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03 junho, 2026

Atech, da Embraer, usa IA para prever trajetórias 4D de aeronaves com maior precisão

Em parceria com o ICMC/USP, unidade credenciada pela Embrapii, a empresa do grupo Embraer desenvolve algoritmos capazes de detectar padrões em grandes volumes de dados históricos de voo para aprimorar a gestão do tráfego aéreo

 

*LRCA Defense Consulting - 03/06/2026

A Atech, empresa de tecnologia do grupo Embraer especializada em sistemas de missão crítica, firmou parceria estratégica com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP), unidade credenciada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), para o desenvolvimento de uma solução baseada em inteligência artificial (IA) voltada à previsão de trajetórias de aeronaves.

O projeto tem como objetivo criar algoritmos avançados e pipelines de dados capazes de prever com alta precisão a trajetória 4D dos voos, considerando latitude, longitude, altitude e tempo. A iniciativa vai além dos modelos atualmente utilizados na gestão do tráfego aéreo, que se baseiam principalmente em cálculos cinemáticos, ao incorporar a capacidade da IA de identificar padrões complexos em grandes volumes de dados históricos.

Entre as variáveis consideradas estão o horário do voo, a região geográfica e a companhia aérea operante, o que permitirá gerar predições de trajetória ainda mais precisas. A solução será integrada ao sistema de Gerenciamento de Fluxo de Tráfego Aéreo (ATFM) da Atech, oferecendo aos operadores análises mais robustas e maior previsibilidade para a tomada de decisões, especialmente em cenários de elevada complexidade operacional.

Aplicações civis e militares
A tecnologia foi concebida com dupla vocação: permitirá uso tanto na aviação comercial quanto na militar, além de ser compatível com hospedagem em nuvem, o que ampliará sua utilização para diferentes sistemas e clientes. O projeto tem duração estimada de 18 meses.

"O resultado será um ecossistema de tráfego aéreo ainda mais seguro, eficiente e previsível para todos", afirmou Rodrigo Persico, CEO da Atech.

O executivo já havia elencado os benefícios concretos esperados da iniciativa: a redução do tempo em que aeronaves permanecem em espera no ar (holding), o aumento da previsibilidade para passageiros, companhias aéreas e aeroportos, e a diminuição do consumo de combustível por meio da otimização de rotas, com impacto direto nas emissões de gases.

Parceria academia-indústria
Para André Ponce, professor do ICMC/USP e pesquisador credenciado pela Embrapii, a colaboração representa uma oportunidade de aproximar a pesquisa acadêmica das demandas da indústria nacional. "Este projeto é um importante passo para fortalecer a colaboração entre a academia e a indústria brasileira. Ao investigar e aplicar algoritmos de inteligência artificial capazes de melhorar o monitoramento em tempo real dos voos, ele pode aumentar a segurança e a pontualidade das operações aéreas no país", destacou.

O ICMC, fundado em 1971 e sediado em São Carlos (SP), é referência internacional em ciência de dados e inteligência artificial. Em 2023, o instituto passou a integrar a Rede Embrapii, atuando como unidade nas áreas de ciência de dados, computação e matemática aplicada, com um investimento inicial de R$ 5 milhões voltado a fortalecer a inovação industrial por meio da transferência de tecnologia para empresas.

Três décadas de protagonismo no controle do espaço aéreo
Responsável pelo sistema que gerencia o tráfego aéreo brasileiro há mais de 30 anos, por meio da plataforma conhecida como Sigma, a Atech acumula um portfólio que inclui sistemas de missão crítica para defesa, governo e segurança pública. A empresa conta com cerca de 600 funcionários distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro, São José dos Campos e Brasília, além de representação comercial em Portugal.

No plano internacional, a companhia já exportou sua tecnologia para países como Índia, Mauritânia e África do Sul, e demonstrou soluções no Airspace World 2026, realizado em Lisboa em maio deste ano. No evento, foram apresentadas a SingleATM Platform (plataforma aberta para hospedagem de sistemas ATM e UTM) e o IFPFMS (Sistema Integrado de Plano de Voo e Gerenciamento de Fluxo), alinhado ao padrão FF-ICE/R1.

Na defesa, a Atech integra os sistemas de gestão de combate e de plataforma das fragatas da classe Tamandaré da Marinha do Brasil, e está presente nos submarinos brasileiros e nos simuladores do caça Gripen. No campo da segurança cibernética, a empresa participa há cinco anos consecutivos do Locked Shields, o principal exercício de defesa cibernética da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O grupo Embraer registrou R$ 58,4 milhões em investimentos em pesquisa no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 47,7 milhões no mesmo período de 2025. Em 2025, o total investido em pesquisa pelo grupo alcançou R$ 330,8 milhões.

 

26 maio, 2026

Atech, da Embraer, leva plataformas de nova geração para gestão de tráfego aéreo e drones ao Airspace World 2026, em Lisboa

Empresa apresenta a SingleATM Platform e o sistema IFPFMS alinhado ao padrão FF-ICE, reforçando estratégia de internacionalização que já alcança Índia, África do Sul e América Latina e tem como novo epicentro europeu o escritório de Lisboa 


*LRCA Defense Consulting - 26/05/2026

A Atech, empresa de tecnologia do Grupo Embraer especializada em sistemas de missão crítica, marca presença nesta semana no Airspace World 2026, realizado de 26 a 28 de maio em Lisboa, Portugal. O evento, um dos mais importantes da comunidade global de navegação aérea, serviu de vitrine para o portfólio mais recente da empresa nas áreas de Gestão de Tráfego Aéreo (ATM) e Gestão de Tráfego de Aeronaves Não Tripuladas (UTM), com foco na digitalização e na interoperabilidade do espaço aéreo.

A escolha de Lisboa não é casual. Em 2025, a Atech inaugurou seu primeiro escritório fora do Brasil exatamente na capital portuguesa, em cooperação com a Embraer Defense Europe, entidade criada em dezembro de 2024 para ancorar a expansão européia do grupo aeronáutico brasileiro. A operação abrange os segmentos de defesa, segurança e ATM, e o Airspace World 2026 funciona como primeira grande plataforma pública dessa presença consolidada no continente.

SingleATM e IFPFMS: as apostas tecnológicas
No estande da empresa, os destaques foram a Plataforma SingleATM e o Sistema Integrado de Gerenciamento de Plano de Voo e Fluxo (IFPFMS). A SingleATM foi desenvolvida para hospedar sistemas críticos de ATM e UTM em uma arquitetura aberta, baseada em serviços e microsserviços, com o objetivo de reduzir custos de desenvolvimento, integração, testes e manutenção para os provedores de serviços de navegação aérea (ANSPs). A plataforma foi criada em parceria com a CISCEA (Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro), vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB).

Já o IFPFMS está alinhado ao padrão FF-ICE/R1 (Flight and Flow Information for a Collaborative Environment), que orientará a próxima geração de operações aéreas globais. O sistema combina validação de planos de voo, autorizações AIS e suporte à decisão ATFM em um único ambiente, aprimorando a coordenação entre companhias aéreas, aeroportos e gestores de fluxo. A Atech também realizou demonstrações ao vivo de sua Plataforma UTM, concebida para integrar o tráfego de drones ao espaço aéreo civil e conectar os diferentes atores operacionais em cidades inteligentes.

Na programação técnica do evento, Edson Fagundes, desenvolvedor de negócios ATM da empresa, apresentou a sessão "FF-ICE: Você está preparado para 2034?", abordando os desafios da transição que a aviação global enfrentará até aquela data e as soluções que a Atech oferece para que os ANSPs se adaptem ao novo modelo de gerenciamento de planos de voo.

Portugal como porta de entrada para a Europa
A abertura do escritório de Lisboa, em junho de 2025, consolidou a operação da Atech no exterior. A expansão segue a Embraer Defense Europe, que elegeu Portugal como base europeia pela combinação de laços históricos com o Brasil, posição geográfica estratégica e acesso ao mercado da União Europeia e da OTAN.

A presença europeia também se manifesta no campo da cibersegurança. A Atech é participante regular do exercício Locked Shields, o maior e mais complexo simulacro de ciberdefesa em tempo real, organizado pelo Centro de Excelência em Defesa Cibernética Cooperativa (CCDCOE) da OTAN. Em 2025, foi a única empresa brasileira representada na competição. Esse histórico credencia a empresa a disputar contratos de defesa e segurança no continente europeu, segmento em franca expansão após as turbulências geopolíticas dos últimos anos.

Presença global em expansão: Índia, África e América Latina
A estratégia de internacionalização da Atech já produzia frutos bem antes da chegada à Europa. Na Índia, a empresa fornece os sistemas Skyflow (ATFM) e Leo (IFPS), adaptados aos padrões do Eurocontrol e às necessidades específicas do mercado indiano. No Norte da África, atua com sistemas de vigilância aérea e terrestre voltados para programas de defesa. Na América do Sul, as tecnologias da empresa estão presentes em múltiplos países da região.

O episódio mais recente de expansão internacional ocorreu em setembro de 2025, quando a Atech assinou contrato com a Air Traffic and Navigation Services (ATNS), empresa estatal responsável pela navegação aérea na África do Sul, para modernizar o sistema de gestão de fluxo de tráfego aéreo (ATFM) no aeroporto internacional O.R. Tambo, em Joanesburgo, o maior hub de transporte aéreo do continente africano. O acordo, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2027, inclui um centro de contingência e uma plataforma de treinamento e simulação.

"Este novo contrato com a ATNS reforça nossa estratégia de expansão internacional e o compromisso da Atech em fornecer soluções de gestão de tráfego aéreo de alto impacto", declarou Rodrigo Persico, CEO da empresa, à época da assinatura. Mais recentemente, na Airspace World, Marcos Resende, diretor de negócios de ATM, reforçou o posicionamento: "Nosso objetivo é fornecer as tecnologias que possibilitam um futuro mais seguro, eficiente e integrado para a navegação aérea."

Benefícios para a Embraer
A trajetória da Atech interessa diretamente à Embraer por pelo menos três razões. A primeira é financeira: a diversificação de receitas da subsidiária, obtidas em mercados como Índia e África do Sul, contribui para o desempenho da divisão de Defesa & Segurança do grupo, segmento que enfrenta ciclos longos de contratos governamentais e que se beneficia do caráter recorrente dos contratos de suporte e atualização de sistemas ATM.

A segunda razão é estratégica. A abertura do escritório de Lisboa em sinergia com a Embraer Defense Europe cria uma estrutura integrada para abordar clientes europeus de defesa e aviação civil. A Embraer já fornece aeronaves de transporte militar e patrulha a vários países da OTAN, e ter a Atech como ofertante de sistemas de C2 e ATM amplia o portfólio integrado que o grupo pode apresentar a esses clientes.

A terceira razão é reputacional. O reconhecimento do sistema ATM brasileiro pela ICAO como referência mundial, aliado à participação da Atech no Locked Shields da OTAN, fortalece a imagem da Embraer como grupo aeroespacial de tecnologia de ponta, e não apenas fabricante de aeronaves. Em um setor onde credenciais técnicas e histórico operacional são determinantes para a conquista de novos contratos, essa reputação tem valor mensurável.

Atech em números e fatos

• Fundada em 1999; integrada ao Grupo Embraer em 2013

• Cerca de 550 funcionários

• Empresa Estratégica de Defesa (EED), certificada pelo Ministério da Defesa do Brasil

• Sistema ATM brasileiro reconhecido pela ICAO como referência mundial

• Presença internacional: América do Sul, Índia, Norte da África e África do Sul

• Escritório europeu inaugurado em Lisboa (2025), em cooperação com a Embraer Defense Europe

• Única empresa brasileira representada no exercício de ciberdefesa Locked Shields (OTAN/CCDCOE) em 2025

• Contrato com a ATNS (África do Sul) para modernização do ATFM no aeroporto O.R. Tambo (conclusão prevista no 3º trimestre de 2027)

15 maio, 2026

Atech inaugura simulador tático e centro de suporte do sistema de combate das Fragatas Classe Tamandaré

Cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro marca novo patamar na capacitação de tripulações da Marinha do Brasil 

 
 
*LRCA Defense Consulting - 15/05/2026

A Atech, empresa do Grupo Embraer especializada em sistemas de missão crítica, inaugurou nesta terça-feira o Simulador Tático e o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC) das Fragatas Classe Tamandaré, em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. O evento reuniu autoridades da Marinha do Brasil e da indústria de defesa e representa um passo decisivo na preparação operacional das tripulações que vão operar a nova geração de navios de guerra da Esquadra brasileira.

Simulação de alta fidelidade para o sistema de combate
O Simulador Tático desenvolvido pela Atech oferece um ambiente de imersão de alta fidelidade voltado ao treinamento das equipes no Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das fragatas. O CMS é o núcleo operacional dos novos navios, responsável por integrar sensores, armamentos e sistemas de comando em um único ambiente, processando dados em tempo real para apoiar o processo decisório a bordo. Por meio de algoritmos avançados, o sistema identifica e classifica ameaças e aponta a melhor resposta tática disponível.

Com o simulador, as tripulações podem treinar em cenários complexos que reproduzem as condições reais de combate antes mesmo de embarcarem. A iniciativa reduz riscos operacionais e acelera a curva de aprendizado das equipes, tornando o processo de certificação mais robusto e seguro.

O papel estratégico do CSSC
O Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC) cumpre um papel estratégico no planejamento das missões das fragatas. Instalado no Centro de Apoio a Sistemas Operativos (CASOP), a estrutura passou por adequações físicas e por uma fase de capacitação de pessoal conduzida pela Atech, integrando o ciclo de formação previsto pelo Programa Fragatas Classe Tamandaré. O centro permitirá configurar o sistema de combate, validar atualizações de software e simular cenários táticos antes do emprego dos navios no mar.

A existência de uma estrutura dedicada de suporte também garante maior autonomia à Marinha do Brasil na operação e manutenção dos sistemas ao longo do ciclo de vida das embarcações, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. O modelo é escalável e poderá beneficiar outros meios navais no futuro.

Cerimônia com altas patentes da Marinha
A cerimônia de inauguração contou com a presença da Diretora de Programas da Atech, Andrea Hemerly, e com a participação de altas patentes da Marinha do Brasil: o Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, o Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes e o Vice-Almirante (Rm1) Antonio Reginaldo Pontes Lima Junior, além de outras autoridades.

Contexto: o Programa Fragatas Classe Tamandaré
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), contratado em 2020 com o consórcio Águas Azuis (formado por TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech), prevê a construção de quatro fragatas de alta complexidade tecnológica no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC). O investimento total do primeiro lote é de R$ 12 bilhões. A primeira fragata, a F200 "Tamandaré", foi incorporada oficialmente à Marinha em 24 de abril de 2026, após testes de mar realizados ao longo de 2025. A segunda, "Jerônimo de Albuquerque" (F201), foi lançada ao mar em agosto de 2025, e as demais têm entrega prevista até 2029.

As fragatas são embarcações multipropósito com cerca de 3.500 toneladas, equipadas com radar de busca volumétrica, sistemas de guerra eletrônica, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos e canhão naval de 76 mm, além de hangar e convoo para helicóptero embarcado. O CMS, desenvolvido em parceria pela Atech e pela alemã Atlas Elektronik, conecta toda essa suíte de sensores e armamentos, atuando como o "cérebro" integrado do navio.

O programa está inserido no Novo PAC do governo federal, no eixo de inovação para a indústria de defesa, e gera cerca de 23 mil empregos ao longo da construção das quatro embarcações. Mais recentemente, em abril de 2026, a Atech e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) assinaram um Protocolo de Intenções para a evolução contínua do CMS, consolidando a empresa como uma "Casa de Sistemas" estratégica para a defesa nacional.

 

Soberania tecnológica e indústria nacional
A inauguração do Simulador Tático e do CSSC é mais um capítulo da estratégia brasileira de fortalecer a base industrial de defesa com tecnologia nacional. O CMS e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS) das fragatas são desenvolvidos por empresas brasileiras (Atech e Embraer), com índice de conteúdo local de pelo menos 40%, o que garante maior autonomia para manutenção e atualizações futuras sem depender exclusivamente de fornecedores europeus.

Para a Marinha do Brasil, que patrulha mais de 5,7 milhões de km² da chamada Amazônia Azul, a modernização da esquadra com sistemas nacionais tem valor estratégico. Com as Fragatas Classe Tamandaré, o país opera pela primeira vez um sistema de defesa antiaérea de médio alcance em fragatas construídas em território nacional, suprindo uma lacuna que outros países da região fecharam décadas atrás.

A entrega do simulador e do centro de suporte, portanto, vai além do treinamento imediato das tripulações: sinaliza a maturidade de um ecossistema tecnológico nacional capaz de sustentar, evoluir e operar de forma soberana alguns dos sistemas de combate mais avançados já implantados na história da Força Naval brasileira.

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