Proposta
financeira da Embraer supera US$ 366 milhões, com entregas previstas até 2030,
enquanto o Ministério da Defesa colombiano alerta para a necessidade de fechar
o negócio antes da posse do novo governo
*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026 (atualizado em 01/08)
A rádio
colombiana Caracol Radio divulgou nesta sexta-feira, 31 de julho de
2026, documentos que comprovam que a Força Aeroespacial Colombiana (FAC) avança
na compra de duas aeronaves KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer. Segundo
a reportagem, assinada pelo jornalista José David Rodríguez, a proposta
financeira apresentada pela Embraer SA totaliza US$ 366.430.371 e inclui as
aeronaves, treinamento, suporte logístico, equipamentos especializados e demais
recursos necessários para sua operação. Na documentação, o modelo é identificado
como "KC-390, aeronave básica", enquanto a finalidade do
processo é descrita como a aquisição de aeronaves de transporte tático militar
pesado, treinamento, equipamentos associados e suporte logístico.
A reportagem da Caracol
Radio confirma e detalha uma informação já antecipada em 14 de julho pelo
portal espanhol Infodefensa, segundo o qual o presidente Gustavo Petro
teria determinado o encerramento do processo de aquisição das duas aeronaves.
Àquela altura, a FAC ainda comparava o KC-390 com o C-130J Super Hercules, da
Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus. Antes disso, em 30 de março de
2026, o próprio Infodefensa já havia noticiado uma primeira ordem
presidencial para iniciar o processo de compra, atribuída ao interesse de Petro
em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e
compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Confirmação no
SECOP II
A existência do
processo foi confirmada de forma independente na consulta pública do SECOP II
(Sistema Electrónico para la Contratación Pública), a plataforma oficial de
contratos do Estado colombiano. O registro identifica a FAC como entidade
contratante e apresenta o seguinte resumo do processo:
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País
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Colômbia
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Entidade
estatal
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Força Aeroespacial Colombiana (FAC)
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Referência
do processo
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232-00-A-COFAC-CODAF-2026
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Descrição
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Aquisição de aeronaves de transporte tático
militar pesado
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Fase
atual (na consulta)
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Apresentação da oferta
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Data de
publicação
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29 de julho de 2026, 21h (UTC-5)
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Prazo
para apresentação de propostas
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31 de julho de 2026, 8h (UTC-5)
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Quantia
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COP 1.566.000.000.000
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A quantia
registrada no SECOP II, de COP 1.566.000.000.000, corresponde a aproximadamente
US$ 366 milhões pela taxa de câmbio do período, valor que coincide com os US$
366.430.371 informados pela Caracol Radio com base na proposta
financeira da Embraer, o que confirma de forma independente os números
revelados pela emissora. Chama a atenção também a janela de tempo do processo:
a oferta foi publicada em 29 de julho às 21h e o prazo para apresentação de
propostas se encerrou em 31 de julho às 8h, um intervalo de menos de 36 horas,
o que reforça o caráter apressado da tramitação nas últimas semanas do governo
Petro.
Valores e
cronograma de entrega
De acordo com os
documentos obtidos pela Caracol Radio, cada aeronave está avaliada em
mais de US$ 159 milhões, totalizando US$ 319.915.860 pelas duas unidades. Os
US$ 46,5 milhões restantes da proposta cobrem equipamentos adicionais,
treinamento, suporte logístico e outros elementos necessários à operação. Os
documentos estipulam ainda um pagamento adiantado de US$ 182.872.498, a ser
desembolsado entre 2027 e 2028, conforme o cronograma financeiro do contrato,
com os pagamentos restantes condicionados à fabricação e entrega das aeronaves
e de seus equipamentos associados. Os preços foram descritos como fixos e
imutáveis durante toda a execução do contrato.
Segundo o
cronograma obtido pela emissora, a primeira aeronave deverá ser entregue antes
de 30 de outubro de 2029, e a segunda, antes de 30 de novembro de 2030. O
contrato prevê ainda o treinamento inicial de pilotos e pessoal técnico da FAC,
suporte logístico por 24 meses, equipamentos de apoio em solo e o transporte da
primeira aeronave das instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no Brasil, até
a Base Aérea de CATAM, em Bogotá.
Reabastecimento
em voo e uso humanitário
Um dos pontos
centrais da oferta é que a primeira aeronave será configurada para realizar
reabastecimento em voo, por meio da instalação de sistemas sob as asas, um
tanque auxiliar, câmeras e outros equipamentos que permitirão o fornecimento de
combustível a outras aeronaves durante operações, entre elas os caças Gripen
E/F que a Colômbia também adquiriu da sueca Saab. A mesma unidade incorporará
um pacote de sistemas de contramedidas para aumentar sua proteção. As duas
aeronaves serão equipadas com comunicações via satélite, rádios militares
seguros e sistemas de navegação avançados.
O KC-390 também
poderá ser empregado em missões humanitárias e de evacuação aeromédica. A
oferta inclui 74 macas, com sistema de empilhamento, o que permitirá adaptar a
aeronave para o transporte simultâneo de dezenas de pacientes em emergências ou
desastres, uma capacidade relevante para um País marcado pela Cordilheira dos
Andes, por extensas áreas amazônicas e por regiões com infraestrutura
aeroportuária limitada.
O impasse dos
sistemas israelenses
A negociação
segue esbarrando em uma questão política sensível para o governo Petro. Segundo
o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390 incorporam sistemas
desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o sistema de missão da
aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua subsidiária brasileira AEL
Sistemas, responsável por elementos críticos da cabine, incluindo os sistemas
de visualização e o Head-Up Display (HUD). A configuração também pode integrar
suítes de autoproteção e guerra eletrônica de origem israelense, entre elas
sistemas Dircm (Directional Infrared Countermeasures), dispensadores de
contramedidas (CMDS) e pods de guerra eletrônica ativa (AECM), o que colide com
restrições que o próprio Petro impôs à aquisição de equipamentos de origem
israelense.
Uma compra
fechada às pressas na transição de governo
O avanço do
negócio ocorre em um momento politicamente delicado. A Colômbia atravessa o
processo de empalme (transição institucional) entre o governo de Gustavo
Petro e o do presidente eleito, Abelardo De la Espriella, ainda não empossado.
O comitê de transição designado pelo mandatário eleito suspendeu sua
participação no processo em 7 de julho de 2026, após atritos com a equipe de
Petro, o que levou vários ministérios, entre eles o da Defesa, a manter as
reuniões previstas e a deixar prontos os relatórios de gestão diante de
cadeiras vazias reservadas aos delegados do novo governo.
Segundo relatos
reproduzidos em fóruns especializados em defesa colombianos, um informe de
empalme do Ministério da Defesa, sob o comando do ministro Pedro Sánchez,
alertaria para a necessidade de concluir o processo de compra dos KC-390 ainda
durante a atual gestão, o que tem gerado debate sobre a conveniência de fechar
um contrato dessa magnitude sem mecanismo de financiamento plenamente
assegurado antes da posse do governo entrante. Não há, até o momento,
confirmação oficial de assinatura do contrato.
Peça de um
rearmamento mais amplo
A eventual
chegada do KC-390 se soma a uma renovação mais ampla da aviação militar
colombiana, que também inclui a aquisição de 17 caças Gripen E/F, da Saab, em
substituição aos veteranos Kfir, de origem israelense. Caso o contrato seja
formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador do C-390 Millennium, que já
opera ou foi selecionado por Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria,
República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos,
Lituânia e Uzbequistão, além do Brasil.
O mesmo movimento de renovação de
frotas de transporte tático alcança outros países da região, caso do Chile,
cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela
aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades
em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.
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