Ambipar Robotics
e SIATT integram plataforma robótica terrestre a lançador duplo do míssil
anticarro nacional; VBMT Guaicurus foi apresentado com o mesmo armamento no
mesmo evento
*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026
No dia 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de
Engenheiro Militar, no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de
Janeiro, o Exército Brasileiro revelou publicamente um veículo terrestre não
tripulado (UGV) armado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2
AC. O sistema é fruto de um trabalho conjunto entre a Ambipar Robotics,
responsável pela plataforma robótica, e a SIATT (Sistemas Integrados de Alto
Teor Tecnológico), fabricante do míssil, com apoio técnico do próprio CTEx.
A existência do UGV foi registrada em imagens exclusivas pelo jornalista
Roberto Caiafa, do canal Defesa Raiz, presente no desfile do CTEx. Segundo
relatou Caiafa, testemunha ocular da apresentação, trata-se de um veículo
totalmente autônomo em termos de deslocamento, mas operado remotamente para o
disparo dos mísseis, o que retira o atirador da linha direta de fogo e amplia a
capacidade de emboscada anticarro em terrenos de risco. O jornalista
classificou o desenvolvimento como uma possível revolução para o emprego da
cavalaria e da infantaria brasileiras, ainda que a plataforma esteja, neste
momento, em estágio de demonstração, sem data anunciada para adoção ou produção
em série.
No mesmo evento, e também de forma inédita, foi apresentada uma viatura
blindada multitarefa (VBMT) 4x4 Guaicurus, produzida pela IDV em Sete Lagoas
(MG), equipada com o MAX 1.2 AC sobre a torre manual REMAN, da ARES
Aeroespacial e Defesa. Segundo Frederico Medella, diretor comercial e de
marketing da ARES, o mesmo míssil também pode ser integrado ao SARC REMAX 4, o
que permitiria o disparo de dentro da viatura, sem exposição do atirador pela
escotilha. As duas apresentações, do UGV e do Guaicurus, reforçam a estratégia
do Exército e da indústria nacional de multiplicar as plataformas capazes de
empregar o MAX 1.2 AC.
Vídeo do canal @1MinutodeGuerra
O míssil MAX 1.2 AC
O MAX 1.2 AC, batizado em homenagem ao sargento Max Wolff Filho, herói
da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, é um míssil
anticarro superfície-superfície de médio alcance, desenvolvido pela SIATT em
parceria com o CTEx. Anteriormente conhecido como MSS 1.2 AC, foi oficialmente
adotado pelo Exército Brasileiro em julho de 2025, por meio do Boletim do
Exército nº 28.
Utiliza guiamento a laser por feixe (SACLOS), com alcance
operacional de até 3.200 metros; em teste recente no Campo de Provas da
Marambaia, atingiu 100% de acerto contra um alvo a 2.500 metros. A ogiva de
carga oca é projetada para penetrar blindagens pesadas, com capacidade
secundária para engajar posições fortificadas, depósitos logísticos,
embarcações fluviais e helicópteros ou drones voando em baixa altitude. Em maio
de 2026, a SIATT entregou ao Exército, em Formosa (GO), o primeiro lote de
produção em série do míssil, fabricado em sua nova planta industrial de
Caçapava (SP).
Vídeo do canal Defesa Raiz, no YouTube
Um movimento mais amplo de robotização
A revelação do UGV armado se soma a outros indícios de que a robotização
terrestre avança na Base Industrial de Defesa brasileira. Em julho de 2026, a
própria Ambipar Robotics já havia entregue ao Exército o primeiro robô nacional
de neutralização de artefatos explosivos (EOD), destinado ao 6º Batalhão de
Engenharia de Combate.
Em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar
desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, uma família
de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamentos de médio
e pesado calibre, sem confirmar o parceiro tecnológico.
Analistas do setor já
apontavam a Ambipar Robotics, fornecedora recorrente de plataformas robóticas
ao Exército, como parceira natural para esse tipo de projeto. O Exército também
já testou, em anos anteriores, o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics,
equipado com a torre remota REMAX.
O que ainda falta confirmar
Até o fechamento desta matéria, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT,
nem o Exército Brasileiro haviam divulgado nota oficial sobre o UGV armado com
o MAX 1.2 AC. A informação está apoiada no registro em vídeo e no relato de
Roberto Caiafa como testemunha presencial do desfile do CTEx, e ainda não foi
replicada por outros veículos especializados em defesa. Tampouco há, até o
momento, cronograma público de testes, adoção ou produção em série para a
plataforma.

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