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26 outubro, 2026

Embraer mira expansão militar na Ásia com C-390, produção local e Super Tucano antidrone

Entrevista de executivo da fabricante revela negociações regionais e novas capacidades, enquanto Índia, Coreia do Sul e Filipinas representam diferentes estágios de presença no mercado



*LRCA Defense Consulting - 26/10/2026 - 09h10

A Embraer vê na Ásia-Pacífico uma das principais frentes para ampliar suas atividades de Defesa e Segurança. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (26) pela Asian Military Review, Frederico Lemos, diretor comercial da divisão, afirmou que a empresa mantém conversações ativas com vários países da região, impulsionada pelo interesse no C-390 Millennium e no A-29 Super Tucano. O movimento reúne oportunidades de renovação de frotas, parcerias industriais e novas missões, especialmente a interceptação de drones.

Segundo a Embraer, o mercado endereçável na Ásia-Pacífico alcança 184 aeronaves de transporte militar, cerca de 40% do potencial global identificado pela companhia, e outras 90 aeronaves na categoria do Super Tucano. Esses números expressam estimativas de demanda, não pedidos, contratos ou previsões de participação efetiva da fabricante brasileira.

Coreia do Sul abre caminho para o C-390 

A Coreia do Sul é a primeira cliente asiática do C-390 e deverá receber sua primeira aeronave em 2026. Apresentado pela Embraer no Singapore Airshow, em fevereiro, o avião havia alcançado a fase final de montagem e ainda precisaria passar por voos de produção e integração de sistemas específicos. O avanço oferece à fabricante uma referência regional concreta, embora a entrada em serviço e seus resultados operacionais ainda precisem ser comprovados.

A empresa destaca a capacidade multimissão do C-390, que combina transporte, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento e apoio a operações especiais. Para países com arquipélagos, bases dispersas e grandes distâncias, a flexibilidade pode ser tão importante quanto a carga transportada. Lemos mencionou uma taxa de disponibilidade para missão de 93%, indicador apresentado pela própria Embraer e que não deve ser confundido com desempenho auditado de todas as frotas. 


Índia: aeronaves e indústria na mesma concorrência 
Na Índia, a Embraer disputa com o C-390 o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA), previsto para 60 unidades. A proposta contempla 12 aeronaves entregues prontas e 48 fabricadas localmente. Em parceria com a Mahindra, a companhia identificou Nagpur como local para uma possível linha de montagem final, cuja implantação depende da seleção brasileira e de um contrato efetivo.

O LRCA examinou em 16 de outubro o significado industrial dessa concorrência: além de preço e desempenho, a decisão indiana envolve conteúdo nacional, fornecedores, transferência de tecnologia e manutenção. A Lockheed Martin concorre com o C-130J, aeronave já conhecida da Força Aérea Indiana e apoiada por uma cadeia industrial estabelecida. A expectativa de seleção em 2028, mencionada pela Asian Military Review, permanece uma projeção, não um resultado definido.

Super Tucano: de ataque leve à defesa contra drones, inclusive a jato

A outra oportunidade está no A-29. As Filipinas encomendaram um segundo lote de seis Super Tucano, que deverá elevar sua frota a 12 aeronaves; segundo Lemos, as novas entregas estão próximas. A ampliação mostra o valor de uma base de clientes existente, que pode demandar treinamento, manutenção e futuras atualizações.

Mais relevante do ponto de vista tecnológico é a missão antidrone. A Embraer desenvolve um pacote de capacidades contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS), com possibilidade de empregar metralhadoras ou foguetes guiados a laser. Lemos afirmou que os ensaios iniciais sugerem capacidade para enfrentar inclusive drones a jato. A declaração, porém, não equivale à comprovação pública de um sistema certificado e pronto para emprego operacional em todas as condições.

O pacote seria predominantemente baseado em software e poderia, segundo o executivo, ser oferecido a operadores atuais do A-29. Paralelamente, a versão A-29NX, anunciada em Farnborough 2026, prevê uma nova interface homem-máquina, tela de grandes dimensões e melhorias de conectividade. Trata-se de frentes relacionadas, mas não idênticas: a modernização da aeronave e a capacidade antidrone possuem requisitos e cronogramas que ainda precisam ser esclarecidos. 


A economia da interceptação e os limites operacionais 
A possibilidade de empregar armamento de menor custo contra drones baratos responde a um problema crescente das defesas aéreas: o desequilíbrio entre o preço da ameaça e o do interceptador. O Super Tucano pode acrescentar uma camada à defesa, mas não substitui radares, identificação segura, comando e controle, guerra eletrônica ou sistemas de defesa antiaérea. Velocidade relativa, altitude, meteorologia e risco para áreas povoadas continuam a condicionar a viabilidade de cada interceptação.

Capacidade industrial será decisiva 
A entrevista também indica a ambição da Embraer de elevar a produção do C-390 a dez aeronaves por ano até 2030, após uma previsão de seis entregas em 2026. A expansão exige fornecedores, pessoal, certificação, logística e suporte compatíveis com o aumento da frota. A empresa também estuda, com a Anduril, o lançamento de armamentos de longo alcance a partir do cargueiro; até a publicação da entrevista, nenhum armamento havia sido lançado do C-390 nessa iniciativa.

O momento financeiro reforça a relevância da estratégia. Conforme o LRCA noticiou em 23 de outubro, a carteira firme de Defesa e Segurança da Embraer alcançou US$ 6,1 bilhões ao fim do terceiro trimestre de 2026, crescimento de 56% em relação ao ano anterior. Esse resultado não significa, contudo, que o mercado asiático estimado já esteja incorporado à carteira de pedidos.

Da oportunidade ao contrato 
A Ásia-Pacífico oferece à Embraer três caminhos complementares: consolidar o C-390 em uma força aérea regional, disputar grandes programas de substituição de cargueiros e ampliar a utilidade do A-29 diante de novas ameaças. Coreia do Sul, Índia e Filipinas ilustram, respectivamente, a passagem à fase de entrega, a competição industrial ainda aberta e a ampliação de uma frota existente.

A perspectiva é promissora, mas exige cautela. Negociações não são encomendas; estimativas de mercado não são receitas contratadas; e testes iniciais não representam capacidade operacional consolidada. O sucesso da Embraer dependerá de converter interesse em contratos, cumprir prazos, sustentar disponibilidade e transformar parcerias industriais em estruturas permanentes de suporte. É nessa passagem das intenções aos resultados que se medirá a dimensão efetiva de sua expansão asiática.

29 julho, 2026

KAI e Embraer assinam memorando para ampliar cooperação em aviação comercial

Acordo entre as fabricantes, firmado durante visita do presidente sul-coreano ao Brasil, formaliza plano anunciado em fevereiro para explorar o desenvolvimento de uma aeronave de nova geração


*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026 (atualizado em 30/07)

A Korea Aerospace Industries (KAI) e a Embraer assinaram um memorando de entendimento (MOU) para ampliar a cooperação em aviação comercial e aeroespacial, fortalecendo a parceria estratégica entre as duas fabricantes. O acordo foi firmado durante o Korea-Brazil Business Roundtable, realizado em São Paulo nesta terça feira (28), no âmbito da visita de Estado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung ao Brasil, segundo informou o portal especializado AVIATOR.

Segundo autoridades sul-coreanas, o MOU dá continuidade a um anúncio feito pelas duas empresas em fevereiro, quando KAI e Embraer já haviam manifestado a intenção de explorar conjuntamente o desenvolvimento de uma aeronave comercial de nova geração. O novo memorando estabelece agora um marco para colaboração mais ampla e diálogo estratégico regular entre as companhias.

O acordo corporativo coincidiu com uma proposta política do presidente Lee, que, no mesmo evento, apontou o desenvolvimento conjunto de aeronaves comerciais de nova geração como um dos três eixos prioritários para aprofundar a relação econômica entre os dois países, ao lado da cooperação em minerais críticos e da crescente indústria coreana de cosméticos.

Governo fala em estágio inicial, mas empresas já formalizam colaboração
Em paralelo ao MOU entre as fabricantes, o chefe da Política Presidencial da Coreia do Sul, Kim Yong-beom, afirmou que a participação sul-coreana no programa de nova geração da Embraer ainda está em estágio muito preliminar: nem a forma dessa participação, nem os termos comerciais de um eventual acordo mais amplo foram definidos até o momento. A distinção é relevante: o MOU já assinado organiza o diálogo entre KAI e Embraer, mas o formato final da cooperação, incluindo eventual investimento ou desenvolvimento conjunto de um avião maior, segue em aberto.

Ideia surgiu durante inspeção a um C-390
O tema já havia sido lançado por Lee no domingo (26), ao chegar a Brasília, quando inspecionou um C-390, aeronave de transporte militar fabricada pela Embraer que a Força Aérea sul-coreana deve começar a receber ainda neste ano, dentro de um contrato que já prevê a produção de componentes por empresas coreanas. Na ocasião, o presidente disse a autoridades brasileiras que os dois países deveriam, no futuro, construir aeronaves civis juntos, se possível.

Foto: Korea Herald

Um avião maior que os jatos regionais atuais
De acordo com Kim, a Embraer estaria avaliando ampliar seu portfólio para além dos jatos regionais de 70 a 100 assentos, hoje núcleo de seu negócio comercial, entrando no segmento de aeronaves de médio porte, com capacidade para 150 a 200 passageiros. É nesse programa, ainda em fase de concepção, que a Coreia do Sul pretende buscar uma participação mais profunda do que a atual, hoje restrita majoritariamente ao fornecimento de partes de fuselagem e asas.

A motivação: ampliar a base industrial aeroespacial coreana
Kim explicou que a eventual parceria serviria para ampliar a base industrial aeroespacial da Coreia do Sul, hoje concentrada quase exclusivamente na fabricação de aeronaves militares pela Korea Aerospace Industries (KAI). Segundo ele, a KAI não pode permanecer restrita a esse campo, dependente apenas da demanda doméstica por caças, e precisa expandir tanto na área militar quanto na aviação comercial. O setor de aviação comercial, os motores aeronáuticos e a indústria espacial estão conectados, disse Kim, acrescentando que a Coreia do Sul precisa fortalecer significativamente suas capacidades aeroespaciais.

O que a KAI já fornece à Embraer hoje
A KAI afirmou que a parceria tem como objetivo ir além da atual relação de fornecedora que mantém com a Embraer. Atualmente, a empresa sul-coreana fabrica estruturas de asa para aeronaves comerciais da Embraer e componentes estruturais para aeronaves eVTOL (de decolagem e pouso vertical elétricos), segmento em que a fabricante brasileira atua por meio da Eve Air Mobility. Com o novo memorando, a KAI busca desenvolver uma parceria de mais longo prazo, focada em compartilhamento de tecnologia e desenvolvimento conjunto.

Representantes da Korea Aerospace Industries e da Embraer posam para foto após a assinatura de um memorando de entendimento sobre cooperação estratégica em estruturas aeronáuticas durante a Mesa Redonda Empresarial Coreia-Brasil em São Paulo, Brasil, em 28 de julho de 2026. Foto: Cortesia da KAI

Empresas já se movimentam
Durante a viagem, executivos coreanos se anteciparam ao debate público: Cho Won Tae, presidente do Hanjin Group, e Kim Jong Chool, presidente da KAI, mantiveram reuniões individuais com o chairman da Embraer para tratar de uma possível participação sul-coreana e da ampliação da parceria já existente entre as duas empresas. O acordo entre KAI e Embraer foi um dos sete memorandos de entendimento assinados entre companhias coreanas e brasileiras durante o fórum, que também abrangeram defesa, minerais críticos e biotecnologia.

Kim Yong-beom mencionou ainda conversas em andamento entre a Korean Air e a Embraer, mas o Governo evitou detalhá-las, alegando tratar-se de um estágio ainda inicial das tratativas.

Cautela diante de um mercado concentrado
O próprio Kim reconheceu que as empresas avançam com cautela: o mercado global de aeronaves é dominado por poucos fabricantes, entre eles Airbus e Boeing, e uma eventual parceria com a Embraer poderia afetar as relações da Coreia do Sul com esses concorrentes. Ainda assim, o Governo sul-coreano avalia que a Embraer, uma das três maiores fabricantes de aeronaves comerciais do mundo e importante player em aviação executiva e defesa, oferece uma oportunidade concreta de expansão na aviação civil global, caso as condições se mostrem favoráveis.

Uma base de cooperação que já existe
A eventual expansão para o campo comercial se apoiaria em uma cooperação industrial já consolidada entre os dois países. Em 2023, a Coreia do Sul foi selecionada pela Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) como cliente do C-390 Millennium, no programa Large Transport Aircraft II (LTA II), e componentes do cargueiro, como partes de fuselagem e asas, já são produzidos por fornecedores locais como ASTG, EMK e Kencoa Aerospace. Em outubro de 2025, a Embraer e a DAPA assinaram ainda um memorando de entendimento para aprofundar a cooperação tecnológica e abrir caminho à participação de empresas coreanas nas cadeias globais de suprimentos da fabricante brasileira.

Próximos passos
Segundo Kim, o Governo sul-coreano pretende usar os resultados das conversas da Korean Air e da KAI com a Embraer para desenhar uma estratégia de participação mais ampla, envolvendo outras empresas e órgãos oficiais, sob coordenação da Presidência e da Korea AeroSpace Administration. Após o retorno da comitiva a Seul, disse Kim, o tema será discutido internamente de forma mais aprofundada, como base para dar sequência às tratativas com a Embraer.

03 fevereiro, 2026

Embraer revela novidades no primeiro dia do Singapore Airshow

 Manutenção preditiva e transporte militar consolidam posição global da empresa


*LRCA Defense Consulting - 03/02/2026

No primeiro dia do Singapore Airshow, a Embraer anunciou um acordo de manutenção preditiva com a Virgin Australia, divulgou que o primeiro C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) atingiu a fase final de montagem, revelou o surgimento de um novo cliente para o C-390 Millennium na Ásia Central, e esclareceu que a República das Filipinas é o cliente não revelado que adquiriu seis A-29 Super Tucano anteriormente, movimentos estes que reforçam a aposta da empresa no mercado Asia-Pacífico.

Virgin Australia adota sistema AHEAD para manutenção preditiva digital
A Embraer assinou, nesta terça-feira, um contrato de longo prazo com a Virgin Australia para equipar sua frota de E190-E2 com o sistema AHEAD (Aircraft Health Analysis and Diagnosis). A plataforma permite a implementação de manutenção preditiva digital nos jatos E-Jet, utilizando dados coletados em voo e em solo para identificar e antecipar problemas técnicos antes que se tornem críticos.

O sistema oferece monitoramento em tempo real de um amplo leque de sistemas da aeronave, da Unidade de Potência Auxiliar (APU) aos motores, passando por hidráulica, aviônica, controles de voo e ar condicionado. Algoritmos preditivos processam esses dados continuamente, permitindo que operadores planejem intervenções de forma proativa, reduzindo o tempo de inatividade não programado e otimizando a disponibilidade da frota.

"Nossos jatos E2 são revolucionários. A ferramenta AHEAD nos ajudará a antecipar problemas de manutenção, garantindo que estejamos aproveitando ao máximo nossas novas aeronaves", afirmou Nathan Miller, Gerente Geral Executivo, Virgin Australia Regional Airlines

Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte, destacou que o acordo "reforça o compromisso da Embraer em impulsionar a inovação digital na aviação", pois a integração do AHEAD à frota E2 deve reduzir custos de manutenção e ainda diminuir as emissões de CO₂, ao eliminar queimas de combustível desnecessárias vinculadas a problemas de manutenção não tratados.

A Virgin Australia possui oito encomendas firmes de E190-E2 e já recebeu duas aeronaves. A frota regional, operada pela Virgin Australia Regional Airlines (VARA), é baseada em Perth e representa a primeira operação do E2 na Oceania, iniciada em novembro de 2025.

Primeiro C-390 da Coreia do Sul entra na fase final de montagem
Também durante a abertura do Singapore Airshow, a Embraer anunciou que o primeiro C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) atingiu a fase final de montagem. A aeronave seguirá para voos de produção e, depois, para a integração de sistemas específicos que atendem aos requisitos da ROKAF, com entrega prevista até o final do ano.

O marco assinala a conclusão de um processo iniciado com a seleção do C-390 no âmbito do programa de Aeronave de Transporte de Grande Porte (LTA-II) da Coreia do Sul, tornando o país o primeiro cliente da Embraer para o Millennium na Ásia.

"O progresso do primeiro C-390 da República da Coreia demonstra tanto a eficiência e maturidade de nossa linha de produção, quanto a força de nossa parceria com a DAPA, a ROKAF e nossos fornecedores coreanos" declarou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO, Embraer Defesa & Segurança

Bosco também indicou que a cooperação industrial com a Coreia está avançando, fortalecendo a cadeia de suprimentos global da Embraer à medida que a empresa aumenta a produção do C-390 para atender uma crescente lista de clientes internacionais. A empresa já cortou o tempo de construção da aeronave em cerca de um terço e pretende continuar acelerando o ritmo.

Incrementos no C-390
O executivo da Embraer
 acredita que há espaço para aumentar a produção do C-390 para cerca de 10 aeronaves por ano até 2030, com a eventual abertura de linhas adicionais de montagem, podendo ampliar ainda mais esse volume.

Paralelamente, a Embraer estruturou o chamado “Grupo de Evolução do C-390”, integrado ao seu conjunto mais amplo de operadores, com o objetivo de mapear e priorizar futuras modernizações da plataforma.

Nesse contexto, embora a versão de reabastecimento em voo KC-390 já disponha do sistema de mangueira e cesto, seguem em andamento os estudos para a incorporação de uma lança de reabastecimento. A iniciativa é motivada, entre outros fatores, pelas exigências de clientes da OTAN que buscam empregar a aeronave no reabastecimento de suas frotas de caças Lockheed Martin F-35 e/ou F-16 padrão (não equipados com probe retrofit). 

C-390 Millennium: clientes confirmados até hoje:

  • Brasil, Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, República do Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia.
  • Primeiro cliente na Ásia: República da Coreia (programa LTA-II, seleção em 2023).
  • Primeiro cliente na Ásia Central: República do Uzbequistão (revelado em  03 defevereiro de 2026).
  • Meta de produção: 10 aeronaves/ano até ~2030; entrega de seis unidades prevista para 2026.  

Uzbequistão confirmado como cliente do KC-390 na Ásia Central
Na mesma oportunidade, a Embraer revelou que a República do Uzbequistão é o cliente anteriormente não revelado por trás de uma encomenda feita em dezembro de 2024. Com essa confirmação, o país se torna o primeiro operador do C-390 na Ásia Central, expandindo a presença da aeronave em uma região considerada estratégicamente relevante do ponto de vista geopolítico e logístico.

Segundo a Embraer, a Força Aérea do Uzbequistão utilizará o C-390 principalmente em missões humanitárias e de transporte. A quantidade de aeronaves do pedido não foi divulgada, mas Da Costa indicou que a primeira entrega está prevista para este ano — sendo uma das seis unidades que a fabricante pretende entregar aos clientes ao longo de 2026, duplicando o volume de entregas de 2025.

“Damos as boas-vindas oficiais à República do Uzbequistão ao grupo de operadores do C-390, enquanto a Força Aérea do Uzbequistão moderniza suas capacidades de transporte”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Estamos honrados com a escolha desta importante Força Aérea da Ásia Central e trabalharemos em estreita colaboração com ela para garantir a operação impecável desta aeronave revolucionária”. 

Filipinas é o cliente não revelado de seis A-29 Super Tucano
A Embraer também anunciou no Singapore Airshow que a Força Aérea Filipina (PAF) recebeu uma encomenda de seis aeronaves A-29 Super Tucano, anteriormente anunciada como não divulgada. Esta encomenda adicional de seis aeronaves eleva a frota total da Força Aérea Filipina para 12 aeronaves, aprimorando as capacidades da PAF para realizar uma variedade de missões, como apoio aéreo aproximado, ataque leve, vigilância, interceptação aérea e contra-insurgência, com confiabilidade e taxas de sucesso incomparáveis.

Estratégia da Embraer na Ásia-Pacífico
Os dois anúncios definem um cenário em que a Embraer consolida sua presença na Ásia-Pacífico, tanto na aviação comercial como na defesa. Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer, já indicou, antes do airshow, que a região é um "motor principal de crescimento" para a empresa, com oportunidades significativas nos segmentos de aviação comercial e de defesa. 

A Embraer vê um mercado endereçável de 184 C-390 Millennium (juntamente com 90 unidades do Super Tucano) na região Ásia-Pacífico, com a Índia representando um segmento de 40 a 80 unidades. No curto prazo, a empresa estima oportunidades para cerca de 84 aeronaves na região. Para atender essa demanda, a fabricante pretende aumentar a produção a dez unidades por ano até aproximadamente 2030, além de avaliar capacidade adicional de montagem final. 

Além da Coreia do Sul e do Uzbequistão, a empresa está trabalhando com o Mahindra Group para avançar a proposta do C-390 para o programa de Aeronave de Transporte Médio da Força Aérea Indiana. 

No segmento comercial, além do acordo AHEAD com a Virgin Australia, a Embraer já opera E190-E2s com a Scoot (Singapura) desde maio de 2024 e recebeu um pedido de 15 E190-E2s da All Nippon Airways (ANA). 

Em 27 de janeiro de 2026, a Embraer e a Adani Defence & Aerospace assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver um ecossistema integrado de aeronaves de transporte regional na Índia. A parceria foi celebrada em cerimônia organizada pelo Ministério da Aviação Civil em Nova Délhi, com a presença de autoridades seniores.

Os jatos E2 da Embraer desempenharão um papel importante na substituição dos 800 turboélices na região Ásia-Pacífico, argumenta a empresa. Os E2 são mais rápidos, têm mais capacidade e maior alcance do que turboélices. Por outro lado, oferecem a solução ideal para preencher a lacuna entre turboélices e narrowbodies.

Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Embraer e chefe de região para a Ásia-Pacífico, observou que as presenças de alto perfil em diferentes partes da Ásia-Pacífico dão aos jatos E2 boa visibilidade. "Agora temos marcas de clientes realmente fortes em diferentes partes da Ásia-Pacífico", disse ele.

Há também potencial significativo para mais pedidos no mercado australiano, onde já existem cinco operadoras com várias aeronaves Embraer. Villaron projeta que poderia haver um total de 200 aeronaves Embraer operando na Austrália até 2030. 

15 dezembro, 2025

Brasil entra na era espacial comercial com lançamento do Hanbit-Nano

Operação Spaceward marca marco histórico para o programa espacial brasileiro e abre caminho para novos investimentos no setor. Evento terá transmissão ao vivo no YouTube


 
*LRCA Defense Consulting - 15/12/2025

O Brasil está às vésperas de entrar definitivamente no mercado global de lançamentos espaciais comerciais. A empresa sul-coreana Innospace anunciou nesta segunda-feira (15) que iniciou a fase final de preparação para o lançamento do foguete HANBIT-Nano, marcado para quarta-feira (17 de dezembro), às 15h45, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A Operação Spaceward, como foi batizada a missão, representa não apenas o primeiro lançamento comercial realizado em solo brasileiro, mas também o primeiro voo orbital comercial da história do país. Se bem-sucedido, o evento colocará o Brasil no seleto grupo de nações capazes de oferecer serviços de lançamento espacial ao mercado internacional.

Um marco conquistado após décadas
O lançamento do HANBIT-Nano simboliza a concretização de um sonho que atravessa gerações de cientistas, engenheiros e técnicos brasileiros. A janela de lançamento se estende de 16 a 22 de dezembro, período determinado após extensos testes de segurança realizados pela Innospace em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Para esta operação, a FAB mobilizou aproximadamente 400 pessoas, sendo 300 militares e 100 civis, especializadas em engenharia, telemetria, logística, segurança, comunicações e medicina aeroespacial. A eles se juntaram cerca de 60 técnicos e representantes da empresa sul-coreana, em um esforço conjunto que demonstra o alto nível de cooperação internacional alcançado pelo setor espacial brasileiro.

O foguete e sua tecnologia
O HANBIT-Nano é um veículo lançador orbital de dois estágios que utiliza tecnologia de propulsão híbrida — combinando parafina sólida e oxigênio líquido. Com 21,8 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, o foguete é capaz de transportar até 90 quilos de carga útil a uma altitude de aproximadamente 500 quilômetros em órbita terrestre baixa.

A missão carregará oito cargas úteis, distribuídas entre cinco pequenos satélites destinados à inserção orbital e três dispositivos experimentais. Entre as cargas brasileiras destacam-se:
  • Jussara-K e PION-BR2 "Cientistas de Alcântara" (UFMA): Nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal do Maranhão para coleta de dados ambientais. O PION-BR2 levará ao espaço mensagens produzidas por cerca de 300 crianças participantes do projeto Cientistas de Alcântara.

  • FloripaSat-2A e 2B (UFSC): Satélites da Universidade Federal de Santa Catarina para testes de comunicação em órbita.

  • Sistema de Navegação Inercial/GNSS (SNI): Desenvolvido por meio de uma encomenda tecnológica da AEB pelas empresas Concert Space, CRON Sistemas e HORUSEYE TECH, é o principal equipamento de controle para veículos lançadores.

  • Solaras-S2 (Índia): Satélite da empresa Grahaa Space para monitoramento de fenômenos solares.
Alcântara: a vantagem geográfica do Brasil
O Centro de Lançamento de Alcântara está localizado a 2°18' de latitude sul, sendo a base de lançamento comercial mais próxima da linha do Equador. Essa posição privilegiada confere ao CLA vantagens significativas: a velocidade de rotação da Terra na altura do Equador auxilia o impulso dos lançadores, permitindo uma economia estimada em até 30% de combustível em comparação com bases situadas em latitudes maiores.

O Centro de Lançamento de Alcântara, com mais de quatro décadas de experiência e mais de 500 operações realizadas, consolida-se como uma das bases mais estratégicas do mundo, competindo diretamente com o Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa.



Uma trajetória marcada por desafios
O programa espacial brasileiro passou por momentos difíceis ao longo de sua história. A construção da base começou em 1982, com o primeiro lançamento ocorrendo em 21 de fevereiro de 1990. No entanto, o acidente de 22 de agosto de 2003, quando a explosão do foguete VLS-1 (XV-03) matou 21 profissionais, representou um dos capítulos mais trágicos da história espacial brasileira.

A "Tragédia de Alcântara" ceifou a vida de 21 heróis que compartilhavam o sonho de ver o Brasil conquistar os céus e explorar o espaço. Desde então, o país implementou significativas mudanças nos protocolos de segurança e nos sistemas que garantem maior precisão e confiabilidade nos lançamentos.

O caminho para a comercialização
Como resultado do edital de chamamento público lançado pela AEB em 2020, a Innospace foi selecionada para operar no CLA e assinou contrato com o Comando da Aeronáutica em 2022. Este modelo de parceria público-privada representa um novo capítulo para o programa espacial brasileiro.

Um ponto de virada importante ocorreu em 2019, com o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) firmado entre Brasil e Estados Unidos, que liberou lançamentos em Alcântara de foguetes com tecnologia norte-americana. Em 2024, o governo criou a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada), responsável por negociar contratos comerciais de lançamentos.

Preparativos finais
O transporte do veículo lançador HANBIT-Nano até a plataforma de lançamento teve início na segunda-feira (15), seguido por operações sequenciais como elevação do veículo, conexão dos umbilicais para carregamento de propelentes, energia elétrica e dados, além de testes de vazamento.

No dia do lançamento, será realizada uma revisão final abrangente em coordenação com a FAB e a AEB, incluindo verificação das condições meteorológicas e prontidão técnica geral. Após a autorização final, terá início o carregamento dos propelentes e a contagem regressiva.

O evento será transmitido ao vivo no YouTube a partir das 14 horas do dia 17: https://www.youtube.com/live/RqGZ1mS5FC0?si=1NT0xbxvS1TJzOtZ

Perspectivas para o futuro
O mercado espacial global movimentou US$ 596 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 944 bilhões em 2033, de acordo com estudo da consultoria internacional NovaSpace. O lançamento do HANBIT-Nano pode servir de catapulta para novos investimentos no setor brasileiro.

"Nosso primeiro lançamento comercial, a missão Spaceward, possui um forte significado simbólico, já que marca o início dos serviços de transporte espacial utilizando um veículo lançador desenvolvido de forma independente por uma empresa privada sul-coreana", afirmou Soojong Kim, fundador e diretor-presidente da Innospace.

O legado dos heróis de Alcântara
Este lançamento também representa uma forma de honrar a memória dos 21 profissionais que perderam suas vidas em 2003. O projeto valoriza a formação de novas gerações de engenheiros e técnicos, estimulando a inovação e reforçando a importância do setor espacial para o desenvolvimento científico e econômico do Brasil.

Se bem-sucedido, o lançamento do HANBIT-Nano marcará o ingresso definitivo do Brasil no mercado comercial de lançamentos espaciais, abrindo caminho para o aumento de investimentos em tecnologia aeroespacial e consolidando Alcântara como um dos principais centros de lançamento do hemisfério sul.

A contagem regressiva para este momento histórico já começou, e o Brasil observa atentamente enquanto décadas de esforços, investimentos e sonhos se aproximam de se tornarem realidade.

Sobre a Operação Spaceward
A Operação Spaceward é coordenada pela Força Aérea Brasileira em parceria com a Agência Espacial Brasileira e representa o primeiro lançamento comercial realizado a partir do território brasileiro. A missão demonstra o amadurecimento do programa espacial brasileiro e sua capacidade de atrair investimentos internacionais, posicionando o país como player competitivo no mercado global de serviços espaciais.

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