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06 outubro, 2026

Agrale amplia aposta em ônibus a gás na Argentina e se posiciona para a renovação da frota a partir de 2027

Acordo de longo prazo com a Hexagon Agility prevê mais de 400 novos ônibus a GNV, após uma primeira encomenda de 108 sistemas, enquanto Buenos Aires prepara a substituição gradual do diesel por gás natural e eletricidade



*LRCA Defense Consulting - 06/10/2026

A Agrale Argentina deu um passo relevante para ampliar sua presença no processo de renovação do transporte coletivo argentino. A empresa de origem brasileira e a Hexagon Agility firmaram um acordo de longo prazo para equipar mais de 400 novos ônibus movidos a gás natural veicular (GNV), ampliando uma parceria que, em maio de 2026, havia resultado na encomenda de 108 sistemas de combustível para ônibus urbanos.

O movimento ganha importância porque ocorre às vésperas de uma mudança regulatória em Buenos Aires. A partir de 1º de janeiro de 2027, os ônibus zero quilômetro registrados para os serviços de transporte coletivo sob jurisdição da cidade deverão utilizar gás natural comprimido ou propulsão elétrica. Os veículos a diesel atualmente habilitados poderão continuar em operação até atingirem a idade máxima regulamentar.

Mais do que uma encomenda isolada, portanto, a parceria coloca a Agrale diante de um mercado que tende a acelerar a substituição de uma frota ainda fortemente dependente do diesel. Segundo dados divulgados pelas próprias empresas, mais de 97% dos ônibus da capital argentina ainda utilizam esse combustível.

De 108 para mais de 400 ônibus em poucos meses 
A primeira grande encomenda da Hexagon Agility para o transporte coletivo argentino foi anunciada em 27 de maio de 2026. O contrato previa o fornecimento de 108 sistemas de GNV para ônibus da Agrale Argentina, com entrada em serviço em Buenos Aires a partir do segundo semestre.

Em 14 de setembro, menos de quatro meses depois, as empresas anunciaram a nova etapa: mais de 400 ônibus adicionais e um acordo de longo prazo. A Hexagon descreveu o movimento como uma expansão significativa da parceria e vinculou-o ao crescimento do transporte público movido a gás natural na Argentina e, potencialmente, em outros mercados da região.

Há uma cautela importante na interpretação dos números. O anúncio confirma o acordo entre Agrale e Hexagon para equipar mais de 400 veículos, mas não identifica os operadores finais, o valor envolvido nem a distribuição das unidades por cidades. Assim, não é adequado interpretar automaticamente o número como mais de 400 ônibus já vendidos e entregues a empresas de transporte.

Produção argentina com capital brasileiro 
Outro aspecto relevante é o caráter industrial da operação. A Agrale não atua no mercado argentino apenas como exportadora de veículos produzidos no Brasil. Sua fábrica de Mercedes, na província de Buenos Aires, produz chassis para ônibus, caminhões leves e tratores.

Em agosto de 2026, durante visita do ministro dos Transportes da província de Buenos Aires, Martín Marinucci, o governo provincial informou que a companhia possui três fábricas no Brasil e uma na Argentina e que, desde sua instalação no país vizinho, produziu e comercializou mais de 9 mil unidades destinadas ao transporte de passageiros, muitas delas fabricadas e desenvolvidas localmente.

Gabriel Ruggiero, diretor comercial da Agrale Argentina, destacou justamente essa característica ao anunciar a parceria ampliada com a Hexagon. Segundo ele, a produção nacional permite responder com maior rapidez às demandas específicas dos operadores argentinos.

Buenos Aires cria um mercado para GNV e eletricidade 
O cenário regulatório ajuda a explicar por que a escala do negócio aumentou tão rapidamente. A Resolução 111/SECT/25 da Secretaria de Transporte de Buenos Aires determinou que, a partir de janeiro de 2027, novos ônibus incorporados ao sistema deverão utilizar GNC, denominação argentina para o gás natural comprimido, ou propulsão elétrica.

A medida não determina a retirada imediata dos ônibus a diesel. Ela atua sobre a renovação da frota: à medida que veículos antigos forem substituídos, o diesel deixará de ser uma opção para as novas unidades abrangidas pela regulamentação.

Isso abre uma disputa tecnológica interessante. A eletrificação oferece operação local sem emissões pelo escapamento, mas exige investimentos em veículos, infraestrutura de recarga, rede elétrica e gestão energética. O ônibus a gás, por sua vez, utiliza uma tecnologia de combustão já madura e pode aproveitar a extensa infraestrutura argentina de gás natural, embora não seja uma solução de emissão zero quando abastecido com gás fóssil.

A infraestrutura começa a acompanhar os veículos 
O governo argentino também vem atualizando a regulamentação para permitir que a infraestrutura de abastecimento acompanhe o avanço dos veículos pesados a gás. Em abril de 2026, o ENARGAS aprovou a nova Norma NAG-420, que estabelece requisitos para ampliar a habilitação de instalações destinadas ao abastecimento de veículos pesados.

Essa questão é decisiva. A adoção de centenas de ônibus exige instalações capazes de abastecer grandes frotas dentro das janelas operacionais das garagens, algo bastante diferente do abastecimento convencional de automóveis.

Tecnologia de cilindros reduz o peso do sistema 
A Hexagon Agility fornece sistemas que utilizam cilindros Tipo 4, construídos com materiais compostos e fibra de carbono. A redução de peso em relação aos reservatórios metálicos tradicionais é especialmente relevante para ônibus, nos quais a massa do sistema de armazenamento interfere na capacidade de passageiros, na autonomia e nos limites de carga por eixo.

A parceria também se insere em uma cadeia tecnológica mais ampla. Desde 2025, a FPT Industrial fornece à Agrale o motor N60 CNG para o chassi MA 11.0 GNV. O propulsor, de 200 cv e 750 Nm, pode funcionar com gás natural ou biometano, permitindo que a mesma arquitetura veicular utilize futuramente combustível renovável sem exigir a substituição integral do sistema de propulsão.

Gás natural como alternativa de transição 
A Argentina reúne condições particularmente favoráveis para essa solução. O País possui grandes reservas de gás natural, produção crescente e uma rede de GNV desenvolvida ao longo de décadas. Para operadores de transporte, isso pode reduzir a barreira de entrada quando comparada a uma eletrificação integral da frota.

O benefício ambiental, entretanto, deve ser analisado com cuidado. O gás natural fóssil continua emitindo dióxido de carbono e a cadeia precisa controlar eventuais emissões fugitivas de metano. Sua vantagem aumenta quando substitui motores diesel mais antigos e cresce substancialmente quando o combustível utilizado é biometano.

Por isso, GNV e eletrificação não precisam necessariamente ser vistos como soluções excludentes. Dependendo da cidade, das rotas, da infraestrutura e da disponibilidade energética, diferentes tecnologias podem coexistir durante a transição.

Uma oportunidade que pode ultrapassar Buenos Aires 
O interesse argentino pelo gás no transporte pesado não está restrito à capital. Rosario, por exemplo, avançou em processo para aquisição de 45 ônibus zero quilômetro movidos integralmente a GNV. Não há, até o momento, elementos que permitam associar essas unidades à Agrale, mas o processo demonstra que a demanda por essa tecnologia começa a surgir em outros centros urbanos.

A própria Agrale e a Hexagon afirmam enxergar oportunidades em toda a região. Para a fabricante brasileira, a operação argentina pode funcionar como uma referência industrial importante: desenvolvimento e produção locais, integração com fornecedores internacionais de tecnologia e uma plataforma capaz de operar com gás natural ou biometano.

Isso não significa que o modelo será automaticamente reproduzido em outros países latino-americanos. Preço relativo dos combustíveis, disponibilidade de gás, infraestrutura, subsídios, regras ambientais e custo dos ônibus elétricos variam significativamente entre os mercados. Mas a escala alcançada na Argentina oferece à Agrale uma vitrine concreta para disputar novas oportunidades.

Uma trajetória iniciada antes da atual mudança 
A aposta da Agrale no gás argentino não começou em 2026. Buenos Aires já realizava testes com ônibus de tecnologias limpas anos antes da atual regulamentação. O que muda agora é a escala: uma tecnologia que passou por demonstrações e encomendas iniciais começa a ser incorporada a centenas de veículos justamente quando as regras passam a direcionar a renovação da frota para alternativas ao diesel.

Nesse contexto, o acordo com a Hexagon Agility representa mais do que o fornecimento de reservatórios para ônibus. Ele posiciona uma fabricante brasileira, por meio de sua estrutura industrial argentina, em uma transformação que pode redesenhar parte do transporte coletivo do país vizinho nos próximos anos.

Se a combinação entre disponibilidade de gás, custo operacional, infraestrutura e regulamentação confirmar as expectativas das empresas, os mais de 400 ônibus poderão ser apenas a primeira etapa de uma oportunidade maior. A dimensão real desse mercado, contudo, dependerá da velocidade de renovação das frotas, das decisões dos operadores e da competição crescente com os ônibus elétricos.

02 julho, 2026

Exportações de defesa do Brasil sobem quase 30% no primeiro semestre

Autorizações somam US$ 1,815 bilhão entre janeiro e junho; Ministério da Defesa credita o avanço a viagens oficiais, novo modelo de negociação governo a governo e catálogo de produtos lançado neste ano

 

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LRCA Defense Consulting - 02/07/2026

As autorizações concedidas pelo governo brasileiro para a exportação de produtos de defesa somaram US$ 1,815 bilhão no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 29% em relação aos US$ 1,404 bilhão registrados no mesmo período de 2025. O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (1º de julho) pela Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), do Ministério da Defesa, e confirma a trajetória de expansão acelerada da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira nos últimos anos.

Segundo o Ministério da Defesa, os produtos nacionais de defesa já chegam a 150 países, comercializados por 130 empresas exportadoras. Entre os itens mais vendidos estão aeronaves e suas partes e peças, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia de elevado valor agregado e alto conteúdo tecnológico.

A leitura do governo
Para o secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, o resultado do semestre reflete um esforço coordenado e contínuo da pasta para fortalecer a presença internacional da BID. Segundo ele, o crescimento foi impulsionado por uma série de iniciativas conduzidas pela Seprod, entre elas a promoção comercial da indústria brasileira no exterior.

“As visitas oficiais conduzidas pelo ministro José Múcio à Argentina, Suécia, Finlândia e Chile foram fundamentais para ampliar o diálogo de alto nível e abrir novas frentes de cooperação e negócios”, afirmou o secretário.

Menos burocracia, mais financiamento
Além da promoção internacional, o Ministério da Defesa tem atuado para reduzir obstáculos ao comércio exterior por meio de ações voltadas diretamente aos exportadores. Entre elas estão eventos técnicos, como o webinário sobre os impactos da reforma tributária no comércio exterior, e a articulação com instituições financeiras para ampliar linhas de financiamento, seguros e garantias às exportações.

“Avançamos em diversas iniciativas estruturantes, como o aprimoramento dos mecanismos de financiamento, a intensificação da promoção comercial em feiras e encontros com a indústria, a publicação da portaria que regulamenta as exportações na modalidade governo a governo e o lançamento do catálogo de produtos de defesa, que confere maior visibilidade às capacidades nacionais”, disse Heraldo Rodrigues.

A portaria mencionada pelo secretário é a GM-MD nº 1.456, publicada em março, que disciplina a atuação do Ministério da Defesa em operações de exportação e de serviços técnicos relacionados a produtos nacionais, com participação de empresas estatais vinculadas em negociações do tipo governo a governo (G2G), modelo já utilizado por potências como Estados Unidos e França e empregado na compra dos caças Gripen pelo Brasil junto ao governo sueco. Já o catálogo de produtos da BID, lançado em março com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, reúne 154 empresas e 364 produtos cadastrados, entre embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento.

O que vem no segundo semestre
Heraldo Rodrigues destacou que, para o segundo semestre, está planejada a realização de uma missão empresarial a mercados prioritários, em articulação com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) e o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), com o objetivo de dar continuidade ao ritmo positivo e consolidar novas oportunidades para a indústria de defesa brasileira no cenário internacional.

A Seprod mantém ainda parcerias estratégicas com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ApexBrasil, a Abimde, o Simde, a ABGF, o BNDES e o Banco do Brasil, instituições que a pasta considera essenciais para a construção de um ambiente favorável às exportações.

Uma trajetória de recordes
O resultado do primeiro semestre se soma a uma sequência de recordes anuais nas autorizações de exportação de produtos e serviços de defesa: US$ 1,45 bilhão em 2023, US$ 1,78 bilhão em 2024 e US$ 3,4 bilhões em 2025, o melhor desempenho em pelo menos onze anos. Já no primeiro trimestre deste ano, as vendas externas haviam mais que dobrado na comparação anual, somando US$ 1,02 bilhão ante US$ 457 milhões no mesmo intervalo de 2025.

O setor de defesa responde hoje por cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e por perto de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo dados do Ministério da Defesa. O governo lembra que o Brasil já foi o oitavo maior exportador mundial de produtos de defesa nos anos 1980 e afirma ter potencial para voltar a ocupar posição de destaque em um mercado internacional que movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão por ano.

07 abril, 2026

O "Touro Bravo" digitalizado: como a Agrale Marruá se tornou o coração tecnológico do SISFRON

Viaturas 4x4 de fabricação gaúcha são transformadas em centros de inteligência móveis pela Embraer e pela Modirum | Gespi para vigiar os 16 mil quilômetros da fronteira brasileira



*LRCA Defense Consulting - 07/04/2026

Em meados de 2025, doze jipes militares saíram do Arsenal de Guerra de São Paulo em direção ao Pantanal e à fronteira oeste do Brasil. À primeira vista, pareciam viaturas táticas convencionais. Por dentro, eram outra coisa: centros de comando digitais sobre rodas, equipados com rádios criptografados, sistemas de dados e infraestrutura de comunicações capaz de conectar um soldado na selva ao quartel-general de uma brigada a centenas de quilômetros de distância.

Essas viaturas são a Agrale Marruá, o jipe 4x4 produzido em Caxias do Sul (RS) que, após mais de duas décadas de serviço nas Forças Armadas brasileiras, vive hoje sua mais ambiciosa transformação e está no centro de um dos maiores programas de defesa do país: o SISFRON.


O programa e a fronteira em risco
O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) é um programa estratégico do Exército Brasileiro cujo propósito é fortalecer a presença e a capacidade de monitoramento e de ação do Estado na faixa de fronteira terrestre, potencializando a atuação dos entes governamentais responsáveis pela área. Com fronteiras que tocam dez países e cobrem alguns dos territórios mais remotos e permeáveis do continente, como o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado, o desafio logístico e tecnológico é imenso.

O SISFRON foi concebido não apenas como um "sistema de sensores", mas como uma arquitetura completa de comando, controle, comunicações, computação e inteligência (C4I), integrando radares, sistemas optrônicos, redes de dados e centros de operações militares.

É dentro dessa arquitetura que a Marruá encontrou novo propósito.

O "Touro Bravo" que virou laboratório tecnológico
Produzida desde 2004 pela Agrale em Caxias do Sul, a Marruá foi aprovada pelo Exército Brasileiro em 2005 e hoje é usada por forças armadas de pelo menos sete outros países, incluindo Argentina, Equador, Namíbia, Paraguai, Suriname e Emirados Árabes Unidos, com exportações recentes para Malásia e Uruguai. Seu nome reflete sua vocação: resistência em terrenos extremos.

No âmbito do SISFRON, o Exército recebeu novos Marruás dos modelos AM 23 (¾ tonelada) e AM 31 (1½ tonelada), entregues inicialmente no Arsenal de Guerra de São Paulo, onde receberam equipamentos modernos voltados para comunicações especializadas. A transformação é cirúrgica: o chassi gaúcho permanece; a inteligência embarcada é nova.


A Embraer como integradora: escala e profundidade
A grande responsável pela transformação industrial das Marruás no SISFRON é a Embraer Defesa & Segurança. Como integradora principal do Projeto de Sensoriamento e Apoio à Decisão 2 (SAD 2), a Embraer conta com subcontratadas como a RF COM Ltda, de São José dos Campos, responsável por converter viaturas de transporte não especializadas em Nós de Acesso e Postos de Comando, e a ITURRI Brasil, de Atibaia, encarregada dos Postos Rádio.

Segundo informações institucionais, a Embraer já superou a marca de 50 soluções veiculares entregues ao programa, incluindo viaturas de comunicações, centros móveis, postos de comando e outras plataformas especializadas.

Além das Marruás, a empresa entregou algo mais pesado. Os Centros de Comando e Controle (CC2) fornecidos pela Embraer integram rádios táticos de longo, médio e curto alcance, enlaces de dados, comunicações satelitais e redes IP que permitem voz, dados e vídeo com camadas de segurança compatíveis com os requisitos militares. Esses sistemas são instalados em caminhões 6x6, que funcionam como quartéis-generais digitais móveis posicionados nas regiões mais críticas da fronteira.

Ao todo, 15 unidades de CC2 deverão ser entregues nesta fase, compondo uma malha de centros móveis capazes de apoiar diretamente os comandos na região oeste, área crítica para o combate a crimes transnacionais, contrabando e tráfico de drogas.

A Modirum | Gespi e o nicho de alta tecnologia
Em paralelo à atuação da Embraer em escala industrial, a Modirum | Gespi tem emergido como um ator de nicho na modernização eletrônica de plataformas militares. A empresa adquiriu participação majoritária na Ocellott, uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) brasileira reconhecida por sua excelência em engenharia eletrônica complexa, com o objetivo de consolidar capacidades críticas sob um único teto e acelerar a entrega de sistemas de defesa totalmente integrados.

O portfólio da Modirum | Gespi abrange sistemas de Comando & Controle, comunicações e energia, além de plataformas aéreas autônomas. A empresa promove a integração de inteligência artificial para processamento de imagens e sinais, bem como suporte a VANTs e sistemas autônomos, capacidades que se alinham diretamente à arquitetura C4I do SISFRON.

Recentemente, a empresa divulgou em seu perfil na rede social LinkedIn a entrega de um lote de viaturas Marruá modernizadas ao SISFRON, informação que, embora ainda não confirmada por fontes militares oficiais independentes, aponta para uma participação crescente da empresa no programa.


Complementaridade, não concorrência
A divisão de trabalho entre as duas empresas é menos uma disputa e mais uma complementaridade estrutural. Enquanto a Embraer opera como integradora sistêmica  responsável pela rede, pelo volume de viaturas e pela entrega de centros de comando de grande porte, a Modirum | Gespi se posiciona em modernizações de alta especificidade tecnológica, como a inserção de camadas de IA e eletrônica avançada em plataformas específicas.

Juntas, as soluções embarcadas permitem que uma única viatura atenda às demandas de comunicações táticas, estratégicas ou logísticas, conforme o contexto da missão, otimizando recursos, aumentando a mobilidade das tropas e garantindo maior eficiência operacional, especialmente em regiões desafiadoras como o Pantanal e as áreas de fronteira oeste.

O horizonte
O SISFRON continua em expansão. A Fase 2 do programa amplia a experiência da Fase 1, centrada no Mato Grosso do Sul, para novos setores da fronteira, com a entrega de dezenas de viaturas táticas de comunicações e múltiplos centros de comando. O programa integra o Novo PAC do governo federal, no eixo Inovação e Indústria da Defesa, o que garante continuidade de investimentos.

Para o "Touro Bravo" de Caxias do Sul, o futuro é digital. Cada novo lote entregue representa não apenas mais um veículo nas fronteiras, mas um nó a mais em uma rede de vigilância que o Brasil vem construindo, tijolo a tijolo ou, neste caso, viatura a viatura.

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