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28 agosto, 2026

Taurus confirma virada estratégica e amplia core: de armas leves para veículos não tripulados

Em entrevista exclusiva ao LRCA, o CEO Global Salesio Nuhs detalha portfólio de doze sistemas, nova governança e estratégia de financiamento, mas mantém sob sigilo contratual o nome do parceiro tecnológico do projeto e uma negociação internacional em curso



*LRCA Defense Consulting - 28/08/2026

A Taurus Armas está promovendo a mudança mais significativa de seu posicionamento estratégico desde a migração de armas curtas para armas coletivas: a incorporação de sistemas aéreos e terrestres não tripulados ao núcleo do negócio, ao lado das armas leves que sustentam a companhia há 87 anos. O movimento foi anunciado publicamente durante o COP International 2026, realizado em São Paulo entre 11 e 13 de agosto, e detalhado em entrevista exclusiva concedida pelo CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, ao LRCA.

“Não estamos apresentando novos produtos. Estamos apresentando uma nova Taurus”, resumiu Nuhs durante sua participação no evento, ao lado de Gelson Cardoso, gerente de inovação da companhia. A frase sintetiza um processo que começou de forma discreta no fim de 2024 e ganhou corpo ao longo de 2026, com demonstrações ao comando do Exército Brasileiro, articulação com o Corpo de Fuzileiros Navais e negociações de financiamento com órgãos federais de fomento. 

UAV de ataque (drone lançador de munição)

UAV kamikase (drone suicida)

UAV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

Um portfólio de doze sistemas, ainda sem nome oficial 
Material institucional obtido pela reportagem, usado pela companhia em apresentação ao Exército Brasileiro, detalha um ecossistema de doze plataformas: sete sistemas aéreos (UAV ISR, UAV Kamikaze, UAV de Ataque, UAV TAS, UAV Cargo e VTOL, além do Cyber Swarm, tecnologia de enxame) e cinco terrestres (UGV EOD, UGV ISR, UGV TAGS, UGV Cargo e UGV Cleaner), somados a sistemas complementares como o Cyber Launcher, hub móvel de lançamento de drones, o Cyber DiB, drone em caixa autônoma, e o Tars K9, quadrúpede modular.

O material trazia o nome “Taurus Cyber Robotics” associado ao conjunto, mas Nuhs esclareceu ao LRCA que essa denominação não é oficial. “A divisão de sistemas não tripulados ainda está em processo de estruturação e, portanto, ainda não possui uma denominação definitiva. O nome Taurus Cyber Robotics, utilizado anteriormente, foi apenas um título empregado em uma apresentação interna realizada para o Exército Brasileiro e não corresponde à denominação formal da nova divisão”, afirmou o CEO. 

VTOL (drone de asa fixa multipropósito)

UAV Cargo (drone de logística)


Cyber Swarm (enxame de drones de reconhecimento e ataque)

Do ‘soldado voador’ ao TAS disparando munição real 

A origem do projeto remonta a dezembro de 2024, quando Nuhs revelou, durante o Taurus Investor Day, em São Paulo, que a companhia estudava, com uma fabricante italiana de drones, o conceito de um “soldado voador” armado com uma submetralhadora ultraleve em desenvolvimento. Ao longo de 2025, o conceito evoluiu para o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero configurável com o fuzil Taurus T4 5,56mm, a pistola-metralhadora Taurus RPC de 9mm ou lançador de granadas de 40mm, apresentado na LAAD Defence & Security 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade.

Em maio de 2026, no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, o TAS disparou munições reais contra alvos. O comando do Exército também assistiu, segundo o release do COP International, à demonstração de uma configuração para lançamento de munição de morteiro de 120mm. Segundo Nuhs, o TAS não foi um desvio de rota, mas uma antecipação deliberada. “O que fizemos foi antecipar especificamente esse desenvolvimento para demonstrar, na prática, nossa capacidade tecnológica e assumir o protagonismo de sermos o primeiro fabricante de armas a integrar uma arma a um drone, controlar seu voo e realizar com sucesso o disparo e o acerto do alvo”, disse. 

TAS dispara munições reais contra alvos no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre

O que a Taurus mantém internamente, e o que terceiriza 

Questionado sobre a origem da tecnologia, já que drones aéreos e terrestres são áreas historicamente alheias ao core da companhia, Nuhs afirmou que a estratégia não é desenvolver cada componente do zero. “O mercado já possui componentes amplamente consolidados e validados em áreas como baterias, sensores, sistemas de comunicação e parte da eletrônica embarcada. O foco da Taurus está nas tecnologias que realmente agregam diferencial competitivo, capacidade operacional e soberania tecnológica”, disse, citando como prioridades internas as camadas de integração, software de missão, autonomia, inteligência artificial aplicada, comando e controle e integração de armamentos.

Sobre a capacidade de levar os doze sistemas à produção seriada, o CEO foi categórico: “Não dependemos de parceiros para viabilizar a produção seriada dos sistemas. Os parceiros complementam nossa capacidade, fornecendo tecnologias e hardware especializados, enquanto a Taurus mantém o domínio da engenharia do produto, da integração dos sistemas, da industrialização, dos testes, da certificação e do suporte ao ciclo de vida”. 

UGV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

UGV TAGS (drone para apoio de fogo armado)

UGV Cleaner (drone de crearance & desminagem)

UGV EOD (drone de intervenção e manipulação)

Nova governança para dois negócios distintos 
A companhia já promoveu uma reorganização de sua Diretoria para acomodar a nova frente de negócio. Jean Castilhos foi promovido a Diretor de Engenharia, Armas, Munições e Acessórios, com a missão de preservar foco e continuidade no core tradicional da companhia. Leonardo Sesti, que já dirigia o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), permanece no cargo, mas passa a atuar de forma mais voltada aos veículos não tripulados. Segundo a empresa, a mudança não exigiu aprovação do Conselho de Administração, por se tratar de decisão de alçada executiva.

“Cada negócio passa a contar com liderança e responsabilidades claramente definidas, evitando dispersão de foco”, justificou Nuhs, que também rebateu, de forma direta, a leitura de que a expansão para sistemas não tripulados representaria um salto maior do que a capacidade da companhia. “Evoluímos das armas individuais, como revólveres e pistolas, para as armas coletivas, incluindo fuzis e metralhadoras, e agora avançamos para sistemas não tripulados. É uma ampliação progressiva das nossas competências dentro do mesmo ambiente de defesa e segurança, e não uma diversificação para um setor sem relação com aquilo que já fazemos”, afirmou.

Financiamento sob demanda, sem valores fechados 
A Taurus evita, por ora, divulgar o investimento total previsto para a nova área. Segundo a empresa, o planejamento estratégico prevê que o desenvolvimento da nova área seja realizado de forma gradual e financeiramente disciplinada, com utilização prioritária de instrumentos públicos de fomento à inovação, incluindo editais de subvenção econômica da Finep, nos quais parte dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pode ser suportada por recursos não reembolsáveis. A companhia também mantém tratativas com o BNDES e poderá realizar aportes próprios dentro do orçamento vigente, preservando sua geração de caixa e sem comprometer os investimentos e a operação do negócio tradicional.

A empresa evitou, também, comentar como a aquisição em curso da fabricante turca de armas coletivas Mertsav Savunma se concilia, no fluxo de caixa, com os investimentos em sistemas não tripulados, informando apenas que ambos os projetos seguem o mesmo princípio de disciplina financeira e que valores não serão antecipados antes da conclusão da due diligence

Cyber Laucher (drone lançador de múltiplos UAVs)

UGV Cargo (resgate e logística)


Cyber Dib (drone em caixa autônoma)

Parceiro do TAS e negociação internacional seguem em sigilo

Nem todas as perguntas enviadas pelo LRCA foram respondidas em detalhe. A Taurus confirmou que existe cláusula contratual que impede a divulgação do nome do fabricante brasileiro de drones do agronegócio, parceiro no desenvolvimento do TAS. A empresa também confirmou que negocia uma primeira aquisição internacional de um sistema de menor escala, mencionada no release do COP International, mas não revelou país, cliente ou sistema envolvido, alegando compromissos de confidencialidade.

Questionada diretamente se avalia comprar, licenciar tecnologia ou formar uma joint venture com alguma empresa de drones para viabilizar o portfólio de doze sistemas, a Taurus respondeu que a possibilidade não está descartada, embora não haja negociação em curso nesse sentido no momento.

Protocolo com o CFN segue em vigor, em paralelo ao Exército 
Um ponto que parecia contraditório entre a cobertura anterior do LRCA e a fala do CEO foi esclarecido ao longo das perguntas enviadas pela reportagem. Em maio de 2026, o LRCA havia noticiado que o Corpo de Fuzileiros Navais assinara protocolo de intenções com a Taurus para o desenvolvimento de um drone armado destinado a tropas anfíbias. Nuhs, por sua vez, havia dito que o desdobramento do projeto para a Marinha viria “em uma etapa seguinte” à validação com o Exército. Questionada sobre a aparente contradição, a empresa esclareceu que o protocolo com o CFN segue vigente e está sendo tratado de forma concomitante ao trabalho já em curso com o Exército, e não apenas em etapa posterior.
TARS K9 (Taurus Robotic Soldier K9)


O contexto: uma Base Industrial de Defesa em ebulição 
A movimentação da Taurus ocorre em meio a um adensamento acelerado do segmento de sistemas não tripulados na Base Industrial de Defesa brasileira. Em maio de 2026, o Exército recebeu o primeiro robô EOD inteiramente produzido no País, fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP). No campo aéreo, a XMobots avança com a versão armada do Nauru 1000C, equipado com mísseis Enforcer Air desenvolvidos com a MBDA, além do conceito de enxame do Nauru 100D. O Estado-Maior do Exército mantém, ainda, consulta pública aberta para a aquisição de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de categoria 3 (SARP 3), sinalizando que o emprego de aeronaves armadas deve deixar de ser exceção nas Forças Armadas brasileiras nos próximos anos.

O que ainda falta esclarecer 
A Taurus chega ao fim desta apuração com um discurso consistente sobre governança, disciplina financeira e divisão de competências entre o que desenvolve internamente e o que terceiriza. Ao mesmo tempo, mantém sob sigilo contratual informações que normalmente pesam na avaliação de risco de um projeto dessa envergadura: o nome do parceiro tecnológico central do TAS, os termos da negociação internacional em andamento e o valor total a ser investido na nova frente de negócio ao longo dos próximos anos. A empresa também não estabeleceu, até o momento, um teto de investimento ou um percentual de receita que sirva de limite para o projeto, condicionando o ritmo de expansão à disponibilidade de recursos de fomento e à evolução dos requisitos operacionais definidos junto às Forças Armadas. 


Uma aposta alinhada à guerra do futuro 

O momento escolhido pela Taurus para essa virada não é aleatório. Conflitos recentes, da Ucrânia ao Oriente Médio, consolidaram os sistemas não tripulados como elemento decisivo do campo de batalha contemporâneo, capazes de neutralizar blindados, artilharia e ativos de alto valor a um custo muito inferior ao das plataformas que substituem. Diante dessa mudança de paradigma, fabricantes tradicionais de armamento em todo o mundo enfrentam a mesma escolha: adaptar-se à lógica dos sistemas autônomos e integrados, ou correr o risco de ver seu portfólio tradicional perder relevância estratégica diante de forças mais bem equipadas para o combate não tripulado.

Ao decidir alterar seu próprio core de negócio, incorporando robótica e inteligência artificial à sua base histórica em armas leves e coletivas, a Taurus se posiciona no lado ofensivo dessa transformação, e não no reativo. É uma postura de inovação pouco comum entre fabricantes tradicionais, que tendem a proteger o negócio consolidado até que a disrupção se torne inevitável. Se a companhia conseguir sustentar essa transição com a mesma disciplina de governança e capital que hoje descreve em discurso, o resultado pode ser uma Taurus estrategicamente mais relevante do que jamais foi como fabricante apenas de armas leves: uma das poucas empresas de defesa mundiais capazes de entregar, sob uma mesma marca, todo o espectro que vai do revólver ao sistema autônomo integrado.

Essa aposta também carrega um fator que não pode ser desprezado na avaliação de risco: o histórico do próprio executivo à frente da decisão. Salesio Nuhs assumiu o comando global da Taurus em 2018, quando a companhia enfrentava dificuldades financeiras severas e chegou a ser cotada como candidata a uma recuperação judicial. Em pouco mais de meia década, sob sua gestão, a empresa se reergueu a ponto de se tornar a maior vendedora de armas leves do mundo em volume, em um turnaround considerado "de livro" no setor. Se as mesmas características de liderança, iniciativa e capacidade de execução que sustentaram essa recuperação se repetirem na nova frente de sistemas não tripulados, as chances de que o movimento atual também dê certo são, no mínimo, consideráveis.

O tamanho dessa aposta, porém, é proporcional ao risco de execução. O sucesso deste novo turnaround dependerá menos do portfólio já demonstrado, e mais da capacidade da empresa de transformar protótipos e demonstrações em contratos recorrentes, sem comprometer o caixa nem a rentabilidade do negócio tradicional que ainda sustenta a companhia. É essa equação, entre ousadia estratégica e disciplina de execução, que definirá se a Taurus estará indo além do que suas capacidades permitem ou se, realmente, liderará a próxima geração da indústria de defesa brasileira.

05 agosto, 2026

ARES e Ambipar Robotics discutem integração de sistemas de armas em UGVs

Visita técnica entre as duas empresas brasileiras abre conversa exploratória sobre armar plataformas robóticas terrestres, em movimento que se soma a outras iniciativas de robotização em curso na Base Industrial de Defesa
 


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LRCA Defense Consulting - 05/08/2026

A ARES Aeroespacial e Defesa recebeu, no início de agosto de 2026, uma visita técnica da Ambipar Robotics, em encontro que incluiu troca de experiências, apresentação de capacidades e discussões sobre a integração dos sistemas de armas da ARES em veículos terrestres não tripulados (UGVs, na sigla em inglês). A informação foi divulgada pela própria ARES em publicação institucional na rede social LinkedIn, na qual a empresa descreveu o encontro como um reforço do relacionamento entre companhias que atuam no desenvolvimento de tecnologias para os setores de defesa e segurança.
A publicação não detalha cronograma, escopo contratual ou modelo específico de UGV envolvido nas conversas. Trata-se, segundo o texto divulgado, de um encontro voltado à troca de conhecimentos e perspectivas para o futuro, o que caracteriza a aproximação, neste momento, como estágio exploratório de integração, sem confirmação de protótipo físico ou de acordo formal entre as partes.
O portfólio da ARES
A ARES é uma empresa brasileira com mais de 50 anos de atuação, subsidiária da israelense Elbit Systems desde 2010, dedicada ao planejamento, desenvolvimento, fabricação e integração de estações de armas, sistemas navais e equipamentos optrônicos. Seu principal produto em uso operacional é o REMAX, sistema de armas remotamente controlado presente em viaturas como a VBTP-MSR e a VBMT-LSR Guarani, do Exército Brasileiro. 
Em novembro de 2025, a empresa apresentou também o SARC UT30BR2, torre não tripulada equipada com canhão automático Mk44 Bushmaster II de 30x173mm, metralhadora coaxial de 7,62x51mm e lançador de granadas fumígenas de 76mm, versão atualizada do SARC UT30BR já em uso pelas brigadas mecanizadas do Exército.
A Ambipar Robotics e a robotização terrestre
A Ambipar Robotics, sediada em Jacareí (SP), consolidou presença crescente junto ao Exército Brasileiro ao longo de 2026. Em julho, a empresa entregou ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate o primeiro robô de neutralização de artefatos explosivos (EOD) inteiramente desenvolvido no País, destinado à certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU. A mesma empresa fornece ainda a plataforma robótica sobre esteiras utilizada pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) como base para os estudos do Sistema de Veículos Terrestres Remotamente Pilotados (SVTRP).
Em 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no CTEx, no Rio de Janeiro, essa mesma plataforma foi apresentada publicamente armada com um lançador duplo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, em parceria com a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico) e apoio técnico do próprio CTEx. Até o momento, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro divulgaram nota oficial detalhando cronograma de testes, adoção ou produção em série dessa configuração.
Um precedente já testado
A combinação entre plataforma robótica e sistema de armas da ARES não seria inédita no País. Em anos anteriores, o Exército Brasileiro testou o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX, da própria ARES. O precedente indica que já existe validação técnica prévia da integração entre estações de armas da empresa e plataformas robóticas terrestres, ainda que, naquele caso, sobre um chassi importado.
Leitura do movimento
Caso a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics avance para integração formal, o Brasil passaria a ter dois caminhos paralelos de UGV armado com componentes nacionais: um voltado ao engajamento de precisão contra blindados, com a parceria já demonstrada entre Ambipar Robotics e SIATT em torno do MAX 1.2 AC, e outro potencialmente voltado a armamento cinético de médio calibre ou metralhadora remota, caso a conversa com a ARES resulte em integração do REMAX ou do SARC UT30BR2. As duas linhas não seriam necessariamente concorrentes entre si, mas complementares, atendendo a diferentes perfis de missão.
O movimento também se soma a outro sinal já registrado pela reportagem: em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo uma família própria de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamento de médio e pesado calibre, sem confirmar parceiro tecnológico. A recorrência da Ambipar Robotics como fornecedora de plataforma em diferentes frentes de conversa reforça a hipótese de que a empresa busca se posicionar como fornecedora preferencial de chassi robótico para múltiplos integradores de armamento na Base Industrial de Defesa, e não como parceira exclusiva de um único fabricante.
Ressalva editorial
Até o fechamento desta matéria, a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics está apoiada exclusivamente na publicação institucional da ARES em rede social, de caráter genérico, sem nota conjunta, imagem de protótipo ou cronograma público. A informação deve ser tratada como estágio exploratório de conversas entre as duas empresas, e não como integração confirmada ou projeto em desenvolvimento formal.

02 agosto, 2026

Exército revela UGV armado com míssil MAX 1.2 AC durante evento no CTEx

Ambipar Robotics e SIATT integram plataforma robótica terrestre a lançador duplo do míssil anticarro nacional; VBMT Guaicurus foi apresentado com o mesmo armamento no mesmo evento 


*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026

No dia 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, o Exército Brasileiro revelou publicamente um veículo terrestre não tripulado (UGV) armado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC. O sistema é fruto de um trabalho conjunto entre a Ambipar Robotics, responsável pela plataforma robótica, e a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), fabricante do míssil, com apoio técnico do próprio CTEx.
A existência do UGV foi registrada em imagens exclusivas pelo jornalista Roberto Caiafa, do canal Defesa Raiz, presente no desfile do CTEx. Segundo relatou Caiafa, testemunha ocular da apresentação, trata-se de um veículo totalmente autônomo em termos de deslocamento, mas operado remotamente para o disparo dos mísseis, o que retira o atirador da linha direta de fogo e amplia a capacidade de emboscada anticarro em terrenos de risco. O jornalista classificou o desenvolvimento como uma possível revolução para o emprego da cavalaria e da infantaria brasileiras, ainda que a plataforma esteja, neste momento, em estágio de demonstração, sem data anunciada para adoção ou produção em série.
No mesmo evento, e também de forma inédita, foi apresentada uma viatura blindada multitarefa (VBMT) 4x4 Guaicurus, produzida pela IDV em Sete Lagoas (MG), equipada com o MAX 1.2 AC sobre a torre manual REMAN, da ARES Aeroespacial e Defesa. Segundo Frederico Medella, diretor comercial e de marketing da ARES, o mesmo míssil também pode ser integrado ao SARC REMAX 4, o que permitiria o disparo de dentro da viatura, sem exposição do atirador pela escotilha. As duas apresentações, do UGV e do Guaicurus, reforçam a estratégia do Exército e da indústria nacional de multiplicar as plataformas capazes de empregar o MAX 1.2 AC.
 
Vídeo do canal @1MinutodeGuerra 
O míssil MAX 1.2 AC
O MAX 1.2 AC, batizado em homenagem ao sargento Max Wolff Filho, herói da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, é um míssil anticarro superfície-superfície de médio alcance, desenvolvido pela SIATT em parceria com o CTEx. Anteriormente conhecido como MSS 1.2 AC, foi oficialmente adotado pelo Exército Brasileiro em julho de 2025, por meio do Boletim do Exército nº 28. 
Utiliza guiamento a laser por feixe (SACLOS), com alcance operacional de até 3.200 metros; em teste recente no Campo de Provas da Marambaia, atingiu 100% de acerto contra um alvo a 2.500 metros. A ogiva de carga oca é projetada para penetrar blindagens pesadas, com capacidade secundária para engajar posições fortificadas, depósitos logísticos, embarcações fluviais e helicópteros ou drones voando em baixa altitude. Em maio de 2026, a SIATT entregou ao Exército, em Formosa (GO), o primeiro lote de produção em série do míssil, fabricado em sua nova planta industrial de Caçapava (SP).
Vídeo do canal Defesa Raiz, no YouTube
Um movimento mais amplo de robotização
A revelação do UGV armado se soma a outros indícios de que a robotização terrestre avança na Base Industrial de Defesa brasileira. Em julho de 2026, a própria Ambipar Robotics já havia entregue ao Exército o primeiro robô nacional de neutralização de artefatos explosivos (EOD), destinado ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate. 
Em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, uma família de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamentos de médio e pesado calibre, sem confirmar o parceiro tecnológico. 
Analistas do setor já apontavam a Ambipar Robotics, fornecedora recorrente de plataformas robóticas ao Exército, como parceira natural para esse tipo de projeto. O Exército também já testou, em anos anteriores, o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX.
O que ainda falta confirmar
Até o fechamento desta matéria, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro haviam divulgado nota oficial sobre o UGV armado com o MAX 1.2 AC. A informação está apoiada no registro em vídeo e no relato de Roberto Caiafa como testemunha presencial do desfile do CTEx, e ainda não foi replicada por outros veículos especializados em defesa. Tampouco há, até o momento, cronograma público de testes, adoção ou produção em série para a plataforma.

20 maio, 2026

O Brasil arma suas máquinas: drones terrestres e aéreos avançam na Base Industrial de Defesa

Em menos de dois anos, o Brasil passou de observador a protagonista na corrida global pelos sistemas autônomos de combate. Robôs EOD nacionais já integram o Exército, drones armados avançam em bancadas de engenharia e fabricantes consolidados como a Taurus anunciam portfólios que vão do calibre .22 ao .50, agora também podendo ser embarcados em veículos não tripulados terrestres e aéreos.
 
Primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país pela Ambipar Robotics (imagem original renderizada com IA)

 
*LRCA Defense Consulting - 20/05/2026
Em meados de maio de 2026, o Exército Brasileiro recebeu o primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país. O sistema foi fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP), e foi entregue ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate, onde será usado no processo de certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU, no âmbito do United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS).
A diretora executiva da empresa, Fernanda Morelli Macedo, celebrou a entrega nas redes sociais como "o primeiro robô militar nacional desenvolvido no Brasil", ressaltando que a conquista demonstra que o país possui capacidade técnica e profissionais qualificados para desenvolver tecnologias estratégicas de alto valor. A plataforma é descrita como multi-operacional e foi desenvolvida com apoio da empresa Detronics.
A chegada do robô EOD nacional é especialmente relevante porque, até então, o Exército Brasileiro operava equipamentos importados nessa função, como os modelos alemães tEODor e Telemax, que por anos foram mantidos de forma artesanal, inclusive com peças reproduzidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) da FAB. O novo sistema da Ambipar Robotics representa, portanto, um salto de soberania tecnológica.
A Taurus avança para os UGVs armados
Enquanto a Ambipar Robotics consolida sua presença no segmento EOD, a Taurus Armas revelou, em live com analistas e investidores realizada em 18 de maio de 2026, que está desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, um conjunto de veículos não tripulados, tanto aéreos quanto terrestres (UGV), destinados a receber as armas de médio e pesado calibre que a empresa pretende produzir quando a tecnologia estiver disponível.
O anúncio foi feito pelo CEO global Salesio Nuhs durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. Nuhs não revelou o parceiro tecnológico para o desenvolvimento dos UGVs, mas analistas do setor apontam que a Ambipar Robotics, já fornecedora de plataformas robóticas ao Exército, seria uma parceira natural, embora nenhuma das empresas tenha confirmado tal acordo.
O drone aéreo armado da Taurus já existe em forma concreta: o TAS (Tactical Air Soldier), um quadricóptero equipado com armamento tático nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e 9 mm, foi apresentado inicialmente na LAAD Defence & Security 2025, no Rio de Janeiro, e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade, na Arábia Saudita. Segundo a empresa, o TAS foi desenvolvido com um fabricante brasileiro de drones do agronegócio e conta com câmera 4K estabilizada em três eixos, sistema de controle de fogo integrado, sensores de distância, ponteiro laser e identificação de alvos com inteligência artificial embarcada.
A Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), já assinou com a Taurus um Protocolo de Intenções para o desenvolvimento de novos sistemas de armas, incluindo o drone armado, destinado às tropas anfíbias. A cerimônia contou com o apoio institucional do BNDES, alinhada à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê R$ 112,9 bilhões em investimentos em defesa até 2026.
Para completar o portfólio de armas coletivas que alimentará esses sistemas autônomos, a Taurus negocia a aquisição da fabricante turca Mertsav Savunma, especializada em metralhadoras nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .50 BMG, além de fuzis, pistolas e lança-granadas. O CEO afirmou, na mesma live de maio de 2026, que a due diligence está "bastante avançada" e que a decisão deve ser tomada "com certeza absoluta" até o final do ano. A estratégia é trazer a tecnologia para São Leopoldo (RS) a fim de atender às Forças Armadas brasileiras. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs.
TAS (Tactical Air Soldier), da Taurus Armas
XMobots: do reconhecimento ao combate reutilizável
A XMobots, de São Carlos (SP), apontada como a sexta maior empresa de drones civis do mundo, avança em duas frentes distintas no segmento de defesa. A primeira é a versão armada do Nauru 1000C, drone de 150 kg já utilizado pelo Exército Brasileiro em missões de inteligência e reconhecimento de fronteiras. Em parceria com a MBDA, maior grupo de mísseis da Europa, a empresa integra ao Nauru 1000C dois mísseis Enforcer Air, projetados para atingir veículos com blindagem leve a até 8 km de distância. Esse seria o primeiro sistema de arma aéreo não tripulado genuinamente brasileiro.
A segunda frente é o Nauru 100D, lançado em abril de 2025 sob a marca XMobots Defense. Trata-se de um sistema tático de vigilância de 9 kg, montável em menos de três minutos a partir de duas mochilas, com decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOL) e até seis horas de autonomia. Na LAAD Security Milipol Brazil 2026, realizada em São Paulo em abril de 2026, a empresa revelou o conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle) do aparelho: uma versão armada capaz de atacar a 60 metros de altura com bombas de alto explosivo (HE) ou cargas antitanque (HEAT), corrigir a trajetória em tempo real e retornar à base para ser rearmado e operar novamente, diferenciando-se das chamadas munições vagantes (loitering munitions), que são descartadas no impacto.
Além do UCAV, a XMobots apresentou o conceito Swarm (enxame): até 30 aeronaves lançadas simultaneamente a partir de um contêiner de 20 pés, três para reconhecimento e 27 para ataque coordenado, com alcance previsto entre 120 km e 340 km. A empresa afirma ter capacidade produtiva de 360 unidades por mês e ter iniciado a fabricação de um lote-teste de 20 sistemas. Em janeiro de 2026, a XMobots também firmou acordo de cooperação técnica com a Marinha do Brasil e a Petrobras para adaptar drones da família Nauru a operações embarcadas em navios, com investimento de R$ 40 milhões.
Drones Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA (acima) e Nauru 100D armado com granada de alto explosivo (HE) (abaixo)

O Exército quer mais: consulta por drones armados SARP 3
O Estado-Maior do Exército (EME) abriu, em março de 2025, consulta pública para a aquisição de até três Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas categoria 3 (SARP 3). Os requisitos publicados no edital são exigentes: peso máximo de decolagem de 700 kg, alcance mínimo de 300 km, altitude máxima de 18.000 pés e autonomia de pelo menos 48 horas. Em termos de armamento, o Exército espera que as aeronaves sejam capazes de transportar ao menos quatro foguetes de 70 mm ou dois mísseis guiados por laser com alcance mínimo de 4 km, além de bombas ou granadas não guiadas. O edital previa consulta aberta até 4 de agosto de 2025.
Atualmente, todas as aeronaves remotamente pilotadas no arsenal das Forças Armadas brasileiras são de monitoramento; nenhuma porta armamento. A consulta pública do EME sinaliza que essa realidade deve mudar em horizonte próximo.
A guerra na Ucrânia como laboratório: drones armados com espingardas
O conflito na Ucrânia continua acelerando a inovação tática em sistemas não tripulados. Pilotos ucranianos passaram a equipar seus VANTs com armas de fogo para abater quadricópteros FPV (first person view) russos, criando uma nova forma de combate aéreo em que os pilotos, sentados a quilômetros de distância, duelam indiretamente nos céus por meio de suas máquinas. Analistas de defesa observam que esse desenvolvimento não é uma excentricidade, mas o próximo passo lógico após meses de testes com armas completas embarcadas em drones de baixa altitude realizados por ambos os lados. O fenômeno reforça a percepção de que qualquer sistema não tripulado moderno precisa, já no projeto, incorporar capacidade de ataque ou de resposta a ameaças aéreas.
Base Industrial de Defesa: avanço real, desafios estruturais
Os desenvolvimentos recentes indicam que a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira saiu de uma posição praticamente inativa nesse segmento para articular, em menos de dois anos, múltiplas iniciativas simultâneas: o primeiro robô EOD nacional (Ambipar Robotics), o primeiro drone armado com potencial de emprego em forças especiais e fuzileiros navais (Taurus/TAS), os primeiros testes de mísseis em drone brasileiro (XMobots/MBDA) e os primeiros conceitos de enxame e UCAV reutilizável (XMobots/Nauru 100D).
Analistas do setor, porém, alertam que as iniciativas ainda carecem de uma estratégia nacional integrada. O documento Defesa BR 2027–2057, referenciado em publicações especializadas, propõe a criação de um Comando de Drones e Robôs de Combate (CDRC) centralizado no Ministério da Defesa, com centros regionais vinculados às três Forças. A proposta permanece no plano conceitual, mas ganha relevância à medida que os projetos industriais avançam e que as informações das guerras atuais convergem para essa necessidade.
A Nova Indústria Brasil (NIB), com sua Missão 6 voltada à defesa nacional, representa o principal vetor de financiamento público. Os R$ 112,9 bilhões previstos até 2026 e a meta de 55% de domínio das tecnologias críticas de defesa são sinais de que o governo federal reconhece a urgência estratégica do tema. O desafio agora é transformar protótipos e memorandos de intenção em sistemas certificados, produzidos em escala e integrados à doutrina das Forças Armadas.

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