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19 maio, 2026

Taurus encerra 1T26 no vermelho, mas trimestre é um divisor de águas

Combinação de tarifa de 50%, acordo judicial não recorrente e câmbio desfavorável gerou prejuízo de R$ 36,6 milhões, mas a empresa encerrou o período com carteira de pedidos próxima a US$ 100 milhões, margem bruta superior à de concorrentes americanos e perspectiva de receber US$ 18 milhões em restituições tarifárias ainda no 2T26. 

 

*LRCA Defense Consulting - 19/05/2026

A Taurus Armas S.A. (B3: TASA3; TASA4) registrou prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), revertendo o lucro de R$ 18,6 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado, publicado na última sexta-feira (15), foi debatido nesta segunda-feira (18) em live com analistas e investidores, conduzida pelo canal do analista Marco Saravalle com a presença do CEO global Salesio Nuhs e do CFO Sergio Sgrillo.

O trimestre concentrou uma série de fatores adversos que a gestão classifica como não recorrentes ou já superados: dois meses de incidência da sobretarifa de 50% sobre exportações para os Estados Unidos (vigente até 24 de fevereiro), o reconhecimento integral de um acordo jurídico firmado nos EUA no início de abril, e a valorização do real frente ao dólar, cuja cotação média (PTAX) recuou 10,1% em relação ao 1T25.

"O nosso trimestre foi um trimestre especial, extraordinário", disse Nuhs na live. "Ele limpou os problemas que nós tínhamos com relação às tarifas." O executivo resumiu os 18 meses anteriores como um "kit de maldades" que reuniu ao mesmo tempo restrições regulatórias no Brasil, a sobretarifa americana e o impacto cambial. "O kit de maldades acabou", concluiu.

Receita e margens: resiliência acima dos pares
A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 354,9 milhões no 1T26, crescimento de 1,7% frente ao 1T25, desempenho considerado expressivo dado o ambiente tarifário que vigorou na maior parte do trimestre. O mercado interno avançou 14,8% na mesma comparação, reflexo da aceleração no processamento de documentos para caçadores, colecionadores e atiradores (CACs) com a migração do controle para a Polícia Federal, que neste mês de maio anuncia um novo sistema de gestão.

O lucro bruto somou R$ 100,1 milhões, com margem bruta de 28,2%. O indicador ficou 4,1 pontos percentuais abaixo do 1T25, mas superou os concorrentes americanos: a Ruger registrou margem bruta de 19,9% e a Smith & Wesson (S&W), 26,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2026. "A gente mantém a nossa tradição de empresa de capital aberto que tem a maior margem bruta", disse Nuhs, destacando que o desempenho foi alcançado mesmo com o peso das tarifas.

As despesas operacionais somaram R$ 135,5 milhões, alta de 15,4% sobre o 1T25, fortemente influenciadas pelo acordo judicial reconhecido no período. O Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões, ante resultado positivo de R$ 7,0 milhões no 1T25. Excluídos os efeitos não recorrentes, a companhia avalia que o 1T26 teria sido "um dos melhores primeiros trimestres dos últimos anos", nas palavras de Nuhs.

Tarifa derrubada e restituição em curso
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em 24 de fevereiro de 2026, que declarou ilegal a política tarifária de 50%, abriu caminho para a devolução de aproximadamente US$ 18 milhões pagos pela Taurus ao longo de cerca de oito meses. O release de sexta-feira informava o recebimento de uma primeira parcela de US$ 2,4 milhões, depositada em 13 de maio no caixa da subsidiária americana.

Na live desta segunda, Nuhs e Sgrillo atualizaram o dado: até a sexta-feira anterior (16/5), o total já recebido havia chegado a cerca de US$ 6 milhões, com o governo americano processando os pagamentos em tranches diárias. A expectativa é receber o valor integral até o final de junho, dentro do prazo máximo de 90 dias estabelecido pelas autoridades americanas. "Está sendo processado mais rápido do que a gente esperava", disse Sgrillo.

Há ainda um valor residual de aproximadamente US$ 700 mil a US$ 1.000.000 que a empresa ainda estuda se recupera por via administrativa ou judicial. Quando recebidos, os recursos serão lançados como "outras receitas operacionais", impactando positivamente o Ebitda e o resultado líquido do 2T26. Sgrillo confirmou que os valores entrarão diretamente no caixa da operação americana para abater dívida.

A tarifa atualmente vigente é de 10%, patamar ao qual a Taurus já operou anteriormente. "A partir do segundo trimestre, a gente começa a ter uma vida normal, como a que tinha antes da tarifação", disse o CFO, sinalizando que o 2T26 deve se assemelhar ao 2T25 em termos de condições operacionais, com melhora gradual esperada ao longo do ano.

Produção: pela primeira vez, EUA superam o Brasil
No 1T26, a produção nos Estados Unidos superou pela primeira vez o volume fabricado no Brasil, respondendo por aproximadamente 52% das 157 mil armas produzidas no trimestre. O movimento refletiu a estratégia de internalização adotada durante a vigência da sobretarifa, com a montagem de pistolas e revólveres transferida temporariamente para a planta de Bainbridge, na Geórgia.

Com o fim da tarifa, a empresa já reverteu o movimento. "Revólver a gente já trouxe 100% pro Brasil. A partir de abril, a gente também está produzindo as pistolas da família G no Brasil", informou Nuhs na live. A produção americana passou a se concentrar na família TX e nos produtos Heritage, mantendo a lógica de atender o mercado local com fabricação local. Em janeiro, a unidade brasileira concedeu 15 dias de férias coletivas, o que também contribuiu para reduzir o volume nacional no trimestre.

A flexibilidade de produção entre os dois países é apontada pela gestão como um diferencial competitivo estrutural. O retorno da produção ao Brasil, onde os custos são menores, deve contribuir para a recuperação de margem nos próximos trimestres. "A gente continua tendo os melhores custos no Brasil", afirmou Nuhs.

Portfólio em renovação: TX9, RPC e a aposta no mercado militar
O 1T26 marcou o início da vigência comercial de dois novos produtos estratégicos: a pistola TX9 e a RPC (Raging Pistol Carbine). A TX9 foi lançada globalmente em janeiro de 2026, fabricada nos EUA sob protocolos militares da OTAN, e já foi adotada pioneiramente pela Guarda Municipal de Esteio (RS) entre as forças de segurança brasileiras. A plataforma modular, com quatro tamanhos de pistola e sistema de segurança Tetralock, é posicionada acima de US$ 400 no mercado americano, rompendo com a faixa de entrada de consumo onde a Taurus historicamente concentrava suas vendas.

A RPC, lançada no NRAAM (National Rifle Association Annual Meeting) em Houston no dia 14 de abril, é uma PDW (arma de defesa pessoal) em calibre 9x19mm com ação retardada por roletes, categorizada nos EUA como pistola por ser comercializada sem a coronha. A recepção no mercado americano foi imediata e muito positiva, com o produto figurando entre os mais lidos no American Rifleman, publicação oficial da NRA, e gerando interesse de portais como Guns.com e Rifle Configurator. O preço em torno de US$ 700 a posiciona como a alternativa mais acessível no segmento de ação retardada por roletes, à frente da HK SP5 e da Springfield Armory Kuna.

Nuhs ressaltou na live que o portfólio está sendo racionado. "A gente tinha 240 SKUs de pistola num distribuidor. É humanamente impossível gerenciar isso", disse. A TX9 passa a ser a plataforma central, com versões para os mercados civil, policial, militar e esportivo. Uma versão Competition voltada para IPSC deve ser apresentada no SHOT Show de julho. A TX22, arma mais vendida nos EUA no portfólio Taurus, conta atualmente com carteira de 175 mil unidades, impulsionada pelo custo da munição calibre .22, mais barata em um cenário de inflação elevada nos Estados Unidos.

Índia e mercados internacionais: contratos crescem
A joint venture JD Taurus, na Índia, registrou avanço expressivo no período. Segundo dados consolidados, apenas em 2026 a JD Taurus já ganhou mais de 15 mil armas em licitações: 5.368 pistolas TS9 para as Forças Armadas Policiais Centrais (CAPF) em janeiro e 6.136 unidades para a Força-Tarefa Especial de Uttar Pradesh em março, além de contratos adicionais que completam o total divulgado no release. As vendas civis cresceram mais de 60% em 2025.

"A gente ganhou esse ano 15.000 armas em licitações só na Índia, mas estamos participando de mais de 25.000 em licitações para os próximos meses", informou Nuhs. A receita da JD Taurus não é consolidada nas demonstrações financeiras, sendo reconhecida via equivalência patrimonial. Para os próximos períodos, a empresa prevê o desenvolvimento de fornecedores locais para a TX9 e a expansão do portfólio civil no país.

Nos demais mercados internacionais, as vendas totalizaram 13 mil armas no 1T26, com destaque para Filipinas, África do Sul e Guatemala. A Taurus recebeu no trimestre o Notice to Proceed referente à licitação de 10.402 fuzis, vencida anteriormente, com entregas previstas ao longo de 2026. No Brasil, a empresa venceu licitação da Polícia Militar do Distrito Federal para fornecer mais de 1.800 submetralhadoras calibre 9 mm, no valor aproximado de R$ 12 milhões, aguardando a finalização do processo.

Mertsav: aquisição avança para os 'finalmentes'
Em 2 de abril de 2026, a Taurus divulgou fato relevante sobre proposta não vinculante para aquisição do controle acionário da turca Mertsav Savunma Sistemleri A.Ş., especializada em sistemas de armas de médio calibre, incluindo metralhadoras nos calibres 5,56, 7,62 e .50. Na live, Nuhs informou que a due diligence está "bastante avançada", com a auditoria dos resultados até o 1T26 em fase de conclusão.

"A gente tá indo pros finalmentes na auditoria dos resultados. Acho que até o final do ano a gente tem a decisão tomada, com certeza absoluta", afirmou o CEO. A estratégia é manter a operação na Turquia para exportações internacionais, dado o ambiente regulatório mais favorável do que o brasileiro para produtos de defesa, e trazer a tecnologia para São Leopoldo para atender às Forças Armadas brasileiras.

A Mertsav representa para a Taurus o elo que falta em seu portfólio para cobrir a faixa entre pistolas e calibres maiores. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs. O mercado global de armamentos de médio e grande calibre movimentou cerca de US$ 45,8 bilhões em 2025, com projeção de atingir US$ 74 bilhões até 2032, crescimento anual médio superior a 7%.

Como grande novidade, a empresa informa que está desenvolvendo, paralelamente, um portfólio de veículos não tripulados, aéreos e terrestres, que serão equipados com as armas do segmento médio e pesado quando a tecnologia estiver disponível. O drone TAS (Tactical Air Soldier), apresentado no World Defense Show 2026 em Riade, já integra o portfólio Taurus Military Products.

Endividamento recua; alavancagem deve cair no 2T26
A dívida líquida encerrou o 1T26 em R$ 541,1 milhões, redução de 5,4% frente ao encerramento de 2025. Sgrillo destacou que a companhia adotou, nos últimos cinco a seis meses, política ativa de desestocagem nos EUA, liberando cerca de R$ 100 milhões de produto acabado para gerar caixa sem aumentar o endividamento, mesmo em um ano de resultados menores.

O custo médio da dívida é de 7,04% ao ano, considerado competitivo. Parcela relevante dos financiamentos é proveniente de linhas com a Finep e o Plano Brasil Soberano, com custo médio de 5,32% ao ano. "A gente imagina que num período de um ano volta a ter uma alavancagem de duas a duas vezes e meia, que é super sadia", disse o CFO.

Com a entrada dos US$ 18 milhões de restituição tarifária, a dívida líquida deve recuar de forma relevante já no 2T26. Em setembro, a companhia prevê inaugurar o CITE (Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia) em São Leopoldo, que concentrará os esforços de pesquisa e desenvolvimento de produtos, aliviando a fábrica das interrupções causadas pelos tryouts de novos modelos.

Perspectivas: 2026 como ano de virada
A gestão da Taurus projeta recuperação substancial dos resultados a partir do 2T26. Os principais vetores apontados são: recebimento dos US$ 18 milhões de restituição tarifária (com impacto direto no Ebitda, resultado líquido e redução de dívida); operação sem sobretarifa de 50% pelo primeiro trimestre completo; carteira de pedidos nos EUA próxima a US$ 100 milhões, com faturamento previsto até junho/julho; retomada da produção no Brasil, com custos menores; e aceleração dos registros de CACs no mercado interno com o novo sistema da Polícia Federal.

O ano eleitoral no Brasil também é apontado como fator positivo para o setor. "2026 é um ano de eleição aqui no Brasil, que traz uma expectativa pro segmento", disse Nuhs. O CEO adicionou que o mercado americano, apesar das dificuldades econômicas (com o custo de combustível elevado sendo citado como preocupação dos funcionários da Taurus USA na Geórgia), segue em trajetória de lenta recuperação, com o Adjusted NICS registrando crescimento pelo terceiro mês consecutivo em abril.

"Olhando o nosso relatório e os resultados, a gente pode parecer que não é a realidade", concluiu Nuhs. "Mas nós estamos muito satisfeitos. Os resultados foram muito bons. Agora 2026 a gente tem boas perspectivas. É um ano menos tumultuado para nós, e a companhia está pronta para essa expansão internacional".

08 maio, 2026

Embraer registra maior receita da história para um primeiro trimestre e bate recorde em carteira de pedidos

Fabricante brasileira de aeronaves faturou US$ 1,447 bilhão no 1T26, crescimento de 31% na comparação anual; backlog chega a US$ 32,1 bilhões pelo sexto trimestre consecutivo de recordes


*LRCA Defense Consulting - 08/05/2026

A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a maior receita já registrada para o período, consolidando um início de ano que surpreende positivamente em volume operacional, mesmo diante de ventos contrários como as tarifas de importação dos Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (8), mostram uma empresa que acelera entregas, acumula pedidos em ritmo histórico e reitera suas projeções para o ano.

Receita recorde e margens em alta
A Embraer alcançou US$ 32,1 bilhões em sua carteira de pedidos no primeiro trimestre, consolidando o sexto recorde consecutivo e reforçando sua posição entre as principais fabricantes de aeronaves do mundo.

No campo financeiro, a companhia faturou US$ 1,447 bilhão no período, o maior valor de sempre para um primeiro trimestre e uma alta de 31% frente ao 1T25. O EBIT ajustado chegou a US$ 94 milhões, com margem de 6,5%, acima dos 5,6% registrados um ano antes. Vale notar que as tarifas de importação americanas de 10% custaram à empresa US$ 13 milhões no trimestre (92 pontos-base de impacto), e outros US$ 11 milhões em estoque já estão contabilizados para impactar o segundo trimestre.

O lucro líquido ajustado ficou em US$ 27,7 milhões, ante US$ 50 milhões no mesmo período de 2025. A queda reflete, em parte, mudança metodológica: a empresa decidiu deixar de classificar impostos diferidos como item extraordinário, ajustando os comparativos de 2025 para uma análise mais consistente. O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 33,4 milhões, ou US$ 0,1856 por ADS.

Defesa puxa os destaques; Comercial cresce em volume
O segmento de Defesa e Segurança foi a grande estrela do trimestre. A receita saltou 63% na comparação anual, chegando a US$ 227 milhões, impulsionada pelo reconhecimento de receita do KC-390 Millennium e pelo aumento na produção do A-29 Super Tucano. A margem bruta quase dobrou, passando de 12,3% para 26,8%, e a margem EBIT ajustada virou fortemente positiva, saindo de -1,6% para 17%, beneficiada por US$ 25 milhões em itens não recorrentes.

A Aviação Comercial cresceu 45% em receita, atingindo US$ 293 milhões, mas viu suas margens pressionadas por mix de clientes, custos logísticos e ausência de créditos de fornecedores que haviam beneficiado o 1T25. A Aviação Executiva faturou US$ 418 milhões (+30%), embora a margem EBIT ajustada tenha recuado de 11,3% para 6%, afetada pelas tarifas americanas (US$ 12 milhões de impacto) e pelos gastos com o lançamento da nova família Praetor 500/600 "E". Serviços e Suporte, por sua vez, entregou crescimento sólido de 15%, com receita de US$ 490 milhões e melhora de margem, parcialmente compensando o efeito das tarifas no segmento.

44 aeronaves entregues, alta de 47%
A Embraer entregou 44 aeronaves no trimestre, avanço de 47% sobre as 30 entregas registradas no primeiro trimestre do ano passado. Das 44 aeronaves, 10 foram jatos comerciais (4 da família E2 e 6 da família E1), 29 foram executivos (16 pequenos e 13 médios) e 5 foram de defesa (um KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano).

Esse volume corresponde a 16% da previsão anual da empresa, que projeta entre 240 e 255 entregas combinadas nas áreas de aviação comercial e executiva em 2026.

Carteira de pedidos no maior patamar da história
O backlog de US$ 32,1 bilhões representa alta de 22% na comparação anual. O avanço foi puxado pela aviação comercial, que registrou alta de 50% e alcançou US$ 15 bilhões em pedidos. Um dos destaques do período foi a Europa, com a compra de até 46 aeronaves E195-E2 pela finlandesa Finnair, sendo 18 vinculadas ao trimestre entre encomendas firmes, opções e direitos de compra.

A relação book-to-bill (pedidos recebidos versus faturados) da Aviação Comercial ficou em 3,0x nos últimos doze meses, ou seja, a empresa vendeu três vezes mais do que entregou no período, sinal de demanda robusta à frente.

Caixa negativo no trimestre, mas por escolha
O fluxo de caixa livre ajustado (sem Eve) foi negativo em US$ 447,1 milhões, um resultado esperado e explicado pela construção de estoque. O aumento de US$ 399,5 milhões em inventários é deliberado: a Embraer está antecipando produção para honrar um volume maior de entregas nos próximos trimestres, especialmente no segundo semestre, quando a sazonalidade do setor concentra as entregas.

A posição de caixa consolidada ficou em US$ 2,298 bilhões ao final de março, complementada por uma linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão ainda não utilizada. A subsidiária Eve, focada em aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOL), encerrou o trimestre com US$ 441 milhões em caixa.

Guidance de 2026 mantido apesar das tarifas
A empresa reiterou integralmente suas projeções para o ano: receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, já incorporando o impacto de tarifas de importação americanas de 10%, e fluxo de caixa livre de pelo menos US$ 200 milhões. Em termos operacionais, a meta é entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 executivas ao longo do ano.

Ações e remuneração aos acionistas
As ações da Embraer acumulavam valorização expressiva nos doze meses anteriores ao balanço: alta de 43% no pregão da B3 (EMBJ3), contra 17% do Ibovespa, e de 28% na NYSE (EMBJ), ante 16% do S&P 500. O valor de mercado da companhia era de R$ 54,3 bilhões (US$ 10,5 bilhões) em 31 de março. No período, a empresa recomprou R$ 183,7 milhões em ações e pagou R$ 12,7 milhões em dividendos. Para os acionistas do EMBJ3, está previsto ainda o pagamento de dividendos do exercício de 2025 no valor de R$ 0,01 por ação, com liquidação em 20 de maio.

27 abril, 2026

Embraer registra carteira de pedidos recorde de US$ 32,1 bilhões no 1T26; sexto trimestre consecutivo de máxima histórica

Fabricante brasileira amplia backlog 22% na comparação anual, impulsionada pela aviação comercial e novos contratos de defesa e serviços 

 

*
LRCA Defense Consulting - 27/04/2026

A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 32,1 bilhões, marcando o sexto recorde consecutivo para o indicador. O avanço de 22% em relação ao mesmo período de 2025 reflete a aceleração da demanda por aeronaves comerciais e executivas, além da expansão do portfólio de defesa e serviços da companhia.

No trimestre, a empresa entregou 44 aeronaves em todas as unidades de negócio, uma alta de 47% frente às 30 entregas do 1T25. O desempenho corresponde a aproximadamente 16% do ponto médio da orientação anual da companhia (248 aeronaves), quatro pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o período, de 12%.

Aviação Comercial lidera crescimento com alta de 50% no backlog
A divisão de Aviação Comercial atingiu US$ 15,0 bilhões em carteira de pedidos no 1T26, expansão de 50% em relação ao 1T25 e 3% acima do trimestre anterior. O principal destaque foi a Finnair, que fechou um pedido de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo ordens firmes, opções e direitos de compra. Com isso, 18 unidades do modelo foram incorporadas ao backlog da Embraer no primeiro trimestre. Outros três E195-E2 foram vendidos a um cliente não divulgado.

No período, foram entregues seis E175 para Republic Airlines (3), American Airlines (2) e SkyWest (1); um E190-E2 para a Azorra; e dois E195-E2 para a Luxair e um para a AerCap. A unidade fechou o trimestre com índice book-to-bill de 3,0x nos últimos 12 meses.

Aviação Executiva mantém estabilidade e lança nova geração Praetor
A Aviação Executiva encerrou o trimestre com backlog de US$ 7,6 bilhões, estável tanto na comparação trimestral quanto anual. A divisão entregou 29 aeronaves no período, uma alta de 26% sobre as 23 do 1T25, com 16 unidades na categoria de jatos pequenos e 13 na de médio porte. As entregas corresponderam a 18% do ponto médio da orientação anual (165 aeronaves), seis pontos percentuais acima da média histórica para o período.

No trimestre, a Embraer anunciou a próxima geração da família Praetor, com o lançamento do Praetor 600E e Praetor 500E, que trazem cabine completamente redesenhada e tecnologias embarcadas avançadas. Além disso, o Phenom 300 foi reconhecido pelo 14º ano consecutivo como o jato leve mais entregue do mundo e, pelo 6º ano, o bimotor mais entregue, segundo dados do setor.

Defesa avança na Europa e na Ásia Central com novos clientes revelados
A unidade de Defesa & Segurança registrou backlog de US$ 4,4 bilhões no 1T26, alta de 5% em doze meses, com queda de 4% na comparação trimestral. No período, foram entregues um KC-390 Millennium e um A-29 Super Tucano à Força Aérea Portuguesa; dois A-29 Super Tucano à Força Aérea do Uruguai, como parte de programa de modernização voltado à vigilância e patrulha de fronteiras; e um A-29 Super Tucano a um cliente não revelado na África.

A Embraer também confirmou a República do Uzbequistão como o cliente anteriormente não divulgado do KC-390 Millennium, marcando a entrada da plataforma na Ásia Central. Paralelamente, as Filipinas foram reveladas como compradoras de seis A-29 Super Tucano, expandindo sua frota para 12 aeronaves. A divisão encerrou o trimestre com book-to-bill de 1,2x nos últimos 12 meses.

Serviços & Suporte bate recorde com contratos de longo prazo
A área de Serviços & Suporte atingiu backlog recorde de US$ 5,1 bilhões no 1T26, crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado por novos acordos de longo prazo firmados no trimestre, incluindo contratos com a Airnorth para suporte à frota E-Jet, com a Força Aérea Húngara para cobertura da frota KC-390 Millennium e com a Virgin Australia por meio do programa AHEAD de manutenção preditiva para a frota E2. O book-to-bill da divisão foi de 1,2x nos últimos 12 meses.
 
Backlog por segmento no 1T26 (em bilhões de dólares)

Segmento

1T26

4T25

1T25

a/a

Aviação Comercial

15,0

14,5

10,0

+50%

Aviação Executiva

7,6

7,6

7,6

—

Defesa & Segurança

4,4

4,6

4,2

+5%

Serviços & Suporte

5,1

4,9

4,6

+11%

Total

32,1

31,6

26,4

+22%

Com o backlog total crescendo pelo sexto trimestre consecutivo e entregas 47% acima do patamar de um ano atrás, a Embraer sinaliza momentum operacional robusto e perspectiva de demanda favorável para 2026, com orientação de 240 a 255 entregas nas divisões de Aviação Executiva e Comercial combinadas.

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