicionais. Tecidos inteligentes com sensores, proteção balística leve, tratamentos antimicrobianos, resistência térmica e química, controle de assinatura, materiais sustentáveis, automação seletiva e autenticação por RFID ou códigos digitais transformam a peça de vestuário em componente da prontidão operacional.

Nesse caso, o impacto esperado recai menos sobre a redução do emprego e mais sobre sua requalificação. Produção, engenharia de materiais, ensaios, normas, rastreabilidade, logística e gestão de dados deverão trabalhar de forma integrada. Os estudos projetam crescimento moderado do número de trabalhadores, acompanhado por aumento expressivo da densidade técnica e regulatória das funções.

O perfil híbrido torna-se o recurso mais disputado 
A conclusão transversal dos oito volumes é que a BID precisará de profissionais híbridos. Não se trata apenas de reunir duas especialidades, mas de compreender interfaces: hardware e software; engenharia e operação; dados e decisão; materiais e fabricação; inovação e certificação; tecnologia e regulação.

Também ganham importância competências cognitivas e comportamentais. Resolução de problemas complexos, julgamento técnico fundamentado em dados, percepção de falhas, atenção seletiva, adaptabilidade, trabalho multidisciplinar, aprendizagem contínua e controle emocional aparecem como requisitos para ambientes nos quais uma decisão incorreta pode afetar segurança, confiabilidade e soberania.

Essa mudança desloca parte da prioridade da formação inicial para a atualização permanente dos quadros já empregados. Cursos curtos, modulares e acumuláveis, programas de requalificação, treinamento no ambiente de trabalho, laboratórios compartilhados, simulações e intercâmbio com centros de excelência são apontados como instrumentos capazes de reduzir a distância entre a velocidade tecnológica e a velocidade de atualização dos currículos.

Formação depende de continuidade industrial 
Os cadernos deixam claro que não há política de qualificação sustentável sem demanda industrial previsível. A volatilidade dos orçamentos de defesa, a interrupção de programas, as restrições à exportação, a dependência de componentes estrangeiros e a reorganização das cadeias globais dificultam a retenção de profissionais e desestimulam investimentos empresariais em formação.

Por isso, as recomendações não se limitam às instituições de ensino. Ao governo, os estudos atribuem a responsabilidade de dar previsibilidade aos programas estratégicos, financiar infraestrutura de ensaio e formação, aperfeiçoar marcos regulatórios e articular educação, ciência, tecnologia, política industrial e Defesa. Às empresas cabe sinalizar competências futuras, oferecer ambientes reais de aprendizagem, estruturar planos de sucessão e investir continuamente em qualificação. Instituições de formação profissional e instituições científicas e tecnológicas devem atualizar currículos, docentes, laboratórios e metodologias, além de aproximar pesquisa aplicada e necessidades industriais.

Nos segmentos de armas e controle de tiro e de munições, mísseis e foguetes, as estratégias priorizadas incluem currículos multidisciplinares, capacitação regulatória para produtos controlados e bens sensíveis, intercâmbio técnico, parcerias entre empresas e instituições de ensino, promoção comercial externa, garantias para exportação e simplificação de contratações de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A lógica é direta: produção e exportação regulares ajudam a preservar equipes que levam anos para alcançar plena proficiência.

Um instrumento para decisões de Estado e de empresa 
Os Cadernos Prospectivos não oferecem previsões fechadas. Eles organizam sinais, incertezas e possíveis trajetórias para que decisões sobre pessoas, laboratórios, cursos e políticas públicas sejam tomadas antes que a carência de competências se transforme em gargalo industrial.

Para a BID, o valor prático do conjunto está em aproximar planejamento tecnológico e planejamento da força de trabalho. Um programa pode contar com projeto, orçamento e infraestrutura, mas ainda assim sofrer atrasos se não houver engenheiros de sistemas, especialistas em certificação, técnicos de ensaio, profissionais de cibersegurança, integradores de dados ou operadores preparados para tecnologias novas.

A mensagem final é especialmente relevante para o País: autonomia tecnológica não se alcança apenas com a nacionalização de equipamentos e componentes. Ela exige preservar conhecimento, formar especialistas em escala compatível com os programas estratégicos e manter uma relação contínua entre Forças Armadas, empresas, governo, universidades, SENAI e instituições de ciência e tecnologia. Ao transformar esse desafio em agenda antecipatória, os oito cadernos oferecem uma base concreta para que a qualificação profissional seja tratada como parte da política industrial e da própria capacidade de Defesa.

13 setembro, 2026

ABIMDE promove fórum nacional sobre aquisições estratégicas para a Defesa

Evento on-line reunirá especialistas para discutir legislação, planejamento, tributação, transferência de tecnologia e instrumentos capazes de aproximar o poder público da Base Industrial de Defesa

 


*
LRCA Defense Consulting - 13/09/2026

A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) promoverá, nos dias 16 e 17 de setembro, o 1º Fórum Nacional de Aquisições Estratégicas. Realizado em formato on-line, com transmissão ao vivo, o encontro reunirá militares, juristas e especialistas para examinar os mecanismos que regulam as compras públicas de produtos e sistemas de defesa no Brasil.

A programação aborda um dos pontos mais sensíveis para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID): a transformação das necessidades operacionais do Estado em contratos capazes de preservar conhecimento, continuidade produtiva e autonomia tecnológica no País. O fórum tratará tanto dos fundamentos jurídicos quanto das dificuldades práticas enfrentadas pelos órgãos contratantes e pelas empresas.

Aquisições de defesa exigem planejamento de longo prazo
A compra de um sistema militar não pode ser analisada apenas pelo preço ou pela entrega imediata. Projetos de defesa envolvem ciclos prolongados de desenvolvimento, certificação, produção, treinamento, manutenção e atualização. Também podem exigir proteção de informações sensíveis, segurança da cadeia de suprimentos e garantias de fornecimento durante crises internacionais.

A Lei nº 12.598/2012 criou normas especiais para compras, contratações e desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa. O marco permite, em determinadas condições, restringir licitações a Empresas Estratégicas de Defesa (EED) ou a produtos desenvolvidos e fabricados no Brasil. Também prevê transferência de conhecimento tecnológico, participação nacional na cadeia produtiva, continuidade produtiva e compensações industriais e tecnológicas.

A relevância desses instrumentos ficou evidente em junho, durante encontro realizado pela ABIMDE e pelo Sistema FIERGS na AEL Sistemas, em Porto Alegre. Na ocasião, representantes da indústria e das Forças Armadas apontaram a falta de informação e a morosidade dos processos como obstáculos à aplicação mais ampla do Termo de Licitação Especial (TLE). O assunto retorna agora em uma programação voltada especificamente à qualificação do relacionamento entre o Estado e a indústria.

Primeiro dia examinará o ambiente jurídico e tributário
A programação de 16 de setembro começará às 9h15, com o tenente-brigadeiro do ar R1 José A. Crepaldi Affonso. Em sua apresentação, o diretor-executivo da ABIMDE traçará um panorama das aquisições estratégicas no Brasil, relacionando defesa, soberania nacional e autonomia estratégica. Também abordará o papel da BID, as mudanças no ambiente das contratações e as oportunidades abertas para empresas e para a Administração Pública.

Às 10h15, Monique Rocha Furtado apresentará uma introdução às contratações de defesa e segurança sob a perspectiva da Lei nº 14.133/2021. A exposição discutirá as diferenças entre uma contratação comum e uma contratação estratégica, as hipóteses jurídicas aplicáveis, as peculiaridades ligadas à segurança nacional e as possibilidades oferecidas pela nova Lei de Licitações.

Na sequência, às 11h15, André Jansen e João Vianna analisarão a Lei nº 12.598/2012 como marco jurídico de fomento à BID. A apresentação tratará da estrutura jurídica do setor, dos microssistemas de aquisição de defesa e do papel do governo na implementação dos instrumentos criados pela legislação.

As atividades serão retomadas às 14h, quando Angelina Leonez falará sobre o planejamento das contratações estratégicas. Entre os temas previstos estão a fase preparatória, a governança, a análise de riscos e o alinhamento entre a necessidade operacional, o objeto contratado e a estratégia de aquisição.

Às 15h, João Vianna apresentará o TLE como ferramenta de fomento à BID, com base na experiência do Exército Brasileiro. A exposição detalhará a lógica, a estrutura e as etapas do procedimento, além de examinar o Catálogo de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa e dados sobre a aplicação do instrumento.

O primeiro dia terminará com a apresentação de Luis Carlos Szymonowicz, das 16h às 17h, sobre a reforma tributária e os incentivos aplicáveis ao setor de defesa. Serão analisados o RETID, o tratamento das Empresas de Defesa e das Empresas Estratégicas de Defesa, o Anexo XI, o split payment, os créditos acumulados, o risco de formação de estoques tributários durante a transição e os efeitos sobre exportações, drawback e contratos públicos de longo prazo.

Segundo dia abordará tecnologia e novos modelos de contratação
O segundo dia começará às 9h com João Gabriel Álvares, que tratará das compensações comerciais, industriais e tecnológicas nas aquisições estratégicas. A apresentação examinará como contrapartidas negociadas em grandes contratos podem contribuir para internalizar tecnologias, gerar capacidade industrial no País e reduzir dependências externas.

Às 10h, Monique Rocha Furtado voltará ao fórum para abordar sanções administrativas, responsabilização, prevenção de passivos e boas práticas institucionais. O tema é particularmente relevante em contratos de defesa, nos quais falhas de execução podem afetar capacidades operacionais e programas de longa duração.

Às 11h, André Jansen explicará o funcionamento das contratações governo a governo, conhecidas pela sigla G2G. A exposição discutirá vantagens, limites e oportunidades para a indústria brasileira, assim como a compatibilização desses acordos com os interesses estratégicos do Estado.

No período da tarde, Madeline Rocha Furtado tratará, às 14h, da gestão de contratos de terceirização de mão de obra no setor de defesa. A palestra examinará riscos de execução, fiscalização, responsabilização e governança em contratos considerados sensíveis.

Às 15h, Renila Bragagnoli abordará a integridade no setor, com foco na prevenção de fraudes e conflitos de interesse, nos controles internos e na construção de uma cultura de conformidade. Em seguida, às 16h, João Vianna apresentará os fundamentos do diálogo competitivo, suas fases, critérios de julgamento e possibilidades de aplicação nas contratações estratégicas.

Painel encerrará os debates sobre a relação público-privada
O fórum será concluído com um painel conduzido por João Vianna, Madeline Rocha Furtado e pelo brigadeiro Crepaldi. Sob o título “Diálogos e peculiaridades na relação público-privada”, o encontro deverá reunir os principais pontos discutidos nos dois dias e aproximar as perspectivas da Administração Pública e das empresas. O material de divulgação não informa o horário específico do painel.

A composição da programação indica que o evento pretende ir além da exposição das normas. Ao reunir planejamento, tributação, transferência de tecnologia, integridade, sanções e modalidades especiais de contratação, o fórum aborda diferentes etapas de uma mesma questão: como fazer com que os recursos destinados à Defesa também preservem capacidades produtivas e tecnológicas consideradas essenciais para o País.

Um debate diretamente ligado à autonomia nacional
A capacidade de adquirir no mercado interno reduz vulnerabilidades logísticas, mantém conhecimento técnico no País e permite que equipamentos sejam adaptados às necessidades das Forças Armadas. Essa política, contudo, depende de planejamento orçamentário, segurança jurídica e continuidade dos programas. Sem encomendas previsíveis, empresas que trabalham com produtos de alta complexidade têm dificuldade para manter equipes, fornecedores e linhas de produção.

O 1º Fórum Nacional de Aquisições Estratégicas surge nesse contexto. A iniciativa oferece aos gestores públicos e às empresas uma oportunidade de compreender melhor os instrumentos disponíveis e discutir os pontos que ainda limitam sua utilização. Para a BID, o resultado esperado é uma relação mais clara com o Estado, capaz de transformar compras públicas em capacidade de defesa, desenvolvimento industrial e autonomia tecnológica.

Serviço

Evento: 1º Fórum Nacional de Aquisições Estratégicas da ABIMDE

Datas: 16 e 17 de setembro de 2026

Formato: on-line, com transmissão ao vivo

Inscrições: link divulgado pela organização



29 agosto, 2026

Exército Brasileiro cria batalhão de drones armados e amplia investimentos na aviação militar

Diretriz do Estado-Maior prevê criação de um batalhão de drones  armados das categorias 2 e 3, prioridade à BID e emprego mais amplo de SARP das categorias 0 e 1 pela Força 



*LRCA Defense Consulting - 29/08/2026

O Estado-Maior do Exército (EME) publicou, em 21 de agosto, a Portaria EME/C Ex nº 1.805, que aprova a Diretriz de Atualização do Programa Estratégico do Exército Aviação do Exército e Drones (Prg EE Av Ex/Drones). O documento, catalogado como EB20-D-08.094 e assinado pelo general de exército Francisco Humberto Montenegro Junior, chefe do EME, foi divulgado no Boletim do Exército nº 35, de 28 de agosto, e revoga a portaria de 2017 que havia criado o programa voltado apenas para aeronaves tripuladas.

A atualização decorre da reestruturação do Portfólio Estratégico do Exército, promovida em março pela Portaria EME/C Ex nº 1.703, que incluiu o termo drones na nomenclatura do antigo Programa Aviação do Exército. Segundo a diretriz, os sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (SARP) têm mudado significativamente o ambiente operacional, cumprindo missões antes reservadas às aeronaves tripuladas, em proveito da tropa ou operados por ela mesma; o avanço desses sistemas em conflitos recentes reforça, segundo o texto, a necessidade de o País acompanhar essa tendência e ampliar a capacidade de resposta da Força Terrestre.

Batalhão de drones armados
A principal novidade estrutural do documento é a criação do Batalhão SARP (BARP), organização militar de valor Batalhão a ser implantada no Comando de Aviação do Exército (CAvEx), em Taubaté (SP). A nova unidade será dotada exclusivamente de SARP das categorias 2 e 3 armados, destinados a missões de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos (IRVA), além de comando, controle e comunicações (C3I) e ataque.

Drones de menor porte e integração com o comando
Paralelamente, o subprograma dedicado aos drones prevê a aquisição de SARP das categorias 0 e 1 para emprego mais amplo pela Força Terrestre, com o Exército coordenando tanto a compra dos sistemas quanto a formação de pilotos e mantenedores. A diretriz determina ainda que os equipamentos sejam interoperáveis com o Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre (SC2FTer/SC2Ex), por meio da adoção dos padrões abertos STANAG 4586, para controle das aeronaves, e STANAG 4609/KLV, para transmissão de vídeo com metadados georreferenciados (posição, rumo, altitude, atitude e apontamento do sensor, sincronizados quadro a quadro).

O documento orienta, também, que a incorporação dos SARP busque soluções junto à Base Industrial de Defesa (BID) nacional, como forma de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros; um dos norteadores citados pelo próprio texto é justamente a intenção de reduzir a dependência de um só fabricante.

Orçamento e prazos
O programa como um todo, que também contempla a substituição do helicóptero HA-1A Fennec por uma nova aeronave multimissão e a incorporação de novos helicópteros de médio porte e de ataque, tem custo total estimado em R$ 7.006.875.000,00 (sete bilhões, seis milhões e oitocentos e setenta e cinco mil reais), vinculado à Ação Orçamentária 3138 do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A execução está prevista até 31 de dezembro de 2040, dividida em seis tranches; a terceira está em curso e segue até 2027.

Gestão do programa
A diretriz determina, ainda, que o programa observe a meta de redução de 6,2% do efetivo da Força até 2029, prevista na Diretriz do Comandante do Exército 2023-2026, o que deve influenciar o dimensionamento das novas unidades de drones. A gerência do Prg EE Av Ex/Drones ficará sediada no CAvEx, sob responsabilidade do comandante da Aviação do Exército, com apoio do Escritório de Projetos do Exército (EPEx).

21 agosto, 2026

O que realmente define uma Empresa Brasileira de Defesa?

O valor estratégico está no conhecimento, na engenharia e na capacidade industrial mantida no País 



*Mauro Beirão - 21/08/2026

A origem do capital e o controle acionário são fatores relevantes. Influenciam investimentos, propriedade intelectual e decisões estratégicas. No entanto, a dimensão de uma empresa de defesa vai muito além da composição societária. Seu verdadeiro valor estratégico reside no capital humano especializado, engenheiros e técnicos, na infraestrutura de P&D, nos laboratórios, nas instalações industriais e, sobretudo, no conhecimento e nas competências tecnológicas acumulados ao longo de décadas em território brasileiro. 

Uma distinção fundamental 

Uma empresa controlada por capital brasileiro pode depender amplamente de tecnologias concebidas no exterior. Em sentido inverso, uma empresa pertencente a um grupo internacional pode manter no Brasil centenas de profissionais especializados, realizar pesquisa e desenvolvimento, operar laboratórios e linhas de produção, desenvolver, integrar, fabricar e sustentar sistemas utilizados pelas nossas Forças Armadas.

Qual dessas empresas representa maior capacidade nacional?
Na indústria de defesa, a verdadeira riqueza está no conhecimento. O patrimônio real nem sempre aparece no balanço financeiro: está nas pessoas. Quando uma empresa de defesa desaparece, o País perde não apenas uma companhia, mas equipes, conhecimento tácito, fornecedores especializados, processos industriais e experiência acumulada. Algumas dessas competências levam décadas para serem reconstruídas. 

Um problema particularmente relevante no Brasil 
O Brasil desenvolveu uma expressiva indústria de defesa a partir das décadas de 1970 e 1980. Não conseguiu, porém, assegurar a continuidade das encomendas e dos investimentos necessários à sua sustentação. Programas estratégicos são frequentemente postergados, volumes de aquisição reduzidos e os recursos destinados à Defesa convivem historicamente com contingenciamentos e incertezas orçamentárias.

O Ministério da Defesa reconhece que a consolidação da Base Industrial de Defesa (BID) depende da atuação coordenada entre o Estado e o setor produtivo. Isso exige demanda interna consistente, previsibilidade orçamentária, continuidade dos programas estratégicos, investimentos sustentados em P&D, domínio de tecnologias críticas e redução de dependências externas. Também são fundamentais um marco regulatório estável, incentivos adequados, apoio às exportações e maior integração entre Forças Armadas, governo, indústria e academia.

A falta de previsibilidade produz consequências que vão além do adiamento de aquisições. Interrompe investimentos, desestrutura cadeias de fornecedores e, sobretudo, provoca a perda de profissionais altamente especializados e do conhecimento acumulado. É essa descontinuidade que explica por que tão poucas empresas brasileiras de defesa conseguem manter suas capacidades e sobreviver por longos períodos. 

O dilema da indústria de defesa brasileira 
Existe uma contradição que precisa ser enfrentada. O Brasil deseja uma BID forte, tecnologicamente autônoma e preferencialmente nacional. Ao mesmo tempo, frequentemente não oferece às empresas a previsibilidade de demanda necessária para sustentar estruturas altamente especializadas durante décadas. Depois, quando algumas enfrentam dificuldades, desaparecem ou são incorporadas por grupos internacionais, lamentamos a desnacionalização da indústria.

Considere uma empresa brasileira de eletrônica de defesa e tecnologia aeroespacial, criada há várias décadas e com participação relevante em alguns dos principais programas estratégicos das três Forças Armadas. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de engenheiros, consolidou competências tecnológicas, implantou laboratórios e desenvolveu capacidades de produção e integração de sistemas. Também investiu na qualificação de seus profissionais, enviando-os ao exterior para absorver conhecimentos e tecnologias em alguns dos mais avançados centros da indústria mundial. Em determinado momento, passou a integrar um grande grupo internacional de defesa. O controlador tornou-se estrangeiro. Mas, em vez de reduzir sua presença no País, ampliou os investimentos locais. A engenharia permaneceu e cresceu no Brasil, assim como os laboratórios e a capacidade produtiva. Investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e treinamentos no exterior proporcionaram acesso a novos conhecimentos e tecnologias. A capacidade de engenharia foi quadruplicada.

Décadas depois, a empresa continua empregando centenas de brasileiros, mantém um corpo técnico altamente especializado, realiza atividades de P&D no País e fora dele e participa dos principais programas estratégicos das Forças Armadas do Brasil. Podemos defini-la simplesmente como estrangeira?

Do ponto de vista do controle societário, a origem estrangeira do capital é um fato. Sob a perspectiva da capacidade tecnológica, a realidade é bem mais complexa. Sua integração a um grupo internacional pode ter contribuído justamente para preservar no Brasil uma capacidade de engenharia que poderia ter sido perdida.

Isso não significa defender indiscriminadamente a aquisição de empresas brasileiras por grupos estrangeiros. Dependência tecnológica, propriedade intelectual, autonomia decisória, acesso a códigos-fonte, componentes críticos e restrições internacionais continuam sendo questões fundamentais para a soberania.

Significa, porém, reconhecer que nacionalidade do capital e nacionalidade da capacidade tecnológica não são necessariamente a mesma coisa. 

O que realmente deveria ser medido 
A legislação brasileira diferencia Empresa de Defesa (ED) de Empresa Estratégica de Defesa (EED) e estabelece requisitos específicos para cada categoria. Essa classificação jurídica é necessária e importante.

Mas existe uma dimensão adicional que deveria integrar a discussão sobre a BID:
  • Quanto de capacidade estratégica a empresa efetivamente mantém no País?

  • Quanto de alta tecnologia aplicada à defesa é desenvolvida no país?

  • Onde estão seus engenheiros, P&D, laboratórios e produção?

  • Quem domina a integração dos sistemas?

  • Quanto conhecimento foi efetivamente absorvido?

  • Qual é a capacidade brasileira de manter, modificar e modernizar determinado produto durante seu ciclo de vida?
Essas perguntas ajudam a medir algo que a simples composição acionária não consegue demonstrar: a densidade tecnológica existente no território brasileiro. 

Soberania exige continuidade 
Nenhuma indústria de defesa sobrevive apenas de discursos sobre soberania. A BID precisa de contratos, investimentos, exportações e, sobretudo, previsibilidade.

Não existe engenharia sem programas. Não existe P&D permanente sem recursos. Não existe linha de produção sem encomendas. E não existe preservação de conhecimento sem continuidade.

Os recorrentes contingenciamentos dos recursos destinados à Defesa não representam apenas um problema para as Forças Armadas. Eles afetam diretamente a capacidade de sobrevivência da própria indústria que o País afirma considerar estratégica. Quando um programa é postergado, pode parecer que o Brasil simplesmente deixou uma aquisição para o futuro. Mas existe um custo invisível: o engenheiro que deixa a empresa, o fornecedor que abandona determinado produto, o laboratório que deixa de receber investimentos e o conhecimento que deixa de ser transmitido à próxima geração. Quando os recursos finalmente retornam, reconstruir essas capacidades pode custar muito mais do que teria custado preservá-las.

Afinal, o que é uma Empresa Brasileira de Defesa? 

Talvez precisemos ampliar essa definição. Uma empresa brasileira de defesa não deveria ser avaliada apenas pelo passaporte de seus acionistas, mas também pelo que efetivamente desenvolve, produz e preserva no Brasil.

A origem do capital deve ser conhecida. O controle societário precisa ser transparente. Dependências externas devem ser identificadas e tecnologias críticas precisam, sempre que possível, estar sob domínio nacional.

O Brasil já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de desenvolver tecnologia de defesa. Seu grande desafio histórico tem sido mantê-la. Conhecimento estratégico leva décadas para ser construído. E quando esse conhecimento permanece no Brasil, ele também faz parte do patrimônio tecnológico e da capacidade de defesa do País.
 
 
*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional. 

27 maio, 2026

Finep e MCTI lançam edital de R$ 500 milhões para fortalecer pesquisa e desenvolvimento da defesa nacional

Carta Convite destina recursos não reembolsáveis do FNDCT a institutos militares de pesquisa, com foco em mísseis, veículos não tripulados, inteligência artificial, tecnologia nuclear e sistemas espaciais


 

*LRCA Defense Consulting - 27/05/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicaram, na terça-feira 26 de maio, a Carta Convite MCTI/Finep/FNDCT - Promoção da Autonomia Tecnológica na Área da Defesa. O edital disponibiliza até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar a modernização da infraestrutura das Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação vinculadas ao Ministério da Defesa (ICTMDs). O anúncio representa o maior aporte público unitário já destinado exclusivamente à Base Industrial de Defesa (BID) em projetos de pesquisa e desenvolvimento com capital a fundo perdido.

Um passo estratégico para a Base Industrial de Defesa
A iniciativa integra o esforço mais amplo de reindustrialização conduzido pelo MCTI no âmbito da Nova Indústria Brasil. Para o setor de defesa, a relevância é imediata: ao financiar diretamente as ICTMDs - entre elas institutos como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) -, o edital cria condições para que tecnologias até então dependentes de transferência estrangeira possam ser desenvolvidas e qualificadas em solo brasileiro.

A exigência de cooperação entre as ICTMDs e empresas privadas da BID é um dos elementos mais significativos do edital. Cada instituto aprovado deve obrigatoriamente articular seu projeto com a cadeia industrial, fomentando a transferência de tecnologia e a nacionalização de componentes, processos e softwares. Essa lógica de parceria pública-privada aproxima o modelo brasileiro do que países como França, Coreia do Sul e Israel adotaram para consolidar suas indústrias de defesa.

Cinco linhas temáticas de alto valor estratégico
O edital estrutura o investimento em cinco linhas temáticas. A primeira abrange sistemas de guiamento, controle e navegação aplicados a mísseis, foguetes e veículos não tripulados terrestres, aéreos e navais, área crítica diante da crescente difusão de drones de combate nos conflitos contemporâneos e do interesse das Forças Armadas brasileiras em sistemas autônomos. A segunda linha trata de sensoriamento remoto, consciência situacional e comando e controle com aplicações militares, capacidade essencial para a vigilância das fronteiras terrestres e marítimas do país.

A terceira linha engloba inteligência artificial, segurança cibernética, tecnologias quânticas, robótica e visão computacional, áreas que definem a próxima fronteira da superioridade militar. A quarta é dedicada a tecnologias nucleares e de energia para a defesa, segmento no qual o Brasil já acumula expertise relevante por meio do Programa Nuclear da Marinha. Por fim, a quinta linha contempla foguetes, veículos lançadores de satélites, propulsão hipersônica, materiais avançados e manufatura aditiva, diretamente alinhada ao Programa Espacial Brasileiro e à ambição de dotar o país de capacidade de lançamento orbital soberana.

Critérios de participação e distribuição regional
Cada ICT executora principal poderá submeter um projeto por linha temática, com aporte mínimo de R$ 25 milhões por proposta aprovada. O edital reserva ao menos 30% dos recursos para projetos localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, desde que haja propostas qualificadas, mecanismo que visa descentralizar a capacidade científica e tecnológica de defesa, historicamente concentrada no eixo Sul-Sudeste.

As submissões podem ser feitas a partir de 29 de maio de 2026, com prazo final em 18 de setembro. O resultado da etapa de habilitação será divulgado em 30 de outubro de 2026. Os detalhes do edital estão disponíveis no portal da Finep, por meio da chamada pública de número 943682.

Contexto: avanço gradual do financiamento à defesa
O lançamento deste edital ocorre poucas semanas após o MCTI e a Finep terem publicado, em fevereiro de 2026, um chamamento de R$ 300 milhões de subvenção econômica para empresas da BID no âmbito do programa Mais Inovação Brasil. Juntos, os dois editais somam R$ 800 milhões em recursos públicos não reembolsáveis comprometidos com a defesa em menos de quatro meses, sinal de aceleração na agenda de modernização da indústria.

Analistas do setor reconhecem o avanço, mas ponderam que os valores ainda são modestos diante da escala dos programas estruturantes em andamento, do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (PROSUB) ao Projeto Guarani do Exército, passando pelo programa de caças Gripen da FAB. O debate sobre o volume ideal de investimento em P&D de defesa como percentual do Produto Interno Bruto permanece em aberto, mas a tendência de crescimento dos aportes é inequívoca.

Resumo do edital

Edital MCTI/Finep/FNDCT — Autonomia Tecnológica na Defesa

Valor total

Até R$ 500 milhões (recursos não reembolsáveis do FNDCT)

Valor mínimo por proposta

R$ 25 milhões por instituição

Beneficiários

Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa (ICTMDs)

Início das submissões

29 de maio de 2026

Prazo final de envio

18 de setembro de 2026

Resultado da habilitação

30 de outubro de 2026

Cota regional

Mínimo de 30% para regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Fonte

Finep / FNDCT — Carta Convite lançada em 26/05/2026

 

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