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27 junho, 2026

Míssil de cruzeiro AATD de longo alcance: o que se sabe sobre o programa da PlasmaHub

Missil AATD da PlasmaHub, em imagem renderizada por IA

*LRCA Defense Consulting - 27/06/2026

A empresa brasileira PlasmaHub, com sede em São José dos Campos (SP), esteve presente na Eurosatory 2026, realizada de 15 a 19 de junho em Paris. A participação ocorreu dentro do Espaço Brasil, pavilhão coletivo coordenado pela ABIMDE no Hall 5B, estande C100, junto com outras 18 empresas nacionais. A PlasmaHub vinha sendo associada, em publicações de terceiros nas redes sociais, a um sistema de mísseis de longo alcance para aplicações estratégicas, que estaria entre os destaques de sua participação no evento.

Até o fechamento desta matéria, porém, não foi localizada cobertura da imprensa especializada que confirme o míssil de longo alcance como destaque efetivo da presença da empresa na feira. Diferentemente de companhias brasileiras como Embraer, CBC, Taurus, Mac Jee e Condor, que tiveram estandes próprios na Eurosatory 2026, a PlasmaHub esteve no espaço coletivo do pavilhão nacional, o que pode ter limitado a visibilidade individual de seus produtos.
 
O sistema de lançamento e a propulsão híbrida
Segundo publicação do portal Brazil Defense Brief (BDB) feita antes da abertura da feira, o sistema contaria com um lançador móvel rodoviário configurável para dois a quatro mísseis em canisters. A solução integrada incluiria recarga de mísseis, fornecimento de combustível, controle móvel de missão, comunicações via satélite e integração C2 (comando e controle). Essas características, no entanto, não foram confirmadas por cobertura da feira em si nem por declaração oficial da PlasmaHub.

A propulsão, segundo a mesma publicação, combinaria dois estágios: um foguete de propelente sólido, usado como acelerador inicial (booster), e um motor turbojato, empregado na fase de cruzeiro. Essa arquitetura em dois estágios conferiria ao sistema capacidade de ataque de longo alcance, com ogiva de fragmentação por explosão.

Vídeo do perfil Global Militar postado no YouTube há seis meses, onde é dito que o míssil foi revelado pelo Jorn. Roberto Caiafa em seu blog Caiafa Master

O motor TJ-1000, da Turbomachine, e a confirmação pelo Exército Brasileiro
As imagens do míssil em montagem permitem identificar, no banco de testes, um motor turbojato de eixo único que corresponde, em proporções e posicionamento, ao modelo TJ-1000, fabricado pela brasileira Turbomachine. O motor tem peso seco de 70 quilos, 1.180 milímetros de comprimento e 350 milímetros de diâmetro, sendo capaz de gerar entre 1.000 e 1.200 libras-força de empuxo, conforme a configuração. Utiliza um compressor axial de quatro estágios, fabricado em peça única de alumínio, e turbina de um estágio. O mesmo motor já é empregado pela Avibras Aeroco, sob acordo de licença de fabricação, no míssil AV-TM 300 (também chamado MTC-300), que equipa o sistema ASTROS.

Fontes do setor apontam que versões mais potentes da propulsão, como um motor identificado como TF-1200, poderiam elevar o alcance de sistemas baseados no TJ-1000 a algo entre 1.500 e 2.000 quilômetros. Essa estimativa encontra respaldo em fonte primária: um trabalho acadêmico de 2025, produzido por sete oficiais do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes (CI Art Msl Fgt) do Exército Brasileiro como requisito para a especialização em Planejamento e Emprego do Sistema de Mísseis e Foguetes, confirma que a PlasmaHub está desenvolvendo míssil de longo alcance denominado AATD, o qual pode chegar até 2000 km. O mesmo documento confirma que a plataforma lançadora teria capacidade de lançar até duas munições, no mesmo sentido do que circulava em publicações de terceiros nas redes sociais.

O estudo, voltado à base industrial de defesa que sustenta o sistema ASTROS, traz a confirmação institucional mais robusta sobre o programa até o momento. Descreve a PlasmaHub como empresa com expertise na integração de sistemas componentes de mísseis, foguetes, além de munições pesadas com sistemas de guiamento acoplados, fundada em 2018 e classificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Detalha ainda a rede de parceiros da empresa na manufatura horizontalizada de seus produtos: Edge Of Space (EOS), responsável por dispositivos pirotécnicos; Índios Pirotecnia; Castro Leite Consultoria (CLC), que contribui com navegação inercial; Airtech Defense; e a própria Turbomachine, fornecedora dos motores. A PlasmaHub aparece como responsável pelo desenvolvimento do computador de missão (descrito no documento como Mission First Computer).

O estudo também registra que a empresa alega que seus produtos estão fora da jurisdição das ITAR (International Traffic in Arms Regulations, o regime norte-americano de controle de exportação de tecnologias de defesa), embora dependa de insumos e matérias-primas importadas para executar seus projetos. Buscar a condição de ITAR Free é relevante para a competitividade comercial do míssil, já que produtos sujeitos às ITAR enfrentam restrições severas de exportação impostas pelos Estados Unidos.

Míssil em fase de montagem, com a seção do motor exposta no banco de testes, em imagem da PlasmaHub

A ficha técnica completa do portfólio de mísseis
Materiais divulgados pela própria PlasmaHub detalham um portfólio mais amplo do que o míssil de longo alcance isoladamente. Ele inclui um míssil de cruzeiro de curto e médio alcance, o míssil de cruzeiro de longo alcance, uma estação de controle terrestre e uma estação de lançamento móvel baseada em veículo terrestre. A empresa também desenvolve um kit de guiamento e planeio para bombas da família MK (MK-81, MK-82 e MK-89), além de um foguete supersônico de artilharia e do já mencionado veículo lançador de satélites, em parceria com o consórcio liderado pela Cenic.

O míssil de curto e médio alcance tem alcance estimado entre 200 e 300 quilômetros, velocidade de Mach 0,80 e altitude de voo em torno de 20 mil pés. É propulsionado pelo motor turbojato TJ-200, da Turbomachine, e incorpora asas retráteis, aletas de controle em configuração cruciforme e entrada de ar inferior. O armamento emprega guiamento bidirecional com datalink, cabeça de guerra de fragmentação e erro circular provável (CEP) de 30 metros. O projeto tem como base o míssil de cruzeiro Caburé 300, desenvolvido pela própria Turbomachine e apresentado na LAAD 2015, o que indica linhagem de mais de uma década para o conceito.

Já o míssil de longo alcance, alvo principal desta matéria, mantém velocidade de Mach 0,75, carga útil de 200 quilos e o motor TJ-1000. Incorpora asas e superfícies de controle retráteis, lançamento a partir de canister e ogiva de fragmentação. O sistema conta ainda com sensor infravermelho para a fase terminal, CEP estimado em 2 metros, dispositivo de autodestruição e possibilidade de emprego de booster de aceleração, além da opção de lançamento a partir de uma unidade física dedicada.

A turbina TJ-200, por sua vez, é uma microturbina a gás de apenas 180 milímetros de diâmetro, com 12 quilos de peso e capacidade de gerar 220 libras-força de empuxo, suficiente para os 300 quilômetros declarados de alcance do míssil de menor porte.

Um papel potencial no ecossistema do ASTROS, mesmo com a Avibras reativada
O trabalho acadêmico do Exército situa a PlasmaHub dentro de um contexto institucional mais amplo: a crise da Avibras, fabricante histórica do sistema ASTROS, que entrou em recuperação judicial em 2022 por uma dívida de aproximadamente R$ 600 milhões. Essa crise comprometeu por anos o suprimento de munição e a manutenção do sistema, levando o Exército a mapear empresas alternativas da base industrial de defesa capazes de assumir funções antes exclusivas da Avibras.

Desde a conclusão do estudo, porém, o quadro mudou: em maio de 2026, a empresa, agora sob nova governança e rebatizada Avibras Aeroco, retomou suas operações após receber um aporte de R$ 300 milhões do grupo J&F e encerrar uma greve de 1.280 dias. A retomada inclui a continuidade do MTC-300 (AV-TM 300) e do próprio sistema ASTROS, que segue propulsionado pelo motor TJ-1000 da Turbomachine sob licença de fabricação, sem indicação de substituição por um motor próprio da empresa.

Mesmo com a reativação da Avibras Aeroco, o mapeamento institucional que apontava a PlasmaHub como possível solução para a manutenção dos sistemas lançadores do ASTROS, dada sua expertise em plataformas e em sistemas lançadores, segue relevante: a base industrial de defesa brasileira tende a se manter diversificada, com a PlasmaHub, a SIATT, a Mac Jee e a Modirum Gespi mapeadas como possíveis fornecedoras complementares de munição, e com a PlasmaHub citada também na integração de sistemas de comunicações, meteorologia e cálculo de tiro, ao lado de RF Com e SIATT. Isso sugere que a empresa não atua apenas como desenvolvedora independente de um míssil próprio, mas também como possível ator de apoio dentro do ecossistema industrial que sustenta um dos principais sistemas de artilharia do Exército Brasileiro.

Uma visão mais ampla da PlasmaHub
O míssil de longo alcance é apenas uma frente da PlasmaHub. A empresa, formada por engenheiros com passagens pela Embraer, pela Avibras e pela Mectron, atua também no setor espacial: integra o consórcio liderado pela Cenic Engenharia responsável pelo desenvolvimento do MLBR (Microlançador Brasileiro), o veículo lançador de pequeno porte (VLPP) financiado pela Finep, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com participação da Agência Espacial Brasileira (AEB).

No consórcio, a PlasmaHub contribui com o banco de controle de lançamento, projetos aeroespaciais e montagem de módulos. O programa já passou pela Preliminary Design Review (PDR), em junho de 2024, e pela Critical Design Review (CDR), concluída com sucesso em 29 e 30 de maio de 2025, marco que autorizou o início da fase de construção e testes. Em janeiro de 2026, o MLBR concluiu também um teste de resistência do motor. A próxima etapa é a Systems Qualification Review (SQR), que avaliará a qualificação dos principais subsistemas do veículo.

Vale notar que o projeto concorrente ao MLBR, o VLN-AKR, liderado pela Akaer, foi cancelado por irregularidades na prestação de contas, o que deixou o MLBR como o único projeto privado em andamento no Brasil para o desenvolvimento de um microlançador.

 
Renderização do futuro Complexo Industrial e Tecnológico da PlasmaHub e Turbomachine em Paracuru (CE) em vídeo do perfil @beimoficial no Instagram, postado em setembro de 2024 

O polo industrial de Paracuru
Outra frente relevante é a expansão territorial do projeto. A PlasmaHub e a Turbomachine pretendem construir um complexo industrial de engenharia espacial em Paracuru, no Ceará, em terreno doado pela prefeitura, com a previsão de cerca de 60 empregos diretos e mais de 200 indiretos. O município fica a aproximadamente 80 quilômetros de Fortaleza e relativamente próximo do Centro de Lançamento de Alcântara (MA), o principal ativo espacial estratégico do país.

A presença da Turbomachine no complexo sugere integração vertical entre as duas empresas, unindo produção de propulsão e integração de sistemas no mesmo polo. Reportagens anteriores já haviam destacado que a PlasmaHub descreve seu míssil de cruzeiro como um projeto “100% nacional”, reforçando a lógica de soberania tecnológica que também orienta o programa MLBR.

17 abril, 2026

O arsenal de mísseis que o Brasil está desenvolvendo

Da crise da Avibras ao surgimento de novos players, o país acumula projetos de mísseis de longo alcance que podem redefinir sua postura estratégica 


*LRCA Defense Consulting - 17/04/2026

Numa base aérea brasileira cujo nome não foi divulgado, um motor a jato de fabricação nacional quebrou o recorde de distância em voo. O feito, anunciado discretamente pela Turbomachine, empresa de São José dos Campos, passou longe dos noticiários gerais. Mas para quem acompanha a indústria de defesa brasileira, o significado era claro: o coração propulsor dos mísseis de cruzeiro do Brasil havia acabado de provar que funcionava.

Era apenas mais um capítulo de uma história que avança em silêncio há décadas e que, em 2026, entrou em fase de aceleração sem precedentes. 

O Brasil está construindo, simultaneamente e em diferentes estágios de maturidade, um arsenal de mísseis de longo alcance que abrange desde um míssil de cruzeiro a 90% de conclusão até projetos hipersônicos capazes de voar a Mach 6. No centro dessa transformação estão três empresas que o público em geral mal conhece: Avibras, SIATT e Mac Jee. E surgindo na periferia desse ecossistema, duas outras: Plasma Hub e, como fornecedora transversal de propulsão, a própria Turbomachine.

A Avibras e o "Matador": vinte e cinco anos esperando o último disparo
A história começa em 1999, com uma Avibras em plena atividade e a primeira concepção de um míssil de cruzeiro nacional. O desenvolvimento oficial teve início em setembro de 2001, mas os anos seguintes foram de reformulações profundas: as asas retráteis foram removidas, materiais compostos incorporados, o projeto inteiramente refeito. Em 2012, o Exército Brasileiro assinou o contrato de encomenda e investiu US$ 100 milhões na fase de desenvolvimento. O míssil ganhou o apelido de "Matador".

Hoje, em 2026, o Matador ainda não entrou em serviço. Mas está mais perto do que nunca: 90% do desenvolvimento está concluído, aguardando apenas a campanha de tiros de certificação, etapa que requer a Avibras em plena operação.

Tecnicamente, o AV-TM 300 é um projétil de engenharia aeronáutica sofisticada. Voa a cerca de mil km/h em perfil rasante, mantendo altitude de aproximadamente 800 metros e acompanhando o relevo do terreno para dificultar a detecção por sistemas antiaéreos. Seu alcance declarado é de 300 km, com precisão de até 30 metros. O motor de cruzeiro é uma variante do turbojato TJ-1000, desenvolvido pela Turbomachine e produzido pela Avibras sob acordo de licença de fabricação. Há duas versões de ogiva: uma auto-explosiva de até 200 kg e uma múltipla com 66 submunições.

O alcance declarado de 300 km, porém, não é o limite técnico... é o limite político. O Brasil é signatário do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MTCR), que restringe a exportação de projéteis com alcance superior a essa distância. Para uso interno, o gerente do Programa Astros 2020 declarou a jornalistas que o AV-TM 300 tem "muito mais que 300 km de alcance; quantos forem necessários à defesa do Brasil".

O segredo que escapou num vídeo
O desdobramento mais revelador da história do Matador foi a versão aerolançável, o MICLA-BR - Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance. Em março de 2019, o jornalista Roberto Caiafa recebeu uma dica: um caça F-5EM Tiger II da Base Aérea de Canoas havia sido fotografado carregando, no cabide central, um artefato alaranjado de grandes proporções. A Força Aérea silenciou. Meses depois, foi o próprio Ministério da Defesa que entregou o segredo: no vídeo comemorativo dos 100 dias do governo Bolsonaro, aos cinco minutos e cinco segundos, lá estava a imagem do teste.

A confirmação oficial veio em 24 de setembro de 2019, quando o Major-Brigadeiro Sérgio Roberto de Almeida, chefe da Sexta Subchefia do EMAER, apresentou ao Congresso Nacional os 18 projetos estratégicos da FAB. O MICLA-BR foi descrito como "o sexto projeto estratégico da Força Aérea, um projeto de grande porte que equaliza o Brasil militarmente com outros países que possuam esta capacidade". Segundo o slide exibido, trata-se de um míssil de cruzeiro com 300 km de alcance, com propulsão por motor a reação, para lançamento por plataformas aéreas e de superfície, equipado com navegação inercial/GPS e redundância por correlação de imagem. Dependendo da missão, o MICLA-BR pode carregar sensor infravermelho, radar de acompanhamento do terreno ou radar de abertura sintética (SAR).

Em novembro de 2020, FAB e Avibras formalizaram a parceria com um Memorando de Entendimento, no qual o então Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, definiu o projeto como "um dos mais importantes" dos programas estratégicos da Força. A destinação era clara: armar os caças F-39 Gripen que a FAB começava a receber.

A versão aerolançável tem diferenças técnicas importantes em relação ao AV-TM 300 terrestre. Como o lançamento ocorre a partir de uma aeronave já em velocidade e altitude, o booster de propulsão sólida, necessário para ejetar o míssil do lançador terrestre, torna-se dispensável. Isso simplifica o projeto e potencialmente amplia o alcance efetivo. Com o F-39 Gripen armado com o MICLA-BR e apoiado pelo reabastecimento em voo do KC-390, a FAB teria condições de atingir qualquer alvo estratégico no continente sul-americano ou na costa atlântica africana, uma capacidade de dissuasão sem precedentes na história das Forças Armadas brasileiras.

O programa, porém, também foi vítima da crise da Avibras. Com a empresa em recuperação judicial e a produção paralisada por três anos, o desenvolvimento perdeu tração. 

A virada veio neste mês de abril de 2026. Joesley Batista, controlador da J&F, a holding que comanda a gigante JBS, assinou contrato para participar de uma captação de R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito para financiar a reestruturação. Com o acordo trabalhista homologado, a previsão é de que a fábrica retome as operações em maio, chegando a 200 funcionários, 500 em junho e mais de mil à medida que novos contratos forem fechados. A prioridade imediata é concluir a campanha de tiros do Matador, desbloqueando também o caminho para a versão aérea.

Além do MTC-300 e do MICLA-BR, o Exército quer ainda o S+100, um míssil balístico tático que aproveitará o conhecimento acumulado no foguete SS-80 do sistema ASTROS, com compatibilidade garantida com os lançadores existentes. Enquanto o míssil de cruzeiro voa rasante e subsônico, o balístico segue trajetória parabólica de alta altitude, atingindo velocidades muito maiores na fase terminal, o que dificulta a interceptação. A combinação dos dois sistemas dentro da plataforma ASTROS, rebatizada de "Fogos", daria ao Brasil uma capacidade de dissuasão em múltiplas camadas sem paralelo na América do Sul.

O "Matador" e o MICLA-BR aguardam seu último disparo. Ambos dependem de que as luzes da fábrica em São José dos Campos finalmente voltem a se acender e, desta vez, para não mais se apagarem.

A SIATT e o "easter egg": o segredo que escapou numa foto
Se a Avibras é a veterana em crise, a SIATT é a ascendente em expansão acelerada. Fundada há dez anos, a empresa de São José dos Campos foi adquirida em 50% pelo Grupo EDGE, conglomerado de defesa de Abu Dhabi que já investiu cerca de R$ 3 bilhões no Brasil. Em setembro de 2025 inaugurou nova sede com 6.000 m², consolidando laboratórios, engenharia e produção num único campus.

Em março de 2026, uma publicação aparentemente rotineira no LinkedIn da SIATT (foto abaixo) gerou ondas no setor. O jornalista e analista Angelo Nicolaci, ao examinar a imagem compartilhada pela empresa, identificou um míssil que não constava em nenhum catálogo oficial (na foto a seguir, à esquerda, em cima). Fontes próximas ao desenvolvimento confirmaram ao jornalista: trata-se de um novo sistema em versões com alcance estimado entre 500 km e 1.000 km, categoria equivalente ao Tomahawk americano. A empresa já teria realizado uma prova de conceito com voo de teste de aproximadamente 120 km.

Imagem divulgada pela SIATT

A revelação tem dimensão estratégica que vai além do Brasil. O Grupo EDGE, que no Dubai Airshow 2025 lançou 42 novos produtos em um único dia, não possui em seu portfólio nenhum míssil com alcance próximo ao do Tomahawk. Seu sistema mais avançado, o WSM-1, alcança apenas 290 km. Um míssil com DNA brasileiro e alcance entre 500 e 1.000 km preencheria uma lacuna crítica para um conglomerado que hoje vende para mais de 50 países.

No portfólio confirmado, a SIATT já opera sistemas relevantes: o MANSUP, míssil antinavio desenvolvido com a Marinha do Brasil, com alcance de 70 km; o MANSUP-ER, versão estendida com alcance de 200 km; e o sistema anticarro MAX 1.2, contratado pelo Exército e pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Em fevereiro de 2026, a Marinha assinou protocolo de intenções para o desenvolvimento do MARSUP, versão aérea do MANSUP, para lançamento por helicópteros e aviões. Na FIDAE 2026, em abril, a SIATT exibiu em tamanho real o MANSUP e o MAX 1.2 para audiência internacional.

Concepções artísticas dos mísseis

Mac Jee: a empresa que quer fazer tudo
Menos conhecida do que Avibras e SIATT, a Mac Jee se posicionou nos últimos anos como o player mais ambicioso da nova geração. Reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa e sediada no mesmo polo tecnológico de São José dos Campos, a empresa opera com a menor exposição pública e o portfólio mais diversificado.

Em novembro de 2025, a Mac Jee anunciou a aquisição da propriedade intelectual exclusiva dos mísseis MAR-1 e MAA-1B Piranha, sistemas desenvolvidos originalmente pela extinta Mectron em parceria com a FAB. O MAR-1 é o primeiro míssil antirradiação concebido no Brasil, projetado para neutralizar radares e sistemas de defesa aérea inimigos em operações SEAD (do inglês Suppression of Enemy Air Defenses - Supressão de Defesas Aéreas Inimigas). O MAA-1B é um míssil ar-ar de curto alcance com guiamento infravermelho avançado (IIF) e capacidade off-boresight (capacidade de mísseis rastrearem e engajarem alvos localizados fora do eixo central da aeronave).

 Os folhetos técnicos revelam dados precisos: o ARM (evolução do MAR-1) tem alcance de 70 km, peso de 272 kg e ogiva de 90 kg; o SRAAM (evolução do MAA-1B) tem alcance de 25 km e guiamento IIR dual-band de 5ª geração.

Mas são os projetos não catalogados que mais chamam a atenção. A Mac Jee também está desenvolvendo um míssil de cruzeiro com motor microjato, asas retráteis e lançamento terrestre, concorrendo diretamente com o MTC-300 num segmento em que a Avibras tem décadas de vantagem. E um SRBM (Short-Range Tactical Ballistic Missile): alcance de 300 km, peso de 2.200 kg, comprimento de 6 metros, ogiva de 250 kg, navegação GNSS/INS e precisão de até 10 metros. Lançado de silos ou plataformas móveis, com tempo de voo de apenas 5 minutos ao alvo máximo. O artigo da Infodefensa foi categórico: o SRBM coloca o Brasil como o primeiro país da América Latina a desenvolver um míssil balístico com capacidades comparáveis ao MGM-140 ATACMS norte-americano.

No front hipersônico, a Mac Jee é parceira estratégica do IEAv (Instituto de Estudos Avançados da FAB) no Projeto 14-X, o mais ambicioso da defesa brasileira. Em dezembro de 2025, os dois firmaram acordo de 36 meses envolvendo cerca de 40 engenheiros para desenvolver o sistema de propulsão hipersônica. Em 2021, o protótipo já havia atingido Mach 6 e 160 km de altitude durante a Operação Cruzeiro, no Centro de Alcântara. O investimento total já passou de R$ 117 milhões. O primeiro voo efetivo está previsto para 2027; a aplicação operacional, para 2030.

A Plasma Hub e o motor do futuro
Entre as novatas do setor, a Plasma Hub se destaca por um projeto que nenhuma outra empresa brasileira assumiu explicitamente: um míssil de cruzeiro com alcance superior a 1.000 km, arma estratégica, não tática.

A empresa, também sediada em São José dos Campos e reconhecida como EED, foi formada por engenheiros com passagens pela Embraer e pela Avibras. A solução que a distingue é a parceria com a Turbomachine para uso do motor TJ-1000, o mesmo que a própria Avibras utiliza sob licença no MTC-300. Com esse propulsor, a Plasma Hub projeta velocidade de cruzeiro de aproximadamente 900 km/h e carga útil de 200 kg. O sistema de guiamento terminal infravermelho promete precisão de 2 metros. O lançamento está previsto para ocorrer de caminhões ou silos fixos.

O analista Roberto Caiafa foi direto ao ponto: se o fabricante declara "longo alcance" com o TJ-1000, o sistema necessariamente ultrapassa os 1.000 km. E se ultrapassa os 300 km do MTCR, fica evidente que o projeto foi concebido tendo o Estado Brasileiro como cliente exclusivo, pois não pode ser exportado dentro das regras internacionais às quais o Brasil aderiu.

A Plasma Hub integra ainda o consórcio do ML-BR (Micro Lançador de Satélites Brasileiro), responsável pela montagem e integração dos sistemas de bordo, demonstrando a sobreposição intrínseca entre tecnologia espacial e missilística.

Turbomachine: o motor silencioso de tudo
Por trás de vários desses programas, há uma empresa que raramente aparece nas manchetes: a Turbomachine. Fundada em 2007 a partir do CTA/ITA pelo engenheiro Alberto Carlos Pereira Filho, ela nasceu de um desafio da Petrobras para criar a primeira turbina a gás brasileira. Em 2009, a Avibras bateu à sua porta para pedir o motor do Matador.

Hoje o TJ-1000 - turbojato de 5.000 N de empuxo, com mais de 600 partidas bem-sucedidas e mais de 100 horas de operação acumulada - é classificado como Produto Estratégico de Defesa (PED) e integra ou está em negociação com quase todos os programas de mísseis do país. Em novembro de 2024, a Turbomachine anunciou outro marco: seu turbofan de baixa razão de bypass, o primeiro desenvolvido no hemisfério sul, alcançou 25 mil RPM com estabilidade operacional.

A confirmação do interesse governamental no trabalho da empresa veio no final de março de 2026, quando representantes do Ministério da Defesa, do MCTI e da ABIN visitaram suas instalações durante a semana de apresentação do PRONABENS (Programa Nacional de Integração Estado-Empresa na Área de Bens Sensíveis). A presença simultânea dos três órgãos, incluindo o órgão de inteligência nacional, não passou despercebida: indica que o TJ-1000 e seus derivados são acompanhados ao nível de tecnologia sensível classificada.

Quadro estratégico: o que está em jogo
Somados, os projetos em curso desenham um Brasil missilístico que não existia há uma década. Na camada de alcance médio (até 300 km), o MTC-300 da Avibras e o míssil de cruzeiro da Mac Jee competem pelo mesmo espaço, com o primeiro em fase de conclusão e o segundo em desenvolvimento. Na camada longa (300–1.000 km), o míssil ainda não confirmado da SIATT (se chegar ao mercado) colocaria o Brasil numa categoria de pouquíssimos países. Na camada estratégica (mais de 1.000 km), o projeto da Plasma Hub aponta para um sistema sem precedentes na América do Sul. E na fronteira hipersônica (Mach 5+), o 14-X da Mac Jee com a FAB aguarda seu primeiro voo real em 2027.

O contexto não poderia ser mais favorável. A Lei Complementar 221, aprovada em novembro de 2025, autorizou a exclusão de até R$ 30 bilhões em gastos estratégicos de defesa do arcabouço fiscal. O orçamento do Exército deve triplicar entre 2026 e 2031. A indústria que quase perdeu sua principal empresa agora dispõe (em princípio) de capital, legislação e demanda que não tinha.

A pergunta que fica é a do jornalista especializado Roberto Caiafa ao contemplar a Plasma Hub, e que serve para todo o setor: as Forças Armadas demonstrarão interesse pelos projetos? Investirão os recursos necessários para transformar protótipos e conceitos em armas operacionais? 

A Avibras esperou 25 anos pelo último disparo do Matador. O Brasil pode não ter esse tempo no mundo que está se formando.

21 junho, 2025

Motor turbojato Turbomachine TJ-1000: propulsão brasileira promovendo Soberania e Defesa

 


*LRCA Defense Consulting - 21/06/2025

A Turbomachine apresentou o TJ-1000, um motor turbojato de empuxo de 1000 lbf desenvolvido com foco em sistemas aéreos estratégicos. É um turbojato de carretel único, com um compressor axial transônico de quatro estágios, uma câmara de combustão anular de fluxo direto e uma turbina axial de estágio único - um design robusto e moderno com excelente relação empuxo-peso.

O motor vem com um sistema FADEC (Full Authority Digital Engine Control) totalmente integrado - também desenvolvido pela Turbomachine - garantindo controle preciso, maior segurança operacional e integração perfeita com plataformas autônomas.

Classificado como um Produto de Defesa Estratégica (PED), o TJ-1000 já completou uma extensa campanha de validação com marcos importantes:

- Mais de 600 partidas de motor bem-sucedidas
- Mais de 100 horas de operação acumulada sem falhas
- Teste de resistência com mais de 1 hora de operação contínua
- Desempenho comprovado em ambientes simulados, incluindo testes de exposição à água
- Campanha de voo, durante a qual o motor quebrou o recorde de distância na base aérea onde foi testado - uma conquista histórica!

O TJ-1000 representa um avanço significativo no fortalecimento da base industrial de defesa nacional, com tecnologia 100% brasileira pronta para enfrentar os desafios atuais e futuros. 

01 maio, 2025

Brasil fortalece autonomia estratégica com o primeiro drone a jato totalmente nacional, o ATD-150

O ATD-150 integra um Indicador de Distância Perdida (MDI) para registrar a proximidade de tentativas de interceptação e possui amplificação passiva de sinal de RF, capacidade de transmissão de vídeo em tempo real e assinatura infravermelha (IR). (Fonte da imagem: Nest Design Aerospace)

*Army Recognition - 30/04/2025

Em 29 de março de 2025, a empresa brasileira Nest Design Aerospace apresentou o ATD-150, descrito como a primeira aeronave não tripulada a jato 100% projetada no país. O sistema foi desenvolvido especificamente para servir como alvo aéreo para as Forças Armadas Brasileiras e também está sendo considerado para exportação para usuários internacionais. De acordo com o fabricante, o ATD-150 foi projetado para replicar ameaças aéreas avançadas em ambientes de treinamento e visa aprimorar a prontidão operacional, fornecendo uma solução nacional para exercícios de combate simulados e testes de sistemas.

De acordo com as informações disponíveis, o ATD-150 tem um peso máximo de decolagem (MTOW) de até 150 kg e uma capacidade máxima de carga útil de 15 kg. Ele pode operar em altitudes entre 10.000 e 15.000 pés, com um teto de serviço de 20.000 pés. Em condições de voo de FL150 e ISA+35, ele atinge uma velocidade de cruzeiro de Mach 0,6. O sistema de propulsão é o motor turbojato TM TJ-200, desenvolvido no Brasil pela Turbomachine. O UAV funciona com Jet A-1 ou querosene de aviação. A Nest Design Aerospace afirma que esta configuração permite que o ATD-150 funcione como um alvo de alta velocidade, propulsado por jato, adequado para simulações de ameaças complexas e realistas durante operações de treinamento e exercícios de defesa aérea.

O principal perfil de missão do ATD-150 inclui aplicações como treinamento de ataque aéreo, treinamento de engajamento ar-ar, preparação de sistemas de defesa aérea e simulação de ameaças de mísseis de cruzeiro. Também se destina a apoiar a coleta de dados de inteligência e a avaliação de sistemas de armas de defesa.

O UAV é equipado com uma série de recursos de bordo projetados para simular comportamentos e características do adversário. Estes incluem navegação por waypoint pré-programada, um gerador de fumaça para aumentar a visibilidade durante exercícios de rastreamento e rotinas automatizadas de manobras evasivas. Ele também integra um Indicador de Distância de Perda (MDI) para registrar a proximidade de tentativas de interceptação e possui aumento passivo de sinal de RF, capacidade de transmissão de vídeo em tempo real e uma assinatura infravermelha (IR). A pilotagem pode ser conduzida manualmente ou por meio de modos de controle semiautônomos ou totalmente autônomos, dependendo dos requisitos da missão.

Impulsionado pelo motor turbojato TM TJ-200, desenvolvido no Brasil pela Turbomachine, o ATD-150 pode atingir velocidade de cruzeiro de Mach 0,6. (Fonte da imagem: Nest Design Aerospace)

A Nest Design Aerospace caracteriza o ATD-150 como uma iniciativa totalmente brasileira, concebida, projetada e montada dentro da base industrial de defesa nacional. Segundo a empresa, o programa reflete um esforço para estabelecer uma capacidade nacional na área de drones a jato para alvos aéreos, oferecendo um recurso para treinamento e validação de sistemas que não depende de plataformas estrangeiras. A aeronave também é descrita como um sistema que suporta múltiplas configurações e se destina a atender às necessidades operacionais das forças armadas que se preparam para ameaças aéreas avançadas.

Como parte de seus esforços promocionais e de engajamento com a indústria, a Nest Design Aerospace participou da LAAD 2025, uma importante feira de defesa e segurança realizada no Rio de Janeiro. A empresa relatou que sua equipe interagiu com fornecedores, potenciais parceiros e clientes durante o evento. A Nest Design Aerospace observou que o ATD-150 atraiu atenção na feira, com muitos participantes já familiarizados com a plataforma. Segundo a empresa, essa exposição ajudou a reforçar seu objetivo de promover novas colaborações estratégicas e aumentar a visibilidade de seu programa de alvos aéreos nos setores de defesa nacional e internacional.

A Nest Design Aerospace também divulgou material anunciando que o ATD-150 está se aproximando de sua fase operacional inicial. De acordo com a empresa, todas as atividades de desenvolvimento, desde a integração de componentes e testes funcionais até a verificação de desempenho, estão progredindo em direção ao que descreve como um marco significativo na aviação nacional. Materiais em vídeo adicionais foram divulgados, destacando as fases de projeto e testes do programa. A empresa afirmou que novas atualizações e visualizações detalhadas do UAV são esperadas em breve.

O primeiro esforço documentado do Brasil para construir um VANT a jato foi o CBT BQM-1BR, desenvolvido em 1983 pela Companhia Brasileira de Tratores (CBT) em cooperação com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial. Destinado a aplicações militares e civis, incluindo reconhecimento, ataque e tarefas agrícolas, a aeronave possuía um motor turbojato (Tietê JT2) montado em uma nacele na fuselagem traseira. Tinha 3,89 metros de comprimento, envergadura de 3,18 metros e peso máximo de decolagem de pouco mais de 90 quilos. Podia atingir velocidades de até 560 km/h e um teto de serviço de 6.000 metros. Apesar de um plano inicial da Força Aérea Brasileira de adquirir 20 unidades, apenas duas foram construídas, e o projeto foi descontinuado devido às condições políticas e econômicas nacionais.

Separadamente, instituições de pesquisa aeroespacial brasileiras também têm trabalhado em sistemas de propulsão a jato, como o motor scramjet 14-X, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv) como parte do programa PropHiper. Testado pela primeira vez em dezembro de 2021, o scramjet foi integrado a um veículo demonstrador hipersônico que atingiu um apogeu de 160 quilômetros após o lançamento do Centro Espacial de Alcântara. Embora projetado principalmente para aplicações espaciais e de defesa, o 14-X ilustra o interesse contínuo em sistemas avançados de propulsão a jato no Brasil.

Vários outros UAVs foram desenvolvidos no Brasil, com foco em plataformas movidas a hélice para funções táticas, de vigilância e mapeamento. O SantosLab Carcará, que voou pela primeira vez em 2009 e atualmente é usado pela Marinha do Brasil, é um UAV leve projetado para operação por um único soldado em ambientes restritos. Ele oferece autonomia entre 60 e 95 minutos e inclui uma opção de carga útil para sensores infravermelhos ou câmeras com zoom.

O FT Sistemas FT-100 Horus é outro UAV pequeno, usado tanto pelo Exército quanto pela Marinha do Brasil, com alcance operacional de até 15 quilômetros e autonomia de até duas horas. Em 2015, três FT-100 foram exportados para um cliente militar africano não divulgado, tornando-se o primeiro UAV brasileiro conhecido a ter sido vendido no exterior.

No nível MALE, o Avionics Services Caçador foi desenvolvido pela israelense IAI Heron com transferência de tecnologia e propriedade parcial da IAI Brasil. Com envergadura de 16,6 metros, peso de decolagem de 1.270 quilos e autonomia de 40 horas, o Caçador tem teto de serviço de 9.100 metros e está equipado para operações multifuncionais.

O principal perfil de missão do ATD-150 inclui aplicações como treinamento de ataque aéreo, treinamento de engajamento ar-ar, preparação de sistemas de defesa aérea e simulação de ameaças de mísseis de cruzeiro. (Fonte da imagem: Nest Design Aerospace)

A XMobots, empresa privada, também contribuiu para a indústria de VANTs do Brasil por meio de sistemas projetados principalmente para fins civis e de mapeamento, com base em tecnologia desenvolvida nacionalmente. Seu primeiro VANT, o Apoena 1000B, realizou monitoramento aéreo sobre a Amazônia e apoiou o levantamento topográfico na usina hidrelétrica de Jirau de 2010 a 2013. A série Apoena inclui VANTs com autonomia de até 8 horas e capacidade de carga útil de 10 quilos. Desenvolvimentos posteriores incluem o Nauru 500A (autonomia de voo de 5,5 horas, carga útil de 15 quilos), que em 2013 se tornou o primeiro VANT privado no Brasil a receber um Certificado de Voo Experimental da ANAC. O Echar 20A, lançado no mesmo ano, foi o primeiro VANT do Brasil com lançamento e pouso automáticos.

Outros sistemas, como o Avibras Falcão (com carga útil de 150 quilos e mais de 16 horas de autonomia) e o Atobá XR da Stella Tecnologia, com velocidade de cruzeiro de 370 km/h e autonomia de até 35 horas, são projetados para missões ISR e de ataque. O Atobá XR, desenvolvido a partir do drone de reconhecimento Atobá, integra radar AESA, sensores EO/IR, SATCOM e três pontos de fixação.
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Notas da LRCA Defense Consulting
Complementando as informações sobre VANTs brasileiros, é importante acrescentar as duas versões do Albatroz (a combustão e a jato), da Stella Tecnologia. A primeira foi projetada para executar missões a partir do Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, com a finalidade de transportar sensores, radares e pequenos mísseis, podendo ser empregada em aplicações tipicamente militares ou de natureza civil. A versão mais recente, um drone de perfil militar a jato desenvolvido pela Stella Tecnologia em parceria com a Aero Concepts, tem capacidades ampliadas, podendo realizar missões a 40.000 pés de altitude (cerca de 12.000 metros).

No que se refere à XMobots (empresa que conta com a participação da Embraer), é preciso incluir o Nauru 1000C, primeiro drone de combate nacional e já incorporado pelo Exército Brasileiro, um equipamento inovador com capacidade de complementar a utilização do helicópteros em operações de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos, bem como de ataque a alvos no solo ou na água. Também é necessário arrolar seu mais recente produto, o Nauru 100D, um drone leve e transportável por um combatente, com inteligência de alto nível, preciso e de difícil detecção, que se constitui em uma plataforma essencial para vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos, bem como para interceptação de ameaças e para operar em missões de ataques tipo swarming (enxame).

28 novembro, 2024

Aprovado pela FINEP, projeto da Turbomachine "Mini Turbogerador TG-200 à etanol" é uma solução inovadora


*LRCA Defense Consulting - 28/11/2024

O projeto Mini Turbogerador TG-200 à etanol foi aprovado na chamada FINEP: Mais Inovação Brasil – Aviação Sustentável.

Segundo a Turbomachine, autora da iniciativa, este projeto representa um passo importante no desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas para a descarbonização do transporte aéreo e a evolução de tecnologias para voos autônomos, em linha com a missão da empresa de contribuir para uma aviação mais limpa e eficiente, criando oportunidades para o setor e fortalecendo a cadeia industrial brasileira.

Características Técnicas do TG-200:
•130 kW de potência elétrica contínua.
• Melhor relação potência/peso.
• Uso de etanol

Impacto Nacional:
• Desenvolvimento do turbogerador TG-200 coloca o Brasil na vanguarda do mercado da aviação híbrida sustentável.
• Cadeia de suprimentos nacional.
• Geração de empregos e fortalecimento da indústria nacional. 

Financiamento FINEP
A Turbomachine foi contemplada com um financiamento de R$ 8.962.020,00 para o desenvolvimento do TG-200, um grupo gerador de pequeno porte, leve, movido a etanol, que se apresenta como solução eficaz e viável para um modelo sustentável, economicamente atraente e amigo do meio ambiente. A intenção é, além disso, aumentar a autonomia de voo e a capacidade de carga útil dos veículos elétricos.

O TG-200 é um grupo turbogerador capaz de gerar até 200 HP de potência elétrica de pico. O modelo é composto por uma minigeradora de gases, uma turbina de potência e um gerador elétrico de terras raras, compacto e de alta rotação, eletronicamente controlado.

O TG-200 também apresenta características inovadoras, pois é movido a etanol, algo inédito no mundo.


 

08 novembro, 2024

Turbomachine anuncia marco histórico para o setor aeronáutico brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 08/11/2024

A Turbomachine anunciou ontem (07) um marco histórico para o Brasil e, especialmente, para o setor aeronáutico, divulgando que seu motor Turbofan de baixa razão de bypass  – o primeiro desenvolvido no hemisfério sul – alcançou a impressionante marca de 25 mil RPM com estabilidade operacional, aproximando-se de sua rotação máxima. 

Esse feito coloca o Brasil em um seleto grupo de nações com a capacidade de desenvolver turbofans de alta complexidade, reforçando nossa independência tecnológica e inovadora no setor.

Ao parabenizar a equipe por sua dedicação e competência, a empresa realça que "Esse avanço é fruto do talento e do comprometimento de um time que não mede esforços para superar desafios e trazer ao mercado soluções robustas e eficientes. Seguimos progredindo e aprimorando cada aspecto do nosso motor, impulsionados por essa conquista histórica. Hoje, o Brasil celebra um marco que poucos países no mundo podem alcançar, e temos orgulho de fazer parte dessa trajetória. Vamos juntos, rumo a novos horizontes". 

Parceria com a SIATT/EDGE
A Turbomachine é especializada em pesquisa, inovação e engenharia e desenvolvimento de motores de turbina a gás e soluções de combustão assistida por plasma no domínio aeroespacial. 

Em agosto de 2023, o Grupo EDGE, conglomerado de Defesa dos Emirados Árabes Unidos, assinou um acordo estratégico com a Turbomachine, uma das principais desenvolvedoras de motores a turbina do Brasil. O acordo permitirá que o EDGE e a Turbomachine trabalhem juntos no desenvolvimento de motores, incluindo turbofan e ventilador propelente, para o portfólio de UAVs (unmanned aerial vehicle - drones) e mísseis da EDGE

Em novembro de 2023, a SIATT, empresa brasileira especializada em armas inteligentes e sistemas de alta tecnologia, e o Grupo EDGE, que adquiriu 50% dela, assinaram um contrato para desenvolvimento do MANSUP-ER, versão de alcance estendido no MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície), da Marinha do Brasil.
 
O novo míssil tem alcance estendido de 200 quilômetros, é equipado com uma turbina da Turbomachine e voa a uma velocidade de 950 Km/h, com capacidade de transportar 150 Kg de carga explosiva. Suas características possibilitam que seja adaptado para integração em sistemas aéreos e sistemas terrestres selecionados.

Financiamento FINEP
Em 31 de outubro deste ano, a Turbomachine foi contemplada com um financiamento de R$ 8.962.020,00 para o desenvolvimento do TG200, um grupo gerador de pequeno porte, leve, movido a etanol, que se apresenta como solução eficaz e viável para um modelo sustentável, economicamente atraente e amigo do meio ambiente. A intenção é, além disso, aumentar a autonomia de voo e a capacidade de carga útil dos veículos elétricos.

O TG200 é um grupo turbogerador capaz de gerar até 200 HP de potência elétrica de pico. O modelo é composto por uma minigeradora de gases, uma turbina de potência e um gerador elétrico de terras raras, compacto e de alta rotação, eletronicamente controlado. 

O TG200 também apresenta características inovadoras, pois é movido a etanol, algo inédito no mundo.

31 outubro, 2024

Embraer, WEG, Ocellot, Turbomachine, AeroRiver e outras empresas recebem financiamento da Finep


*LRCA Defense Consulting - 31/10/2024

A Finep assinou nesta quarta-feira (30/10), no lançamento oficial da Missão 3 da Nova Indústria Brasil (NIB): Mobilidade Verde e Cidades Sustentáveis, ocorrido no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), 11 contratos de financiamento com empresas brasileiras que totalizam R$ 320 milhões, sendo R$ 220 milhões da Financiadora e R$ 100 milhões de contrapartidas das empresas. Saiba tudo sobre o anúncio da NIB. Veja vídeo e fotos da cerimônia.

Os recursos de subvenção econômica e de crédito da Finep são do Programa Mais Inovação e serão destinados ao desenvolvimento de novas tecnologias abarcadas por esta missão, que busca atuar nos setores de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis, visando a integração produtiva e bem-estar nas cidades.

Um exemplo entre as inovações, é o projeto de um “barco voador”, veículo capaz de voar sobre a lâmina dos rios e que receberá recursos de R$ 10 milhões. A tecnologia vem sendo desenvolvida pela startup amazonense AeroRiver. Segundo a empresa, o barco voador poderá transportar até 10 passageiros, inclusive em períodos de seca, alcançando 150 km/h.

Os demais projetos envolvem soluções para aviação sustentável (por exemplo, um turbogerador híbrido movido a etanol), centros de pesquisa e tecnológicos, remanufatura de resíduos e desenvolvimento de caminhão elétrico autônomo para uso industrial, entre outros. Um dos objetivos da Missão 3 é ampliar em 25% a participação da produção brasileira na cadeia da indústria do transporte público sustentável.

A Finep foi representada na cerimônia, que teve a presença do presidente Lula e do ministro e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, pelo presidente da empresa, Celso Pansera.

Conheça os projetos:

1 - AeroRiver - Barco Voador Engenharia e Desenvolvimento Ltda. Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil - Aviação Sustentável


Valor Finep: R$ 9.999.632,74

Diante dos desafios logísticos e ambientais da Amazônia, onde a construção de estradas é inviável devido aos altos custos e impactos ecológicos, a AeroRiver desenvolve o Volitan, um veículo de efeito solo que utiliza os rios como vias de transporte. Este veículo representa uma solução inovadora, superando as limitações de velocidade dos barcos tradicionais e minimizando o impacto ambiental. O Volitan é uma alternativa sustentável e eficaz para o transporte regional e potencialmente global, marcando um avanço significativo na logística da região amazônica.

Este projeto se alinha estrategicamente com as metas do edital de promover tecnologias sustentáveis na aviação, reduzindo dependências tecnológicas e fomentando a reindustrialização nacional.

2 - Turbomachine Veículos e Motores Ltda - Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil - Aviação Sustentável –

Valor Finep: R$ 8.962.020,00

Com o avanço da propulsão elétrica, um problema que aflige os fabricantes de veículos elétricos tem sido a autonomia de voo e a limitada capacidade de carga útil dos veículos elétricos. O uso de um grupo gerador de pequeno porte, leve, movido a etanol, aqui proposto, apresenta-se como solução eficaz e portanto viável para o modelo sustentável, economicamente atraente e amigo do meio ambiente. O TG200 é um grupo turbogerador capaz de gerar até 200 HP de potência elétrica de pico. O modelo é composto por uma minigeradora de gases, uma turbina de potência e um gerador elétrico de terras raras, compacto e de alta rotação, eletronicamente controlado. O TG200 também apresenta características inovadoras, pois é movido a etanol, algo inédito no mundo.

3 - Ocellott Engenharia Ltda. Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil – Aviação Sustentável

Valor Finep: R$ 19.871.455,90

Resumo: O projeto visa desenvolver um Sistema de Distribuição Elétrica Aeronáutico Inteligente e de Alto Desempenho para aeronaves elétricas, buscando promover a sustentabilidade e a revolução energética na aviação. Isso acontecerá por meio da distribuição eficiente de energia das baterias de alta tensão para motores, conversores e carregadores, e o gerenciamento de cargas de menor potência, como iluminação, comandos de voo e comunicação. O projeto contribui para a redução das emissões de carbono e para um futuro mais sustentável.

4 - Robert Bosch Limitada - Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil - Resíduos, Saneamento e Moradia Popular

Valor Finep: R$ 3.030.947,35

A remanufatura de componentes automotivos é uma prática crescente que visa reduzir o desperdício de materiais e energia, promovendo a sustentabilidade. Por ser um mercado subexplorado no Brasil, a Bosch entende que é uma oportunidade estratégica dedicar esforços ao desenvolvimento de inovações tecnológicas nos processos de remanufatura. O projeto propõe avançar significativamente nessa área, focando em estratégias para o múltiplo reuso de componentes de vida finita, desenvolvendo métodos não-destrutivos de seleção de peças e otimizando processos de limpeza. Além disso, busca aprimorar técnicas de recuperação de peças danificadas e desenvolver uma linha produtiva de remanufatura para baixos volumes, além de calcular o balanço de CO2 ao longo do ciclo de vida dos produtos. Com duração de 24 meses, o projeto enfrentará desafios técnicos, como a adaptação de novas tecnologias ao contexto brasileiro e a garantia de alta qualidade e segurança das peças remanufaturadas.

5 - Sanesoluti Comércio de Instrumentação e Controle Ltda. Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil – Resíduos, Saneamento e Moradia Popular

Valor Finep: R$ 4.008.440,00

Este projeto propõe revolucionar o cenário do abastecimento de água no Brasil por meio de um hidrômetro ultrassônico embarcado. Este avanço visa, primordialmente, a redução das perdas hídricas, integrando sistemas de redução de perdas aparentes e reais, garantindo a acessibilidade eficaz aos dados de consumo. O objetivo final é transformar a gestão dos recursos hídricos no país, tornando-a mais eficiente e sustentável.

Os resultados almejados serão alcançados através da expertise técnica da Sanesoluti e do apoio da PUC/RS no desenvolvimento do projeto. Dessa forma, este projeto representa um verdadeiro ponto de virada no setor de saneamento, marcando o início de uma nova era de eficiência e responsabilidade dos recursos hídricos.

6- Paranoa Indústria De Borracha Ltda. Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil – Resíduos, Saneamento e Moradia Popular

Valor Finep: R$ 3.280.656,14

O objetivo do projeto é desenvolver a capacidade de projetar e produzir produtos com Formulações Híbridas Multi Sustentáveis. que combinam: Ingredientes sintéticos com resíduos de materiais sintéticos, em conjunto com resíduos de produtos naturais, impactando, em um mesmo produto, o maior número possível de cadeias da economia circular de diferentes naturezas.

O desenvolvimento do "EcoTapete", um revestimento termoacústico para veículos pesados, consiste em Inovação Pioneira inteiramente produzida no Brasil. O projeto será desenvolvido pela equipe de pesquisadores multidisciplinares da Paranoá e contará com serviços de apoio técnico do SENAI Mário Amato, IPT e prestadores de serviços. As formulações testadas terão como insumos: negro de fumo de biomassa vegetal, a fibra granulada ou pó de casca de coco, pó de aparas de tapetes de PU (resíduo da produção interna), borracha sintética e natural, além de aditivos específicos, para criar um produto que não só excede padrões de qualidade em termos de elasticidade e resistência, mas também promove a sustentabilidade ambiental com base nos conceitos de economia circular atendendo aos padrões rigorosos da EURO7.

7 - Weg Drives & Controls - Automação Ltda. Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil – Mobilidade Urbana


Valor Finep: R$ 7.994.771,60

À medida que a eletrificação dos veículos continua a evoluir e se transformar em grande velocidade, o desenvolvimento e a qualificação adequada de componentes automotivos se torna ainda mais crucial, inclusive na etapa de prototipagem.

Para atender aos requisitos do setor, são necessários equipamentos e métodos precisos que viabilizem a construção e a avaliação de protótipos/componentes robustos e compatíveis com os oferecidos no mercado (desempenho x custo). A validação de uma bateria consiste em ensaios em ambientes controlados que visam simular a aplicação real no veículo, podendo incluir condições extremas de temperatura e corrente.

O projeto permitirá, além da elaboração de um protótipo funcional de pack, a instalação de um Centro de Tecnologia voltado para a validação de produtos relacionados à eletrificação do setor automotivo, agregando performance e segurança ao produto e proteção ao consumidor final de carros elétricos.

8 - Librelato S.A. Implementos Rodoviários - Instrumento: Crédito direto


Valor Finep: R$ 82.569.463,16

O projeto proposto no Plano Estratégico de Inovação da Librelato S/A refere-se ao desenvolvimento dos produtos seguintes, tratando-se de inovações que atendam não só o mercado nacional como o mundial. São oito propostas de pesquisa e desenvolvimento que abrangem: Eixo Adicional para Semirreboques; linhas de Furgões Lonados Multiusos e de Implementos Carga Fechada, engate esférico para semirreboques, entre outros. Através dos projetos propostos, a empresa pretende inovar e disponibilizar ao transporte rodoviário tecnologias que possibilitarão melhor desempenho e performance do segmento, principal meio de transporte nacional.

9- Vetore Indústria e Comercio de Autopecas Ltda. Instrumento: Crédito descentralizado

Valor Finep: R$ 15.000.000,00

Resumo: O sistema de arrefecimento a ser desenvolvido pela Vetore contém como diferencial inovador um resfriador de óleo acoplado à bomba d’água, de forma que o conjunto atua simultaneamente na refrigeração do motor e do óleo do motor, contribuindo positivamente para uma melhor eficiência energética, em que um único acionamento atua diretamente em dois sistemas de refrigeração. Adicionalmente, foram realizadas várias rodadas de ensaios CFD para atingir um design otimizado do rotor da bomba, com melhoria do escoamento hidrodinâmico, resultando também em melhor eficiência de aplicação e consequente redução de consumo do motor.

O modelo de motor híbrido a ser desenvolvido é o Micro BAS, uma categoria de tecnologia que usa um motor elétrico para fornecer energia ao virabrequim do motor de combustão interna por meio de uma correia serpentina. Ao montar esta unidade motor-geradora no local convencional tradicionalmente usado para o alternador automotivo padrão, permite-se um método de baixo custo de adicionar recursos híbridos moderados, como partida-parada, assistência de potência e níveis moderados de frenagem regenerativa.

A estimativa é de que este motor, associado ao conjunto de arrefecimento da Vetore, resulte em uma redução de 27% no consumo de combustível em relação à uma aplicação convencional.

10 - Lume Robotics S.A. Instrumento: Subvenção - Empresas Startups em Tecnologias Habilitadoras

Valor Finep: R$ 2.499.821,85

O projeto tem por objetivo o desenvolvimento e validação do primeiro Caminhão Elétrico Autônomo sem Cabine do Hemisfério Sul atuando na operação de transporte em ambiente industrial, implementando conceitos da indústria 4.0. Trata-se de um sistema robótico avançado, composto por hardware e software que confere a um veículo a capacidade de trafegar de modo totalmente autônomo, sem a necessidade de um motorista humano. O sistema é capaz de criar mapas e rotas de uma determinada região, localizar-se instantaneamente na região mapeada e trafegar de forma autônoma, evitando obstáculos estáticos e dinâmicos, lidando com todos os elementos de trânsito e alcançando o destino predefinido.

Estudos apontam que tecnologias de mobilidade autônoma são uma forte tendência mundial e que movimentarão 800 bilhões de dólares em 2035 e 7 trilhões de dólares em 2050, o que demonstra a importância do desenvolvimento e consolidação de uma tecnologia de mobilidade autônoma brasileira.

11- Embraer - Instrumento: Subvenção - Mais Inovação Brasil – Aviação Sustentável

Valor Finep: R$ 63.390.890,72

O projeto busca o desenvolvimento e validação de tecnologias para o projeto e manufatura de asas de grande eficiência aerodinâmica e estrutural, fabricadas com material compósito e o desenvolvimento e validação de processos e tecnologias que buscam automatizar tarefas da tripulação, reduzindo a carga de trabalho, viabilizando uma operação simplificada e com tripulação reduzida.

15 fevereiro, 2024

Fabricante brasileira de drones de carga de olho no mercado da Turquia


*Defensehere - 14/02/2024

A TUPAN, fabricante brasileira de motores e aeronaves, afirma que a aplicação mais importante de seus drones é o transporte de carga.

A Tupan é uma empresa aeronáutica especializada em aeronaves HSVSTOL (High Speed, Vertical and Short Take Off and Landing). A Tupan trabalha com outra empresa brasileira, a Turbomachine, que fornece os motores para os seus UAVs.

Paulo Cesar Olenscki, Diretor de Tecnologia da TUPAN, disse à Defensehere que vários países demonstraram interesse em sua série de drones de carga. 

Ele disse: "Seria muito interessante ter investidores na Turquia. Esperamos fabricar esta aeronave para transferir tecnologia para a Turquia. Isso é muito bem-vindo. E acho que o Brasil e a Turquia têm um relacionamento muito bom, e seria fácil para ter essa transferência e parceria de tecnologia. E também estamos abertos à transferência de tecnologia na fabricação de motores porque essas são empresas parceiras."

"Fabricamos os motores para nós mesmos, para que possamos projetar uma aeronave, um drone usando nosso próprio motor, e possamos projetar o motor da aeronave em vez do oposto. Nós podemos projetar e customizar o motor para as diferentes versões da aeronave que produzimos.

“Para o mercado civil existem diversas aplicações. A aplicação mais importante é o transporte de cargas. Temos diferentes versões para esta aeronave. Temos o TUPAN 1000, que pode transportar cerca de 125 KG da nossa carga útil. E então temos o [TUPAN] 2000 que tem peso máximo de decolagem de 2.000 libras e carga útil de 220 quilos e o TUPAN 3000 que tem carga útil de 400 quilos e peso máximo de decolagem é de 3.000 libras."

"Então, para o transporte de carga, o mercado civil é muito importante. Também pode ser para fazer a ligação entre as plataformas offshore e a terra. Prevemos também um mercado no combate a incêndios usando bolas extintoras que podemos ou poderemos ter. Vários drones voam ao mesmo tempo para combater o fogo em determinada área sem arriscar a vida das pessoas no combate ao incêndio."


17 novembro, 2023

A NAVDEX 2025 terá um míssil MANSUP integrado em navio Fast Attack construído pelo Grupo EDGE


*LRCA Defense Consulting - 17/11/2023 (atualizado às 12h18)

 A empresa do Grupo EDGE, Abu Dhabi Ship Building PJSC (ADSB), anunciou que integrará o míssil superfície-superfície MANSUP em seu navio de ataque rápido, que será lançado no NAVDEX 2025.

A embarcação será projetada e construída nos Emirados Árabes Unidos pela ADSB como Primeira Classe e apresentará uma série de produtos EDGE relacionados ao setor marítimo e permitirá testes de fogo ao vivo e outras demonstrações de clientes, fornecendo uma plataforma de testes para desenvolvimento adicional. 

A embarcação deverá ser entregue e demonstrada no NAVDEX 2025, para continuar a estratégia da ADSB de mostrar suas capacidades aprimoradas de design. A primeira venda de exportação do navio Fast Attack também está em andamento, sinalizando a expansão da presença global da ADSB.

Mansour AlMulla, Diretor Geral e CEO da EDGE e Presidente da ADSB, disse: “Este desenvolvimento é mais uma prova das sinergias que estamos testemunhando agora entre os negócios da EDGE e permitirá oportunidades de vendas adicionais para SIATT, ADSB e outros produtos EDGE. Esta iniciativa ressalta o compromisso da ADSB com a inovação, fornecendo uma plataforma essencial para o desenvolvimento e aprimoramento contínuos da linha de produtos da EDGE. Nosso alinhamento estratégico e esforços conjuntos estão abrindo caminho para avanços significativos no setor de defesa.”

Venda do MANSUP para a Marinha do Brasil: US$ 163,3 milhões
Este anúncio vem na esteira de conquistas significativas para a EDGE, incluindo a venda de mísseis MANSUP para a Marinha do Brasil em um negócio no valor de aproximadamente AED 0,6 bilhão (US$ 163,3 milhões) e uma Carta de Intenções assinada pelo Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, avaliada em AED 1,102 bilhão. Estes sucessos são uma prova da crescente influência e capacidade da EDGE no sector da defesa, marcando uma nova era de inovação e colaboração.

16 novembro, 2023

Marinha do Brasil assina carta de intenções não vinculante para adquirir as duas versões do míssil antinavio MANSUP

 

 
*LRCA Defense Consulting - 16/11/2023

Ontem (15), o Grupo EDGE divulgou que as Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos assinaram uma Carta de Intenções com o conglomerado de defesa para a compra do MANSUP-ER de alcance estendido e da variante de curto alcance do avançado míssil antinavio no valor de AED 1,102 bilhão (cerca de US$ 300 milhões).

Na mesma matéria, o EDGE afirmou também que essa venda "segue outro grande pedido dos mesmos sistemas feito pela Marinha do Brasil no Dubai Airshow 2023".


No vídeo em que divulgou o missíl antinavio MANSUP-ER, o Grupo EDGE mostra a assinatura de um documento onde quem está assinando é o Contra-Almirante Marcelo Menezes Cardoso, Diretor da DSAM (Diretoria de Sistemas de Armas Navais), representando o Ministério da Defesa do Brasil e Marinha do Brasil.

O vídeo também registra a presença, além dos executivos do Grupo e da SIATT, do Embaixador do Brasil nos Emirados Árabes Unidos, Sidney Leon Romero, e da Subsecretária da SEPROD (Secretaria de Produtos de Defesa), Dra. Juliana Larenas.

Em interessante e esclarecedora entrevista ao canal Base Militar Vídeo Magazine realizada ontem (15), o Contra-Almirante Marcelo Menezes Cardoso explica que foi assinada uma carta de intenções não vinculante com o Grupo EDGE e presta valiosas informações sobre o desenvolvimento do MANSUP, as salvaguardas que o Brasil adotou para preservar a Base Industrial de Defesa na parceria com o Grupo EDGE e o emprego do míssil em outras plataformas, além de outros detalhes significativos.



14 novembro, 2023

SIATT e Grupo EDGE anunciam parceria estratégica para desenvolvimento do MANSUP-ER

 

*LRCA Defense Consulting - 14/11/2023

A SIATT, empresa brasileira especializada em armas inteligentes e sistemas de alta tecnologia, e o Grupo EDGE, conglomerado de Defesa dos Emirados Árabes Unidos, assinaram um contrato para desenvolvimento do MANSUP-ER, versão de alcance estendido no MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície), da Marinha do Brasil.
 
O novo míssil tem alcance estendido de 200 quilômetros, é equipado com uma turbina da Turbomachine e voa a uma velocidade de 950 Km/h, com capacidade de transportar 150 Kg de carga explosiva. Suas características possibilitam que seja adaptado para integração em sistemas aéreos e sistemas terrestres selecionados.
 
A parceria estratégica foi formalizada pelo presidente do Cluster de Mísseis & Armas da EDGE, Hamad Al Marar, o CEO da SIATT, Antonio Rogerio Prattes Salvador, e o Diretor de Competitividade da SIATT, Carlos Alberto de Paiva Carvalho, nesta terça-feira (14), durante a Dubai Air Show.

A celebração foi prestigiada pelo Exmo. Sr. Embaixador do Brasil nos Emirados Sidney Leon Romero, pela Dra. Juliana Larenas, Subsecretária da SEPROD (Secretaria de Produtos de Defesa), e pelo Contra-Almirante Marcelo Menezes Cardoso, diretor da DSAM (Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha), representando respectivamente, o Ministério da Defesa e a Marinha do Brasil.
 
A SIATT liderou o desenvolvimento do projeto MANSUP, da Marinha, sendo responsável pelo Sistema de Guiagem, Navegação e Controle e o Sistema de Telemetria.
 
O MANSUP-ER será o primeiro projeto executado por meio de cooperação com o GRUPO EDGE e evidencia a expertise da indústria brasileira.
 
"Este contrato consolida a parceria entre a SIATT e o Grupo EDGE, e representa uma significativa contribuição para a soberania tecnológica do Brasil", disse Antonio Salvador, CEO da SIATT.

10 outubro, 2023

O conflito Hamas-Israel provavelmente se espalhará para muitas nações

As consequências de um ataque do Hamas em Sderot, Israel, em 8 de outubro: A guerra está apenas começando. ©Reuters

*Nikkei Asia, por David Sharma - 09/10/2023 (atualizado às 10h45)

Na sua imprevisibilidade, na escala das baixas civis e no profundo choque que causou no sentimento de segurança de Israel, o ataque multifrontal do grupo terrorista Hamas no sábado foi um momento de 11 de Setembro.

Tal como os ataques terroristas aos EUA levaram a uma resposta militar profunda e dramática, a resposta de Israel será de ordem semelhante. Como disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu horas após o início do ataque, Israel está em guerra.

Os líderes de Israel não descansarão até que o Hamas seja completamente destruído, a sua liderança militar eliminada e o seu aparelho militar totalmente desmantelado.

A resposta será muito mais severa do que a típica operação militar de Israel contra o Hamas. Essas ofensivas, que figuras militares israelitas endurecidas descrevem como "cortar a relva", são geralmente concebidas para degradar a infra-estrutura militar do Hamas para comprar mais alguns anos de paz geral.

Desta vez, apenas uma derrota total do Hamas será suficiente para Israel. Isto significa que nos próximos dias, as Forças de Defesa de Israel irão quase certamente complementar os ataques aéreos com uma invasão terrestre em grande escala de Gaza e provavelmente eventualmente procurarão reocupar todo o território.

Dada a profundidade com que o Hamas está inserido nas infra-estruturas civis de Gaza, com quartéis-generais operacionais sob hospitais e lançadores de mísseis em edifícios de apartamentos, uma tal acção militar conduzirá a um elevado número de baixas civis.

Nas primeiras 24 horas deste conflito, pelo menos 300 israelitas foram mortos, centenas foram hospitalizados e dezenas foram feitos reféns para Gaza. Algumas centenas de palestinos foram mortos em ataques aéreos. No entanto, a guerra está apenas a começar, com a principal resposta militar de Israel ainda em preparação.

Embora as recriminações venham, com razão, mais tarde, o facto é que Israel não previu este ataque. O ataque marca a mais grave falha de inteligência de Israel desde a guerra do Yom Kippur, há meio século.

Não só Israel não antecipou o momento deste ataque ou não colocou as suas defesas num estado de prontidão adequada para resistir a uma barragem de foguetes do Hamas, como também Israel claramente não conseguiu apreciar o crescimento das capacidades militares do grupo.

O Hamas invadiu Israel por terra, mar e ar, desembarcando combatentes na costa, rompendo as defesas da fronteira com escavadeiras e mobilizando planadores aéreos. Os combatentes do Hamas invadiram e ocuparam cidades israelitas, matando e capturando residentes nas suas casas à vontade. Nas primeiras horas após a incursão, as Forças de Defesa de Israel não foram vistas em lugar nenhum.

O sentimento de segurança de Israel foi profundamente abalado por isto, e a única forma de o restaurar será com a derrota completa do Hamas.

Uma complicação serão os reféns que o Hamas levou de volta para Gaza, incluindo mulheres, crianças e idosos. O Hamas irá utilizá-los para propaganda política, influência militar e como escudos humanos.

Os reféns têm grande importância política em Israel – em 2011, o Hamas trocou 1.027 prisioneiros palestinianos por um soldado, Gilad Shalit – pelo que isto criará sérios dilemas para as operações militares.

Os restos de uma casa em Khan Younis, Gaza, atingida por um ataque aéreo israelense em 8 de outubro: As baixas de civis palestinos em contra-ataques israelenses inflamarão a opinião pública em todo o mundo árabe. ©Reuters

Para além dos combates que provavelmente veremos nos próximos dias, existe o risco de o conflito assumir uma dimensão regional.

O Hezbollah, cujo líder Hassan Nasrallah saudou a agressão do Hamas, lançou ataques com foguetes e artilharia do Líbano contra posições israelenses em uma área fronteiriça contestada no domingo. Outros, incluindo a Jihad Islâmica Palestina na Cisjordânia e o Líder Supremo iraniano Ali Khamenei, também elogiaram o Hamas. Israel poderia assim encontrar-se lutando em diversas frentes.

Entretanto, as devastadoras vítimas civis palestinianas que provavelmente veremos nesta nova guerra inflamarão a opinião pública em todo o mundo árabe, conduzindo a um risco acrescido de terrorismo, não apenas no Médio Oriente.

As conversações de aproximação entre Israel e a Arábia Saudita, que estão em curso há vários meses e podem estar em vias de serem finalizadas no início de 2024, serão quase certamente uma das primeiras vítimas desta guerra. À medida que este conflito e a sua tragédia humana se desenrolarem nos ecrãs da televisão e dos telefones nas próximas semanas, a opinião pública árabe ficará demasiado inflamada para que os sauditas tenham espaço diplomático para estender qualquer ramo de oliveira a Israel.

Na verdade, esta pode ter sido a principal intenção por detrás dos ataques, possivelmente com estímulo ou incentivo iraniano: impedir a formação de um bloco regional que colocaria a questão palestiniana em segundo plano e reuniria uma coligação de equilíbrio contra o Irã.

Os Acordos de Abraham, os acordos mediados pelos EUA que abriram relações diplomáticas entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein e normalizaram os laços com Marrocos nos últimos anos, também estarão sob séria pressão.

A guerra que se aproxima será suficientemente trágica, mas existe um risco real de que se torne mais ampla e mortal, engolindo toda a região.

*Dave Sharma serviu anteriormente como embaixador da Austrália em Israel, bem como presidente do subcomitê conjunto do Parlamento australiano para relações exteriores e ajuda e principal conselheiro diplomático no departamento do primeiro-ministro.
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O conflito no Oriente Médio e a Indústria Brasileira de Defesa

*LRCA Defense Consulting - 10/10/2023

As consequência e reflexos, diretos e indiretos, de uma escalada do conflito ou da possibilidade que esta ocorra, poderão impactar a Indústria de Defesa Brasileira, haja vista que diversas empresas do setor possuem negócios com os países direta ou potencialmente atingidos, ou são alvo do interesse destes.

No Oriente Médio, palco maior desse cenário, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já têm ou estão em vias de formar acordos com empresas brasileira do setor, como Akaer, Avionics Services, CBC, Condor, Embraer, Kryptus, Mac Jee, Ocellott, SIATT, Taurus, Tupan e Turbomachine.

Na Ásia, onde o Paquistão (com o apoio do Afeganistão, do Irã e da China), representa a grande ameaça externa, a Índia deverá acrescentar agora um fator maior de preocupação com suas fronteiras. Além disso, a Índia também possui uma grande população estimada em cerca de 200 milhões de pessoas que professam a religião muçulmana, o que, apenas em tese, pode trazer problemas de ordem interna.

Na Índia, já estão presentes a Taurus e a CBC, que ainda não começaram a produzir, embora já estejam com as unidades fabris prontas, só aguardando a pesada burocracia estatal fornecer as últimas licenças. Por outro lado, esse país está em vias de encomendar entre 40 e 80 aeronaves multimissão para, principalmente, prover transporte de tropas e reabastecimento aéreo, além de mais seis aeronaves de vigilância e alerta antecipado, sendo que a Embraer está realizando um significativo esforço para ter o C-390 escolhido para o primeiro caso e, adicionalmente, o Praetor 600 AEW&C para o segundo.

Ainda na Índia, é sabido que o fuzil a ser produzido pela Israel Weapons Industries (IWI) em joint venture com a indiana Adani Defense and Aerospace é um dos mais fortes concorrentes à megalicitação de 425 mil fuzis CQB em curso, na qual a Taurus concorre com seu fuzil T4. Com o conflito que passou a existir após o ataque do Hamas a Israel e a possibilidade real de sua expansão, podem surgir dúvidas sobre a capacidade de a empresa israelense cumprir um contrato de tamanha magnitude, seja por ter o seu país sob ataque e necessitar fornecer mais armas localmente, seja por ter que deslocar meios humanos e tecnológicos para a Índia para montar a operação fabril no bojo desse cenário.

Em qualquer caso, é lícito supor que sejam feitos, entre tais atores, movimentos que não haviam sido planejados anteriormente, levando assim a novas e urgentes encomendas, à aceleração de iniciativas em curso ou intencionadas, bem como a um possível alijamento ou afastamento de empresas israelenses de certames em curso, devidos à guerra ou ao receio de uma reação interna da população muçulmana.
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A importância dos fornecedores de defesa de países que não têm conflitos imediatos

*Patrícia Marins, via LinkedIn - 10/10/2023

À medida que o conflito se intensifica, o mundo ocidental enfrenta uma escolha: Israel ou a Ucrânia.

Se o Hezbollah enfrentasse as forças das FDI com todo o seu arsenal, que inclui foguetes que variam de 100 mm a 620 mm com um alcance de mais de 150 km, modernos mísseis guiados anti-tanque (ATGMs) e numerosos drones iranianos, é provável que Israel exigisse apoio significativo em termos de armamento.

Ainda assim, a sua maior vantagem seria a presença de milhares de militantes com experiência militar da Síria e do Iémen. Isto representa um desafio significativo para o exército israelita, que consiste principalmente de profissionais sem experiência real de combate e um elevado número de recrutas, o que leva Israel a exigir o uso de uma quantidade substancial de armas e munições de longo alcance.

Nos últimos dias, os EUA começaram a enviar armas para as FDI. No entanto, a capacidade dos EUA e dos países ocidentais, em geral, é limitada devido às entregas significativas feitas à Ucrânia.

A questão aqui não é apenas sobre projéteis; a invasão russa causou uma corrida global à obtenção de materiais para diversas indústrias de defesa em todo o mundo. Isso inclui produtos químicos para explosivos, metais e plásticos necessários para fusíveis e cartuchos de artilharia.

Se o conflito israelita se intensificar, poderá haver potencialmente uma escassez de munições de 20 a 40 mm, cuja produção nos países ocidentais tem uma taxa de cerca de 30 a 40 milhões de munições por ano. Isto pode não ser suficiente, considerando a elevada cadência de tiro destes calibres num conflito intenso.

Além disso, se o Irão decidir manter uma elevada taxa de fornecimento de armas ao Hezbollah, a situação poderá piorar.

Desde a década de 90, a indústria israelita sofreu uma grande redução, passando de 140.000 funcionários para a força de trabalho atual de 30.000-40.000.

Por exemplo, a Elbit Systems produz apenas algumas dezenas de milhares de projéteis de artilharia anualmente.

Se o conflito israelita realmente aumentar, o mundo ocidental poderá chegar a um ponto em que terá de escolher entre abastecer Israel ou a Ucrânia. A realidade é que os ocidentais não podem sustentar ambos os conflitos simultaneamente, pelo que devem ser procuradas soluções diplomáticas para um deles.

Mas a situação não é melhor para os russos. Israel pode, de fato, procurar ajuda da Rússia, particularmente devido à influência significativa dos imigrantes soviéticos no estabelecimento da indústria de defesa israelita, onde ainda mantêm laços com ambos os governos.

Na verdade, esta situação irá realçar a importância dos fornecedores de defesa de países que não têm conflitos imediatos, como a Turquia, a Índia, o Brasil e a África do Sul.

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