Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador armas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador armas. Mostrar todas as postagens

05 outubro, 2026

Programa e interlocutores indicam os prováveis rumos de Flávio Bolsonaro para a defesa e a BID

Drones e inteligência artificial no programa oficial somam-se à experiência de Marcos Degaut no apoio à indústria e ao acesso de Eduardo Bolsonaro ao governo Trump, enquanto orçamento, prioridades e compromissos formais permanecem em aberto 



*LRCA Defense Consulting - 05/10/2026

A cerca de três semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) ficou acirrada: 47% a 45% dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Para o setor de defesa, a dúvida é o que mudaria com a vitória da oposição. Como o programa de Flávio dedica poucas informações ao tema, esta matéria cruza o documento oficial com as propostas de seus interlocutores e com a campanha da Embraer nos Estados Unidos, buscando separar compromissos formais de indícios.

Novas tecnologias e poder militar
O incentivo a novas tecnologias e a defesa de um poder militar capaz de sustentar a atuação internacional do Brasil permitem identificar uma provável orientação de Flávio Bolsonaro para as Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa (BID). O direcionamento emerge da leitura conjunta do programa da candidatura e das propostas apresentadas por Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato radicado nos EUA, e pelo ex-secretário de Produtos de Defesa Marcos Degaut, hoje o articulador internacional da campanha. Há convergência em torno do fortalecimento das capacidades nacionais, embora os instrumentos para executá-lo ainda não estejam detalhados publicamente.

A distinção entre as fontes é essencial. Drones e inteligência artificial aparecem no programa oficial. Já a transformação mais abrangente das Forças Armadas e o fortalecimento da BID foram defendidos pelos dois interlocutores em uma entrevista de setembro, na qual anunciaram a elaboração de um projeto para um eventual governo de Flávio.

A experiência de Degaut em financiamento e promoção comercial, somada ao acesso do irmão do candidato à Casa Branca, sugere a possibilidade de uma política que combine modernização militar, sustentação industrial e diplomacia voltada a negócios. O KC-390 Millennium permite avaliar como essa combinação poderia funcionar. A Embraer já desenvolve, com a Northrop Grumman, capacidades destinadas ao mercado americano, e uma eventual articulação política brasileira poderia dar visibilidade e apoio institucional a essa campanha. 

Tecnologia e fronteiras no programa
O texto publicado no site da candidatura prevê concentrar esforços contra o crime organizado e outras ameaças à segurança e à defesa nacional. Nesse contexto, propõe estimular tecnologias, com menção explícita a drones e inteligência artificial, e afirma que os investimentos nas Forças Armadas devem corresponder à inserção internacional do Brasil.

Outra proposta é criar o Sistema Nacional de Fronteira, reunindo integrantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira, equipados com inteligência, tecnologia e armamentos para interceptar drogas e armas. O documento também contempla a proteção cibernética dos serviços públicos, das infraestruturas críticas e dos cidadãos.

Essas referências estabelecem prioridades gerais, mas não especificam orçamento, modelos de drones, aplicações militares de IA, quantidades, fornecedores ou prioridades de reequipamento. Tampouco permitem concluir que haverá preferência por equipamentos nacionais ou importados. Essa definição será determinante para avaliar quanto da demanda poderá se converter em desenvolvimento e produção no País.

A proposta de transformação militar
Em 7 de setembro de 2026, Eduardo Bolsonaro e Marcos Degaut participaram do programa ALive, de Claudio Dantas. Segundo a publicação do próprio programa, ambos trabalhavam em um projeto de reforma e reestruturação das Forças Armadas destinado ao senador.

Degaut defendeu atualização de missões, métodos e doutrina, recuperação da capacidade de interpretar o cenário internacional e equipamentos adequados às atribuições militares. Relacionou a transformação ao fortalecimento da liderança, da unidade de propósito e da legitimidade institucional das Forças.

A ligação com a política externa foi explícita. Para Degaut, "uma boa diplomacia, uma boa política externa, não prescinde de um poder militar forte". Eduardo associou respeito internacional e liderança regional a Forças Armadas modernas e a uma indústria de defesa desenvolvida no Brasil.

Na cobertura da entrevista, a DefesaNet registrou que Degaut situou as propostas em um planejamento estratégico de longo prazo, envolvendo defesa, comércio e investimentos. Ele afirmou que o projeto estava pronto e seguia em aperfeiçoamento, mas informou que seus detalhes não seriam integralmente divulgados naquele momento.

O conjunto dessas manifestações sugere uma ambição que ultrapassa o emprego militar nas fronteiras. A capacidade de dissuasão e a sustentação industrial aparecem como componentes da posição internacional pretendida para o País. Trata-se de uma interpretação das declarações, não de um programa de reequipamento já aprovado pelo candidato.

Degaut e a ampliação do acesso ao crédito
A defesa de uma indústria nacional fortalecida tem antecedentes na trajetória administrativa de Degaut. Um dos resultados mais concretos associados à sua passagem pela Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) foi a articulação com o BNDES. Em fevereiro de 2020, o Ministério da Defesa e o banco firmaram um protocolo para estudar instrumentos de financiamento, apoio às exportações e nacionalização progressiva de produtos e tecnologias. Na ocasião, conforme registro do LRCA, Degaut vinculou a iniciativa ao planejamento estratégico da secretaria.

O desdobramento verificável veio em 2021. Segundo o Ministério da Defesa, empresas encontravam dificuldades para cadastrar seus produtos no BNDES e, por isso, não conseguiam financiá-los. A parceria levou a um regulamento específico de credenciamento de produtos de defesa, com vigência a partir de 1º de novembro daquele ano, ampliando o conjunto de bens elegíveis ao crédito, inclusive pelas linhas BNDES Exim Pré-Embarque e Pós-Embarque.

A importância dessa mudança está na remoção de um obstáculo operacional. Um produto que não consegue ingressar no sistema de financiamento perde competitividade mesmo quando atende às necessidades do comprador. O regulamento ampliou a possibilidade de acesso ao crédito; não significou aprovação automática de operações ou desembolso garantido às empresas.

Promoção comercial e resultados institucionais
O balanço oficial da SEPROD de 2019 registrou atendimento a 361 empresas, realização de 14 missões internacionais e diálogos da indústria de defesa com seis países. A secretaria também produziu estudos comerciais sobre 69 países. Os dados mostram uma atuação organizada de prospecção e apoio às empresas, além da presença em feiras.

No mesmo balanço, o Ministério informou crescimento de 21,8% no número de empresas habilitadas ao Regime Especial de Tributação para a Indústria de Defesa (RETID) e de 75% no número das que passaram a usufruir do regime, em relação a 2018. São resultados institucionais do período de sua gestão, produzidos por equipes e outros órgãos envolvidos; não realizações individuais exclusivas do secretário.

O Relatório de Gestão do Ministério da Defesa de 2021 registrou, à época, cerca de US$ 1,7 bilhão em exportações autorizadas de produtos de defesa, apresentado como recorde histórico. A expressão é importante: autorizações não devem ser confundidas com embarques efetivados ou receitas recebidas no mesmo ano. O indicador documenta a expansão das autorizações durante aquela gestão, sem permitir atribuir toda a evolução comercial a uma única autoridade.

Há ainda reconhecimentos posteriores. Em janeiro de 2023, já na nova administração federal, o então secretário Rui Chagas Mesquita enalteceu o trabalho de seus antecessores, destacando Degaut e o general Luis Antônio Duizit Brito. 

No mês seguinte, em entrevista reproduzida pelo portal LRCA em 25 de fevereiro de 2023, o próprio Degaut cobrou maior atuação do Itamaraty na promoção das exportações de defesa e defendeu recursos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir a dependência externa.

Esse histórico confere consistência à orientação apresentada em setembro, pois a articulação entre diplomacia, indústria e capacidade militar não surgiu apenas na discussão eleitoral. Uma eventual participação de Degaut teria potencial para aproximar a discussão estratégica dos instrumentos de execução: credenciamento, crédito e promoção externa. Sua tradução em política de governo, porém, dependerá de medidas que transformem essa visão em financiamento, apoio comercial e continuidade de projetos.

Eduardo e o acesso à Casa Branca
A capacidade de interlocução de Eduardo com o governo Trump tem evidência recente. A Reuters informou que ele acompanhou Flávio em uma reunião com o presidente americano no Salão Oval, em 26 de maio de 2026. Um representante da Casa Branca confirmou o encontro. Segundo Flávio, foram discutidos crime organizado, tarifas e minerais críticos.

Embora o relato não mencione o KC-390, há um antecedente específico de promoção do avião por Eduardo. Em entrevista à Agência de Notícias Brasil-Árabe, publicada em agosto de 2019, ele relatou que discutira a possibilidade de venda do KC-390 durante reuniões nos Emirados Árabes Unidos, quando presidia a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. O registro documenta familiaridade com a promoção internacional do produto, sem comprovar resultado comercial ou atuação equivalente nos EUA. Sete anos depois, em maio de 2026, a Embraer fechou com os Emirados um contrato para até 20 aeronaves, a maior encomenda internacional do cargueiro por um único país e a primeira venda no Oriente Médio.

A influência possível seria, sobretudo, de acesso e articulação: facilitar a apresentação da proposta a autoridades, incentivar seu exame no diálogo bilateral e dar visibilidade aos benefícios industriais para os americanos. 

Uma campanha industrial que já está em andamento
A iniciativa da Embraer tem trajetória própria. Em comunicado de 19 de fevereiro de 2026, a empresa e a Northrop Grumman anunciaram investimentos conjuntos para desenvolver o KC-390 Multi-Mission Tanker, voltado aos Estados Unidos e a países aliados. O trabalho inclui uma lança rígida autônoma de reabastecimento, comunicações aprimoradas, opções de consciência situacional e sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis.

Em setembro, a FlightGlobal voltou a destacar a campanha sob o conceito Multi-Mission Airlift and Tanker, apresentando o KC-390 como complemento ao KC-46. A lógica comercial é oferecer uma plataforma que reúna transporte tático e reabastecimento, ampliando as alternativas de emprego da frota.

O desenvolvimento da lança rígida é uma distinção técnica essencial. O KC-390 já dispõe de reabastecimento por mangueira e cesto, documentado pela Embraer, mas o sistema anunciado com a Northrop pretende ampliar o universo de aeronaves atendidas, embora essa nova configuração ainda não esteja pronta e qualificada.

Também há contato operacional anterior à campanha eleitoral. A própria USAF registrou a participação de um C-390 brasileiro no exercício Storm Flag, na Louisiana, em março de 2024, junto a aeronaves americanas e suecas. O exercício demonstra interação militar e familiaridade com o modelo.

O argumento americano que poderia interessar a Trump
A perspectiva de produção local oferece um argumento concreto para uma eventual articulação política. Em declaração publicada pela Defense One em fevereiro de 2026, Bosco da Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que a empresa estaria disposta a investir mais de US$ 500 milhões em uma instalação dedicada ao KC-390 nos EUA, caso houvesse viabilidade de negócio. 

Em 24 de setembro, o vice-presidente de Estratégia de Mercado e Produto da Embraer, Alvadi Serpa Junior, indicou Melbourne, na Flórida, onde a empresa já monta jatos executivos, como possível sede da fábrica, condicionada a uma encomenda expressiva do governo americano.

Uma proposta desse tipo permitiria apresentar o avião também como fonte de investimento, atividade industrial e empregos nos Estados Unidos. A associação com a Northrop Grumman reforça essa dimensão. Como análise, esse seria um argumento mais consistente para mobilizar interesse em Washington do que a afinidade pessoal entre dirigentes brasileiros e americanos.

A orientação pública de Trump oferece um ponto de convergência: a ordem executiva de 9 de abril de 2025 sobre aquisições de defesa enfatiza rapidez, inovação e revitalização da base industrial americana. A proposta da Embraer poderia ser defendida à luz desses objetivos.

Para o Brasil, o valor de uma eventual montagem nos EUA dependeria da divisão industrial negociada. Seria necessário avaliar quais atividades de engenharia, componentes, propriedade intelectual e receitas permaneceriam no País. Uma venda internacional relevante pode beneficiar a BID, mas seus efeitos não são iguais em qualquer arranjo de produção.

Onde termina o acesso político e começa a decisão de compra
Uma eventual atuação de Eduardo poderia ajudar a colocar o projeto na agenda. A conversão desse acesso em aquisição dependeria de necessidade operacional reconhecida, desenvolvimento e demonstração da configuração proposta, custos de implantação e sustentação e disponibilidade de recursos. A discussão orçamentária também passa pelo Congresso americano, como mostram as audiências públicas da USAF sobre suas prioridades de modernização.

A apresentação como complemento ao KC-46 pode reduzir a percepção de confronto direto com um programa existente, mas não elimina a disputa por orçamento. Mesmo um avião com funções adicionais precisa demonstrar por que sua incorporação oferece vantagem diante de outras formas de atender à missão. 

Tarifaço e mercado interno: o teste do acesso político
O raciocínio aplicado ao KC-390 vale também para um problema mais imediato da BID: as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Desde 22 de julho, vigora uma sobretaxa de 25% com base na Seção 301 da lei comercial dos EUA, justificada pelo USTR com o Pix, a taxação do etanol americano e falhas no combate à corrupção e ao desmatamento. Somada ao adicional de 12,5% ligado à investigação sobre trabalho forçado, a carga chega a 37,5%, segundo a Taurus. Partes de aviões ficaram entre as exceções, o que preserva uma parcela das exportações da Embraer, mas as armas leves e aeronaves militares não.

Uma vitória de Flávio no dia 25 poderia mudar o quadro. Como as tarifas de 2025 nasceram vinculadas à situação de Jair Bolsonaro, um governo alinhado a Washington teria mais condições de negociar um acordo comercial amplo, e o acesso de Eduardo ajudaria a abrir portas. A redução, nesse caso, decorreria de um entendimento soberano entre Estados, não de afinidades pessoais com empresas, e poderia exigir concessões brasileiras concretas nos temas que fundamentam a Seção 301.

Por outro lado, para a Taurus e para as demais empresas que produzem armamento leve, um eventual governo Flávio poderia oferecer ainda uma compensação doméstica. Em agosto, o deputado Marcos Pollon (PL-MS), integrante da equipe do candidato, defendeu como "primeiro passo" a revogação dos decretos de armas editados por Lula. Em seguida viria uma nova lei para substituir o Estatuto do Desarmamento, com critérios objetivos para aquisição e porte e a recomposição das prerrogativas de caçadores, atiradores desportivos e colecionadores (CACs). A proposta não consta do programa registrado no TSE, mas indica a disposição do grupo político do candidato.

O histórico recente mostra como o mercado reage a essas regras. Segundo o Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal, os registros chegaram a 185.497 em 2021 e a 135.334 em 2022. Com as restrições adotadas a partir de 2023, caíram 80%, para 28.328, o menor número desde 2004. A receita da Taurus no Brasil recuou 70,5% no quarto trimestre de 2023, e o presidente da empresa, Salesio Nuhs, afirmou que o mercado interno "simplesmente não existiu" naquele ano. Com as exportações para os Estados Unidos encarecidas pela tarifa, a reativação da demanda interna funcionaria como alternativa parcial.

O efeito, porém, teria limites. Em 2021, o Brasil respondia por apenas 8% a 10% da produção da Taurus, de modo que o mercado interno complementaria as vendas americanas, mas não as substituiria. Regras fixadas por decreto também podem ser revertidas rapidamente, como ocorreu em 2023, e uma nova lei dependeria do Congresso e de eventuais questionamentos no Supremo.

Indícios relevantes e compromissos ainda abertos
A participação do irmão do candidato e de um ex-secretário com larga experiência no setor constitui um indício relevante para compreender a direção em discussão. Isso não equivale, entretanto, à confirmação de que todas as propostas foram incorporadas pela candidatura.

Em reportagem de 29 de setembro sobre uma possível reforma do Itamaraty, a Folha de S.Paulo registrou que a campanha declarou que nem Eduardo Bolsonaro nem Degaut falavam pelo candidato. A manifestação ocorreu no contexto da política externa e não elimina o valor analítico das declarações, mas exige atribuir aos próprios autores as ideias apresentadas e distingui-las dos compromissos oficiais de Flávio.

Também permanecem lacunas materiais. A análise dos programas publicada pelo Forças Terrestres em 11 de setembro apontou a ausência, no documento de Flávio, de meta orçamentária específica para defesa, prioridades de plataformas e uma política detalhada para a BID. A promessa de duplicar investimentos, observou o portal, refere-se à segurança pública, não ao orçamento militar.

Para a indústria, a questão decisiva será como a orientação anunciada se converterá em demanda previsível. Um compromisso com modernização ganha alcance industrial quando define recursos, prazos e condições para desenvolver, produzir e sustentar equipamentos. Sem essas escolhas, ainda não é possível projetar encomendas ou identificar empresas beneficiadas.

Direção provável: tecnologia, capacidade militar e fortalecimento da BID
Os dados conhecidos permitem, portanto, reconhecer uma direção provável: tecnologia aplicada à segurança, valorização da capacidade militar e interesse, expresso por interlocutores próximos, em fortalecer a base industrial de defesa. 

Degaut reúne experiência documentada em instrumentos de apoio à BID. Eduardo dispõe de acesso político e já participou da promoção do KC-390 no exterior; a Embraer possui uma iniciativa industrial concreta nos Estados Unidos e a Taurus, além de já estar estabelecida neste país, poderia se beneficiar tanto de uma negociação tarifária quanto da reabertura do mercado interno. 

Esses elementos sustentam a hipótese de uma diplomacia de defesa mais ativa em favor das empresas brasileiras. A confirmação dependerá da apresentação, pela própria candidatura, das prioridades e dos meios para executar essa orientação.

05 janeiro, 2025

Armados para sobreviver: como o massacre do Hamas em 7 de outubro transformou a cultura das armas em Israel


*Fox News, por Efrat Lachter - 27/12/2024

Na sala de parto de um hospital em Jerusalém, enquanto as contrações se intensificavam e a parteira tentava ajudar a parturiente a se mudar para uma posição mais confortável, a mãe sentiu algo estranho.

"Ela me disse que algo a estava machucando", lembrou Erga Froman, a parteira. "Então percebi que era minha arma, que estava no coldre em um cinto giratório e tinha se deslocado para a frente, tocando-a." Depois que o bebê nasceu, os colegas de Froman no hospital tiraram uma foto dela parada ao lado do recém-nascido, ainda usando a arma. "É uma imagem de contrastes", disse ela.

Antes de 7 de outubro, Froman, uma mãe de cinco filhos que agora vive nas Colinas de Golã, no norte de Israel, nunca havia considerado obter uma licença de porte de arma. Tendo optado por fazer serviço nacional não militar em vez de serviço militar na IDF, ela nunca havia disparado uma arma em sua vida. A mudança veio rapidamente após o ataque terrorista sem precedentes do Hamas às comunidades israelenses em 7 de outubro, deixando mais de 1.200 mortos e destruindo uma sensação de segurança na qual muitos israelenses confiavam há muito tempo.

"Na noite de 7 de outubro, meu marido e eu percebemos que, como eu viajo sozinha à noite em estradas perigosas para o meu trabalho – trazendo vida ao mundo – eu precisava de proteção", Froman disse à Fox News Digital. "Na manhã seguinte, eu tinha enviado meu pedido de licença de porte de arma. Agora espero nunca precisar usá-la, mas estou preparada se for preciso."

Por décadas, a posse de armas de fogo em Israel era incomum. Embora o serviço militar garantisse que muitos israelenses fossem treinados com armas, armas de fogo pessoais eram vistas mais como uma responsabilidade do que uma necessidade. O rigoroso processo de licenciamento dissuadiu muitos, e os israelenses confiaram no estado e em suas forças de defesa para protegê-los de ameaças terroristas, o que teve precedência sobre as baixas taxas de criminalidade de Israel.

Mas depois do massacre do Hamas em 7 de outubro, muitos israelenses começaram a ver armas de fogo pessoais como uma salvaguarda necessária em uma realidade nova e mais perigosa . "Como não havia equipes médicas suficientes em 7 de outubro, também não havia defesa suficiente", observou Froman. "Aprendendo com isso, hoje temos uma equipe médica comunitária e também estamos armados para poder dar uma primeira resposta."

A Suprema Corte israelense está atualmente analisando petições contra o ministro nacionalista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, alegando que seu gabinete emitiu licenças de porte de armas sem a devida autorização.

Nos meses seguintes ao ataque de 7 de outubro, mais de 260.000 novos pedidos de licença de porte de arma foram submetidos – quase igualando o número total das duas décadas anteriores combinadas. Mais de 100.000 licenças já foram aprovadas, marcando um aumento de dez vezes em comparação ao ano anterior.

Ferramenta de sobrevivência
Ayala Mirkin, uma mãe de Shiloh na Judeia e Samaria, mais amplamente conhecida como Cisjordânia, solicitou uma licença de porte de arma depois que seu marido, um soldado da reserva da IDF, foi enviado para lutar na guerra em Gaza, deixando-a sozinha com seus três filhos pequenos. "Eu me senti insegura dirigindo por vilas árabes e sabia que tinha que fazer algo para me proteger", disse ela. "O processo foi muito mais rápido do que teria sido antes de 7 de outubro, mas ainda levou meses por causa da enxurrada de solicitações."

Mirkin agora carrega sua pistola sempre que sai de seu assentamento, embora ela continue em conflito. "Eu não quero ter uma arma. O dia em que eu puder devolvê-la será o mais feliz da minha vida. Mas não tenho escolha. É uma ferramenta de sobrevivência."

Para famílias como a de Mirkin, armas de fogo se tornaram parte da vida cotidiana. Ela mantém sua arma trancada em um cofre e treinou seus filhos para nunca tocá-la. "É uma ferramenta para proteção, não para matar", ela enfatiza. "Meu foco é preservar a vida, não tirá-la."

Oren Gozlan, um veterano paraquedista e pai, está entre aqueles que hesitaram antes de solicitar uma licença. Morando no lado israelense da fronteira da Linha Verde, perto da cidade palestina de Tulkarem, Gozlan decidiu que não poderia mais evitar se armar. "O medo de ter uma arma em casa com crianças ainda existe, mas a necessidade de proteger minha família supera isso", diz ele. "7 de outubro mudou tudo. Trouxe a percepção de que somos vulneráveis ​​de maneiras que nunca imaginamos."

Gozlan está nervoso com o que ele vê como supervisão inadequada no processo de licenciamento. "No campo de tiro, vi pessoas que nunca tinham segurado uma arma na vida, mal acertando seus alvos. É assustador pensar que essas pessoas agora estão andando por aí com armas de fogo."

Saar Zohar, um reservista em uma unidade de elite, expressou uma mudança semelhante. Por anos, Zohar resistiu a ter uma arma, acreditando que era desnecessário depois de seu serviço. Mas uma série de ataques terroristas após 7 de outubro o levou a reconsiderar. "Eu não conseguia suportar a ideia de ficar desamparado se algo acontecesse", ele diz. "Sabendo que tenho o treinamento e posso responder, sinto que é minha responsabilidade."

Ao contrário dos Estados Unidos, onde a posse de armas é frequentemente ligada a medos de crime ou à defesa da propriedade privada, as armas de fogo em Israel são vistas como ferramentas para combater o terrorismo. Historicamente, Israel evitou os tiroteios em massa públicos que às vezes atormentaram os EUA, mas especialistas alertam que a rápida proliferação de armas de fogo pode mudar isso. Com tantos indivíduos não treinados portando armas, o medo de ações impulsivas e erros trágicos paira grande.

Zohar é assombrado pelo potencial de identificação errônea. "A ideia de que outro civil armado possa me confundir com um agressor me aterroriza", ele diz, referindo-se a um incidente trágico em novembro de 2023, quando um civil israelense que havia atirado em terroristas em Jerusalém foi morto por engano por um jovem soldado.

O preço psicológico dessa mudança é evidente entre os recém-armados. Eyal Haskel, pai de três filhos de Tel Aviv, descreve as pressões sociais que enfrentou depois de 7 de outubro. "Eu nunca quis carregar uma arma, mas meus amigos questionavam por que eu não estava armado. Parecia uma expectativa, quase um dever."

Mas Haskel também está perturbado com o que viu em estandes de tiro. "As pessoas tratam isso como um jogo, atirando sem nenhuma compreensão da responsabilidade. É horrível pensar que essas pessoas agora são licenciadas."

Para muitos israelenses, a reforma representa uma resposta necessária a uma ameaça existencial. No entanto, ela também expôs falhas profundas no sistema. Os críticos argumentam que a abordagem atual sacrifica a segurança de longo prazo pela segurança de curto prazo, alertando sobre potenciais consequências não intencionais, de tiroteios acidentais a um aumento na violência doméstica.

"Obter uma licença de porte de arma é mais fácil do que obter uma carteira de motorista", diz Gozlan. "Para um carro, você precisa de aulas, testes e regras rígidas. Para uma arma, é só alguma papelada e algumas horas no estande de tiro."

Froman vê as coisas de forma diferente. "Se alguém ameaça você, você só saca sua arma em uma situação de segurança nacional. Você não saca uma arma para situações de risco de vida pessoal, a menos que seja um caso de terroristas. As regras aqui são claras – você deve ter um cofre para sua arma. Não posso confiar no cofre do meu marido; uma arma de fogo é pessoal. Não tenho permissão para usar a arma dele, e ele não tem permissão para usar a minha. Os regulamentos são muito rigorosos. A arma é para defesa contra aqueles que querem nos prejudicar, não para autodefesa geral."

Mirkin concorda. "Não somos como a América", ela disse. "Não queremos armas como passatempos... para nós, é sobrevivência, não escolha."

Um entrevistado que pediu para permanecer anônimo descreveu como ele treinou sua esposa no manuseio básico de armas de fogo, mesmo que ela não tenha licença. "Eu nunca quis colocá-la nessa posição, mas se eu não estiver em casa durante um ataque, ela precisa saber como defender nossos filhos."

À medida que Israel se ajusta a essa nova realidade, as implicações sociais do aumento da posse de armas de fogo permanecem incertas. Para muitos, o peso dessas decisões destaca o delicado equilíbrio entre proteção e responsabilidade.

"Espero nunca ter que usá-lo", diz Gozlan. "Mas não posso ignorar a realidade em que vivemos. O dia 7 de outubro mudou tudo."

07 junho, 2024

EUA: número de novos proprietários de armas desde as eleições de 2020 igualou a população da Flórida

Desde 2020, o número de pessoas que comprou armas pela primeira vez cresceu para mais de 22,3 milhões

Pistolas em uma loja de armas em Houston, Texas. (Brandon Bell/Imagens Getty)

*Fox News, por Sarah Rumpf-Whitten - 06/06/2024

O número de novos proprietários de armas na América exercendo os seus direitos da Segunda Emenda aumentou – igualando a população da Florida, de 2020 para cá.

De acordo com um relatório da National Sports Shooting Foundation (NSSF), o número de pessoas que se tornaram proprietárias de armas pela primeira vez desde 2020 cresceu para mais de 22,3 milhões de pessoas, ou a população da Flórida.

Em uma declaração à Fox News Digital, Mark Oliva, diretor-gerente de relações públicas do NSSF, atribuiu o aumento de novos proprietários aos bloqueios da era COVID e a promotores brandos com o crime que forçaram os residentes dos cinquenta estados a perceber que nem sempre podiam confiar na aplicação da lei e nas “regulamentações autoritárias” da administração Biden.

“Nos últimos anos, houve um aumento significativo de americanos que optaram por exercer os seus direitos da Segunda Emenda de manter e portar armas”, disse Oliva. “Isso acontece por vários motivos, incluindo preocupações com a segurança pessoal, o aumento da criminalidade, a recusa de alguns procuradores em não prender criminosos e os ataques da administração Biden para diminuir direitos através de regulamentações autoritárias”.

Em meados de 2020, as pessoas que compraram armas pela primeira vez representavam aproximadamente 40% dos compradores, de acordo com a NSSF, citando varejistas. O “normal” geralmente fica em torno de 20 a 24%, disseram eles. Neste ano, disse o NSSF, havia aproximadamente 8,4 milhões de novos proprietários que compraram armas pela primeira vez.

Rifles estilo AR-15 estão à venda em uma loja de armas. (Reuters/Bing Guan)

Em 2021, o aumento inicial de compradores de armas da era COVID diminuiu, com o número totalizando cerca de 5,4 milhões de compradores de armas de primeira vez. O percentual caiu para cerca de 30% de todos os compradores.

Em 2022, totalizou aproximadamente 4,2 milhões, e em 2023, na verdade, aumentou apenas um pouco, para 4,3 milhões, de acordo com dados da indústria.

Os números de 2024 ainda não foram finalizados, mas até agora houve pouco mais de 6 milhões, disse o NSSF, citando o total de verificações do Sistema Nacional de Verificação Instantânea de Antecedentes Criminais (NICS) do FBI processadas para a venda de uma arma de fogo.

Oliva destacou o impacto que os novos proprietários de armas poderiam ter nas próximas eleições .

“São proprietários de armas que, antes de comprarem uma arma, não consideravam o que este direito significava para as suas vidas e liberdade pessoal”, disse ele. "Isso será levado em consideração nestas eleições. Isto poderá ser um fator nas próximas eleições, pois as pessoas terão em conta a vontade do governo de infringir os seus direitos garantidos pela Constituição."

13 maio, 2024

Taurus repudia informações inverídicas sobre carga de armas no Aeroporto Salgado Filho


*LRCA Defense Consulting - 13/05/2024

A Taurus, sempre pautada pelo compromisso com a verdade e para evitar problemas legais com os órgãos oficiais, vem por meio desta Carta Aberta esclarecer os fatos sobre notícia publicada no portal UOL na sexta-feira (10.mai.2024) com o título “PF retira 2.000 armas de aeroporto no RS para evitar investida de facções”. 

A empresa repudia a publicação de notícias com informações inverídicas sobre carga de armas no Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre (RS), que deturpa a realidade dos fatos nesse momento de calamidade pública no estado do Rio Grande do Sul. 

A Taurus esclarece que não é verdadeira a informação de que existiam armas longas nesta carga. Também não é verdade que a carga estava prestes a ser exportada para os Estados Unidos. 

Conforme resposta enviada no dia 10 de maio de 2024 aos questionamentos do UOL, não existe e nunca existiu problema algum com a carga que estava no aeroporto. A Taurus junto com os órgãos de segurança sempre garantiu a total segurança da carga. 

A Taurus não entende como em um momento tão crítico pelo qual o estado do Rio Grande do Sul está passando, incluindo a empresa e seus colaboradores, profissional da imprensa está focado em problemas inexistentes e que não apresentaram qualquer risco para a população. O Rio Grande do Sul, assim como as pessoas, está vivendo a pior crise causada por uma calamidade e, por isso, a pior crise de segurança, isso deveria ser abordado e não questões com viés ideológico que proporcionem ainda maior insegurança a população. 

Qualquer informação diferente destas é inverídica. 

A Taurus solicitou ao UOL a publicação de sua resposta acima na íntegra, porém o portal de notícias incluiu apenas alguns trechos. 

A Companhia repudia as afirmações falsas contida na notícia, se fazendo necessária esta Carta Aberta para restabelecer a verdade dos fatos na sociedade. 

A Taurus aproveita para agradecer a solidariedade de cada brasileiro que está enviando para o Rio Grande do Sul ajuda humanitária, isso sim é importante nesse momento.

30 março, 2024

O boom das exportações de defesa da Coreia do Sul: aumento de 140% leva ao domínio da Ásia-Pacífico

 

*Bulgarian Military - 17/02/2024

A Índia tem planos ambiciosos para aumentar as suas exportações de defesa para 5 mil milhões de dólares até 2024-25, um salto significativo em relação aos actuais 1,7 mil milhões de dólares. Inicialmente, este objectivo pode parecer assustador, mas as empresas de defesa indianas podem inspirar-se nos seus homólogos da Coreia do Sul – o segundo maior exportador de defesa da Ásia, atrás apenas da China.

Como parte da sua busca para garantir um lugar entre os quatro maiores exportadores globais de defesa, a Coreia do Sul tem consistentemente superado a China e a Índia, que estão significativamente atrás.

A Coreia do Sul , sendo o associado de defesa preferido de várias nações em todo o mundo, conseguiu acordos substanciais de armas e projectos de desenvolvimento conjunto com cidades como Cairo, Riade, Abu Dhabi, Nova Deli e vários países europeus. As empresas de defesa sul-coreanas não estão apenas a fechar acordos de compra, mas também a atrair investimentos substanciais.

Registro de 140 por cento
Aqui está algo para refletir. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, a Coreia foi classificada como o nono maior traficante de armas do mundo entre 2018-2022. Curiosamente, é um dos dois países asiáticos que chegou ao top 25 desta lista, sendo o outro a China no quarto lugar. Aqui está um facto intrigante: os acordos de defesa sul-coreanos registaram um aumento notável de 74% em comparação com os números de 2013-2017.

Aqui está outra informação convincente: os negócios de armas sul-coreanos registaram um crescimento vertiginoso de 140% em 2022, culminando num valor histórico de 17,3 mil milhões de dólares. Este número dramático inclui transacções que totalizam 12,4 mil milhões de dólares com a Polónia, um aliado da Ucrânia, para tanques, obuseiros, aviões de combate e múltiplos lançadores de foguetes .

Curioso para saber quem está comprando armas da Coreia do Sul? Os principais compradores são os países do Sudeste Asiático , Índia, Austrália e países do Norte e Leste Europeu. Estes países enfrentam riscos de segurança consideráveis ​​devido aos jogos de poder de grandes nações como a China e a Rússia. A recente invasão da Ucrânia pela Rússia certamente impulsionou as vendas de armas defensivas.

Aqui está uma informação interessante: países como a República Checa , Roménia, Eslováquia, Finlândia, Estónia, Letónia e Lituânia normalmente compram equipamento de defesa da Europa. Mas agora estão recorrendo a empresas coreanas, que oferecem as mesmas armas a melhores preços e prazos de entrega mais rápidos.

O futuro
Numa região repleta de rivalidades intensas, a Coreia do Sul encontra-se cercada por concorrentes poderosos, incluindo a Coreia do Norte , a China e o Japão. Esta matriz complexa necessita de uma indústria de defesa robusta, capaz de produzir armamento tecnologicamente avançado. Como resultado, a Coreia do Sul cultivou uma forte base industrial de defesa, ultrapassando o Japão e preparada para superar a China.

A rápida ascensão da Coreia do Sul como fabricante credível de equipamentos de defesa alinha-se perfeitamente com o compromisso público de 2022 do presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol. O presidente pretende elevar a nação aos níveis superiores dos fornecedores mundiais de armas, a par de titãs como os EUA, a Rússia e a França.

O governo emitiu uma directiva para aumentar as exportações de defesa da Coreia, fazendo com que a Coreia passasse de oitavo maior vendedor de armas do mundo em 2021 para o quarto maior até 2027. Há alguns anos, isto poderia ter parecido um objectivo ambicioso. No entanto, o potencial cumprimento deste objectivo ambicioso está no horizonte, atribuível a uma série de acordos de elevado valor.

O ano chave de 2022
No final da década de 2000 e no início da década de 2010, a Coreia do Sul optou por aumentar significativamente o seu investimento na indústria de defesa, uma estratégia que era marcadamente diferente da abordagem da Índia às exportações de defesa. Em 2022, este movimento estratégico provou ser altamente bem-sucedido. A Coreia do Sul conseguiu fechar negócios substanciais, como a venda de caças à Malásia e veículos terrestres à Austrália. Há até rumores circulando sobre possíveis discussões para a venda de sistemas de defesa aérea à Arábia Saudita .

Você já se perguntou como Seul consegue garantir contratos tão massivos? A resposta é bastante direta. A Coreia do Sul mantém linhas de produção activas principalmente para satisfazer as suas próprias necessidades, mas pode facilmente mudar essas linhas para acomodar as exigências de exportação quando necessário. Além disso, eles podem adaptar seus produtos de defesa para atender perfeitamente às necessidades exclusivas de seus clientes. Esta flexibilidade estende-se à transferência de tecnologia e ao estabelecimento de linhas de produção locais. Muito inteligente, não é?

Produção rápida
Dê uma olhada em como a planta 3 de Changwon da Hanwha Aerospace aumentou efetivamente a produção de obuses autopropulsores K9 de 155 mm dentro de um período de tempo limitado. As melhorias recentes incluem uma nova linha de montagem, que reforçou a sua capacidade anual para produzir 160 unidades K9. Notavelmente, este número deverá aumentar para 240 K9 anualmente até abril de 2024, com a inauguração de uma terceira via de produção.

O que é fascinante é que a eficiência de produção demonstrada pelas empresas de defesa sul-coreanas parece superar a dos fabricantes de equipamento original americanos ou europeus. Por exemplo, o país surpreendentemente entregou o lote inicial de 10 tanques K2 e 24 K9 à Polónia apenas quatro meses após a assinatura do contrato.

Na mesma linha, a Polónia recebeu a sua primeira aeronave FA-50 apenas dez meses após a aprovação do contrato em Setembro de 2022. Esta maior velocidade de fornecimento a clientes estrangeiros é em grande parte atribuível à “associação mutuamente benéfica” entre o governo de Seul e os fabricantes de defesa. Este vínculo estreito promove uma reorganização das entregas locais para satisfazer eficazmente as exigências de exportação.

Início gradual da Índia
O principal fabricante de aeronaves indiano, Hindustan Aeronautics Limited [HAL], está se esforçando diligentemente para apresentar sua aeronave de combate leve doméstica [LCA] 'Tejas' na plataforma global . No entanto, enfrenta desafios devido à sua lenta taxa de produção, que não satisfaz prontamente as necessidades do país.

Em 2023, o CEO da HAL, CB Ananthakrishnan, divulgou planos para acelerar sua produção. Eles pretendem produzir 24 aeronaves anualmente entre 2025 e 2026, progredindo para 30 aeronaves a cada ano a partir de então.

O vice-chefe aposentado da Força Aérea Indiana, Marechal da Força Aérea Anil Khosla, destacou a dependência da Índia do setor público . Isto inclui organizações como a HAL e a Bharat Electronics Limited, entre outras, e esta dependência tem impedido o crescimento da Índia como exportador de defesa. Ele discutiu os desafios: “Problemas com políticas atrasadas, produção lenta que leva à obsolescência e a falta de instalações robustas de fabricação de defesa estão impedindo as metas de exportação de defesa da Índia”, afirmou. Além disso, salientou: “As restrições ao Investimento Estrangeiro Direto [IDE] podem ser desanimadoras para as empresas industriais globais que consideram instalar-se na Índia”.

A tendência é positiva
Uma solução viável poderia ser fornecer um plano unificado detalhado e de longo prazo que descreva as necessidades futuras das forças armadas indianas. Isso daria aos membros da indústria uma compreensão mais clara do que está por vir. “Permitir 100 por cento de Investimento Directo Estrangeiro [IDE] no sector da defesa também criaria oportunidades para entidades privadas. Isto não só injetaria capital, mas também introduziria concorrência para as PSUs de Defesa”, propôs. “Vale a pena notar que, em 2020, os limites máximos do IDE no sector da defesa foram aumentados para 74 por cento através da via automática para empresas que solicitam novas licenças da indústria de defesa, e totalmente 100 por cento através da via governamental, o que provavelmente levaria ao acesso a tecnologias avançadas. tecnologia."

“Avanços notáveis ​​foram feitos nos últimos dez anos, demonstrando, em geral, uma trajetória positiva. No entanto, para atingir as metas estabelecidas, precisamos intensificar nossos esforços e focar mais no progresso e não apenas no processo”, afirmou o Ten General Subrata Saha. Este indivíduo dedicado serviu com orgulho e aposentou-se como Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército. Nessa função, ele gerenciou o planejamento de perspectiva, liderou iniciativas de modernização e supervisionou o desenvolvimento de capacidades. Além disso, desempenhou um papel fundamental na criação do Gabinete de Design do Exército em 2016.

24 março, 2024

Números do FBI mostram que o crime caiu enquanto os americanos estocavam mais armas

AP Foto/Keith Srakocic

*Breitbart News, por AWR Hawkins - 19/03/2024

Os números do FBI relatados pela NBC News em 19 de março de 2024 mostram que a criminalidade caiu durante 2023, um ano em que houve mais de um milhão de verificações de antecedentes por mês para compras de armas.

Em 4 de julho de 2023, o Washington Examiner observou que as verificações do Sistema Nacional de Verificação Instantânea de Antecedentes Criminais (NICS/FBI) para compras de armas ultrapassaram um milhão por mês durante 47 meses consecutivos.

Em 19 de março de 2024, o Breitbart News conversou com Mark Oliva, da National Shooting Sports Foundation, e ele disse que já se passaram 55 meses consecutivos de mais de um milhão de verificações do NICS.

Isso significa que, até 2023 e ao longo de 2023, os americanos estavam indo às lojas de armas para adquiri-las, mas os “números do quarto trimestre” relatados pela NBC News mostraram “um declínio de 13% nos assassinatos em 2023 em relação a 2022, um declínio de 6% em crimes violentos relatados e um declínio de 4% nos crimes contra a propriedade relatados.”

O ex-analista da CIA Jeff Asher comentou sobre os números mais baixos da criminalidade, dizendo: “Isto sugere que quando obtivermos os dados finais em outubro, teremos visto provavelmente o maior declínio de homicídios num ano alguma vez registado”.

Houve uma situação semelhante depois que as vendas de armas aumentaram em 2013. O Breitbart News apontou que as vendas privadas de armas dispararam durante 2013, com 21.093.273 verificações de antecedentes e, de acordo com o FBI, os crimes nas categorias de "crimes violentos" e "crimes contra a propriedade" diminuíram durante o ano.

Numa escala mais ampla, o Breitbart News observou  um estudo de 2012 do Serviço de Pesquisa do Congresso mostrando que a posse de armas saltou de 192 milhões de armas privadas em 1994 para 309 milhões em 2009. Ao mesmo tempo, o “assassinato relacionado com armas de fogo e homicídio não negligente”, de uma taxa de 6,6 por 100.000 americanos em 1993, caiu para 3,6 por 100.000 em 2000 e para 3,2 por 100.000 em 2011.

01 janeiro, 2024

Pronta para iniciar sua operação na Índia, JD Taurus ativa seu site e informa as armas a serem produzidas

Fuzil JD Taurus T4 5,56mm sobre tecido camuflado no padrão do Exército Indiano

*LRCA Defense Consulting - 01/01/2024

Com a proximidade do início de sua produção na Índia, a JD Taurus - joint venture entre a Taurus Armas e a Jindal Defence (Jindal Group) - ativou seu site na Internet.

Por ali, é possível verificar que as armas a serem produzidas pela nova empresa são pistolas JD Taurus TS9 e TS9c, pistolas JD Taurus 57 SC 7.65mm, revólveres JD Taurus 073 .32 S&WL, carabinas JD Taurus T9 e fuzis JD Taurus T4 5.56x45mm.


De forma institucional em seu site, a JD Taurus afirma que "A Jindal Defense Systems Private Limited e a Taurus Armas trazem armas de fogo tecnologicamente avançadas desenvolvidas no Brasil, agora fabricadas de forma indígena (local) na Índia, para a segurança dos cidadãos e para capacitar os bravos soldados a nunca errar o alvo. Com mais de 80 anos de experiência, a Taurus é líder global na fabricação de armas de fogo e é conhecida por sua excepcional qualidade, confiabilidade e alcance."

A empresa prossegue sua divulgação enfatizando que "Agora, com esta joint venture, a JD Taurus está trazendo sua abrangente linha de produtos, que serão produzidos na fábrica de última geração situada no estado de Haryana, incluindo seu próprio campo de tiro para fins de testes rigorosos, a fim de garantir o bom funcionamento da Taurus dentro de padrões de segurança internacionais conhecidos. A tecnologia de ponta da Taurus e as rigorosas medidas de controle de qualidade garantem que cada arma de fogo seja da mais alta qualidade e atenda aos padrões internacionais de segurança".

Acessórios e customização
O site também deixa antever que, em breve, a JD Taurus passará a oferecer acessórios e a customização de armas.


Início da produção
Segundo afirmou Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, na última reunião da Apimec em 06 de dezembro, a JD Taurus pretende iniciar sua produção neste mês, com pistolas e revóveres, ainda que  a inauguração formal vá ocorrer posteriormente, em data a ser definida considerando algumas imposições indianas de cunho cultural e religioso.

No entanto, mesmo sem começar suas operações, a empresa já tem uma pequena carteira de pedidos e está trabalhando para ampliá-la. Para isso, conta com um setor de marketing & vendas já ativo, com uma rede estabelecida de distribuidores e lojistas e, principalmente, com o prestígio e a penetração do Jindal Group, um dos maiores e mais poderosos grupos privados da Índia.


Unidade fabril da JD Taurus
A Taurus tem 49% da joint venture, mas sua participação se dá com a transferência de tecnologia (ToT), cabendo à Jindal Defence (51%) todos os investimentos necessários ao estabelecimento e ao funcionamento da empresa.

A JD Taurus tem capacidade de produção total de 1.500 armas por dia e poderá iniciar fabricando em torno de 1.150 armas civis por dia, conforme a demanda. Caso vença a megalicitação de fuzis em curso, poderá ser rapidamente expandida, haja vista que a instalação está situada dentro de um terreno total bem maior. Além disso, visando o prestígio a empresas locais, uma parte da produção está sendo terceirizada, pelo menos inicialmente, fazendo com que a necessidade de espaço interno fabril seja menor.

Esta Consultoria julga relevante ressaltar que o Brasil, que tem uma característica de exportar majoritariamente bens do setor primário, começa a exportar tecnologia para um dos países mais importantes do mundo, o maior em termos populacionais, e em setor extremamente estratégico, que é o setor de defesa, onde a Índia já se destaca no concerto das nações por desenvolver armas estratégicas e equipamentos com tecnologia de ponta.

Visão parcial da unidade fabril da JD Taurus

Oportunidade maior que o ano de 2021
Em dezembro de 2022, o CEO Global da Taurus afirmou, durante um evento com investidores na fábrica de São Leopoldo, que a Índia representa uma oportunidade ainda muito maior e mais perene do que aquela que a empresa que teve no ano de 2021, quando a Taurus percebeu e se preparou a tempo para a impressionante e inédita demanda que viria nos EUA, aproveitando-a ao máximo e fazendo de 2021 o melhor ano da história da companhia.

Salto no EBITDA
Um outro motivo para o entusiasmo do CEO Global da Taurus é a geração de caixa que a operação na Índia deverá gerar, haja vista que, enquanto sua empresa contribui com a transferência de tecnologia, cabe ao Grupo Jindal quase todos os investimentos, da produção à distribuição, passando pelo marketing e demais custos necessários. Com isso, os 49% dos frutos a que a Taurus terá direito serão recebidos praticamente "limpos", possibilitando um enorme salto no EBITDA da empresa.

Para se ter uma dimensão da importância do negócio na Índia, esta Consultoria relembra abaixo detalhes sobre o país, suas dimensões em todos os campos e seus mercados civil, militar e de segurança pública.

Índia - um país com números impressionantes
Sob qualquer aspecto em que sejam analisados, os números da Índia são impressionantes. Afinal:
- tem mais de 1,4 bilhão de habitantes, tendo se tornado o país mais populoso do mundo neste ano;
- é considerada a quarta potência militar do planeta, atrás apenas dos EUA, Rússia e China;
- suas forças armadas têm mais de 1,3 milhão de integrantes;
- suas forças de segurança possuem um efetivo de mais de 1,4 milhão de policiais;
- a segurança privada do país conta com mais de 7 milhões de homens e mulheres;
- nos últimos cinco anos, a Índia foi o segundo maior importador mundial de armamentos;
- está entre os cinco principais países do mundo com maiores gastos no setor de defesa;
- tem o 8º PIB do mundo, à frente de países como Itália, Coreia do Sul, Canadá e Rússia.

Maior e mais inexplorado mercado do mundo para armas leves
Em termos militares e de maneira geral, suas forças armadas possuem armamentos atômicos, bem como aviões, navios, artilharia, tanques e mísseis modernos. Anteriormente, a maior parte era importada dos Estados Unidos, Rússia e França, mas a indústria nacional começou a desenvolver e a produzir tais itens e está avançando a passos impressionantes, graças às iniciativas "Make in India" e "Atmanirbhar Bharat" (Índia Autossuficiente), implementadas pelo Primeiro-ministro Narendra Modi.

Com relação ao armamento leve, com exceção de algumas unidades especiais, a maior parte das forças regulares e a quase totalidade das forças de segurança ainda usa metralhadoras de mão, pistolas e fuzis antiquados produzidos pelas fábricas estatais. Há pouco tempo, houve uma grande importação de fuzis de assalto americanos (que estão apresentando falhas) e foi firmada uma joint venture com a Rússia para a produção local do fuzil de assalto AK-203. A partir daí, diversas iniciativas semelhantes estão sendo costuradas com empresas de outros países, sempre com transferência de tecnologia.

Mercados civil e governamental
Segundo estimativas internacionais e da própria Índia, este país ultrapassou a China em abril de 2023, tornando-se o mais populoso do mundo, superando a marca de 1,4 bilhão de pessoas.

Apesar disso, fontes internacionais afirmam que a Índia possui apenas cerca de 74 milhões de armas leves civis, principalmente antigos e obsoletos revólveres e pistolas. Segundo as últimas informações prestadas por executivos da Taurus, o país fornece anualmente cerca de 45 mil novas licenças para aquisição de armas e há cerca de 12 milhões de licenças ativas. Isso acontece em virtude de uma legislação bastante rígida e de costumes culturais milenares que levam, por exemplo, a uma parte da polícia ostensiva ser armada apenas com porretes.

Salesio Nuhs afirmou, na reunião Apimec em dezembro, que a questão do armamento para civis começou a ser discutida com mais ênfase na Índia há três anos, coicidentemente ou não na mesma época em que o Grupo Jindal o procurou para propor uma joint venture.

Aqui, é importante observar que o que dá sustentação e perenidade a uma fabricante de armamento leve é o mercado civil. Assim, é preciso ressaltar que o foco da Taurus, nos EUA, na Índia e no resto do mundo, é o mercado de armas civis, pois é neste que obtém as melhores margens, sendo o motivo primordial de a fábrica indiana começar sua fase operacional produzindo esse tipo de arma. As licitações, como toda a venda por atacado, causam uma diminuição das margens, que é compensada, no entanto, pelos altos volumes envolvidos.

Não parece haver dúvidas de que um mercado civil com apenas 74 milhões de armas antigas para uma população de 1,4 bilhão de pessoas é um nicho atraente, perene e promissor, sob qualquer ângulo que seja visto, e este é um dos motivos que levou o gigante Jindal Group a procurar a Taurus e com ela firmar uma joint venture em 2020 para produção de armas leves civis e militares na Índia.

No entanto, além do mercado civil, a JD Taurus já está participando de importantes e significativas licitações no imenso mercado militar e de segurança indiano.

Além da megalicitação de 425.000 fuzis para as Forças Armadas indianas que a empresa está disputando e que se definirá no início deste ano, as licitações futuras para órgãos policiais e paramilitares do país já somam cerca de 260 mil armas de diversos tipos (fuzis, submetralhadoras e pistolas). Ou seja, ainda sem ter inaugurado sua fábrica na Índia, a JD Taurus já tem a perspectiva de concorrer a licitações que montam, por enquanto, em cerca de 685 mil armas, além de um imenso e quase inexplorado mercado civil.

Fuzil JD Taurus T4 é um forte concorrente na megalicitação para as Forças Armadas indianas

No que se refere às licitações em todos os níveis governamentais, a multinacional brasileira tem preços muito competitivos, alta tecnologia/qualidade e volume de produção (algo que poucos fabricantes têm), além de ter sido a primeira joint venture de armas leves na Índia e de ter uma fábrica agora pronta para entrar em operação. Os três primeiros fatores fizeram com que vencesse a concorrência para fornecer o Fuzil T4 ao Exército das Filipinas no ano passado, também competindo com grandes fabricantes internacionais de armas. Segundo o CEO da Taurus declarou recentemente, existem dois grandes fabricantes que são favoritos na megalicitação de fuzis indiana, sendo a Taurus um deles, e é bastante provável que cada um fique com 50% do total.

Índia: novo divisor de águas para a Taurus
Em síntese, esta Consultoria está convicta de que a Índia poderá se constituir em um novo divisor de águas para a multinacional brasileira, assim como já o foram a sua venda para a CBC, a assunção da equipe dirigente liderada por Salesio Nuhs e o turnaround "de livro" que esta implementou na empresa.

 

31 dezembro, 2023

Calibre .38 TPC: a estratégia antifrágil da Taurus e da CBC

 

*LRCA Defense Consulting - 31/12/2023

No setor brasileiro de armas leves, munições e acessórios, a realidade que passou a imperar - à revelia da vontade da indústria, do comércio de bens/serviços e dos consumidores - é o novo arcabouço de normas legais representado pelos calibres oficialmente permitidos, pelas Portarias 164 e 166,  e pela autorização para controle de javalis, cujo último ato foi publicado no dia 27 deste mês.

Em vista das problemas trazidos pelas novas normas, vale lembrar que, no início dos anos 60 do século passado, a Marinha dos EUA popularizou uma "metodologia" que passou a balizar os planejamentos iniciais para qualquer atividade, sempre que persistissem dúvidas sobre o que fazer. Simbolizada pelo acrônimo KISS (keep it simple, stupid!), a expressão significa, em tradução direta e bem ao gosto americano, "mantenha o simples, estúpido!".  Ou seja, na dúvida, deve-se priorizar o que é mais simples de ser feito.

Assim, apesar da nova realidade imposta pelo governo brasileiro, algumas atividades "simples" são absolutamente necessárias:
- para o cidadão: continuar a adquirir armas, munições e acessórios para a defesa pessoal, da família e de seus bens;
- para os CACs: continuar a praticar a respectiva atividade nas melhores condições possíveis;
- para as empresas: continuar vendendo seus produtos e serviços, gerando empregos, lucros e divisas.

Para além do que é "simples", caberá à Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições (ANIAM), às federações e confederações esportivas, bem como aos representantes de todos os interessados nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas e, principalmente, no Congresso Nacional, continuar na luta por flexibilizar as medidas relativas a calibres, tipos de armas, habitualidade, localização dos Clubes de Tiro e outras que foram engessadas de forma draconiana nas atuais normas.

Dentro das considerações acima, o primeiro fator a levar em conta é que dificilmente o calibre 9mm deixará de ser restrito neste governo, pois acredita-se que, para ele, esta não seja apenas uma questão técnica, mas sim ideológica. O segundo, é que, independente de ser melhor ou pior que os anteriores, agora existe um arcabouço legal a ser seguido, possibilitando que a "vida" continue, tanto para os cidadãos, como para os CACs e para as empresas. O terceiro, é que a luta continua...

A estratégia antifrágil da Taurus e da CBC
Certamente, não foi por falta de planejamento estratégico, flexibilidade e atenção às oportunidades que a Taurus e a CBC se tornaram duas das maiores empresas do mundo livre em seus respectivos setores.

Além de estarem ampliando vigorosamente a expansão geográfica de suas produções e vendas (EUA, Índia e Arábia Saudita), as duas indústrias, frente à nova situação no País, agiram com oportunidade e decidiram continuar a oferecer aos brasileiros a possibilidade de exercer seus direitos com relação às armas. Como empresas que são, decidiram também continuar a vender seus produtos para o mercado interno não institucional (cidadãos e CACs), tanto por este ser significativo em termos comerciais, quanto por ambas terem uma ligação afetiva e de responsabilidade para com ele.

Neste ponto, vale lembrar o conceito de antifragilidade, que consiste em uma característica pela qual as adversidades, especialmente as imprevistas ou não desejadas, tal como a realidade imposta hoje pelas novas normas, não são superadas apenas por atitudes reativas (que podem ser impensadas, não planejadas e até desastrosas, além de não produzirem muitos resultados positivos), mas pela chamada "aceitação estratégica". Neste caso, aceitar não significa permanecer resignado perante o problema, mas aceitar a realidade tal como ela se apresenta e não como gostaríamos que fosse, entendendo o contexto em torno de um imprevisto no menor prazo possível, aprendendo com isso e tomando as melhores decisões consequentes.

A questão aqui é perceber que certas coisas, depois que acontecem, provocam mudanças tão profundas que não há remédio que não seja se ajustar rapidamente, encarando o indesejável não como um problema, mas sim como uma oportunidade, mediante uma posição proativa e consciente, haja vista que a vida, o trabalho e os negócios seguidamente apresentam fatos novos, inesperados ou não desejados.

Assim, a estratégia antifrágil da Taurus e da CBC, frente à nova realidade dos calibres restritos, foi a de criar um novo calibre para o Brasil: o .38 TPC, que tem 40% mais de energia que o .38 (no limite permitido pela legislação) e potência suficiente para ser usado de forma eficiente na defesa pessoal e nas competições de Tiro Prático (IPSC). Como as duas empresas são as grandes patrocinadoras do esporte e o calibre TPC tem recuo e custos menores que o 9mm, com bons resultados finais, a tendência é que cada vez mais atletas adquiram armas nesse calibre, com ênfase nos atiradores dos níveis iniciais.

Tais considerações também se aplicam aos cidadãos comuns que irão adquirir armas a partir de agora, pois além da potência e do preço, serão armas de calibre permitido, acessíveis a qualquer pessoa habilitada.

É relevante lembrar que a outra opção seria a Taurus e a CBC voltarem-se ainda mais para o mercado internacional, abandonado os cidadãos e CACs que necessitassem de armas mais modernas e calibres mais potentes que o .380. Felizmente, essa opção foi prontamente rejeitada pelas duas empresas.

Ou seja, trazendo o conceito de antifragilidade para um jargão bastante popular, em menos de um mês após a publicação da restrição dos calibres, as duas empresas souberam fazer do "limão" a "limonada", e na melhor forma possível para todos os fins e efeitos.

Em entrevista ao repórter Pedro Pligher, de Money Times, Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, esclareceu a questão. “Houve muitos clientes se queixando de que não poderiam comprar uma G2c por conta do novo decreto”. Com a nova legislação, o calibre 9mm, usado na pistola, ficou restrito. “Mas agora poderão comprar a G2c no calibre .38 TPC”, afirma. Ele cita ainda que a nova munição possui algumas vantagens.

“Qual a grande vantagem desse calibre? Primeiro o recuo, pois é mais efetivo que o .380, mas com muito menos recuo (que o 9mm) e uma energia de impacto grande”, diz Salesio.

“Será um calibre mais barato que o do 9mm, na pistola e na munição”, diz. Segundo ele, "a redução deve ser de 5% em média”. Hoje, uma Taurus G2c 9mm na versão mais barata custa R$ 4.146,00 na loja online da Taurus. No novo calibre, deverá custar por volta de R$ 3.900,00.

Gráficos comparativos: Paulo Bedran (Instagram)
Os gráficos acima e os três textos entre aspas imediatamente abaixo foram extraídos de postagens efetuadas pelo Policial Federal e professor Paulo Elias Bedran Júnior,  em seu perfil no Instagram. Paulo Bedran foi um dos palestrantes na 1ª Conferência Internacional de Balística, realizada pela CBC de 06 a 08 de dezembro, onde discorreu sobre Balística Interna e Externa.

- "Pegue um estojo 9 mm Luger, corte cerca de 1 mm do seu comprimento e projete uma carga que não ultrapasse 407 joules de energia. Pronto, você tem um cartucho .38 TPC! Se for para apelidar o 38 TPC, mais justo seria chamá-lo de 9 mm Luger -P. O cartucho faz uso dos mesmos projéteis, tem o mesmo limite de comprimento, apenas está limitado a entregar não mais que 90% do desempenho do 9 mm Luger."

- "Como esperávamos, trata-se de estratégia das empresas envolvidas no projeto (Taurus e CBC) em apresentar uma opção de ferramenta para defesa mais eficaz e que, legalmente, se enquadre como PERMITIDO."

- "A linha .38 TPC contará com uma versão Bonded, equipada com projétil de 124 grains. A promessa é que esse projétil - em disparos diretos - penetre próximo de 14” na gelatina balística calibrada (10%), com expansão de, aproximadamente, 40% de seu diâmetro original, sem perda de massa. Resultados que, se comprovados, podem tornar o .38 TPC uma luz no fim desse túnel para os preteridos dos calibres restritos."

Efeitos comparativos em gelatina balística entre as munições 9mm 115 grs +P+, 9mm 124 grs +P, 9mm 147 grs +P e 38 TPC 124 grs bonded mostrados por um palestrante na 1ª Conferência Internacional de Balística

Um outro dado a considerar é que dificilmente as empresas estrangeiras irão adaptar suas armas para o novo calibre brasileiro, dado ao custo, ao mercado de um único país e ao alto valor de uma arma importada, acessível a poucos.

Portanto, esta Consultoria acredita que a estratégia da Taurus e da CBC, além de evidenciar a antifragilidade das duas companhias, possibilitará que cidadãos comuns, CACs e empresas continuem a exercer seus direitos e atividades relativos ao setor, da melhor forma possível dentro da nova realidade.

Com relação às indústrias e lojas, a tendência é que as vendas de armas e munições no mercado interno aumentem de forma significativa a partir de agora, dada à enorme demanda reprimida em todo o ano de 2023, contemplando, principalmente, produtos nesse novo calibre, tão logo estejam disponíveis.

28 dezembro, 2023

Taurus e SCOPA avançam em entendimentos para fabricação de armas na Arábia Saudita

Imagem fictícia e meramente representativa da parceria da Taurus & CBC com a saudita SCOPA Defense

*LRCA Defense Consulting - 28/12/2023

Em Fato Relevante enviado hoje à Comissão de Valores Mobiliários, a Taurus Armas S.A. informou aos seus acionistas e ao mercado que, em continuidade ao Fato Relevante publicado em 31 de Julho de 2023 e após autorização do Conselho de Administração, celebrou nesta data a assinatura de um Term Sheet (Termo de Compromisso), não vinculante, que estabelece as premissas iniciais para avançar com o estudo de viabilidade da constituição de uma joint venture no Reino da Arábia Saudita com a empresa SCOPA MILITARY INDUSTRIES (anteriormente denominada SCOPA DEFENSE TRADING).

O objetivo da joint venture, se obtidas todas as autorizações estatutárias e legais, será a fabricação de armas Taurus no Reino da Arábia Saudita e comercialização em toda a região do “GCC” (Cooperation Council for the Arab States of the Gulf), que tem como membros os seguintes países: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

A parceria, caso efetivada, também busca atender uma série de programas e plataformas do projeto Saudi Vision 2030 (www.vision2030.gov.sa), que objetiva uma posição abrangente e ambiciosa para o Reino da Arábia Saudita (KSA) até o ano de 2030, com várias frentes estratégicas para promover o desenvolvimento econômico e social da região, principalmente na área de defesa.

As partes seguirão com os estudos para elaboração do plano de negócios a ser desenvolvido, bem como as demais condições para criação da joint venture.

A SCOPA é uma das principais empresas de defesa do Reino da Arábia Saudita. Através de um portfólio de produtos para indústrias militares, contribui para o projeto SAUDI VISION 2030, de fabricar 50% da produção internamente e ajudar no desenvolvimento das indústrias militares no Reino, visando alcançar a sustentabilidade no atendimento às necessidades e demandas das forças armadas sauditas.

A Arábia Saudita possui atualmente o 5º maior orçamento de defesa no mundo e planeja que, até o ano de 2030, 50% dos investimentos militares tenham origem em empresas locais.

A assinatura deste Term Sheet é um passo importante na estratégia global da TAURUS como líder mundial na fabricação de armas leves e transferência de tecnologias, tendo como base a rentabilidade sustentável, qualidade e melhoria dos indicadores financeiros e operacionais, além do forte investimento no desenvolvimento de tecnologias de novos produtos, processos e materiais.

Saiba mais:
- Taurus prepara "turnaround mercadológico" para 2024
- Na Arábia Saudita, Taurus & CBC podem criar um forte ecossistema logístico para as Forças Armadas e para exportação



Postagem em destaque