Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador Mertsav. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mertsav. Mostrar todas as postagens

27 abril, 2026

Taurus antecipa integração com a Mertsav e apresenta armas turcas como parte de seu portfólio militar

A maior vendedora de armas leves do mundo apresentou a militares, policiais e autoridades um portfólio com metralhadoras e lançadores de granada de uma empresa turca que ainda não foi formalmente adquirida, mas que, na prática, já opera como parte da família Taurus

Imagem destaca as metralhadoras e os laçadores de granadas da Mertsav ao lado 
de duas submetralhadoras Taurus RPC 9mm com supressores

*LRCA Defense Consulting - 27/04/2026

Havia algo incomum no salão da AMTT São Paulo entre os dias 13 e 17 de abril de 2026. Entre pistolas, fuzis e o drone armado TAS, produtos inequivocamente brasileiros, saídos das linhas de produção da Taurus em São Leopoldo (RS) e nos Estados Unidos, militares das forças armadas e integrantes das forças policiais manuseavam armas que não constam de nenhum catálogo oficial da empresa gaúcha. 

Ao menos, não ainda, embora na postagem que fez em suas mídias sociais a empresa tenha escrito que "a Taurus recebeu, na AMTT São Paulo, profissionais e autoridades das Forças Armadas e Policiais para uma agenda de apresentações e demonstrações técnicas de seu portfólio Taurus Military Products".

Algumas das armas apresentadas são turcas, produzidas pela Mertsav Savunma Sistemleri, fabricante de Istambul e Kırıkkale que a Taurus está em negociações para adquirir há mais de um ano e que, segundo o Fato Relevante mais recente, publicado em 2 de abril de 2026, ainda aguarda a conclusão de auditorias, negociações finais e aprovações regulatórias para ter a operação efetivada.

No entanto, o que se viu na AMTT conta uma história diferente. Uma história de integração que, na prática, já está em curso.

O que estava no salão
O portfólio apresentado sob o guarda-chuva Taurus Military Products reunia produtos de origens distintas, mas com uma identidade visual e comercial unificada. Do lado brasileiro, estavam presentes as submetralhadoras RPC 9mm nas versões de cano de 8" e 4,5", ambas equipadas com supressores, a arma revolucionária que a Taurus posiciona como concorrente direta da HK MP5 e que não possui nenhum parafuso na estrutura, um pioneirismo mundial declarado pela empresa.

Também figuravam a pistola TX9 (lançada no World Defense Show de Riade, em fevereiro), os fuzis T4 e T10 em diferentes calibres, e o TAS - Tactical Air Soldier, o drone armado desenvolvido em parceria com uma empresa brasileira especializada, cuja estação de tiro é de fabricação Taurus.

Do lado turco, e este é o ponto central desta matéria, o salão contava com um conjunto expressivo de sistemas assinados pela Mertsav:

Metralhadoras:

  • MMG556: metralhadora leve calibre 5,56mm NATO, compatível com carregadores STANAG e correia M27, com três opções de comprimento de cano;

  • MMG762: metralhadora de médio calibre 7,62mm NATO, variante aprimorada da FN Minimi 7,62 (Maximi/Mk.48);

  • MHMG-127: metralhadora pesada calibre 12,7mm (.50 BMG), projetada para atingir alvos terrestres e aéreos a longa distância.

Lançadores de granada e fuzil com acoplamento:

  • TAC 40: lançador de granada standalone calibre 40 mm;

  • MPA 440: lançador de granadas calibre 40 mm, de repetição múltipla, com sistema de funcionamento por ação de bombeamento;

  • TAN: fuzil de assalto 5,56mm com lançador de granada acoplado, também de origem Mertsav.

Nenhum desses sistemas é ainda fabricado pela Taurus. Nenhum deles está no portfólio formal da empresa brasileira. Mas todos foram apresentados, lado a lado com produtos Taurus, a militares e policiais brasileiros sob o mesmo rótulo comercial: Taurus Military Products.



O que isso significa
A pergunta que naturalmente emerge é: por que uma empresa apresenta, em evento institucional para as Forças Armadas e Policiais de seu próprio país, produtos de uma fabricante estrangeira que ainda não adquiriu?

A resposta mais simples e provavelmente a mais correta é que, operacionalmente, a aquisição já está resolvida. O que falta são os ritos formais: a conclusão da due diligence, a assinatura dos contratos definitivos e as aprovações regulatórias nos dois países envolvidos.

Esta não seria a primeira vez que a lógica dos negócios corre à frente do papel. Em março de 2026, o próprio CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, revelou em uma live que a empresa havia vencido licitação internacional para o fornecimento de 300 metralhadoras Mertsav MMG762 ao Exército Brasileiro via Estados Unidos. Ou seja, a Taurus já vende armas Mertsav para as Forças Armadas do país que sedia a Taurus, antes de a aquisição da Mertsav estar concluída.

Em fevereiro de 2026, a Marinha do Brasil assinou com a Taurus um Protocolo de Intenções para o desenvolvimento de sistemas de armas coletivas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50 BMG, precisamente os calibres das três metralhadoras Mertsav exibidas na AMTT. Na cerimônia, realizada na Fortaleza de São José, no Rio de Janeiro, Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, foi direto: "Estamos dando um passo decisivo dentro da Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as Minimi em calibre 5,56mm e 7,62mm, e a .50."

A presença do BNDES na assinatura daquele protocolo, com o presidente Aloizio Mercadante formalizando apoio por documento oficial, indica que o projeto tem respaldo da política industrial do governo federal, inserido na Missão 6 da Nova Indústria Brasil, dotada de R$ 112,9 bilhões em investimentos até 2026.

Uma empresa que vende antes de ser comprada
A Mertsav não chegou ao radar brasileiro sem credenciais. Antes de aparecer nas apresentaçoes da Taurus, a empresa turca já havia conquistado contratos recentes e relevantes em dois países do Sudeste Asiático.

Para o Exército da Malásia, forneceu 86 metralhadoras pesadas MHMG-127 após disputa com 14 concorrentes. Para os Fuzileiros Navais das Filipinas, saiu vitoriosa com 95 unidades da MMG762, sendo a única licitante a atender todos os requisitos técnicos e financeiros da concorrência. Curiosamente, nessa mesma disputa, Mertsav e Taurus competiram separadamente em outra licitação, para fuzis, como concorrentes diretos. Ambas perderam para a sul-coreana Dasan Machineries.

Essa cena resume bem o estágio em que as duas empresas se encontravam até recentemente: orbitando os mesmos mercados, disputando os mesmos clientes, mas ainda de lados distintos do balcão.

O evento na AMTT de abril de 2026 sugere que esse período chegou ao fim.

O salto que a Taurus quer dar
Para entender a magnitude do movimento, é preciso ter em mente o que a Taurus é hoje e o que pretende ser. A empresa gaúcha, fundada há 86 anos, consolidou-se como a maior vendedora de armas leves do mundo, com mais de 82% de seus produtos exportados para os Estados Unidos. É líder em pistolas e revólveres, com fábricas no Brasil, EUA e Índia.

O que ela não tem e a Mertsav tem é expertise em armas coletivas: metralhadoras leves e pesadas, e lançadores de granada. Desenvolver essa tecnologia do zero exigiria anos de P&D, testes extensivos e homologações custosas. A aquisição da Mertsav, se concluída, comprime esse caminho de forma dramática.

A ambição declarada é explícita: tornar a Taurus a única empresa no mundo capaz de fabricar armas do calibre .22 LR ao .50 BMG, disputando um mercado estimado em US$ 71,5 bilhões até 2032. Para isso, a companhia criou uma nova diretoria específica para o portfólio militar, recrutando um executivo brasileiro com duas décadas de experiência em Israel, referência mundial no setor de defesa.

Caso a aquisição se concretize, como tudo indica, as armas Mertsav passarão a ser produzidas também no Brasil, sem desativação das unidades turcas. A Taurus Turquia se tornaria a quarta unidade produtiva do grupo no mundo.

CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, acompanhado de Henrique Gomes, Diretor da Divisão Militar e Exportação, em visita de cortesia ao General de Exército Basto, Comandante Militar do Sul (CMS), e ao General de Divisão Ferraz, Comandante da 3ª Região Militar (3ª RM)

O sinal mais claro até agora
Desde o primeiro Memorando de Entendimentos, assinado na LAAD de abril de 2025, a operação acumulou prorrogações e adiamentos. O mercado acostumou-se a aguardar o anúncio definitivo. Mas poucos sinais foram tão concretos quanto o que se viu na AMTT de São Paulo.

Apresentar armas turcas para oficiais das Forças Armadas e policiais brasileiras, em evento fechado de alta credibilidade institucional, não é um gesto de intenção. É um gesto de confiança operacional. É o tipo de apresentação que se faz quando o produto já faz parte da família, mesmo que o cartório ainda não tenha registrado o nome.

Mas se a AMTT foi o palco, o que veio a seguir foi a plateia de mais alto escalão até agora. Em 22 de abril, cinco dias após o encerramento do evento em São Paulo, o próprio CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, acompanhado de Henrique Gomes, Diretor da Divisão Militar e Exportação, realizou uma visita de cortesia ao General de Exército Basto, Comandante Militar do Sul (CMS), e ao General de Divisão Ferraz, Comandante da 3ª Região Militar (3ª RM). Na pauta: as atualizações do portfólio Taurus Military Products e os projetos desenvolvidos em alinhamento às necessidades operacionais do Exército Brasileiro.

A escolha do Comando Militar do Sul não é geograficamente acidental. Porto Alegre, sede do CMS e da 3ª RM, fica a menos de 50 quilômetros de São Leopoldo, onde está a principal fábrica da Taurus. A empresa e o Exército são vizinhos há décadas. Mas uma visita de cortesia do CEO a um general de quatro estrelas, com o diretor da divisão militar ao lado e com o portfólio de armas coletivas na pasta, tem um peso diferente de uma reunião de rotina. É o tipo de agenda que se realiza quando há um negócio sério a discutir, e quando se quer que os mais altos escalões da força armada sejam os primeiros a saber o que está por vir.

A sequência dos eventos de abril de 2026, AMTT em São Paulo e visita ao CMS em Porto Alegre, descreve uma empresa em movimento coordenado: apresenta o produto para o corpo técnico e operacional, depois leva o CEO e o Diretor da Divisão Militar para alinhar com o topo da cadeia de comando regional. É a lógica de quem não está mais vendendo uma ideia, mas entregando uma realidade.

A Taurus ainda não adquiriu a Mertsav no papel. Mas em abril de 2026, entre o salão da AMTT e o gabinete do Comandante Militar do Sul, as armas turcas já portavam um sobrenome brasileiro, e os generais provavelmente já sabem disso.

06 abril, 2026

Brasil e Turquia: a aliança industrial de defesa que está redesenhando o mapa geopolítico do Sul Global

Da ratificação legislativa aos contratos concretos, a parceria bilateral entre Brasília e Ancara avança a passos largos e pode transformar a indústria de defesa dos dois países por décadas, com implicações diretas na Embraer, Akaer, SIATT e Taurus 

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 06/04/2026

Havia quatro anos que o documento aguardava. Assinado simultaneamente em Ancara e Brasília em 25 de março de 2022, o Acordo de Cooperação na Indústria de Defesa entre Brasil e Turquia percorreu um longo caminho burocrático antes de ganhar força de lei. O Senado Federal brasileiro aprovou o projeto (PDL 262/2024) em setembro de 2025. Agora, nos primeiros dias de abril de 2026, o acordo cruzou o último obstáculo: a Comissão de Relações Exteriores da Grande Assembleia Nacional da Turquia (TBMM) aprovou o texto por unanimidade, encaminhando-o ao plenário para votação final.

O vice-ministro das Relações Exteriores turco, Mehmet Kemal Bozay, foi além do protocolo diplomático durante a sessão. Segundo a transcrição oficial da comissão, ele afirmou que a parceria já "ultrapassou o estágio de intenções", citando projetos em andamento com a Embraer, a Akaer Engenharia e programas conjuntos de drones como o ANKA e o AKSUNGUR. Em outras palavras: mesmo antes da ratificação formal, o acordo já havia gerado realidade industrial.

Embraer e TUSAŞ: quando o jato comercial aponta para o cargueiro e o caça
O símbolo mais visível da cooperação foi selado em abril de 2025, durante a LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro. A Turkish Aerospace (TUSAŞ) e a Embraer assinaram um Memorando de Entendimento para explorar a colaboração industrial, incluindo a potencial produção dos jatos comerciais E2 da Embraer, especificamente o E190-E2 e o E195-E2, na Turquia. O vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin acompanhou pessoalmente a cerimônia de assinatura.

Mas analistas do setor rapidamente perceberam que o acordo vai muito além de jatos regionais. O Ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, disse à Reuters que a Embraer está negociando a venda da aeronave de transporte militar KC-390 para a Turquia, Polônia e Finlândia. O KC-390, que compete diretamente com o lendário C-130 Hercules da Lockheed Martin, já foi selecionado por oito países europeus, a maioria deles membros da OTAN, entre 2019 e 2025, somando cerca de 29 aeronaves encomendadas ou planejadas.

Há ainda uma terceira camada, mais ambiciosa: especialistas cogitam a possível participação brasileira no desenvolvimento do caça de 5ª geração KAAN, projeto estratégico da TUSAŞ. O primeiro protótipo do KAAN está previsto para voar entre maio e junho de 2026, com outros dois protótipos em construção. Nenhuma das empresas confirmou oficialmente esse desdobramento, mas a lógica industrial da parceria aponta nessa direção.

O motor que fez história: Kale e SIATT
Um dos marcos mais concretos da cooperação bilateral aconteceu de forma quase silenciosa, mas com enorme peso estratégico. Durante a LAAD 2025, a empresa Kale Jet Engines confirmou o contrato de exportação inaugural do motor turbojato KTJ-3200 para atender a demanda da brasileira SIATT e seu míssil antinavio MANSUP-ER. Foi a primeira exportação desse motor fora da Turquia.

O significado é duplo. Para a Turquia, representa a consolidação de sua indústria de propulsão no mercado internacional. Para o Brasil, resolve um gargalo crítico: o CEO da SIATT, Rogério Salvador, afirmou durante a LAAD 2025 que a indústria brasileira de turbinas não teria disponível e "pronto para uso" o motor pretendido pela empresa.

O MANSUP-ER, graças ao uso do motor turbojato, terá um alcance superior a 200 km, um salto significativo em relação aos 70 km do MANSUP original, que usa propulsão a foguete. O míssil é um projeto conjunto Brasil-Emirados Árabes Unidos e já foi adquirido pelas marinhas dos dois países. A SIATT já iniciou a integração do KTJ-3200 no MANSUP-ER, com múltiplos motores a serem entregues para testes de voo.


Akaer: a engenharia brasileira no coração dos programas turcos
Menos conhecida do grande público, a empresa paulista Akaer Engenharia, sediada em São José dos Campos, representa um caso raro de integração profunda em programas estratégicos estrangeiros. Desde 2023, a empresa participa do programa HÜRJET, o treinador avançado e avião de combate leve em desenvolvimento pela TUSAŞ, sendo responsável pelo projeto estrutural, cálculos e instalação de sistemas da fuselagem traseira e empenagens.

A parceria é a demonstração prática de que o Brasil não é apenas um comprador de tecnologia turca, mas também um fornecedor de competências de alto nível. A relação foi incrementada ainda mais em 2025, com um MoU entre a Akaer e a Aselsan, empresa turca líder em eletrônica de defesa, para o desenvolvimento conjunto de soluções na área.


 

Taurus mira a Turquia e um mercado de US$ 74 bilhões
A movimentação mais recente, e também a de maior repercussão no mercado financeiro, envolve a Taurus Armas. Em 2 de abril de 2026, a empresa apresentou uma proposta não vinculante para adquirir o controle acionário da Mertsav Savunma Sistemleri, companhia turca especializada no desenvolvimento e na fabricação de sistemas de armas de médio calibre.

A lógica estratégica por trás da operação é direta. A Mertsav possui três unidades de produção em Istambul e na Área Industrial de Defesa de Kırıkkale, além de um portfólio que inclui metralhadoras leves nos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, metralhadoras pesadas calibre .50 BMG e outros armamentos. Trata-se exatamente do segmento de produtos que a Taurus precisa incorporar para ampliar sua atuação no mercado militar e, inclusive, atender compromissos já assumidos com o Corpo de Fuzileiros Navais brasileiro.

Ao adquirir a Mertsav, a Taurus encurtaria em vários anos o desenvolvimento dessa linha de armamentos e daria um salto de capacidade no segmento militar. Como esta Consultoria já observou anteriormente, a operação teria um significado inédito: seria a primeira vez que uma empresa brasileira absorveria tecnologia estrangeira de ponta no campo das armas coletivas com o objetivo explícito de nacionalizar sua produção e, posteriormente, exportá-la.

Mais do que uma aquisição corporativa, a operação representaria uma mudança de identidade para a Taurus. A empresa deixaria de ser apenas a maior vendedora mundial de armas leves para se transformar em um fabricante completo de sistemas militares, com produtos que abrangeriam desde o calibre .22 LR até o .50 BMG.

Para a própria Mertsav, a transação também mudaria radicalmente sua posição no mercado. Deixaria de ser uma empresa turca pouco conhecida internacionalmente para se tornar a fornecedora da tecnologia que equipará duas Forças Armadas brasileiras. Isso porque, por meio de uma licitação internacional vencida pela Taurus, a empresa fornecerá 300 metralhadoras pesadas calibre .50 ao Exército Brasileiro.

Se a aquisição for concluída, a Taurus passará a contar com unidades produtivas no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia e na Turquia, tornando-se uma das poucas fabricantes de armamentos do hemisfério sul com presença efetivamente global.

A geopolítica por trás dos contratos
O que está sendo construído entre Brasília e Ancara não é apenas uma série de acordos comerciais. É uma reconfiguração estratégica que responde a um momento de fragmentação global.

A cooperação Brasil-Turquia reflete o esforço brasileiro de diversificar suas parcerias internacionais, reduzindo dependências históricas e buscando inovação em setores estratégicos da defesa. Do lado turco, a lógica é simétrica: a indústria de defesa do país busca ampliar mercados além da OTAN, e o Brasil, com cerca de US$ 25 bilhões gastos anualmente em defesa, representa um cliente estratégico de primeira ordem.

A Turquia foi bem-sucedida na fabricação de drones e se tornou um exportador influente, com papel importante em conflitos como o de Nagorno-Karabakh, projetando sua indústria de defesa para o cenário mundial. O Brasil, por sua vez, já aparece entre os novos atores que ganharam espaço no mercado europeu de defesa, ao lado de Coreia do Sul e Turquia, segundo relatório da Fondation pour la Recherche Stratégique.

A complementaridade é quase perfeita: a Turquia lidera em drones, motores a jato e caças leves; o Brasil se destaca em aeronaves de transporte, jatos regionais e engenharia aeroespacial. O acordo de 2022, ao proteger propriedade intelectual e permitir transferência de tecnologia, cria o arcabouço legal para explorar exatamente essa sinergia.

O que vem a seguir
Com a ratificação turca iminente no plenário da TBMM, espera-se uma aceleração dos projetos em curso. Fontes diplomáticas indicam novas rodadas de negociação e visitas técnicas ainda em 2026. O primeiro voo do MANSUP-ER está previsto para meados deste ano. A Taurus aguarda conclusão da due diligence com a Mertsav. E a TUSAŞ promete pelo menos duas novidades relevantes na feira SAHA 2026.

A parceria que começou como um protocolo de intenções assinado em 2022 tornou-se, em quatro anos, um eixo concreto da política industrial de defesa de dois países que querem ser protagonistas, e não coadjuvantes. na ordem global que se redesenha.

Postagem em destaque