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31 outubro, 2026

Startup de São José dos Campos recorre à impressão 3D alemã para dominar o motor do microlançador brasileiro

Acordo com a EOS dá aos engenheiros da BIZU Space acesso à formação em projeto para manufatura aditiva e ao suporte técnico da fabricante, no momento em que a empresa desenvolve o terceiro estágio a propulsão líquida do MLBR

Michael Wohlfart (Gerente de Equipe de Desenvolvimento de Negócios e Academia da EOS) e Raphael Galate (Cofundador da BIZU Space) celebram a nova parceria (da esquerda para a direita)


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LRCA Defense Consulting - 31/10/2026 - 21h39

A fabricante alemã EOS, uma das líderes mundiais em manufatura aditiva industrial, e a BIZU Space, startup de São José dos Campos (SP) especializada em motores de foguete a propelente líquido, anunciaram em 29 de outubro uma colaboração voltada a componentes de propulsão espacial. O comunicado foi divulgado simultaneamente em Krailling, sede da EOS nos arredores de Munique, e na cidade paulista, principal polo aeroespacial do País.


Pelo acordo, os engenheiros da BIZU Space terão acesso à formação em Design for Additive Manufacturing (DfAM), a metodologia de projeto pensada desde o início para a impressão 3D, oferecida pela Additive Minds Academy, braço educacional da EOS. O pacote inclui ainda apoio de engenharia dos especialistas da Additive Minds, a consultoria técnica da fabricante. O objetivo declarado é aplicar a impressão 3D em metal a peças críticas de motores de foguete, como câmaras de combustão e turbobombas de ciclo fechado.

Por que imprimir um motor de foguete 
A câmara de combustão de um motor líquido opera sob pressões e temperaturas extremas e depende de canais internos de refrigeração, por onde circula o próprio propelente antes de ser queimado. Na fabricação convencional, essas peças exigem usinagem complexa, soldagem e brasagem de muitas partes, com prazos longos e custo elevado. A impressão em leito de pó metálico permite produzir a câmara em peça única, com os canais já integrados, e alterar o projeto entre uma campanha de testes e outra em semanas, não em meses.

É por isso que a EOS acumulou clientes no setor de lançadores. A norte-americana Launcher imprimiu em liga de cobre, numa máquina EOS M 290, seu primeiro motor de demonstração; a australiana Gilmour Space escolheu a empresa como parceira de manufatura aditiva em 2023; e a alemã Isar Aerospace, que alcançou a órbita na segunda tentativa, produz a câmara de empuxo de seus motores com equipamentos da EOS e da AMCM, subsidiária do grupo dedicada a impressoras de grande formato. A ArianeGroup, responsável pelo Ariane 6, também integra a carteira.

Na nota, Michael Wohlfart, gerente de desenvolvimento de negócios e da Academy da EOS, afirmou que os programas mais bem-sucedidos de manufatura aditiva combinam tecnologia e educação, e que a meta é dar aos engenheiros domínio do projeto para impressão 3D em aplicações exigentes como a propulsão espacial. Raphael Galate, cofundador da BIZU Space, disse que o setor espacial brasileiro vive uma fase de crescimento e que trabalhar com a EOS ajudará a consolidar a competência necessária para as futuras aplicações da empresa. 


Quem é a BIZU Space 

Fundada por engenheiros formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a BIZU Space se define como desenvolvedora verticalizada de propulsão e tecnologias de lançamento. Projeta motores de alto desempenho com propelentes estocáveis, destinados a estágios superiores de lançadores, sistemas de controle de reação, foguetes de treinamento e veículos de transferência orbital. Em julho, a empresa contava com 14 profissionais das engenharias aeroespacial, aeronáutica, química, mecânica e eletrônica.

A startup opera no Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), onde montou o T8, banco de ensaios privado para motores líquidos e híbridos, distribuído em contêineres que abrigam a central de controle, um laboratório de química e a bancada de testes. Em 29 de maio, a empresa lançou de Virgínia (MG), na missão Trem Baum, o FTL-Perseu, apresentado como o primeiro foguete brasileiro a decolar e voar exclusivamente com propulsão líquida. O release da EOS registra ainda um teste de queima estática (hot-fire) do sistema propulsivo da empresa realizado em outubro. 

O elo com o Microlançador Brasileiro 

O peso estratégico da parceria está no Microlançador Brasileiro (MLBR), veículo de 12 metros desenvolvido por um consórcio de cerca de dez empresas nacionais, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB). O programa recebeu R$ 189 milhões da Finep e tem na linha de frente a CENIC Engenharia, a PlasmaHub e a Delsis Aerospace, de São José dos Campos, a Etsys, de Jacareí (SP), e a Concert Space, de Belo Horizonte. A configuração básica prevê três estágios a propelente sólido e capacidade para colocar cerca de 40 kg em órbita baixa, a 450 km de altitude, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A BIZU Space entra justamente na evolução do lançador. Em 18 de junho, durante a SpaceBR Show, em São Paulo, a Finep e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) formalizaram R$ 25 milhões para a empresa desenvolver um terceiro estágio a propulsão líquida para o MLBR, num dos primeiros contratos da segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil voltada à Base Industrial de Defesa (BID). Segundo o chefe de propulsão da empresa, Nicolas Miquelin, a troca do motor sólido pelo líquido no último estágio permitiria controlar o empuxo, desligar e religar o motor e dobrar a carga útil, para cerca de 80 kg.

O cronograma, porém, segue apertado. Em abril, a Força Aérea Brasileira (FAB) e as empresas do consórcio trabalhavam com o primeiro voo em 2027, meta considerada otimista por especialistas ouvidos pela revista Pesquisa FAPESP, e o início das campanhas de lançamento passou a ser reavaliado desde então. 


O que a parceria não diz 
O comunicado trata de capacitação e apoio de engenharia, e não informa valores, prazo de vigência nem se a BIZU Space pretende adquirir impressoras da EOS ou contratar a fabricação das peças junto a prestadores de serviço que operam equipamentos da marca. Tampouco detalha qual liga metálica será empregada, escolha relevante num campo em que ligas de cobre e superligas de níquel disputam a preferência dos projetistas de câmaras de combustão.

Ainda assim, o movimento ajuda a entender a lógica do novo ciclo espacial brasileiro. Depois de décadas em que a propulsão líquida ficou restrita a programas de pesquisa do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), uma empresa privada de pequeno porte busca no exterior não um motor pronto, mas o conhecimento para projetar e fabricar o seu. Para um País que tenta garantir acesso autônomo ao espaço, a diferença entre comprar componentes e dominar o processo que os produz é, em última análise, o que separa dependência de soberania tecnológica.

28 outubro, 2026

Cinco organizações brasileiras articulam satélite para estudar a atmosfera da Amazônia

MoU assinado em São Paulo dá forma ao ATTOSat, missão já qualificada pela AEB, mas ainda sem financiamento definido



*LRCA Defense Consulting - 28/10/2026 - 13h09

A Fundação Ezute, a Concert Space (unidade da Concert Technologies), a HORUSEYE TECH, a TR Radares e a CRON Sistemas e Tecnologias assinaram, em 20 de outubro, um Memorando de Entendimentos (Memorandum of Understanding, MoU) para cooperar no desenvolvimento do ATTOSat, pequeno satélite brasileiro destinado ao estudo dos processos atmosféricos e climáticos da Amazônia. O acordo, firmado na sede da Ezute, em São Paulo, reúne competências de engenharia de sistemas, sensoriamento remoto, navegação e controle, integração de plataformas espaciais e operação de missões.


O objetivo é construir, lançar e operar um satélite capaz de coletar dados sobre aerossóis, formação de nuvens, queimadas e poluição atmosférica, com a possibilidade de também monitorar gases de efeito estufa. As informações deverão apoiar a pesquisa científica, a formulação de políticas públicas ambientais e as ações de adaptação às mudanças climáticas. Por enquanto, trata-se de uma missão proposta, e não de um satélite contratado ou em construção.

Uma torre que ganha olhos no espaço 
O nome ATTOSat vem de Amazon Tall Tower Observatory Satellite. A missão foi concebida para complementar, a partir da órbita, as medições do Amazon Tall Tower Observatory (ATTO), torre de pesquisa de 325 metros de altura instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, cerca de 150 quilômetros a nordeste de Manaus. Em operação desde 2015, o observatório resulta de cooperação entre Brasil e Alemanha, com participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e dos Institutos Max Planck de Química e de Biogeoquímica.

A posição da torre permite analisar massas de ar que atravessaram centenas de quilômetros de floresta com mínima interferência humana. O interesse científico é grande: os aerossóis emitidos pela vegetação e pelas queimadas participam da formação de nuvens e influenciam o regime de chuvas, com efeitos que ultrapassam os limites da região. As medições feitas em solo, porém, têm alcance espacial limitado, lacuna que um satélite dedicado poderia reduzir.

Em apresentação divulgada em abril de 2026, a Concert Space descreveu uma arquitetura baseada em satélite do padrão CubeSat, com sensores hiperespectrais e polarimétricos voltados ao estudo de aerossóis, umidade, precipitação e propriedades das nuvens, prazo estimado de 48 meses para a execução e dados disponibilizados em plataforma aberta e gratuita. O comunicado mais recente acrescenta uma estrutura em solo para recepção, processamento e distribuição das informações, com operação orbital prevista por pelo menos dois anos. São parâmetros do conceito divulgado, ainda não especificações finais.

Cinco competências, uma arquitetura 
Pelo acordo, a Fundação Ezute responderá pela engenharia de sistemas integrada, pela coordenação técnica e administrativa e pela estruturação da proposta de financiamento. A Concert Space, que há mais de três décadas fornece sistemas de preparo, lançamento e rastreio de foguetes aos centros de lançamento de Alcântara (CLA) e da Barreira do Inferno (CLBI), ficará com os softwares de bordo, o processamento de dados e o suporte à operação.

A HORUSEYE TECH contribuirá com sistemas de navegação, orientação e controle; a TR Radares, com os equipamentos de sensoriamento, a calibração e a validação dos dados e os sistemas de apoio em solo; e a CRON, com o desenvolvimento e a integração da plataforma do satélite, os ensaios e a preparação para o lançamento. O MoU estabelece as bases da cooperação e do planejamento, mas não equivale à contratação das etapas industriais nem ao comprometimento dos recursos necessários.

Para Rafael Mordente, CEO da Concert Space, o ATTOSat nasce com uma "finalidade técnico-científica muito clara", e a entrada da Ezute agrega experiência em gestão de projetos complexos e engenharia de sistemas. Roberto Lorenzoni, diretor-presidente da fundação, vê na iniciativa a oportunidade de colocar tecnologia e conhecimento brasileiros a serviço de uma demanda que interessa a toda a sociedade.

A Ezute de volta à Amazônia 

A presença da Ezute tem significado particular. A fundação foi criada em 1997, com o nome de Fundação Atech, para atuar como integradora nacional do Sistema de Vigilância da Amazônia e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam), em parceria com o Ministério da Defesa e a Força Aérea Brasileira. Adotou a marca atual em 2013 e, desde então, participou de programas como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o Míssil Antinavio Nacional de Superfície (Mansup), da Marinha do Brasil. É credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

Quase três décadas depois do Sivam, a instituição volta a trabalhar com o monitoramento da região amazônica, agora a partir do espaço e com finalidade científica. 


O que a AEB já reconheceu 
O ATTOSat já percorreu uma etapa formal na Agência Espacial Brasileira (AEB). Na VII Reunião Deliberativa Ordinária do Procedimento para Seleção e Adoção de Missões Espaciais (ProSAME), realizada em 4 de dezembro de 2025, a proposta foi uma das três selecionadas para a Carteira de Qualificação, ao lado de um nanossatélite universitário e do Microlançador Brasileiro (MLBR). O resultado foi divulgado pela agência em fevereiro de 2026. O release das empresas situa a admissão no primeiro semestre deste ano, o que não coincide com o registro oficial.

O ProSAME é o processo pelo qual a AEB seleciona as missões do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2022-2031). A Carteira de Qualificação corresponde à análise técnica, em que se detalham requisitos, soluções, custos, cronogramas e riscos. Segue-se a Carteira de Habilitação, que examina, entre outros aspectos, a viabilidade financeira e a aderência programática, antes de uma eventual adoção. A seleção mostra que a proposta avançou institucionalmente, mas não garante recursos nem compromisso de lançamento.

Velhos conhecidos do MLBR 
A coincidência na reunião de dezembro não é casual. Concert, HORUSEYE TECH e CRON desenvolveram, por encomenda tecnológica da AEB, o Sistema de Navegação Inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS), concebido para o MLBR. O equipamento voou em dezembro de 2025 a bordo do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da INNOSPACE, lançado de Alcântara, e em 9 de outubro a Concert anunciou contrato com a indiana Skyroot Aerospace para ensaiá-lo no foguete Vikram I, como noticiou a LRCA Defense Consulting. O mesmo trio, portanto, está presente em duas das três propostas aprovadas naquela rodada do ProSAME.

A sobreposição sugere aproveitamento de conhecimento acumulado, mas não há confirmação pública de que o ATTOSat empregará o SNI-GNSS ou de que será lançado pelo MLBR ou por qualquer outro veículo específico. Na vertente científica, a Concert havia citado em abril a participação do INPA, do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Max Planck de Química; o novo comunicado não detalha o papel desses parceiros.

Autonomia tecnológica e uso dual 
Para o País, o interesse no ATTOSat vai além de um conjunto adicional de dados ambientais. Uma missão desenhada a partir de perguntas científicas sobre a atmosfera amazônica complementa informações de sistemas estrangeiros e amplia a capacidade nacional de definir o que observar, como tratar os dados e a quem distribuí-los.

A eventual execução também mobilizaria uma cadeia de competências em sistemas embarcados, sensores, integração de satélites, infraestrutura de solo e processamento de informações. Essas capacidades interessam ao desenvolvimento da indústria espacial e, conforme os requisitos de cada aplicação, podem servir a soluções de uso dual, ainda que a missão tenha finalidade exclusivamente civil.

Da intenção à execução 

O próximo desafio será transformar a articulação das cinco organizações em um empreendimento com arquitetura consolidada, responsabilidades formalizadas e recursos assegurados. Permanecem sem confirmação pública o orçamento, a fonte de financiamento, a configuração final dos sensores, o grau de nacionalização e a data de lançamento.

O mérito imediato do acordo está em reunir, de forma organizada, competências nacionais em torno de uma demanda científica de interesse público. Sua relevância industrial e estratégica crescerá se o grupo superar as etapas de qualificação, habilitação e financiamento e demonstrar que empresas e instituições brasileiras conseguem entregar, em conjunto, uma missão espacial completa, do projeto à operação.

10 outubro, 2026

Tecnologia brasileira de navegação será testada em foguete orbital indiano

Contrato entre Concert Technologies e Skyroot Aerospace prevê novo ensaio do SNI-GNSS no Vikram I, ampliando a validação de um sistema desenvolvido para o Microlançador Brasileiro



*LRCA Defense Consulting - 10/10/2026 - 07h54

A Concert Technologies anunciou nesta sexta-feira (9) a assinatura de um contrato com a indiana Skyroot Aerospace para testar o Sistema de Navegação Inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS) no próximo voo do foguete Vikram I. O instrumento foi firmado durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), realizado em Antalya, na Turquia, por Rafael Mordente, CEO da Concert Space. A data do lançamento e as condições contratuais não foram divulgadas.

A notícia representa um avanço distinto do Memorando de Entendimento (MoU) assinado pelas mesmas empresas em 7 de outubro, destinado a estudar o codesenvolvimento de um lançador orbital com capacidade de carga útil a partir de 100 kg. Enquanto aquele documento estabelece uma perspectiva de cooperação futura, o novo contrato prevê uma atividade específica de ensaio em voo. Não foram informados valores, cronograma de integração nem eventual compromisso de fornecimento posterior.

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil 

O SNI-GNSS foi desenvolvido pela Concert em parceria com a HORUSEYE TECH e a CRON Sistemas e Tecnologias, mediante encomenda tecnológica da Agência Espacial Brasileira (AEB). Concebido para integrar os sistemas de navegação e controle do Microlançador Brasileiro (MLBR), combina sensores inerciais, como acelerômetros e giroscópios, com sinais de sistemas globais de navegação por satélite (GNSS). O conjunto estima posição, velocidade e orientação do veículo, inclusive durante períodos em que os sinais externos não estejam disponíveis.

A Concert é responsável por outros componentes do MLBR, entre eles o computador de missão e módulos eletrônicos associados ao controle do veículo. O programa reúne diferentes empresas nacionais e busca desenvolver capacidade brasileira de lançamento de pequenos satélites. A nova cooperação oferece a possibilidade de ampliar a experiência operacional de uma tecnologia originalmente concebida para esse projeto. 


Do HANBIT-Nano ao Vikram I 

O SNI-GNSS já passou por ensaios em aeronave e participou, em dezembro de 2025, do voo do foguete HANBIT-Nano, da sul-coreana INNOSPACE, lançado de Alcântara, no Maranhão. Segundo informações divulgadas sobre a análise posterior, o equipamento funcionou conforme o esperado desde a energização, aproximadamente meia hora antes da decolagem, até a perda de sinal cerca de 33 segundos após o lançamento.

O voo do HANBIT-Nano foi interrompido prematuramente por um problema de propulsão. Assim, os dados coletados permitiram avaliar o comportamento de sensores, algoritmos e resistência às condições experimentadas, mas não equivalem à demonstração do desempenho durante uma missão orbital completa. O novo ensaio no Vikram I deverá ampliar essa base de dados, caso o voo e a aquisição de informações ocorram conforme planejado.

A Skyroot apresenta o Vikram I como lançador para pequenos satélites, com capacidade anunciada de até 350 kg para órbita baixa da Terra e até 260 kg para órbita heliossíncrona. A empresa informa ter realizado um lançamento orbital em 2026 e prepara voos posteriores. A postagem da Concert não esclarece se o sistema brasileiro será instalado como experimento independente ou integrado à cadeia operacional de navegação do foguete. Portanto, não é possível afirmar que ele comandará o Vikram I.

Da qualificação à oportunidade industrial 
A realização de ensaios em diferentes plataformas pode fortalecer a chamada herança de voo, isto é, o histórico documentado de funcionamento de um equipamento em condições reais de lançamento. Esse histórico é relevante para futuras decisões de adoção por operadores espaciais, mas não dispensa processos adicionais de qualificação, integração e certificação aplicáveis a cada missão.

O contrato também aproxima, de forma prática, a indústria espacial brasileira da indiana. No dia 7, Concert e Skyroot anunciaram um MoU com vigência prevista de dois anos para estudar um lançador intermediário entre o MLBR e os veículos maiores da família Vikram. O documento contempla avaliações técnicas e comerciais, mas a definição do projeto, os investimentos e eventuais contratos de desenvolvimento ainda dependem de decisões posteriores.

Os dois anúncios são complementares, porém independentes em seus compromissos divulgados: o ensaio do SNI-GNSS tem objeto técnico definido, enquanto o novo lançador permanece em fase de estudos. Também não há confirmação de que o equipamento brasileiro será selecionado para a futura plataforma conjunta, nem de que essa plataforma utilizará Alcântara. No entanto, representa um passo importante em direção a esse objetivo.

Para o Brasil, a relevância imediata está na oportunidade de submeter uma tecnologia nacional de navegação a outro ambiente de voo orbital e de demonstrar competências desenvolvidas com participação da AEB. A dimensão comercial dessa conquista dependerá dos resultados efetivamente obtidos e de novos acordos que venham a ser anunciados.

08 outubro, 2026

Brasil e Índia estudam novo lançador orbital a partir de tecnologias do MLBR

Acordo entre Concert Technologies e Skyroot Aerospace prevê estudos para um foguete capaz de transportar ao menos 100 kg à órbita baixa; cooperação pode abrir oportunidades para a indústria espacial brasileira.



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LRCA Defense Consulting - 08/10/2026

A Concert Technologies, integrante do programa Microlançador Brasileiro (MLBR), e a indiana Skyroot Aerospace assinaram em 7 de outubro, durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), em Antalya, na Turquia, um Memorando de Entendimento (MoU) para estudar o codesenvolvimento de um veículo lançador de satélites. A proposta contempla capacidade de carga útil a partir de 100 kg para órbita baixa da Terra (LEO), posicionando o futuro produto entre o MLBR, projetado para até 40 kg, e os foguetes de maior capacidade da família Vikram.


O entendimento tem vigência prevista de dois anos. Nesse período, as empresas pretendem detalhar aspectos técnicos e comerciais e estruturar os instrumentos necessários à execução do projeto. Desenvolvimento, fornecimento, investimentos e comercialização dependerão de acordos posteriores. Portanto, ainda não há anúncio de contrato definitivo, configuração do veículo, orçamento ou data de lançamento.

O acordo foi assinado pela Concert com participação de Rafael Mordente, CEO da Concert Space, e acompanhado pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Chamon, e pelo senador e astronauta Marcos Pontes. Para Chamon, a aproximação exemplifica a função do congresso de estimular parcerias entre empresas e países.

Tecnologia brasileira como ponto de partida 
A relevância da iniciativa está no possível aproveitamento de competências que a indústria nacional vem consolidando no MLBR. A Concert participa do desenvolvimento do sistema de navegação inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS), em colaboração com HORUSEYE TECH e CRON, tecnologia associada ao controle e à orientação do lançador. O LRCA já havia examinado, em janeiro de 2025, a importância desse sistema para determinar posição, velocidade e atitude durante o voo.

A contribuição brasileira poderá ir além da navegação, mas o anúncio não especifica quais equipamentos serão transferidos para o novo projeto nem confirma a participação das demais empresas do MLBR. Durante o IAC, Fibraforte e BIZU Space também apresentaram tecnologias relacionadas ao programa: a primeira, um sistema de propulsão para controle do veículo; a segunda, desenvolvimentos em propulsão líquida, incluindo turbobomba e motor.

O MLBR avançou pela revisão crítica de projeto em 2025 e entrou em etapas de fabricação, integração e ensaios. Em junho de 2026, conforme noticiado pelo LRCA, a Finep formalizou aporte adicional de R$ 25 milhões à BIZU Space para desenvolver um terceiro estágio de propulsão líquida, tecnologia com potencial de aplicação em veículos maiores. Esse financiamento diz respeito ao programa brasileiro, não ao novo lançador previsto no MoU.

Parceira indiana já alcançou a órbita 
A Skyroot acrescenta experiência operacional recente. Segundo a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), em 18 de julho de 2026 o Vikram-I partiu do Centro Espacial Satish Dhawan e colocou dois satélites em órbita baixa, tornando a Skyroot a primeira empresa privada indiana a realizar um lançamento orbital bem-sucedido a partir do território nacional. A empresa anuncia para o Vikram-I capacidade de até 350 kg em LEO e 260 kg em órbita heliossíncrona.

Essa experiência reduz parte das incertezas associadas à maturidade industrial da parceira, mas não elimina os riscos de engenharia, financiamento e certificação de um novo veículo. Ainda será necessário definir sua arquitetura, propulsão, integração, ensaios e modelo econômico.

Alcântara: oportunidade, não decisão 
O comunicado destaca a demanda por lançamentos para órbitas equatoriais, segmento em que a posição geográfica do Centro Espacial de Alcântara, próximo à Linha do Equador, pode oferecer vantagens. Para missões de baixa inclinação, a rotação terrestre favorece o desempenho do lançador. A localização brasileira também abre uma hipótese de operação comercial a partir do País.

Entretanto, nem o anúncio do MLBR nem os detalhes públicos do MoU confirmam Alcântara como base do futuro foguete. Também não foram divulgadas decisões sobre fabricação, integração ou repartição de propriedade intelectual entre as empresas. Tratar Alcântara como destino já escolhido seria antecipar uma definição ainda inexistente.

Da capacitação à oportunidade comercial 
O principal significado estratégico do entendimento é a possibilidade de transformar tecnologias desenvolvidas no âmbito de um programa nacional em componentes de uma oferta internacional de serviços espaciais. O desafio será converter a intenção em contratos, assegurar participação industrial brasileira efetiva e demonstrar que um lançador intermediário pode atender clientes com custo e confiabilidade competitivos.

Por ora, o acordo representa uma oportunidade concreta de negociação, não um programa de lançamento contratado. Seu avanço dependerá das decisões técnicas e financeiras que Concert e Skyroot deverão tomar durante a vigência do MoU.

29 maio, 2026

ALADA abre a era comercial dos centros de lançamento brasileiros

Em menos de seis meses de operação efetiva, a empresa pública firmou três acordos que transformam Alcântara e Barreira do Inferno em ativos do mercado aeroespacial global e reduzem a pressão sobre o orçamento da União
 


*LRCA Defense Consulting - 29/05/2026

A Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (ALADA) consolidou, em três atos sucessivos, o arcabouço contratual que permitirá ao Brasil explorar comercialmente sua infraestrutura de lançamento espacial. O mais recente, assinado em Brasília em 28 de maio de 2026 pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e pela própria empresa, autoriza a ALADA a comercializar os dois centros de lançamento do Comando da Aeronáutica (COMAER), o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN), junto a operadores espaciais privados nacionais e internacionais.
A cerimônia contou com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, e do Alto-Comando, e foi formalizada pelo Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, e pelo Diretor-Presidente da ALADA, Sergio Roberto de Almeida.
De acordo fundacional a contrato operacional
A trajetória institucional que culminou no acordo de 28 de maio teve início em novembro de 2025. No dia 26 daquele mês, na sede do COMAER em Brasília, a ALADA assinou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o próprio COMAER e com a Agência Espacial Brasileira (AEB), válido por cinco anos e prorrogável por igual período. O instrumento definiu as atribuições das três entidades tanto na fase de implantação quanto na de operação de lançamentos realizados por agentes privados nos centros brasileiros. Para o então Diretor do DCTA, Tenente-Brigadeiro Ricardo Augusto Fonseca Neubert, o acordo marcou uma virada na abordagem do setor: ao invés de operar sozinha, a Força Aérea passaria a contar com um parceiro dotado de agilidade empresarial e personalidade jurídica de direito privado.
O Presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, saudou o ACT como um passo para a transição a uma exploração econômica das atividades espaciais. Chamon destacou que a parceria ampliaria o uso das infraestruturas públicas por agentes econômicos privados e promoveria, em especial, o uso comercial dos centros de lançamento. O Presidente da ALADA, por sua vez, definiu o documento como a "certidão de nascimento formal" da empresa enquanto nova catalisadora do Programa Espacial Brasileiro (PEB), ressaltando que ela foi concebida para unir o poder do Estado com a eficiência do setor privado.
Primeiro contrato operacional: o CLBI e a parceria com a França
Menos de três meses após o ACT, em 4 de fevereiro de 2026, o DCTA e a ALADA assinaram o primeiro contrato administrativo concreto da empresa: a participação da ALADA na exploração econômica da infraestrutura espacial do CLBI. O acordo, com vigência inicial de cinco anos e possibilidade de prorrogação por até dez, insere-se no âmbito do Protocolo de Cooperação Internacional nº 01/CNES/2062, firmado entre o DCTA e o Centre National d'Études Spatiales (CNES) da França. O escopo envolve atividades de rastreio de veículos espaciais lançados a partir do Centro Espacial Guianês, em Kourou, por meio da Antena STELLA43 instalada no CLBI.
Pelo contrato, a ALADA ficou responsável pelo suporte administrativo, técnico-operacional e logístico ao CLBI, permanecendo com o DCTA a condução das atividades técnicas e de soberania. A empresa também assumiu a incumbência de adquirir bens e contratar serviços voltados à manutenção, modernização e ampliação da infraestrutura do Centro, com base em modelo econômico-financeiro que garante sustentabilidade e reinvestimento institucional. Todos os investimentos serão incorporados ao patrimônio da União ao término do contrato.
O tenente-brigadeiro Neubert classificou o instrumento como um passo estratégico que permite atrair recursos externos para a infraestrutura do CLBI e reduzir a pressão sobre o orçamento fiscal, consolidando o Brasil como agente relevante no mercado espacial global. Com mais de três mil lançamentos suborbitais realizados ao longo de sua história, o CLBI opera com inclinação orbital de 6º a 49º, alcançando cerca de 60% das órbitas comerciais.
O contrato de maio e a abertura de Alcântara ao mercado
O acordo assinado em 28 de maio de 2026 vai além do CLBI: ele habilita a ALADA a comercializar também o CLA, situado próximo à linha do Equador, no Maranhão. A localização equatorial permite uma inclinação orbital de 2º a 110º, cobrindo 99% dos planos orbitais comerciais, e proporciona economia de até 30% no consumo de combustível em lançamentos geoestacionários, vantagem competitiva reconhecida internacionalmente.
O contrato preserva as atribuições da AEB e a soberania do COMAER sobre as instalações. Segundo o Tenente-Brigadeiro Bellintani, o instrumento representa um marco histórico, pois viabiliza que empresas privadas realizem lançamentos nos dois centros brasileiros com respaldo jurídico e operacional da ALADA. "O Brasil tem que aproveitar essa janela de oportunidade, mostrando todo o seu potencial logístico e as facilidades de localização dos nossos centros de lançamento. Muitas iniciativas ocorrem mundo afora e o Brasil tem que aproveitar essa oportunidade", declarou o general.
Para o Diretor-Presidente da ALADA, o contrato é a materialização do propósito que motivou a criação da empresa. "O objetivo básico é poder, efetivamente, explorar economicamente nosso centro de lançamento, viabilizando que ele possa se tornar cada vez mais operacional, com menos gastos de recursos do orçamento da União e da Força Aérea", afirmou Almeida. O dirigente ressaltou ainda que a ALADA passa a atuar como facilitador, permitindo que contratos sejam realizados diretamente com empresas interessadas em lançar do Brasil.
Base legal e modelo de negócio
A estrutura contratual da ALADA assenta-se em dois pilares legislativos. A Lei nº 14.946/2024, conhecida como Lei Geral das Atividades Espaciais, autoriza a União a realizar a exploração econômica da infraestrutura e das atividades espaciais. A Lei nº 15.083/2025 criou a ALADA como subsidiária da NAV Brasil, empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa responsável pelos serviços de navegação aérea no espaço aéreo brasileiro, conferindo-lhe personalidade jurídica de direito privado e objeto social voltado à exploração econômica das infraestruturas aeroespaciais do país.
O modelo prevê que os recursos obtidos pela exploração comercial sejam reinvestidos no próprio programa espacial, rompendo com o regime anterior em que toda receita era recolhida ao Tesouro Nacional. A empresa foi criada no dia 2 de janeiro de 2025 e tem como eixos estratégicos o serviço de lançamento espacial, o gerenciamento de projetos aeroespaciais e a comercialização de produtos e serviços aeroespaciais.
Mercado e perspectivas
O setor espacial global movimenta hoje cerca de meio trilhão de dólares por ano, com projeções de alcançar dois trilhões de dólares na próxima década. O interesse de operadores privados internacionais já se manifesta concretamente no CLA: a empresa alemã Innospace injetou R$ 50 milhões na região de Alcântara em apenas três meses de operações iniciais, segundo dados divulgados pelo próprio Comandante da Aeronáutica em março de 2025.
A estabilidade geopolítica, climática e geológica do Brasil, aliada à ausência de furacões, tornados, terremotos e vulcões, é apontada pela ALADA como fator adicional de atratividade para operadores internacionais. A perspectiva é que os contratos comerciais a serem firmados sob o novo marco ajudem a financiar a modernização das instalações, reduzindo a dependência orçamentária do Comando da Aeronáutica e impulsionando a Base Industrial de Defesa no segmento espacial.
 
Linha do tempo: ALADA e os centros de lançamento
Jan/2025: ALADA criada como subsidiária da NAV Brasil (Lei nº 15.083/2025).
26/nov/2025: Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre ALADA, COMAER e AEB — marco fundacional da empresa.
4/fev/2026: primeiro contrato administrativo: DCTA + ALADA para exploração do CLBI (Natal/RN), vinculado à parceria com o CNES francês. Vigência: 5 anos, prorrogável por mais 5.
28/mai/2026: contrato de parceria estratégica: DCTA + ALADA para exploração comercial dos dois centros de lançamento — CLA (Alcântara/MA) e CLBI.
 

09 maio, 2026

Brasil consolida nova camada de governança espacial: empresas alcançam nível Ouro e Selo PEB no Catálogo da AEB

Iniciativa da Agência Espacial Brasileira reconhece formalmente as empresas mais engajadas com o Programa Espacial Brasileiro e sinaliza maturidade crescente do setor



*LRCA Defense Consulting - 09/05/2026

A indústria espacial brasileira vive um momento de estruturação sem precedentes. A Agência Espacial Brasileira (AEB) consolidou, por meio de seu Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, plataforma online disponível em spaceindustry.aeb.gov.br, um sistema de reconhecimento em três níveis que hierarquiza, de forma transparente e exigente, as empresas que integram o ecossistema espacial nacional. No topo dessa hierarquia está a Categoria Ouro, distinção reservada às companhias que demonstram o mais alto grau de envolvimento, documentação e comprometimento com o setor.

O que é o nível de governança Ouro
Para alcançar a Categoria Ouro, as empresas precisam cumprir um conjunto rigoroso de requisitos: completar todos os campos do perfil da empresa na plataforma, realizar uma apresentação, presencial ou online, à equipe da CEN (Coordenação de Engenharia e Negócios da AEB) detalhando seus projetos e atividades, e fornecer documentos comprobatórios dos produtos e serviços informados. Em contrapartida, as empresas Ouro passam a ter acesso a benefícios exclusivos, como participação como convidadas na delegação da AEB em eventos nacionais e internacionais, acesso gratuito a eventos da Agência, convites para reuniões e discussões temáticas, e possibilidade de apoio institucional para participação em feiras e conferências.

Trata-se, portanto, de muito mais do que um cadastro: é um vínculo ativo e verificado entre a empresa e o Programa Espacial Brasileiro (PEB). Enquanto o nível Bronze exige apenas a inclusão na lista de e-mails da AEB e o envio de banner e logotipo, e o nível Prata demanda o preenchimento de campos obrigatórios do perfil, o Ouro representa uma auditoria informal, com apresentação de evidências concretas de atuação no setor.

O Selo PEB: compromisso com a missão nacional
Além dos três níveis de categoria, o catálogo prevê uma distinção adicional e ainda mais seletiva: o Selo do Programa Espacial Brasileiro (Selo PEB). Esse reconhecimento é concedido às empresas que tenham prestado serviços ou produtos de relevância para o Programa Espacial Brasileiro ou que possuam acordos e parcerias com instituições públicas do governo federal. Para solicitá-lo, a empresa deve enviar documentação ao presidente da AEB, que analisa o pedido pessoalmente.

O Selo PEB é, portanto, um atestado de participação efetiva na construção do programa espacial do País, não apenas de presença no mercado.

As empresas confirmadas com Categoria Ouro
Com base na consulta direta ao catálogo oficial da AEB em maio de 2026, as seguintes empresas têm a Categoria Ouro confirmada:

Com Categoria Ouro e Selo PEB - mais alto nível de reconhecimento combinado:

  • AMS Kepler Espaço, Defesa e Sistemas (Rio de Janeiro/RJ): atua em observação da Terra e consciência situacional espacial;
  • CLC – Castro Leite Consultoria (São José dos Campos/SP): telecomunicações e aplicações integradas de segurança;
  • Concert Technologies S.A. (São Paulo/SP): observação da Terra e aplicações integradas;
  • CRON Sistemas e Tecnologias Ltda (São José dos Campos/SP): observação da Terra e navegação por satélite;
  • HorusEye Tech (São José dos Campos/SP): navegação, guiamento e controle no segmento NewSpace;
  • Legado Usinagem Ltda (São José dos Campos/SP): materiais, estruturas e mecanismos;
  • Mac Jee (São José dos Campos/SP): OEM de defesa e aeroespacial;
  • Visiona Tecnologia Espacial (São José dos Campos/SP): integradora de sistemas espaciais, atuando em observação da Terra e telecomunicações.

Com Categoria Ouro:

  • Bioflore (Belo Horizonte/MG): observação da Terra;
  • Bizu Tecnologias Aeroespaciais e Serviços Ltda (São José dos Campos/SP): materiais, transporte espacial e serviços de lançamento;
  • CShark (São Paulo/SP): filial latino-americana de empresa europeia especializada em miniaturização, integração e operação de pequenos satélites, incluindo plataformas para CubeSats e PocketQubes;
  • Hyperlift Aerospace & Defense Ltda (São Paulo/SP): desenvolvimento de soluções em propulsão supersônica e hipersônica, controle de atitude, propulsão híbrida e materiais aeroespaciais avançados;
  • Novaterra Soluções em Geoinformação (Rio de Janeiro/RJ): soluções baseadas em geotecnologias para meio ambiente, infraestrutura, cidades e agronegócio;
  • Outer Space Ltda (Joinville/SC): pesquisa e desenvolvimento em propulsão espacial e integração de sistemas para pequenos veículos lançadores;
  • Quasar Space (São Paulo/SP): serviços de monitoramento, previsão e planejamento estratégico com dados espaciais;
  • Safe on Orbit (Brasília/DF): consciência situacional espacial e prevenção de colisões em órbita;
  • Solved – Soluções em Geoinformação (Belém/PA): criação de software e soluções geoespaciais com sede na Amazônia brasileira;
  • Terraforma – Engenharia e Geotecnologia (Londrina/PR): GIS, sensoriamento remoto, cartografia digital e consultoria geoespacial, sediada no Parque Tecnológico da UTFPR.

 

Por que isso importa para o setor aeroespacial brasileiro
O Catálogo da Indústria Espacial da AEB foi criado para mapear, divulgar e conectar as empresas que atuam no setor espacial brasileiro, permitindo que as companhias do setor ganhem visibilidade nacional e internacional, atraiam novas oportunidades de negócio e façam parte de uma rede integrada que fortalece todo o ecossistema espacial do Brasil.

Nesse contexto, a existência de um grupo de empresas que conquistou a Categoria Ouro e, dentro desse grupo, aquelas que também detêm o Selo PEB, representa um avanço qualitativo importante. Pela primeira vez, o Brasil conta com um mapa verificado, público e continuamente atualizado de quem são seus atores industriais espaciais mais comprometidos.

A 2ª edição impressa do Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, publicada em inglês e em português, já catalogou 65 empresas com concentração geográfica na região Centro-Sul do Brasil, mas a versão online, mais abrangente e dinâmica, vai além desse número e permite atualizações em tempo real.

A concentração das empresas Ouro em São José dos Campos, o Vale do Silício aeroespacial brasileiro, e em centros como São Paulo e Rio de Janeiro, revela onde está a espinha dorsal tecnológica do setor. O conjunto que combina Ouro e Selo PEB é ainda mais revelador: são empresas que não apenas operam no mercado espacial, mas que têm contratos, acordos e entregas concretas para o Estado brasileiro, fornecedoras reais do Programa Espacial Brasileiro.

O objetivo declarado da AEB com a plataforma é fortalecer a competitividade do setor espacial brasileiro, promovendo e apoiando a cadeia industrial espacial nacional, com atenção especial às micro, pequenas e médias empresas, tornando o catálogo um instrumento dinâmico para a promoção no exterior da indústria espacial brasileira.

Em um momento em que o Brasil celebra seus primeiros lançamentos comerciais em Alcântara e avança em programas como a Constelação Catarina, o reconhecimento formal das empresas que constroem esse ecossistema por dentro, com documentação, com histórico e com parceria institucional é mais do que simbólico. É a arquitetura de um setor que começa a se ver com clareza.

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