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01 julho, 2026

Exército inaugura instituto de pesquisas na Amazônia, com aporte de R$ 15 milhões

IPEAM funcionará em parceria com o IME e o Censipam, em Manaus, e já abre vagas de pós-graduação em inteligência artificial, biotecnologia e tecnologias quânticas 


*LRCA Defense Consulting - 01/07/2026

O Exército Brasileiro inaugurou, nesta segunda-feira (29), o Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), em Manaus. A cerimônia reuniu o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, o Comandante Militar da Amazônia, general Viana Filho, e o senador Eduardo Braga (AM), entre outras autoridades civis e militares.

O instituto passa a funcionar nas instalações do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), em Manaus, que cedeu o espaço e deve compartilhar dados de monitoramento da região para as pesquisas desenvolvidas pelo IPEAM. A parceria com o Censipam havia sido formalizada em janeiro, em acordo assinado em Brasília entre o órgão e o Instituto Militar de Engenharia (IME), responsável pela condução acadêmica do novo instituto.

Criado em 2024, o IPEAM tem como missão desenvolver tecnologias voltadas à defesa, à preservação ambiental e ao monitoramento sustentável da Amazônia. A grade de pesquisa abrange inteligência artificial, análise de imagens e mapeamento ambiental, proteção de dados, biotecnologia, bioinformática, transição energética, cibernética e aplicações de física quântica, com cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado ministrados por professores do IME, sediado no Rio de Janeiro, em modelo híbrido de ensino integrado a Manaus.

Segundo o diretor do IME, general Juraci Ferreira Galdino, o instituto inicia as atividades com 24 pesquisadores entre mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, com previsão de início das aulas em 3 de agosto. Um novo edital de seleção deve ampliar o corpo discente para cerca de 84 alunos no início de 2027. Também está prevista a implantação de laboratórios permanentes de inteligência artificial e de ciências quânticas, viabilizados por um aporte de R$ 15 milhões anunciado durante a solenidade: R$ 5 milhões do Ministério da Defesa e R$ 10 milhões de emendas parlamentares impositivas, entre elas as dos deputados Adail Filho e Silas Câmara e a do próprio senador Eduardo Braga.

Além da pós-graduação, o IPEAM prevê cursos de extensão para professores da educação básica de comunidades isoladas e projetos de iniciação científica voltados a estudantes e docentes da região, com apoio da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Um projeto-piloto em Itacoatiara, em parceria com a UEA, deve atender cerca de 440 estudantes e professores da rede básica.

Para o ministro da Defesa, a criação do IPEAM se insere em uma estratégia de descentralização da formação científica e militar do país, citando como precedentes o novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza e o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (CIMATEC), em Salvador. Múcio descreveu o instituto como uma “semente” com potencial de crescer e se transformar em um grande centro de conhecimento para a região, ao destacar o movimento de levar professores e estruturas de ensino para o Norte e o Nordeste do país, invertendo o fluxo histórico de estudantes dessas regiões rumo ao Sul.

A instalação do IPEAM amplia a presença de estruturas de ciência e tecnologia de defesa na Amazônia Legal, região que concentra desafios de vigilância de fronteiras, monitoramento ambiental e soberania sobre um território de dimensão continental. Ao integrar as capacidades de sensoriamento remoto e processamento de dados do Censipam à formação de pesquisadores do IME, o Exército busca consolidar em Manaus um polo permanente de inovação aplicada à defesa e à sustentabilidade da região.

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