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11 setembro, 2026

Sistemas não tripulados na defesa e segurança pública brasileira: cenário, investimentos e perspectivas


*Luis Henrique Unterleider - via LinkedIn - 24/08/2026

CENÁRIO, INVESTIMENTOS E PERSPECTIVAS

O emprego de sistemas não tripulados deixou de ser uma discussão teórica para se tornar uma realidade operacional, não apenas no campo de batalha, mas nas ruas, nas fronteiras, nos rios e nas áreas acometidas por desastres naturais. A experiência ucraniana demonstrou de forma cabal que plataformas de baixo custo, descartáveis e altamente adaptáveis podem alterar a dinâmica da guerra. No Brasil, o que se observa é um momento decisivo em que Forças Armadas, órgãos de segurança pública e entidades civis avançam em iniciativas que, somadas, configuram um mercado em maturação acelerada.

DIMENSIONAMENTO DE MERCADO: OS NÚMEROS QUE IMPORTAM

Os números são expressivos em escala global e promissores em dimensão nacional. O mercado global de sistemas não tripulados foi avaliado em US$ 25,01 bilhões em 2025, com projeção de US$ 46,76 bilhões até 2030 (CAGR de 13%) segundo dados da Mordor Intelligence. Projeções mais agressivas apontam US$ 76,05 bilhões até 2035(Future Market Insights).

No segmento militar, o mercado global de drones militares deve saltar de US$ 22,49 bilhões em 2026 para US$ 52,31 bilhões até 2034 (Fortune Business Insights). Já as plataformas terrestres (UGVs) militares crescem de US$ 4,44 bilhões em 2026 para US$ 6,63 bilhões em 2030 (Research and Markets). O segmento de drones de combate a incêndios movimentou US$ 1,33 bilhão em 2025, com projeção de US$ 2,75 bilhões até 2034 (IMARC).

No segmento da segurança pública, o mercado global de drones foi avaliado em US$ 5,9 bilhões em 2025, com projeção de US$ 14,89 bilhões até 2034 (CAGR de 10,8%) segundo o Market Research Future. A pesquisa da Versaterm indica que 76% das agências de segurança pública já utilizam drones em algum grau.

No Brasil, o mercado de drones militares foi avaliado em US$ 207,7 milhões em 2026, com projeção de US$ 446,4 milhões até 2031 (CAGR de 16,5%), acima da média global (Markets and Markets). O mercado geral de plataformas voadoras (UAVs) no Brasil movimentou US$ 85,6 milhões em 2025, com projeção de US$ 157,9 milhões até 2030 (Markets and Markets). Já o mercado de drones de consumo e comercial deve alcançar US$ 3,12 bilhões até 2033 (Grand View Research). O mercado de drones agrícolas (fortemente utilizado com duplo propósito, também para vigilância e mapeamento) deve movimentar cerca de R$ 2 bilhões em 2026 (Xmobots).

O orçamento de defesa brasileiro foi de aproximadamente US$ 23,5 bilhões em 2025, com projeção de US$ 25,1 bilhões em 2026 e US$ 27,2 bilhões nos anos seguintes (Yahoo Finance). Em escala regional, o orçamento militar brasileiro de 2026 supera o somatório dos gastos de defesa de todos os demais países sul-americanos (Rio Times). O governo federal definiu a alocação de R$ 30 bilhões em investimentos estratégicos das Forças Armadas fora do teto fiscal, distribuídos em seis anos (Valor International). O Exército dobrará seu investimento anual para R$ 3 bilhões entre 2026 e 2031 (Times Brasil).

Para quem avalia oportunidade de negócio, está claro que existe disponibilidade de recursos, sendo direcionados para aquisição e desenvolvimento de sistemas não tripulados, com taxa de crescimento acima da média global e demanda reprimida em todos os níveis da administração pública.

FORÇAS ARMADAS: INICIATIVAS E CASOS DE SUCESSO

O marco normativo foi atualizado em novembro de 2025 com o Decreto 12.725/2025, que aprovou as novas versões da Política Nacional de Defesa (PND), Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN), reorientando prioridades para tecnologias avançadas, programas espaciais e capacidades autônomas (Carlton Fields).

EXÉRCITO BRASILEIRO: CTEx COMO VETOR CENTRAL

O Centro Tecnológico do Exército – CTEx, consolidou-se como o principal polo de desenvolvimento de sistemas não tripulados terrestres e aéreos do país. Os projetos em andamento incluem: 

• Unidroid (Ambipar/Ares): UGV com lançador duplo para o míssil anticarro. Versão autônoma em estudo com o SARC Remax 4 (12,7mm).

• SARC REMAX 3 (Ares): estação de armas remotamente controlada com câmeras diurna, termal, telêmetro laser e estabilização em dois eixos.

• SVTRP 1 e SVTRP 2: financiados por FINEP/FAPEB. O SVTRP 1 é transportável por dois militares, com braço robótico para manipulação de objetos. O SVTRP 2 integra sistemas optrônicos, disparo remoto de armamento e transporte autônomo de suprimentos em zona de conflito.

• Veículo detector de radiação: parceria CTEx/IDQBRN, UGV com Raspberry Pi 5 e transmissão de dados radiológicos por rádio.

• Enxames de drones com IA: primeiro demonstrador nacional de controle coordenado de múltiplos drones por IA, apresentado em março de 2026 (DefesaNet).

O Exército já opera drones Nauru (Xmobots) de curto e médio alcance e estuda a aquisição de unidades de longo alcance armadas. Testes de drones e sistemas não tripulados da Base Industrial de Defesa (BID) nacional ganham forte destaque na Operação Perseu e estão previstos para o final de 2026. 

Fontes: Infodefensa e Exército Brasileiro.

FORÇA AÉREA BRASILEIRA:

A FAB opera um Hermes 900 há 15 anos. Trata-se de um SARP de origem israelense (Elbit) baseado em Santa Maria (RS), com mais de 1.000 km de alcance e 8h de autonomia. Foi largamente empregado na Operação Taquari, durante as enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul em 2024. Além disso, por meio do Projeto RQ-XBR sob a COPAC, a FAB busca desenvolver um SARP 100% nacional (Agência Marinha).

INDÚSTRIA NACIONAL: A BASE SENDO CONSTRUÍDA

Embora o Brasil ainda dependa significativamente de plataformas importadas para suas necessidades imediatas de sistemas não tripulados, a Base Industrial de Defesa (BID) nacional vem articulando, em ritmo acelerado, múltiplas iniciativas que incluem desde drones de reconhecimento até plataformas armadas, veículos terrestres não tripulados e sistemas anti-drone. 

As iniciativas a seguir representam uma parcela do ecossistema em construção, já que outras tantas encontram-se em estágios iniciais de desenvolvimento, sob financiamento público e parcerias público-privadas, e tendem a se multiplicar à medida que os editais de fomento e as demandas operacionais das Forças Armadas ganhem escala.

• Harpia (AdTech): Recebeu Autorização de Projeto da ANAC em abril de 2026, após quatro anos de desenvolvimento, com investimento superior a R$ 6,7 milhões (FIESC).

• Albatroz Vórtex (Stella/AERO Concepts): Drone de 4 metros de envergadura, 150 kg de carga útil, 24 horas de autonomia e motor a jato de fabricação nacional (A Tarde).

• Nauru 500C (XMobots): Adquirido pelo CENSIPAM para monitoramento da fronteira em Rondônia. Em janeiro de 2026, a empresa firmou acordo de cooperação técnica com a Marinha do Brasil e a Petrobras para adaptar drones da família Nauru a operações embarcadas em navios, com investimento de R$ 40 milhões (Tecnodefesa).

• Taurus Cyber Robotics: Apresenta proposta de modelos aéreos e terrestres, incluindo o TAS (Tactical Air Soldier), drone armado com fuzil T4, câmera 4K, designador laser e IA. Além disso, anuncia drones quadrúpedes e plataformas para operação de munições loitering/kamikaze (Infodefesa). 

• RADeCO: Drone quadrúpede para trabalhos de engenharia, remoção e manipulação de EOD (Neutralização de Artefatos Explosivos) e CBRN (Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear).

• ARES Aeroespacial e Defesa: Desenvolve o sistema Anti-SARP (Antidrone), baseado no sistema de armas remotamente controlada (SARC) REMAX 4, apresentado na LAAD 2025. O projeto conta com financiamento da FINEP por meio de dois contratos de subvenção econômica somando aproximadamente R$ 30 milhões, destinados ao desenvolvimento de capacidades de detecção, identificação e neutralização de drones e munições vagantes (Valor Econômico).

• Ambipar Robotics: Entregou ao Exército Brasileiro, em maio de 2026, o primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD) inteiramente produzido no Brasil. O sistema foi destinado ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate e será empregado na certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU (LCRA). 

• Exército Brasileiro — Enxame de Drones com IA: O Exército apresentou, em março de 2026, projeto pioneiro e nacional para o controle de enxames de drones em operações militares, com financiamento da FINEP. O sistema emprega inteligência artificial para coordenação de múltiplas plataformas em missões de reconhecimento e ataque, com expectativa de produção futura por empresas da BID nacional (DefesaNet).

FINANCIAMENTO FINEP: ACELERAÇÃO DO FOMENTO PÚBLICO

O papel da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) tem sido central na construção dessa base industrial. Historicamente, a agência já investiu cerca de R$ 100 milhões em projetos iniciais de VANTs militares, remontando ao período 2013-2014, quando os primeiros drones militares nacionais começaram a ser desenvolvidos com recursos públicos e apoio do Ministério da Defesa.

Mais recentemente, o ritmo de fomento acelerou significativamente. Em fevereiro de 2026, a FINEP e o MCTI publicaram um chamamento de R$ 300 milhões em subvenção econômica para empresas da BID. Pouco depois, em maio de 2026, foi lançada a Carta Convite MCTI/FINEP/FNDCT Promoção da Autonomia Tecnológica na Área da Defesa, com até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis destinados às Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa (ICTMDs), com aporte mínimo de R$ 25 milhões por proposta aprovada. O edital contempla sistemas de guiamento, controle e navegação aplicados a veículos não tripulados terrestres, aéreos e navais. Em conjunto, os dois editais somam R$ 800 milhões em recursos comprometidos com a defesa em menos de quatro meses, o maior aporte público unitário já destinado à BID em P&D com capital a fundo perdido.

Adicionalmente, a FINEP e o MCTI destinaram R$ 75 milhões a projetos aeroespaciais de defesa, incluindo iniciativas como o Veículo Lançador de Satélites (VLS) e sistemas correlatos.

Esses desenvolvimentos indicam que a Base Industrial de Defesa brasileira saiu de uma posição praticamente inativa nesse segmento para articular, em menos de dois anos, múltiplas iniciativas simultâneas: o primeiro robo EOD nacional, o primeiro drone armado com potencial de emprego, os primeiros testes de mísseis em drone brasileiro, o primeiro VANT de grande porte em prototipagem, e os primeiros conceitos de enxame com IA e sistemas anti-drone. O desafio agora é transformar protótipos, memorandos de intenção e autorizações regulatórias em sistemas certificados, produzidos em escala e integrados à doutrina das Forças Armadas. 

SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA CIVIL: O MERCADO QUE EMERGIU

O mercado brasileiro de sistemas não tripulados tem uma dimensão que muitas análises subestimam: a segurança pública e a proteção civil. É onde estão os volumes de aquisição mais significativos, com ciclos de compra mais curtos e demanda menos concentrada.

SENASP E A LIDERANÇA DA COORDENAÇÃO FEDERAL

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, exerce o papel de coordenadora do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e tem editado portarias estruturadoras, como a Portaria SENASP/MJSP nº 635/2025 e a Portaria SENASP/MJSP nº 648/2026, que definem padrões e diretrizes operacionais para os entes federativos (Biblioteca Digital MJ e DOU).

O Diopi (Divisão de Operações e Inteligência Policial) tem capacitado profissionais de segurança pública para operação de drones, com cursos voltados a investigações, patrulhamento ostensivo e operações.

A criação de um Programa Nacional de Drones foi aprovada para debate na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado em agosto de 2026, com audiência pública reunindo ANAC, Aeronáutica, governo e empresas (Rádio Senado). Esse é um sinal claro de que o tema migrou do campo técnico para o campo político-legislativo, isso significa, do ponto de vista comercial, que regras de mercado e incentivos estão sendo estruturadas.

POLÍCIAS MILITARES E CIVIS: A FRENTE TÁTICA

As Polícias Militares e Polícias Civis estaduais constituem o maior bloco de demanda potencial por sistemas não tripulados no segmento de segurança pública. Inúmeras iniciativas estão em curso em diversas regiões da federação, como por exemplo:

• Mato Grosso do Sul: a Sejusp investiu mais de R$ 1 milhão em drones para ampliar monitoramento, patrulhamento e operações táticas (Campo Grande News).

• Rio de Janeiro: o estado vai investir R$ 27 milhões em sistema antidrones para segurança pública, com equipamentos que detectam, rastreiam e neutralizam drones usados em ações criminosas (G1)

• Polícia Militar do Pará (PMPA): utiliza drones no monitoramento de áreas remotas, combate a crimes ambientais e apoio tático a abordagens (Revista Tópicos).

• Ponta Grossa (PR): investiu R$ 47,5 milhões em segurança, incluindo leitura de placas e rostos com drones pela Guarda Municipal (aRede).

GUARDAS MUNICIPAIS: O SEGMENTO QUE MAIS CRESCE

As guardas municipais tornaram-se, em 2025, a segunda maior força de segurança pública do Brasil em efetivo, com 107.457 integrantes, superando as Polícias Civis (Valor Econômico). São mais de 1.300 municípios com guardas ativas, constituindo um mercado fragmentado mas com enorme potencial de volume.

A cidade de Curitiba, no Paraná, destaca-se pela criação da Patrulha de Drones Aéreos da Guarda Municipal, com 32 equipamentos em operação e 80 guardas habilitados como pilotos. Investimento de R$ 500 mil, financiado por emendas parlamentares (Diário do Sudoeste).

Já em São Paulo, a Guarda Civil Metropolitana utiliza drones para monitorar eventos públicos, identificar atividades suspeitas e apoio tático (ITARC). Ainda no Estado de São Paulo, a prefeitura da cidade de Diadema adquiriu um drone de R$ 365 mil (sob investigação do MP por ausência de licitação) para lançar gás lacrimogêneo em bailes funk, caso que, independente da controvérsia jurídica, ilustra a velocidade com que municípios de médio porte estão adotando a tecnologia (G1).

Para um fornecedor ou integrador, o mercado de guardas municipais é particularmente atrativo: ciclo de decisão mais rápido, financiamento por emendas parlamentares (que dispensam parte da complexidade de editais tradicionais) e necessidade crescente de soluções turnkey com capacitação inclusa.

CORPOS DE BOMBEIROS: DO COMBATE A INCÊNDIOS AO SALVAMENTO

Os Corpos de Bombeiros Militares estaduais utilizam drones desde 2018 em incêndios florestais, buscas e monitoramento de áreas de risco (ANABOM). O mercado global de drones de combate a incêndios cresce a CAGR de 8,17% e deve alcançar US$ 2,75 bilhões até 2034 (IMARC), com segmento autônomo crescendo a 19% ao ano (Strategic Market Research).

No Brasil, podemos destacar algumas iniciativas, dentre as diversas existentes:

• CBMERJ (Rio de Janeiro): incorporou drones com câmeras de alta resolução e sensores para a temporada 2025/2026 (A Tribuna).

• Bombeiros de Goiás: utilizam drone de alta tecnologia em buscas e combate a incêndios (R7).

• Defesa Civil de Erechim (RS): opera drones com geoprocessamento e integrou missão humanitária enviada à Venezuela em 2026 para avaliação de danos estruturais após terremotos (Prefeitura de Erechim).

• Dois Vizinhos (PR): Bombeiros e Defesa Civil utilizam drones no combate à dengue, mapeando focos do Aedes aegypti em áreas de difícil acesso (Prefeitura de Dois Vizinhos).

• O Governo do Estado do Paraná, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), iniciou processo de aquisição de até 26 robôs de combate a incêndios fabricados pela empresa alemã EmiControls, em contrato avaliado em R$ 85,5 milhões, representando a maior aquisição de robôs de combate a incêndios já realizada por um estado brasileiro (Tribuna PR).

DEFESA CIVIL: O VETOR DE DUPLO PROPÓSITO

A Defesa Civil brasileira, coordenada nacionalmente pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e operada nos estados e municípios, tem sido uma das maiores beneficiárias da tecnologia de drones. O emprego do Harpia no Acre durante as cheias do Rio Acre é talvez o caso mais emblemático de uso de um sistema originalmente concebido para defesa em missão de proteção civil (FIESC). O Hermes 900 da FAB na Operação Taquari, durante as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024 é outro exemplo prático desta adoção.

Esse padrão se repete: plataformas desenvolvidas para defesa sendo empregadas em desastres naturais tem implicação comercial direta: viabiliza aquisições com dupla justificativa orçamentária, abrindo fontes de recurso que vão além dos orçamentos específicos de defesa ou segurança.

O LADO DA AMEAÇA: DRONES EM MÃOS CRIMINOSAS

Não se pode discutir o mercado de sistemas não tripulados para segurança pública sem reconhecer que a criminalidade organizada também opera drones. O Comando Vermelho adquiriu drones com capacidade de transporte, descoberto pela polícia em maio de 2026 (O Globo). Durante operação policial no Complexo do Alemão ocorrida em Outubro de 2025, drones do CV sobrevoaram policiais e lançaram granadas (A Gazeta).

Isso cria uma demanda urgente e não discricionária por sistemas antidrones, um mercado global avaliado em US$ 7,1 bilhões em 2025 com projeção de US$ 31,6 bilhões até 2032 (Stratview Research). O investimento do Rio de Janeiro de R$ 27 milhões em antidrones representa o primeiro investimento estadual significativo nesse segmento.

MARCO REGULATÓRIO: O QUE ESTÁ EM JOGO

O PL 3.611/2021, em tramitação no Senado, cria regras para uso de drones por órgãos de segurança pública (Senado). A proposta proíbe acoplamento de armas e automação total nos equipamentos de segurança pública, com votação prevista para 2026.

Para a indústria, a definição desse marco é crítica. Se o armamento for liberado (mesmo que condicionado), abre-se um mercado de kits de armamento para drones de segurança pública, segmento em que a Taurus já está posicionada com o TAS. Se for mantida a proibição, o mercado se concentra em ISR (vigilância, inteligência, reconhecimento) e contra medidas.

DESAFIOS ESTRUTURAIS E LACUNAS

Fragmentação entre defesa e segurança pública: As Forças Armadas desenvolvem iniciativas sob o Ministério da Defesa; as polícias e guardas respondem ao MJSP via SENASP; e a Defesa Civil opera em estrutura paralela. Não há um programa nacional integrado de sistemas não tripulados que contemple defesa e segurança pública simultaneamente.

Descentralização federal: Estados e municípios compram isoladamente, sem escala de compra, sem interoperabilidade e sem padronização técnica. O resultado é ineficiência: Estados e Municípios comprando isoladamente em lotes pequenos, pagando mais por menos.

Dependência tecnológica externa: Subsistemas críticos (motores, sensores de alto desempenho, data links seguros, processamento de bordo, dentre outros) ainda são importados. 

Escala industrial insuficiente: A BID tem empresas competentes (Xmobots, AdTech, Taurus, Ares, Ambipar, Mac Jee/AeroID), mas a produção ainda é tímida em volume. Sem contratos plurianuais e demanda agregada, a indústria não investe em capacitação industrial nem atinge custos competitivos para exportação.

Capacidade de contramedidas: A deficiência mais crítica. O mercado global de contramedidas cresce a taxas aceleradas, e o Brasil está começando agora (R$ 27 milhões no Rio é uma gota no oceano comparado à escala da ameaça).

PERSPECTIVAS E OPORTUNIDADES

Para investidores, indústrias e estrategistas que avaliam o setor de sistemas não tripulados no Brasil, é possível identificar as principais frentes de oportunidade com horizontes temporais e perfis de risco-retorno distintos. O que as une é um denominador comum: a demanda não é especulativa, é estrutural, ancorada em deficiências operacionais reais das Forças Armadas e dos órgãos de segurança pública, e sustentada por fluxos de financiamento que já estão sendo liberados.

CURTO PRAZO: 

CONTRAMEDIDAS E SISTEMAS ANTI-DRONE PARA SEGURANÇA PÚBLICA

A proliferação de drones civis e militares cria demanda não discricionária e imediata por capacidades de detecção, identificação e neutralização. Estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pará constituem os mercados prioritários. O volume de emendas parlamentares destinadas à segurança pública cresceu 96% entre 2022 e 2024, passando de R$ 346 milhões para R$ 672 milhões, segundo a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados. 

DRONES ISR PARA GUARDAS MUNICIPAIS

As guardas municipais brasileiras, representam a segunda maior força de segurança pública do país. Contudo, apenas uma fração dos municípios já adotou tecnologia de drones. Salvador implantou drones em 2025, Curitiba adquiriu 32 aeronaves em 2026 com 80 agentes habilitados e municípios do Litoral Norte de SP acessaram emendas parlamentares para o mesmo fim. O gap entre a base instalada e o universo endereçável é significativo. Cada adoção municipal envolve tipicamente aquisição de múltiplas aeronaves, treinamento certificado de operadores, integração com centros de comando e contratos de manutenção recorrente, configurando um ciclo de investimento contínuo. O PL 3.611/2021, em tramitação no Senado, deverá estabelecer o marco regulatório que estrutura o mercado, reduzindo incerteza jurídica e acelerando a curva de adoção.

CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO INTEGRADO

A Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e os estados estão demandando ativamente a formação de operadores de drones para segurança pública. Curitiba habilitou 80 agentes como case inicial, mas a escala nacional exigirá centenas de turmas. O modelo de negócio mais competitivo não é o da venda isolada de equipamento, mas o do pacote integrado: curso certificado + aeronave + software de gestão + suporte técnico recorrente. Fornecedores que entregarem essa solução turnkey terão vantagem e receita via contratos de serviço plurianuais.

MÉDIO PRAZO: 

UGVS PARA BOMBEIROS E DEFESA CIVIL

Plataformas terrestres não tripuladas para manipulação de artefatos explosivos, reconhecimento em áreas contaminadas e combate a incêndios em zonas de difícil acesso representam uma categoria com demanda comprovada e oferta incipiente. A Ambipar Robotics entregou ao Exército, em maio de 2026, o primeiro robô EOD fabricado no Brasil. A Taurus anuncia veículos terrestres e quadrúpedes para armamento de médio e pesado calibre. A transição do protótipo para produção em série, especialmente para corpos de bombeiros militares e coordenadorias estaduais de defesa civil, depende de editais de aquisição que tendem a se multiplicar à medida que os sistemas ganham certificação operacional.

DRONES DE ASA FIXA DE LONGO ALCANCE PARA VIGILÂNCIA DE FRONTEIRA

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) do Exército Brasileiro está em expansão contínua, com o Nauru (XMobots) já adquirido pelo CENSIPAM para monitoramento da fronteira em Rondônia. A Consulta Pública do Estado-Maior do Exército para o SARP 3 confirma a intenção de migrar de plataformas exclusivamente de monitoramento para sistemas com capacidade de emprego de força. 

LONGO PRAZO:

DRONES 100% NACIONAIS DE COMBATE

A Comissão de Aquisições da Aeronáutica (COPAC) está mapeando a Base Industrial de Defesa para identificar capacidades nacionais em sistemas não tripulados de combate. O edital MCTI/FINEP de R$ 500 milhões contempla expressamente sistemas de guiamento, controle e navegação aplicados a veículos não tripulados. Empresas que se posicionarem agora no ecossistema de fornecedores terão vantagem quando os programas de aquisição avançarem, convertendo capacidade técnica em contratos de fornecimento de longo prazo. 

ENXAMES DE DRONES COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O Exército Brasileiro apresentou em março de 2026 um demonstrador nacional pioneiro de controle de enxames de drones com IA, financiado pela FINEP, para coordenação de múltiplas plataformas em missões de reconhecimento e ataque. A transição de protótipo para capacidade operacional cria demanda por três camadas tecnológicas: software de coordenação descentralizada, redes de comunicação mesh resilientes e IA de bordo para processamento em tempo real. Estas são competências com alto valor agregado, baixa commoditização e barreiras de entrada significativas, características que tornam o segmento atrativo para investimento em P&D e propriedade intelectual.

ROBÓTICA QUADRÚPEDE (UGVs LEGGED)

A Taurus e a RADeCO já dispõem de plataformas quadrúpedes. A demanda para essas plataformas é real e multisetorial: EOD e CBRN pelo Exército e Defesa Civil, patrulhamento de instalações críticas (infraestrutura energética, portuária, aeroportuária) e apoio a operações de Forças Especiais. A convergência entre armamento e a maturação de plataformas robóticas nacionais sugere que a integração arma-plataforma será o próximo vetor de produtos dentro de um horizonte de 3 a 5 anos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Brasil está diante de uma janela de oportunidade que não vai permanecer aberta por muito tempo. Os recursos existem: R$ 30 bilhões fora do teto fiscal para defesa, orçamento de segurança pública estadual em expansão, guardas municipais com efetivo superior ao das polícias civis e demanda crescente por tecnologia. O marco normativo está sendo definido agora, no Senado e na ANAC. A Base Industrial de Defesa tem empresas competentes e ágeis, mas precisa de contratos plurianuais e demanda agregada para escalar.

O que fará a diferença entre um Brasil protagonista e um Brasil importador será a velocidade de execução e a capacidade de integrar iniciativas que hoje operam de forma separada: defesa de um lado, segurança pública de outro, proteção civil em terceiro. Quem conseguir estruturar uma oferta que atenda simultaneamente esses três mercados, com tecnologia nacional, preço competitivo e modelo de negócio escalável, estará posicionado em um mercado de R$ 2 bilhões (drones militares), R$ 800 milhões (UAVs gerais) e mais R$ 2 bilhões (drones comerciais/agrícolas de duplo propósito) crescendo a dois dígitos ao ano, com demanda reprimida em todo o território nacional.

Não é uma questão de se o Brasil vai investir massivamente em sistemas não tripulados. É uma questão de quando, com quem e em que escala. Para os que estão prontos, o momento é agora. 

 

*Luis Henrique Unterleider é executivo sênior com mais de 25 anos de liderança estratégica internacional em consultoria, desenvolvimento de negócios globais e otimização operacional. Com experiência consolidada em governança de conselho e decisão orientada por dados, atua nos setores de defesa, FMCG, manufatura e indústria química, com histórico comprovado de criação sustentável de valor em mercados globais complexos. 

28 agosto, 2026

Taurus confirma virada estratégica e amplia core: de armas leves para veículos não tripulados

Em entrevista exclusiva ao LRCA, o CEO Global Salesio Nuhs detalha portfólio de doze sistemas, nova governança e estratégia de financiamento, mas mantém sob sigilo contratual o nome do parceiro tecnológico do projeto e uma negociação internacional em curso



*LRCA Defense Consulting - 28/08/2026

A Taurus Armas está promovendo a mudança mais significativa de seu posicionamento estratégico desde a migração de armas curtas para armas coletivas: a incorporação de sistemas aéreos e terrestres não tripulados ao núcleo do negócio, ao lado das armas leves que sustentam a companhia há 87 anos. O movimento foi anunciado publicamente durante o COP International 2026, realizado em São Paulo entre 11 e 13 de agosto, e detalhado em entrevista exclusiva concedida pelo CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, ao LRCA.

“Não estamos apresentando novos produtos. Estamos apresentando uma nova Taurus”, resumiu Nuhs durante sua participação no evento, ao lado de Gelson Cardoso, gerente de inovação da companhia. A frase sintetiza um processo que começou de forma discreta no fim de 2024 e ganhou corpo ao longo de 2026, com demonstrações ao comando do Exército Brasileiro, articulação com o Corpo de Fuzileiros Navais e negociações de financiamento com órgãos federais de fomento. 

UAV de ataque (drone lançador de munição)

UAV kamikase (drone suicida)

UAV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

Um portfólio de doze sistemas, ainda sem nome oficial 
Material institucional obtido pela reportagem, usado pela companhia em apresentação ao Exército Brasileiro, detalha um ecossistema de doze plataformas: sete sistemas aéreos (UAV ISR, UAV Kamikaze, UAV de Ataque, UAV TAS, UAV Cargo e VTOL, além do Cyber Swarm, tecnologia de enxame) e cinco terrestres (UGV EOD, UGV ISR, UGV TAGS, UGV Cargo e UGV Cleaner), somados a sistemas complementares como o Cyber Launcher, hub móvel de lançamento de drones, o Cyber DiB, drone em caixa autônoma, e o Tars K9, quadrúpede modular.

O material trazia o nome “Taurus Cyber Robotics” associado ao conjunto, mas Nuhs esclareceu ao LRCA que essa denominação não é oficial. “A divisão de sistemas não tripulados ainda está em processo de estruturação e, portanto, ainda não possui uma denominação definitiva. O nome Taurus Cyber Robotics, utilizado anteriormente, foi apenas um título empregado em uma apresentação interna realizada para o Exército Brasileiro e não corresponde à denominação formal da nova divisão”, afirmou o CEO. 

VTOL (drone de asa fixa multipropósito)

UAV Cargo (drone de logística)


Cyber Swarm (enxame de drones de reconhecimento e ataque)

Do ‘soldado voador’ ao TAS disparando munição real 

A origem do projeto remonta a dezembro de 2024, quando Nuhs revelou, durante o Taurus Investor Day, em São Paulo, que a companhia estudava, com uma fabricante italiana de drones, o conceito de um “soldado voador” armado com uma submetralhadora ultraleve em desenvolvimento. Ao longo de 2025, o conceito evoluiu para o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero configurável com o fuzil Taurus T4 5,56mm, a pistola-metralhadora Taurus RPC de 9mm ou lançador de granadas de 40mm, apresentado na LAAD Defence & Security 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade.

Em maio de 2026, no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, o TAS disparou munições reais contra alvos. O comando do Exército também assistiu, segundo o release do COP International, à demonstração de uma configuração para lançamento de munição de morteiro de 120mm. Segundo Nuhs, o TAS não foi um desvio de rota, mas uma antecipação deliberada. “O que fizemos foi antecipar especificamente esse desenvolvimento para demonstrar, na prática, nossa capacidade tecnológica e assumir o protagonismo de sermos o primeiro fabricante de armas a integrar uma arma a um drone, controlar seu voo e realizar com sucesso o disparo e o acerto do alvo”, disse. 

TAS dispara munições reais contra alvos no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre

O que a Taurus mantém internamente, e o que terceiriza 

Questionado sobre a origem da tecnologia, já que drones aéreos e terrestres são áreas historicamente alheias ao core da companhia, Nuhs afirmou que a estratégia não é desenvolver cada componente do zero. “O mercado já possui componentes amplamente consolidados e validados em áreas como baterias, sensores, sistemas de comunicação e parte da eletrônica embarcada. O foco da Taurus está nas tecnologias que realmente agregam diferencial competitivo, capacidade operacional e soberania tecnológica”, disse, citando como prioridades internas as camadas de integração, software de missão, autonomia, inteligência artificial aplicada, comando e controle e integração de armamentos.

Sobre a capacidade de levar os doze sistemas à produção seriada, o CEO foi categórico: “Não dependemos de parceiros para viabilizar a produção seriada dos sistemas. Os parceiros complementam nossa capacidade, fornecendo tecnologias e hardware especializados, enquanto a Taurus mantém o domínio da engenharia do produto, da integração dos sistemas, da industrialização, dos testes, da certificação e do suporte ao ciclo de vida”. 

UGV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

UGV TAGS (drone para apoio de fogo armado)

UGV Cleaner (drone de crearance & desminagem)

UGV EOD (drone de intervenção e manipulação)

Nova governança para dois negócios distintos 
A companhia já promoveu uma reorganização de sua Diretoria para acomodar a nova frente de negócio. Jean Castilhos foi promovido a Diretor de Engenharia, Armas, Munições e Acessórios, com a missão de preservar foco e continuidade no core tradicional da companhia. Leonardo Sesti, que já dirigia o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), permanece no cargo, mas passa a atuar de forma mais voltada aos veículos não tripulados. Segundo a empresa, a mudança não exigiu aprovação do Conselho de Administração, por se tratar de decisão de alçada executiva.

“Cada negócio passa a contar com liderança e responsabilidades claramente definidas, evitando dispersão de foco”, justificou Nuhs, que também rebateu, de forma direta, a leitura de que a expansão para sistemas não tripulados representaria um salto maior do que a capacidade da companhia. “Evoluímos das armas individuais, como revólveres e pistolas, para as armas coletivas, incluindo fuzis e metralhadoras, e agora avançamos para sistemas não tripulados. É uma ampliação progressiva das nossas competências dentro do mesmo ambiente de defesa e segurança, e não uma diversificação para um setor sem relação com aquilo que já fazemos”, afirmou.

Financiamento sob demanda, sem valores fechados 
A Taurus evita, por ora, divulgar o investimento total previsto para a nova área. Segundo a empresa, o planejamento estratégico prevê que o desenvolvimento da nova área seja realizado de forma gradual e financeiramente disciplinada, com utilização prioritária de instrumentos públicos de fomento à inovação, incluindo editais de subvenção econômica da Finep, nos quais parte dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pode ser suportada por recursos não reembolsáveis. A companhia também mantém tratativas com o BNDES e poderá realizar aportes próprios dentro do orçamento vigente, preservando sua geração de caixa e sem comprometer os investimentos e a operação do negócio tradicional.

A empresa evitou, também, comentar como a aquisição em curso da fabricante turca de armas coletivas Mertsav Savunma se concilia, no fluxo de caixa, com os investimentos em sistemas não tripulados, informando apenas que ambos os projetos seguem o mesmo princípio de disciplina financeira e que valores não serão antecipados antes da conclusão da due diligence. 

Cyber Laucher (drone lançador de múltiplos UAVs)

UGV Cargo (resgate e logística)


Cyber Dib (drone em caixa autônoma)

Parceiro do TAS e negociação internacional seguem em sigilo

Nem todas as perguntas enviadas pelo LRCA foram respondidas em detalhe. A Taurus confirmou que existe cláusula contratual que impede a divulgação do nome do fabricante brasileiro de drones do agronegócio, parceiro no desenvolvimento do TAS. A empresa também confirmou que negocia uma primeira aquisição internacional de um sistema de menor escala, mencionada no release do COP International, mas não revelou país, cliente ou sistema envolvido, alegando compromissos de confidencialidade.

Questionada diretamente se avalia comprar, licenciar tecnologia ou formar uma joint venture com alguma empresa de drones para viabilizar o portfólio de doze sistemas, a Taurus respondeu que a possibilidade não está descartada, embora não haja negociação em curso nesse sentido no momento.

Protocolo com o CFN segue em vigor, em paralelo ao Exército 
Um ponto que parecia contraditório entre a cobertura anterior do LRCA e a fala do CEO foi esclarecido ao longo das perguntas enviadas pela reportagem. Em maio de 2026, o LRCA havia noticiado que o Corpo de Fuzileiros Navais assinara protocolo de intenções com a Taurus para o desenvolvimento de um drone armado destinado a tropas anfíbias. Nuhs, por sua vez, havia dito que o desdobramento do projeto para a Marinha viria “em uma etapa seguinte” à validação com o Exército. Questionada sobre a aparente contradição, a empresa esclareceu que o protocolo com o CFN segue vigente e está sendo tratado de forma concomitante ao trabalho já em curso com o Exército, e não apenas em etapa posterior.
TARS K9 (Taurus Robotic Soldier K9)


O contexto: uma Base Industrial de Defesa em ebulição 
A movimentação da Taurus ocorre em meio a um adensamento acelerado do segmento de sistemas não tripulados na Base Industrial de Defesa brasileira. Em maio de 2026, o Exército recebeu o primeiro robô EOD inteiramente produzido no País, fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP). No campo aéreo, a XMobots avança com a versão armada do Nauru 1000C, equipado com mísseis Enforcer Air desenvolvidos com a MBDA, além do conceito de enxame do Nauru 100D. O Estado-Maior do Exército mantém, ainda, consulta pública aberta para a aquisição de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de categoria 3 (SARP 3), sinalizando que o emprego de aeronaves armadas deve deixar de ser exceção nas Forças Armadas brasileiras nos próximos anos.

O que ainda falta esclarecer 
A Taurus chega ao fim desta apuração com um discurso consistente sobre governança, disciplina financeira e divisão de competências entre o que desenvolve internamente e o que terceiriza. Ao mesmo tempo, mantém sob sigilo contratual informações que normalmente pesam na avaliação de risco de um projeto dessa envergadura: o nome do parceiro tecnológico central do TAS, os termos da negociação internacional em andamento e o valor total a ser investido na nova frente de negócio ao longo dos próximos anos. A empresa também não estabeleceu, até o momento, um teto de investimento ou um percentual de receita que sirva de limite para o projeto, condicionando o ritmo de expansão à disponibilidade de recursos de fomento e à evolução dos requisitos operacionais definidos junto às Forças Armadas. 


Uma aposta alinhada à guerra do futuro 

O momento escolhido pela Taurus para essa virada não é aleatório. Conflitos recentes, da Ucrânia ao Oriente Médio, consolidaram os sistemas não tripulados como elemento decisivo do campo de batalha contemporâneo, capazes de neutralizar blindados, artilharia e ativos de alto valor a um custo muito inferior ao das plataformas que substituem. Diante dessa mudança de paradigma, fabricantes tradicionais de armamento em todo o mundo enfrentam a mesma escolha: adaptar-se à lógica dos sistemas autônomos e integrados, ou correr o risco de ver seu portfólio tradicional perder relevância estratégica diante de forças mais bem equipadas para o combate não tripulado.

Ao decidir alterar seu próprio core de negócio, incorporando robótica e inteligência artificial à sua base histórica em armas leves e coletivas, a Taurus se posiciona no lado ofensivo dessa transformação, e não no reativo. É uma postura de inovação pouco comum entre fabricantes tradicionais, que tendem a proteger o negócio consolidado até que a disrupção se torne inevitável. Se a companhia conseguir sustentar essa transição com a mesma disciplina de governança e capital que hoje descreve em discurso, o resultado pode ser uma Taurus estrategicamente mais relevante do que jamais foi como fabricante apenas de armas leves: uma das poucas empresas de defesa mundiais capazes de entregar, sob uma mesma marca, todo o espectro que vai do revólver ao sistema autônomo integrado.

Essa aposta também carrega um fator que não pode ser desprezado na avaliação de risco: o histórico do próprio executivo à frente da decisão. Salesio Nuhs assumiu o comando global da Taurus em 2018, quando a companhia enfrentava dificuldades financeiras severas e chegou a ser cotada como candidata a uma recuperação judicial. Em pouco mais de meia década, sob sua gestão, a empresa se reergueu a ponto de se tornar a maior vendedora de armas leves do mundo em volume, em um turnaround considerado "de livro" no setor. Se as mesmas características de liderança, iniciativa e capacidade de execução que sustentaram essa recuperação se repetirem na nova frente de sistemas não tripulados, as chances de que o movimento atual também dê certo são, no mínimo, consideráveis.

O tamanho dessa aposta, porém, é proporcional ao risco de execução. O sucesso deste novo turnaround dependerá menos do portfólio já demonstrado, e mais da capacidade da empresa de transformar protótipos e demonstrações em contratos recorrentes, sem comprometer o caixa nem a rentabilidade do negócio tradicional que ainda sustenta a companhia. É essa equação, entre ousadia estratégica e disciplina de execução, que definirá se a Taurus estará indo além do que suas capacidades permitem ou se, realmente, liderará a próxima geração da indústria de defesa brasileira.

30 janeiro, 2025

Modirum | Gespi revela o SISU AI - o futuro do enxame autônomo de drones


*LRCA Defense Consulting - 30/01/2025

No atual campo de batalha em rápida evolução, onde a tecnologia impulsiona o ritmo da mudança, a Modirum | Gespi está remodelando a defesa com o SISU AI, um sistema de sistemas de última geração, orientado por IA, projetado para revolucionar as operações autônomas de UAV. Representando um Novo Estilo de Defesa, o SISU AI integra perfeitamente software e hardware avançados em terra, mar e ar, oferecendo capacidades inigualáveis ​​para a defesa moderna.

Uma nova visão para a tecnologia de defesa
À medida que os conflitos mudam para operações centradas em rede, o futuro da defesa está na fusão inteligente de capacidades tradicionais com tecnologias de ponta. Essa mudança requer adaptabilidade, velocidade e inovação, que estão no cerne da estratégia da Modirum Gespi.

Ao combinar sistemas alimentados por IA, drones autônomos e tecnologias de integração de última geração, a Modirum | Gespi oferece uma abordagem equilibrada para dissuadir e defender contra ameaças emergentes. Com seus recursos avançados, a SISU AI define um novo padrão para a excelência em defesa moderna.

SISU AI : Inteligência Autônoma para o Campo de Batalha Moderno
No coração do SISU AI está o Locust Swarm, um sistema de software agnóstico de UAV, baseado em IA, que permite que os UAVs operem como unidades coordenadas. Este sistema executa missões de forma autônoma – mesmo em ambientes com GNSS negado. Seu design modular integra plataformas de UAV, sensores avançados e munição para dar suporte a missões críticas, incluindo:

  • ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento): identificar e reportar alvos de interesse.
  • Ataque de precisão: neutralizar alvos de alto valor com precisão milimétrica.
  • Avaliação de danos de batalha (BDA): confirmar o sucesso da missão por meio de análise de vídeo em tempo real.

O SISU AI oferece uma interface web intuitiva. Essa interface facilita o planejamento, o controle e a execução da missão, preenchendo a lacuna entre operadores humanos e a IA para uma tomada de decisão ideal. Mesmo em ambientes contestados, o SISU AI garante a continuidade e a eficácia da missão ao fazer a transição para o modo de navegação negada por GNSS.


Moldando o futuro da defesa
SISU AI incorpora a integração inteligente de capacidades de defesa tradicionais e tecnologias de próxima geração, garantindo excelência operacional em todos os domínios — terrestre, marítimo, aéreo e digital. Essa abordagem orientada à inovação e centrada na rede posiciona a Modirum | Gespi na vanguarda da defesa moderna.

A empresa convida governos, parceiros de defesa e líderes da indústria a colaborar na redefinição do sucesso da missão. Segundo ela, "Juntos, vamos moldar o futuro da defesa, entregando soluções resilientes, adaptáveis ​​e superiores para enfrentar os desafios do século XXI".

08 novembro, 2024

Turbomachine anuncia marco histórico para o setor aeronáutico brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 08/11/2024

A Turbomachine anunciou ontem (07) um marco histórico para o Brasil e, especialmente, para o setor aeronáutico, divulgando que seu motor Turbofan de baixa razão de bypass  – o primeiro desenvolvido no hemisfério sul – alcançou a impressionante marca de 25 mil RPM com estabilidade operacional, aproximando-se de sua rotação máxima. 

Esse feito coloca o Brasil em um seleto grupo de nações com a capacidade de desenvolver turbofans de alta complexidade, reforçando nossa independência tecnológica e inovadora no setor.

Ao parabenizar a equipe por sua dedicação e competência, a empresa realça que "Esse avanço é fruto do talento e do comprometimento de um time que não mede esforços para superar desafios e trazer ao mercado soluções robustas e eficientes. Seguimos progredindo e aprimorando cada aspecto do nosso motor, impulsionados por essa conquista histórica. Hoje, o Brasil celebra um marco que poucos países no mundo podem alcançar, e temos orgulho de fazer parte dessa trajetória. Vamos juntos, rumo a novos horizontes". 

Parceria com a SIATT/EDGE
A Turbomachine é especializada em pesquisa, inovação e engenharia e desenvolvimento de motores de turbina a gás e soluções de combustão assistida por plasma no domínio aeroespacial. 

Em agosto de 2023, o Grupo EDGE, conglomerado de Defesa dos Emirados Árabes Unidos, assinou um acordo estratégico com a Turbomachine, uma das principais desenvolvedoras de motores a turbina do Brasil. O acordo permitirá que o EDGE e a Turbomachine trabalhem juntos no desenvolvimento de motores, incluindo turbofan e ventilador propelente, para o portfólio de UAVs (unmanned aerial vehicle - drones) e mísseis da EDGE

Em novembro de 2023, a SIATT, empresa brasileira especializada em armas inteligentes e sistemas de alta tecnologia, e o Grupo EDGE, que adquiriu 50% dela, assinaram um contrato para desenvolvimento do MANSUP-ER, versão de alcance estendido no MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície), da Marinha do Brasil.
 
O novo míssil tem alcance estendido de 200 quilômetros, é equipado com uma turbina da Turbomachine e voa a uma velocidade de 950 Km/h, com capacidade de transportar 150 Kg de carga explosiva. Suas características possibilitam que seja adaptado para integração em sistemas aéreos e sistemas terrestres selecionados.

Financiamento FINEP
Em 31 de outubro deste ano, a Turbomachine foi contemplada com um financiamento de R$ 8.962.020,00 para o desenvolvimento do TG200, um grupo gerador de pequeno porte, leve, movido a etanol, que se apresenta como solução eficaz e viável para um modelo sustentável, economicamente atraente e amigo do meio ambiente. A intenção é, além disso, aumentar a autonomia de voo e a capacidade de carga útil dos veículos elétricos.

O TG200 é um grupo turbogerador capaz de gerar até 200 HP de potência elétrica de pico. O modelo é composto por uma minigeradora de gases, uma turbina de potência e um gerador elétrico de terras raras, compacto e de alta rotação, eletronicamente controlado. 

O TG200 também apresenta características inovadoras, pois é movido a etanol, algo inédito no mundo.

17 abril, 2024

Parceria entre Aero Concepts e Stella Tecnologia vai desenvolver drones com turbinas a jato


 

*LRCA Defense Consulting - 17/04/2024

Durante a Feira Internacional do Ar e Espaço (FIDAE) 2024, realizada recentemente no Chile, a Aero Concepts e a Stella Tecnologia assinaram um contrato de parceria para o desenvolvimento de projetos que englobem a integração de turbinas a jato da Aero Concepts em plataformas de voo da Stella Tecnologia, visando desenvolver sistemas de alta tecnologia de propulsão em aeronaves não tripuladas.

As empresas, ambas de capital nacional, unem suas especialidades para desenvolver tecnologias complexas para os mercados civil e militar, com recursos majoritariamente nacionais e utilização de projetistas brasileiros, representando um avanço significativo para o Brasil em tecnologias críticas de defesa.

Esta será a primeira vez que o Brasil fornecerá turbinas a jato de 500N ou 1000N, prontas para serem aplicadas em plataformas de voo de menores portes, como drones de médio e grande porte.

Desde 2005, o Ministério da Defesa, junto com outras entidades, tem investido em projetos de desenvolvimento de turbinas aeronáuticas nacionais, agora culminando em capacidades industriais para produção em larga escala.

A parceria também estende a aplicabilidade das turbinas da Aero Concepts em diversas áreas, incluindo sistemas de armas e geração de energia, inclusive em soluções híbridas, com uso de energias limpas. Além disso, ela possibilita a abertura de portas para negociações com empresas do exterior, que já vêm demonstrando interesse em adquirir os produtos oriundos dessa junção de tecnologias.

Alexandre Roma, diretor da Aero Concepts, reforçou a importância de contratos como esse em declaração para o portal Sobre Tudo:

“Esta parceria estratégica entre nós e a Stella Tecnologia é um passo decisivo rumo à autonomia tecnológica e à defesa nacional. Ao integrarmos turbinas a jato em plataformas de voo não tripuladas, estamos não apenas impulsionando a indústria aeroespacial brasileira, fornecendo recursos tecnológicos otimizados no combate a crimes, mas também fortalecendo a capacidade de vigilância e de defesa de nosso país. Essa colaboração representa um avanço significativo para a segurança nacional, garantindo que tenhamos as ferramentas necessárias para proteger nossas fronteiras e interesses soberanos.”

Stella Tecnologia e o desenvolvimento de munições vagantes
A Stella Tecnologia - fundada em 2015 para desenvolver aeronaves não tripuladas de grande porte - desenvolve, fabrica e opera sistemas aéreos não tripulados para emprego no setor de defesa e em setores industriais que necessitam de produtos de alto desempenho.

Seus projetos aeronáuticos utilizam recursos de última geração altamente configuráveis para atender a uma ampla gama de requisitos operacionais de missões táticas e estratégicas, com o emprego dos melhores sensores e subsistemas, escolhidos com isenção, para compor sistemas integrados de altíssimo desempenho e confiabilidade.  

Percebendo que o mercado necessitava de armamentos leves para serem embarcados em  drones (VANT, ARP, SARP) e que os armamentos disponíveis no mercado internacional eram de difícil acesso devido a questões geopolíticas, a Stella iniciou o desenvolvimento de uma linha de munições vagantes (drones kamikazes) para serem embarcadas em suas plataformas.

O primeiro exemplar dessa linha é a munição planadora Siopi, com uma razão de planeio máxima de 20:1, ou seja: a cada 20 metros de deslocamento, perde 1 metro de altitude. Desta forma, se lançada a 10.000 metros, ela poderá planar 200 km levando uma "cabeça de guerra" de 4 kg. 

Essa munição tem uma assinatura acústica praticamente nula, uma assinatura de radar mínima e uma assinatura térmica também próxima a zero. Desta forma, torna-se muito difícil de ser detectada.

Para atingir o alvo com precisão exata, a Stella trabalha em um sistema de guiamento que utiliza medições inerciais combinadas com visão computacional. Além do mais, o operador poderá corrigir o curso da munição, ou destruí-la, se assim o desejar, até muito perto do momento da detonação da carga.

A munição vagante terá um custo de aquisição baixíssimo e poderá também operar por enxame (sworm), pois a empresa está trabalhando em parceria com um importante pesquisador nessa área. 

A ideia é criar um produto barato, eficaz e disruptivo que permitirá o armamento de pequenos e grandes drones fabricados pela Stella Tecnologia ou por outras empresas brasileiras ou estrangeiras.

Em contato com a empresa, a LRCA apurou que todos os seus três modelos de drones de defesa poderão ser utilizados para o uso desse tipo de munição.  

Com isso, a empresa revoluciona o Setor de Defesa brasileiro, com reflexos na América do Sul e no mundo, haja vista ser a primeira fabricante sul-americana de drones a desenvolver tal recurso.





Munição planadora Siopi, da Stella Tecnologia

Atobá, Albatroz e Condor: os três principais drones da Stella Tecnologia
A empresa produz três tipos de aeronaves remotamente tripuladas, popularmente conhecidos como drones:

Atobá
O ARP Atobá voou em 2020, sendo a maior plataforma aérea desse tipo já desenvolvida na América Latina, possibilitando o monitoramento de fronteiras e áreas extensas com sua surpreendente autonomia de 28 horas.

Dados técnicos:
MTOW: 500 kg
Comprimento: 8 metros
Envergadura: 11 metros
Motorização: 60 hp
Carga-paga: 150 kg
Autonomia: 20 horas
Alcance do datalink: 250km
Decolagem e pouso: 400 metros
Possibilidade de embarcar múltiplos sensores. 

Drone Atobá com munição planadora Siopi, também da Stella

Albatroz
O Albatroz é uma plataforma aérea extremamente versátil, com uma autonomia surpreendente, que pode ser operada a partir de pistas não preparadas com menos de 150 metros. Foi desenvolvido para atender uma demanda da Marinha do Brasil, para operações a partir do Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico.

Dados técnicos:
MTOW: 500 kg
Comprimento: 4 metros
Envergadura: 7 metros
Motorização: 25 hp
Carga-paga: 6 kg
Autonomia: 28 horas
Alcance do datalink: 250km
Decolagem e pouso: 150 metros
Possibilidade de embarcar múltiplos sensores.


Drone Albatroz com munição planadora Siopi

Condor
O Condor é uma plataforma em desenvolvimento para atender as necessidades de monitoramento persistente de fronteiras com habilidade de embarcar múltiplos sensores e subsistemas com até 390 kg por 40 horas. Além disso, um outro diferencial é o alcance ilimitado do seu datalink (quando são utilizadas informações satelitais). Quando estiver operacional, ocupará o lugar do Atobá como a maior plataforma aérea do tipo já desenvolvida na América Latina.

Dados técnicos:
MTOW: 1400 kg
Comprimento: 9 metros
Envergadura: 15 metros
Motorização: 145 hp
Carga-paga: 390 kg
Autonomia: 40 horas
Alcance do datalink: 250km
Alcance do datalink satelital: ilimitado
Decolagem e pouso: 600 metros
Possibilidade de embarcar múltiplos sensores.


Drone Condor, em desenvolvimento


Sobre a Aero Concepts
Fundada em janeiro de 2016, em Ribeirão Preto (SP), a Aero Concepts – Aeroespacial, Industrial e Defesa Ltda é uma empresa de inovação tecnológica de desenvolvimento de sistemas e de produtos que necessitam de alto desempenho e confiabilidade que, atualmente, está consolidada no mercado de projetos, consultorias e serviços em turbomáquinas aplicadas à geração de energia com plantas térmicas na ordem de 250 MW, projetos de sistemas de controle e de bancos de ensaios para os setores industrial e aeroespacial.

Visando ampliar sua participação nos setores Aeroespacial e de Defesa, para se tornar uma empresa nacional fabricante e fornecedora de tecnologia de turbinas a gás para Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) e de sistemas aeronáuticos, a Aero Concepts dá um grande passo rumo ao seu objetivo com a abertura da Unidade II no Vale do Paraíba, nas dependências do Parque Tecnológico de São José dos Campos, considerado o maior complexo de inovação e empreendedorismo do Brasil.

Dentro do Parque Tecnológico de São José dos Campos, referência nacional em inovação e alta tecnologia, a Aero Concepts potencializa a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) de seus produtos e serviços, amplia parcerias com novas empresas, estruturas e instituições que colaborem na evolução e no desenvolvimento de turbinas a gás, de sistemas de supervisão, de controle e de ensaios para o mercado civil e de Defesa, potencializando a sinergia entre a empresa e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) em projetos existentes e futuros.

 

15 novembro, 2023

Drone kamikase ANSHAR é apresentado pela Mac Jee no Dubai Air Show


*LRCA Defense Consulting - 15/11/2023

O Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT ou UAV – Unmanned Aerial Vehicle) ANSHAR é um drone kamikase que está em desenvolvimento pela Mac Jee, no Brasil, com base em investimentos próprios em Pesquisa e Inovação. 

Trata-se de uma ferramenta versátil e poderosa para ser utilizada em uma ampla variedade de aplicações militares, podendo ser empregada para atacar alvos terrestres ou marítimos.

A arma teve seu protótipo apresentado pela primeira vez nesta semana, no Dubai Air Show, um dos principais eventos aeroespaciais do mundo.

O ANSHAR atende aos requisitos das doutrinas de guerra modernas, pois atinge uma velocidade de 170 m/s (612 km/h), com altitude mínima de 10 metros (sea skimming), capacidade de alcance de 180 Km e  autonomia de voo de 01 hora. Além disso, o drone suporta uma carga útil (payload) de 20Kg. 

Esse novo desenvolvimento representa um salto de tecnologia e capacidade da Base Industrial de Defesa do Brasil, reforçando a oferta de produtos Mac Jee para garantir às forças aéreas de nações aliadas condições de cumprir seu dever com os melhores resultados.

A Mac Jee se diz confiante de que o ANSHAR será um sucesso no mercado internacional, pois é um produto de alta qualidade, com desempenho superior e um preço competitivo.

Como curiosidade, Ansar (Anshar) foi um deus mesopotâmico considerado o rei primordial dos deuses, o deus do horizonte celeste. Era esposo de sua irmã Quisar, a deusa do horizonte terreno. Ambos foram o segundo casal a nascer da união de Tiamate e Apsu. Foi o pai de Anu, o deus do céu, senhor das constelações, rei dos deuses, espíritos e demônios, e de Antu (ou Qui)

11 agosto, 2023

Grupo EDGE, dos Emirados, firma acordo estratégico com a Turbomachine para desenvolver motores para drones e mísseis


*GCC News Business, por Arya M Nair - 11/08/2023

A EDGE, empresa de defesa de Abu Dhabi, assinou um acordo estratégico com a Turbomachine, uma das principais desenvolvedoras de motores a turbina do Brasil.

A Turbomachine é especializada em pesquisa, inovação e engenharia e desenvolvimento de motores de turbina a gás e soluções de combustão assistida por plasma no domínio aeroespacial. O acordo permitirá que a EDGE e a Turbomachine trabalhem juntas no desenvolvimento de motores, incluindo turbofan e ventilador propelente, para o portfólio de UAVs (unmanned aerial vehicle - drones) e mísseis da EDGE.

A assinatura, que contou com a presença de integrantes da alta direção da EDGE e da Turbomachine, e do Vice-Almirante Sr. Marco Antonio Ismael Trovão de Oliveira, da Marinha do Brasil, ocorreu na sede da Turbomachine, na cidade de São José dos Campos.

O Sr. Trovão de Oliveira afirmou que “Este é mais um exemplo de uma valiosa parceria internacional construída na confiança, valores comuns, compartilhamento de conhecimento e um objetivo comum de ultrapassar os limites da inovação para desenvolver soluções tecnológicas avançadas, para o benefício de todos os envolvidos.”

“A parceria com a Turbomachine marca um passo significativo no avanço de nossas capacidades tecnológicas e no fortalecimento de nosso compromisso com a inovação nos setores aeroespacial e de defesa. Juntos, esperamos desenvolver motores de turbina a gás e soluções de combustão assistida por plasma que aumentarão a potência e o desempenho do portfólio de UAVs e mísseis da EDGE”, afirmou Hamad Al Marar, Presidente da Divisão de Mísseis e Armas do Grupo EDGE.

O Sr. Alberto Carlos Pereira Filho, CEO e Fundador da Turbomachine, disse que “Nossa colaboração com o Grupo EDGE destaca nossas capacidades e o desempenho e eficácia de nossas soluções de motores. A parceria com a EDGE no desenvolvimento inovador de UAV e turbinas de mísseis abre caminho para grandes conquistas no futuro.”

A visita à Turbomachine fez parte de uma visita contínua da delegação de alto nível da EDGE ao Brasil, onde o grupo se reuniu com autoridades locais e importantes players e parceiros da indústria brasileira. As visitas permitem que a EDGE abra caminho para uma maior colaboração na troca de conhecimento, cooperação em P&D e co-desenvolvimento de sistemas avançados de defesa, entre outros.

13 abril, 2023

Akaer estabelece parceria com empresa da Arábia Saudita para desenvolvimento de drones


*LRCA Defense Consulting - 13/04/2023

A Akaer, empresa brasileira com mais de 30 anos de atuação no desenvolvimento de tecnologias de ponta para os setores de Defesa e Aeroespacial, promoveu uma parceria com a empresa saudita Intra Defense Technologies para o desenvolvimento de drones naquele país. O acordo foi firmado, nesta quarta (12), durante a LAAD 2023, a maior feira de Defesa e Segurança da América Latina, no Rio de Janeiro.

As duas companhias estabeleceram um contrato para o desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (UAVs, na sigla em inglês) de grande porte para inicialmente atender as necessidades da Arábia Saudita. O projeto, no entanto, poderá se estender para outros países e regiões.

O acordo foi assinado pelo Executive Director of Alliances da empresa Intra, Hmoud Alshethre, e o CEO da Akaer, Cesar Silva. Também esteve presente na cerimônia o UAV Test Pilot da Intra, Mohammed Aljehani.

"Esta é uma parceria crucial para o crescimento da Akaer em mercados importantes para o Brasil, como o Oriente Médio. Estamos expandindo nossas ações pelo mundo e criando novas fontes de sinergia", comenta Cesar Silva.

Atualmente, a Intra opera UAVs na Arábia Saudita com grande sucesso, acumulando mais de 4 mil horas de voo em diferentes missões. A empresa parceira desenvolveu dois UAVs VTOL (que realizam pouso e decolagem /verticais), um dos quais está exposto na LAAD Defense & Security, que acontece no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 14 de abril.

A parceria entre Akaer e Intra seguirá o conceito do Programa VISION 2030 do Governo do Reino da Arábia Saudita, que prevê um conteúdo majoritário do Programa naquele país.

O primeiro projeto começou a ser desenvolvido em janeiro de 2023, e prevê a produção de um protótipo de um UAV bimotor Classe 3, mas a tendência é que outros sistemas sejam criados em um futuro próximo. No entanto, a parceria com a Akaer será ainda mais ampla, com o objetivo de desenvolver soluções mais arrojadas.

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