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29 agosto, 2026

Exército Brasileiro cria batalhão de drones armados e amplia investimentos na aviação militar

Diretriz do Estado-Maior prevê criação de um batalhão de drones  armados das categorias 2 e 3, prioridade à BID e emprego mais amplo de SARP das categorias 0 e 1 pela Força 



*LRCA Defense Consulting - 29/08/2026

O Estado-Maior do Exército (EME) publicou, em 21 de agosto, a Portaria EME/C Ex nº 1.805, que aprova a Diretriz de Atualização do Programa Estratégico do Exército Aviação do Exército e Drones (Prg EE Av Ex/Drones). O documento, catalogado como EB20-D-08.094 e assinado pelo general de exército Francisco Humberto Montenegro Junior, chefe do EME, foi divulgado no Boletim do Exército nº 35, de 28 de agosto, e revoga a portaria de 2017 que havia criado o programa voltado apenas para aeronaves tripuladas.

A atualização decorre da reestruturação do Portfólio Estratégico do Exército, promovida em março pela Portaria EME/C Ex nº 1.703, que incluiu o termo drones na nomenclatura do antigo Programa Aviação do Exército. Segundo a diretriz, os sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (SARP) têm mudado significativamente o ambiente operacional, cumprindo missões antes reservadas às aeronaves tripuladas, em proveito da tropa ou operados por ela mesma; o avanço desses sistemas em conflitos recentes reforça, segundo o texto, a necessidade de o País acompanhar essa tendência e ampliar a capacidade de resposta da Força Terrestre.

Batalhão de drones armados
A principal novidade estrutural do documento é a criação do Batalhão SARP (BARP), organização militar de valor Batalhão a ser implantada no Comando de Aviação do Exército (CAvEx), em Taubaté (SP). A nova unidade será dotada exclusivamente de SARP das categorias 2 e 3 armados, destinados a missões de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos (IRVA), além de comando, controle e comunicações (C3I) e ataque.

Drones de menor porte e integração com o comando
Paralelamente, o subprograma dedicado aos drones prevê a aquisição de SARP das categorias 0 e 1 para emprego mais amplo pela Força Terrestre, com o Exército coordenando tanto a compra dos sistemas quanto a formação de pilotos e mantenedores. A diretriz determina ainda que os equipamentos sejam interoperáveis com o Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre (SC2FTer/SC2Ex), por meio da adoção dos padrões abertos STANAG 4586, para controle das aeronaves, e STANAG 4609/KLV, para transmissão de vídeo com metadados georreferenciados (posição, rumo, altitude, atitude e apontamento do sensor, sincronizados quadro a quadro).

O documento orienta, também, que a incorporação dos SARP busque soluções junto à Base Industrial de Defesa (BID) nacional, como forma de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros; um dos norteadores citados pelo próprio texto é justamente a intenção de reduzir a dependência de um só fabricante.

Orçamento e prazos
O programa como um todo, que também contempla a substituição do helicóptero HA-1A Fennec por uma nova aeronave multimissão e a incorporação de novos helicópteros de médio porte e de ataque, tem custo total estimado em R$ 7.006.875.000,00 (sete bilhões, seis milhões e oitocentos e setenta e cinco mil reais), vinculado à Ação Orçamentária 3138 do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A execução está prevista até 31 de dezembro de 2040, dividida em seis tranches; a terceira está em curso e segue até 2027.

Gestão do programa
A diretriz determina, ainda, que o programa observe a meta de redução de 6,2% do efetivo da Força até 2029, prevista na Diretriz do Comandante do Exército 2023-2026, o que deve influenciar o dimensionamento das novas unidades de drones. A gerência do Prg EE Av Ex/Drones ficará sediada no CAvEx, sob responsabilidade do comandante da Aviação do Exército, com apoio do Escritório de Projetos do Exército (EPEx).

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