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03 dezembro, 2025

Robôs, drones e IA: o papel do Robô Expedicionário na nova doutrina dos Fuzileiros Navais


*LRCA Defense Consulting - 03/12/2025

O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) deu mais um passo na consolidação de sua doutrina de emprego de sistemas não tripulados ao apresentar o veículo terrestre não tripulado “Robô Expedicionário” durante o 1º Workshop sobre o Emprego de Drones e o 1º Campeonato de Drones Militares do CFN, no Rio de Janeiro. A exibição do sistema em um evento dedicado originalmente a plataformas aéreas evidencia a intenção da Marinha de tratar drones terrestres, aéreos e navais sob uma mesma lógica de transformação tecnológica e integração operacional.​

Um UGV pensado para ambientes hostis

Desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN), o Robô Expedicionário é um veículo operado remotamente, projetado para apoiar missões de reconhecimento da Infantaria, de Operações Especiais e de unidades NBQR, reduzindo a exposição de tropas em áreas de alto risco. A plataforma foi concebida para atuar em cenários com ameaça nuclear, biológica, química e radiológica, além de operações em áreas urbanas complexas, funcionando como “batedor” robotizado na linha de frente.​

Suas principais características técnicas são: peso de 11 kg, velocidade máxima de 10 km/h, bateria de lítio 24 V (20 Ah), torque total de 13,76 N.m, potência de 400 W, autonomia mínima de 120 minutos, largura de 395 mm, comprimento de 461 mm e altura de 235 mm.

O sistema integra sensores e câmeras que permitem o envio de imagens e dados em tempo real ao operador, facilitando a avaliação do terreno, a identificação de ameaças e o planejamento de progressão da tropa antes da entrada de militares em ambiente potencialmente contaminado ou dominado por forças hostis. Em apresentações públicas e feiras como a DroneShow Robotics 2025, a Marinha tem enfatizado o caráter dual do equipamento, com aplicações tanto em operações militares quanto em apoio a respostas a desastres e acidentes envolvendo materiais perigosos.​

Vitrine da agenda de inovação dos Fuzileiros
A presença do Robô Expedicionário no 1º Workshop sobre o Emprego de Drones e no 1º Campeonato de Drones Militares insere o UGV em um contexto mais amplo de modernização do CFN, que inclui desde drones de reconhecimento até munições “kamikaze” e outros robôs autônomos em desenvolvimento. O evento reuniu representantes das três Forças, indústria e academia, servindo como laboratório para discutir doutrina, interoperabilidade e capacitação em sistemas não tripulados.​​

Paralelamente, a Marinha anunciou a criação de uma Escola de Drones a partir de 2026, indicando que plataformas como o Robô Expedicionário tendem a ser incorporadas a currículos de formação e aperfeiçoamento, com ênfase em operação, manutenção e integração com outros vetores. A aposta em treinamento estruturado acompanha a percepção da alta administração naval de que a guerra contemporânea, influenciada por conflitos recentes, é cada vez mais marcada pelo emprego massivo de sistemas remotos, inteligência artificial e sensores distribuídos.​

Parcerias com universidades e ecossistema de P&D
O Robô Expedicionário resulta diretamente de uma parceria entre o CTecCFN e a Universidade Federal de Goiás (UFG), formalizada por acordo de cooperação técnica assinado em outubro de 2021, coordenado pelo professor Sólon Bevilácqua da Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT/UFG). A UFG lidera o desenvolvimento de software, hardware, programação e integração de sensores para o ROV portátil (cerca de 20 cm e 5 kg, transportável em mochila), enquanto o CTecCFN cuida do chassi, testes operacionais e validação militar para missões de reconhecimento de infantaria, operações especiais e inspeções NBQR em áreas como favelas ou zonas contaminadas.​

O protótipo já recebeu honrarias da Marinha em 2023 e foi apresentado em eventos recentes como o 1º Workshop de Drones do CFN, confirmando sua maturidade operacional. Essa colaboração foi reforçada por visitas do CTecCFN à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 2024, criando um protocolo tripartite (Marinha-UFG-UFSM) para evoluções em autonomia, IA e robótica militar e uma agenda alinhada a protocolos de cooperação com a Marinha voltados à robótica, simulação e engenharia. 

Esse ecossistema de pesquisa contribui para iterar rapidamente protótipos, testar módulos de inteligência artificial, sensores e arquitetura de comando e controle, além de ampliar a base de conhecimento nacional na área de UGVs e integrar a academia a requisitos reais do CFN. 

Atenção internacional e perspectiva de emprego
O Robô Expedicionário já começou a ganhar espaço em publicações especializadas estrangeiras, como a Janes, que destacam o sistema como um exemplo da entrada mais consistente da América do Sul no mercado de veículos terrestres não tripulados. Essas análises costumam situar o UGV brasileiro em um cenário em que exércitos da região ainda conciliam meios tradicionais, como cavalaria montada, com plataformas robotizadas emergentes, o que torna a adoção de UGVs um movimento gradual e sensível a restrições orçamentárias.​

Para o CFN, contudo, o valor do Robô Expedicionário parece ir além do equipamento em si: o sistema funciona como demonstrador tecnológico, permitindo amadurecer doutrina de emprego, protocolos de segurança NBQR e integração com drones aéreos e sensores de superfície. Em termos operacionais, o UGV tende a ser empregado inicialmente em tarefas de reconhecimento, avaliação de rotas, inspeção de áreas contaminadas e apoio à proteção de instalações sensíveis, com possibilidade de evolução para configurações mais armadas ou dotadas de maior autonomia, conforme avancem os projetos de pesquisa. 

04 abril, 2025

Ave Technology recebe aporte inicial de R$ 10 milhões para desenvolver aeronave eVTOL

 


*LRCA Defense Consulting - 04/04/2026

A Ave Technology, empresa brasileira do setor de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou um aporte inicial de R$ 10 milhões. Este investimento estratégico marca o pontapé inicial de uma série expansível que alcançará R$ 100 milhões, destinados à fabricação de suas aeronaves.

Os recursos deste aporte serão direcionados para a estruturação e otimização da fábrica da Ave Technology, localizada em Caçapava, no interior de São Paulo. Além disso, o investimento permitirá o avanço no desenvolvimento e lançamento de novos produtos, fortalecendo o portfólio da empresa no promissor mercado de mobilidade aérea urbana.

A Ave Technology também planeja utilizar parte do capital para iniciar projetos de expansão de suas operações em novos setores, explorando o potencial de aplicação da tecnologia eVTOL em outras áreas.

“Estamos extremamente entusiasmados com este aporte, que representa um marco significativo para a Ave Technology”, disse o CEO da Ave, Gabriel de Paula. “Este investimento nos permitirá dar passos concretos na materialização de nossa visão de transformar a Mobilidade Aérea Urbana, oferecendo soluções inovadoras, sustentáveis e eficientes. Acreditamos que a tecnologia eVTOL tem o potencial de revolucionar diversos setores, e estamos comprometidos em liderar essa transformação”, completou.

A rodada de investimento demonstra a confiança dos investidores no potencial da Ave Technology e no futuro do mercado de eVTOL no Brasil e no mundo. A empresa está focada em desenvolver aeronaves seguras, eficientes e com baixo impacto ambiental, contribuindo para um futuro mais conectado e sustentável.

A Ave Technology será expositora na Expo eVTOL, evento que ocorrerá entre 3 e 5 de junho de 2025, no Expo Center Norte – Pavilhão Azul, em São Paulo.


Aeronaves eVTOL para emprego civil e na área de defesa
A Ave Technology está finalizando o desenvolvimento de uma aeronave de 200 kg de capacidade de payload (02 pessoas) e, para o próximo semestre, seguirá para uma aeronave de 500 kg de payload (04 pessoas). Serão aeronaves multimissão, onde já há uma aplicação real com uso logístico e agrícola de forma não tripulada inicialmente. A aeronave terá autonomia entre 4 a 6 horas de voo e asa rotativa.  Atualmente, a Ave tem tecnologia para desenvolvimento de aeronaves com até 01 tonelada de payload.

A empresa está voltando seu planejamento também para a área de defesa, a fim de utilizar essa aeronave de alta capacidade de carga, equipada com link de satélite e inteligência artificial embarcada, em missões logísticas e, num futuro não tão distante, equipada opcionalmente com mísseis subsônicos, outros drones menores (trabalhando como nave-mãe em modelo de enxame) e armamentos de longo alcance. 

Até o momento, já estão garantidos mais de 40 milhões de reais em contratos de intenção de compra de aeronaves para uso civil.

30 março, 2025

Energia elétrica extraída de plantas já é realidade no Peru

Hernán Asto, jovem peruano visionário, criou uma tecnologia inovadora que leva eletricidade sustentável a comunidades carentes, promovendo saúde e preservando o meio ambiente. Tecnologia pode ser replicada no Brasil para beneficiar quem mora em rincões distantes e sem acesso à energia elétrica.

Foto: Alinti

*Portal Sustentabilidade - 21/01/2025

Em Ayacucho, Peru, uma inovadora fusão de tecnologia e natureza está iluminando comunidades rurais e trazendo uma nova esperança para milhares de pessoas.

Hernán Asto Cabezas, um jovem empreendedor e visionário, desenvolveu o Alinti, um sistema revolucionário que gera eletricidade a partir de plantas.

Utilizando a fotossíntese e microorganismos do solo, o Alinti oferece uma solução sustentável para iluminar residências e ruas em áreas remotas sem acesso à eletricidade.

Luz a partir das plantas
O nome Alinti é uma fusão das palavras “ali” (planta, em aymara) e “inti” (sol, em quéchua), refletindo a conexão com a natureza e as raízes culturais do criador. Este dispositivo inovador aproveita os resíduos da fotossíntese e a interação de microorganismos no solo para gerar eletricidade.

Durante o processo, compostos orgânicos liberados pelas raízes das plantas são decompostos, liberando elétrons que são capturados por um ânodo de polímero condutor não metálico, uma invenção exclusiva da Alinti.

Cada unidade de Alinti é capaz de fornecer entre 6 e 8 horas de iluminação ou recarregar dois celulares. Desde sua implementação, mais de 4.000 famílias foram beneficiadas, e estima-se que 540 toneladas de CO₂ tenham sido evitadas. Isso não apenas reduz a pegada de carbono, mas também oferece uma alternativa segura às velas e lâmpadas de querosene, prevenindo doenças respiratórias, irritações oculares e queimaduras.

Foto: Alinti

Iluminação pública sustentável
Além das residências, o Alinti evoluiu para o Gleam, um sistema de iluminação pública que combina células bioeletroquímicas e sensores de movimento para ativar as luzes somente quando necessário.

O Gleam já está em operação em Ayacucho e se expandindo para outras regiões, com potencial para ser adotado em países vizinhos. Estima-se que o Gleam possa evitar 20 toneladas de CO₂ por ano, além de melhorar a segurança e promover a biodiversidade urbana.

A trajetória de Hernán Asto é uma verdadeira inspiração. Criado em uma família humilde, ele estudava à luz de velas, mas sua determinação e paixão pela ciência o levaram a desenvolver tecnologias que hoje transformam vidas.

Seu trabalho com o Alinti é um símbolo de resiliência e inovação, demonstrando que é possível encontrar soluções sustentáveis para os desafios energéticos.

Foto: Alinti

Benefícios para a saúde e educação
A substituição de fontes tradicionais de iluminação, como velas e lâmpadas de querosene, resultou em uma redução de 30% nas doenças respiratórias. Além disso, o Alinti tem contribuído para um aumento de 20% na frequência escolar, proporcionando iluminação segura para o estudo noturno e melhorando o desempenho acadêmico das crianças.

O Alinti e-GRASS, projetado para iluminação urbana, ocupa apenas 1 m² e é capaz de fornecer iluminação eficiente de 25 W para ruas e parques.

Cada unidade absorve 210,24 kg de CO₂ por ano, o equivalente a compensar 1.752 km percorridos por um carro médio, e libera oxigênio suficiente para 175,2 dias de respiração de uma pessoa. Este sistema elimina a necessidade de baterias poluentes e reduz a dependência de combustíveis fósseis.

Foto: Reprodução/Pexels

Um futuro sustentável
Com mais de três milhões de pessoas sem acesso à eletricidade no Peru, a tecnologia desenvolvida por Hernán Asto não apenas ilumina lares e ruas, mas também simboliza uma mudança para um futuro mais sustentável. A Alinti representa uma fusão perfeita entre tecnologia e natureza, demonstrando como a inovação pode ser usada para reduzir emissões de CO₂, melhorar a saúde pública e promover a conscientização ambiental.

Ao unir ciência, cultura e sustentabilidade, Hernán Asto e sua equipe estão não apenas iluminando comunidades, mas também pavimentando o caminho para um planeta mais limpo e justo. Através da Alinti, a energia renovável se torna acessível a todos, marcando uma revolução na forma como o mundo enxerga e utiliza os recursos naturais.


*Fonte primária: Noticias Ambientales Alinti

02 março, 2025

Taurus prepara dois grandes e disruptivos lançamentos mundiais para abril

Pistolas TX9 compacta e full size


*LRCA Defense Consulting - 02/03/2025

No próximo mês, durante a inauguração da Taurus Shooting Academy, na sede da empresa em São Leopoldo (RS), a multinacional brasileira Taurus Armas S.A. deverá realizar dois dos seus mais importantes e disruptivos lançamentos dos últimos tempos, ambos visando uma maior e mais significativa presença nos mercados militar e policial mundiais, mas que atenderá também o mercado civil aficcionado por este tipo de arma, especialmente nos Estados Unidos. 

As grandes novidades da empresa - a pistola TX9 e a submetralhadora RPC -  serão caracterizadas por serem as armas de suas respectivas categorias com mais tecnologia embarcada no mundo, haja vista que conterão quase todas as novas e disruptivas tecnologias em uso e/ou em desenvolvimento na Taurus: Grafeno, Cerakote Graphene, DLC e Polímero de Fibras Longas,tornando-se assim as duas primeiras armas de fogo no mundo com tais características.

TX9: família de pistolas que poderá ser o novo grande trunfo da Taurus no mundo
A família de pistolas TX9, diferentemente das congêneres que a antecederam, é uma plataforma de pistolas e será constituída por quatro modelos: subcompacta, compacta, full size (serviço) e esportiva pré-customizada. Além de ter seu foco principal no mercado militar e policial mundial, poderá ser a arma de entrada da Taurus no cobiçado mercado de Law Enforcement dos Estados Unidos.

Com versões em 9mm e .38 TPC e desenvolvida em rigoroso protocolo militar pelo CITE - Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia BR/EUA da Taurus, a TX9 foi concebida com a estratégia de ser completamente modular. Isto significa que todo o seu mecanismo interno vai ser sempre o mesmo, mas será possível fazê-la "crescer ou diminuir", a fim de atender às várias necessidades dos mercados militar, policial e civil.

Assim, ela poderá crescer no tamanho do cano, do ferrolho (caso da versão full), da empunhadura e na capacidade de tiros. Uma subcompacta poderá se transformar numa compacta ou numa full size (tamanho de serviço). Poderá ser uma sub com cano de compacta, uma sub com empunhadura de uma compacta, além de diversas outras variações possíveis.

A nova plataforma TX9 possibilitará aos clientes dispor de um mesmo "miolo" para uma família completa de armas, proporcionando uma enorme flexibilidade, facilidade logística (em suprimentos e manutenção) e grande economia de custos, tanto para os clientes como para a empresa, haja vista que esta poderá "enxugar" e racionalizar suas linhas de montagem.

Apenas como um exemplo de utilização, uma força militar ou policial poderá utilizar uma TX9 full size para uso em serviço e uma subcompacta como arma de backup, entre outras possibilidades, ambas com o mesmo mecanismo interno.
 
Uma outra opção que será disponibilizada é a versão de competição pré-customizada, fechando assim o ciclo de utilizações da arma: uso pessoal, forças militares, forças de segurança e tiro esportivo.


TX9, por Vicente Ancona, Policial do GER e Professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo

Submetralhadora Taurus RPC (Raging Pistol Carbine): uma arma disruptiva
A Taurus Armas S.A. está preparando também o lançamento de uma revolucionária submetralhadora batizada como RPC (Raging Pistol Carbine).

Conforme a empresa informou anteriormente, a RPC será a mais compacta e mais leve submetralhadora na categoria, com um peso inferior a 2,5 Kg e - em mais um pioneirismo mundial da Taurus - não terá nenhum parafuso.

A arma já poderá sair de fábrica dotada de supressor de ruído (silenciador), acessório que a Taurus começou a produzir em 2023, caso isso seja requerido pelo cliente.

Segundo escreveu o conceituado especialista brasileiro Paulo Bedran e foi confirmado por fontes da empresa, o sistema de preparação adotado é o recuo direto com retardo, utilizando solução com roletes (roller delayed blowback).

Trata-se de mecanismo similar ao usado na HK MP5. Na arma alemã, esse engenhoso mecanismo é responsável por boa parte do seu sucesso e, do ponto de vista técnico, diferencia a MP5 da maioria das demais submetralhadoras, que, via de regra, adotam o sistema de recuo direto simples.

O sistema de roletes cadencia a abertura da câmara e, consequentemente, o movimento do conjunto do ferrolho. Isso impacta, de forma positiva e significativa, a percepção do recuo, melhorando a controlabilidade do conjunto.

O roller delayed blowback, em termos de desempenho, não é um conceito ultrapassado, pelo contrário. A não popularidade atual tem relação com o custo, tendo em vista demandar um dispositivo de maior complexidade mecânica.

Em desenvolvimento já há cerca de cinco anos, a submetralhadora RPC - grande novidade tática da Taurus no calibre 9mm - promete surpreender o mercado e ser uma outra arma revolucionária, com possibilidade de obter enorme sucesso nos mercados militar e de segurança do Brasil e do mundo, com força mais do que suficiente para concorrer com a famosa alemã H&K MP5.




Tecnologias de ponta: Grafeno, Cerakote® Graphene, DLC e Polímero de Fibras Longas
A aplicação de grafeno, em caráter pioneiro no mundo, é uma tecnologia revolucionária e extremamente disruptiva que confere propriedades únicas ao produto e permite que, quando combinado a outros materiais (cerâmicos, poliméricos e metais, por exemplo), passe a emprestar suas propriedades para estes, agregando muito valor ao produto final.

Tal como nas pistolas da linha Graphene e em outras armas mais recentes, a pistola TX9 e a submetralhadora RPC, além de componentes injetados com Grafeno, possuirão um revestimento exclusivo em Cerakote® Graphene, tecnologia exclusiva da Taurus, que traz ainda mais resistência e durabilidade para a arma.

Além disso, contarão ainda com duas outras tecnologias internacionais de ponta: o DLC e o Polímero de Fibras Longas.

O DLC (material que dá ao aço a resistência do diamante - diamond like carbon) consiste em um filme fino de carbono com características físico-químicas próximas ao diamante. É aplicado em superfícies metálicas para garantir novas propriedades, como altíssima resistência ao atrito e à corrosão.

Já o Polímero de Fibras Longas é um material que proporciona maior robustez ao produto, oferecendo resistência ao impacto significativamente melhorada sem sacrificar a resistência e a rigidez, mesmo em temperaturas extremas, além de baratear o custo final.

Tais tecnologias visam proporcionar maior leveza, resistência, robustez e durabilidade à arma, tornando-a também mais imune ao "câncer dos metais" (corrosão), qualidades estas que são muito valorizadas pelo mercado de armamento, quer seja este o de segurança, militar ou civil. Conforme a empresa, o uso de tais tecnologias poderá se constituir em um poderoso diferencial nos EUA e no mundo. 

Fuzil T4: arma construída em protocolo militar

Protocolos de fabricação civil e militar: principais diferenças
Em virtude do uso completamente diferenciado, há significativas diferenças entre os protocolos de fabricação civil e militar.

No militar, a arma deve ser mais robusta, ou seja, deve suportar um número muito maior de tiros e, também, os estresses causados por um uso nas piores condições possíveis, devidas à poeira, lama, areia, água, temperatura, quedas, etc.

Com relação à resistência do cano, por exemplo, enquanto no protocolo civil a arma é estressada com 10 mil tiros durante seu desenvolvimento, no militar esse estresse é elevado aos 60 mil tiros.

Para se ter uma ideia, o cano de um fuzil Taurus T4, por exemplo, é fabricado para resistir até 12 mil tiros, enquanto o cano de um fuzil AR-15 americano de plataforma semelhante (M4), mas fabricado para uso civil (como a imensa maioria nos EUA), só resiste a cerca de 2/3 mil tiros.


04 fevereiro, 2025

Edge of Space anuncia avanços significativos em seu programa de desenvolvimento de motores a propelente sólido


*LRCA Defense Consulting - 04/02/2025

A Edge of Space está anunciando avanços significativos em seu programa de desenvolvimento de motores a propelente sólido. Fundada em 2011 e sediada em Jacareí (SP), a EOS é uma empresa brasileira líder no desenvolvimento de tecnologias de propulsão sólida, líquida e híbrida para os setores espacial e de defesa.

Recentemente, a empresa realizou testes bem-sucedidos com motores foguete de 16 kN de empuxo, utilizando um propelente sólido inovador, 100% nacional e de alta energia, à base de perclorato de amônio. Desde o início de 2024, a Edge of Space acumulou um histórico impressionante de mais de 167 ensaios com motores a propelente sólido. Somente no mês de janeiro de 2025, 10 motores foram testados com total sucesso.

Os ensaios foram realizados nas instalações da Edge, utilizando seu banco de testes estático de 100 kN, que conta com todas as devidas autorizações do Exército para fabricação de propelentes sólidos e dispositivos pirotécnicos. Essa infraestrutura permite validar, com máxima segurança e precisão, o desempenho de seus motores.

Com um empuxo de aproximadamente 15 kN, impulso total de 28 kNs e impulso específico de 235 segundos, este motor reafirma a posição da Edge como uma das poucas empresas capacitadas a desenvolver boosters e motores-foguetes sólidos com excelência, inovação e confiabilidade.

O inovador propelente sólido, totalmente ITAR-FREE, representa um marco para a soberania tecnológica do Brasil no setor aeroespacial, garantindo o acesso irrestrito a tecnologias críticas e impulsionando o desenvolvimento da indústria espacial nacional, sem depender de insumos importados.

ITAR-free são produtos, tecnologias ou componentes que não estão sujeitos ao Regulamento sobre o Tráfego Internacional de Armas (ITAR). Itens livres de ITAR podem ser compartilhados com parceiros internacionais sem a necessidade de licenciamento e aprovação.

Na última semana, foram realizados vários ensaios bem-sucedidos, demonstrando o progresso contínuo na caracterização do propelente, validação de tecnologias de isolamento térmico, otimização e repetibilidade do processo produtivo do propelente em sua planta em Santa Isabel (SP).

Sobre a Edge of Space
A Edge of Space (EOS) nasceu com objetivo de ser uma empresa de tecnologia focada no mercado aeroespacial e tecnologias críticas relacionadas.

Reunindo engenheiros jovens com ideias ousadas, percorreu um caminho que passou por projetos com financiamentos público tais como, Fundação de Pesquisa Estado de São Paulo (FAPESP) fazendo o PIPE 1 e 2, juntamente com a iniciativa privada.

No ano de 2015, a equipe técnica se especializou na fabricação de componentes críticos aeroespacial, principalmente em processos de brasagem de média e elevadas resistência.

Trabalhando com ligas exóticas e juntas brasadas entre materiais dissimilares, consolidou sua posição como a principal fornecedora desta classe de serviço no Brasil.

A Edge of Space está comprometida em fornecer soluções de propulsão de alta performance, seguras e confiáveis, impulsionando o Brasil para a vanguarda da exploração espacial e da defesa nacional.

05 janeiro, 2025

Sobre a entrada de jovens brilhantes para a carreira militar: preocupações para o longo prazo


*Anderson Correia, via LinkedIn - 05/01/2025

Sobre a entrada de jovens brilhantes para a carreira militar, tenho minhas preocupações para o longo prazo. Como vamos atrair os melhores engenheiros e cientistas para este setor, com tantas boas opções em outras carreiras, com muito mais atrativos de curto e longo prazo? Além das questões de amor à pátria, o que levaria um jovem a ficar 35 anos em uma carreira pública?

Tenho a impressão que as gerações mais novas tem dificuldade em se comprometer com uma carreira longa e tão verticalizada. Ainda mais porque os postos atrativos vão ocorrer no médio prazo (10-20 anos). Imagine dizer isso para alguém da geração Z?

No passado, havia o atrativo da estabilidade da carreira e aposentadoria integral. Mas isso vai perdurar nas próximas 3, 4 ou 5 décadas? Com uma dívida pública tão elevada, esses benefícios podem ser alterados.

Temos que lembrar que a carreira militar não envolve apenas a tropa de soldados. Há toda uma tecnologia envolvida. As forças armadas mundo a fora tem investido bastante em computação quântica, setor espacial, armas biológicas, energia nuclear e segurança cibernética. Vamos conseguir estar atualizados com o padrão internacional aqui no Brasil?

Tem outro ponto. A mídia critica muito os militares. Isso deve pesar no consciente dos jovens. Porque seguir uma carreira que é tão bombardeada? Em outros países, ser militar é motivo de honra. Outro dia fui assistir a um jogo de basquete nos Estados Unidos e o locutor pediu para a plateia se levantar porque havia um soldado assistindo ao jogo e todos o aplaudiram, como se fosse um herói.

Claro que sempre haverá os idealistas. Mas um país não pode se sustentar somente com base no sacrifício pessoal, pois tudo tem um limite. E esse setor de tecnologia exige pessoas motivadas. É só notar o ambiente de trabalho das empresas mais inovadoras e veremos que isso não é apenas firula, é algo que impacta na produtividade científica mesmo.

Como cidadão Brasileiro, anseio por Forças Armadas bem avançadas tecnologicamente e com pessoal bem formado e motivado integrando suas fileiras. A segurança de nosso país depende disso.

A maior parte dos Brasileiros às vezes nem sabe, mas há nesse momento vários engenheiros militares cuidando de sua segurança. E a guerra de hoje ocorre na computação, no espaço e em ameaças bem sutis, não é mais só no campo de batalha tradicional. A gente não enxerga os inimigos entrando.

Ter jovens bem formados e motivados para a carreira militar é questão estratégica para nosso país.

*Anderson Correia é Diretor-Presidente do IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas, uma das maiores instituições de ciência e tecnologia do Brasil, Professor Titular e ex-Reitor do ITA.

03 novembro, 2024

O grafeno chega ao mercado

Corpos de prova aditivados com grafeno em ensaio de corrosão - Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

*Revista Pesquisa FAPESP, por Frances Jones - 30/10/2024

O grafeno, agora transformado em produto, está entre nós. Vinte anos depois de ter sido isolado pela primeira vez, o nanomaterial formado por átomos de carbono já pode ser encontrado em artigos à venda no país. Também figura em uma série de inovações tecnológicas em fase avançada de testes. Em um mercado ainda em formação, importadoras ou companhias locais o vendem para ser usado como matéria-prima ou já inserido em soluções desenhadas para produtos diversos, indo de aditivos para tintas e embalagens plásticas a lubrificantes. Principalmente em torno de instituições de ciência e tecnologia, surgem ecossistemas de inovação, fomentando a produção e novas aplicações para o grafeno. Grandes empresas do país nas áreas de petróleo e gás e de mineração testam em campo dispositivos com o cristal bidimensional para usá-los em seu processo produtivo.

Em São Paulo, um dos principais centros de pesquisa e desenvolvimento do material orientado para demandas de mercado é o Instituto Mackenzie de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias (MackGraphe). A unidade iniciou suas atividades em 2013 no campus de São Paulo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com apoio da FAPESP. Um dos idealizadores do MackGraphe, o físico Eunezio Antonio Thoroh de Souza fundou em 2018 uma startup, a DreamTech Nanotechnology, com o objetivo de converter o conhecimento científico do grafeno em tecnologias aplicáveis ao dia a dia. A iniciativa teve a parceria da multinacional chinesa DT Nanotech, responsável pela produção do grafeno comercializado (ver Pesquisa FAPESP nos 284 e 291). Com a distribuidora local MCassab, a startup vem introduzindo o uso do grafeno e de outros materiais bidimensionais no mercado brasileiro. Agora, sua intenção é produzir grafeno em território nacional.

“Estamos em processo de implantação de uma fábrica em Araras, no interior de São Paulo, com capacidade para produzir 200 toneladas de grafeno por ano”, informa Thoroh. “As projeções de crescimento de demanda por grafeno justificam a implantação da nossa fábrica local, que terá como sócios executivos da DT Nanotech. Nossa expectativa é iniciar a fabricação até o final de 2025.” A empresa adotará a tecnologia de produção baseada no método de esfoliação mecânica líquida e irá focar em produtos como tintas anticorrosivas, compósitos, tintas asfálticas, lubrificantes e materiais de construção.

Também em São Paulo, a Gerdau Graphene, uma startup da Gerdau Next, braço de novos negócios da produtora de aço Gerdau, já colocou no mercado sete produtos incorporando o nanomaterial e prevê o lançamento de pelo menos outros três ainda neste ano. No portfólio da empresa, criada em 2021, há aditivos com grafeno para serem usados na produção de filmes poliméricos, matrizes cimentícias, tintas e revestimentos.

Esfoliação de grafite com fita adesiva (à esq.) e solução com grafeno manipulada por pesquisador da UFMG - Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP | Bárbara Cal

“O grafeno é hoje uma realidade comercial”, destaca a química Valdirene Peressinotto, diretora-executiva e de Inovação da Gerdau Graphene. “O nanomaterial confere ganho de propriedades aos materiais em que é incorporado, tornando-os mais resistentes e duráveis”, afirma a pesquisadora. “Nossos aditivos já são fabricados em escala industrial, na casa de toneladas ou milhares de litros. Não se trata mais de algo experimental, restrito a estudos em laboratórios.”

Um Nobel para o grafeno
O primeiro estudo teórico sobre as propriedades elétricas do grafeno é de 1947, mas a história do material no campo da física experimental é bem mais recente. Remonta ao início do século, mais precisamente 2004, quando os físicos Andre Geim – um dos sócios da DreamTech Nanotechnology e da DT Nanotech – e Konstantin Novoselov isolaram na Universidade de Manchester, na Inglaterra, uma única folha de átomos de carbono a partir da esfoliação de uma placa de grafite com uma fita adesiva. Também conhecido por grafita, a grafite é um mineral extraído de jazidas.

Os dois pesquisadores depositaram aquela finíssima camada plana de átomos em um substrato que facilitava a visualização em um microscópio óptico, construíram um pequeno dispositivo e fizeram medições elétricas e magnéticas do material bidimensional. Apesar de ter a existência prevista décadas antes, os cientistas de modo geral achavam que tal material não teria estabilidade suficiente para se manter cristalizado em apenas uma camada. Pelo trabalho, Geim e Novoselov receberam o Nobel de Física em 2010.

Com os átomos organizados em forma de treliça hexagonal, como favos de mel, em um mesmo plano, o grafeno é um material extremamente leve, bastante transparente, flexível e impermeável (ver infográfico abaixo). Tem boa condutividade elétrica e térmica e alta resistência mecânica. Suas propriedades eletrônicas e magnéticas peculiares deram origem a novas áreas da física, como a valetrônica, o estudo das alterações do comportamento dos elétrons do grafeno, e a twistrônica, a investigação dos efeitos produzidos pelo ato de girar uma das folhas de um sistema constituído por duas ou mais camadas de grafeno ou de outros materiais com apenas duas dimensões.

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

O grafeno também abriu o caminho para a física dos sistemas bidimensionais e para o estudo de outros materiais formados por camadas atômicas (layered materials), como a grafite. Assim, a descoberta de Geim e Novoselov teve forte impacto na pesquisa fundamental no campo da ciência dos materiais.

Mercado em expansão
As características singulares do grafeno e dos materiais feitos com ele trouxeram consigo a promessa de ampla aplicação tecnológica em diversos campos da indústria. A consultoria de mercado Fortune Business Insights calcula que o mercado global do material valia US$ 432,7 milhões no ano passado. Até 2032, a estimativa é de que chegue a US$ 5,2 bilhões, um crescimento projetado espantoso em menos de 10 anos.

As aplicações do grafeno e seus derivados se multiplicam no mundo. Ele é empregado na fabricação de eletrônicos, materiais compósitos e baterias. O segmento de nanoplaquetas ou nanoplacas de grafeno (NPG), constituídas por várias camadas de grafeno, foi responsável pela maior parcela do mercado em 2023, segundo a Fortune Business Insights. As indústrias eletroeletrônica, aeroespacial, automotiva, de defesa e de energia encabeçam o consumo do nanomaterial, de acordo com o relatório. A região da Ásia-Pacífico respondeu por 34,4% do mercado, a maior do globo.

“O grafeno tem propriedades que fazem com que ele possa ser utilizado em uma vasta gama de aplicações. Do meu centro de pesquisa já saíram seis companhias e ainda temos outras cinco para desovar”, diz o físico teórico brasileiro Antonio Hélio de Castro Neto, diretor do Centro para Materiais Avançados 2D e do Centro de Pesquisa em Grafeno da Universidade Nacional de Singapura (NUS), um dos principais polos globais de pesquisa sobre grafeno. O físico Novoselov, laureado com o Nobel, integra o quadro de pesquisadores da NUS.

Recipientes com diferentes tipos de grafite e do nanomaterial - Eugênio Sávio

Entre as spin-offs geradas na universidade, destacam-se a NanoMolar, especializada no desenvolvimento de sensores médicos, e a UrbaX, com foco no setor de artigos para a construção civil. Mais de 200 patentes associadas ao grafeno e suas aplicações, resultantes de estudos feitos na NUS, já foram registradas, informa Castro Neto, que fez graduação em física na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e há mais de três décadas está fora do Brasil.

Apesar da demanda crescente em diversas áreas, ainda há desafios a serem superados para que o grafeno se estabeleça de modo mais intenso comercialmente. Um artigo publicado no início do ano por cientistas alemães no periódico 2D Materials indica que boa parte dos fabricantes permanece em um estágio comercial inicial, tendo que enfrentar o duplo desafio de consolidar sua base de consumidores e de garantir o financiamento para escalar a produção. Também há nichos que crescem sem visibilidade pública em razão dos termos de sigilo impostos pelos clientes, que preferem não dar publicidade aos experimentos com grafeno para não chamar a atenção da concorrência e manter o segredo da fórmula na produção.

“O tamanho relativamente pequeno [do mercado] caminha com a perspectiva de forte evolução nos próximos anos, com taxas de crescimento previstas entre 20% e 50% por ano. […] O grafeno não consegue converter imediatamente todas as suas promessas iniciais para um sucesso de mercado estrondoso. A difusão dessa nova classe de materiais bidimensionais leva tempo”, escreveram os autores do artigo na 2D Materials. O estudo foi realizado no âmbito da Graphene Flagship, iniciativa europeia que reúne 118 parceiros industriais e acadêmicos.

O mercado, não só no Brasil, mas no mundo todo, segundo Peressinotto, está em fase de abertura e de consolidação. A diretora da Gerdau Graphene investiga nanomateriais de carbono, como o grafeno, desde 2004, quando ainda trabalhava como pesquisadora no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte, com um grupo ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Grafeno em pó (atrás) e composto aditivado à base de termoplástico e do nanomaterial; preparo de pasta de cimento com material contendo grafeno (à dir.) - Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

O primeiro caso de sucesso da startup que dirige hoje beneficiou a própria Gerdau. Deu-se após um teste industrial executado com o fornecedor de filmes poliméricos usados para empacotar pregos, vendidos pela siderúrgica gaúcha. “Reduzimos a espessura da embalagem em 25%, aumentamos a resistência ao furo e ao rasgo em 30% e diminuímos as perdas do processo em mais de 40%”, ressalta Peressinotto. Com a incorporação do aditivo na linha de empacotamento dos pregos, a Gerdau pôde economizar cerca de 72 toneladas de plástico ao longo de um ano.

A Gerdau Graphene, que desenvolve seus produtos em parceria com o Centro de Inovação em Engenharia de Grafeno (Geic), ligado à Universidade de Manchester, compra o grafeno usado em seus aditivos de produtores do Brasil, do Canadá, dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Espanha, da Austrália, entre outros países. A importação, explica Peressinotto, é necessária porque o país ainda não tem quem produza o insumo nos formatos exigidos pela companhia, na quantidade suficiente e com o custo competitivo.

No Brasil, o novo material tem sido usado principalmente em aplicações que exploram suas propriedades mecânicas. “As grandes aplicações do grafeno no país ainda são em tintas, elastômeros [polímeros com propriedades elásticas], compósitos, embalagens e cimento. São usos ligados a materiais mais pesados, incluindo os da construção civil e os do setor automotivo”, afirma o físico Luiz Gustavo Cançado, da UFMG. Ex-coordenador do Projeto MGgrafeno, criado em 2016, o pesquisador e sua equipe desenvolveram um processo-piloto de produção em ampla escala do material e testaram mais de 20 aplicações.

“O grafeno é muito resistente mecanicamente. É preciso imprimir muita força para que ele se rompa. Ao misturá-lo com polímeros, borrachas, cimento ou cerâmicas, ocorre uma melhoria geral das propriedades mecânicas do material resultante”, sustenta o físico Marcos Pimenta, também professor da UFMG. “Mas não é fácil desenvolver e produzir esse material.”

Laboratório da Gerdau Graphene voltado a criar soluções com grafeno para construção civil - Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

Pioneiro nos estudos de nanomateriais de carbono no país, Pimenta criou e dirigiu por 10 anos o Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CTNano) da UFMG, onde hoje, em um espaço de 3 mil metros quadrados, cerca de 100 pessoas trabalham em 10 laboratórios para desenvolver soluções e tecnologias sob demanda. “No começo, eram principalmente projetos para duas empresas. Hoje temos várias iniciativas em andamento com companhias de diferentes setores”, conta o pesquisador.

De acordo com o físico Rodrigo Gribel Lacerda, atual coordenador-geral do CTNano, que se tornou uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o centro firmou até agora parcerias com 15 empresas. Entre os projetos mais avançados está um nanossensor feito com nanotubos de carbono (camadas de grafeno enroladas em forma de cilindro) para monitorar a concentração de dióxido de carbono no gás natural extraído dos poços de petróleo do pré-sal.

“Estamos na fase de homologação do dispositivo, criado em parceria com a Petrobras. Falta realizar os testes em ambiente real para virar um produto comercial”, ressalta Lacerda. Também nessa etapa de desenvolvimento há outro sensor de deformação para maquinários usados na atividade mineradora. Em um terceiro projeto, o objetivo é empregar o grafeno como filtro para purificação da água.

O Rio Grande do Sul sedia uma das primeiras fábricas de grafeno em operação no país. Fruto de um projeto da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a UCSGraphene, em Caxias do Sul, está em operação desde março de 2020. A unidade, vinculada à Embrapii, utiliza a rota de esfoliação em fase líquida para desenvolvimento e produção do grafeno e de outros materiais ricos em carbono. Sua capacidade de produção supera 1 tonelada por ano.

Chip com nanossensor de grafeno para detecção de gases, feito na UFMG - Bárbara Cal

“Além de desenvolver grafeno a partir da grafite e de outras fontes de carbono, nós nos dedicamos à criação de soluções tecnológicas contendo o nanomaterial e seus derivados, e a rotas produtivas focadas em outras nanoestruturas à base de carbono, como óxido de grafeno e grafenos modificados”, conta o engenheiro de materiais Diego Piazza, coordenador da UCSGraphene, que atua em parceria com outras empresas e institutos de ciência e tecnologia.

“Entre os diversos desenvolvimentos tecnológicos e estudos do uso do grafeno e derivados realizados por nossa equipe, está a sua utilização em materiais compósitos [polímeros, cerâmicas e metais], equipamentos de proteção, lubrificantes, tintas e revestimento, sistemas de filtração, medicina regenerativa e peças técnicas”, diz Piazza, que também é professor na UCS. “Várias de nossas soluções já estão sendo comercializadas nos setores de moda, mobilidade, logística, entre outros.”

Na capital mineira, outra instalação com condições de produção industrial prepara-se para lançar uma oferta pública de tecnologias. O CDTN abriga uma planta construída no âmbito do Projeto MGgrafeno, da UFMG, em parceria com a estatal Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), com capacidade para fabricar cerca de 1 tonelada por ano. “Com o edital, pretendemos transferir a tecnologia que criamos para interessados em produzir grafeno para exploração comercial e industrial”, diz Cançado, da UFMG. A ideia é de que o parceiro privado utilize as instalações do CDTN.

A universidade detém, com o CDTN, a cotitularidade da propriedade intelectual gerada no projeto, relacionada à rota desenvolvida para a produção de grafeno, baseada na esfoliação em fase líquida da grafite. O pesquisador explica que um dos grandes desafios para expandir as aplicações e o uso do material comercialmente é conseguir fabricá-lo em grande escala por um processo reprodutível.

Biossensor com o nanomaterial para exame de glicemia, criado pela NanoMolar, de Singapura - NanoMolar

Outra dificuldade é estabelecer normas para produção, controle de qualidade e segurança do insumo. Por fim, é necessário ter informações confiáveis sobre o material, que garantam que se trata realmente de grafeno e não de outra forma alotrópica do carbono, como grafite. Alótropos são substâncias simples formadas pelo mesmo elemento químico, com variação do número de átomos ou de sua estrutura cristalina.

A demanda por controlar a qualidade do grafeno que circula no país, seja ele nacional ou importado, chegou ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Desde o ano passado, a entidade trabalha no desenvolvimento de um selo de conformidade por meio de um programa de certificação para o grafeno, programa conhecido informalmente como PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do grafeno. A previsão é de que ambos sejam lançados em meados de 2025.

“Quando o grafeno superou o estágio da pesquisa acadêmica e virou um produto comercial, o Inmetro percebeu que devia criar métodos de medição [para verificar o número de camadas de grafeno e a pureza do material contido no produto] e elaborar um conteúdo de referência para orientar a realização de testes visando a conformidade do material a determinadas normas de ensaio. Com a ABNT [Associação Brasileira de Normas Técnicas], elaboramos as normas para identificar e classificar esse nanomaterial”, relata a química Joyce Rodrigues de Araújo, responsável pelo Laboratório de Fenômenos de Superfície e Filmes Finos (Lafes) da Divisão de Metrologia de Materiais e Superfícies do Inmetro. Ela ganhou em 2024 o prêmio 25 Mulheres na Ciência, promovido pela empresa 3M, pelo trabalho no desenvolvimento de um biografeno, produzido a partir do processamento de biomassas, como casca de arroz e bagaço de cana-de-açúcar.

Araújo explica que raramente o que se tem em produtos comerciais é a monocamada de grafeno, como a produzida na Universidade de Manchester em 2004. “O grafeno engloba uma família de compostos que diferem entre si pelo número de camadas que os constitui e o formato com os quais se apresentam”, afirma a pesquisadora. Inclui, por exemplo, o grafeno original, de uma só camada, o de múltiplas camadas e as nanoplacas de grafeno (ver infográfico abaixo).

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

“Nosso trabalho no Inmetro é definir a família, o modelo, se é grafeno em pó ou em suspensão líquida. Também estabelecemos as técnicas de ensaio que serão utilizadas pelos laboratórios que vão ser acreditados para certificar o material”, pondera a pesquisadora.

Em meio às dúvidas sobre o que pode ser chamado de grafeno, a Organização Internacional de Normalização (ISO) publicou normas sobre o tema, que foram traduzidas para o português. Elas indicam que se considera grafeno um material de carbono com até 10 camadas atômicas –ou seja, até 10 folhas de átomos de carbono empilhadas uma sobre a outra. Quando há duas camadas, chama-se bicamada de grafeno. Entre três e 10 camadas, fala-se em grafeno de poucas camadas. “Acima de 10, ainda não há um consenso sobre a nomenclatura a ser adotada. No momento, utiliza-se a definição de nanoplacas de grafeno, desde que o material tenha pelo menos uma dimensão na nanoescala, até 100 nm [nanômetros]”, explica Araújo.

“Há uma grande discussão sobre até onde é grafeno. Quando se passa de uma para duas camadas e de duas para três, a estrutura eletrônica do material muda muito. Com mais de 10 camadas fica mais parecido com grafite. A monocamada, o grafeno original, entretanto, nem sempre é o mais interessante para as aplicações tecnológicas”, ressalta Cançado. “Pode acontecer que o de mais camadas se adéque melhor à finalidade desejada. É possível afirmar que, para a maioria das aplicações atuais, o grafeno de pouquíssimas camadas, entre uma e três, não é o mais indicado.”

O método de produção do material, explica Cançado, interfere no tipo de grafeno que se obtém, e cada um deles tem propriedades diferentes, que podem ser adequadas aos diferentes usos. Além disso, por vezes outros materiais bidimensionais são incluídos na família dos materiais relacionados ao grafeno. A esfoliação mecânica foi o primeiro método usado para isolar o grafeno, mas ele também pode ser obtido a partir da deposição química em fase vapor (CVD) ou esfoliação em fase líquida (ver infográfico abaixo).

Alexandre Affonso / Revista Pesquisa FAPESP

O preço do nanomaterial, afirmam os especialistas, varia muito no mercado global. Segundo Thoroh, da DreamTech Nanotechnology, o quilo do grafeno monocamada com alta pureza pode custar US$ 2 mil. “Já os grafenos com poucas camadas que comercializamos custam aproximadamente US$ 300 a US$ 350 o quilograma”, diz.

O Brasil tem tradição e contribuições expressivas no trabalho de caracterização do material. Pesquisadores do país vêm desenvolvendo o campo científico dos nanomateriais de carbono desde a década de 1990. Em artigo publicado em 2019 no Brazilian Journal of Physics, Pimenta e colegas descrevem o papel da colaboração entre grupos brasileiros e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, para o estabelecimento dessa ciência no país.

A física norte-americana Mildred Dresselhaus (1930-2017), então professora emérita do MIT e considerada a “rainha da ciência do carbono”, visitou o Brasil 12 vezes entre 2001 e 2013. “Antes mesmo do estudo pioneiro com grafeno de Novoselov e Geim em 2004, os cientistas brasileiros deram contribuições importantes para a ciência da grafite e os sistemas grafíticos”, afirmam os autores no artigo.

“Trabalho com isso desde 1999, antes que meus antigos compatriotas fizessem a extração do grafeno”, conta o físico experimental russo Yakov Kopelevich, do Instituto de Física da Unicamp e autor de artigos com centenas de citações sobre o tema, entre eles um publicado em abril de 2003 na Physical Review Letters sobre o comportamento da grafite no limite quântico.

Ilustração mostra vários materiais bidimensionais, entre eles o grafeno, empilhados - Jing Li (School of Chemistry, Beihang University, China)

Castro Neto, da NUS, afirma que o seu primeiro artigo sobre grafeno foi rejeitado em todos os periódicos aos quais foi submetido com a explicação de que “não existe tal coisa como o grafeno”. “Por muito tempo, ninguém acreditava na existência de materiais bidimensionais, pois não se achava que eles seriam estáveis o suficiente para se manter”, lembra o pesquisador.

Em 99% dos materiais, diz o professor da NUS, os elétrons se propagam dentro do material como uma partícula livre, que tem massa e inércia. “No grafeno, em razão de a rede cristalina ser hexagonal, os elétrons se propagam com velocidade como se fossem objetos sem massa. Do ponto de vista teórico, isso era interessante. Um novo tipo de partícula se propagando no material.” Em 2009, o pesquisador brasileiro publicou na Reviews of Modern Physics um estudo detalhando as propriedades eletrônicas do grafeno.

Além de abrir a área das investigações de materiais com apenas duas dimensões, o grafeno também inaugurou a chamada twistrônica. Em 2018, pesquisadores do MIT descobriram um “ângulo mágico” no grafeno, ao desalinhar em exatamente 1,1 grau duas folhas do material (ver Pesquisa FAPESP nº 302). Com esse desalinhamento, o grafeno vira um supercondutor. Isso, contudo, precisa ocorrer em temperaturas extremamente baixas, o que acaba por dificultar sua aplicação prática. Na UFMG, os pesquisadores investigam outros ângulos de rotação, de até 30 graus. Um artigo do grupo da universidade mineira com esse tema foi capa da revista Nature em 2021.

Em 2024, a mesma equipe, coordenada por Cançado, da UFMG, e pelo físico Ado Jório, da mesma universidade, publicou um artigo de capa da revista Carbon sobre o estudo dos defeitos do grafeno usando a técnica de espectroscopia de Raman. O paper, que descreve a história da pesquisa para o aprimoramento da metrologia de nanomateriais, indica que o Brasil é referência na área, segundo publicação da Sociedade Brasileira de Física. O controle das propriedades do grafeno é crucial para a fabricação de dispositivos e para o processamento de informações, concluíram os autores do estudo.


20 outubro, 2024

Projeto RATO-14X tem primeira reunião na sede da Mac Jee


*LRCA Defense Consulting - 20/10/2024

No dia 15 deste mês, na fábrica da Mac Jee em São José dos Campos, foi dado início oficialmente ao desenvolvimento do Projeto RATO-14X com a primeira reunião das equipes da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP ), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), do Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA e da CLC - Castro Leite Consultoria, juntamente com os engenheiros da Mac Jee.


O RATO-14X será o sistema responsável por impulsionar a aeronave hipersônica 14-X, da Força Aérea Brasileira (FAB), até as condições ideais de voo, garantindo uma operação segura e precisa. 
 
Este projeto faz parte do Programa de Propulsão Hipersônica (PROPHIPER), que tem como objetivo posicionar o Brasil na vanguarda da tecnologia aeroespacial, com o desenvolvimento de veículos hipersônicos equipados com motores Scramjet. 

19 outubro, 2024

Parceria tecnológica entre Taurus e UFSC visa o desenvolvimento de ligas e novas tecnologias em materiais

 

*LRCA Defense Consulting - 19/10/2024

Na semana passada, a Taurus recebeu integrantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), incluindo professores, coordenadores e pesquisadores do Laboratório de Materiais da universidade. 

A visita faz parte dos projetos "Desenvolvimento de ligas sinterizadas e processos de tratamento de superfícies para a indústria de defesa" e "Novas Tecnologias em Materiais", realizados em parceria com a UFSC, onde os participantes discutiram os avanços nas pesquisas. 

Com o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/Estados Unidos (CITE), que conta com mais de 250 engenheiros, a Taurus investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento, avançando de forma exponencial em inovações de produtos, processos e novos materiais, adicionando ao portfólio produtos cada vez mais competitivos, inéditos e alinhados com o desenvolvimento de novas tecnologias e, consequentemente, ao desejo dos consumidores.

Nos últimos anos, além da UFSC, a Taurus tem estabelecido parcerias com universidades e institutos de pesquisa, tais como a Unisinos e a Universidade de Caxias do Sul, buscando soluções tecnológicas avançadas que possam viabilizar novos e diferenciados produtos, alguns deles com utilizações que vão além da Indústria de Defesa.

Com isso, ganha a academia por incentivar e estimular seus discentes e docentes à pesquisa e à descoberta de tais soluções inovadoras, ganha a empresa por poder contar com novos e tecnológicos produtos, e ganha também o País por fomentar a indústria e a pesquisa acadêmica, além de gerar mais divisas, empregos e economia de custos.

Para além da Indústria de Defesa
Algumas das inovações tecnológicas desenvolvidas pela Taurus e seus parceiros têm aplicabilidades que ultrapassam a Indústria de Defesa e se situam em outras áreas do setor produtivo, também de total interesse para o Brasil.

Um exemplo mais recente, além de ligas com grafeno e nióbio, é a utilização da tecnologia Metal Injection Molding (M.I.M.) para a produção de peças com os diferenciais desta tecnologia de alta performance, que permite a produção de produtos de geometria complexa, com alta precisão, baixo custo e em grande escala, com aplicações em variados segmentos no Brasil e no exterior, tais como componentes automotivos, aeroespacial, defesa, eletrônicos, bens de consumo, ortodontia, instrumentos médicos, entre outros. 

Esta tecnologia foi exposta na semana passada na Mercopar 2024, onde a Taurus MIM esteve presente em caráter pioneiro, como mostram as "Leituras recomendadas" no final da matéria.






Leituras recomendadas:
- Taurus MIM está na Mercopar 2024, maior feira de Inovação e Negócios da América Latina 

- Taurus MIM: nasce uma nova e promissora indústria gaúcha


10 outubro, 2024

MCTI, Finep e Embraer firmam acordo de R$ 126,7 milhões para pesquisa em aviação sustentável e tecnologias inovadoras


*LRCA Defense Consulting - 10/10/2024

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Embraer assinaram, nesta quinta-feira (10), um acordo de investimento de R$ 126,7 milhões para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à aviação sustentável. O anúncio ocorreu durante a visita da ministra Luciana Santos à sede da Embraer, em São José dos Campos (SP), ao lado do presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto e do presidente da Finep, Celso Pansera.

A FINEP utilizará recursos não reembolsáveis de subvenção econômica do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para realizar 50% do aporte. A outra metade virá integralmente como contrapartidas da Embraer.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e de alta complexidade, que permitirão projetar e fabricar asas de alta eficiência aerodinâmica e estrutural em material compósito. Também consta no escopo do projeto o estudo da viabilização de tecnologias associadas à sistemas autônomos, com ênfase em segurança e redução de carga de trabalho da tripulação. A prontidão tecnológica dessas duas frentes de pesquisa tem potencial de permitir no futuro o desenvolvimento de aeronaves mais leves, eficientes e com menores emissões de carbono.

O projeto foi aprovado por meio de chamada pública do “Mais Inovação Brasil”, maior programa de apoio à inovação da história do governo federal, que busca a promoção da reindustrialização nacional, com foco nas missões prioritárias de promover o direito à saúde e à segurança sanitária, a transformação digital, a transição energética e a defesa nacional.  

A ministra Luciana Santos destacou a parceria para o desenvolvimento da soberania nacional. “A Embraer é um exemplo do impacto que a inovação pode gerar quando o conhecimento científico se alia ao investimento público. Essa parceria representa o que podemos fazer quando unimos a inteligência brasileira ao estímulo estatal”, enfatizou.

O presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, também reforçou a importância do projeto. “"As inovações tecnológicas geradas por este projeto pavimentarão o caminho para que a indústria aeroespacial brasileira assuma maior protagonismo global. Com o acúmulo de conquistas em pesquisa e desenvolvimento, estamos preparados para acelerar o futuro da aviação sustentável do futuro”.


Parceria de sucesso

A parceria entre Embraer e MCTI/Finep, que começou em 2006, já resultou em diversos projetos de inovação, como o desenvolvimento de satélites por meio da Visiona, coligada da Embraer. O uso de subvenção econômica para a inovação é uma prática comum em países desenvolvidos e segue as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), com o objetivo de fortalecer a competitividade e inovação das empresas brasileiras.

O acordo representa mais um passo para o Brasil na corrida pela aviação sustentável e reafirma o compromisso do governo federal com o avanço tecnológico e a sustentabilidade no setor industrial.

O presidente da Finep, Celso Pansera, enfatizou a longeva parceria com a Embraer: “A Embraer é historicamente a empresa mais apoiada pela Finep e seguirá contando com nossos recursos para enfrentar os desafios da aviação do futuro. Foram mais de R$ 1 bilhão ao longo de 18 anos em recursos para o desenvolvimento de projetos que contribuem para uma maior sustentabilidade da aviação”, finalizou.

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