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05 agosto, 2026

ARES e Ambipar Robotics discutem integração de sistemas de armas em UGVs

Visita técnica entre as duas empresas brasileiras abre conversa exploratória sobre armar plataformas robóticas terrestres, em movimento que se soma a outras iniciativas de robotização em curso na Base Industrial de Defesa
 


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LRCA Defense Consulting - 05/08/2026

A ARES Aeroespacial e Defesa recebeu, no início de agosto de 2026, uma visita técnica da Ambipar Robotics, em encontro que incluiu troca de experiências, apresentação de capacidades e discussões sobre a integração dos sistemas de armas da ARES em veículos terrestres não tripulados (UGVs, na sigla em inglês). A informação foi divulgada pela própria ARES em publicação institucional na rede social LinkedIn, na qual a empresa descreveu o encontro como um reforço do relacionamento entre companhias que atuam no desenvolvimento de tecnologias para os setores de defesa e segurança.
A publicação não detalha cronograma, escopo contratual ou modelo específico de UGV envolvido nas conversas. Trata-se, segundo o texto divulgado, de um encontro voltado à troca de conhecimentos e perspectivas para o futuro, o que caracteriza a aproximação, neste momento, como estágio exploratório de integração, sem confirmação de protótipo físico ou de acordo formal entre as partes.
O portfólio da ARES
A ARES é uma empresa brasileira com mais de 50 anos de atuação, subsidiária da israelense Elbit Systems desde 2010, dedicada ao planejamento, desenvolvimento, fabricação e integração de estações de armas, sistemas navais e equipamentos optrônicos. Seu principal produto em uso operacional é o REMAX, sistema de armas remotamente controlado presente em viaturas como a VBTP-MSR e a VBMT-LSR Guarani, do Exército Brasileiro. 
Em novembro de 2025, a empresa apresentou também o SARC UT30BR2, torre não tripulada equipada com canhão automático Mk44 Bushmaster II de 30x173mm, metralhadora coaxial de 7,62x51mm e lançador de granadas fumígenas de 76mm, versão atualizada do SARC UT30BR já em uso pelas brigadas mecanizadas do Exército.
A Ambipar Robotics e a robotização terrestre
A Ambipar Robotics, sediada em Jacareí (SP), consolidou presença crescente junto ao Exército Brasileiro ao longo de 2026. Em julho, a empresa entregou ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate o primeiro robô de neutralização de artefatos explosivos (EOD) inteiramente desenvolvido no País, destinado à certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU. A mesma empresa fornece ainda a plataforma robótica sobre esteiras utilizada pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) como base para os estudos do Sistema de Veículos Terrestres Remotamente Pilotados (SVTRP).
Em 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no CTEx, no Rio de Janeiro, essa mesma plataforma foi apresentada publicamente armada com um lançador duplo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, em parceria com a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico) e apoio técnico do próprio CTEx. Até o momento, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro divulgaram nota oficial detalhando cronograma de testes, adoção ou produção em série dessa configuração.
Um precedente já testado
A combinação entre plataforma robótica e sistema de armas da ARES não seria inédita no País. Em anos anteriores, o Exército Brasileiro testou o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX, da própria ARES. O precedente indica que já existe validação técnica prévia da integração entre estações de armas da empresa e plataformas robóticas terrestres, ainda que, naquele caso, sobre um chassi importado.
Leitura do movimento
Caso a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics avance para integração formal, o Brasil passaria a ter dois caminhos paralelos de UGV armado com componentes nacionais: um voltado ao engajamento de precisão contra blindados, com a parceria já demonstrada entre Ambipar Robotics e SIATT em torno do MAX 1.2 AC, e outro potencialmente voltado a armamento cinético de médio calibre ou metralhadora remota, caso a conversa com a ARES resulte em integração do REMAX ou do SARC UT30BR2. As duas linhas não seriam necessariamente concorrentes entre si, mas complementares, atendendo a diferentes perfis de missão.
O movimento também se soma a outro sinal já registrado pela reportagem: em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo uma família própria de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamento de médio e pesado calibre, sem confirmar parceiro tecnológico. A recorrência da Ambipar Robotics como fornecedora de plataforma em diferentes frentes de conversa reforça a hipótese de que a empresa busca se posicionar como fornecedora preferencial de chassi robótico para múltiplos integradores de armamento na Base Industrial de Defesa, e não como parceira exclusiva de um único fabricante.
Ressalva editorial
Até o fechamento desta matéria, a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics está apoiada exclusivamente na publicação institucional da ARES em rede social, de caráter genérico, sem nota conjunta, imagem de protótipo ou cronograma público. A informação deve ser tratada como estágio exploratório de conversas entre as duas empresas, e não como integração confirmada ou projeto em desenvolvimento formal.

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