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17 setembro, 2026

Colt CZ Group dobra o EBITDA no primeiro semestre e reforça o valor da participação da CBC

Com receita de CZK 15,9 bilhões (+44,2%) e EBITDA ajustado de CZK 4,6 bilhões (+95,1%) no primeiro semestre de 2026, o grupo tcheco-americano eleva o guidance anual e confirma que a estratégia de integração vertical, da nitrocelulose à arma acabada, está produzindo resultados sem precedentes. Para a CBC, segunda maior acionista com 19,52% do capital, cada ponto percentual de margem conquistado pelo grupo é um evento financeiro direto.



*LRCA Defense Consulting - 17/09/2026

Um semestre histórico
O Colt CZ Group divulgou, em 17 de setembro de 2026, seus resultados consolidados não auditados referentes ao primeiro semestre encerrado em 30 de junho. Os números confirmam uma aceleração estrutural, não conjuntural, do grupo: a receita total atingiu CZK 15,9 bilhões, crescimento de 44,2% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o EBITDA ajustado chegou a CZK 4,6 bilhões, praticamente o dobro (+95,1%) do registrado na primeira metade do ano anterior. O lucro líquido avançou 72,7%, para CZK 1,6 bilhão.

A performance justificou a revisão do guidance para o ano inteiro. O grupo agora projeta receitas de CZK 31,0 a 33,0 bilhões e EBITDA ajustado entre CZK 8,0 e 8,5 bilhões, o teto superior cresceu em relação à orientação anterior. Na avaliação do CEO Radek Musil, o resultado valida a estratégia de longo prazo de construir um grupo verticalmente integrado e geograficamente diversificado. "Todos os nossos segmentos tiveram bom desempenho", afirmou Musil ao apresentar os números. "Entramos no segundo semestre com um alto nível de receitas esperadas já cobertas por pedidos confirmados."

O que chama atenção não é apenas o volume de crescimento, mas a qualidade dele: a margem de EBITDA ajustado passou de 33,0% no primeiro semestre de 2025 para 28,9% no primeiro semestre de 2026, aparente contração, mas decorrente da diluição natural causada pelo peso da receita de armas de fogo no mix, segmento de margens inferiores às de munição e energéticos. Isolados, os dois segmentos de maior valor agregado entregaram margens de 33,2% e 54,5%, respectivamente, ambas superiores às do período anterior.

Resultados consolidados: H1 2025 vs H1 2026

Colt CZ Group SE: demonstração de resultados resumida

Indicador

H1 2025

H1 2026

Variação

Receita total

CZK 11,0 bi

CZK 15,9 bi

+44,2%

EBITDA ajustado

CZK 2,4 bi

CZK 4,6 bi

+95,1%

Lucro líquido

CZK 0,95 bi

CZK 1,6 bi

+72,7%

Segmento armas de fogo — receita

CZK 5,8 bi

CZK 8,0 bi

+37,4%

Segmento munição — receita

CZK 5,2 bi

CZK 4,9 bi

-5,0%

Segmento munição — margem EBITDA aj.

26,5%

33,2%

+6,7 p.p.

Segmento energéticos — receita

CZK 2,6 bi*

CZK 3,0 bi

+14,3%*

Segmento energéticos — margem EBITDA aj.

—

54,5%

—

*Base proforma. Fonte: Colt CZ Group SE, comunicado de 17/09/2026

Os três motores do crescimento
O resultado do primeiro semestre é sustentado por três vetores distintos, cada um com dinâmica própria.

Armas de fogo: o segmento cresceu 37,4% em receita, para CZK 8,0 bilhões, apesar do avanço modesto de 0,6% no número de unidades vendidas (291.724 armas). O que explica a discrepância é o mix: mais contratos militares e de segurança pública (M&LE), que pagam preços superiores aos do mercado comercial. Colt Canada foi o protagonista do período, com contratos de fornecimento de rifles C7/C8 para as Forças Armadas canadenses (30.000 unidades entre 2026 e 2029) e entregas ao Ministério da Defesa dinamarquês. O crescimento da receita canadense foi de 271% na comparação anual. A Colt também assegurou novo contrato de rifles M4 para clientes estrangeiros por meio do programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS) dos Estados Unidos.

Munição: a receita caiu 5,0%, para CZK 4,9 bilhões, em razão da redução das entregas no âmbito da iniciativa tcheca de munições para a Ucrânia e do impacto das tarifas norte-americanas sobre as importações, que deslocou parte das entregas para o mercado europeu. Esse dado, isolado, poderia sugerir fraqueza. Mas a margem de EBITDA ajustado saltou de 26,5% para 33,2%, sinal de que o segmento está vendendo menos volume e faturando mais por unidade, priorizando contratos de maior valor agregado. A Sellier & Bellot conquistou novos pedidos na Espanha, Polônia, Romênia, Croácia e Estônia, além de fornecimentos pela NSPA (NATO Support and Procurement Agency).

Energéticos: o segmento mais novo e mais lucrativo do grupo entregou CZK 3,0 bilhões em receita e margem de EBITDA ajustado de 54,5%, a mais alta do grupo pelo segundo trimestre consecutivo. A Synthesia Nitrocellulose, adquirida em janeiro de 2026, é um dos maiores fabricantes de nitrocelulose energética da Europa e da América do Norte, matéria-prima essencial para propelentes de munição de todos os calibres. O grupo projeta que o segmento de energéticos representará cerca de 16% da receita total e aproximadamente um terço do EBITDA ajustado ao longo de 2026.

O único vetor negativo foi o mercado comercial norte-americano: a receita dos Estados Unidos caiu 12,7%, para CZK 3,5 bilhões, combinando a fraqueza da demanda civil com o impacto das tarifas de importação. O grupo adota como estratégia de mitigação o controle de custos e o lançamento de novos produtos, incluindo a nova divisão Colt Optics, além da reorientação de parte do volume para o mercado europeu.

O que os números significam para a CBC
A CBC Europe S.à r.l. detém, desde 6 de janeiro de 2026, 19,52% do capital registrado e 19,60% dos direitos de voto do Colt CZ Group, posição que a mantém como segunda maior acionista e confere ao grupo brasileiro assento no conselho de supervisão. Cada ponto percentual de crescimento do grupo tcheco-americano tem, portanto, implicação financeira direta e mensurável para a CBC.

O mecanismo é duplo. O primeiro é a valorização patrimonial da participação: à medida que o Colt CZ Group eleva receitas, margens e lucros, o valor de mercado do grupo tende a se apreciar, e a fatia da CBC acompanha esse movimento. O segundo é o fluxo de dividendos: o conselho do grupo propôs, para o exercício de 2026, dividendo de CZK 30 por ação, sujeito à aprovação em assembleia. Com 12.227.843 ações em carteira, a CBC receberá, se aprovado, cerca de CZK 366,8 milhões apenas a título de dividendos, sem considerar eventuais ajustes derivados do desempenho do segundo semestre.

O resultado do primeiro semestre sugere que o desempenho anual pode superar o teto do guidance revisado. O grupo declarou operar com "alto nível de receitas esperadas já cobertas por pedidos confirmados" ao entrar no segundo semestre, linguagem que, no vocabulário de relações com investidores, sinaliza confiança acima da média na entrega dos números projetados. Se o guidance de CZK 8,0 a 8,5 bilhões de EBITDA ajustado se materializar, o segundo semestre precisará entregar entre CZK 3,4 e 3,9 bilhões, meta plausível dado que o segundo semestre costuma ser mais forte em contratos M&LE.

Para a CBC, há ainda um terceiro vetor de impacto, ainda latente, mas em maturação: o fornecimento de componentes e insumos ao Colt CZ Group por empresas do próprio ecossistema brasileiro. A Taurus Armas, controlada indiretamente pela CBC Global Ammunition, possui tecnologia de metal injection molding (MIM) exclusiva no Hemisfério Sul, e cada arma produzida pelo grupo tcheco pode conter até 14 peças fabricadas por esse processo. Negociações avançadas entre a Česká zbrojovka e a Taurus foram sinalizadas pela visita de executivos tchecos a São Leopoldo em maio de 2025. Se um contrato formal de fornecimento se concretizar, a CBC passará a capturar valor não apenas como acionista do grupo, mas como integrante de sua cadeia produtiva.

Impacto financeiro estimado da participação da CBC no Colt CZ Group (2026)

CBC Europe S.à r.l. - participação de 19,52% no Colt CZ Group

Item

Base de cálculo

Estimativa para a CBC

Participação no capital

19,52% de 62.637.242 ações

12.227.843 ações

Dividendo proposto (CZK 30/ação)

12.227.843 × CZK 30

~CZK 366,8 milhões

Guidance EBITDA 2026 (teto)

CZK 8,5 bi × 19,52%

~CZK 1,66 bilhão (proporcional)

Guidance receita 2026 (teto)

CZK 33,0 bi × 19,52%

~CZK 6,44 bilhões (proporcional)

Nota: os valores proporcionais não representam receita da CBC, mas a parcela do resultado consolidado do Colt CZ Group atribuível à sua participação acionária. Fonte: elaboração LRCA com base nos dados do Colt CZ Group SE.

O MoU com a Frankenburg e a camada adicional de crescimento
Os resultados do primeiro semestre foram divulgados no mesmo dia em que este veículo reportava o Memorando de Entendimento assinado pelo Colt CZ Group com a Frankenburg Technologies, empresa estoniana desenvolvedora do Mark I, míssil interceptador de drones com custo estimado em menos de um décimo do preço de um Stinger convencional. O MoU insere o Colt CZ Group, pela primeira vez, no segmento de sistemas de armas guiadas.

A combinação dos dois eventos é relevante para a leitura do que está se construindo. O resultado do H1 2026 demonstra que a base industrial do grupo, especialmente o segmento de energéticos, está operando com margens elevadas e capacidade de absorver novos negócios sem deteriorar a estrutura de custos. O Mark I, propulsionado por motor foguete de combustível sólido, é exatamente o tipo de produto que pode utilizar a nitrocelulose energética da Synthesia como insumo. Se a cadeia produtiva do míssil for integrada ao grupo, o segmento de energéticos, já o mais rentável, teria uma nova fonte de receita de alta margem, em mercado com demanda estruturalmente crescente na Europa.

Para a CBC, o encadeamento é direto: melhores margens no segmento de energéticos elevam o EBITDA consolidado do Colt CZ Group; EBITDA maior amplia a base de distribuição de dividendos e valoriza a participação acionária. O MoU com a Frankenburg não é, portanto, apenas uma notícia de expansão de portfólio do grupo tcheco. É mais uma peça na construção de valor que, ao final da cadeia, chega ao balanço da CBC.

Síntese
O primeiro semestre de 2026 entrega, com clareza matemática, a tese que sustentou a decisão da CBC de trocar a Sellier & Bellot por participação acionária no Colt CZ Group em maio de 2024: um grupo verticalmente integrado, em ciclo de rearmamento global, com três segmentos complementares e margens crescentes vale mais, e distribui mais, do que uma subsidiária isolada, por mais sólida que fosse. Com 19,52% do capital e assento no conselho de supervisão, a CBC não é espectadora desse crescimento. É co-proprietária dele.

O guidance revisado para CZK 31,0 a 33,0 bilhões de receita e CZK 8,0 a 8,5 bilhões de EBITDA ajustado em 2026, lastreado em pedidos confirmados, coloca o Colt CZ Group em trajetória de tornar-se, em valor de EBITDA, um dos maiores grupos de defesa da Europa Central. Para a CBC, isso significa que a decisão de 2024, por vezes questionada nos mercados brasileiros à época, estava muito bem calibrada.

27 março, 2026

A aliança que poucos viram: CBC, Taurus e Colt CZ redefinem o mapa da indústria mundial de armas leves

Grupo tcheco anuncia resultado histórico de CZK 2 bilhões e aprofunda relações operacionais com suas contrapartes sul-americanas 


*LRCA Defense Consulting - 27/03/2026

O Colt CZ Group SE, um dos maiores fabricantes mundiais de armas de fogo e munições, encerrou o exercício de 2025 com resultados financeiros expressivos, consolidando sua trajetória de crescimento iniciada com uma série de aquisições estratégicas ao longo dos últimos anos. Os números, divulgados na última quarta-feira, reforçam também o peso crescente da presença brasileira em sua estrutura acionária e as perspectivas de uma parceria ainda mais profunda com a CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos e com a Taurus Armas S.A.

Lucro quase dobra em um ano
O Colt CZ Group SE anunciou seus resultados financeiros consolidados preliminares não auditados para o exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. O lucro líquido reportado cresceu 95,7%, alcançando CZK 2,044 bilhões, comparado ao mesmo período do ano anterior. A receita total do Grupo chegou a CZK 23,398 bilhões, alta de 4,6% em relação a 2024, dentro da orientação anual divulgada de CZK 23 a 24,5 bilhões.

O CEO do Grupo, Radek Musil, atribuiu o desempenho sobretudo à expansão dinâmica do segmento de munições e à consolidação integral da Sellier & Bellot ao longo de todo o ano de 2025, após ter sido incorporada ao grupo a partir de maio de 2024. Segundo o executivo, o Grupo entrou em 2026 com uma sólida carteira de pedidos e foco claro na integração de ativos recém-adquiridos e na ampliação de capacidade produtiva.

O crescimento do lucro líquido, quase duplicado em um único exercício, é ainda mais notável quando se considera que o segmento de armas de fogo, historicamente o carro-chefe do grupo, enfrentou ventos contrários. O número de armas vendidas recuou 8,7% em relação a 2024, somando 578 mil unidades, impactado pela desaceleração do mercado comercial norte-americano, incluindo a paralisação de seis semanas do governo federal dos Estados Unidos no último trimestre, e pelas menores vendas de produtos da marca Colt.

O segmento que compensou essa queda foi o de munições. A divisão de munições, que reúne a Sellier & Bellot, a swissAA e parcela das operações da Colt CZ Defence Solutions, registrou receita de CZK 11,3 bilhões em 2025, avanço de 62,7% ante o ano anterior, impulsionado pelo desempenho robusto do segmento e pelo efeito da consolidação plena da Sellier & Bellot.

A origem de um novo bloco de poder na indústria de armamento leve
Para compreender a dimensão estratégica dos resultados do Colt CZ Group, é preciso recuar alguns anos. Em fevereiro de 2021, o então CZG-Česká zbrojovka Group anunciou a aquisição de 100% da Colt Holding Company, controladora da Colt's Manufacturing Company e de sua subsidiária canadense, por US$ 220 milhões em dinheiro e ações recém-emitidas da CZG. A operação daria ao grupo combinado uma receita superior a US$ 500 milhões. A Colt, com mais de 175 anos de história e tradição secular no fornecimento a forças militares e policiais norte-americanas, passava a integrar um grupo tcheco com ambições globais.

Três anos depois, foi a vez de a iniciativa vir do Brasil, e a engenharia do negócio merece atenção especial. A CBC Global Ammunition, gigante mundial de munições e controladora da Taurus Armas S.A., era dona de um ativo valioso: a Sellier & Bellot, tradicional fabricante tcheca de munições fundada em 1825 e adquirida pelo grupo brasileiro em 2009. Em dezembro de 2023, foi anunciado o acordo pelo qual a CBC venderia a Sellier & Bellot ao Colt CZ Group, mas não simplesmente por dinheiro. O Colt CZ adquiriu 100% das ações da Sellier & Bellot por uma combinação de US$ 350 milhões em dinheiro e a emissão de 13.476.440 novas ações ordinárias do próprio Colt CZ. O preço total da aquisição somou US$ 703 milhões, excluindo a dívida líquida da Sellier & Bellot. Como resultado, a CBC Europe S.à r.l. passou a deter uma participação de 27,71% no capital do Colt CZ Group. A operação foi concluída em 16 de maio de 2024.

Com isso, a CBC tornou-se o segundo maior acionista do Grupo, atrás apenas do grupo controlador, e um representante seu assumiu assento no conselho de supervisão do grupo tcheco, marcando seu ingresso definitivo na produção de armamento leve no mundo. Em outras palavras: ao vender a Sellier & Bellot, a CBC não saiu do negócio, ela entrou em um negócio muito maior.

O que torna a equação ainda mais poderosa é o fato de que a CBC Global Ammunition, por meio de suas subsidiárias, é também a empresa controladora da Taurus Armas S.A., a maior vendedora de armas leves do mundo, com presença em mais de 100 países.

Altos dirigentes da CZ (Česká zbrojovka) visitaram a Taurus em maio de 2025

Visitas, sinergias e um novo modelo de negócios tomando forma
Desde que a CBC ingressou no capital do Colt CZ Group, as relações entre as três empresas - CBC, Colt CZ e Taurus - deixaram rapidamente o plano acionário e migraram para o operacional.

Após a aquisição, a alta direção da Taurus visitou as sedes da CZ, na República Tcheca, e da Colt CZ, nos Estados Unidos, enquanto a equipe da Colt CZ, por sua vez, esteve em visita à Taurus em São Leopoldo. Durante esses encontros, foram identificadas importantes sinergias entre as duas empresas, capazes de potencializar a produção da fabricante gaúcha.

A primeira sinergia concreta identificada aponta para um novo e promissor filão de negócios para a Taurus. Trata-se da produção de peças em MIM (metal injection molding) e de componentes usinados por processo robótico, a chamada linha Taurus 4.0, para uso em armas fabricadas pelo Grupo Colt CZ. A necessidade da empresa tcheca decorre do fato de não conseguir atender sua demanda com a capacidade produtiva atual, dado o crescimento acelerado dos últimos anos.

Somente duas fábricas de armas no mundo dominam a tecnologia MIM, e a Taurus é a única no Hemisfério Sul. Em uma arma, há cerca de 14 peças fabricadas por esse processo, e a empresa produz hoje mais de 110 mil dessas peças por dia. A unidade de São Leopoldo (RS) é responsável pela fabricação e distribuição de peças MIM para todas as unidades produtivas do grupo no Brasil, nos EUA, na Índia e, provavelmente, em breve na Turquia.

O aprofundamento das relações entre os grupos ficou ainda mais evidente em maio de 2025. No dia 15 daquele mês, a Taurus Armas S.A. recebeu a visita de altos dirigentes da CZ (Česká zbrojovka), com a participação dos executivos Jan Zajíc (CEO), Libor Láznička (COO), Ivan Barančík (Diretor de Desenvolvimento de Investimentos) e David Doležálek (Gerente Sênior CCO). A delegação foi recepcionada pelo CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, acompanhado de seus principais diretores. A visita, que incluiu a nova Taurus Shooting Academy, foi interpretada por analistas do setor como um sinal de que as negociações evoluíram para um nível mais aprofundado, possivelmente envolvendo o fornecimento de peças MIM para todas as unidades do grupo tcheco no mundo.

Na LAAD 2024, a Taurus expôs, pela primeira vez em uma feira do setor, algumas de suas peças com a tecnologia M.I.M.

O que está em jogo: uma nova ordem no mercado global de armamento leve
O panorama que emerge da confluência desses movimentos é inédito na história recente da indústria de defesa. A Taurus é a líder mundial em venda de revólveres e uma das maiores produtoras de pistolas do planeta, sendo também a marca mais importada no exigente mercado norte-americano. Já o Colt CZ Group carrega um dos nomes mais icônicos da história das armas: a marca Colt, com mais de 175 anos de tradição e presença consolidada no segmento de militares e policiais nos EUA e no mundo.

Uma associação entre as marcas Taurus e Colt significaria, no plano prático e simbólico, uma combinação de forças capaz de remodelar o cenário da produção e venda de armamento leve no mundo capitalista, em particular nos Estados Unidos, o maior mercado mundial para armas leves. Para a Taurus, que ainda enfrenta o desafio de se desvincular da imagem de fabricante de "armas de entrada", a associação com a Colt representaria uma virada de posicionamento de enorme valor estratégico.

Uma parceria estratégica entre as duas gigantes poderia abrir para a Taurus a cobiçada porta de entrada no mercado americano de Law Enforcement, no qual o Grupo Colt CZ, e a Colt em especial, já possui participação histórica de primeira linha.

Perspectivas para 2026
Do ponto de vista financeiro, o Colt CZ Group projeta acelerar ainda mais o ritmo de crescimento. Para 2026, o Grupo estima receitas entre CZK 30 e 33 bilhões, com EBITDA ajustado entre CZK 7,4 e 8,2 bilhões, já incluindo a contribuição do novo segmento de energéticos, representado pelas empresas Synthesia Nitrocellulose e Synthesia Power, que deverá responder por cerca de 16% das receitas totais e 32% do EBITDA ajustado.

O Grupo também anunciou a intenção de realizar uma listagem dupla na bolsa Euronext Amsterdam, em adição à sua atual listagem na Bolsa de Valores de Praga, além de um aumento de capital. A aprovação dos acionistas está prevista para 10 de abril de 2026.

Do lado brasileiro, os desdobramentos da parceria entre CBC, Taurus e Colt CZ Group seguem em gestação. O mercado aguarda com atenção o anúncio de contratos formais de fornecimento de peças, além de uma eventual parceria estratégica mais ampla, que analistas do setor de defesa descrevem como um movimento potencialmente disruptivo o suficiente para redefinir quem manda no maior mercado de armas do planeta.

23 agosto, 2024

Colt CZ, importante parceira da CBC/Taurus, expande produção na Hungria

Uma CZ P-10 com marca de fabricação húngara

*Guns.com, por Chris Eger - 23/08/2024

A Colt CZ anunciou que expandirá suas operações tradicionais na Hungria para ajudar a atender à demanda global pelas plataformas de armas de fogo da empresa.

Fundada em 1936, a CZ está há muito tempo sediada na República Tcheca, ou República Tcheca, e só se expandiu para a Hungria na última década. Apesar das diferenças de idioma e cultura, os países compartilham uma longa e frequentemente comum história, incluindo fazer parte do antigo Império Austro-Húngaro e ser membro de uma série de alianças econômicas e militares ao longo dos anos. Hoje, ambos são membros da OTAN e da UE, juntando-se lado a lado em 1999 e 2007, respectivamente.

Foi em conjunto com essas alianças que a CZ, com a bênção do governo tcheco, assinou um acordo de 10 anos e 100 milhões de euros com o governo húngaro em 2018, que permitiu que a empresa de defesa estatal húngara, HM Arzenal, produzisse até 200.000 armas domesticamente sob licença. Os designs que faziam parte desse acordo incluíam carabinas Bren 2 e  Scorpion EVO 3,  bem como pistolas P-07 e P-10 9mm, todas construídas em uma nova fábrica na cidade de Kiskunfélegyháza, a cerca de 70 milhas de Budapeste.

O Colt CZ Group detém uma participação majoritária na operação, com a empresa estatal húngara N7 Holding Ltd mantendo uma participação de 49 por cento. A Colt CZ informa que controla totalmente todas as atividades de produção no local e todos os processos serão supervisionados por especialistas da CZ.

"A planta de produção, localizada em Kiskunfélegyháza, tem uma operação automatizada moderna, incluindo forjamento, perfuração profunda, brunimento, tratamento térmico de metais, testes e medições em túneis de teste", diz a Colt CZ. (Fotos: Colt CZ)

Uma página em inglês mantida pela empresa diz que a fábrica de Kiskunfélegyháza, além de fabricar armas de fogo para o exército húngaro, produz componentes "para as fábricas do Colt CZ Group na República Tcheca, Canadá e EUA".

Além da fábrica, a empresa conta com uma filial da Colt Technology Services em Budapeste, capital da Hungria.

Como nota lateral, é bom ver a fabricação robusta de armas de fogo retornar à Hungria. O país há muito tempo tem uma respeitada tradição de fabricação de armas com empresas húngaras bem conhecidas, incluindo Danuvia e Fegyver- es Gepgyar, ou FEG/FegArmy , com a primeira cessando a produção em 1998 e a última interrompendo suas linhas de armas em 2004. A FEG declarou desde então que planeja reentrar no mercado de armas pequenas, mas seu único produto até agora é o rifle HD-18 , um clone de Dragunov que está em produção de baixa taxa.
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Parceria do Grupo CBC & Grupo Colt CZ irá gerar novos negócios para a Taurus

*LRCA Defense Consulting - 14/08/2024

Após a CBC ter adquirido quase um terço do Grupo Colt CZ neste ano, passando a ser o seu segundo maior acionista, atrás apenas do grupo controlador, a alta direção da Taurus já visitou as sedes da CZ, na República Tcheca, e da Colt CZ, nos Estados Unidos, enquanto que a equipe da Colt CZ, por sua vez, esteve em visita à Taurus, em São Leopoldo. Leia mais em Taurus, CBC e Colt CZ: nasce uma nova gigante mundial de armamento leve

Segundo o que declarou hoje o CEO Global da Taurus Armas, Salesio Nuhs, nas lives de resultados em que participou com a MSX e com a Eleven, durante essas visitas foram encontradas importantes sinergias entre as duas empresas, que podem potencializar a produção da Taurus.

A primeira delas se transformará em um novo e promissor negócio para a multinacional gaúcha, representado pela produção de peças em M.I.M. (metal injection molding) e em peças usinadas por processo robótico (Taurus 4.0) para uso em armas produzidas pelo Grupo Colt CZ.

Tal necessidade da Colt CZ, segundo informações do mercado, é devida ao fato de a empresa não estar conseguindo atender seus clientes por estar lotada de pedidos e não ter como aumentar a produção. Nos últimos anos, cresceu muito e precisa de mais unidades produtivas. Como o Brasil tem mão de obra muito especializada, mas barata (em relação aos EUA e à Europa), e fartura de matéria prima de excelente qualidade, uma parceria com a "sócia" Taurus, empresa de alta tecnologia e reconhecida qualidade, é a melhor solução para esse problema. Além disso, a empresa quer recuperar o prestígio da marca Colt, a mais icônica dos EUA, que estagnou antes de ser adquirida pela CZ.

Com relação à segunda sinergia, Salesio afirmou não poder ainda detalhar o assunto, por questões de sigilo comercial. No entanto, deixou escapar que a Taurus está investindo fortemente em um novo portfólio de produtos militares, havendo um grande projeto mais agressivo em gestação, o que leva esta Consultoria a acreditar que possa dizer respeito ao mercado de Law Enforcement, principalmente dos Estados Unidos.

Ainda com relação à parceria com o Grupo Colt CZ, o CEO Global da Taurus revelou que, no primeiro trimestre de 2025, serão lançadas uma nova família de pistolas para uso policial e militar e uma nova e revolucionária submetralhadora, já nas instalações da novíssima Taurus Shooting Academy, que será também inaugurada e usada como laboratório para esses produtos policiais e militares por meio dos seus 14 estandes de tiro (10 de 50 metros e quatro de 100 metros).

 

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