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12 maio, 2025

Conflito Índia & Paquistão: consequências para a Indústria Brasileira de Defesa

 


*LRCA Defense Consulting - 12/05/2025 (atualizado às 20h11)

O conflito armado entre Índia e Paquistão tende a trazer consequências diretas e indiretas para a Indústria de Defesa Brasileira, com ênfase nas empresas que já estão localizadas na Índia ou que nela pretendam produzir localmente, como Taurus Armas e CBC, no primeiro caso, e Embraer, no segundo.

Isto porque, em situações de ameaça à segurança nacional, os governos tendem a agilizar a aquisição de equipamentos militares para fortalecer suas forças armadas o mais rápido possível. Em um cenário de urgência por armamentos, as parcerias locais e a capacidade de produção doméstica (mesmo que parcial) são vistas como vantagens, potencialmente agilizando futuras licitações ou expansões de contratos existentes.

Neste cenário é comum que os países envolvidos priorizem a modernização e ampliação de suas forças armadas. Isso pode levar a:

- Agilização de processos burocráticos para compras de armamentos;

- Aumento do orçamento de defesa, com foco em itens de pronta entrega ou de rápida integração;

- Busca por fornecedores alternativos, especialmente se houver entraves com parceiros tradicionais.

Aquisições de Defesa da Índia
No geral, as aquisições de Defesa da Índia seguem regras rígidas de conteúdo local (Made in India - Feito na Índia e Atmanirbhar Bharat - Índia Autossuficiente). Isso significa que mesmo se houver aceleração nas compras, fornecedores estrangeiros precisarão ou produzir localmente ou transferir tecnologia substancial para parceiros indianos.

Fatores que podem influenciar a agilidade das licitações:

- Urgência e Prioridade: o nível de urgência ditado pela gravidade das tensões influenciará diretamente a velocidade dos processos burocráticos e de avaliação. A tendência é preferir fornecedores com capacidade de entrega rápida.

- Necessidades Específicas: as necessidades militares imediatas (por exemplo, armas leves, munições, aeronaves de transporte e sistemas de defesa aérea) direcionarão quais licitações serão aceleradas e quais empresas poderão se beneficiar mais rapidamente.

- Políticas de Aquisição: as políticas de aquisição de defesa, incluindo as iniciativas Make in India e Atmanirbhar Bharat, favorecem decisivamente empresas com produção local ou planos de transferência de tecnologia. As parcerias já estabelecidas pela Taurus e CBC são exemplos de alinhamentos a essas políticas.

- Considerações Geopolíticas: a Índia pode considerar a diversificação de seus fornecedores de armas para reduzir a dependência de um único país. O Brasil, como um parceiro estratégico em ascensão, pode se beneficiar desse fator.

Taurus Armas
A Taurus, por meio da joint venture JD Taurus com a indiana Jindal Defence, está participando de uma megalicitação  (a maior licitação do mundo para armas leves) para fornecer 425 mil fuzis ao Exército Indiano. O fuzil T4, desenvolvido em colaboração entre as duas empresas, passou por rigorosos testes em condições extremas, incluindo temperaturas elevadas nos Himalaias, e obteve resultados completamente positivos. A produção piloto já foi iniciada na fábrica em Hisar, Haryana, com capacidade para produzir até 1.500 armas por dia. A decisão final sobre a licitação é esperada para o primeiro semestre de 2025, com um contrato estimado entre US$ 340 milhões e US$ 380 milhões. 

Em 2024, a Submetralhadora JD Taurus T9 fez sua estreia na Índia, vencendo uma licitação para o fornecimento de 500 unidades para o Exército desse país, um marco histórico para a JD Taurus, pois foi a primeira licitação militar vencida pela empresa pouco tempo após ter iniciado sua produção.

A empresa está participando de 14 outras licitações com forças paramilitares e polícias estaduais para a pistola TS9, a submetralhadora T9 e os fuzis T4 e T10, que devem ser concluídas no 1º semestre de 2025. Em conjunto, a demanda supera 20 mil unidades. Tais licitações também  tendem a ser aceleradas com o conflito com o Paquistão. 

Com relação ao mercado civil, foram vendidas mais de 5.000 armas (pistola PT 57 SC) para o mercado civil em 2024, com a Taurus detendo cerca de 50% do mercado local, onde também busca lançar novos produtos. Atualmente, está sendo lançado um revólver em aço inoxidável, o primeiro da Índia; em junho, lançará uma pistola .380 nas versões metálica e polímero; e em setembro, lançará uma pistola .45.

A produção inicial, embora seja ainda relativamente pequena, é compensada pelos altos valores com que as armas produzidas estão sendo comercializadas, que variam de 1.200 a 1.600 dólares por unidade. A previsão de Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, é de que a capacidade produtiva seja dobrada nos próximos meses, possibilitando alavancar o ramp-up e as vendas.

Este mercado, apesar de ser civil, também deve apresentar uma maior demanda com o conflito em curso, haja vista que os cidadãos passam a sentir a necessidade de dispor de uma defesa própria para si, seus familiares e seus bens, a fim de fazer frente a possíveis distúrbios civis, atos de terrorismo, ocorrências de saques ou até mesmo para se sentir mais preparado com relação ao inimigo.

À semelhança do que já ocorreu em outros países em situação de conflito externo, é razoável também considerar uma possível flexibilização nas rígidas normas de posse e/ou porte de armamento pela população civil, seja pela facilitação da aquisição, seja pela permissão de uso de calibres mais potentes do que o .32.

CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos)
A CBC estabeleceu uma joint venture com a indiana SSS Springs, formando a SSS Defense, com foco na produção de munições. A empresa já obteve as licenças necessárias e está fornecendo munições em diversos calibres, atendendo tanto ao mercado militar quanto civil indiano, além de possíveis exportações para países amigos.

Embraer
A Embraer identificou a Índia como um mercado estratégico para sua divisão de defesa, especialmente com o transporte militar C-390 Millennium, haja vista que a Índia pretende adquirir cerca de 60 aeronaves. A empresa assinou um memorando de entendimento com a Mahindra Defence Systems em 2024 e planeja abrir uma subsidiária em Nova Délhi até o segundo trimestre de 2025. A Embraer propõe não apenas a venda, mas também a montagem local, transferência de tecnologia e completo suporte logístico, alinhando-se com as iniciativas Make in India e Atmanirbhar Bharat.

A Embraer tem um portfólio diversificado que inclui aeronaves de transporte militar (o multimissão C-390) e de ataque leve (A-29 Super Tucano, que pode ser uma eficaz solução anti-drone), radares e sistemas de defesa. Em um contexto de tensões elevadas, a Índia pode priorizar a aquisição de aeronaves, sistemas de alerta antecipado (AEW&C) ou outras soluções de defesa oferecidas pela empresa. O interesse demonstrado pelo Brasil em sistemas de mísseis indianos, como o BrahMos e o Akash, pode também abrir caminho para uma maior cooperação e possíveis aquisições de produtos da Embraer pela Índia, especialmente se houver uma busca por diversificação de fornecedores e tecnologias.

Conclusão
Diante do aumento das tensões regionais, esta Consultoria acredita que o agravamento das tensões com o Paquistão leve a Índia a acelerar suas aquisições de defesa. 

Empresas brasileiras como Taurus Armas, CBC e Embraer, que já estão integradas (ou em vias de) ao mercado indiano por meio de parcerias locais e transferência de tecnologia, estão bem posicionadas para se beneficiar dessa demanda crescente. 

12 dezembro, 2024

Até 2026, Paquistão receberá aeronaves de patrulha marítima Embraer Lineage 1000 modificadas

*LRCA Defense Consulting - 12/12/2024

A Marinha do Paquistão está avançando suas capacidades marítimas com a próxima introdução, em 2026, de aeronaves Embraer Lineage 1000 modificadas. Estas aeronaves são uma variante do jato regional Embraer E190 com motor General Electric CF34-8 original.

Um jornalista e pesquisador de defesa baseado em Rawalpindi disse que um total de sete a oito aeronaves semelhantes deverão entrar em serviço após a conclusão do projeto. No entanto, outras informações indicam a possibilidade de até 10 aeronaves.

Como parte do projeto Sea Sultan, os jatos estão sendo convertidos pela Leonardo, pela Paramount Aerospace Systems (manutenção, reparo e revisão) e pela Aerosud para funções de patrulha marítima armada de longo alcance (LRMPA).

Equipadas com recursos de ponta, como medidas de suporte eletrônico (ESM), radar AESA, torpedos, cargas de profundidade e comunicações via satélite, essas aeronaves substituirão a antiga frota de P-3C Orion fabricadas pela Lockheed Martin.


O Almirante paquistanês Naveed Ashraf enfatiza o impacto estratégico dessas aeronaves de patrulha de última geração, complementando plataformas existentes como o ATR 72. A Marinha do Paquistão usa atualmente a aeronave RAS 72 Sea Eagle equipada com radar Leonardo Sea Spray. Este é capaz de realizar patrulhas marítimas de curto alcance. O RAS-72 é uma aeronave de patrulha marítima (MPA) baseada no ATR-72; a Marinha do Paquistão contratou a Rheinland Air Service (RAS) GmbH na Alemanha para o trabalho de conversão em 2016.

Conforme divulgou o portal Poder Aéreo, as aeronaves da Marinha do Paquistão deverão ser equipadas para conduzir uma ampla gama de missões, como guerra antissuperfície (ASuW), guerra antissubmarino (ASW), vigilância e reconhecimento de inteligência (ISR), inteligência eletrônica (ELINT), medidas de suporte eletrônico (ESM), comando e controle (C2) e busca e salvamento (SAR).

A solução paquistanesa seria em resposta à aquisição de 12 LRMPA (Long Range Maritime Patrol Aircraft) Boeing Poseidon P-8 pela Marinha Indiana e poderá ter implicações estratégicas para os submarinos indianos, que há muito permanecem uma ameaça ativa para navios de guerra do país.

12 novembro, 2023

Embraer lança estudos para converter o E190-E2 em aeronave de patrulha marítima


*Aviation Week, por Steve Trimble - 12/11/2023

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer lançou estudos de uma variante de patrulha marítima do avião comercial E190-E2 e iniciou negociações com potenciais parceiros de desenvolvimento em países estrangeiros, que planeja continuar durante o Dubai Airshow, disse um alto executivo ao ShowNews.

“Estamos em busca de alguns parceiros internacionais que possam se juntar a nós nesta jornada”, afirma João Bosco Costa Junior, CEO da Embraer Defesa e Segurança. “Portanto, é um momento perfeito para ter esse tipo de conversa com eles.”

Uma configuração da aeronave em estudo envolve um E190-E2 altamente modificado, apresentando um radome inclinado para baixo montado no nariz; mísseis anti-navio montados na barriga da fuselagem; e um compartimento interno da fuselagem traseira para transportar sonobóias. Mas é provável que o design evolua à medida que os estudos de configuração continuam.

“Estamos longe de uma configuração congelada”, diz Bosco. “Estamos agora numa fase de avaliar todas as possibilidades e todas as soluções disponíveis no mercado para colocar o melhor [esforço] que pudermos neste produto potencial para ter muito rapidamente um potencial cliente de lançamento.”

Os estudos do conceito de patrulha marítima para o jato regional de 90 lugares poderão oferecer à Embraer a opção de substituir nove P-3C Orions da Força Aérea Brasileira, adquiridos como aeronaves usadas da Marinha dos Estados Unidos em 2006.

Se for formalmente lançada em desenvolvimento, uma aeronave de patrulha marítima projetada pela Embraer baseada no E190-E2 representaria uma das primeiras aeronaves comerciais de grande porte movidas a turbofan a entrar nesse segmento de mercado desde que a Marinha dos EUA introduziu o Boeing P-8A ao longo de uma década atrás. O E190-E2 está equipado com turbofan Pratt & Whitney PW1900.

Em 2020, os militares do Paquistão selecionaram o Embraer Lineage 1000 – uma variante do jato regional E190 com motor General Electric CF34-8 original – para a missão de aeronaves de patrulha marítima.  
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Paquistão contratou a empresa Leonardo para converter três jatos Embraer Lineage 1000 em aeronaves de patrulha marítima de longo alcance para sua Marinha

'Sea Sultan' introduzido na Marinha do Paquistão como parte de seu programa de modernização em andamento

*Ahmeddabad Mirror - 08/09/2021

O Paquistão introduziu um novo avião espião de longo alcance para “ficar de olho” nos submarinos indianos, semelhante ao que a Marinha indiana está fazendo com a China, disse o EurAsian Times em um relatório.

Uma aeronave de patrulha marítima de longo alcance, o 'Sea Sultan' foi introduzido na Marinha do Paquistão como parte do seu programa de modernização em curso.

O Sea Sultan é um jato Embraer Lineage 1000 bimotor modificado adquirido para substituir sua frota de aviões espiões P-3 Orion fabricados pela Lockheed Martin de longo alcance.

Falando sob condição de anonimato, analistas de defesa paquistaneses compartilharam alguns detalhes sobre o Sea Sultan e suas capacidades com o The EurAsian Times. Um jornalista e pesquisador de defesa baseado em Rawalpindi disse que mais sete a oito deverão entrar em serviço após a conclusão do projeto.

No entanto, ele não divulgou quanto tempo levará para a aeronave entrar em operação. Joseph P Chacko, um analista de defesa indiano, disse que pode levar entre dois e três anos até que o Sea Sultan possa estar operacional, disse o relatório.

Ele disse que a aquisição foi em resposta ao pedido de 18 LRMPAs Poseidon P-8 colocados pela Marinha Indiana e afirmou que a indução do Sea Sultan poderia ter implicações de longo alcance para os submarinos indianos, que há muito permanecem uma ameaça ativa para navios de guerra paquistaneses.

A Marinha do Paquistão usa atualmente a aeronave RAS 72 Sea Eagle equipada com radar Leonardo Sea Spray. Este é capaz de realizar patrulhas marítimas de curto alcance.

O jato Embraer Lineage 1000 será customizado especialmente para operações de longo alcance e a empresa italiana Leonardo foi mais uma vez chamada para a modificação necessária. Curiosamente, tanto as aeronaves C-27J Spartan do Paquistão quanto as aeronaves franco-italianas ATR 42 e ATR 72 foram modificadas pela empresa para aplicações marítimas no passado.

10 outubro, 2023

O conflito Hamas-Israel provavelmente se espalhará para muitas nações

As consequências de um ataque do Hamas em Sderot, Israel, em 8 de outubro: A guerra está apenas começando. ©Reuters

*Nikkei Asia, por David Sharma - 09/10/2023 (atualizado às 10h45)

Na sua imprevisibilidade, na escala das baixas civis e no profundo choque que causou no sentimento de segurança de Israel, o ataque multifrontal do grupo terrorista Hamas no sábado foi um momento de 11 de Setembro.

Tal como os ataques terroristas aos EUA levaram a uma resposta militar profunda e dramática, a resposta de Israel será de ordem semelhante. Como disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu horas após o início do ataque, Israel está em guerra.

Os líderes de Israel não descansarão até que o Hamas seja completamente destruído, a sua liderança militar eliminada e o seu aparelho militar totalmente desmantelado.

A resposta será muito mais severa do que a típica operação militar de Israel contra o Hamas. Essas ofensivas, que figuras militares israelitas endurecidas descrevem como "cortar a relva", são geralmente concebidas para degradar a infra-estrutura militar do Hamas para comprar mais alguns anos de paz geral.

Desta vez, apenas uma derrota total do Hamas será suficiente para Israel. Isto significa que nos próximos dias, as Forças de Defesa de Israel irão quase certamente complementar os ataques aéreos com uma invasão terrestre em grande escala de Gaza e provavelmente eventualmente procurarão reocupar todo o território.

Dada a profundidade com que o Hamas está inserido nas infra-estruturas civis de Gaza, com quartéis-generais operacionais sob hospitais e lançadores de mísseis em edifícios de apartamentos, uma tal acção militar conduzirá a um elevado número de baixas civis.

Nas primeiras 24 horas deste conflito, pelo menos 300 israelitas foram mortos, centenas foram hospitalizados e dezenas foram feitos reféns para Gaza. Algumas centenas de palestinos foram mortos em ataques aéreos. No entanto, a guerra está apenas a começar, com a principal resposta militar de Israel ainda em preparação.

Embora as recriminações venham, com razão, mais tarde, o facto é que Israel não previu este ataque. O ataque marca a mais grave falha de inteligência de Israel desde a guerra do Yom Kippur, há meio século.

Não só Israel não antecipou o momento deste ataque ou não colocou as suas defesas num estado de prontidão adequada para resistir a uma barragem de foguetes do Hamas, como também Israel claramente não conseguiu apreciar o crescimento das capacidades militares do grupo.

O Hamas invadiu Israel por terra, mar e ar, desembarcando combatentes na costa, rompendo as defesas da fronteira com escavadeiras e mobilizando planadores aéreos. Os combatentes do Hamas invadiram e ocuparam cidades israelitas, matando e capturando residentes nas suas casas à vontade. Nas primeiras horas após a incursão, as Forças de Defesa de Israel não foram vistas em lugar nenhum.

O sentimento de segurança de Israel foi profundamente abalado por isto, e a única forma de o restaurar será com a derrota completa do Hamas.

Uma complicação serão os reféns que o Hamas levou de volta para Gaza, incluindo mulheres, crianças e idosos. O Hamas irá utilizá-los para propaganda política, influência militar e como escudos humanos.

Os reféns têm grande importância política em Israel – em 2011, o Hamas trocou 1.027 prisioneiros palestinianos por um soldado, Gilad Shalit – pelo que isto criará sérios dilemas para as operações militares.

Os restos de uma casa em Khan Younis, Gaza, atingida por um ataque aéreo israelense em 8 de outubro: As baixas de civis palestinos em contra-ataques israelenses inflamarão a opinião pública em todo o mundo árabe. ©Reuters

Para além dos combates que provavelmente veremos nos próximos dias, existe o risco de o conflito assumir uma dimensão regional.

O Hezbollah, cujo líder Hassan Nasrallah saudou a agressão do Hamas, lançou ataques com foguetes e artilharia do Líbano contra posições israelenses em uma área fronteiriça contestada no domingo. Outros, incluindo a Jihad Islâmica Palestina na Cisjordânia e o Líder Supremo iraniano Ali Khamenei, também elogiaram o Hamas. Israel poderia assim encontrar-se lutando em diversas frentes.

Entretanto, as devastadoras vítimas civis palestinianas que provavelmente veremos nesta nova guerra inflamarão a opinião pública em todo o mundo árabe, conduzindo a um risco acrescido de terrorismo, não apenas no Médio Oriente.

As conversações de aproximação entre Israel e a Arábia Saudita, que estão em curso há vários meses e podem estar em vias de serem finalizadas no início de 2024, serão quase certamente uma das primeiras vítimas desta guerra. À medida que este conflito e a sua tragédia humana se desenrolarem nos ecrãs da televisão e dos telefones nas próximas semanas, a opinião pública árabe ficará demasiado inflamada para que os sauditas tenham espaço diplomático para estender qualquer ramo de oliveira a Israel.

Na verdade, esta pode ter sido a principal intenção por detrás dos ataques, possivelmente com estímulo ou incentivo iraniano: impedir a formação de um bloco regional que colocaria a questão palestiniana em segundo plano e reuniria uma coligação de equilíbrio contra o Irã.

Os Acordos de Abraham, os acordos mediados pelos EUA que abriram relações diplomáticas entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein e normalizaram os laços com Marrocos nos últimos anos, também estarão sob séria pressão.

A guerra que se aproxima será suficientemente trágica, mas existe um risco real de que se torne mais ampla e mortal, engolindo toda a região.

*Dave Sharma serviu anteriormente como embaixador da Austrália em Israel, bem como presidente do subcomitê conjunto do Parlamento australiano para relações exteriores e ajuda e principal conselheiro diplomático no departamento do primeiro-ministro.
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O conflito no Oriente Médio e a Indústria Brasileira de Defesa

*LRCA Defense Consulting - 10/10/2023

As consequência e reflexos, diretos e indiretos, de uma escalada do conflito ou da possibilidade que esta ocorra, poderão impactar a Indústria de Defesa Brasileira, haja vista que diversas empresas do setor possuem negócios com os países direta ou potencialmente atingidos, ou são alvo do interesse destes.

No Oriente Médio, palco maior desse cenário, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos já têm ou estão em vias de formar acordos com empresas brasileira do setor, como Akaer, Avionics Services, CBC, Condor, Embraer, Kryptus, Mac Jee, Ocellott, SIATT, Taurus, Tupan e Turbomachine.

Na Ásia, onde o Paquistão (com o apoio do Afeganistão, do Irã e da China), representa a grande ameaça externa, a Índia deverá acrescentar agora um fator maior de preocupação com suas fronteiras. Além disso, a Índia também possui uma grande população estimada em cerca de 200 milhões de pessoas que professam a religião muçulmana, o que, apenas em tese, pode trazer problemas de ordem interna.

Na Índia, já estão presentes a Taurus e a CBC, que ainda não começaram a produzir, embora já estejam com as unidades fabris prontas, só aguardando a pesada burocracia estatal fornecer as últimas licenças. Por outro lado, esse país está em vias de encomendar entre 40 e 80 aeronaves multimissão para, principalmente, prover transporte de tropas e reabastecimento aéreo, além de mais seis aeronaves de vigilância e alerta antecipado, sendo que a Embraer está realizando um significativo esforço para ter o C-390 escolhido para o primeiro caso e, adicionalmente, o Praetor 600 AEW&C para o segundo.

Ainda na Índia, é sabido que o fuzil a ser produzido pela Israel Weapons Industries (IWI) em joint venture com a indiana Adani Defense and Aerospace é um dos mais fortes concorrentes à megalicitação de 425 mil fuzis CQB em curso, na qual a Taurus concorre com seu fuzil T4. Com o conflito que passou a existir após o ataque do Hamas a Israel e a possibilidade real de sua expansão, podem surgir dúvidas sobre a capacidade de a empresa israelense cumprir um contrato de tamanha magnitude, seja por ter o seu país sob ataque e necessitar fornecer mais armas localmente, seja por ter que deslocar meios humanos e tecnológicos para a Índia para montar a operação fabril no bojo desse cenário.

Em qualquer caso, é lícito supor que sejam feitos, entre tais atores, movimentos que não haviam sido planejados anteriormente, levando assim a novas e urgentes encomendas, à aceleração de iniciativas em curso ou intencionadas, bem como a um possível alijamento ou afastamento de empresas israelenses de certames em curso, devidos à guerra ou ao receio de uma reação interna da população muçulmana.
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A importância dos fornecedores de defesa de países que não têm conflitos imediatos

*Patrícia Marins, via LinkedIn - 10/10/2023

À medida que o conflito se intensifica, o mundo ocidental enfrenta uma escolha: Israel ou a Ucrânia.

Se o Hezbollah enfrentasse as forças das FDI com todo o seu arsenal, que inclui foguetes que variam de 100 mm a 620 mm com um alcance de mais de 150 km, modernos mísseis guiados anti-tanque (ATGMs) e numerosos drones iranianos, é provável que Israel exigisse apoio significativo em termos de armamento.

Ainda assim, a sua maior vantagem seria a presença de milhares de militantes com experiência militar da Síria e do Iémen. Isto representa um desafio significativo para o exército israelita, que consiste principalmente de profissionais sem experiência real de combate e um elevado número de recrutas, o que leva Israel a exigir o uso de uma quantidade substancial de armas e munições de longo alcance.

Nos últimos dias, os EUA começaram a enviar armas para as FDI. No entanto, a capacidade dos EUA e dos países ocidentais, em geral, é limitada devido às entregas significativas feitas à Ucrânia.

A questão aqui não é apenas sobre projéteis; a invasão russa causou uma corrida global à obtenção de materiais para diversas indústrias de defesa em todo o mundo. Isso inclui produtos químicos para explosivos, metais e plásticos necessários para fusíveis e cartuchos de artilharia.

Se o conflito israelita se intensificar, poderá haver potencialmente uma escassez de munições de 20 a 40 mm, cuja produção nos países ocidentais tem uma taxa de cerca de 30 a 40 milhões de munições por ano. Isto pode não ser suficiente, considerando a elevada cadência de tiro destes calibres num conflito intenso.

Além disso, se o Irão decidir manter uma elevada taxa de fornecimento de armas ao Hezbollah, a situação poderá piorar.

Desde a década de 90, a indústria israelita sofreu uma grande redução, passando de 140.000 funcionários para a força de trabalho atual de 30.000-40.000.

Por exemplo, a Elbit Systems produz apenas algumas dezenas de milhares de projéteis de artilharia anualmente.

Se o conflito israelita realmente aumentar, o mundo ocidental poderá chegar a um ponto em que terá de escolher entre abastecer Israel ou a Ucrânia. A realidade é que os ocidentais não podem sustentar ambos os conflitos simultaneamente, pelo que devem ser procuradas soluções diplomáticas para um deles.

Mas a situação não é melhor para os russos. Israel pode, de fato, procurar ajuda da Rússia, particularmente devido à influência significativa dos imigrantes soviéticos no estabelecimento da indústria de defesa israelita, onde ainda mantêm laços com ambos os governos.

Na verdade, esta situação irá realçar a importância dos fornecedores de defesa de países que não têm conflitos imediatos, como a Turquia, a Índia, o Brasil e a África do Sul.

03 julho, 2023

K2 Airways introduzirá os E-Jets da Embraer na aviação comercial do Paquistão


*LRCA Defense Consulting - 03/07/2023

A K2 Airways (Pvt.) Ltd., mais nova companhia aérea do Paquistão, está nos estágios finais de seu lançamento. Será a primeira companhia aérea privada do Paquistão a introduzir os E-Jets da Embraer na aviação comercial do país. A divulgação foi realizada pela Startup Paquistan.

A companhia aérea, cujo plano de negócios havia sido pausado em 2018 e foi reativado em 2023,  planeja atender destinos domésticos específicos com duas aeronaves Embraer E-190 este ano. O objetivo é ligar aeroportos subutilizados e menores do Paquistão com Karachi, Islamabad e Lahore, para tornar as viagens convenientes para os viajantes paquistaneses. Isso reduzirá a diferença, pois a companhia aérea oferecerá flexibilidade aos viajantes na escolha do aeroporto certo dentro da área de abrangência.

A companhia aérea pode operar como uma transportadora alimentadora para as companhias aéreas domésticas existentes para complementar suas operações também.

A K2 Airways tem uma estratégia bem pensada para diversificar e remodelar a experiência de viagem dos passageiros por meio da exposição da cabine dos E-Jets da Embraer, que é baseada em assentos de 2+2 fileiras, com espaço confortável para as pernas.

A empresa é apoiada por empresários e profissionais paquistaneses bem-sucedidos baseados nos Emirados Árabes Unidos com uma paixão surpreendente pela aviação, que acreditam na utilização de ferramentas de automação modernas e na reunião de profissionais jovens e dinâmicos na equipe para criar uma entidade de aviação forte, tecnologicamente apta e habilitada digitalmente no Paquistão.

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