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09 outubro, 2026

Exército, IMBEL e EDGE formalizam cooperação estratégica com os Emirados Árabes Unidos

Comunicado oficial confirma as quatro organizações na Carta de Intenções, vincula o entendimento à Força Terrestre 40 e prevê discussões sobre modernização militar, desenvolvimento industrial e transferência de tecnologia



*LRCA Defense Consulting - 09/10/2026 - 13h36 (atualizado em 13/10, às 10h04)

O EDGE Group confirmou oficialmente que assinou, em Abu Dhabi, uma Carta de Intenções com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, o Exército Brasileiro, representado pelo Estado-Maior do Exército (EME), e a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). O instrumento orienta futuras iniciativas conjuntas nos campos militar, operacional, industrial, tecnológico, comercial e governamental. A cerimônia havia sido noticiada em setembro pela revista militar emiradense Al Jundi, que enfatizou a cooperação técnica, operacional e logística.

A confirmação, divulgada pelo EDGE em 13 de outubro, esclarece o papel formal das quatro organizações, anteriormente indicado pelo coronel da reserva Jetson Turquiello Machado da Silva, executivo de desenvolvimento de negócios do grupo para o Brasil e a América Latina. A fotografia oficial da assinatura também exibe os símbolos do Ministério da Defesa emiradense, do Exército, da IMBEL e do EDGE. A Carta de Intenções, contudo, não constitui, por si só, contrato de aquisição ou garantia de transferência de tecnologia. No entanto, representa um passo importante em direção a esse objetivo.

Segundo o comunicado, o acordo se apoia no Acordo de Cooperação em Defesa Brasil–Emirados Árabes Unidos de 2014 e no acordo de 2019 sobre intercâmbio e proteção mútua de informações e materiais classificados. O propósito é orientar discussões para identificar soluções às necessidades do Exército Brasileiro, em alinhamento ao processo de transformação da Força Terrestre 40 e ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID).

Uma cooperação que já produziu iniciativas concretas 
A aproximação entre o EDGE e instituições brasileiras antecede a nova Carta de Intenções. Em abril de 2026, o grupo anunciou uma iniciativa com o Exército para avaliação operacional dos armamentos CARACAL CAR 816, de 5,56 mm, e CSR50, de 12,7 mm, por unidades especializadas. A avaliação não representa, por si só, uma decisão de aquisição.

Em agosto, o EDGE e o Comando de Defesa Cibernética do Exército anunciaram a criação de um Centro de Excelência em Defesa Cibernética, com investimentos diretos das duas instituições e atividades previstas de capacitação, resposta a incidentes, pesquisa e desenvolvimento. Trata-se de iniciativa distinta, cuja vinculação à nova Carta de Intenções não foi anunciada.

IMBEL e EDGE: contribuições previstas à cooperação 
O EDGE descreve papéis complementares para os participantes: o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos oferece a dimensão governamental e bilateral; o Exército Brasileiro apresenta necessidades operacionais e prioridades de modernização; a IMBEL contribui com capacidades industriais nacionais de defesa; e o EDGE disponibiliza seu portfólio integrado, experiência em sistemas e presença industrial crescente no Brasil. Essa divisão de contribuições explicita a dimensão industrial do entendimento, sem definir ainda projetos ou contratos.

Há antecedentes de integração tecnológica entre essas organizações. Em dezembro de 2024, o EDGE anunciou uma solução de comunicações seguras para o CENSIPAM, combinando dispositivo da KATIM, tecnologias da SIATT e rádios da IMBEL. O novo comunicado menciona transferência de tecnologia e programas conjuntos futuros como áreas de cooperação, mas não identifica sistemas selecionados, montantes de investimento, cronogramas, direitos de propriedade intelectual ou obrigações específicas de fabricação no Brasil.

Compromisso anunciado pela direção do EDGE 

Hamad Al Marar, diretor-geral e CEO do EDGE Group, afirmou que o Brasil está construindo capacidades soberanas de defesa e que o grupo pretende contribuir para esse processo. Segundo o executivo, o EDGE colocará seu portfólio, seus engenheiros e sua presença industrial no Brasil a serviço da modernização do Exército e do fortalecimento duradouro da BID. Trata-se de um compromisso estratégico anunciado pela direção do conglomerado, cujo desdobramento em programas e contratos ainda dependerá de definições posteriores.

A iniciativa se insere em uma aproximação mais ampla. Em declaração conjunta durante o G20 de 2024, Brasil e Emirados Árabes Unidos destacaram a expansão dos vínculos em defesa e segurança. O EDGE vem ampliando sua atuação industrial no País, inclusive por meio da SIATT, da Akaer, da Condor e de outras iniciativas. Esses antecedentes ajudam a compreender o contexto do acordo, mas não significam que cada projeto anterior tenha sido incorporado à nova Carta de Intenções.

Próximas etapas e resultados esperados 
O comunicado de 13 de outubro resolve a dúvida sobre os signatários, mas não detalha quais capacidades militares terão prioridade, quais sistemas serão avaliados, como ocorrerá eventual transferência de tecnologia ou se haverá financiamento e metas industriais. A Carta de Intenções estabelece uma direção de trabalho e diálogo; a execução dependerá de instrumentos e decisões subsequentes.

Para o Exército Brasileiro, a relevância do entendimento será medida pela transformação das intenções em capacidades operacionais verificáveis. Para a IMBEL e a BID, o resultado dependerá de oportunidades efetivas de engenharia, produção e absorção tecnológica. A declaração do CEO do EDGE sinaliza disposição de mobilizar recursos técnicos e industriais, mas os resultados concretos ainda precisarão ser demonstrados.

21 julho, 2026

Embraer e Mubadala assinam acordo estratégico para ampliar presença da fabricante brasileira nos Emirados Árabes Unidos

Farnborough recebe memorando que prevê colaboração de longo prazo em MRO, formação de mão de obra e pesquisa e desenvolvimento, com caminho para a Strata se tornar fornecedora de primeira linha da Embraer 


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e a Mubadala Investment Company, investidora soberana de Abu Dhabi, assinaram nesta terça-feira (21/7) um acordo-quadro estratégico no Farnborough International Airshow, evento que será realizado entre 20 e 24 de julho no Reino Unido. O documento estabelece um caminho para uma colaboração de longo prazo nas áreas de fornecimento, manutenção, reparo e revisão (MRO), desenvolvimento de capital humano e pesquisa e desenvolvimento conjuntos. 

O acordo foi assinado por Dimas Douglas Tomelin, diretor de estratégia e inovação da Embraer, em nome da fabricante brasileira, e por Amer Siddiqui, diretor executivo da plataforma de investimentos da Mubadala nos Emirados Árabes Unidos, em nome do fundo soberano.

A parceria se apoia no ecossistema aeroespacial integrado dos Emirados, que reúne aeroestruturas, materiais avançados e serviços de MRO e de aviação. À medida que os grandes fabricantes de aeronaves concentram suas cadeias de fornecimento em torno de um número menor de parceiros capazes de atender a toda a cadeia de valor, o acordo com a Mubadala coloca essa lógica em prática para a Embraer no Oriente Médio.

O desenvolvimento de mão de obra é um dos pilares centrais do entendimento. As duas organizações vão planejar em conjunto programas de treinamento voltados ao aprimoramento de habilidades em engenharia e no setor aeroespacial nos Emirados, incluindo treinamento prático, transferência de conhecimento e estágios nas instalações da Embraer para talentos emiratis. Na frente de pesquisa e desenvolvimento, as empresas pretendem trabalhar em tecnologias de aeroestruturas de próxima geração, como compósitos, manufatura aditiva e ligas de alta temperatura, com a ambição declarada de criar um centro de inovação conjunto para acelerar a prototipagem.

"Os Emirados Árabes Unidos são um parceiro estratégico para a Embraer", afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da companhia, ao destacar a expectativa de fortalecer a presença da fabricante no país e na região. Já o Dr. Bakheet Al Katheeri, CEO da plataforma de investimentos da Mubadala nos Emirados, descreveu o acordo como uma extensão natural de duas décadas de investimentos da estatal no setor aeroespacial local, citando o princípio de "investir cedo, construir localmente e se preparar com antecedência".

No centro da colaboração estão duas subsidiárias da Mubadala. A Sanad, especialista em MRO de motores que atende a mais de quarenta companhias aéreas globais, ganha a oportunidade de fornecer serviços de manutenção à Embraer, com potencial de expansão para os mercados do Golfo e do norte da África. Já a Strata Manufacturing, fabricante de aeroestruturas sediada em Al Ain e cuja força de trabalho é composta por 68% de cidadãos dos Emirados, passa a ter um caminho para se tornar fornecedora de primeira linha das plataformas da Embraer, participando de programas de aeroestruturas, materiais avançados e componentes.

O anúncio ocorre em um Farnborough particularmente movimentado para a Mubadala, que levou ao salão britânico quatro de suas subsidiárias aeroespaciais, entre elas a própria Strata e a Sanad, além da Piaggio Aero e da AMMROC (Advanced Military Maintenance Repair and Overhaul Center). A Strata já tem histórico de grandes contratos fechados justamente durante edições do Farnborough, como o acordo plurianual com a Boeing para fins verticais do 787 Dreamliner, assinado no salão de 2014.

O acordo com a Mubadala se soma a uma agenda extensa da Embraer no salão britânico deste ano. A companhia também avança na Polônia, onde assinou memorando com a Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 (WZL-2) para manutenção, conversão e integração de sistemas, replicando ali a estratégia de enraizamento industrial já aplicada em países como Portugal, Países Baixos e República Tcheca. No mercado comercial, a fabricante também fechou nesta edição do Farnborough novos pedidos de jatos da família E2, incluindo a negociação com a Abra, controladora da Gol, que já vinha sendo apurada pela Bloomberg antes do início do salão. 

Segundo o comunicado da Embraer, o entendimento com a Mubadala se insere nos objetivos dos Emirados Árabes Unidos no âmbito da Operação 300 Bilhões e da Estratégia Industrial de Abu Dhabi, iniciativas de diversificação econômica que buscam ampliar a produção industrial doméstica emirati. Para a Embraer, o acordo reforça o movimento de expansão internacional que a companhia já vinha construindo em mercados como Índia, Polônia, Marrocos, Grécia e o próprio Golfo, ampliando o alcance de sua base industrial para além do Brasil. 

28 maio, 2022

Grupo EDGE, dos Emirados Árabes Unidos, recebe delegação brasileira de alto nível


*Emirates News Agency WAM - 26/05/2022

O Grupo EDGE recebeu na quarta-feira uma delegação diplomática, militar e comercial de alto nível do Brasil em sua sede em Abu Dhabi. O encontro ressalta a importância que ambos os países atribuem a seus fortes laços comerciais e culturais e sua colaboração contínua nas áreas de defesa, comércio e tecnologia.

A delegação brasileira, chefiada pelo Almirante Flavio Rocha, Secretário Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Dr. Marcos Degaut, Secretário de Produtos de Defesa do MOD, Eduardo Bolsonaro, Deputado Federal, Fernando Luis Lemos Igreja, Embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos e outros dignitários, foram recebidos por membros da equipe de liderança da EDGE, incluindo Faisal Al Bannai, Presidente do Conselho de Administração, Mansour Al Mulla, CEO e Diretor Administrativo, Hamad Al Marar, Presidente do Cluster – Missiles & Weapons (M&W), Omar Al Zaabi, Vice-Presidente Sênior – Cluster de Trading & Mission Support, e outros membros seniores da liderança EDGE, incluindo os CEOs das entidades EDGE HALCON, ADASI, AL TARIQ, CARACAL, LAHAB, NIMR e AL JASOOR.

Os CEOs de várias grandes empresas brasileiras também fizeram parte da delegação, incluindo os da Embraer, Embraer Radar, AKAER, Taurus, Lace, Condor, Avionics, CBC, Mac JEE, CSD, Kryptus, SIATT, Atech e MK Bomb AEQ.

Falando na reunião conjunta do comitê de cooperação, Al Bannai disse: "Estamos muito satisfeitos em receber hoje uma visita brasileira de alto escalão e comercialmente importante à EDGE. Ela não apenas reforça a importância e o carinho com que nossos países se vêem como parceiros, mas também ressalta a necessidade de continuar explorando novas oportunidades para colaboração futura de benefício mútuo e para a busca de maior segurança global.

"O Brasil é um mercado estratégico importante para a EDGE, com indústrias nativas avançadas e altamente desenvolvidas. Há um enorme potencial para trabalharmos juntos em mais compartilhamento de conhecimento, intercâmbio de inteligência, cooperação em P&D e co-desenvolvimento de sistemas de defesa e tecnologia avançada, como demonstrado recentemente pela parceria da Embraer com a entidade EDGE HALCON para o desenvolvimento de sistemas de armas para a aeronave A-29 Super Tucano da Embraer. Nosso objetivo é criar um ambiente mais fértil para o florescimento de mais relacionamentos com as principais empresas brasileiras e expandir o alcance e uso dos produtos, serviços e soluções da EDGE no Brasil e no mundo."

Os delegados presentes se comprometeram a continuar trabalhando em estreita colaboração e alcançar objetivos mutuamente acordados para todas as partes nos domínios militar e de tecnologia avançada.

04 outubro, 2021

Brasil quer negociar equipamentos de defesa com Emirados Árabes

O vice-presidente Hamilton Mourão, durante entrevista coletiva.


*Agência Brasil - 03/10/2021

O Brasil tem interesse em comercializar equipamentos de defesa com os Emirados Árabes Unidos. Em entrevista concedida à imprensa, em Dubai, neste domingo (3), o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão (PRTB), destacou que quer não apenas vender material para os árabes como também comprar deles.

Ele participou da abertura do fórum de economia sustentável da Amazônia Emirados Árabes-Brasil , que reuniu empresários, investidores e autoridades governamentais dos dois países.“Temos um protocolo entre os dois ministérios da Defesa que tem que avançar. É uma grande oportunidade para ambos os países, porque ambos produzimos produtos nessa área, produtos de grande valor. Então é uma área em que temos que sentar e conversar mais, para avançarmos nisso.

Blindados, Avibras e Embraer
A ideia é, em quatro ou cinco anos, chegar à marca de US$ 5,6 bilhões na balança comercial entre os dois países, ou seja, o dobro do registrado em 2020. Entre as oportunidades para os Emirados Árabes está uma licitação para a compra de veículos blindados 8x8 que está em andamento no Brasil. Por outro lado, a indústria brasileira tem interesse em vender seus sistemas de lançamento múltiplo de foguetes.

Outra meta do Brasil é conseguir vendas de jatos da Embraer para companhias aéreas da região, que tem um mercado consolidado de aviação civil. Apenas nos Emirados Árabes, há duas grandes companhias aéreas com grande presença internacional, a Emirates e a Etihad, além de outras como Flydubai e Air Arabia.

“Existe uma expansão nessa região em termos do transporte aéreo. O próprio Brasil abriu nosso mercado de transporte aéreo para empresas estrangeiras, sem necessidade de ter um sócio brasileiro. Então, uma empresa que for se estabelecer no Brasil pode adquirir as aeronaves da Embraer. A Embraer também vai entrar nesse novo ramo do carro voador. É um amplo espaço que existe para haver um progresso”, afirmou o vice-presidente.

Ele destacou, no entanto, que o mercado é muito competitivo com forte presença das gigantes Boeing e Airbus, além da competidora direta da Embraer, a Bombardier. “É uma disputa que não é simples. Temos que ter uma condução muito boa nisso, não só no nível diplomático e governamental, mas também no nível econômico e comercial. A associação do ente público com o ente privado no sentido de que a gente tenha uma força efetiva para poder competir num mercado onde duas grandes empresas procuram controlar o mercado”.

Investimentos
Mourão também aproveitou o encontro com empresários árabes para falar sobre oportunidades para investidores na Amazônia, tema que ele vem reforçando desde que chegou a Dubai, no último dia 30. Segundo ele, há, por exemplo, possibilidades de investimentos em infraestrutura de transportes e energia, não apenas na região amazônica, como em outros locais do país.

“Há um bom espaço para investimentos. E um investimento que trará um bom dinheiro para quem colocar dinheiro lá. Eu sei que os Emirados Árabes têm fundos admiráveis, com grande capacidade de investir em todo o mundo”, disse ele, complementando que árabes já têm investidos no Brasil cerca de 10 bilhões de dólares.

Energias alternativas
Na coletiva de imprensa, o vice-presidente disse também que é preciso desburocratizar o marco energético brasileiro, para que se possa ampliar a geração de energia solar e eólica no país. “Ainda existe muita limitação para a questão da energia solar. Existem áreas no Brasil cuja vocação será a produção desse tipo de energia. No sertão nordestino, você pode criar ali fazendas de energia solar, onde a pessoa que possui aquela terra, que vive em uma condição extremamente limitada, terá ganhos para ele, para sua família e, ao mesmo tempo, vai ter produção de energia”, disse.

Segundo ele, esse tipo de geração poderia complementar o fornecimento de energia para o país em momentos como que o Brasil está vivendo, de redução da produção hidrelétrica devido à escassez de chuvas.

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