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23 outubro, 2026

Defesa puxa o salto anual e Embraer encadeia o oitavo recorde seguido na carteira de pedidos

Com US$ 35,7 bilhões em encomendas firmes ao fim de setembro, fabricante incorpora o KC-390 da Colômbia e os pedidos de Farnborough e chega ao último trimestre com dois terços das entregas civis do ano já realizadas 



*LRCA Defense Consulting - 23/10/2026 - 08h30

A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 (3T26) com uma carteira de pedidos (backlog) de US$ 35,7 bilhões, o maior valor de sua história. Divulgado nesta sexta-feira (23), em São Paulo, o número supera em 3% os US$ 34,5 bilhões de junho e em 14% os US$ 31,3 bilhões de setembro de 2025. É o oitavo trimestre consecutivo em que a fabricante renova sua máxima: o primeiro trimestre do ano havia marcado o sexto recorde seguido, e o segundo, o sétimo.

O avanço se distribuiu pelas quatro unidades de negócios, mas com pesos diferentes. Na comparação com junho, Aviação Comercial e Aviação Executiva cresceram 5% cada; na comparação anual, quem mais avançou foi Defesa e Segurança, cuja carteira saltou 56%, de US$ 3,9 bilhões para US$ 6,1 bilhões. Aviação Executiva (US$ 8,2 bilhões) e Serviços e Suporte (US$ 5,6 bilhões) também atingiram recordes próprios, enquanto a Aviação Comercial segue como a maior fatia, com US$ 15,8 bilhões.

KC-390 conquista o primeiro cliente latino-americano além do Brasil 
O principal fato do período na área militar foi o contrato assinado em 4 de agosto, em Bogotá, pela Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) para duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium. O acordo inclui equipamentos de missão, pacote integrado de serviços e suporte e um programa de cooperação industrial para atender às exigências regulatórias colombianas. Segundo a agência EFE, o negócio somou US$ 366 milhões.

Com a assinatura, a Colômbia tornou-se o 13º país a selecionar o cargueiro e o primeiro da América Latina, além do Brasil. Os aviões colombianos terão conectividade para operar de forma integrada com os caças Gripen recentemente adquiridos por Bogotá, o que permitirá o reabastecimento em voo da nova aviação de caça do país vizinho. O comandante da FAC, general Carlos Fernando Silva, informou que o pacote prevê treinamento e transferência de conhecimento para pilotos, técnicos de manutenção, operadores de simuladores e pessoal de apoio, e lembrou que a relação com a Embraer começou há mais de 35 anos, com o T-27 Tucano, e se consolidou com o A-29 Super Tucano. No mesmo trimestre, a área de serviços fechou com a FAC o contrato de suporte logístico da futura frota.

O pedido colombiano, contudo, não aparece como um salto na carteira de Defesa, que ficou praticamente estável em relação a junho. A explicação provável está no consumo da própria carteira pelas entregas: no trimestre, a Embraer entregou o primeiro C-390 à República Tcheca, ampliando a base de operadores na Europa, e dois A-29 Super Tucano à Força Aérea Paraguaia, concluindo o lote de seis aviões encomendado por Assunção. O grande salto do segmento havia ocorrido no trimestre anterior, quando o registro da encomenda dos Emirados Árabes Unidos levou a carteira de US$ 4,4 bilhões para US$ 6,1 bilhões.

Pelos números da empresa, o programa KC-390 acumula 58 encomendas firmes, 15 entregas, 43 aeronaves a entregar e 29 opções. A Força Aérea Brasileira (FAB) e os Emirados respondem, cada um, por dez aviões pendentes, seguidos de Holanda (cinco), Áustria e Suécia (quatro cada), Coreia do Sul (três) e Colômbia, Portugal e Uzbequistão (dois cada). O A-29 Super Tucano, considerando apenas os pedidos feitos desde 2024, tem 25 aeronaves a entregar, com destaque para Portugal (sete) e Filipinas (seis). A relação entre pedidos e faturamento (book-to-bill) de 2,9 vezes nos últimos 12 meses indica que a unidade vende quase o triplo do que fatura.

A Embraer ressalva que as seleções do KC-390 pela Eslováquia e pela Lituânia, de três aeronaves cada, não constam da carteira porque os contratos ainda não estão em vigor. No caso lituano, o horizonte é longo: em janeiro, o Conselho de Defesa do Estado adiou para depois de 2030 a adoção do C-390, redirecionando recursos para defesa antiaérea e infraestrutura militar, e decidiu modernizar a frota de C-27J Spartan, que deverá permanecer em serviço até 2036. Para atender à fila de pedidos firmes, a Embraer, que produziu três KC-390 em 2024, prevê fabricar seis unidades neste ano e pretende chegar a dez por ano até 2030 na linha de Gavião Peixoto (SP).

Farnborough reforça a carteira comercial 
Na Aviação Comercial, o trimestre trouxe 36 pedidos firmes e 30 direitos de compra ou opções para a família E2, quase todos anunciados no Farnborough International Airshow, em julho, no Reino Unido. O destaque foi o Grupo Abra, controlador da GOL e da Avianca, que fez sua primeira compra de jatos E2: 20 E195-E2 firmes, com dez opções e 15 direitos de compra, podendo chegar a 45 aeronaves. Apenas o lote firme tem valor de mercado estimado em US$ 1,8 bilhão, e as entregas devem começar no quarto trimestre de 2027, para expandir a malha do grupo na América Latina.

A espanhola Binter encomendou mais cinco E195-E2 e garantiu quatro direitos de compra; a Luxair, de Luxemburgo, converteu três direitos em pedidos firmes do E190-E2, elevando sua carteira na família para nove aviões; e a japonesa ANA Holdings ampliou em oito unidades o acordo de 2025, chegando a 23 E190-E2 firmes, o que a torna a maior cliente do modelo. No acumulado de 2026, são 72 encomendas firmes de jatos E2, e a unidade fechou o período com book-to-bill de 1,2 vez.

A carteira comercial soma hoje 479 aeronaves firmes a entregar e 426 opções e direitos de compra. Chama a atenção o peso da demanda latino-americana no E195-E2: além dos 20 aviões do Grupo Abra, a Azul tem 25 unidades pendentes e a LATAM, 24. No trimestre, a divisão entregou 22 jatos (11 E175, quatro E190-E2 e sete E195-E2), somando 52 no ano, cerca de 63% do ponto médio da projeção de 80 a 85 aeronaves para 2026.

Executiva renova o recorde com o Phenom 300EV 
A Aviação Executiva chegou a US$ 8,2 bilhões em pedidos firmes, alta de 12% em um ano, além de US$ 5,2 bilhões em opções, calculados pelo preço de tabela. No trimestre, a Embraer lançou o Phenom 300EV, nova versão do jato leve mais entregue do mundo há 14 anos consecutivos. O modelo traz o sistema Garmin Emergency Autoland, que faz o pouso automático em emergências, e recebeu certificação tripla da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da norte-americana FAA e da europeia EASA, tornando-se o primeiro jato leve certificado com essa tecnologia.

A divisão também entregou à Flexjet o primeiro Praetor 600E, nova geração do jato supermédio, que, ao lado do Praetor 500E, igualmente obteve certificação tripla. As entregas, porém, ficaram estáveis em 41 jatos no trimestre, abaixo da estimativa de 46 unidades da XP Investimentos. No ano, são 115 aeronaves, cerca de 70% do ponto médio da projeção de 160 a 170 jatos, e o book-to-bill em 12 meses é de 1,4 vez.

Serviços sustentam a receita recorrente 
Serviços e Suporte alcançou US$ 5,6 bilhões, crescimento de 14% em um ano, puxado por contratos de longo prazo nas três frentes. Na aviação comercial, foram fechados contratos de pool de peças para as frotas de 19 E190 da Portugália e de 40 E190 da Alliance Airlines, além da extensão do acordo que cobre nove ERJ 145 da Western Air. Na executiva, a unidade assinou 69 contratos do programa Executive Care, que somam cerca de US$ 53 milhões.

Na área de defesa, além do suporte à futura frota colombiana de KC-390, a Embraer renovou o contrato de Suporte Logístico Integrado (SLI) dos A-29 Super Tucano da Fuerza Aérea de Chile (FACH) e ampliou o escopo do acordo de meios de treinamento com a Suécia. O segmento já vinha de um contrato relevante no País: em junho, o Comando da Aeronáutica contratou a Embraer, por R$ 506,5 milhões, para o suporte logístico integrado da frota de KC-390 da FAB até dezembro de 2030.

Entregas menos concentradas no fim do ano 
Os dados de carteira completam os números de entregas divulgados em 2 de outubro. A Embraer entregou 66 aeronaves no trimestre, o melhor terceiro trimestre de sua história, e 175 no acumulado do ano, 14% acima do mesmo período de 2025. As 167 entregas civis representam cerca de 67% do ponto médio de 248 aeronaves projetado para 2026, oito pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o período. A empresa atribui o resultado ao programa de nivelamento da produção, que vem reduzindo a tradicional concentração de entregas no quarto trimestre.

A leitura do mercado foi dividida. O Bradesco BBI classificou as entregas como mistas, sem alterar sua visão positiva sobre a companhia; o Santander as considerou moderadamente positivas e avaliou que as metas anuais continuam alcançáveis; e o Itaú BBA as viu como levemente negativas. A Embraer manteve a projeção de entregar entre 80 e 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 executivos neste ano.

O que vem pela frente 
O novo recorde antecede a divulgação do balanço completo do 3T26, para o qual analistas mantêm expectativa positiva; o Santander chegou a apontar a possibilidade de surpresa favorável. A carteira de US$ 35,7 bilhões equivale a vários anos de produção e dá sustentação à meta, anunciada pela direção da empresa em junho, de tornar a Embraer uma companhia de US$ 10 bilhões em receita antes de 2030, depois de uma projeção entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões para 2026.

Para a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, o dado mais significativo é a mudança de patamar da unidade militar, que em um ano passou de US$ 3,9 bilhões para US$ 6,1 bilhões em pedidos firmes, sem contar as seleções ainda não convertidas em contrato. A conversão dessas intenções e a capacidade de acelerar a cadência de produção do KC-390 em Gavião Peixoto deverão ser os principais pontos de atenção da empresa nos próximos trimestres.

10 agosto, 2026

Embraer registra recorde de receita no segundo trimestre e eleva projeções para 2026

Fabricante brasileira fatura US$ 2,2 bilhões no 2T26, alta de 23% ante o mesmo período de 2025, e amplia margem de EBIT ajustado esperada para o ano


*LRCA Defense Consulting - 10/08/2026

A Embraer, uma das líderes globais da indústria aeroespacial, divulgou nesta segunda-feira (10), em São Paulo (SP), os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). A receita consolidada somou US$ 2,235 bilhões no período, novo recorde histórico para o intervalo entre abril e junho e alta de 23% em relação ao mesmo trimestre de 2025 (2T25). O resultado foi puxado pelo desempenho positivo de todas as unidades de negócio da companhia.

No consolidado, o EBIT ajustado somou US$ 296,9 milhões no 2T26, com margem de 13,3%. O fluxo de caixa livre ajustado, sem considerar a Eve, subsidiária de aviação elétrica de decolagem vertical (eVTOL) da Embraer, totalizou US$ 401 milhões, resultado atribuído ao desempenho operacional mais forte, à entrada de recursos vinculados a adiantamentos de vendas e a um crédito tributário extraordinário.

O lucro líquido ajustado avançou para US$ 218,6 milhões, ante US$ 158 milhões no 2T25. Já o lucro líquido atribuído aos acionistas somou US$ 212,6 milhões, com lucro por ADS (American Depositary Share) de US$ 1,1880, comparado a US$ 78,6 milhões e US$ 0,4283, respectivamente, no mesmo trimestre do ano passado. Os investimentos da companhia totalizaram US$ 120,8 milhões no trimestre (US$ 97,5 milhões no 2T25); somados aos aportes na Eve, o montante atingiu US$ 151 milhões (US$ 145,9 milhões um ano antes).

Desempenho por unidade de negócio
A área de Defesa & Segurança foi novamente destaque no trimestre, com receita de US$ 304 milhões, alta de 38% na comparação anual. O avanço decorre do maior reconhecimento de receita do KC-390 Millennium, associado ao mix de clientes e ao estágio dos contratos. A margem bruta subiu de 19,5% para 20,6% na comparação anual, enquanto a margem de EBIT ajustado passou de 9,2% para 11,9%, favorecida pela alavancagem operacional.

A Aviação Executiva gerou receita de US$ 725 milhões, alta de 32% ante o 2T25, beneficiada por maior volume de entregas e por mix de produtos mais favorável. Em Serviços & Suporte, a receita alcançou US$ 565 milhões, crescimento de 24% na mesma base de comparação, refletindo o aumento de volume em todos os segmentos atendidos pela unidade. Já a Aviação Comercial registrou receita de US$ 625 milhões no trimestre, 8% acima do 2T25, impulsionada principalmente por maiores volumes.

Entregas e carteira de pedidos
A Embraer entregou 65 aeronaves no 2T26, o melhor desempenho da companhia para um segundo trimestre nos últimos 16 anos, com alta de 7% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, foram 109 aeronaves entregues, cerca de 20% a mais que as 91 unidades do mesmo período de 2025, resultado sustentado pelo avanço das iniciativas de nivelamento de produção da companhia.

A carteira de pedidos (backlog) subiu a US$ 34,5 bilhões no 2T26, sétimo trimestre consecutivo de recorde no indicador. O valor representa alta de 16% na comparação com o 2T25. Segundo analistas de mercado, o principal catalisador da expansão da carteira no trimestre foi o contrato dos Emirados Árabes Unidos, de até 20 unidades do KC-390 Millennium, o maior pedido internacional de um único país para a aeronave e que marca a entrada do modelo no mercado do Oriente Médio.

Novas projeções para 2026
O crédito tributário extraordinário, a isenção de tarifas e a melhora nas perspectivas de negócios levaram a Embraer a elevar o guidance (projeção) para o ano. A companhia agora espera fechar 2026 com margem de EBIT ajustado entre 10% e 10,6%, ante a faixa anterior de 8,7% a 9,3%, e fluxo de caixa livre ajustado, sem considerar a Eve, igual ou superior a US$ 400 milhões, acima da meta anterior de US$ 200 milhões.

Repercussão no mercado
Casas de análise como BTG Pactual, XP Investimentos, Bradesco BBI, Santander e Safra mantêm recomendação de compra para os papéis da Embraer, negociados como EMBJ3 na B3 e como EMBJ na NYSE. Os bancos citam a expansão da carteira de pedidos, a melhora gradual da cadeia de suprimentos, a aceleração das entregas e a perspectiva de expansão de margens em todas as divisões da companhia como fatores que sustentam a avaliação positiva. O BTG Pactual estima que o lucro líquido da Embraer pode praticamente dobrar em 2026 na comparação com o ano anterior.

08 maio, 2026

Embraer registra maior receita da história para um primeiro trimestre e bate recorde em carteira de pedidos

Fabricante brasileira de aeronaves faturou US$ 1,447 bilhão no 1T26, crescimento de 31% na comparação anual; backlog chega a US$ 32,1 bilhões pelo sexto trimestre consecutivo de recordes


*LRCA Defense Consulting - 08/05/2026

A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a maior receita já registrada para o período, consolidando um início de ano que surpreende positivamente em volume operacional, mesmo diante de ventos contrários como as tarifas de importação dos Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (8), mostram uma empresa que acelera entregas, acumula pedidos em ritmo histórico e reitera suas projeções para o ano.

Receita recorde e margens em alta
A Embraer alcançou US$ 32,1 bilhões em sua carteira de pedidos no primeiro trimestre, consolidando o sexto recorde consecutivo e reforçando sua posição entre as principais fabricantes de aeronaves do mundo.

No campo financeiro, a companhia faturou US$ 1,447 bilhão no período, o maior valor de sempre para um primeiro trimestre e uma alta de 31% frente ao 1T25. O EBIT ajustado chegou a US$ 94 milhões, com margem de 6,5%, acima dos 5,6% registrados um ano antes. Vale notar que as tarifas de importação americanas de 10% custaram à empresa US$ 13 milhões no trimestre (92 pontos-base de impacto), e outros US$ 11 milhões em estoque já estão contabilizados para impactar o segundo trimestre.

O lucro líquido ajustado ficou em US$ 27,7 milhões, ante US$ 50 milhões no mesmo período de 2025. A queda reflete, em parte, mudança metodológica: a empresa decidiu deixar de classificar impostos diferidos como item extraordinário, ajustando os comparativos de 2025 para uma análise mais consistente. O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 33,4 milhões, ou US$ 0,1856 por ADS.

Defesa puxa os destaques; Comercial cresce em volume
O segmento de Defesa e Segurança foi a grande estrela do trimestre. A receita saltou 63% na comparação anual, chegando a US$ 227 milhões, impulsionada pelo reconhecimento de receita do KC-390 Millennium e pelo aumento na produção do A-29 Super Tucano. A margem bruta quase dobrou, passando de 12,3% para 26,8%, e a margem EBIT ajustada virou fortemente positiva, saindo de -1,6% para 17%, beneficiada por US$ 25 milhões em itens não recorrentes.

A Aviação Comercial cresceu 45% em receita, atingindo US$ 293 milhões, mas viu suas margens pressionadas por mix de clientes, custos logísticos e ausência de créditos de fornecedores que haviam beneficiado o 1T25. A Aviação Executiva faturou US$ 418 milhões (+30%), embora a margem EBIT ajustada tenha recuado de 11,3% para 6%, afetada pelas tarifas americanas (US$ 12 milhões de impacto) e pelos gastos com o lançamento da nova família Praetor 500/600 "E". Serviços e Suporte, por sua vez, entregou crescimento sólido de 15%, com receita de US$ 490 milhões e melhora de margem, parcialmente compensando o efeito das tarifas no segmento.

44 aeronaves entregues, alta de 47%
A Embraer entregou 44 aeronaves no trimestre, avanço de 47% sobre as 30 entregas registradas no primeiro trimestre do ano passado. Das 44 aeronaves, 10 foram jatos comerciais (4 da família E2 e 6 da família E1), 29 foram executivos (16 pequenos e 13 médios) e 5 foram de defesa (um KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano).

Esse volume corresponde a 16% da previsão anual da empresa, que projeta entre 240 e 255 entregas combinadas nas áreas de aviação comercial e executiva em 2026.

Carteira de pedidos no maior patamar da história
O backlog de US$ 32,1 bilhões representa alta de 22% na comparação anual. O avanço foi puxado pela aviação comercial, que registrou alta de 50% e alcançou US$ 15 bilhões em pedidos. Um dos destaques do período foi a Europa, com a compra de até 46 aeronaves E195-E2 pela finlandesa Finnair, sendo 18 vinculadas ao trimestre entre encomendas firmes, opções e direitos de compra.

A relação book-to-bill (pedidos recebidos versus faturados) da Aviação Comercial ficou em 3,0x nos últimos doze meses, ou seja, a empresa vendeu três vezes mais do que entregou no período, sinal de demanda robusta à frente.

Caixa negativo no trimestre, mas por escolha
O fluxo de caixa livre ajustado (sem Eve) foi negativo em US$ 447,1 milhões, um resultado esperado e explicado pela construção de estoque. O aumento de US$ 399,5 milhões em inventários é deliberado: a Embraer está antecipando produção para honrar um volume maior de entregas nos próximos trimestres, especialmente no segundo semestre, quando a sazonalidade do setor concentra as entregas.

A posição de caixa consolidada ficou em US$ 2,298 bilhões ao final de março, complementada por uma linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão ainda não utilizada. A subsidiária Eve, focada em aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOL), encerrou o trimestre com US$ 441 milhões em caixa.

Guidance de 2026 mantido apesar das tarifas
A empresa reiterou integralmente suas projeções para o ano: receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, já incorporando o impacto de tarifas de importação americanas de 10%, e fluxo de caixa livre de pelo menos US$ 200 milhões. Em termos operacionais, a meta é entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 executivas ao longo do ano.

Ações e remuneração aos acionistas
As ações da Embraer acumulavam valorização expressiva nos doze meses anteriores ao balanço: alta de 43% no pregão da B3 (EMBJ3), contra 17% do Ibovespa, e de 28% na NYSE (EMBJ), ante 16% do S&P 500. O valor de mercado da companhia era de R$ 54,3 bilhões (US$ 10,5 bilhões) em 31 de março. No período, a empresa recomprou R$ 183,7 milhões em ações e pagou R$ 12,7 milhões em dividendos. Para os acionistas do EMBJ3, está previsto ainda o pagamento de dividendos do exercício de 2025 no valor de R$ 0,01 por ação, com liquidação em 20 de maio.

27 fevereiro, 2025

Resultado anual da Embraer, com fortes lucros e maior carteira de pedidos da história, consolida o turnaround da empresa


*LRCA Defense Consulting - 27/02/2025

A Embraer divulgou hoje os seus números relativos ao quarto trimestre do ano passado e ao ano de 2024, trazendo números robustos, principalmente na comparação anual. Os resultados de 2024 consolidam o turnaround da empresa realizado após a desastrosa negociação com a Boeing.

Receitas recordes, EBIT e fluxo de caixa livre

As receitas totalizaram R$13,7 bilhões no 4º trimestre e R$35,4 bilhões em 2024, o nível mais alto de todos os tempos, +36% na comparação anual e perto do limite superior das estimativas anuais. Destaque para receita de Defesa & Segurança +55% de crescimento anual.

O EBIT ajustado atingiu R$1,6 bilhão com margem de 11,5% no 4T24. Em 2024, a empresa reportou EBIT ajustado de R$4,0 bilhões e margem de 11,3% (R$3,2 bilhões e 8,9% ex-Boeing) acima das estimativas anuais.

O fluxo de caixa livre ajustado sem Eve foi de R$6,0 bilhões durante o trimestre e R$4,6 bilhões em 2024, apoiado pelo maior número de aeronaves entregues, forte desempenho em vendas (pré-pagamentos iniciais – sigla PDP’s em inglês) e arbitragem da Boeing. Consequentemente, a empresa encerrou 2024 com uma posição de dívida líquida de R$684,6 milhões (sem Eve). 

Investment Grade e dividendos
A Embraer encerrou 2024 com uma relação dívida líquida/Ebitda de 0,1x, abaixo dos 1,4x de 2023. A Moody’s elevou a classificação de crédito da Embraer de “Ba1” para “Baa3” com perspectiva estável em dezembro. Consequentemente, todas as três principais agências de classificação dos EUA classificam a empresa como Investment Grade (IG).

Essa confortável situação possibilitará à Embraer pagar dividendos pela primeira vez em sete anos. Segundo Francisco Gomes Neto, CEO da empresa, os valores ainda estão sendo calculados, mas essa será uma realidade daqui para frente.

Lucro líquido muito forte
O lucro líquido atribuível aos acionistas da Embraer e o lucro líquido por ADS (American Depositary Shares) foram respectivamente de R$263,8 milhões e R$0,3592 no 4T24, comparado a R$943,6 milhões e R$1,2845 no 4T23. Na base anual, o lucro líquido foi de R$1,9 bilhão em 2024, comparado com R$783,6 milhões em 2023, e o lucro por ADS foi de R$2,6120 em 2024, contra R$1,0667 em 2023.

O lucro líquido ajustado foi de R$1,1 bilhão no trimestre, em comparação com R$350,6 milhões do ano anterior, se excluídos itens extraordinários, como R$(548,8) milhões em impostos diferidos e R$(280,6) milhões de resultados da Eve (impactados negativamente pelas perdas de marcação a mercado de suas warrants devido ao preço mais alto de suas ações).

Enquanto isso, no ano, o lucro líquido ajustado foi de R$2,6 bilhões em 2024, contra R$333,2 milhões em 2023, se excluídos itens extraordinários, como R$(678,1) milhões em impostos diferidos e R$25,3 milhões dos resultados da Eve. É importante destacar que os custos de desenvolvimento da Eve começaram a ser capitalizados como ativos intangíveis no 3T23 à medida que o programa atingiu maturidade suficiente.

Entregas
A Embraer entregou 75 jatos no 4T24, sendo 31 jatos comerciais (20 E2 e 11 E1) e 44 jatos executivos (22 leves e 22 médios). Em 2024, a empresa entregou um total de 206 aeronaves, sendo 73 jatos comerciais (47 E2 e 26 E1), 130 jatos executivos (75 leves e 55 médios) e 3 KC-390 Millennium multimissão em Defesa & Segurança; +14% acima das 181 aeronaves entregues no ano anterior. As entregas estiveram em linha com as estimativas da Aviação Comercial e Executiva. 

A carteira total de pedidos atingiu US$26,3 bilhões no 4T24 - a maior já registrada pela empresa em sua história, mais de 40% maior na comparação anual e 16% maior na comparação trimestral. Para mais informações consulte nossa Carteira de Pedidos & Entregas 4T24.

Aviação Executiva
As receitas totalizaram R$3,8 bilhões, 27% acima do ano anterior devido aos efeitos da variação cambial. A margem bruta diminuiu de 20,7% para 16,8% principalmente devido ao mix de produtos e volumes mais baixos, uma vez que a iniciativa bem-sucedida de nivelamento da produção levou a entregas mais equilibradas ao longo do ano. A margem EBIT ajustada reduziu de 15,7% para 10,5% durante o período devido à variação da margem bruta e se compara com itens extraordinários positivos de um ano atrás (ou seja, créditos fiscais); +11,8% em 2024 versus +8,8% em 2023.

Defesa & Segurança
O faturamento atingiu R$1,4 bilhão, 39% superior ao ano anterior devido ao reconhecimento da receita do A-29 Super Tucano. A margem bruta passou de 13,9% para 28,4%, impactada pelo mix de clientes do KC-390 e maiores volumes de A-29, de acordo com o método de cálculo do percentual de conclusão. Consequentemente, a margem EBIT Ajustado saltou de 2,8% para 17,5% no período e refletiu a variação da margem bruta; +6,8% em 2024 versus +5,5% em 2023.

Aviação Comercial
As receitas foram de R$5,8 bilhões, um aumento de 58% em relação ao ano anterior devido ao maior número de entregas de aeronaves e também devido à desvalorização do real comparado ao dólar. A margem bruta aumentou de 7,9% para 12,4% suportada pelo mix de clientes e pela alavancagem operacional (31 versus 25 aeronaves). A margem EBIT ajustada aumentou de 4,6% para 8,5% durante o período e refletiu a variação da margem bruta, apesar da comparação com itens de efeito extraordinário positivos de um ano atrás (ou seja, créditos fiscais); +2,9% em 2024 versus +0,9% em 2023.

Serviços & Suporte

As receitas atingiram R$2,6 bilhões de dólares, um aumento de 35% face ao mesmo trimestre do ano anterior, devido à maior utilização da frota e ao ramp-up da OGMA GTF. A margem bruta reportada diminuiu ligeiramente de 30,1% para 29,3% devido ao mix de produtos. No entanto, a margem EBIT Ajustado aumentou de 16,6% para 17,5% durante o período, sustentada por itens extraordinários positivos (ou seja, royalties e seguros); +16,6% em 2024
versus +15,1% em 2023.

Outros
Inclui a Aviação Agrícola (com o pulverizador agrícola Ipanema), a divisão cibernética (Tempest) e outros negócios. As receitas do segmento aumentaram 11%, de R$160,6 milhões para R$178,1 milhões no comparativo anual, devido ao maior volume da Aviação Agrícola.

Estimativas para 2025
Entregas da Aviação Comercial entre 77 e 85 aeronaves, e entregas da Aviação Executiva entre 145 e 155 aeronaves.


08 abril, 2021

EUA: vendas de armas aumentam com auxílio emergencial e plano de controle de armas de Biden, em meio a tiroteios em massa

*LRCA Defense Consulting - 08/04/2021

Nenhuma das medidas de controle de armas anunciadas hoje nos EUA atinge diretamente as armas produzidas e/ou comercializadas pela Taurus Armas nesse país (pistolas, revólveres e rifles Puma), bem como são também inócuas para os demais fabricantes e importadores americanos.

Na verdade, foi "muita fumaça e pouco fogo", pois as medidas, embora anunciadas com muita pompa e um belo palavrório, são bastante modestas para o que pretendiam os democratas mais radicais.

Dando o tom do tamanho do problema que terá que enfrentar e da incapacidade de o Presidente dos Estados Unidos estabelecer normas mais rígidas sobre o tema, Biden disse saber que terá muitas dificuldades para aprovar medidas restritivas no Congresso e admitiu que a questão do controle de armas era "difícil".

Como comentou uma pessoa ligada a esta editoria, segue "tudo como dantes no quartel de Abrantes".

Medidas gerais de controle de armas divulgadas hoje:
- restringir "armas fantasmas" (fabricação caseira por meio de kits e sem número de registro), bem como de extensores/estabilizadores para pistolas serem usadas como rifles;
- norma da "bandeira vermelha" para retirar armas de pessoas sabidamente ou com suspeita de estar em crise;
- publicação de relatório anual sobre tráfico de armas;
- nomeação de David Chipman para chefiar a Agência de Alcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF).

Vendas de armas aumentam com o estímulo e o plano de controle de armas de Biden, em meio a tiroteios em massa

*Forbes - 01/04/2021

Os compradores, utilizando "cheques de estímulo" [auxílio emergencial], estavam comprando armas de fogo com novo frenesi em março, enquanto os horríveis tiroteios em massa levaram o presidente Biden a reiterar ao Congresso seu pedido de proibição de armas de assalto.

“Honestamente, março passado foi absolutamente insano”, disse Tiffany Teasdale, dona da Lynnwood Gun em Lynnwood, Washington. “Tínhamos uma espera de duas horas quase diariamente para simplesmente entrar em nossa loja.” 

As verificações de antecedentes federais para vendas de armas atingiram um novo recorde mensal em março, alimentadas por compradores de armas com cheques de estímulo de $ 1.400. As verificações de antecedentes federais totalizaram 4,69 milhões em março de 2021, informou o Federal Bureau of Investigation na quinta-feira.

Isso é um salto de cerca de 10% em relação a março de 2020, quando a pandemia varreu os Estados Unidos, estimulando um aumento nas vendas de armas enquanto os americanos buscavam autoproteção durante surtos de agitação civil, incluindo protestos pela morte de George Floyd durante uma prisão policial. O ano passado foi um recorde para verificações de antecedentes do FBI, totalizando 39,69 milhões.

Este ano está a caminho de superar 2020, com base em verificações de antecedentes federais, que não são o mesmo que vendas de armas, mas servem como o representante nacional mais próximo. Os varejistas de armas entrevistados pela Forbes atribuíram o aumento nas vendas de março aos cheques de estímulo.

“Assim que o dinheiro do estímulo saiu, as pessoas voltaram a comprar”, disse Teasdale. “Os clientes vinham reclamando e delirando sobre o dinheiro do estímulo que acabaram de receber e como o Tio Sam os está ajudando a comprar mais armas.” 

Muitos americanos estavam comprando pistolas e espingardas para autoproteção. Muitos outros estavam comprando AR-15 para tentar chegar à frente de Biden, acreditando que ele cumprirá sua ameaça de banir as armas de assalto.

Março também foi marcado por uma série de tiroteios em massa, incluindo a morte de quatro pessoas, inclusive uma criança, em um complexo de escritórios da Califórnia em 31 de março, a morte de 10 pessoas em um supermercado em Boulder, Colorado em 23 de março, e a morte de 8 pessoas, incluindo seis descendentes de asiáticos, nos spas da área de Atlanta em 17 de março.

O plano de Biden é restringir as armas de assalto como a pistola AR-556 de Sturm, Ruger que foi supostamente usada pelo atirador de Boulder. Mas a violência também gerou um aumento nas vendas de armas, e os varejistas relataram que estão vendo mais compradores de armas asiático-americanos em busca de proteção contra crimes de ódio.

Desde o início da pandemia, mais de 8,4 milhões de americanos compraram armas pela primeira vez, de acordo com estimativas do grupo da indústria de armas, National Shooting Sports Foundation.

“Os americanos continuam a votar com suas carteiras quando se trata da posse legal de armas de fogo”, disse Mark Oliva, diretor de relações públicas do NSSF. “As checagens de antecedentes de março mostram que a exigência do presidente Biden de proibir os AR-15 e a pressão dos democratas para promulgar leis que negariam aos americanos seus direitos está em desacordo com a Main Street, EUA”

As compras de armas levaram à escassez de munições em todo o país. Todos os varejistas de armas entrevistados pela Forbes estão racionando as compras de munição e alguns calibres não estão disponíveis.

Os varejistas de armas dizem que seus clientes estão comprando pistolas semiautomáticas compactas de marcas populares como Glock, Smith & Wesson e Taurus. Eles também estão comprando rifles semiautomáticos de estilo tático, que os defensores do controle de armas e os reguladores federais chamam de armas de assalto e que as empresas de armas preferem chamar de rifles esportivos modernos, ou MSRs. O NSSF estima que haja mais de 20 milhões de MSRs em circulação.

Após os recentes tiroteios em massa, Biden, um democrata dono de armas, pediu um retorno à proibição de armas de assalto que expirou em 2004 depois que seu limite de 10 anos acabou. Essa proibição forçou os rifles de assalto a perderem certas características definidoras, como o cabo da pistola e o cabo da baioneta, e limitou a capacidade do carregador em 10 cartuchos.

Isso é um pouco diferente do que Biden tem proposto, que é exigir que todos os proprietários de armas de assalto as registrem de acordo com a Lei Nacional de Armas de Fogo, que prolonga o processo de verificação de antecedentes de minutos para meses e adiciona um imposto de US$ 200,00. Os proprietários que não obedecerem podem entregar seus rifles em um programa nacional de recompra de armas.

Má notícia para fabricantes de fuzis
De qualquer forma, é uma má notícia para os fabricantes de armas AR-15, incluindo Smith & Wesson, Sig Sauer, Heckler & Koch, Knight's Armament, Lewis Machine & Tool, Franklin Armory, Daniel Defense, Noveske e Barrett, para citar alguns. 
Mas, por enquanto, o espectro do controle de armas está impulsionando as vendas.

“Grandes produtores de armas de fogo, como Smith & Wesson e Sturm, Ruger continuam a maximizar seus níveis de rendimento de produção em suas cadeias de abastecimento para melhor atender à historicamente forte demanda do consumidor”, disse Rommel Dionisio, analista da indústria de armas da Aegis Capital Corp.

Ele disse que a demanda está sendo impulsionada pelos "temores dos consumidores em relação à legislação de controle de armas, após os comentários recentes do presidente Biden em defesa do aumento das restrições regulatórias". Ele disse que a Smith & Wesson obtém cerca de 20% de suas vendas e lucros dos AR-15s, portanto, uma proibição "certamente seria significativa para eles".

Uma proibição de armas de assalto poderia eventualmente espremer pequenos lojistas como Al Tawil, dono da Towers Armory, uma loja de armas em Oregon, Ohio. Ele faz seus próprios AR-15 para vender em sua loja e atirar em seu alcance. Ele disse que estava tendo vendas recordes depois que os cheques de estímulo foram lançados, e agora ele sente que está competindo contra o plano de controle de armas de Biden.

“Precisamos aumentar a produção de ARs, tentar fazer o máximo que pudermos”, disse ele. “Poderíamos produzir de 50 a 60 por semana.”

Mas quão séria é a ameaça Biden?
Seu predecessor democrata, o presidente Obama, tentou, sem sucesso, conseguir que um projeto de lei de controle de armas fosse aprovado em 2013, após o notório tiroteio em massa no ano anterior, onde 26 alunos e educadores foram mortos na Escola Elementar Sandy Hook em Newtown, Connecticut. Foi usada naquele tiroteio uma marca que a Franklin Armory comprou no ano passado da Remington como parte de seu processo de falência Capítulo 11.

“Eu acredito que cria medo e pânico comprar ARs e e outras armas de alto poder de fogo, bem como carregadores de alta capacidade”, disse Brandon Wexler, proprietário da Wex Gunworks em Delray Beach, Flórida, quando questionado sobre o plano de controle de armas de Biden. “As vendas de AR foram extremamente fortes no último mês.”

Carregadores de alta capacidade têm sido usados em tiroteios em massa porque tornam mais fácil disparar sem recarregar. Isso os torna um alvo principal no plano de controle de armas de Biden, ao mesmo tempo que impulsiona as vendas. Mas Wexler não está preocupado com uma proibição.

“No final do dia, eu pessoalmente acredito que não vai dar certo”, disse ele. “Eu acredito que o negócio vai explodir completamente com isso.”


25 março, 2021

Segundo a Simply Wall St., Taurus já tem participação de fundos estrangeiros


*LRCA Defense Consulting - 25/03/2021

Em 21 de março, após a divulgação do excepcional balanço da Taurus Armas relativo ao ano de 2020, esta Consultoria produziu a matéria "Taurus cresce, aparece e se projeta para o futuro", onde comentava que "O fato de voltar a ter Patrimônio Líquido positivo tem importantes e consequentes implicações que poderão fazer uma grande diferença para o futuro da companhia:

  • possibilidade de investimento em suas ações por grandes fundos e gestoras de capital nacionais e internacionais, até então impedidos de fazê-lo; 
  • acesso a financiamentos nacionais e internacionais em condições vantajosas; 
  • eventuais aquisições e/ou novas joint ventures estratégicas; 
  • pagamento de dividendos anuais aos acionistas (35% pelo Estatuto), após serem acertadas as dívidas de exercícios anteriores ainda pendentes;
  • e, por que não, listagem de seus títulos em uma bolsa de valores norte-americana."
No dia de hoje (25), ao verificar os dados disponibilizados publicamente pela casa de análises internacional Simply Wall St., lá foi encontrada a atual composição acionária da empresa, que mostra a participação de fundos de investimento nacionais e internacionais, incluindo a BlackRock, uma das mais poderosas gestoras globais de investimentos. A participação da BlacRock na multinacional brasileira foi também confirmada por meio do seu "Annual report and audited financial statements 2020 - BlackRock Strategic Funds".
 
Além dela, também constam: o fundo americano Macquarie Investment Management Business Trust, um dos 50 principais gestores globais de ativos; a chilena Administradora General de Fondos Security S.A., uma das principais gestoras de ativos desse país; e os nacionais: BTG Pactual Asset, XP Investimentos Asset, Caixa Econômica Federal Asset, Itaú Unibanco Asset, São Paulo Gestora de Recursos, Órama Asset e Íris Investimentos. 
 
Esta Consultoria acredita que as posições acionárias divulgadas sejam tomadas em relação ao total de ações da Taurus Armas, haja vista que o megainvestidor brasileiro Luiz Barsi Filho aparece detendo 4,61% da empresa, enquanto o BTG Pactual aparece com 2,98%. Ressalta-se que as datas do início de cada investimento, exceto o do Barsi e o do BTG, são desconhecidas até o momento.



Em 31 de dezembro, a Taurus Armas publicou em seu site a composição acionária da companhia, discriminada por tipo de ação, onde só constavam as participações de Luiz Barsi Filho e do BTG, por serem ambas superiores a 5% do total de ações preferenciais.


A propósito, a casa de análises Simply Wall St., com dados atualizados ontem (24) e considerando a excepcional capacidade de geração de caixa que a empresa demonstra, está projetando um valor justo para as suas ações preferenciais de R$ 148,12, dentro de seu método de Fluxo de Caixa Descontado e tomando por base um horizonte de investimento de três a cinco anos.

Para maiores informações sobre a Simply Wall St. e suas análises sobre a Taurus, veja a matéria: "Taurus: em 8 meses, ação PN atinge valor justo previsto para 5 anos por casa de análises internacional"

19 março, 2021

Em turnaround "de livro", Taurus registra Patrimônio Líquido positivo e lucro de R$ 263,6 mi em 2020


*LRCA Defense Consulting - 19/03/2021

Ao divulgar o seu balanço referente ao 4T20 e ao ano de 2020, a Taurus Armas S.A. definitivamente surpreendeu analistas e acionistas ao apresentar Patrimônio Líquido positivo já agora (a previsão era para o 4T21) e registrar um excepcional lucro de 263,6 milhões de reais no ano passado. E isso foi alcançado com a subscrição de apenas uma parcela dos bônus (ainda restam R$ 178 mi) e sem a alienação dos ativos non core: fábrica de capacetes e terreno em Porto Alegre, ativos estes que poderão render cerca de 100 milhões de reais.

Sem dúvida, com esse balanço, a empresa mostra que realizou um verdadeiro "turnaround de livro".


 

Para analisar os resultados, vale transcrever a clara, lúcida e entusiasmada mensagem de Salesio Nuhs, CEO Global da empresa, recheando-a com infográficos do press release.

"Finalmente, patrimônio líquido positivo! A cada trimestre de 2020 os recordes em todos os indicadores operacionais se sucederam. A produção industrial se manteve em ritmo crescente, de modo que chegamos no último trimestre do ano com a média de produção, considerando as fábricas do Brasil e dos EUA, de 8.200 armas/dia e o total de 1,6 milhão de armas produzidas em 2020. 

Com a demanda aquecida em nossos principais mercados, Brasil e EUA, atingimos a marca de 1,8 milhão de armas vendidas, o que proporcionou receita de R$ 1.773,2 milhões. Isso representa aumento de 77,4% em relação a 2019, que já tinha sido um ano de resultados fortes para a Taurus. O crescimento da receita foi acompanhado de ganho de rentabilidade, a partir da firme gestão de custos e despesas, levando ao recorde também no lucro bruto, na margem bruta, no Ebitda e em sua margem.


Encerramos o ano com lucro líquido de R$ 263,6 milhões, o que permitiu reverter a posição de patrimônio líquido negativo que se mantinha na Taurus desde 2015. É um primeiro passo na direção de voltar a remunerar os acionistas com o pagamento de dividendos. E isso em apenas três anos a partir do choque de gestão que demos na Companhia, prazo bem mais curto do que o que se podia esperar.




Demos início à nossa gestão na Taurus, em 2018, com um propósito muito firme e um planejamento estratégico bem delineado, com foco em um objetivo claro: recuperar o equilíbrio da Companhia. Essa fase foi cumprida com sucesso. Os indicadores operacionais atingiram níveis sem precedentes para a Taurus e a questão do endividamento, que era um aspecto sensível, foi plenamente equalizada, com a razão de alavancagem dívida líquida/Ebitda saindo de 11,2 em 2018 para 1,7 ao final de 2020. Essa evolução se deve também, em grande parte, à visão estratégica do controlador em realizar uma operação de aumento de capital. Em 2020, foram capitalizados mais de R$ 40 milhões em exercícios dos bônus de subscrição, sendo que R$ 33,8 milhões foram realizados pelo controlador, parcela equivalente à 84,5% do total.




Foram mudanças profundas e definitivas, consolidando um perfil para a Taurus bastante diverso daquele de três anos atrás. Hoje a Taurus tem a maior margem bruta entre as empresas de armas que divulgam seus resultados. Nos preparamos para isso e temos, atualmente, o menor custo de produção, de modo que a margem bruta em 2020 foi de 42,6%, enquanto Ruger e Smith & Wesson – empresas do setor listadas em bolsa nos EUA – registraram margens, considerando os últimos 12 meses divulgados, de 33,7% e 39,6%, respectivamente. A Taurus é também a melhor empresa mundial do setor em termos de crescimento e de conquista de mercado.

A Companhia está muito bem estruturada e, quando se está preparado como estamos, tanto é possível superar mais rapidamente algum desafio que venha a surgir, como também se beneficiar mais amplamente de uma situação positiva de mercado. E nós estamos em uma situação muito favorável em nosso segmento de mercado desde o ano passado, com demanda em alta em nossos dois principais mercados – Brasil e EUA. O mercado norte-americano cresceu muito em 2020 e mantém essa tendência. Considerando os dados de intenção de compras do NICS (National Instant Criminal Background Check System), as consultas realizadas para a compra de arma nos meses de janeiro e fevereiro de 2021 nos EUA somaram 3,4 milhões, um número histórico, sem precedentes para igual período.

A possibilidade de ter uma arma proporciona, para o cidadão, maior sensação de liberdade e segurança para si e sua família. Para o consumidor, a arma é um produto que ele almeja e aguarda ansiosamente o momento de adquirir, é a realização de um sonho. Segundo pesquisa realizada no mercado norte-americano, 20 milhões de pessoas nesse país pretendem comprar sua primeira arma em 2021. E a Taurus é a primeira opção do consumidor que busca sua primeira arma de uso pessoal, em função da resistência, confiabilidade de funcionamento, custo x benefício e disponibilidade do produto. Nossa marca hoje é a 4ª mais vendida nos EUA e, se considerarmos as marcas de armas importadas no mercado norte-americano, desde 2019 a Taurus é líder de vendas.

Estamos com mais de um ano de produção futura vendida: temos back orders de 2,3 milhões armas, o que nos permite aumentar em pelo menos 30% as vendas e o Ebitda em 2021 em relação ao resultado que estamos apresentando agora, de 2020. As unidades do Brasil e dos EUA estão trabalhando intensamente e estamos nos preparando para aumentar ainda mais a produção, de modo a acompanhar esse ritmo da demanda. O ritmo de produção da fábrica no Brasil atualmente é de cerca de 6 mil armas/dia, o que representa produção de 1,1 milhão armas/ano. Nos EUA, a expectativa é que em 2021 a produção também já se aproxime da capacidade plena de produção de cerca de 800 mil armas no ano. Isso somaria 1,9 milhão de armas produzidas. Mas nossa meta é alcançar, ainda em 2021, a produção histórica de 2 milhões de armas.

Um possível limitador para seguir aumentando a produção poderia ser o fornecimento de matérias primas, uma vez que, atualmente, há uma crise de abastecimento que vai desde embalagens até commodities. De modo a evitar qualquer gargalo nesse sentido, alugamos um galpão próximo da fábrica de São Leopoldo para estoque de matérias primas, itens que são demandas mundiais. Assim temos garantido, e pretendemos manter esse padrão no decorrer do ano, um estoque de no mínimo três meses para as principais matérias primas, de forma a assegurar que não tenhamos problemas para entregar nossas encomendas.

Mesmo assim, com todos os resultados positivos e essa excelente perspectiva, não nos acomodamos. Seguimos pensando à frente e temos novas etapas traçadas no planejamento estratégico, sempre visando o crescimento da Companhia. Nos próximos cinco anos, queremos ser o maior fabricante de armas leves do mundo, e estamos em plena atividade, nos preparando para alcançar mais esse objetivo. Vamos chegar lá com crescimento orgânico – o que envolve o aumento da produção, produtos que incorporam os anseios do consumidor, atuação em segmentos que não atuamos ainda, de maior valor agregado.

Um aspecto que consideramos essencial em nosso modelo de atuação e em nossa visão de futuro da Taurus é o desenvolvimento de novos produtos. Investimos muito em pesquisa e desenvolvimento de modo a oferecer ao mercado produtos que atendam aos anseios do consumidor. Aspecto chave para isso é o CITE – Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/EUA. Unificamos a engenharia dos dois países, sob coordenação do Brasil. A equipe dos EUA tem a missão de reportar o que o consumidor está desejando em termos de inovação e a equipe do Brasil transforma isso em produtos. É uma prioridade manter esse CITE atuante e extremamente vigilante em relação às demandas do mercado, de modo que possamos responder ao consumidor apresentando novidades que tragam sempre a resposta a essas demandas.


Fruto do trabalho que vem sendo realizado pelo CITE é a GX4, pistola que vamos lançar no Brasil e nos EUA em abril. A arma será montada nos EUA e importada para o Brasil de modo que seja possível disponibilizar esse lançamento também para o consumidor brasileiro, já que a homologação de novos modelos no País é bastante demorada. Essa pistola, quarta geração da família G, incorpora muita inovação, e vai além de uma evolução em relação aos modelos anteriores. É um produto novo, que nos coloca em um segmento de mercado no qual a Taurus não atuava, de pistolas microcompactas, com faixa de preço superior e que incorpora maior valor agregado. E outras novidades virão, ampliando o destaque que a marca Taurus tem no mercado.

Pistola GX4, em sua primeira foto conhecida

Estamos desenvolvendo outros produtos de maior valor agregado. Em 2020, o preço médio da Taurus (no atacado) foi mais de 30% inferior ao das duas empresas estrangeiras do setor já citadas acima, conforme pode ser observado no gráfico. Ao contrário de ser um aspecto negativo para a Taurus, isso representa importante potencial de ganho. Vamos aumentar o ticket médio a partir desse caminho que já estamos seguindo, que envolve o lançamento de produtos voltados para uma faixa de preço superior, que incorporam, também, maior rentabilidade.

Também de importância estratégica no nosso planejamento traçado para os próximos cinco anos é nosso condomínio industrial, que começou a ser construído em dezembro e deve estar concluída em setembro 2021, com início de operação em janeiro de 2022. Essa ampliação do complexo industrial trará seis grandes fornecedores da Taurus para dentro complexo industrial, entre eles a joint venture de carregadores, que vão entregar seu produto já auditados e aprovados pelo nosso pessoal de recebimento e qualidade, direto na linha de produção da Taurus, por meio do trem logístico. Isso vai proporcionar importante ganho em termos de garantia de abastecimento, qualidade, logística e custo.

O terceiro desafio é implementar as duas joint ventures, a de carregadores, já em produção, e a fábrica na Índia. A questão dos carregadores é muito estratégica, pois são muito poucas as fábricas de carregadores no mundo. Esse item que hoje a Taurus importa, passará a ser produzido localmente, dentro de nossas instalações, e além de atender nossas necessidades, passaremos também a abastecer a o mercado consumidor, abrindo as portas para a Taurus desse importante mercado de reposição antes do que originalmente previsto. Com relação à fábrica de armas na Índia, em joint venture com o Grupo Jindal, questões internas nesse país, além das adversidades criadas pela pandemia de Covid-19, causaram atraso no andamento do projeto.

Alcançamos muito em 2020, mesmo enfrentando os percalços representados pela pandemia de Covid-19. Já em março, no início da pandemia no Brasil, criamos um comitê permanente para gestão de todos os assuntos relacionados ao Covid-19. Isso contribuiu para que pudéssemos manter o planejamento e as operações com ritmo vigoroso e, ao mesmo tempo, zelar pelos nossos funcionários e contribuir com a sociedade nos cuidados com relação à pandemia. Foram estabelecidos diversos ajustes nas unidades para adequar os processos às recomendações de saúde e higiene, criamos estrutura de apoio para nossos funcionários e fizemos diversas doações, inclusive fabricando em nossa unidade de São Leopoldo máscaras no modelo “face shield” para doação em todo o País. Os resultados que estamos agora apresentando do exercício de 2020, assim como a manutenção da saúde de nossa gente, são dois fatos que igualmente nos enchem de orgulho.

Seguimos entusiasmados com o que há por vir na Taurus, pois estamos prontos para novos avanços. Agradecemos a toda a equipe da Taurus, no Brasil e nos EUA, que com sua incansável dedicação nos permitiu ter tanto a comemorar. Agradecemos também o apoio do nosso Conselho de Administração, assim como a confiança e parceria de nossos fornecedores, clientes e acionistas".

Veja informações mais detalhadas no press release.

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