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13 maio, 2026

Quando uma imagem vale mais que um porta-aviões

Ilustração: LRCA
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 13/05/2026

O novo tabuleiro sul-americano já não é movido apenas por tropas, tratados diplomáticos ou disputas ideológicas tradicionais. Hoje, ele é movimentado por narrativas, influência digital, pressão econômica e demonstrações psicológicas de poder. E talvez seja exatamente isso que parte da nossa região ainda tenha dificuldade de compreender.

Uma simples imagem publicada por uma liderança global pode produzir mais efeitos estratégicos do que semanas de reuniões diplomáticas. A recente postagem sugerindo a incorporação de um país sul-americano aos Estados Unidos não deve ser vista apenas como ironia política ou provocação eleitoral. Ela revela algo maior: as grandes potências voltaram a olhar para a América do Sul com atenção crescente.

E não por acaso, energia, água doce, minerais críticos, biodiversidade, alimentos, terras raras e acesso ao Atlântico Sul transformaram o continente em um ativo estratégico valioso para as próximas décadas.

O norte da América do Sul concentra algumas das maiores reservas energéticas do planeta. A região das Guianas ganhou importância no novo jogo energético mundial. O Brasil reúne capacidade agrícola gigantesca, reservas minerais, matriz energética privilegiada e a maior floresta tropical do mundo. Em um planeta pressionado por disputas energéticas, climáticas e tecnológicas, isso deixa de ser apenas riqueza. Passa a ser interesse estratégico internacional.

E há um detalhe que muitos brasileiros esquecem, o Brasil também faz fronteira com a França. A Guiana Francesa é parte da França e da União Europeia. Na prática, isso significa que o Brasil possui uma fronteira terrestre direta com uma potência nuclear, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e integrante da OTAN. Isso deveria provocar reflexões mais profundas sobre Amazônia, soberania e defesa estratégica.

Nesse cenário, o papel do Brasil torna-se decisivo. Pela dimensão territorial, estabilidade relativa e capacidade econômica, o país é o principal fator de equilíbrio regional. E suas Forças Armadas deixam de ter apenas função convencional de defesa territorial. Passam também a exercer papel de dissuasão, proteção de infraestruturas críticas, presença na Amazônia, defesa cibernética e garantia da soberania nacional em um ambiente cada vez mais híbrido e complexo.

A Amazônia não é apenas patrimônio ambiental. É território estratégico.

O mundo mudou. E mudou rápido. Hoje, influência não se projeta apenas com porta-aviões. Também se projeta através da tecnologia, da informação e da capacidade de moldar narrativas globais.

Um simples post pode testar reações internacionais, pressionar governos e medir fragilidades institucionais. Parece apenas uma imagem. Mas raramente é apenas isso.

A história é pouco gentil com países que ignoram sinais estratégicos. O novo tabuleiro sul-americano já está em movimento. A dúvida é se teremos maturidade para compreender o jogo antes que outros decidam as regras por nós. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

Nota da LRCA: A postagem de Trump com a imagem da Venezuela foi publicada na rede social Truth Social, como pode ser visto na reportagem da CNN Brasil e de outros órgãos. 

04 janeiro, 2026

Venezuela pós-Maduro pode abrir mercado bilionário para indústria de defesa brasileira

Transição política no país vizinho reacende esperanças de retomada de parcerias militares interrompidas há quase duas décadas



*LRCA Defense Consulting - 04/01/2026

A saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela e a possível ascensão de um governo alinhado ao Ocidente colocou em pauta uma questão estratégica para o Brasil: a retomada de negócios na área de defesa com o país vizinho. Depois de quase 20 anos de dependência de fornecedores russos e chineses, Caracas poderia se transformar em um mercado promissor para a indústria brasileira, que registrou exportações recordes em 2025.

A Venezuela possui uma das maiores forças armadas da América do Sul, equipada majoritariamente com material bélico russo, incluindo caças Su-30, sistemas antiaéreos S-300 e fuzis AK-103. Um eventual governo pró-ocidental teria motivações políticas e operacionais para diversificar seus fornecedores, abrindo espaço para empresas brasileiras como a Embraer, IVECO, SIATT, Atech e desenvolvedoras de sistemas de vigilância.

Um mercado perdido que pode ressurgir
A relação entre Brasil e Venezuela no setor de defesa já foi promissora. Nos anos 1990 e início dos 2000, a Venezuela adquiriu aeronaves brasileiras, incluindo o caça AMX-T desenvolvido pela Embraer em parceria com a italiana Aermacchi. Negociações avançadas para a compra do A-29 Super Tucano estavam em curso quando Hugo Chávez assumiu o poder e reorientou radicalmente a política externa venezuelana.

Sob pressão dos Estados Unidos, que impuseram restrições à venda de equipamentos com componentes americanos para Venezuela, e alinhado ideologicamente à Rússia, Chávez pivotou completamente seus contratos militares. Moscou se tornou o principal fornecedor de Caracas, em negócios que ultrapassaram US$ 10 bilhões ao longo de duas décadas.

"A Venezuela tinha uma relação comercial estabelecida com o Brasil na área de defesa. O Super Tucano era uma plataforma ideal para as necessidades venezuelanas, mas a geopolítica impediu que o negócio avançasse", explica um analista de defesa.

Agora, com a possibilidade de um governo pró-ocidental em Caracas, esse cenário pode se inverter. 

Oportunidades concretas no horizonte
Especialistas identificam três áreas principais onde a indústria brasileira poderia se beneficiar de uma mudança de regime na Venezuela:

- Modernização da frota aérea: surge como a oportunidade mais evidente. Os caças Su-30MK2 venezuelanos, adquiridos nos anos 2000, enfrentam desafios crescentes de manutenção devido a sanções internacionais que dificultam o acesso a peças de reposição. Um novo governo poderia buscar alternativas mais acessíveis e politicamente viáveis.

Para substituir os jatos supersônicos russos, uma opção tecnicamente viável seria o caça sueco Saab Gripen E, que a Embraer já fabrica sob licença no Brasil. O Gripen E é um caça multifuncional de quarta geração plus, com capacidades avançadas de combate ar-ar e ar-solo, aviônica de última geração e custos operacionais significativamente menores que plataformas russas ou americanas.

A presença da linha de montagem da Embraer em Gavião Peixoto (SP) representa uma vantagem estratégica. Além de reduzir custos logísticos pela proximidade geográfica, a fabricação regional facilitaria programas de manutenção, transferência de tecnologia e treinamento de pessoal venezuelano. O Gripen já despertou interesse de outros países sul-americanos, e uma eventual venda para a Venezuela poderia consolidar uma plataforma comum na região, facilitando exercícios conjuntos e padronização operacional.

Para missões de contrainsurgência, patrulhamento de fronteiras e treinamento avançado, o A-29 Super Tucano da Embraer aparece como candidato natural complementar. A aeronave turboélice, já operada por mais de 20 países no mundo, tem reputação consolidada na América Latina, onde está presente no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, República Dominicana, Paraguai, Uruguai, Honduras e Panamá (contrato recente), demonstrando a penetração da indústria brasileira na região.. Com custo de operação significativamente menor que jatos supersônicos e capacidade comprovada em ambientes desafiadores, o Super Tucano poderia atender às necessidades venezuelanas de vigilância e controle territorial em uma força aérea modernizada e diversificada.

Ainda na aviação militar, o cargueiro tático C-390 Millennium da Embraer surge como alternativa para substituir os antigos transportes russos da Venezuela. A aeronave, que já opera na Força Aérea Brasileira e foi adquirida por Portugal, Hungria, Holanda, Áustria e República Tcheca, oferece capacidade de transporte estratégico com tecnologia ocidental, facilitando interoperabilidade com outras forças aéreas da região e apoio logístico mais acessível que as plataformas russas.

- Manutenção e suporte técnico representam outra frente promissora. Mesmo que a Venezuela mantenha parte do inventário russo a curto prazo, a necessidade de serviços de manutenção, treinamento de pessoal e modernização de sistemas legados abre espaço para empresas brasileiras que têm desenvolvido capacidades em toda a cadeia de suporte militar.

A base industrial de defesa brasileira viveu uma expansão notável nos últimos anos, com exportações atingindo níveis recordes em 2025. Essa infraestrutura poderia ser aproveitada para criar programas de cooperação técnica-militar com a Venezuela, seguindo modelos já estabelecidos com outros vizinhos sul-americanos.

- Armamentos e sistemas de defesa configuram um segmento adicional de oportunidades. A SIATT, empresa brasileira em parceria com o grupo emiratense EDGE, desenvolve mísseis anti-carro e anti-navio que poderiam substituir sistemas russos envelhecidos. Esses armamentos representam capacidade crítica para forças terrestres e navais, áreas em que a Venezuela também necessitará modernização caso opte por diversificar seus fornecedores.

- Integração de sistemas de comando e controle emerge como necessidade estratégica em qualquer processo de modernização militar. A Atech, subsidiária da Embraer especializada em soluções C4ISR (Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento), poderia fornecer a arquitetura necessária para integrar diferentes plataformas e sensores em uma rede de defesa coesa e compatível com padrões ocidentais. Essa integração seria fundamental para que forças armadas venezuelanas operassem eficientemente com equipamentos de múltiplas origens.

Complementando a modernização tecnológica, sistemas criptográficos da Kryptus garantiriam comunicações seguras e soberania informacional. A empresa brasileira, referência em criptografia e segurança cibernética, poderia fornecer soluções para proteger as comunicações militares venezuelanas, substituindo sistemas russos que um novo governo provavelmente consideraria vulneráveis ou politicamente indesejáveis.

- Segurança de fronteiras constitui uma área de interesse mútuo. Brasil e Venezuela compartilham 2.199 quilômetros de fronteira, uma região complexa marcada por contrabando, mineração ilegal e presença de grupos armados. Sistemas de vigilância, drones de reconhecimento e veículos blindados para patrulhamento — áreas em que empresas brasileiras têm experiência — poderiam fazer parte de iniciativas conjuntas de segurança fronteiriça.

A IVECO, que produz a família de blindados Guarani para o Exército brasileiro, poderia encontrar um mercado receptivo para veículos de transporte de tropas e patrulhamento adaptados às condições amazônicas. A Akaer, empresa de São José dos Campos especializada em engenharia aeroespacial e defesa, também oferece soluções relevantes como a modernização do blindado Cascavel NG, sistemas de visão noturna e drones como o Albatross, além de participar da produção do C-390 Millennium e desenvolver tecnologias para satélites.

No segmento de veículos aéreos não tripulados, o Brasil dispõe de capacidades industriais avançadas. A XMobots, líder em drones na América Latina com sede em São Carlos, desenvolve sistemas como o Nauru 1000C (já adquirido pelo Exército Brasileiro) e o Nauru 500C ISR, drones VTOL com autonomia de até 28 horas utilizados para vigilância de fronteiras. A empresa também lançou recentemente o Nauru 100D, um drone tático militar com capacidade de ataque de precisão. A Stella Tecnologia, de Duque de Caxias, é pioneira em VANTs de classe MALE (Medium-Altitude Long-Endurance) no Brasil, tendo desenvolvido o Atobá, maior drone do hemisfério Sul, com 11 metros de envergadura e 24 horas de autonomia, além do Albatroz, projetado para operações embarcadas. Recentemente, a Stella firmou parceria estratégica com o grupo francês Thales para desenvolvimento conjunto de sistemas de vigilância e defesa embarcados em UAVs.

A Mac Jee, grupo brasileiro da Base Industrial de Defesa sediado em São José dos Campos, completa o portfólio com munições aéreas guiadas (família BGB), o sistema de lançamento de foguetes Armadillo e o kit DAGGER de orientação de munição aérea com inteligência artificial, capaz de atingir alvos a mais de 120 km com alta precisão. A empresa possui fábricas em São José dos Campos e Paraibuna, com capacidade de produção de materiais energéticos e carregamento de munições.

Obstáculos no caminho
Apesar das oportunidades teóricas, diversos fatores podem limitar ou adiar esse potencial de negócios.

O primeiro e mais evidente é a devastadora situação econômica venezuelana. Anos de crise econômica, hiperinflação e colapso da produção petrolífera deixaram o país sem recursos significativos para investimentos militares. Mesmo com um novo governo, a prioridade será reconstrução econômica, infraestrutura básica e serviços sociais, e não a aquisição de equipamentos de defesa.

A eventual administração temporária dos Estados Unidos na Venezuela, focada em estabilização política e recuperação do setor petrolífero, tende a adiar qualquer discussão sobre modernização militar. Washington tem interesses próprios e poderia pressionar por contratos com fabricantes americanos quando chegar o momento de reequipar as forças armadas venezuelanas.

Há também a questão diplomática delicada. O Brasil condenou publicamente a intervenção americana na Venezuela, defendendo soluções negociadas e o princípio da não-intervenção. Essa posição, embora coerente com a tradição diplomática brasileira, pode complicar as relações com um eventual governo venezuelano instalado sob auspícios americanos.

"O Brasil manteve uma posição de relativa neutralidade durante a crise venezuelana, o que pode ser uma vantagem em termos de credibilidade regional, mas também pode ser vista como falta de alinhamento claro pelos novos dirigentes em Caracas", pondera um diplomata brasileiro que acompanha a questão.

Além disso, a indústria de defesa brasileira enfrentaria competição acirrada de players tradicionais. Estados Unidos e Europa têm décadas de experiência em acordos de defesa atrelados a pacotes de financiamento, assistência técnica e alinhamento político. O Brasil teria que competir não apenas em qualidade e preço, mas em capacidade de oferecer condições comerciais atrativas.

Visão de longo prazo
Analistas concordam que, mesmo diante dos obstáculos, uma Venezuela estável e integrada ao sistema ocidental poderia, em médio e longo prazos, trazer benefícios para toda a indústria de defesa sul-americana.

O Brasil historicamente exerceu protagonismo em iniciativas de cooperação militar regional. Uma Venezuela normalizada poderia se reintegrar a esses mecanismos, fortalecendo cadeias produtivas e possibilitando projetos conjuntos de desenvolvimento tecnológico.

"No curto prazo, o impacto será limitado pela realidade econômica venezuelana. Mas se olharmos para um horizonte de cinco a dez anos, com recuperação econômica do país, estamos falando de um mercado potencial significativo para produtos de defesa compatíveis com as capacidades brasileiras", avalia um executivo do setor.

A questão transcende aspectos puramente comerciais. Para o Brasil, fortalecer laços de defesa com vizinhos faz parte de uma estratégia mais ampla de protagonismo regional e desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias. A Venezuela, com suas forças armadas numerosas e necessidades evidentes de modernização, poderia ser peça importante nesse tabuleiro.

Por enquanto, resta aguardar. A transição política na Venezuela ainda é incerta, a situação econômica permanece crítica e as prioridades imediatas estão distantes da compra de equipamentos militares. Mas para a indústria de defesa brasileira, que demonstrou resiliência e capacidade de crescimento mesmo em tempos adversos, a possibilidade de reconquistar um mercado perdido há duas décadas representa uma esperança concreta, ainda que distante, no horizonte estratégico regional.

26 junho, 2024

Comando de Fronteira Roraima exercita sua Força de Prontidão


*LRCA Defense Consulting - 26/06/2024

Na semana de 17 a 21 de junho, o Comando de Fronteira Roraima / 7º Batalhão de Infantaria de Selva (7º BIS), sediado em Boa Vista (RR), realizou um exercício de preparação da Força de Prontidão (FORPRON) da 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl).

O ciclo de certificação de uma FORPRON é dividido em 3 fases: Preparação, Certificação e Prontidão.

Ao final deste processo, a tropa do C Fron Roraima / 7º BIS, integrante da FORPRON da 1ª Bda Inf Sl, estará apta a ser empregada nas hipóteses de emprego que privilegiam a atuação preponderante da Força Terrestre em ações voltadas para a Defesa Externa. 

Após o o Exército Brasileiro tem movimentado equipamentos - entre eles mísseis e blindados - e modernizado e ampliado instalações militares, como a aceleração da ativação do 18º Regimento de Cavalaria Mecanizado em Boa Vista, é fundamental que a tropa brasileira esteja pronta para repelir qualquer iniciativa de estrangeiros que ousem ultrapassar nossas fronteiras.







30 novembro, 2023

Brasil mobiliza militares em meio a potencial conflito entre Venezuela e Guiana


*Defence Blog, por Dylan Malyasov - 30/11/2023

O Ministério da Defesa brasileiro anunciou o envio de tropas para a sua fronteira norte como uma “medida defensiva” preventiva em resposta à escalada das tensões entre a Venezuela e a Guiana.

A disputa entre as duas nações gira em torno do território de Essequibo, abrangendo uma área de 159.542 quilômetros quadrados rica em recursos naturais vitais como petróleo, gás, mineração, hidráulica e indústrias florestais, todos administrados pela Guiana.

O regime venezuelano de Maduro planeja realizar um referendo em 12 de dezembro, excluindo a população local, com o objetivo final de anexar o território disputado.

O governo brasileiro, preocupado com os conflitos regionais envolvendo países vizinhos, despachou seu principal assessor de política externa e ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para mediar e prevenir um potencial confronto.

“O Ministério da Defesa está monitorando a situação. As medidas defensivas foram reforçadas na região da fronteira norte, contribuindo para um aumento da presença militar”, afirmou o Ministério do Brasil num comunicado de quarta-feira à noite.

A administração Lula da Silva enfatizou que “as medidas defensivas foram reforçadas” ao longo da sua fronteira norte em resposta à disputa territorial.

Recentemente, a Guiana levantou a possibilidade de estabelecer “bases militares” em Essequibo com o apoio dos Estados Unidos.

“Nunca estivemos interessados ​​em bases militares, mas devemos defender os nossos interesses nacionais”, afirmou o vice-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, durante uma conferência de imprensa.

“Estamos interessados ​​em manter a paz no nosso país e nas nossas fronteiras, mas estamos a trabalhar com os nossos aliados para garantir um plano abrangente”, acrescentou, anunciando a próxima visita de funcionários do Ministério da Defesa dos EUA na próxima semana.

“Teremos duas equipes do Ministério da Defesa dos EUA visitando na próxima semana, seguidas de várias visitas em dezembro e representação de alto nível”, confirmou Jagdeo.

“Todas as opções disponíveis serão utilizadas”, afirmou o vice-presidente, conforme noticiado pela AFP.

A mobilização de forças militares pelo Brasil sublinha as crescentes apreensões e as medidas proativas tomadas pelas potências regionais para gerir e mitigar a escalada da dinâmica do conflito entre a Venezuela e a Guiana.
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Saiba mais:
- Exército reforça fronteira com Venezuela e Guiana para evitar uso do território brasileiro em disputa por petróleo, diz Múcio
*G1 - 30/11/2023

22 outubro, 2023

Guerra à vista na América do Sul? Nicolás Maduro marca referendo sobre anexação de 2/3 da Guiana


*Hoje no Mundo Militar - 22/10/2023

Em podcast, a análise de Hoje no Mundo Militar:

 

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Venezuela marca data de referendo sobre disputa territorial com Guiana

*Reuters, por Deisy Buitrago, Via NASDAQ - 22/10/2023

Os venezuelanos votarão em 3 de dezembro em um referendo sobre “os direitos” sobre um território potencialmente rico em petróleo em disputa com sua vizinha Guiana, disseram autoridades nesta sexta-feira.

Ambos os países estão envolvidos numa disputa de longa data sobre as suas fronteiras. Em Abril, o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) decidiu que tinha jurisdição sobre a questão.

A votação foi descrita pelos críticos como uma forma de o partido no poder medir a sua força antes das eleições planeadas para o próximo ano e de encorajar os tribunais internacionais a concederem-lhe plenos direitos sobre o disputado território fronteiriço.

A Venezuela protestou contra um concurso de petróleo anunciado pela Guiana em Setembro, argumentando que as áreas offshore estão sujeitas a disputa e que as empresas adjudicatárias dos campos não terão os direitos de explorá-los.

Os aproximadamente 160 mil quilômetros quadrados em disputa ao longo das fronteiras dos países são, em sua maioria, selva impenetrável e são conhecidos como “região de Esequiba”. Constitui mais de dois terços da massa terrestre total da Guiana.

As reivindicações da Venezuela que se estendem ao território foram reativadas nos últimos anos após a descoberta de petróleo e gás perto da fronteira marítima.
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Áreas terrestre e marítima reivindicadas (claimed) pela Venezuela

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Referendo da Venezuela sobre controvérsia fronteiriça levanta preocupações com a Guiana

*OilNOW - 24/09/2023

O governo da Guiana expressou profunda preocupação com a recente decisão da Assembleia Nacional Venezuelana de realizar um referendo sobre a reivindicação da Venezuela ao território de Essequibo, na Guiana. Ele vê esta medida como tendo o potencial de aumentar as tensões entre as duas nações.

Presidente da Guiana, Dr. Irfaan Ali

De acordo com uma declaração de 23 de Setembro, o governo disse acreditar firmemente que a plataforma apropriada para abordar a reivindicação territorial da Venezuela é o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. A CIJ já afirmou duas vezes a sua jurisdição para resolver as reivindicações concorrentes da Venezuela e da Guiana sobre o território. Uma resolução da CIJ proporcionaria a ambas as partes um acordo final, vinculativo e equitativo, em conformidade com o direito internacional.

O governo expressou o seu apreço pelo apoio inabalável que recebeu de governos e organizações amigas, incluindo a Comunidade das Caraíbas , a Organização dos Estados Americanos e a Commonwealth . Estas entidades têm defendido consistentemente a soberania e a integridade territorial da Guiana, enfatizando a importância de defender o Estado de direito e os princípios da Carta das Nações Unidas. A Guiana também comunicou as suas preocupações ao Governo da Venezuela.

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou um referendo para decidir que medidas tomar em relação à sua reivindicação sobre a região de Essequibo. A aprovação unânime da moção pela Câmara levantou preocupações sobre o potencial de aumento da tensão na região.

O presidente da Guiana, Irfaan Ali, em resposta ao referendo da Venezuela, garantiu aos guianenses numa transmissão pública que o país irá “defender consistentemente o que é nosso, isto é Essequibo”.

“De forma forte, no quadro do direito internacional e da paz, e estamos juntos nisso como nação. Não cometa erros. A Guiana está unida nisso. Nós, como povo e como país, estamos conscientes dos nossos limites e respeitamos os nossos vizinhos. Continuamos a promover a vida e a existência numa zona de paz e rejeitamos totalmente a tentativa da Venezuela de perturbar a paz dentro desta nação e desta zona”, disse ele.

Mas isto não foi bem recebido pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele recorreu ao X (antigo Twitter) e redobrou as ameaças.

Veja abaixo um trecho de sua postagem:

“As medidas que o seu governo está a tomar violam a legalidade internacional e colocam em risco a paz da região. Se o seu interesse pela Paz for genuíno e sincero, proponho uma reunião promovida pela CARICOM para retomar o Acordo de Genebra de 1966. Presidente Irfaan, não permita que a ExxonMobil, através dos seus interesses impróprios, conduza a Guiana à escalada de um conflito. Não permitam que o Comando Sul transforme o seu país numa base militar contra a Venezuela de Bolívar.”

O Presidente Ali levantou a recente escalada de ameaças da Venezuela à Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). O Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gill, também emitiu uma declaração no cenário mundial.

Numa postagem X anexada a um clipe de seu discurso, ele disse: “Denunciamos o governo dos EUA que pretende se apropriar de nossos recursos petrolíferos usando a empresa ExxonMobil e confiando ao governo da Guiana a concessão de concessões petrolíferas em um mar territorial indeterminado, em violação total do direito internacional.”

Declarações recentes da OEA e da CARICOM foram rejeitadas pela Venezuela.

A escalada surgiu como resultado da recente ronda de licitações offshore da Guiana.

27 setembro, 2022

A tragédia de ser militar aposentado na Venezuela: pensões miseráveis, negação de direitos e proibição de entrar no quartel

Além disso, o atendimento outrora excelente que recebiam em hospitais militares, atendimento clínico e fornecimento de medicamentos, hoje é apenas uma memória do passado.


*Infobae, por Sebastiana Barraez - 21/09/2022

Se o serviço de assistência médica dos militares ativos venezuelanos é deficiente, o dos aposentados é uma tragédia. Embora ao longo de suas carreiras tenham pago a previdência social e assegurado cuidados na aposentadoria, especialmente na velhice, a crise econômica não só despedaça sua escassa pensão, mas também os cuidados outrora excelentes que recebiam nos hospitais militares, atendimento nas clínicas, fornecimento de medicamentos para eles e seus familiares, hoje é apenas uma lembrança do passado.

Em 15 de setembro, a Diretoria do Instituto de Oficiais Aposentados das Forças Armadas (Iorfan) reuniu-se com GD Alberto Miltiniano Bermúdez Valderrey, presidente da Seguros Horizonte, que informou que durante 2022 o convênio entre o Instituto de Previdência Social da Forças Armadas (IPSFA) com a Seguros Horizonte, razão pela qual o quadro filiado não possui apólice de grupo, para a qual oferece apólices complementares de mil bolívares (aproximadamente $120) até 50 mil bolívares (mais de 6 mil dólares), que "Os afiliados podem pagar em parcelas bimestrais, sem limite de idade, com carência de 6 e 8 meses, mas as emergências são atendidas imediatamente."

É impressionante o número de militares que, quando adoecem, não encontram local para serem atendidos, nem como cobrir exames médicos, tratamentos, cirurgias, entre outros, de modo que vários camaradas fazem coletas e desenvolvem campanhas de solidariedade. O mesmo acontece quando alguém morre.

Por outro lado, a grande maioria dos militares aposentados não tem acesso às instalações militares, porque foi proibido que quem não seja militar ativo não possa entrar em um quartel ou visitar. Aqueles que se manifestaram contra o governo nacional ou simplesmente caíram sob suspeita não são apenas perseguidos, presos e alguns torturados, mas nas fotos deles na Galeria dos Comandantes eles têm uma faixa com a palavra “traidor”.

Enquanto o empobrecimento dos militares aposentados ou da Reserva se deteriorou a níveis alarmantes, um setor da revolução bolivariana vê a oportunidade de tirar vantagem política dos militares aposentados, tentando uni-los, como fazem com outros setores, para fazê-los votar nos candidatos do chavismo, principalmente por Nicolás Maduro Moros que pretende ficar no Palácio de Miraflores.

Em maio de 2018, a ilegal Assembleia Nacional Constituinte (ANC) convocou eleições presidenciais antecipadas, cuja presença foi mínima e permitiu que Maduro permanecesse no poder, sem uma eleição válida e transparente, agravando a crise que já vivia.

Uma das estratégias do setor que Maduro tem na revolução é estudar o lançamento de uma megaeleição, para que a participação de inúmeros candidatos lhe dê a aparência de maior possibilidade de se legitimar no poder.

O general Juan Antonio Herrera Betancourt considera que “estão buscando, através da tributação, ter toda a 'reserva ativa' sob seu controle, ideologizá-la e, sob pressão, levá-los a fazer parte do PSUV, sob o pretexto de outra organização. Isso foi amplamente rejeitado e há grupos se organizando para rejeitá-lo”.

A Lei Orgânica das Forças Armadas foi modificada como Lei Constitucional

A reserva
Uma das estratégias utilizadas pelo chamado Movimento Social da Reserva Ativa Bolivariana (MovSocRsvaAct) é recrutar os milhares de soldados aposentados das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas para utilizá-los com fins políticos.

Um oficial ativo disse ao Infobae : “Isso é repreensível. Tem sido muito desagradável ter que dizer a um colega que não se pode recebê-lo em seu escritório sem fazê-lo parecer suspeito e ameaçado de ser chamado à DGCIM (Direção Geral de Contra-Inteligência Militar) para entrevistas e com o temor de que devido a qualquer intriga você deixa que eles o detenham e o classifiquem como um traidor”.

“Agora eles também querem manipular os aposentados. Pena que meu general Chourio se preste a isso; tivemos um bom relacionamento e compartilhamos muitas anedotas, ele é bem-humorado, mas é vergonhoso que um oficial que chegou a um cargo tão alto (chefe-general) não se aposente com dignidade e queira usar seus companheiros de armas para manter-se no poder, porque esse é o verdadeiro objetivo. É uma pena o que acontece com soldados aposentados, jogados no esquecimento, humilhados e muitos na miséria”.

“Já perdi a conta das vezes que enviei secretamente ajuda a colegas que caíram em desgraça e vagam em busca de um hospital onde possam ser tratados, implorando por remédios, esperando uma equipe médica ou remédios. Não posso dizer o quanto muitos de nós estão desapontados por não poder lidar com os casos de oficiais que foram professores ou instrutores, porque fizeram inimigos de soldados a aposentados. Agora pretendem manipulá-los para comprometê-los nas eleições, aproveitando-se da situação de miséria em que muitos se encontram. Não menina, isso dá arr… não sei como classificar essa ação”, diz por fim.

Reservar ou combinar
O Coronel Aposentado (GN) Hidalgo Antonio Valero Briceño, doutor em Ciências Jurídicas, preside o Movimento Defensores Populares (DPR), que em 13 de setembro de 2022 catalogou como o cúmulo da degeneração que existem “oficiais militares aposentados que propõem a criação do partido político que chamou: Reserva Ativa Bolivariana, tentando incluir os militares, da situação outrora honrosa de aposentadoria, hoje denegrindo pela situação socioeconômica, de desprezo em que o Regime Comunista nos conduziu”.

“Todos nós militares, como a maioria da população, com exceção de um pequeno grupo de bandidos corruptos, estamos passando pela crise mais profunda que nosso povo viveu em sua história política contemporânea. É lamentável a forma como são tratados os nossos camaradas de armas, depois de terem dado a vida ao serviço da Pátria ”.

"Muitos, de generais a sargentos, estão em situação de pobreza crítica, alguns até indigentes, têm que recorrer à caridade de colegas e amigos, quando surge uma emergência médica, para salvar suas vidas e as de seus familiares."

“A situação dos salários dos militares é degradante. As pensões são para a fome; um sargento e sua família não podem sobreviver com um salário-base sem bônus, de US$ 43 por mês, ou um coronel com US$ 104 por mês, quando só a cesta básica ultrapassa US$ 380 por mês”.

Destaca a “situação caótica dos serviços de saúde e assistência social dos militares da mal nomeada Reserva Ativa. É o cúmulo da bajulação dos promotores desta monstruosidade aberrante, de converter a organização de militares aposentados em partido político ligado ao PSUV, com o consentimento do GJ (Ex) Jesús Suárez Chourio, que ordenou que unidades militares iniciassem trabalho para o PSUV, com o 1X10″.

“Para piorar, agora estão propondo a eliminação do único bastião de defesa de nossos direitos, como o IORFAN. Por que não cuidam de melhorar as condições socioeconômicas e de saúde do sindicato?"

“As primeiras Leis do Exército e da Marinha falavam de militares aposentados, que se estivessem em condições físicas, poderiam ser chamados em caso de mobilização. A última Lei Orgânica das Forças Armadas, aprovada pela Assembleia Nacional, de acordo com as normas constitucionais, foi promulgada no Diário Oficial nº 38.280, de 26 de setembro de 2005. Reserva Nacional e Guarda Territorial”.

“A partir da análise dos regulamentos, podemos concluir que a Reserva Ativa ou Reserva Nacional, enquanto organização que reúne todos os militares reformados, nunca poderá tornar-se um partido político, independentemente da preferência partidária de cada um dos seus membros.”

O Coronel Valero Briceño conclui dizendo que “a situação aberrante é motivada pelo desespero do Regime , que viola inescrupulosamente todas as nossas normas, valores e princípios, para se firmar no poder, usando vantagem eleitoral e tentando usar os militares como ovelhas para seus fins desprezíveis."

Quando os militares da ativa se aposentam, a magia que dá o poder ao uniforme acaba.

Apenas para as Forças Armadas
Por sua vez, o Coronel aposentado (Ex) Ángel Alberto Bellorín, turma de 1977, que é advogado Magna Cum Laude, além de graduado em Educação Física e Esportes, bem como em Ciências e Artes Militares, com mestrado e doutorado em Direito Constitucional, diz que “Constitucionalmente, reformar leis orgânicas por lei habilitante, ou seja, Decreto-Lei, mais do que inconstitucional, quando se refere às Forças Armadas é imoral. Isso pode ser discutido na linguagem política obscena venezuelana, mas não na linguagem acadêmica com argumentos epistêmicos e gramaticais”.

Vale lembrar que, a partir de 2008, começou essa prática de modificação da Lei Orgânica das Forças Armadas (LOFAN) e demais leis orgânicas por decreto-lei. O plano óbvio no campo militar era eliminar progressivamente as poucas regras que ainda existiam sobre as promoções militares, preparar o terreno para a criação da Milícia e outras mudanças organizacionais que dispensavam a destruição.

Muitos advogados “incluindo colegas militares, tentaram sem sucesso recursos de anulação perante um Supremo Tribunal que desde 2004 já era controlado pelo chavismo. As sucessivas reformas nos decretos-leis, todas por Lei Habilitante, foram lentamente fazendo seu trabalho. É na reforma de 2014 que o oxímoro da reserva ativa aparece pela primeira vez. Não foi isolado, em paralelo fizeram o trabalho com o controle partidário das demais instituições para eliminar a possibilidade de anulação daquelas leis”.

“A última aberração aplaudida pela ignorância, é aquela falta de racionalidade chamada Direito Constitucional, aprovada pela Constituinte inconstitucional. Qualquer pessoa moderadamente honesta intelectual e moralmente sabe que é uma monstruosidade legalmente inexistente”.

“Foi aprovado para propaganda política e para disfarçar o motivo secundário da convocação da referida assembleia, que além de ser arbitrariamente constituída para anular uma Assembleia Nacional adversa ao governo, pretendia vincular emocionalmente uma FAN subjugada e diminuída a outra farsa de 'lealdade constitucional' . Uma fraude constitucional grosseira”.

Ele sugere analisar “por que a atual Lei que rege os destinos do que resta das Forças Armadas é a primeira e única lei venezuelana intitulada 'constitucional'. Da mesma forma, os militares foram 'privilegiados' com uma Lei Previdenciária também única, sendo batizados com a alcunha de um personagem do qual devemos nos orgulhar já que simbolicamente o levaram ao panteão”.

“Claro que pouco importa para a propaganda do governo que a lei de segurança com o nome de um herói não garanta nada e não cumpra seu conteúdo. Enorme privilégio dado aos militares venezuelanos para substituir salários reduzidos, bônus reduzidos, pensões embaraçosas e dívidas não pagas”, diz Bellorín.

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