Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador soberania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador soberania. Mostrar todas as postagens

26 setembro, 2026

Drones um ano depois: Índia avança e Brasil busca escala

Nova Délhi prepara a maior encomenda de drones militares de sua história, com mais de US$ 2 bilhões reservados à indústria local; no mesmo período, o Brasil modernizou regras, testou sistemas nacionais e sinalizou recursos no orçamento, mas segue sem o programa de incentivo capaz de dar escala à BID



*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026

Em setembro de 2025, a LRCA Defense Consulting, em matéria própria, apontou o estado indiano de Tamil Nadu e a política federal de incentivos da Índia como referência para que o Brasil estruturasse uma indústria de drones competitiva, e propôs a criação de um Programa Brasileiro de Incentivo à Produção de Drones (PBID). Doze meses depois, os dois países avançaram em ritmos muito diferentes. 

A Índia passou da fase de fomento para a de compra em larga escala, convertendo as lições do confronto com o Paquistão, em maio de 2025, em contratos, novas regras de aquisição e metas de nacionalização. 

O Brasil também se movimentou, com uma nova regulamentação da ANAC, campanhas de avaliação de drones pelo Exército e uma ação orçamentária que passa a citar os drones de forma explícita. Falta, porém, uma política industrial dedicada ao setor.

A maior encomenda da história indiana 
Em 3 de junho, a agência Reuters revelou que a Índia deverá encomendar à indústria nacional, ainda em 2026, mais de US$ 2 bilhões (acima de 200 bilhões de rúpias) em drones militares de classe tática. A informação partiu de Smit Shah, presidente da Drone Federation India, entidade que reúne mais de 550 empresas e trabalha em estreita colaboração com o governo. Segundo ele, o plano está em estágio avançado, deve seguir um rito de aquisição acelerado (fast track) e prevê entregas em 18 a 24 meses. O valor representa um salto em relação às encomendas recentes de drones táticos, estimadas em 30 bilhões de rúpias (cerca de US$ 313 milhões). O Ministério da Defesa indiano não comentou a reportagem.

Os beneficiários potenciais vão de conglomerados como Adani Group, Larsen & Toubro e Tata Advanced Systems a empresas especializadas e startups como ideaForge, NewSpace Research e Asteria Aerospace, com produtos que cobrem reconhecimento, logística, munições remotamente pilotadas, ataque de precisão e componentes críticos. A motivação é explícita: no conflito de maio de 2025, os dois lados empregaram drones em larga escala, e o episódio expôs lacunas indianas de vigilância e ataque. 

Uma sequência de decisões em poucos meses 

A encomenda bilionária não é um fato isolado. Ela se apoia em uma série de medidas adotadas desde o início do ano:

• Orçamento recorde: o orçamento de defesa para o ano fiscal 2026-27 chegou a 7,85 trilhões de rúpias, alta de cerca de 15%, com 75% das aquisições de capital reservadas a fornecedores nacionais.

• Drone de combate furtivo: em 27 de março, o Conselho de Aquisições de Defesa (DAC) aprovou a compra de 60 aeronaves de ataque remotamente pilotadas do antigo projeto Ghatak, do DRDO, estimada em 390 bilhões de rúpias (aproximadamente US$ 4 bilhões), com meta de 80% de nacionalização.

• Compra descentralizada: em 2 de junho, o ministro Rajnath Singh assinou a nova delegação de poderes financeiros às Forças Armadas, que permite aos comandos adquirir diretamente, com verbas de custeio, drones que dispensam pista e custam até 50 milhões de rúpias por unidade, sem passar pelo ciclo centralizado de investimentos.

• Novas aprovações: em 3 de julho, o DAC autorizou cerca de 520 bilhões de rúpias em aquisições que incluem sistemas antidrone de guerra eletrônica, um drone kamikaze a jato para o Exército, drones embarcados e aeronaves não tripuladas de alta altitude.

• Contratos assinados: em agosto, o governo contratou a Tata Advanced Systems e a NIBE Limited, por 15,77 bilhões de rúpias (cerca de US$ 165 milhões), para fornecer sistemas de munição remotamente pilotada e 840 munições ao Exército.

Em paralelo, a minuta do novo Procedimento de Aquisição de Defesa, divulgada em fevereiro, impede a importação de itens incluídos na Lista Positiva de Nacionalização e cria um caminho específico para drones comerciais de prateleira (commercial off-the-shelf), que podem ser aceitos com base na certificação do fornecedor e em testes de recebimento, sem as longas avaliações de campo. 


A demanda, mais do que o subsídio, mudou o jogo 

A comparação com o cenário de 2025 traz uma lição importante. O esquema de incentivo à produção (PLI) para drones, destacado na reportagem anterior, teve orçamento modesto: 1,2 bilhão de rúpias em três anos. O que transformou a indústria indiana foi a combinação desse estímulo inicial com a proibição de importação de drones prontos, um mercado civil em expansão e, sobretudo, a decisão do Estado de comprar em volume e rapidamente de fornecedores locais.

O ecossistema resultante já soma mais de 600 empresas ligadas a drones, das quais mais de uma centena atua em defesa. O programa iDEX, voltado a startups e pequenas empresas, reunia 676 participantes em março de 2026, e 58 protótipos, avaliados em 38,5 bilhões de rúpias, receberam autorização de compra. A dependência de componentes chineses (motores, sensores e sistemas de imagem) continua sendo o ponto fraco reconhecido pelo próprio governo, que estabeleceu a meta de produzir no país ao menos 40% dos componentes-chave até o ano fiscal de 2028, com apoio de crédito barato do banco estatal SIDBI. A imprensa indiana também noticiou a preparação de um novo esquema quinquenal de incentivo à manufatura de drones, da ordem de 100 bilhões de rúpias, cuja implantação ainda não aparece confirmada nas fontes consultadas.

O Brasil também saiu do lugar 
Do lado brasileiro, o ano trouxe avanços concretos, alguns deles alinhados às propostas feitas pela LRCA em 2025:

• Nova regulamentação: a ANAC aprovou o RBAC 100 pela Resolução nº 805, em vigor desde 16 de junho, substituindo o RBAC-E 94. As operações passaram a ser classificadas por risco (categorias Aberta, Específica e Certificada), e não mais pelo peso da aeronave. O Decea complementou o marco com a ICA 100-40, sobre acesso ao espaço aéreo, e a ICA 100-48, sobre gerenciamento de tráfego não tripulado, ambas vigentes desde 1º de julho.

• Certificações nacionais: o Harpia, da Advanced Technologies Security & Defense (AdTech SD), recebeu Autorização de Projeto da ANAC em abril, habilitando sua produção em série; em setembro, o Nauru 100D, da XMobots, foi autorizado a operar até 30 quilômetros de alcance e 6 mil pés de altitude, de dia e à noite.

• Avaliação pelo Exército: entre 22 de junho e 3 de julho, a Diretoria de Fabricação conduziu uma campanha de pré-qualificação de drones lançadores de munição e de sistemas de munições remotamente pilotadas. Das 84 propostas submetidas por empresas da BID, 32 chegaram aos testes práticos e sete estavam qualificadas até 30 de junho; um segundo edital foi publicado em agosto. Entre os pré-qualificados figura a Vultis, startup criada por estudantes da UFSC em Joinville (SC).

• Espaço fiscal: a lei complementar que exclui até R$ 30 bilhões em investimentos de defesa do arcabouço fiscal, ao longo de seis anos, permitiu ao Exército projetar cerca de R$ 3 bilhões anuais para seus programas estratégicos entre 2026 e 2031.

• Sinal orçamentário: o PLOA 2027 reserva R$ 520 milhões à ação Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones e R$ 467 milhões ao Sisfron. A primeira ação não se destina apenas a drones e o projeto ainda depende de aprovação no Congresso, mas é a primeira vez que o termo aparece no título de uma das maiores ações de investimento da Força Terrestre.

• Sinal político: em 8 de setembro, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou ao Metrópoles que as Forças Armadas investirão fortemente em drones para reforçar a vigilância das fronteiras, onde atuam cerca de 20 mil militares, e citou a Ucrânia, a China e a Turquia como referências.

Somam-se a isso a inclusão de drones de impacto na lista de Produtos Estratégicos de Defesa, em agosto, e a Política de Inteligência Artificial do Ministério da Defesa, instituída pela Portaria GM-MD nº 4.360, de 24 de agosto, que trata da redução da dependência tecnológica, tema diretamente ligado à soberania sobre o software embarcado.

O que continua no solo 
Apesar dos avanços, o diagnóstico de 2025 permanece essencialmente válido. Em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado, em 8 de setembro, convocada a pedido do senador Marcos Pontes (PL-SP) para discutir um Programa Nacional de Drones, foi informado que o País já tem 177 mil drones cadastrados na ANAC e registra cerca de 10 mil novos equipamentos por mês. A representante da Secretaria Nacional de Aviação Civil, Júlia Lopes da Silva Nascimento, listou os entraves: carga tributária elevada, falta de incentivos à cadeia produtiva, escassez de mão de obra especializada, pouco fomento à pesquisa, crédito restrito e ausência de uma estratégia nacional para o setor.

O presidente da ABDrone, Pedro Curcio Júnior, defendeu redução de impostos sobre equipamentos e componentes, apoio a pequenos empreendedores e integração entre ANAC, Decea e Anatel. Pela Força Aérea, o major-brigadeiro do ar Frederico Casarino tratou o desenvolvimento de drones nacionais como questão de soberania, resumindo a posição da FAB na frase "o melhor parceiro do Brasil é o próprio Brasil". Pontes anunciou a intenção de propor um marco legal para o setor e de criar uma frente parlamentar.

Em outras palavras, o Brasil ainda não criou um programa de incentivo à produção, um conselho nacional que articule governo, empresas e universidades, nem uma encomenda plurianual com volumes definidos. A diferença de escala é evidente: enquanto a Índia prepara um pacote superior a US$ 2 bilhões apenas para drones táticos, a principal ação brasileira que menciona drones soma R$ 520 milhões e é compartilhada com a Aviação do Exército. 


Lições para dinamizar a BID 

A experiência indiana dos últimos doze meses permite atualizar a agenda proposta em 2025, deslocando o foco do subsídio para a demanda:

• Encomenda firme e previsível: mais do que incentivos fiscais, a indústria precisa de um horizonte de compras. Um plano plurianual de aquisição de sistemas não tripulados, com quantidades e categorias definidas, daria às empresas a segurança para investir em linhas de produção, a exemplo do que o pedido de 60 aeronaves Ghatak fez pela cadeia indiana.

• Rito de aquisição compatível com a tecnologia: drones táticos envelhecem em meses. A pré-qualificação do Exército é um bom primeiro passo, mas precisa desembocar em compras experimentais por lotes e, possivelmente, em autorização para que os Comandos Militares de Área adquiram diretamente sistemas de pequeno porte já qualificados, como fez a Índia.

• Preferência nacional clara: a Lei nº 12.598/2012 já oferece os instrumentos de Empresa Estratégica de Defesa e Produto Estratégico de Defesa. Falta definir categorias de drones em que a importação seja excepcional, à semelhança da lista positiva indiana.

• Cadeia de componentes: metas de conteúdo nacional para motores, baterias, sensores, enlaces de dados e software embarcado, com linhas de crédito da Finep e do BNDES, atacariam o ponto que a própria Índia ainda não resolveu.

• Ponte entre startups e Forças Armadas: a presença de uma empresa nascida em ambiente universitário entre os pré-qualificados mostra que há talento disponível. Um mecanismo nos moldes do iDEX, com desafios, financiamento de protótipos e compromisso de compra, poderia multiplicar esses casos.

• O marco legal como oportunidade: o debate aberto na CCT do Senado pode ser o veículo para institucionalizar o PBID e o Conselho Nacional de Drones propostos em 2025, integrando regulação, incentivo à produção e demanda de defesa em um único instrumento.

Da vitrine à escala 
Há um ano, o Brasil tinha potencial, mas não tinha regras modernas, sinal orçamentário nem processo estruturado de avaliação de sistemas nacionais. Hoje tem os três, ainda que em estágio inicial. A Índia mostra que o passo seguinte, e decisivo, é transformar protótipos qualificados em encomendas de volume, com prazos curtos e preferência pela indústria local. Sem isso, empresas como XMobots, AdTech SD, Stella Tecnologia e outras seguirão demonstrando capacidade em vitrines e exercícios, mas sem a escala que sustenta uma base industrial. Com isso, o País pode, enfim, fazer a decolagem que parecia iminente em 2025.

31 agosto, 2026

Será que chegamos ao limite da incompetência?

Declaração surpreendente e sincera do Ministro da Defesa expõe uma vulnerabilidade construída ao longo de décadas, enquanto o Brasil adia decisões estratégicas e assiste à erosão de sua capacidade de dissuasão



*
Luiz Alberto Cureau Jr. - 31/08/2026

A declaração do ministro da Defesa de que, em um cenário hipotético de confronto com os Estados Unidos, “teríamos que abrir o portão, porque não temos equipamento para enfrentá-los nem dinheiro para consertar o portão”, talvez tenha sido a mais sincera e preocupante admissão já feita por uma autoridade brasileira sobre o estado da nossa capacidade de defesa.

O problema não é reconhecer que existe uma enorme diferença de poder militar entre Brasil e Estados Unidos. Isso é evidente. O que causa perplexidade é a naturalidade com que o país parece aceitar a própria vulnerabilidade, como se ela fosse inevitável e até aceitável. 

O Brasil vem aceitando, há décadas, um lento processo de erosão de sua capacidade de defesa, quer por pura incompetência ou por revanchismo burro.

Nenhuma nação responsável estrutura suas Forças Armadas para derrotar uma superpotência até porque creio que deveríamos ser uma. O objetivo é outro, desenvolver capacidade de dissuasão suficiente para tornar qualquer pressão militar, econômica ou estratégica inconveniente. Países respeitados não são aqueles que procuram guerras, mas aqueles que convencem seus adversários de que elas não compensam.

Enquanto grande parte do mundo amplia investimentos em defesa, indústria, tecnologia, inteligência artificial e segurança cibernética, o Brasil continua adiando decisões estratégicas. Perdemos tempo discutindo se investir em defesa é prioridade, quando a verdadeira pergunta deveria ser, quanto custará não investir?

O cenário internacional tornou-se mais competitivo. Disputam-se minerais críticos, rotas marítimas, energia, alimentos, água e domínio tecnológico. O Brasil reúne praticamente todos esses ativos em abundância. Ainda assim, insiste em acreditar que sua riqueza, por si só, será suficiente para garantir respeito internacional. Não será, podem acreditar!

A história demonstra que riquezas atraem interesses, e interesses nem sempre são defendidos pela diplomacia. A diplomacia ganha força quando está apoiada por credibilidade nacional, capacidade tecnológica e uma estrutura de defesa compatível com o tamanho e a importância do país.

Talvez a fala do ministro tenha produzido um efeito positivo: obrigar a sociedade a olhar para um problema que deixou de ser militar e passou a ser estratégico. A questão já não é quanto o Brasil gasta com defesa, mas quanto tempo ainda suportará conviver com uma capacidade de dissuasão cada vez menor diante de um mundo cada vez mais imprevisível.

A maior ameaça não é a possibilidade de uma invasão hipotética. É continuarmos acreditando que vulnerabilidades históricas se resolvem com discursos, enquanto outros países planejam décadas à frente. A incompetência de uma nação não está em reconhecer suas fraquezas, mas em conhecê-las, discuti-las há décadas e, mesmo assim, não fazer absolutamente nada para corrigi-las.


*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura. 

15 julho, 2026

Quando a riqueza deixa de ser bênção e passa a ser vulnerabilidade


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 15/07/2026

O mundo vive uma mudança silenciosa, mas profunda. Grandes potências já não escondem que rotas marítimas, minerais estratégicos, energia e recursos naturais passaram a ser tratados como ativos de segurança nacional. A lógica é simples, quem garante a segurança, influencia o comércio, quem controla recursos críticos, amplia seu poder geopolítico. Foi assim com uma declaração de um líder mundial com relação ao estreito mais importante para a rota do petróleo. E tem sido assim com outras declarações de líderes mundiais. 

Nesse cenário, onde está o Brasil?
Somos detentores da maior floresta tropical do planeta, de cerca de 12% da água doce superficial disponível, de uma das maiores biodiversidades do mundo, de extensas reservas de petróleo offshore, da Amazônia Azul e de minerais estratégicos indispensáveis à economia do século XXI, como terras raras, nióbio, grafeno e lítio.

Essas riquezas são motivo de orgulho, mas também despertam interesses.

Ao longo da história, recursos estratégicos sempre atraíram disputas. A diferença é que, no século XXI, elas raramente começam com tropas cruzando fronteiras. Iniciam-se por pressões econômicas, dependência tecnológica, influência política, controle de cadeias logísticas, sanções, disputas regulatórias e operações no espaço cibernético.

Isso significa que o Brasil sofrerá uma invasão militar? Provavelmente não.

Mas seria igualmente ingênuo acreditar que, em um mundo onde algumas nações já se atribuem o papel de garantir a segurança de rotas comerciais internacionais ou de proteger interesses considerados globais, recursos como a Amazônia, a água doce e os minerais críticos permanecerão para sempre fora do centro das disputas geopolíticas.

Quanto mais escassos esses ativos se tornarem, maior será seu valor estratégico.

É justamente por isso que defesa nacional não pode ser vista como gasto. Ela é um instrumento de soberania. Diplomacia respeitada, inteligência eficiente, tecnologia, indústria de defesa robusta e Forças Armadas modernas formam um único sistema de dissuasão.

A história demonstra que países fortes negociam de igual para igual. Países vulneráveis acabam tendo suas escolhas condicionadas pelos interesses de outros.

O Brasil é um país pacífico, e isso deve continuar sendo uma de suas maiores virtudes. Mas paz não é sinônimo de fragilidade. Paz se preserva com credibilidade e dissuasão.

A pergunta que deveríamos fazer não é se nossas riquezas despertarão interesses internacionais. Isso já acontece.

A verdadeira questão é outra, quando esses interesses se intensificarem, teremos capacidade política, tecnológica, industrial e militar suficiente para garantir que o futuro da Amazônia, da nossa água, dos nossos minerais estratégicos e da nossa soberania continue sendo decidido apenas pelos brasileiros? 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

28 junho, 2026

Enquanto uns vendem Defesa, nós vendemos discursos e promessas

 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/06/2026

Israel olha para a indústria de defesa e enxerga poder nacional. A Coreia do Sul olha para a indústria de defesa e enxerga desenvolvimento, exportação e influência. O Brasil olha para a indústria de defesa e, com sorte, enxerga uma rubrica no orçamento e normalmente um problema, tipo aquele “vamos dar poder para os militares?”. Quando o assunto é soberania, seguimos especialistas em discursos fortes e execução tímida.

A diferença começa no papel do Estado. Em Israel, o governo vende junto. A indústria produz, mas quem abre portas, negocia, dá garantia e transforma produto em aliança estratégica é o Estado. Lá, defesa não é passeio em feira internacional com aperto de mão e fotografia para rede social, o que normalmente fazemos aqui. É política externa aplicada.

Na Coreia do Sul, o método é ainda mais disciplinado. Compra interna, pesquisa, desenvolvimento, financiamento e exportação conversam entre si. As Forças compram em escala, a indústria ganha previsibilidade, o produto amadurece e depois sai para o mundo com crédito, suporte e pacote tecnológico. Simples? Não. É Óbvio? Bastante. Por isso mesmo talvez seja tão difícil por aqui.

No Brasil, a lógica parece invertida. Temos bons produtos, engenheiros competentes, militares experientes e empresas que sobrevivem apesar do ambiente. Mas compramos pouco, planejamos mal, cortamos muito e depois perguntamos por que a indústria não ganha escala. É como plantar uma árvore, cortar a raiz todo ano e reclamar que ela não dá sombra.

Israel usa inteligência para antecipar demanda e planejar vendas. A Coreia usa financiamento para conquistar mercado. O Brasil, muitas vezes, espera a oportunidade aparecer, torce para a empresa se virar e, se der certo, chama de política pública. Quando dá errado, a culpa costuma ser do mercado, do câmbio, da burocracia ou de algum relatório que ninguém leu.

A Base Industrial de Defesa brasileira não precisa de piedade. Precisa de método. Precisa de contratos plurianuais, compras previsíveis, financiamento ao comprador externo, atuação real dos adidos militares, vendas governo a governo com garantia soberana, offset cobrado de verdade e diplomacia comercial menos cerimonial.

Também precisa que o governo de turno entenda uma coisa básica: defesa não é gasto incômodo para fechar planilha. É seguro de vida da soberania, motor de tecnologia e crescimento. País que não protege sua indústria estratégica acaba comprando caro, importando dependência e chamando isso de modernização, o que fazemos hoje.

Israel e Coreia não chegaram onde estão por milagre. Chegaram porque decidiram. O Brasil já tem capacidade, mercado e talento. Falta abandonar a velha mania nacional de transformar oportunidade em comissão, comissão em relatório e relatório em reunião.

Enquanto eles exportam sistemas, nós ainda exportamos promessas. E promessa, em defesa, não protege fronteiras, não gera escala e não impõe respeito. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

25 junho, 2026

Salvar a Indústria de Defesa significa salvar o futuro do Brasil como potência regional


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 25/06/2026

Quando se fala em indústria de defesa, muitos enxergam apenas armamentos. Na realidade, ela representa tecnologia, inovação, empregos qualificados, capacidade industrial e soberania.

O Brasil possui empresas capazes de competir internacionalmente. Aviões, ciberseguranca, blindados, sistemas de foguetes e tecnologias navais demonstram que competência não nos falta. O problema é a falta de continuidade, o que nos torna caros.

Projetos estratégicos sofrem sucessivos cortes, adiamentos e mudanças de prioridade. Sem previsibilidade, a indústria perde escala, eleva custos, reduz investimentos e enfraquece sua presença internacional.

Os países que hoje lideram esse mercado adotaram uma lógica diferente. Integraram governo, diplomacia, financiamento, pesquisa e indústria em uma estratégia permanente. Não exportam apenas equipamentos, oferecem crédito, suporte, transferência de tecnologia e parcerias de longo prazo.

O Brasil reúne praticamente todos esses ativos. Possui uma Base Industrial de Defesa consolidada, centros de pesquisa, universidades, Forças Armadas experientes e tradição diplomática. O desafio é coordenar esses recursos em torno de um projeto nacional.

Isso passa por contratos plurianuais, financiamento competitivo às exportações, inteligência de mercado, fortalecimento das compensações tecnológicas e atuação diplomática voltada também para abrir mercados.

As compras das Forças Armadas precisam ser entendidas como investimento estratégico. Cada aquisição nacional fortalece fornecedores, preserva empregos especializados, estimula inovação e reduz custos futuros por meio da produção em escala.

Os benefícios ultrapassam o setor militar. Tecnologias desenvolvidas para defesa impulsionam áreas como comunicações, inteligência artificial, materiais avançados, espaço, cibersegurança e manufatura de alta precisão.

Fortalecer a indústria de defesa não significa simplesmente gastar mais. Significa investir com planejamento, estabilidade e visão de longo prazo. Soberania não se constrói durante uma crise, ela é preparada muito antes dela acontecer.

Os países que liderarão o século XXI serão aqueles capazes de desenvolver tecnologia crítica e preservar sua capacidade industrial. O Brasil possui talento, recursos e conhecimento para ocupar esse espaço. O que falta é transformar potencial em política permanente de Estado.

Uma indústria de defesa forte protege muito mais do que fronteiras. Ela fortalece a economia, gera inovação, amplia nossa influência internacional e garante ao Brasil a liberdade de decidir o próprio futuro. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

14 maio, 2026

Defesa nacional - soberania e a contradição brasileira


 

*Mauro Beirão - 14/05/2026

O Brasil vive uma contradição estratégica cada vez mais evidente. De um lado, as lideranças das nossas Forças Armadas alertam há anos para a necessidade urgente de ampliar as capacidades de defesa do país diante de um cenário internacional cada vez mais instável. De outro, a própria Base Industrial de Defesa (BID) brasileira demonstra possuir capacidade tecnológica, engenharia qualificada, infraestrutura industrial e competências para desenvolver sistemas sofisticados de emprego militar.

Ainda assim, permanecem perguntas incômodas: por que tantos engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros deixam o país em busca de oportunidades fora do Brasil? Por que as Forças Armadas ainda convivem com limitações operacionais e equipamentos defasados em diversas áreas estratégicas? E por que grande parte das soluções que poderiam ser desenvolvidas ou produzidas no Brasil não se convertem em programas estruturantes de longo prazo?

As respostas às essas questões passam, inevitavelmente, pela questão orçamentária e pela ausência histórica de previsibilidade estratégica.

Enquanto o mundo atravessa um novo ciclo de rearmamento e fortalecimento de capacidades militares, o Brasil segue investindo proporcionalmente pouco em defesa. Dados recentes apontam que o país mantém gastos militares próximos de 1,1% do PIB, percentual considerado baixo para um país continental, detentor da maior fronteira terrestre da América do Sul, da Amazônia, de vastas riquezas minerais, recursos energéticos offshore e uma das maiores zonas econômicas exclusivas marítimas do planeta. 

O contraste internacional é evidente. Países da OTAN aprovaram metas de até 5% do PIB voltadas à defesa e segurança estratégica até 2035. A Alemanha ultrapassou 2% do PIB em defesa pela primeira vez desde 1990. A Polônia acelera sua modernização militar. A Ásia amplia investimentos em tecnologias críticas, drones, guerra eletrônica, inteligência artificial e defesa cibernética. Mesmo países da América do Sul vêm aumentando seus investimentos diante do novo ambiente geopolítico.

O Brasil, apesar de ter registrado crescimento nominal nos gastos militares em 2025, continua distante de uma estrutura de financiamento compatível com suas necessidades estratégicas. Mais grave ainda é a composição desse orçamento. Grande parte dos recursos é consumida por despesas obrigatórias, especialmente folha de pagamento, aposentadorias e pensões. Estimativas recentes indicam que cerca de 80% a 85% do orçamento da Defesa permanece comprometido com despesas de pessoal, restando parcela reduzida para investimentos efetivos em modernização, prontidão operacional, pesquisa e desenvolvimento. 

O resultado é uma consequência direta e previsível: projetos estratégicos sofrem atrasos, aquisições são fragmentadas, programas perdem escala, e a indústria nacional enfrenta ciclos permanentes de incerteza.

E isso ocorre justamente em um momento no qual a tecnologia passou a definir o poder militar contemporâneo.

Os conflitos recentes demonstraram que superioridade operacional hoje depende de sensores avançados, sistemas integrados de comando e controle, guerra eletrônica, drones, satélites, inteligência artificial, sistemas autônomos, integração em rede e capacidade de produção nacional resiliente. Nenhuma potência moderna constrói soberania apenas com efetivos militares. A soberania contemporânea é tecnológica e industrial.

Nesse aspecto, o Brasil possui ativos extremamente relevantes
A BID brasileira reúne empresas capazes de atuar em áreas altamente complexas como aeroespacial, sistemas embarcados, radares, guerra eletrônica, comunicações seguras, optrônicos, sistemas navais, integração de plataformas, veículos blindados, armamentos inteligentes, sistemas espaciais e tecnologias não tripuladas. Além disso, o país dispõe de centros de engenharia altamente especializados e profissionais reconhecidos internacionalmente.

Não por acaso, engenheiros brasileiros são frequentemente absorvidos por empresas e programas estratégicos no exterior. O problema, portanto, não é ausência de competência técnica. O problema é continuidade.

Sem previsibilidade orçamentária de médio e longo prazo, a indústria não consegue sustentar ciclos permanentes de inovação. Sem escala, empresas perdem competitividade. Sem contratos estruturantes, fornecedores estratégicos desaparecem. Sem estabilidade, talentos migram.

A evasão de cérebros da área de defesa e alta tecnologia é um reflexo direto desse ambiente
Profissionais altamente qualificados buscam mercados que ofereçam estabilidade, continuidade de projetos, investimentos em pesquisa e perspectivas concretas de crescimento tecnológico. Países que compreendem a defesa como vetor de desenvolvimento nacional criam ecossistemas permanentes de inovação. No Brasil, ainda convivemos com descontinuidades, contingenciamentos e programas sujeitos a oscilações políticas e fiscais.

Isso produz um efeito silencioso, porém extremamente perigoso: a perda gradual da capacidade nacional de projetar, desenvolver e sustentar tecnologias críticas.

Defesa não pode ser tratada apenas como despesa corrente de governo. Defesa é política de Estado
Os países que hoje lideram os setores aeroespacial, cibernético e militar compreenderam algo fundamental: investir em defesa gera domínio tecnológico, empregos qualificados, inovação dual, capacidade industrial e autonomia estratégica.

Grande parte das tecnologias utilizadas no cotidiano civil nasceu de programas militares ou espaciais: internet, GPS, sensores, materiais compostos, aviônica, comunicações seguras, satélites, inteligência artificial e inúmeras soluções embarcadas.

Quando o Brasil investe em sua Base Industrial de Defesa, não está apenas fortalecendo as Forças Armadas. Está fortalecendo engenharia nacional, ciência, universidades, indústria, inovação e soberania.

Soberania não se improvisa em momentos de crise
Ela é construída ao longo de décadas, com planejamento, previsibilidade, investimento contínuo e visão estratégica de longo prazo. O debate sobre defesa nacional precisa, portanto, ultrapassar a visão limitada de gasto militar e passar a ser compreendido como tema de desenvolvimento nacional, proteção de recursos estratégicos, estabilidade regional e capacidade tecnológica. O Brasil possui território, recursos naturais, dimensão geopolítica, capacidade industrial e inteligência técnica para ocupar posição muito mais relevante no cenário internacional da defesa. O que ainda falta é transformar esse potencial em prioridade permanente de Estado.

Porque nenhuma nação preserva sua soberania apenas pelo discurso. Soberania é preservada por meio de capacidade real de defesa, tecnologia própria e indústria forte.

*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional.   

24 abril, 2026

Amazônia sob pressão

 Ataques a militares revelam lacunas estratégicas e redefinem a soberania brasileira


*Mauro Beirão

No último mês de março, militares do 8º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, localizado em Tabatinga (AM), região na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, foram atacados a tiros por narcotraficantes durante um patrulhamento. 

Fatos como esse transcendem o âmbito da segurança pública, pois eles expõem uma mudança qualitativa no ambiente operacional da Amazônia Legal: a transição de uma fronteira permeável, caracterizada pela evasão e ocultação, para um espaço progressivamente contestado por organizações criminosas e transnacionais armadas capazes de confronto direto.

Com o uso de armamento pesado e táticas típicas de forças irregulares organizadas, esses incidentes representam um enfrentamento direto a tropas regulares. Não se trata de mais um caso do aumento da criminalidade na região, mas de uma contestação prática da autoridade do Estado brasileiro em áreas sensíveis do território nacional.

Soberania em xeque - do plano criminal ao estratégico
Historicamente, episódios de confrontos diretos entre atores não estatais e forças militares brasileiras são raros, mas não inéditos. A Operação Traíra (1991), deflagrada após incursão armada das FARC em solo brasileiro, já havia demonstrado a necessidade de resposta coordenada em nível de segurança nacional. O paralelo é oportuno: quando grupos armados passam de ações furtivas para o confronto aberto, o patamar da ameaça se eleva. 

Nos últimos anos, o crime organizado na Amazônia Legal expandiu-se de forma dramática. Segundo a 4ª edição do relatório Cartografias da Violência na Amazônia (Fórum Brasileiro de Segurança Pública, novembro/2025), facções criminosas atuam hoje em 344 dos 772 municípios da região — o equivalente a cerca de 45% do total. Esse número representa um crescimento de 32% em apenas um ano.

Presença estatal - avanços e limites
Desde 1985, o Projeto Calha Norte consolidou a estratégia de presença física na Amazônia Legal por meio da implantação de Pelotões Especiais de Fronteira e infraestrutura básica. Essa iniciativa evitou o vácuo de poder que criminosos rapidamente explorariam.

Paralelamente, o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) introduziu a dimensão tecnológica, permitindo monitoramento aéreo abrangente, detecção de voos ilícitos, integração de sensores (radares, satélites e meteorologia) e apoio a operações militares e interagências. O país evoluiu de uma lógica puramente física para uma lógica de consciência situacional.

Contudo, os eventos recentes deixam claro que a presença isolada de pelotões de fronteira aliada ao SIVAM, tecnologia de geração anterior, focada principalmente no domínio aéreo, não é suficiente para garantir controle efetivo do território. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) reforça essa arquitetura, mas ainda demanda integração plena para enfrentar a complexidade atual.

O salto necessário - tecnologia e integração
A resposta estratégica passa necessariamente pela incorporação de capacidades mais avançadas:

➢ VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), como o Hermes 900, empregado pela Força Aérea Brasileira, oferecem vigilância persistente de longa duração, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, monitoramento de rotas ilícitas com baixa exposição de pessoal e capacidade de transformar dados em inteligência acionável, reduzindo o tempo de resposta;

➢ Arquitetura C4ISR (Comando, Controle, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) representa o verdadeiro diferencial operacional. Ela exige interoperabilidade entre sensores, plataformas e centros de comando; comunicações seguras e resilientes; operação em ambientes contestados; e integração com inteligência de sinais (SIGINT). O domínio do espectro eletromagnético torna-se, assim, um domínio de disputa essencial à superioridade informacional.

Essas capacidades só se consolidam com o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, incentivando o desenvolvimento e a adaptação de soluções às especificidades da selva amazônica e reduzindo dependências externas.

Conclusão: três pilares para a soberania no Século XXI
Os ataques na Amazônia não são eventos isolados. São um alerta estratégico inequívoco de que a soberania brasileira nas fronteiras depende da integração plena de três pilares:

1. Presença Física: consolidada pelo Projeto Calha Norte;

2. Consciência Situacional: viabilizada pelo SIVAM e SISFRON;

3. Superioridade Tecnológica: materializada em sistemas C4ISR e plataformas autônomas de média e longa distância (MALE – Medium Altitude Long Endurance) de categoria 4 como o Hermes 900, já empregado pela FAB.

A soberania contemporânea não se mede apenas pela ocupação do território, mas pela capacidade de compreender, antecipar e atuar com superioridade decisiva. Integrar esses elementos de forma eficiente é o desafio e a oportunidade que o Brasil precisa enfrentar com urgência.

A Base Industrial de Defesa tem papel central nesse processo: apenas o domínio nacional das tecnologias críticas garantirá o controle efetivo da Amazônia Legal no século XXI. 

*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional.  

Postagem em destaque