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19 outubro, 2026

Exército indiano mostra submetralhadora T9 de tecnologia brasileira em vídeo oficial

Identificação da arma confirmada pela Taurus destaca presença do armamento da JD Taurus nas forças indianas; fornecimento militar documentado é de 550 unidades



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LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 10h21

Um vídeo divulgado em 18 de outubro pelo perfil no X da Additional Directorate General of Public Information (ADGPI), órgão de comunicação do Exército indiano, trouxe à atenção uma submetralhadora T9, produzida na Índia pela JD Taurus a partir de tecnologia brasileira. A identificação do modelo foi confirmada pela LRCA Defense Consulting junto à Taurus. A publicação oficial oferece uma nova imagem da presença do armamento entre militares indianos, embora não permita concluir, isoladamente, que tenha sido empregado em combate ou que existam encomendas adicionais.

Do contrato militar às imagens oficiais 
A JD Taurus, associação entre a Taurus Armas e a Jindal Defence, conquistou em 2024 um fornecimento de 550 submetralhadoras T9 para o Comando do Norte do Exército indiano. Segundo documentação de resultados da Taurus referente àquele ano, as armas produzidas localmente já haviam sido entregues. Esse é o fornecimento de T9 ao Exército identificado nas informações públicas consultadas; não há confirmação, até o fechamento deste piloto, de um segundo lote militar.

A publicação da ADGPI, portanto, não marca a primeira notícia da presença da T9 no Exército. Sua novidade está na exibição da arma em material audiovisual institucional divulgado pela própria Força. O vídeo integra a comunicação militar indiana, mas não estabelece, por si só, qual unidade aparece nas imagens, a origem específica dos exemplares filmados ou as circunstâncias de eventual emprego operacional.


Uma fábrica indiana com participação brasileira 
A JD Taurus reúne a Jindal Defence, com 51% do capital, e a Taurus Armas, com 49%. Sua unidade industrial fica em Hisar, no estado de Haryana, e iniciou operações em março de 2024 com apoio técnico brasileiro. O empreendimento se insere na política Make in India, voltada ao fortalecimento da produção local. Nesse modelo, a presença da Taurus vai além da exportação de armas acabadas, pois envolve uma estrutura de fabricação estabelecida no mercado de destino.

Em setembro de 2026, a JD Taurus divulgou as certificações AS9100D e ISO 9001 de seu sistema de gestão da qualidade. Esses reconhecimentos reforçam os processos industriais e de controle, mas não devem ser confundidos com homologação operacional específica da T9 pelo Exército. 


Contratos policiais ampliam a operação 

A expansão institucional da JD Taurus não se restringe ao Exército. Conforme levantamento publicado pelo LRCA em 30 de setembro, a empresa obteve contratos de pistolas TS9 para a segurança ferroviária e para forças policiais indianas. Em 2026, foram registrados pedidos de 5.368 unidades para forças policiais centrais e de 6.136 unidades para a Polícia de Uttar Pradesh, além de mais de 1.300 pistolas e submetralhadoras em contratos com polícias estaduais e de fronteira: Meghalaya Police, 
Kerala Police e Border Security Force (BSF). 

A Taurus também informou, nos resultados do segundo trimestre de 2026, que a JD Taurus acompanhava oportunidades institucionais envolvendo mais de 130 mil armas e valor bruto potencial de aproximadamente US$ 54 milhões. Trata-se de oportunidades em diferentes estágios, não de contratos firmados ou receitas asseguradas.

O significado para a indústria brasileira 
A presença da T9 em um vídeo oficial do Exército indiano oferece visibilidade a uma iniciativa de internacionalização industrial que combina participação societária brasileira, tecnologia e fabricação local. Para a Taurus, o episódio constitui uma referência institucional relevante em um mercado de defesa de grandes dimensões. Seu alcance comercial futuro, entretanto, dependerá de decisões de aquisição que não podem ser deduzidas das imagens.

A confirmação direta do modelo pela Taurus dá consistência à identificação da arma. Permanece em aberto se os exemplares exibidos integram o lote de 550 unidades entregue ao Comando do Norte ou se existem fornecimentos posteriores ainda não divulgados. Até que surja documentação adicional, o contrato de 2024 é a referência militar comprovada.

30 setembro, 2026

JD Taurus ganha espaço na Índia e reforça expansão tecnológica da fabricante brasileira

Certificações, contratos e novos produtos da operação indiana acompanham os lançamentos nos EUA e o avanço da Taurus em sistemas de armas e plataformas não tripuladas no Brasil



*LRCA Defense Consulting - 30/09/2026

A JD Taurus está ampliando sua presença na Índia com contratos institucionais, crescimento das vendas civis e novos produtos. A divulgação das certificações AS9100D e ISO 9001 acrescenta um marco de qualidade a uma operação que já fornece armamento ao Exército indiano e conquistou pedidos de forças policiais federais e estaduais. A trajetória acompanha um movimento mais amplo da Taurus, que lança novas plataformas nos Estados Unidos e desenvolve, no Brasil, sua atuação como fornecedora e integradora de sistemas de armas, incluindo drones e veículos terrestres não tripulados.

A empresa indiana resulta da associação entre a Jindal Defence e a Taurus Armas, com participações de 51% e 49%, respectivamente. Instalada em Hisar, no estado de Haryana, iniciou a operação em março de 2024 com apoio técnico brasileiro. A fabricação local, alinhada ao programa Make in India, permite disputar o mercado com uma estrutura industrial estabelecida no próprio país. 


Certificações reforçam a estrutura de qualidade 
Em publicação institucional recente, a JD Taurus informou possuir as certificações AS9100D e ISO 9001, destacando o compromisso com precisão, rastreabilidade e melhoria contínua na fabricação. O anúncio é relevante para uma empresa que procura ampliar o fornecimento a clientes militares e policiais, cujos processos de aquisição exigem consistência industrial e controle documental.

A família de normas 9100, conforme o International Aerospace Quality Group (IAQG), estabelece requisitos de gestão da qualidade para organizações de aviação, espaço e defesa, acrescentando exigências à base da ISO 9001. As certificações dizem respeito ao sistema de gestão da organização; a qualificação operacional de cada armamento continua dependendo dos ensaios e requisitos aplicáveis ao produto e ao cliente.

Contratos ampliam a presença nas forças indianas 
O primeiro fornecimento militar de destaque foi o de 550 submetralhadoras T9 ao Comando do Norte do Exército indiano. A documentação de resultados da Taurus referente a 2024 registrou que as armas, produzidas localmente, já haviam sido entregues. Em maio de 2025, o LRCA noticiou outra vitória institucional, para o fornecimento de pistolas TS9 à Railway Protection Force, responsável pela segurança ferroviária.

Em 2026, as encomendas ganharam escala. A cobertura do LRCA registrou um pedido de 5.368 pistolas TS9 para as forças policiais centrais indianas. Em comunicado oficial, a Taurus confirmou ainda um contrato formalizado em 16 de março para fornecer 6.136 unidades da mesma pistola à Polícia de Uttar Pradesh, identificada pela fabricante como Special Task Force. Somados, esses dois pedidos representam 11.504 pistolas.

Na sequência, quatro novos contratos com as polícias de Meghalaya, Chhattisgarh, Punjab e Kerala acrescentaram mais de 1.300 pistolas e submetralhadoras de 9 mm, segundo divulgação reproduzida pelo LRCA em 27 de março. O conjunto desses pedidos de 2026 supera, portanto, 12,8 mil armas. O número corresponde a encomendas conquistadas, sem pressupor que todas as entregas estejam concluídas.

A diversidade dos compradores dá relevância comercial à expansão. A JD Taurus passa a acumular referências de fornecimento em diferentes estruturas de segurança, reduzindo a concentração em um único cliente e ampliando sua exposição a requisitos operacionais variados. 


Vendas civis crescem e a 1911 chega ao catálogo 
No mercado civil, o Relatório da Administração de 2025 da Taurus informa crescimento superior a 60% nas vendas indianas em relação ao ano anterior. O documento também registra que a operação já contribuía positivamente para o resultado da companhia por equivalência patrimonial. Essa forma de reconhecimento significa que o faturamento da JD Taurus não é somado integralmente à receita consolidada da empresa brasileira.

A ampliação da oferta acompanha o avanço comercial. O catálogo oficial indiano reúne a PT57 SC, incluindo versões Black Matte e Dual Tone, a PT58 HC Plus, o revólver RT073 e a pistola 1911 .45 ACP. Esta última possui página com indicação de disponibilidade e foi apresentada pela JD Taurus na Police Expo 2026, além de receber uma campanha institucional própria.

O RT073, cujo lançamento foi anunciado pelo LRCA em abril de 2025, também permanece na oferta atual. No segmento de segurança, o site apresenta os modelos fuzil T4, submetralhadora T9, pistolas TS9 e TS9C. A variedade mostra a expansão do portfólio, embora a presença no catálogo não signifique, por si só, contratos conquistados para todas as armas. 


Oportunidades de 130 mil armas no horizonte 

Na divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, a Taurus informou que a JD Taurus acompanhava licitações e oportunidades institucionais em diferentes estágios, envolvendo mais de 130 mil armas e valor bruto potencial de aproximadamente US$ 54 milhões. O documento também menciona contratos em execução e demonstrações e avaliações junto às Forças Armadas e às forças de segurança federais e estaduais.

Trata-se de uma carteira de oportunidades, cuja conversão depende do andamento das concorrências e negociações. Sua dimensão indica espaço para crescimento, mas não corresponde a receita contratada. A expansão efetivamente comprovada está nos pedidos já anunciados e no aumento das vendas civis.

RPC e supressores ampliam a oferta nos Estados Unidos 
O avanço indiano ocorre paralelamente à renovação do portfólio norte-americano. Em janeiro de 2026, a Taurus apresentou nos EUA a TX9, plataforma modular de pistolas de 9 mm, oferecida em três dimensões e preparada para receber miras ópticas. Seu chassi de aço serializado permite diferentes configurações de empunhadura, ampliando a flexibilidade da família para aplicações profissionais e civis.

Em 14 de abril, a Taurus USA anunciou o lançamento do RPC, marcando sua entrada em uma categoria dedicada de armas compactas de defesa pessoal de 9 mm, conhecida pela sigla PDW. A plataforma incorpora comandos ambidestros, construção em alumínio e interfaces para acessórios. O lançamento amplia a atuação da marca em um segmento distinto de suas pistolas e revólveres tradicionais.

Em setembro, outra iniciativa reforçou essa diversificação: a primeira linha de supressores da companhia, denominada TTX. Segundo comunicado da Taurus Holdings publicado em 18 de setembro, a família reúne TTX22, TTX9C e TTX30. O TTX9C foi concebido para plataformas de cano fixo, incluindo o RPC, enquanto os demais atendem outras categorias de armamento. A linha foi desenvolvida em colaboração com engenheiros especializados e utiliza construção em titânio.

O movimento permite à Taurus ampliar a oferta de produtos complementares às suas armas. O paralelo com a Índia está na diversificação comercial, embora os lançamentos norte-americanos não impliquem disponibilidade automática desses mesmos produtos no mercado indiano. 

Submetralhadora RPC com supressor TTX9C

No Brasil a expansão alcança sistemas de armas e drones 
No Brasil, a mudança anunciada pela Taurus tem alcance industrial mais amplo. Durante o COP International 2026, a companhia apresentou sua evolução para uma empresa de tecnologia aplicada à defesa e à segurança, com integração de armamentos, sensoriamento, inteligência artificial e plataformas aéreas e terrestres não tripuladas.

A proposta abrange aplicações de reconhecimento, logística, defesa antidrone e apoio de fogo. Entre os sistemas apresentados está o TAS, drone armado que já realizou demonstrações com munição real para o Exército Brasileiro. Segundo a companhia, o projeto integrado tem horizonte de três anos e pode chegar ao mercado por etapas, com sistemas operando individualmente antes da integração completa.

Em entrevista ao LRCA, posteriormente reproduzida no site da Taurus, Salesio Nuhs explicou que a empresa pretende concentrar competências próprias em integração, programas de missão, autonomia, comando e controle e integração de armamentos. Componentes e tecnologias especializados podem vir de parceiros. Essa divisão de trabalho ajuda a definir o novo posicionamento como desenvolvedora e integradora de sistemas de armas. 


Exército e Fuzileiros Navais participam do desenvolvimento 
A aproximação com os usuários militares dá conteúdo prático à estratégia. Em comunicado de agosto, a Taurus anunciou um Memorando de Entendimento com o Exército Brasileiro, firmado por Salesio Nuhs e pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general de exército Francisco Humberto Montenegro Júnior. Como primeira ação, foram fornecidos 55 armamentos para experimentações doutrinárias e avaliações técnicas e operacionais.

O instrumento prevê também avaliações logísticas, intercâmbio de conhecimento e identificação de possibilidades de desenvolvimento conjunto. A finalidade é confrontar os equipamentos com necessidades reais de emprego e subsidiar decisões sobre sua eventual adoção.

Com o Corpo de Fuzileiros Navais, a Marinha assinou em 10 de fevereiro de 2026 um Protocolo de Intenções para estudos técnicos e análises de viabilidade de armas leves, coletivas e drones armados. Conforme a Agência Marinha de Notícias, em texto reproduzido pela Tecnologia & Defesa, cabe ao CFN definir necessidades e avaliar os materiais no ambiente operacional, enquanto a Taurus oferece engenharia e suporte aos testes.

O protocolo tem vigência de dois anos e não prevê transferência de recursos entre os participantes. Eventuais aquisições dependerão de instrumentos posteriores. O BNDES manifestou apoio institucional e disponibilidade para analisar futuros projetos conforme seus procedimentos. Em esclarecimento ao LRCA, a Taurus confirmou que a cooperação com os Fuzileiros Navais segue em paralelo ao trabalho com o Exército. 



A Índia ganha peso na expansão da Taurus 
As iniciativas mostram frentes complementares de expansão. Nos Estados Unidos, a Taurus entra em novas categorias e amplia produtos associados às suas armas. No Brasil, além de lançar uma linha completa de novos produtos em calibre permido e estar obtendo excelentes resultados, procura transformar sua experiência industrial em capacidade de integração de sistemas e desenvolver soluções com participação dos usuários militares. Na Índia, a JD Taurus consolida a fabricação local, amplia o catálogo e conquista encomendas de diferentes instituições.

Nesse conjunto, os resultados indianos oferecem uma base comercial concreta. As certificações anunciadas reforçam a estrutura de qualidade que acompanha essa trajetória, enquanto os novos produtos e contratos mostram que a operação asiática já participa ativamente da expansão internacional da fabricante brasileira.

28 agosto, 2026

Taurus confirma virada estratégica e amplia core: de armas leves para veículos não tripulados

Em entrevista exclusiva ao LRCA, o CEO Global Salesio Nuhs detalha portfólio de doze sistemas, nova governança e estratégia de financiamento, mas mantém sob sigilo contratual o nome do parceiro tecnológico do projeto e uma negociação internacional em curso



*LRCA Defense Consulting - 28/08/2026

A Taurus Armas está promovendo a mudança mais significativa de seu posicionamento estratégico desde a migração de armas curtas para armas coletivas: a incorporação de sistemas aéreos e terrestres não tripulados ao núcleo do negócio, ao lado das armas leves que sustentam a companhia há 87 anos. O movimento foi anunciado publicamente durante o COP International 2026, realizado em São Paulo entre 11 e 13 de agosto, e detalhado em entrevista exclusiva concedida pelo CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, ao LRCA.

“Não estamos apresentando novos produtos. Estamos apresentando uma nova Taurus”, resumiu Nuhs durante sua participação no evento, ao lado de Gelson Cardoso, gerente de inovação da companhia. A frase sintetiza um processo que começou de forma discreta no fim de 2024 e ganhou corpo ao longo de 2026, com demonstrações ao comando do Exército Brasileiro, articulação com o Corpo de Fuzileiros Navais e negociações de financiamento com órgãos federais de fomento. 

UAV de ataque (drone lançador de munição)

UAV kamikase (drone suicida)

UAV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

Um portfólio de doze sistemas, ainda sem nome oficial 
Material institucional obtido pela reportagem, usado pela companhia em apresentação ao Exército Brasileiro, detalha um ecossistema de doze plataformas: sete sistemas aéreos (UAV ISR, UAV Kamikaze, UAV de Ataque, UAV TAS, UAV Cargo e VTOL, além do Cyber Swarm, tecnologia de enxame) e cinco terrestres (UGV EOD, UGV ISR, UGV TAGS, UGV Cargo e UGV Cleaner), somados a sistemas complementares como o Cyber Launcher, hub móvel de lançamento de drones, o Cyber DiB, drone em caixa autônoma, e o Tars K9, quadrúpede modular.

O material trazia o nome “Taurus Cyber Robotics” associado ao conjunto, mas Nuhs esclareceu ao LRCA que essa denominação não é oficial. “A divisão de sistemas não tripulados ainda está em processo de estruturação e, portanto, ainda não possui uma denominação definitiva. O nome Taurus Cyber Robotics, utilizado anteriormente, foi apenas um título empregado em uma apresentação interna realizada para o Exército Brasileiro e não corresponde à denominação formal da nova divisão”, afirmou o CEO. 

VTOL (drone de asa fixa multipropósito)

UAV Cargo (drone de logística)


Cyber Swarm (enxame de drones de reconhecimento e ataque)

Do ‘soldado voador’ ao TAS disparando munição real 

A origem do projeto remonta a dezembro de 2024, quando Nuhs revelou, durante o Taurus Investor Day, em São Paulo, que a companhia estudava, com uma fabricante italiana de drones, o conceito de um “soldado voador” armado com uma submetralhadora ultraleve em desenvolvimento. Ao longo de 2025, o conceito evoluiu para o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero configurável com o fuzil Taurus T4 5,56mm, a pistola-metralhadora Taurus RPC de 9mm ou lançador de granadas de 40mm, apresentado na LAAD Defence & Security 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade.

Em maio de 2026, no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, o TAS disparou munições reais contra alvos. O comando do Exército também assistiu, segundo o release do COP International, à demonstração de uma configuração para lançamento de munição de morteiro de 120mm. Segundo Nuhs, o TAS não foi um desvio de rota, mas uma antecipação deliberada. “O que fizemos foi antecipar especificamente esse desenvolvimento para demonstrar, na prática, nossa capacidade tecnológica e assumir o protagonismo de sermos o primeiro fabricante de armas a integrar uma arma a um drone, controlar seu voo e realizar com sucesso o disparo e o acerto do alvo”, disse. 

TAS dispara munições reais contra alvos no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre

O que a Taurus mantém internamente, e o que terceiriza 

Questionado sobre a origem da tecnologia, já que drones aéreos e terrestres são áreas historicamente alheias ao core da companhia, Nuhs afirmou que a estratégia não é desenvolver cada componente do zero. “O mercado já possui componentes amplamente consolidados e validados em áreas como baterias, sensores, sistemas de comunicação e parte da eletrônica embarcada. O foco da Taurus está nas tecnologias que realmente agregam diferencial competitivo, capacidade operacional e soberania tecnológica”, disse, citando como prioridades internas as camadas de integração, software de missão, autonomia, inteligência artificial aplicada, comando e controle e integração de armamentos.

Sobre a capacidade de levar os doze sistemas à produção seriada, o CEO foi categórico: “Não dependemos de parceiros para viabilizar a produção seriada dos sistemas. Os parceiros complementam nossa capacidade, fornecendo tecnologias e hardware especializados, enquanto a Taurus mantém o domínio da engenharia do produto, da integração dos sistemas, da industrialização, dos testes, da certificação e do suporte ao ciclo de vida”. 

UGV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

UGV TAGS (drone para apoio de fogo armado)

UGV Cleaner (drone de crearance & desminagem)

UGV EOD (drone de intervenção e manipulação)

Nova governança para dois negócios distintos 
A companhia já promoveu uma reorganização de sua Diretoria para acomodar a nova frente de negócio. Jean Castilhos foi promovido a Diretor de Engenharia, Armas, Munições e Acessórios, com a missão de preservar foco e continuidade no core tradicional da companhia. Leonardo Sesti, que já dirigia o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), permanece no cargo, mas passa a atuar de forma mais voltada aos veículos não tripulados. Segundo a empresa, a mudança não exigiu aprovação do Conselho de Administração, por se tratar de decisão de alçada executiva.

“Cada negócio passa a contar com liderança e responsabilidades claramente definidas, evitando dispersão de foco”, justificou Nuhs, que também rebateu, de forma direta, a leitura de que a expansão para sistemas não tripulados representaria um salto maior do que a capacidade da companhia. “Evoluímos das armas individuais, como revólveres e pistolas, para as armas coletivas, incluindo fuzis e metralhadoras, e agora avançamos para sistemas não tripulados. É uma ampliação progressiva das nossas competências dentro do mesmo ambiente de defesa e segurança, e não uma diversificação para um setor sem relação com aquilo que já fazemos”, afirmou.

Financiamento sob demanda, sem valores fechados 
A Taurus evita, por ora, divulgar o investimento total previsto para a nova área. Segundo a empresa, o planejamento estratégico prevê que o desenvolvimento da nova área seja realizado de forma gradual e financeiramente disciplinada, com utilização prioritária de instrumentos públicos de fomento à inovação, incluindo editais de subvenção econômica da Finep, nos quais parte dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pode ser suportada por recursos não reembolsáveis. A companhia também mantém tratativas com o BNDES e poderá realizar aportes próprios dentro do orçamento vigente, preservando sua geração de caixa e sem comprometer os investimentos e a operação do negócio tradicional.

A empresa evitou, também, comentar como a aquisição em curso da fabricante turca de armas coletivas Mertsav Savunma se concilia, no fluxo de caixa, com os investimentos em sistemas não tripulados, informando apenas que ambos os projetos seguem o mesmo princípio de disciplina financeira e que valores não serão antecipados antes da conclusão da due diligence. 

Cyber Laucher (drone lançador de múltiplos UAVs)

UGV Cargo (resgate e logística)


Cyber Dib (drone em caixa autônoma)

Parceiro do TAS e negociação internacional seguem em sigilo

Nem todas as perguntas enviadas pelo LRCA foram respondidas em detalhe. A Taurus confirmou que existe cláusula contratual que impede a divulgação do nome do fabricante brasileiro de drones do agronegócio, parceiro no desenvolvimento do TAS. A empresa também confirmou que negocia uma primeira aquisição internacional de um sistema de menor escala, mencionada no release do COP International, mas não revelou país, cliente ou sistema envolvido, alegando compromissos de confidencialidade.

Questionada diretamente se avalia comprar, licenciar tecnologia ou formar uma joint venture com alguma empresa de drones para viabilizar o portfólio de doze sistemas, a Taurus respondeu que a possibilidade não está descartada, embora não haja negociação em curso nesse sentido no momento.

Protocolo com o CFN segue em vigor, em paralelo ao Exército 
Um ponto que parecia contraditório entre a cobertura anterior do LRCA e a fala do CEO foi esclarecido ao longo das perguntas enviadas pela reportagem. Em maio de 2026, o LRCA havia noticiado que o Corpo de Fuzileiros Navais assinara protocolo de intenções com a Taurus para o desenvolvimento de um drone armado destinado a tropas anfíbias. Nuhs, por sua vez, havia dito que o desdobramento do projeto para a Marinha viria “em uma etapa seguinte” à validação com o Exército. Questionada sobre a aparente contradição, a empresa esclareceu que o protocolo com o CFN segue vigente e está sendo tratado de forma concomitante ao trabalho já em curso com o Exército, e não apenas em etapa posterior.
TARS K9 (Taurus Robotic Soldier K9)


O contexto: uma Base Industrial de Defesa em ebulição 
A movimentação da Taurus ocorre em meio a um adensamento acelerado do segmento de sistemas não tripulados na Base Industrial de Defesa brasileira. Em maio de 2026, o Exército recebeu o primeiro robô EOD inteiramente produzido no País, fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP). No campo aéreo, a XMobots avança com a versão armada do Nauru 1000C, equipado com mísseis Enforcer Air desenvolvidos com a MBDA, além do conceito de enxame do Nauru 100D. O Estado-Maior do Exército mantém, ainda, consulta pública aberta para a aquisição de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de categoria 3 (SARP 3), sinalizando que o emprego de aeronaves armadas deve deixar de ser exceção nas Forças Armadas brasileiras nos próximos anos.

O que ainda falta esclarecer 
A Taurus chega ao fim desta apuração com um discurso consistente sobre governança, disciplina financeira e divisão de competências entre o que desenvolve internamente e o que terceiriza. Ao mesmo tempo, mantém sob sigilo contratual informações que normalmente pesam na avaliação de risco de um projeto dessa envergadura: o nome do parceiro tecnológico central do TAS, os termos da negociação internacional em andamento e o valor total a ser investido na nova frente de negócio ao longo dos próximos anos. A empresa também não estabeleceu, até o momento, um teto de investimento ou um percentual de receita que sirva de limite para o projeto, condicionando o ritmo de expansão à disponibilidade de recursos de fomento e à evolução dos requisitos operacionais definidos junto às Forças Armadas. 


Uma aposta alinhada à guerra do futuro 

O momento escolhido pela Taurus para essa virada não é aleatório. Conflitos recentes, da Ucrânia ao Oriente Médio, consolidaram os sistemas não tripulados como elemento decisivo do campo de batalha contemporâneo, capazes de neutralizar blindados, artilharia e ativos de alto valor a um custo muito inferior ao das plataformas que substituem. Diante dessa mudança de paradigma, fabricantes tradicionais de armamento em todo o mundo enfrentam a mesma escolha: adaptar-se à lógica dos sistemas autônomos e integrados, ou correr o risco de ver seu portfólio tradicional perder relevância estratégica diante de forças mais bem equipadas para o combate não tripulado.

Ao decidir alterar seu próprio core de negócio, incorporando robótica e inteligência artificial à sua base histórica em armas leves e coletivas, a Taurus se posiciona no lado ofensivo dessa transformação, e não no reativo. É uma postura de inovação pouco comum entre fabricantes tradicionais, que tendem a proteger o negócio consolidado até que a disrupção se torne inevitável. Se a companhia conseguir sustentar essa transição com a mesma disciplina de governança e capital que hoje descreve em discurso, o resultado pode ser uma Taurus estrategicamente mais relevante do que jamais foi como fabricante apenas de armas leves: uma das poucas empresas de defesa mundiais capazes de entregar, sob uma mesma marca, todo o espectro que vai do revólver ao sistema autônomo integrado.

Essa aposta também carrega um fator que não pode ser desprezado na avaliação de risco: o histórico do próprio executivo à frente da decisão. Salesio Nuhs assumiu o comando global da Taurus em 2018, quando a companhia enfrentava dificuldades financeiras severas e chegou a ser cotada como candidata a uma recuperação judicial. Em pouco mais de meia década, sob sua gestão, a empresa se reergueu a ponto de se tornar a maior vendedora de armas leves do mundo em volume, em um turnaround considerado "de livro" no setor. Se as mesmas características de liderança, iniciativa e capacidade de execução que sustentaram essa recuperação se repetirem na nova frente de sistemas não tripulados, as chances de que o movimento atual também dê certo são, no mínimo, consideráveis.

O tamanho dessa aposta, porém, é proporcional ao risco de execução. O sucesso deste novo turnaround dependerá menos do portfólio já demonstrado, e mais da capacidade da empresa de transformar protótipos e demonstrações em contratos recorrentes, sem comprometer o caixa nem a rentabilidade do negócio tradicional que ainda sustenta a companhia. É essa equação, entre ousadia estratégica e disciplina de execução, que definirá se a Taurus estará indo além do que suas capacidades permitem ou se, realmente, liderará a próxima geração da indústria de defesa brasileira.

19 maio, 2026

Taurus encerra 1T26 no vermelho, mas trimestre é um divisor de águas

Combinação de tarifa de 50%, acordo judicial não recorrente e câmbio desfavorável gerou prejuízo de R$ 36,6 milhões, mas a empresa encerrou o período com carteira de pedidos próxima a US$ 100 milhões, margem bruta superior à de concorrentes americanos e perspectiva de receber US$ 18 milhões em restituições tarifárias ainda no 2T26. 

 

*LRCA Defense Consulting - 19/05/2026

A Taurus Armas S.A. (B3: TASA3; TASA4) registrou prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), revertendo o lucro de R$ 18,6 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado, publicado na última sexta-feira (15), foi debatido nesta segunda-feira (18) em live com analistas e investidores, conduzida pelo canal do analista Marco Saravalle com a presença do CEO global Salesio Nuhs e do CFO Sergio Sgrillo.

O trimestre concentrou uma série de fatores adversos que a gestão classifica como não recorrentes ou já superados: dois meses de incidência da sobretarifa de 50% sobre exportações para os Estados Unidos (vigente até 24 de fevereiro), o reconhecimento integral de um acordo jurídico firmado nos EUA no início de abril, e a valorização do real frente ao dólar, cuja cotação média (PTAX) recuou 10,1% em relação ao 1T25.

"O nosso trimestre foi um trimestre especial, extraordinário", disse Nuhs na live. "Ele limpou os problemas que nós tínhamos com relação às tarifas." O executivo resumiu os 18 meses anteriores como um "kit de maldades" que reuniu ao mesmo tempo restrições regulatórias no Brasil, a sobretarifa americana e o impacto cambial. "O kit de maldades acabou", concluiu.

Receita e margens: resiliência acima dos pares
A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 354,9 milhões no 1T26, crescimento de 1,7% frente ao 1T25, desempenho considerado expressivo dado o ambiente tarifário que vigorou na maior parte do trimestre. O mercado interno avançou 14,8% na mesma comparação, reflexo da aceleração no processamento de documentos para caçadores, colecionadores e atiradores (CACs) com a migração do controle para a Polícia Federal, que neste mês de maio anuncia um novo sistema de gestão.

O lucro bruto somou R$ 100,1 milhões, com margem bruta de 28,2%. O indicador ficou 4,1 pontos percentuais abaixo do 1T25, mas superou os concorrentes americanos: a Ruger registrou margem bruta de 19,9% e a Smith & Wesson (S&W), 26,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2026. "A gente mantém a nossa tradição de empresa de capital aberto que tem a maior margem bruta", disse Nuhs, destacando que o desempenho foi alcançado mesmo com o peso das tarifas.

As despesas operacionais somaram R$ 135,5 milhões, alta de 15,4% sobre o 1T25, fortemente influenciadas pelo acordo judicial reconhecido no período. O Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões, ante resultado positivo de R$ 7,0 milhões no 1T25. Excluídos os efeitos não recorrentes, a companhia avalia que o 1T26 teria sido "um dos melhores primeiros trimestres dos últimos anos", nas palavras de Nuhs.

Tarifa derrubada e restituição em curso
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em 24 de fevereiro de 2026, que declarou ilegal a política tarifária de 50%, abriu caminho para a devolução de aproximadamente US$ 18 milhões pagos pela Taurus ao longo de cerca de oito meses. O release de sexta-feira informava o recebimento de uma primeira parcela de US$ 2,4 milhões, depositada em 13 de maio no caixa da subsidiária americana.

Na live desta segunda, Nuhs e Sgrillo atualizaram o dado: até a sexta-feira anterior (16/5), o total já recebido havia chegado a cerca de US$ 6 milhões, com o governo americano processando os pagamentos em tranches diárias. A expectativa é receber o valor integral até o final de junho, dentro do prazo máximo de 90 dias estabelecido pelas autoridades americanas. "Está sendo processado mais rápido do que a gente esperava", disse Sgrillo.

Há ainda um valor residual de aproximadamente US$ 700 mil a US$ 1.000.000 que a empresa ainda estuda se recupera por via administrativa ou judicial. Quando recebidos, os recursos serão lançados como "outras receitas operacionais", impactando positivamente o Ebitda e o resultado líquido do 2T26. Sgrillo confirmou que os valores entrarão diretamente no caixa da operação americana para abater dívida.

A tarifa atualmente vigente é de 10%, patamar ao qual a Taurus já operou anteriormente. "A partir do segundo trimestre, a gente começa a ter uma vida normal, como a que tinha antes da tarifação", disse o CFO, sinalizando que o 2T26 deve se assemelhar ao 2T25 em termos de condições operacionais, com melhora gradual esperada ao longo do ano.

Produção: pela primeira vez, EUA superam o Brasil
No 1T26, a produção nos Estados Unidos superou pela primeira vez o volume fabricado no Brasil, respondendo por aproximadamente 52% das 157 mil armas produzidas no trimestre. O movimento refletiu a estratégia de internalização adotada durante a vigência da sobretarifa, com a montagem de pistolas e revólveres transferida temporariamente para a planta de Bainbridge, na Geórgia.

Com o fim da tarifa, a empresa já reverteu o movimento. "Revólver a gente já trouxe 100% pro Brasil. A partir de abril, a gente também está produzindo as pistolas da família G no Brasil", informou Nuhs na live. A produção americana passou a se concentrar na família TX e nos produtos Heritage, mantendo a lógica de atender o mercado local com fabricação local. Em janeiro, a unidade brasileira concedeu 15 dias de férias coletivas, o que também contribuiu para reduzir o volume nacional no trimestre.

A flexibilidade de produção entre os dois países é apontada pela gestão como um diferencial competitivo estrutural. O retorno da produção ao Brasil, onde os custos são menores, deve contribuir para a recuperação de margem nos próximos trimestres. "A gente continua tendo os melhores custos no Brasil", afirmou Nuhs.

Portfólio em renovação: TX9, RPC e a aposta no mercado militar
O 1T26 marcou o início da vigência comercial de dois novos produtos estratégicos: a pistola TX9 e a RPC (Raging Pistol Carbine). A TX9 foi lançada globalmente em janeiro de 2026, fabricada nos EUA sob protocolos militares da OTAN, e já foi adotada pioneiramente pela Guarda Municipal de Esteio (RS) entre as forças de segurança brasileiras. A plataforma modular, com quatro tamanhos de pistola e sistema de segurança Tetralock, é posicionada acima de US$ 400 no mercado americano, rompendo com a faixa de entrada de consumo onde a Taurus historicamente concentrava suas vendas.

A RPC, lançada no NRAAM (National Rifle Association Annual Meeting) em Houston no dia 14 de abril, é uma PDW (arma de defesa pessoal) em calibre 9x19mm com ação retardada por roletes, categorizada nos EUA como pistola por ser comercializada sem a coronha. A recepção no mercado americano foi imediata e muito positiva, com o produto figurando entre os mais lidos no American Rifleman, publicação oficial da NRA, e gerando interesse de portais como Guns.com e Rifle Configurator. O preço em torno de US$ 700 a posiciona como a alternativa mais acessível no segmento de ação retardada por roletes, à frente da HK SP5 e da Springfield Armory Kuna.

Nuhs ressaltou na live que o portfólio está sendo racionado. "A gente tinha 240 SKUs de pistola num distribuidor. É humanamente impossível gerenciar isso", disse. A TX9 passa a ser a plataforma central, com versões para os mercados civil, policial, militar e esportivo. Uma versão Competition voltada para IPSC deve ser apresentada no SHOT Show de julho. A TX22, arma mais vendida nos EUA no portfólio Taurus, conta atualmente com carteira de 175 mil unidades, impulsionada pelo custo da munição calibre .22, mais barata em um cenário de inflação elevada nos Estados Unidos.

Índia e mercados internacionais: contratos crescem
A joint venture JD Taurus, na Índia, registrou avanço expressivo no período. Segundo dados consolidados, apenas em 2026 a JD Taurus já ganhou mais de 15 mil armas em licitações: 5.368 pistolas TS9 para as Forças Armadas Policiais Centrais (CAPF) em janeiro e 6.136 unidades para a Força-Tarefa Especial de Uttar Pradesh em março, além de contratos adicionais que completam o total divulgado no release. As vendas civis cresceram mais de 60% em 2025.

"A gente ganhou esse ano 15.000 armas em licitações só na Índia, mas estamos participando de mais de 25.000 em licitações para os próximos meses", informou Nuhs. A receita da JD Taurus não é consolidada nas demonstrações financeiras, sendo reconhecida via equivalência patrimonial. Para os próximos períodos, a empresa prevê o desenvolvimento de fornecedores locais para a TX9 e a expansão do portfólio civil no país.

Nos demais mercados internacionais, as vendas totalizaram 13 mil armas no 1T26, com destaque para Filipinas, África do Sul e Guatemala. A Taurus recebeu no trimestre o Notice to Proceed referente à licitação de 10.402 fuzis, vencida anteriormente, com entregas previstas ao longo de 2026. No Brasil, a empresa venceu licitação da Polícia Militar do Distrito Federal para fornecer mais de 1.800 submetralhadoras calibre 9 mm, no valor aproximado de R$ 12 milhões, aguardando a finalização do processo.

Mertsav: aquisição avança para os 'finalmentes'
Em 2 de abril de 2026, a Taurus divulgou fato relevante sobre proposta não vinculante para aquisição do controle acionário da turca Mertsav Savunma Sistemleri A.Ş., especializada em sistemas de armas de médio calibre, incluindo metralhadoras nos calibres 5,56, 7,62 e .50. Na live, Nuhs informou que a due diligence está "bastante avançada", com a auditoria dos resultados até o 1T26 em fase de conclusão.

"A gente tá indo pros finalmentes na auditoria dos resultados. Acho que até o final do ano a gente tem a decisão tomada, com certeza absoluta", afirmou o CEO. A estratégia é manter a operação na Turquia para exportações internacionais, dado o ambiente regulatório mais favorável do que o brasileiro para produtos de defesa, e trazer a tecnologia para São Leopoldo para atender às Forças Armadas brasileiras.

A Mertsav representa para a Taurus o elo que falta em seu portfólio para cobrir a faixa entre pistolas e calibres maiores. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs. O mercado global de armamentos de médio e grande calibre movimentou cerca de US$ 45,8 bilhões em 2025, com projeção de atingir US$ 74 bilhões até 2032, crescimento anual médio superior a 7%.

Como grande novidade, a empresa informa que está desenvolvendo, paralelamente, um portfólio de veículos não tripulados, aéreos e terrestres, que serão equipados com as armas do segmento médio e pesado quando a tecnologia estiver disponível. O drone TAS (Tactical Air Soldier), apresentado no World Defense Show 2026 em Riade, já integra o portfólio Taurus Military Products.

Endividamento recua; alavancagem deve cair no 2T26
A dívida líquida encerrou o 1T26 em R$ 541,1 milhões, redução de 5,4% frente ao encerramento de 2025. Sgrillo destacou que a companhia adotou, nos últimos cinco a seis meses, política ativa de desestocagem nos EUA, liberando cerca de R$ 100 milhões de produto acabado para gerar caixa sem aumentar o endividamento, mesmo em um ano de resultados menores.

O custo médio da dívida é de 7,04% ao ano, considerado competitivo. Parcela relevante dos financiamentos é proveniente de linhas com a Finep e o Plano Brasil Soberano, com custo médio de 5,32% ao ano. "A gente imagina que num período de um ano volta a ter uma alavancagem de duas a duas vezes e meia, que é super sadia", disse o CFO.

Com a entrada dos US$ 18 milhões de restituição tarifária, a dívida líquida deve recuar de forma relevante já no 2T26. Em setembro, a companhia prevê inaugurar o CITE (Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia) em São Leopoldo, que concentrará os esforços de pesquisa e desenvolvimento de produtos, aliviando a fábrica das interrupções causadas pelos tryouts de novos modelos.

Perspectivas: 2026 como ano de virada
A gestão da Taurus projeta recuperação substancial dos resultados a partir do 2T26. Os principais vetores apontados são: recebimento dos US$ 18 milhões de restituição tarifária (com impacto direto no Ebitda, resultado líquido e redução de dívida); operação sem sobretarifa de 50% pelo primeiro trimestre completo; carteira de pedidos nos EUA próxima a US$ 100 milhões, com faturamento previsto até junho/julho; retomada da produção no Brasil, com custos menores; e aceleração dos registros de CACs no mercado interno com o novo sistema da Polícia Federal.

O ano eleitoral no Brasil também é apontado como fator positivo para o setor. "2026 é um ano de eleição aqui no Brasil, que traz uma expectativa pro segmento", disse Nuhs. O CEO adicionou que o mercado americano, apesar das dificuldades econômicas (com o custo de combustível elevado sendo citado como preocupação dos funcionários da Taurus USA na Geórgia), segue em trajetória de lenta recuperação, com o Adjusted NICS registrando crescimento pelo terceiro mês consecutivo em abril.

"Olhando o nosso relatório e os resultados, a gente pode parecer que não é a realidade", concluiu Nuhs. "Mas nós estamos muito satisfeitos. Os resultados foram muito bons. Agora 2026 a gente tem boas perspectivas. É um ano menos tumultuado para nós, e a companhia está pronta para essa expansão internacional".

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