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02 julho, 2026

Exportações de defesa do Brasil sobem quase 30% no primeiro semestre

Autorizações somam US$ 1,815 bilhão entre janeiro e junho; Ministério da Defesa credita o avanço a viagens oficiais, novo modelo de negociação governo a governo e catálogo de produtos lançado neste ano

 

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LRCA Defense Consulting - 02/07/2026

As autorizações concedidas pelo governo brasileiro para a exportação de produtos de defesa somaram US$ 1,815 bilhão no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 29% em relação aos US$ 1,404 bilhão registrados no mesmo período de 2025. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (1º de julho) pela Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), do Ministério da Defesa, e confirma a trajetória de expansão acelerada da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira nos últimos anos.

Segundo o Ministério da Defesa, os produtos nacionais de defesa já chegam a 150 países, comercializados por 130 empresas exportadoras. Entre os itens mais vendidos estão aeronaves e suas partes e peças, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia de elevado valor agregado e alto conteúdo tecnológico.

A leitura do governo
Para o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, o resultado do semestre reflete um esforço coordenado e contínuo da pasta para fortalecer a presença internacional da BID. Segundo ele, o crescimento foi impulsionado por uma série de iniciativas conduzidas pela Seprod, entre elas a promoção comercial da indústria brasileira no exterior.

“As visitas oficiais conduzidas pelo ministro José Múcio à Argentina, Suécia, Finlândia e Chile foram fundamentais para ampliar o diálogo de alto nível e abrir novas frentes de cooperação e negócios”, afirmou o secretário.

Menos burocracia, mais financiamento
Além da promoção internacional, o Ministério da Defesa tem atuado para reduzir obstáculos ao comércio exterior por meio de ações voltadas diretamente aos exportadores. Entre elas estão eventos técnicos, como o webinário sobre os impactos da reforma tributária no comércio exterior, e a articulação com instituições financeiras para ampliar linhas de financiamento, seguros e garantias às exportações.

“Avançamos em diversas iniciativas estruturantes, como o aprimoramento dos mecanismos de financiamento, a intensificação da promoção comercial em feiras e encontros com a indústria, a publicação da portaria que regulamenta as exportações na modalidade governo a governo e o lançamento do catálogo de produtos de defesa, que confere maior visibilidade às capacidades nacionais”, disse Heraldo Rodrigues.

A portaria mencionada pelo secretário é a GM-MD nº 1.456, publicada em março, que disciplina a atuação do Ministério da Defesa em operações de exportação e de serviços técnicos relacionados a produtos nacionais, com participação de empresas estatais vinculadas em negociações do tipo governo a governo (G2G), modelo já utilizado por potências como Estados Unidos e França e empregado na compra dos caças Gripen pelo Brasil junto ao governo sueco. Já o catálogo de produtos da BID, lançado em março com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, reúne 154 empresas e 364 produtos cadastrados, entre embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento.

O que vem no segundo semestre
Heraldo Rodrigues destacou que, para o segundo semestre, está planejada a realização de uma missão empresarial a mercados prioritários, em articulação com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), com o objetivo de dar continuidade ao ritmo positivo e consolidar novas oportunidades para a indústria de defesa brasileira no cenário internacional.

A Seprod mantém ainda parcerias estratégicas com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ApexBrasil, a Abimde, o Simde, a ABGF, o BNDES e o Banco do Brasil, instituições que a pasta considera essenciais para a construção de um ambiente favorável às exportações.

Uma trajetória de recordes
O resultado do primeiro semestre se soma a uma sequência de recordes anuais nas autorizações de exportação de produtos e serviços de defesa: US$ 1,45 bilhão em 2023, US$ 1,78 bilhão em 2024 e US$ 3,4 bilhões em 2025, o melhor desempenho em pelo menos onze anos. Já no primeiro trimestre deste ano, as vendas externas haviam mais que dobrado na comparação anual, somando US$ 1,02 bilhão ante US$ 457 milhões no mesmo intervalo de 2025.

O setor de defesa responde hoje por cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por perto de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo dados do Ministério da Defesa. O governo lembra que o Brasil já foi o oitavo maior exportador mundial de produtos de defesa nos anos 1980 e afirma ter potencial para voltar a ocupar posição de destaque em um mercado internacional que movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão por ano.

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