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15 julho, 2026

Quando a riqueza deixa de ser bênção e passa a ser vulnerabilidade


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 15/07/2026

O mundo vive uma mudança silenciosa, mas profunda. Grandes potências já não escondem que rotas marítimas, minerais estratégicos, energia e recursos naturais passaram a ser tratados como ativos de segurança nacional. A lógica é simples, quem garante a segurança, influencia o comércio, quem controla recursos críticos, amplia seu poder geopolítico. Foi assim com uma declaração de um líder mundial com relação ao estreito mais importante para a rota do petróleo. E tem sido assim com outras declarações de líderes mundiais. 

Nesse cenário, onde está o Brasil?
Somos detentores da maior floresta tropical do planeta, de cerca de 12% da água doce superficial disponível, de uma das maiores biodiversidades do mundo, de extensas reservas de petróleo offshore, da Amazônia Azul e de minerais estratégicos indispensáveis à economia do século XXI, como terras raras, nióbio, grafeno e lítio.

Essas riquezas são motivo de orgulho, mas também despertam interesses.

Ao longo da história, recursos estratégicos sempre atraíram disputas. A diferença é que, no século XXI, elas raramente começam com tropas cruzando fronteiras. Iniciam-se por pressões econômicas, dependência tecnológica, influência política, controle de cadeias logísticas, sanções, disputas regulatórias e operações no espaço cibernético.

Isso significa que o Brasil sofrerá uma invasão militar? Provavelmente não.

Mas seria igualmente ingênuo acreditar que, em um mundo onde algumas nações já se atribuem o papel de garantir a segurança de rotas comerciais internacionais ou de proteger interesses considerados globais, recursos como a Amazônia, a água doce e os minerais críticos permanecerão para sempre fora do centro das disputas geopolíticas.

Quanto mais escassos esses ativos se tornarem, maior será seu valor estratégico.

É justamente por isso que defesa nacional não pode ser vista como gasto. Ela é um instrumento de soberania. Diplomacia respeitada, inteligência eficiente, tecnologia, indústria de defesa robusta e Forças Armadas modernas formam um único sistema de dissuasão.

A história demonstra que países fortes negociam de igual para igual. Países vulneráveis acabam tendo suas escolhas condicionadas pelos interesses de outros.

O Brasil é um país pacífico, e isso deve continuar sendo uma de suas maiores virtudes. Mas paz não é sinônimo de fragilidade. Paz se preserva com credibilidade e dissuasão.

A pergunta que deveríamos fazer não é se nossas riquezas despertarão interesses internacionais. Isso já acontece.

A verdadeira questão é outra, quando esses interesses se intensificarem, teremos capacidade política, tecnológica, industrial e militar suficiente para garantir que o futuro da Amazônia, da nossa água, dos nossos minerais estratégicos e da nossa soberania continue sendo decidido apenas pelos brasileiros? 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

28 junho, 2026

Enquanto uns vendem Defesa, nós vendemos discursos e promessas

 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/06/2026

Israel olha para a indústria de defesa e enxerga poder nacional. A Coreia do Sul olha para a indústria de defesa e enxerga desenvolvimento, exportação e influência. O Brasil olha para a indústria de defesa e, com sorte, enxerga uma rubrica no orçamento e normalmente um problema, tipo aquele “vamos dar poder para os militares?”. Quando o assunto é soberania, seguimos especialistas em discursos fortes e execução tímida.

A diferença começa no papel do Estado. Em Israel, o governo vende junto. A indústria produz, mas quem abre portas, negocia, dá garantia e transforma produto em aliança estratégica é o Estado. Lá, defesa não é passeio em feira internacional com aperto de mão e fotografia para rede social, o que normalmente fazemos aqui. É política externa aplicada.

Na Coreia do Sul, o método é ainda mais disciplinado. Compra interna, pesquisa, desenvolvimento, financiamento e exportação conversam entre si. As Forças compram em escala, a indústria ganha previsibilidade, o produto amadurece e depois sai para o mundo com crédito, suporte e pacote tecnológico. Simples? Não. É Óbvio? Bastante. Por isso mesmo talvez seja tão difícil por aqui.

No Brasil, a lógica parece invertida. Temos bons produtos, engenheiros competentes, militares experientes e empresas que sobrevivem apesar do ambiente. Mas compramos pouco, planejamos mal, cortamos muito e depois perguntamos por que a indústria não ganha escala. É como plantar uma árvore, cortar a raiz todo ano e reclamar que ela não dá sombra.

Israel usa inteligência para antecipar demanda e planejar vendas. A Coreia usa financiamento para conquistar mercado. O Brasil, muitas vezes, espera a oportunidade aparecer, torce para a empresa se virar e, se der certo, chama de política pública. Quando dá errado, a culpa costuma ser do mercado, do câmbio, da burocracia ou de algum relatório que ninguém leu.

A Base Industrial de Defesa brasileira não precisa de piedade. Precisa de método. Precisa de contratos plurianuais, compras previsíveis, financiamento ao comprador externo, atuação real dos adidos militares, vendas governo a governo com garantia soberana, offset cobrado de verdade e diplomacia comercial menos cerimonial.

Também precisa que o governo de turno entenda uma coisa básica: defesa não é gasto incômodo para fechar planilha. É seguro de vida da soberania, motor de tecnologia e crescimento. País que não protege sua indústria estratégica acaba comprando caro, importando dependência e chamando isso de modernização, o que fazemos hoje.

Israel e Coreia não chegaram onde estão por milagre. Chegaram porque decidiram. O Brasil já tem capacidade, mercado e talento. Falta abandonar a velha mania nacional de transformar oportunidade em comissão, comissão em relatório e relatório em reunião.

Enquanto eles exportam sistemas, nós ainda exportamos promessas. E promessa, em defesa, não protege fronteiras, não gera escala e não impõe respeito. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

20 junho, 2026

Quem quer faz, e quem não quer procura uma desculpa. E qual será o Caminho da Defesa Nacional?


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 20/06/2026

Essa é uma metáfora que está em paredes de quartel , inclusive do quartel que comandei , o saudoso Batalhão da Serra. Frase essa que serve para explicar a importância das Forças Armadas e da indústria de defesa.

Quando uma pessoa realmente deseja alcançar um objetivo, seu caminho raramente é uma linha reta. Ela tenta, erra, aprende, insiste, melhora e recomeça quantas vezes forem necessárias. Cada obstáculo se transforma em aprendizado. Cada dificuldade gera experiência. Ao final, o resultado aparece porque houve persistência.

Já quem não está verdadeiramente comprometido encontra algo muito mais fácil: uma desculpa. As nações também seguem essa lógica.

Nenhum país ou grande empresa construiu capacidades relevantes sem percorrer um longo caminho de desafios, investimentos, correções de rumo e aperfeiçoamento contínuo. Não existe atalho para a soberania. Ela é construída da mesma forma que qualquer grande conquista, com visão de longo prazo, disciplina e perseverança.

A indústria de defesa é um exemplo claro dessa realidade. Desenvolver radares, satélites, sistemas de comunicação, blindados, navios ou aeronaves exige anos de pesquisa, formação de pessoal e amadurecimento tecnológico. Muitos projetos enfrentam dificuldades, revisões e adaptações ao longo do caminho. Faz parte do processo.

O mesmo ocorre com as Forças Armadas. A formação de um soldado e um marinheiro leva tempo. A de um piloto, mais tempo ainda. A de um comandante exige décadas de experiência acumulada. Nenhuma dessas capacidades pode ser improvisada quando a necessidade aparece.

Entretanto, periodicamente surge a tentação de procurar o caminho mais fácil. Afinal, em tempos de relativa estabilidade, sempre haverá quem pergunte por que investir em defesa, por que manter uma indústria estratégica ou por que preparar-se para riscos que ainda não se materializaram.

A resposta está justamente na metáfora.

Os países que desejam preservar sua soberania seguem pelo caminho mais longo, investem, treinam, desenvolvem tecnologia, fortalecem instituições e constroem capacidades. Sabem que o processo é lento, custoso e exige continuidade.

Os que não querem fazer esse esforço normalmente encontram justificativas para adiar decisões, cortar investimentos e transferir responsabilidades. Em vez de capacidades, acumulam explicações.

A história, porém, costuma ser implacável. Quando uma crise surge, não há tempo para começar a preparação. Nesse momento, apenas colhem resultados aqueles que passaram anos construindo suas capacidades.

No campo da defesa, a diferença entre segurança e vulnerabilidade raramente está nos recursos disponíveis. Está na decisão de percorrer o caminho da preparação ou permanecer parado no conforto das desculpas.

As grandes nações escolhem preparar-se. Porque entendem que soberania não é um presente da geografia ou da sorte. É uma conquista construída todos os dias. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.   

30 abril, 2025

O Brasil na contramão: a Indústria de Defesa e o desafio da modernização

 

*Por Luiz Alberto Cureau Júnior, via LinkedIn - 29/04/2025

Nos últimos anos, os países do G20 têm aumentado significativamente seus orçamentos de defesa, refletindo uma preocupação crescente com a segurança global. Em 2024, os gastos globais em defesa alcançaram US$ 2,46 trilhões, com um aumento médio de 7,4% nos investimentos militares. Por exemplo, a Alemanha registrou um crescimento de 23,2% em seus gastos, enquanto a Rússia elevou seu orçamento militar em 41,9% devido a tensões geopolíticas. A China e a Índia também estão intensificando seus esforços, mas o Brasil se encontra em uma trajetória oposta.

A indústria brasileira de defesa enfrenta desafios significativos. A falta de apoio governamental tem levado à obsolescência das tecnologias e capacidades das Forças Armadas. O investimento em defesa é crucial para proteger o território nacional, mas também para assegurar a soberania e a capacidade de atuação em cenários internacionais, algo que nós não podemos ignorar.

O desinteresse dos jovens em carreiras militares é alarmante, resultando de fatores como salários baixos e a falta de importância dada por autoridades governamentais. Os valores que um soldado recebe estão longe de serem ideiais e os oficiais, então, não chegam a competir com nenhuma das carreiras de governo e também com as do setor privado. Em 2024, a quantidade de candidatos para alguns concursos do Exército caiu drasticamente, evidenciando a desmotivação entre os jovens. A situação é preocupante, pois a profissão exige profissionais qualificados, e o que tem ocorrido não ajuda em nada para a estrutura atual. 

Contraditoriamente, a taxa de desemprego entre jovens no Brasil tem diminuído, reduzindo-se pela metade entre 2019 e 2024, acompanhada por um aumento no número de estagiários. No entanto, essa realidade cria um paradoxo: jovens mais preparados se afastam da carreira militar, enquanto aqueles com menor qualificação veem as Forças Armadas como uma alternativa. Essa disparidade evidencia a necessidade de atrair talentos qualificados e oferecer oportunidades viáveis para os que enfrentam dificuldades no mercado de trabalho.

Diante dessa realidade, é crucial que o Brasil reexamine sua política de defesa e busque um aumento nos investimentos governamentais. A modernização das Forças Armadas deve ser uma prioridade de Estado, garantindo que o país possa se posicionar competitivamente no cenário internacional.

Além disso, o governo deve implementar políticas que valorizem e incentivem os jovens a buscar as Forças Armadas, tornando essa carreira atraente, por meio de capacitação e comunicação sobre a importância da defesa nacional.

Em suma, o Brasil não pode ignorar os sinais de alerta que ocorrem no mundo. A falta de investimentos em defesa e a desmotivação das novas gerações são questões urgentes. Negligenciar esses aspectos enfraquece as capacidades militares e coloca em risco a soberania do país, essencial para garantir segurança e integridade nacional.

28 janeiro, 2023

Curso de Extensão em Defesa Nacional será realizado em Porto Alegre, presencial e online


*LRCA Defense Consulting - 28/01/2023

A Escola Superior de Defesa (ESD), por intermédio da Divisão de Extensão, Pesquisa e Pós Graduação, oferece, a partir de 2023, o Curso de Extensão em Defesa Nacional.

O principal objetivo do curso é o estímulo à reflexão e aos estudos de temas que envolvem Defesa Nacional, em cumprimento ao 6º Objetivo da Política Nacional de Defesa - “Ampliar o envolvimento da sociedade brasileira nos assuntos de Defesa Nacional”.

O Curso é gratuito e ocorre em formato de palestras e debates do mais alto nível, com renomados especialistas civis e militares de todo o país.

Modalidade: presencial e com transmissão online pela nossa página no Youtube.

Duração: uma semana.

Carga horária: 20 horas.

Público-alvo: o curso é gratuito e aberto à sociedade para todos os inscritos.

Certificado: ao fim do curso será emitido um certificado para todos os participantes que completarem, pelo menos, 75% da carga horária.  

Inscrições e programação EM BREVE.

O evento será realizado na Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), em Porto Alegre.

Para acompanhar de forma online, acesse a página no Youtube, mediante inscrição. 

06 outubro, 2021

Ministério da Defesa promove o XXIII Curso de Extensão em Defesa Nacional


*LRCA Defense Consulting - 06/10/2021

Com o objetivo estimular a reflexão e os estudos de temas que envolvem a Defesa Nacional, em cumprimento ao 8º Objetivo da Política Nacional de Defesa, o Ministério da Defesa, por intermédio da Divisão de Cooperação Acadêmica (DICOOP), em parceria com Instituições de Ensino Superior de todo o País, promove periodicamente o Curso de Extensão em Defesa Nacional (CEDN), uma atividade acadêmica gratuita e destinada a alunos de graduação e pós-graduação, além de pessoas interessadas na temática da Defesa Nacional.

Realizado de forma presencial e remota, o CEDN adota a metodologia de palestras e mesas redondas, onde especialistas indicados pelo Ministério da Defesa, civis e militares, realizam suas exposições seguidas de debates entre os participantes.

XXIII Curso de Extensão em Defesa Nacional

O XXIII Curso de Extensão em Defesa Nacional será realizado em conjunto com a Faculdade Damas (Recife - PE) no período de 18 a 22 de outubro e as inscrições podem ser realizadas através do link: https://cedn.defesa.gov.br/formulario_inscricao/

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