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25 junho, 2026

Salvar a Indústria de Defesa significa salvar o futuro do Brasil como potência regional


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 25/06/2026

Quando se fala em indústria de defesa, muitos enxergam apenas armamentos. Na realidade, ela representa tecnologia, inovação, empregos qualificados, capacidade industrial e soberania.

O Brasil possui empresas capazes de competir internacionalmente. Aviões, ciberseguranca, blindados, sistemas de foguetes e tecnologias navais demonstram que competência não nos falta. O problema é a falta de continuidade, o que nos torna caros.

Projetos estratégicos sofrem sucessivos cortes, adiamentos e mudanças de prioridade. Sem previsibilidade, a indústria perde escala, eleva custos, reduz investimentos e enfraquece sua presença internacional.

Os países que hoje lideram esse mercado adotaram uma lógica diferente. Integraram governo, diplomacia, financiamento, pesquisa e indústria em uma estratégia permanente. Não exportam apenas equipamentos, oferecem crédito, suporte, transferência de tecnologia e parcerias de longo prazo.

O Brasil reúne praticamente todos esses ativos. Possui uma Base Industrial de Defesa consolidada, centros de pesquisa, universidades, Forças Armadas experientes e tradição diplomática. O desafio é coordenar esses recursos em torno de um projeto nacional.

Isso passa por contratos plurianuais, financiamento competitivo às exportações, inteligência de mercado, fortalecimento das compensações tecnológicas e atuação diplomática voltada também para abrir mercados.

As compras das Forças Armadas precisam ser entendidas como investimento estratégico. Cada aquisição nacional fortalece fornecedores, preserva empregos especializados, estimula inovação e reduz custos futuros por meio da produção em escala.

Os benefícios ultrapassam o setor militar. Tecnologias desenvolvidas para defesa impulsionam áreas como comunicações, inteligência artificial, materiais avançados, espaço, cibersegurança e manufatura de alta precisão.

Fortalecer a indústria de defesa não significa simplesmente gastar mais. Significa investir com planejamento, estabilidade e visão de longo prazo. Soberania não se constrói durante uma crise, ela é preparada muito antes dela acontecer.

Os países que liderarão o século XXI serão aqueles capazes de desenvolver tecnologia crítica e preservar sua capacidade industrial. O Brasil possui talento, recursos e conhecimento para ocupar esse espaço. O que falta é transformar potencial em política permanente de Estado.

Uma indústria de defesa forte protege muito mais do que fronteiras. Ela fortalece a economia, gera inovação, amplia nossa influência internacional e garante ao Brasil a liberdade de decidir o próprio futuro. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

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