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17 setembro, 2026

Colt CZ Group dobra o EBITDA no primeiro semestre e reforça o valor da participação da CBC

Com receita de CZK 15,9 bilhões (+44,2%) e EBITDA ajustado de CZK 4,6 bilhões (+95,1%) no primeiro semestre de 2026, o grupo tcheco-americano eleva o guidance anual e confirma que a estratégia de integração vertical, da nitrocelulose à arma acabada, está produzindo resultados sem precedentes. Para a CBC, segunda maior acionista com 19,52% do capital, cada ponto percentual de margem conquistado pelo grupo é um evento financeiro direto.



*LRCA Defense Consulting - 17/09/2026

Um semestre histórico
O Colt CZ Group divulgou, em 17 de setembro de 2026, seus resultados consolidados não auditados referentes ao primeiro semestre encerrado em 30 de junho. Os números confirmam uma aceleração estrutural, não conjuntural, do grupo: a receita total atingiu CZK 15,9 bilhões, crescimento de 44,2% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o EBITDA ajustado chegou a CZK 4,6 bilhões, praticamente o dobro (+95,1%) do registrado na primeira metade do ano anterior. O lucro líquido avançou 72,7%, para CZK 1,6 bilhão.

A performance justificou a revisão do guidance para o ano inteiro. O grupo agora projeta receitas de CZK 31,0 a 33,0 bilhões e EBITDA ajustado entre CZK 8,0 e 8,5 bilhões, o teto superior cresceu em relação à orientação anterior. Na avaliação do CEO Radek Musil, o resultado valida a estratégia de longo prazo de construir um grupo verticalmente integrado e geograficamente diversificado. "Todos os nossos segmentos tiveram bom desempenho", afirmou Musil ao apresentar os números. "Entramos no segundo semestre com um alto nível de receitas esperadas já cobertas por pedidos confirmados."

O que chama atenção não é apenas o volume de crescimento, mas a qualidade dele: a margem de EBITDA ajustado passou de 33,0% no primeiro semestre de 2025 para 28,9% no primeiro semestre de 2026, aparente contração, mas decorrente da diluição natural causada pelo peso da receita de armas de fogo no mix, segmento de margens inferiores às de munição e energéticos. Isolados, os dois segmentos de maior valor agregado entregaram margens de 33,2% e 54,5%, respectivamente, ambas superiores às do período anterior.

Resultados consolidados: H1 2025 vs H1 2026

Colt CZ Group SE: demonstração de resultados resumida

Indicador

H1 2025

H1 2026

Variação

Receita total

CZK 11,0 bi

CZK 15,9 bi

+44,2%

EBITDA ajustado

CZK 2,4 bi

CZK 4,6 bi

+95,1%

Lucro líquido

CZK 0,95 bi

CZK 1,6 bi

+72,7%

Segmento armas de fogo — receita

CZK 5,8 bi

CZK 8,0 bi

+37,4%

Segmento munição — receita

CZK 5,2 bi

CZK 4,9 bi

-5,0%

Segmento munição — margem EBITDA aj.

26,5%

33,2%

+6,7 p.p.

Segmento energéticos — receita

CZK 2,6 bi*

CZK 3,0 bi

+14,3%*

Segmento energéticos — margem EBITDA aj.

—

54,5%

—

*Base proforma. Fonte: Colt CZ Group SE, comunicado de 17/09/2026

Os três motores do crescimento
O resultado do primeiro semestre é sustentado por três vetores distintos, cada um com dinâmica própria.

Armas de fogo: o segmento cresceu 37,4% em receita, para CZK 8,0 bilhões, apesar do avanço modesto de 0,6% no número de unidades vendidas (291.724 armas). O que explica a discrepância é o mix: mais contratos militares e de segurança pública (M&LE), que pagam preços superiores aos do mercado comercial. Colt Canada foi o protagonista do período, com contratos de fornecimento de rifles C7/C8 para as Forças Armadas canadenses (30.000 unidades entre 2026 e 2029) e entregas ao Ministério da Defesa dinamarquês. O crescimento da receita canadense foi de 271% na comparação anual. A Colt também assegurou novo contrato de rifles M4 para clientes estrangeiros por meio do programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS) dos Estados Unidos.

Munição: a receita caiu 5,0%, para CZK 4,9 bilhões, em razão da redução das entregas no âmbito da iniciativa tcheca de munições para a Ucrânia e do impacto das tarifas norte-americanas sobre as importações, que deslocou parte das entregas para o mercado europeu. Esse dado, isolado, poderia sugerir fraqueza. Mas a margem de EBITDA ajustado saltou de 26,5% para 33,2%, sinal de que o segmento está vendendo menos volume e faturando mais por unidade, priorizando contratos de maior valor agregado. A Sellier & Bellot conquistou novos pedidos na Espanha, Polônia, Romênia, Croácia e Estônia, além de fornecimentos pela NSPA (NATO Support and Procurement Agency).

Energéticos: o segmento mais novo e mais lucrativo do grupo entregou CZK 3,0 bilhões em receita e margem de EBITDA ajustado de 54,5%, a mais alta do grupo pelo segundo trimestre consecutivo. A Synthesia Nitrocellulose, adquirida em janeiro de 2026, é um dos maiores fabricantes de nitrocelulose energética da Europa e da América do Norte, matéria-prima essencial para propelentes de munição de todos os calibres. O grupo projeta que o segmento de energéticos representará cerca de 16% da receita total e aproximadamente um terço do EBITDA ajustado ao longo de 2026.

O único vetor negativo foi o mercado comercial norte-americano: a receita dos Estados Unidos caiu 12,7%, para CZK 3,5 bilhões, combinando a fraqueza da demanda civil com o impacto das tarifas de importação. O grupo adota como estratégia de mitigação o controle de custos e o lançamento de novos produtos, incluindo a nova divisão Colt Optics, além da reorientação de parte do volume para o mercado europeu.

O que os números significam para a CBC
A CBC Europe S.à r.l. detém, desde 6 de janeiro de 2026, 19,52% do capital registrado e 19,60% dos direitos de voto do Colt CZ Group, posição que a mantém como segunda maior acionista e confere ao grupo brasileiro assento no conselho de supervisão. Cada ponto percentual de crescimento do grupo tcheco-americano tem, portanto, implicação financeira direta e mensurável para a CBC.

O mecanismo é duplo. O primeiro é a valorização patrimonial da participação: à medida que o Colt CZ Group eleva receitas, margens e lucros, o valor de mercado do grupo tende a se apreciar, e a fatia da CBC acompanha esse movimento. O segundo é o fluxo de dividendos: o conselho do grupo propôs, para o exercício de 2026, dividendo de CZK 30 por ação, sujeito à aprovação em assembleia. Com 12.227.843 ações em carteira, a CBC receberá, se aprovado, cerca de CZK 366,8 milhões apenas a título de dividendos, sem considerar eventuais ajustes derivados do desempenho do segundo semestre.

O resultado do primeiro semestre sugere que o desempenho anual pode superar o teto do guidance revisado. O grupo declarou operar com "alto nível de receitas esperadas já cobertas por pedidos confirmados" ao entrar no segundo semestre, linguagem que, no vocabulário de relações com investidores, sinaliza confiança acima da média na entrega dos números projetados. Se o guidance de CZK 8,0 a 8,5 bilhões de EBITDA ajustado se materializar, o segundo semestre precisará entregar entre CZK 3,4 e 3,9 bilhões, meta plausível dado que o segundo semestre costuma ser mais forte em contratos M&LE.

Para a CBC, há ainda um terceiro vetor de impacto, ainda latente, mas em maturação: o fornecimento de componentes e insumos ao Colt CZ Group por empresas do próprio ecossistema brasileiro. A Taurus Armas, controlada indiretamente pela CBC Global Ammunition, possui tecnologia de metal injection molding (MIM) exclusiva no Hemisfério Sul, e cada arma produzida pelo grupo tcheco pode conter até 14 peças fabricadas por esse processo. Negociações avançadas entre a Česká zbrojovka e a Taurus foram sinalizadas pela visita de executivos tchecos a São Leopoldo em maio de 2025. Se um contrato formal de fornecimento se concretizar, a CBC passará a capturar valor não apenas como acionista do grupo, mas como integrante de sua cadeia produtiva.

Impacto financeiro estimado da participação da CBC no Colt CZ Group (2026)

CBC Europe S.à r.l. - participação de 19,52% no Colt CZ Group

Item

Base de cálculo

Estimativa para a CBC

Participação no capital

19,52% de 62.637.242 ações

12.227.843 ações

Dividendo proposto (CZK 30/ação)

12.227.843 × CZK 30

~CZK 366,8 milhões

Guidance EBITDA 2026 (teto)

CZK 8,5 bi × 19,52%

~CZK 1,66 bilhão (proporcional)

Guidance receita 2026 (teto)

CZK 33,0 bi × 19,52%

~CZK 6,44 bilhões (proporcional)

Nota: os valores proporcionais não representam receita da CBC, mas a parcela do resultado consolidado do Colt CZ Group atribuível à sua participação acionária. Fonte: elaboração LRCA com base nos dados do Colt CZ Group SE.

O MoU com a Frankenburg e a camada adicional de crescimento
Os resultados do primeiro semestre foram divulgados no mesmo dia em que este veículo reportava o Memorando de Entendimento assinado pelo Colt CZ Group com a Frankenburg Technologies, empresa estoniana desenvolvedora do Mark I, míssil interceptador de drones com custo estimado em menos de um décimo do preço de um Stinger convencional. O MoU insere o Colt CZ Group, pela primeira vez, no segmento de sistemas de armas guiadas.

A combinação dos dois eventos é relevante para a leitura do que está se construindo. O resultado do H1 2026 demonstra que a base industrial do grupo, especialmente o segmento de energéticos, está operando com margens elevadas e capacidade de absorver novos negócios sem deteriorar a estrutura de custos. O Mark I, propulsionado por motor foguete de combustível sólido, é exatamente o tipo de produto que pode utilizar a nitrocelulose energética da Synthesia como insumo. Se a cadeia produtiva do míssil for integrada ao grupo, o segmento de energéticos, já o mais rentável, teria uma nova fonte de receita de alta margem, em mercado com demanda estruturalmente crescente na Europa.

Para a CBC, o encadeamento é direto: melhores margens no segmento de energéticos elevam o EBITDA consolidado do Colt CZ Group; EBITDA maior amplia a base de distribuição de dividendos e valoriza a participação acionária. O MoU com a Frankenburg não é, portanto, apenas uma notícia de expansão de portfólio do grupo tcheco. É mais uma peça na construção de valor que, ao final da cadeia, chega ao balanço da CBC.

Síntese
O primeiro semestre de 2026 entrega, com clareza matemática, a tese que sustentou a decisão da CBC de trocar a Sellier & Bellot por participação acionária no Colt CZ Group em maio de 2024: um grupo verticalmente integrado, em ciclo de rearmamento global, com três segmentos complementares e margens crescentes vale mais, e distribui mais, do que uma subsidiária isolada, por mais sólida que fosse. Com 19,52% do capital e assento no conselho de supervisão, a CBC não é espectadora desse crescimento. É co-proprietária dele.

O guidance revisado para CZK 31,0 a 33,0 bilhões de receita e CZK 8,0 a 8,5 bilhões de EBITDA ajustado em 2026, lastreado em pedidos confirmados, coloca o Colt CZ Group em trajetória de tornar-se, em valor de EBITDA, um dos maiores grupos de defesa da Europa Central. Para a CBC, isso significa que a decisão de 2024, por vezes questionada nos mercados brasileiros à época, estava muito bem calibrada.

14 julho, 2026

CBC leva coleção dos 100 anos e ações inéditas para a Shot Fair Brasil 2026

Empresa estreia loja oficial e balcão de pós-venda no evento, além de dois encontros exclusivos para clientes e parceiros, no Distrito Anhembi, em São Paulo

Coleção 100 Anos CBC

*LRCA Defense Consulting - 14/07/2026

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) chega à Shot Fair Brasil 2026, que ocorre de 15 a 18 de julho no Distrito Anhembi, em São Paulo, com uma participação estruturada em torno de três frentes: o lançamento de uma coleção comemorativa pelos 100 anos da empresa, a estreia de uma loja oficial dentro do pavilhão e um balcão dedicado de pós-venda. A companhia também organiza dois eventos paralelos voltados a lojistas e parceiros comerciais, o Tactical Summit e o Prime Dinner, realizados nos dias que antecedem a abertura da feira ao público geral.

A sexta edição da Shot Fair Brasil, organizada sob o tema "Conectando propósitos", reúne cerca de 300 marcas em 19.250 metros quadrados de área expositiva no Distrito Anhembi, consolidando-se como o maior evento multissetorial da América Latina nos segmentos de tiro esportivo, caça, aventura e universo outdoor. O primeiro dia da feira, 15 de julho, é reservado exclusivamente a lojistas e expositores, enquanto o público geral tem acesso a partir da tarde de 16 de julho.

Rio Grande .357 Magnum

Centenário motiva coleção de edição limitada
Fundada em 1926 em Ribeirão Pires, no interior paulista, a CBC completa 100 anos em 2026 e usa a Shot Fair Brasil para apresentar ao mercado a Coleção 100 Anos CBC. A linha reúne três modelos de armas de fogo, cada um limitado a 100 unidades: a carabina Rio Grande .357 Magnum, com coronha em burl de imbuia; e os rifles Ranger .308 Win e 8122 .22 LR, com coronha na raiz da imbuia. As três peças trazem gatilho banhado em prata, cano com acabamento PVD Gold (Physical Vapor Deposition), selo exclusivo do centenário, case de couro, moeda comemorativa e certificado de exclusividade.

Entre os demais lançamentos apresentados na feira estão uma versão em polímero da Rio Grande .357 Magnum, com cano forjado a frio e sistema Lever action; um lote especial dos rifles Rio Bravo .22 LR e Pump Action .22 LR com acabamentos em Cerakote nas cores tungstênio, dourado e envelhecido; as novas carabinas de pressão PCP Urban 9 e Urban 10, com sistema de ar pré-carregado nos calibres 5,5 mm e 6,35 mm; e as carabinas de pressão AG12, AG14 e AG15, voltadas ao público que busca custo-benefício. 

Na linha de munições Hunting, a empresa apresenta um novo projétil expansivo com formato Boat Tail de 180 gr, no calibre .308 Win, desenvolvido para tiros a médias e longas distâncias. A CBC também expõe produtos em desenvolvimento, como um rifle Ranger no calibre .22 LR e um semiautomático com carregador rotativo no mesmo calibre, além da carabina de pressão Vegas, prevista para chegar ao mercado no terceiro trimestre de 2026. As embalagens dos calibres .22 LR, .308 Win, 9 mm, .357 Magnum e 12 também ganham versão comemorativa dos 100 anos.

Carabinas de pressão AG12 e AG15

Rifles CBC Rio Bravo .22 LR e o modelo Pump Action .22 LR

Programa de relacionamento premia lojistas
Durante a feira, o Programa de Relacionamento com Lojistas (PRLO) da CBC promove homenagens a parceiros comerciais. A empresa entrega placas de reconhecimento aos três lojistas com melhor desempenho e troféus ao Top 10 CBC Partners na categoria Varejo, com base nos resultados de 2025 e do primeiro semestre de 2026. O momento também marca a divulgação da Academia CBC, novo benefício de capacitação restrito aos lojistas das categorias Platinum e Black do programa.

Loja oficial e pós-venda chegam ao pavilhão
Pela primeira vez, a Shot Fair Brasil recebe a CBC Store, com mais de 30 itens promocionais oficiais à venda no estande I02, restritos ao estoque disponível durante o evento, sem reserva de vestuário para prova ou troca no local nem possibilidade de encomenda posterior. Já a aquisição de carabinas de pressão segue fluxo próprio: a venda é feita apenas pelo portal oficial da CBC, mediante cadastro do comprador, com entrega no endereço informado.

No estande E02, o setor de pós-venda da CBC mantém pela primeira vez um balcão exclusivo de atendimento na feira, voltado a dúvidas, orientações técnicas e informações sobre assistência técnica dos produtos da marca. Em paralelo, a equipe da companhia conduz reuniões com representantes de assistências técnicas já credenciadas e orienta empresas interessadas em ingressar na rede autorizada.

Embalagens: munições .22 LR, .308 Win, 9 mm, .357 Magnum e os cartuchos calibre 12 em edição comemorativa

Munições Hunting: a novidade são os novos projéteis com formato Boat Tail 180gr no calibre .308 Win

Tactical Summit e Prime Dinner reúnem setor fora do pavilhão
Além da presença no pavilhão, a CBC organiza dois eventos exclusivos, por convite, para ampliar o relacionamento com o setor. O Tactical Summit ocorre em 14 de julho, véspera da abertura da feira, no Expo Center Norte, na Vila Guilherme, em São Paulo, reunindo cerca de 350 lojistas para discutir gestão financeira, mix de produtos e estratégias comerciais. Está confirmada a presença do delegado da Polícia Federal em São Paulo e chefe da Delegacia de Repressão a Crimes de Armas, Munições e Explosivos (DELEAG), Diógenes Perez de Souza.

No dia 15 de julho, primeiro dia da feira, acontece o Prime Dinner, no espaço Le Sampah, dentro do Distrito Anhembi, com público estimado de 450 convidados entre clientes, parceiros estratégicos e lideranças do setor. O objetivo declarado do jantar é consolidar o networking e celebrar a união do mercado.

Serviço
Shot Fair Brasil 2026. Distrito Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo/SP). Estandes CBC: E02 (CBC) e I02 (CBC Store).

15 de julho (quarta-feira): das 10h às 20h, dia exclusivo para lojistas.

16 e 17 de julho (quinta e sexta-feira): das 10h às 13h, exclusivo para lojistas; das 13h às 20h, público geral.

18 de julho (sábado): das 10h às 18h, público geral.

Mais informações em shotfairbrasil.com.br. Sobre os eventos paralelos, o Tactical Summit ocorre em 14 de julho, no Expo Center Norte, e o Prime Dinner em 15 de julho, no espaço Le Sampah, ambos exclusivos para convidados.

02 julho, 2026

Exportações de defesa do Brasil sobem quase 30% no primeiro semestre

Autorizações somam US$ 1,815 bilhão entre janeiro e junho; Ministério da Defesa credita o avanço a viagens oficiais, novo modelo de negociação governo a governo e catálogo de produtos lançado neste ano

 

*
LRCA Defense Consulting - 02/07/2026

As autorizações concedidas pelo governo brasileiro para a exportação de produtos de defesa somaram US$ 1,815 bilhão no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 29% em relação aos US$ 1,404 bilhão registrados no mesmo período de 2025. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (1º de julho) pela Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), do Ministério da Defesa, e confirma a trajetória de expansão acelerada da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira nos últimos anos.

Segundo o Ministério da Defesa, os produtos nacionais de defesa já chegam a 150 países, comercializados por 130 empresas exportadoras. Entre os itens mais vendidos estão aeronaves e suas partes e peças, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia de elevado valor agregado e alto conteúdo tecnológico.

A leitura do governo
Para o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, o resultado do semestre reflete um esforço coordenado e contínuo da pasta para fortalecer a presença internacional da BID. Segundo ele, o crescimento foi impulsionado por uma série de iniciativas conduzidas pela Seprod, entre elas a promoção comercial da indústria brasileira no exterior.

“As visitas oficiais conduzidas pelo ministro José Múcio à Argentina, Suécia, Finlândia e Chile foram fundamentais para ampliar o diálogo de alto nível e abrir novas frentes de cooperação e negócios”, afirmou o secretário.

Menos burocracia, mais financiamento
Além da promoção internacional, o Ministério da Defesa tem atuado para reduzir obstáculos ao comércio exterior por meio de ações voltadas diretamente aos exportadores. Entre elas estão eventos técnicos, como o webinário sobre os impactos da reforma tributária no comércio exterior, e a articulação com instituições financeiras para ampliar linhas de financiamento, seguros e garantias às exportações.

“Avançamos em diversas iniciativas estruturantes, como o aprimoramento dos mecanismos de financiamento, a intensificação da promoção comercial em feiras e encontros com a indústria, a publicação da portaria que regulamenta as exportações na modalidade governo a governo e o lançamento do catálogo de produtos de defesa, que confere maior visibilidade às capacidades nacionais”, disse Heraldo Rodrigues.

A portaria mencionada pelo secretário é a GM-MD nº 1.456, publicada em março, que disciplina a atuação do Ministério da Defesa em operações de exportação e de serviços técnicos relacionados a produtos nacionais, com participação de empresas estatais vinculadas em negociações do tipo governo a governo (G2G), modelo já utilizado por potências como Estados Unidos e França e empregado na compra dos caças Gripen pelo Brasil junto ao governo sueco. Já o catálogo de produtos da BID, lançado em março com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, reúne 154 empresas e 364 produtos cadastrados, entre embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento.

O que vem no segundo semestre
Heraldo Rodrigues destacou que, para o segundo semestre, está planejada a realização de uma missão empresarial a mercados prioritários, em articulação com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), com o objetivo de dar continuidade ao ritmo positivo e consolidar novas oportunidades para a indústria de defesa brasileira no cenário internacional.

A Seprod mantém ainda parcerias estratégicas com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ApexBrasil, a Abimde, o Simde, a ABGF, o BNDES e o Banco do Brasil, instituições que a pasta considera essenciais para a construção de um ambiente favorável às exportações.

Uma trajetória de recordes
O resultado do primeiro semestre se soma a uma sequência de recordes anuais nas autorizações de exportação de produtos e serviços de defesa: US$ 1,45 bilhão em 2023, US$ 1,78 bilhão em 2024 e US$ 3,4 bilhões em 2025, o melhor desempenho em pelo menos onze anos. Já no primeiro trimestre deste ano, as vendas externas haviam mais que dobrado na comparação anual, somando US$ 1,02 bilhão ante US$ 457 milhões no mesmo intervalo de 2025.

O setor de defesa responde hoje por cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por perto de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo dados do Ministério da Defesa. O governo lembra que o Brasil já foi o oitavo maior exportador mundial de produtos de defesa nos anos 1980 e afirma ter potencial para voltar a ocupar posição de destaque em um mercado internacional que movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão por ano.

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