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19 outubro, 2026

Carteira do Gripen passa de 130 caças e amplia o espaço de Gavião Peixoto na produção global

Segunda fase tailandesa, contrato ucraniano e meta de quase dobrar a produção valorizam a linha da Embraer, mas a montagem de aeronaves estrangeiras no Brasil ainda depende de decisões contratuais

 


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LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 22h31

A Real Força Aérea da Tailândia (RTAF) pretende dar sequência à compra de caças Gripen E/F, com recursos previstos no orçamento fiscal de 2027 e recebimento das novas aeronaves em 2029. O anúncio, feito em 12 de outubro pelo comandante da força, Seksan Khantha, soma-se a um ano de forte expansão da carteira do caça sueco e aumenta a pressão sobre a capacidade industrial da Saab, que tem no complexo da Embraer em Gavião Peixoto (SP) sua única linha de montagem final fora da Suécia.

A segunda fase tailandesa ainda não constitui contrato, e o comandante não informou publicamente quantas aeronaves serão adquiridas. O Parlamento sueco autorizou a venda de até 12 Gripen E/F à Tailândia, e a Saab mencionou, em fevereiro, conversas sobre um segundo e um terceiro lotes de quatro aeronaves cada; publicações especializadas brasileiras falam em até oito unidades adicionais. O orçamento de 2027 poderá, portanto, cobrir um lote de quatro aviões ou as oito unidades restantes de uma só vez.

O primeiro lote tailandês, contratado em 25 de agosto de 2025 por aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas, reúne três Gripen E e um Gripen F, além de equipamentos, suporte e treinamento. O contrato prevê entregas no período de 2025 a 2030, com a primeira aeronave esperada para 2029. As novas unidades substituirão os F-16A/B da Ala 1, em Nakhon Ratchasima, e operarão ao lado dos 11 Gripen C/D que a RTAF mantém desde 2011.

Ucrânia muda a escala da carteira 
Desde a origem, o programa Gripen E/F acumula 133 aeronaves contratadas: 60 para a Suécia, 36 para o Brasil, 17 para a Colômbia, 16 para a Ucrânia e quatro para a Tailândia. O número inclui unidades já entregues e, por isso, não equivale à carteira de produção ainda pendente. Caso a segunda fase tailandesa seja formalizada com oito aeronaves, o total chegará a 141.

O contrato ucraniano é o fato mais relevante do ano para o programa. Assinado em 30 de junho entre a Saab e a Administração de Material de Defesa da Suécia (FMV), cobre 16 Gripen E, peças de reposição e equipamentos, por cerca de 24,6 bilhões de coroas suecas, com entregas à FMV em 2029 e 2030. É a primeira parcela de uma cooperação que, segundo os governos sueco e ucraniano, poderá chegar a até 150 aeronaves. Paralelamente, a Suécia decidiu doar Gripen C/D à Ucrânia e comprar caças novos para repor os aviões cedidos, o que cria demanda adicional para a fabricante.

A Colômbia, por sua vez, firmou em novembro de 2025 contrato estimado em 3,1 bilhões de euros para 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. O Peru, que chegou a anunciar a escolha do Gripen em julho de 2025, ilustra o outro lado da moeda: o processo travou em meio à instabilidade política, e o governo peruano passou a sinalizar preferência pelo F-16 Block 70, ainda sem decisão formal confirmada. Intenções de compra, portanto, não podem ser somadas a contratos firmes.

Meta de quase dobrar a produção 
O desafio para a Saab está menos na soma dos pedidos do que na sobreposição dos cronogramas entre 2028 e 2032. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, em 17 de julho, o presidente e CEO da empresa, Micael Johansson, informou que a capacidade efetiva atual está próxima de 15 aeronaves por ano e que a meta é alcançar algo entre 25 e 30. A companhia não anunciou o ano em que atingirá esse ritmo, e a execução depende de fornecedores de motores, radares e sistemas eletrônicos, além de mão de obra qualificada e estoques.

A expansão não se limita à montagem final. Em São Bernardo do Campo (SP), a Saab abriu uma segunda linha de aeroestruturas e dobrou, de oito para 16 unidades por ano, a capacidade de produção da fuselagem traseira do caça, o que amplia a participação brasileira na cadeia de fornecimento do programa. 



O lugar de Gavião Peixoto 
Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, Saab e Embraer assinaram um acordo preliminar (Heads of Agreement, HoA) para a potencial produção de 20 Gripen adicionais em Gavião Peixoto, em complemento à linha sueca de Linköping, como noticiou o LRCA. As empresas pretendem concluir o acordo definitivo ainda em 2026; até lá, não há valores, cronograma nem destinatário definidos para essas aeronaves.

O acordo industrial veio pouco mais de um mês depois de o governo brasileiro manifestar, em 4 de junho, em Estocolmo, interesse em adquirir mais 20 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), além dos 36 do contrato de 2014. A intenção foi registrada em declaração assinada pelos ministros da Defesa José Múcio Monteiro Filho e Pål Jonson, que informaram estar em negociação um aditivo ao contrato existente; segundo Jonson, essas aeronaves seriam fabricadas no Brasil. As empresas, contudo, descrevem os 20 Gripen do HoA como capacidade para oportunidades nacionais e internacionais, sem esclarecer se correspondem ao lote pretendido pela FAB. Os dois números não devem, portanto, ser somados nem tratados automaticamente como a mesma encomenda.

A capacidade da linha brasileira ganhou demonstração concreta em 6 de outubro, quando o primeiro Gripen E montado no País realizou seu voo inaugural, conduzido por um piloto de testes da Saab. A aeronave é a primeira de 15 previstas para produção local dentro do contrato da FAB, que abrange 28 Gripen E e oito Gripen F. Concluída a campanha de aceitação, seguirá para o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), na Base Aérea de Anápolis (GO).

Colômbia, o primeiro teste exportador 
O contrato colombiano é o candidato mais provável a inaugurar a exportação a partir de Gavião Peixoto. Em junho, Johansson declarou à CNN Brasil que a Saab pretende fazer no Brasil o máximo possível do contrato com a Colômbia, ampliando a capacidade tanto em Linköping quanto na linha brasileira. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 7 de outubro informou que os 15 Gripen E colombianos deverão ser montados em Gavião Peixoto, e os dois Gripen F, em Linköping. A divisão de tarefas, entretanto, ainda carece de confirmação formal das fabricantes.

Tailândia, uma possibilidade ainda distante 
No caso tailandês, a montagem no Brasil é apenas uma hipótese. A RTAF exige transferência de tecnologia e cooperação industrial com a própria Tailândia, e a definição sobre onde as aeronaves serão montadas dependerá da negociação com Bangkok, da ocupação das linhas, dos custos e das condições de fornecimento. A distância geográfica, por si só, não determina a origem dos aviões; a ocupação de Linköping com os contratos sueco e ucraniano, por outro lado, pode fazer de Gavião Peixoto uma alternativa para distribuir a carga de produção.

Gripen F e os limites da participação brasileira 
A versão biposto, desenvolvida com participação da indústria brasileira, constitui outra dimensão da parceria. O primeiro F-39F foi apresentado em Linköping em 2 de junho e voou em agosto, na Suécia, onde cumprirá a campanha de ensaios antes da entrega à FAB. Brasil, Colômbia e Tailândia encomendaram exemplares dessa configuração. O envolvimento nacional no desenvolvimento pode gerar atividades adicionais de engenharia e fornecimento, mas não significa que os Gripen F exportados serão montados no País; no caso colombiano, a previsão é de que os bipostos saiam da linha sueca.

O que está em jogo para a BID 
Para a Base Industrial de Defesa (BID), a principal oportunidade é transformar a infraestrutura criada pelo Projeto F-X2 em atividade contínua. O programa já qualificou mais de 350 profissionais brasileiros na Suécia e, segundo levantamento do LRCA, está associado a mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. Sem novas encomendas, porém, a linha de Gavião Peixoto teria sua carga de trabalho esgotada com o último dos 15 caças previstos no contrato original.

A nova intenção tailandesa reforça essa perspectiva, mas não assegura a montagem de aeronaves daquele país no Brasil. O avanço mais concreto está na combinação entre a capacidade já demonstrada pela Embraer, o acordo preliminar com a Saab, a intenção da FAB de ampliar a frota e o contrato colombiano. O passo decisivo será converter esses movimentos em contratos com atribuições de produção efetivamente definidas.

07 outubro, 2026

Primeiro Gripen E produzido no Brasil voa e consolida Gavião Peixoto na cadeia global do caça

Marco comprova que a transferência de tecnologia avançou da capacitação para uma capacidade industrial efetiva; linha da Embraer poderá complementar a produção sueca e atender futuras encomendas nacionais e internacionais



*LRCA Defense Consulting - 07/10/2026

O primeiro F-39E Gripen produzido no Brasil pela Embraer realizou nesta quarta-feira, 7 de outubro, seu voo inaugural a partir do complexo industrial de Gavião Peixoto (SP). Mais do que uma etapa prevista no processo de fabricação, o voo representa a comprovação prática de que o País passou a dominar, em território nacional, capacidades de montagem final, integração de sistemas, ensaios em solo e preparação de uma aeronave de caça avançada para testes em voo.


A missão foi conduzida por um piloto de testes da Saab e teve como objetivo verificar o funcionamento dos principais sistemas e validar as características de voo da aeronave. Segundo Embraer e Saab, os resultados confirmaram o desempenho esperado e produziram os dados necessários para a continuidade da campanha de ensaios de produção e aceitação que antecede a entrega à Força Aérea Brasileira (FAB).

Apresentado oficialmente em 25 de março, o caça é o primeiro de 15 exemplares previstos para produção no Brasil dentro do programa atualmente contratado. Depois da conclusão dos testes e do processo de aceitação, deverá seguir para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde se integrará ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade que opera o Gripen E no País. 


Da transferência de tecnologia à capacidade comprovada 
O significado industrial do voo está diretamente ligado à arquitetura escolhida pela FAB para o Programa Gripen. O contrato assinado em 2014 não se limitou à compra de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Ele incorporou um amplo processo de transferência de tecnologia e cooperação industrial, com engenheiros, técnicos, pilotos de testes e especialistas brasileiros trabalhando junto às equipes suecas em desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração, testes e manutenção.

Durante mais de uma década, esse processo criou infraestrutura, formou pessoal e inseriu empresas brasileiras na cadeia de fornecimento do programa. Em março, levantamento publicado pelo LRCA Defense Consulting apontou mais de 350 profissionais brasileiros treinados na Suécia, além da geração de mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos relacionados ao programa. A Saab também ampliou em São Bernardo do Campo (SP) a fabricação de aeroestruturas do Gripen, incluindo a fuselagem traseira, cuja capacidade anual passou de oito para 16 unidades após a abertura de uma segunda linha.

O voo inaugural em Gavião Peixoto é particularmente relevante porque transforma conhecimento transferido em capacidade demonstrada. Montar uma aeronave não equivale, por si só, a dominar todo o ciclo industrial. Ao participar do planejamento e da execução do primeiro voo, além da integração e dos testes anteriores, a Embraer demonstra que a estrutura brasileira alcançou um estágio no qual pode entregar uma aeronave completa para a campanha de aceitação. 


Gavião Peixoto deixa de ser apenas uma linha brasileira 

A evolução mais importante, porém, está no papel reservado à unidade paulista para os próximos anos. Gavião Peixoto abriga a única linha de montagem final do Gripen fora da Suécia e, desde julho, passou a ser formalmente considerada por Saab e Embraer como parte da expansão da capacidade mundial de produção do caça.

Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, as duas empresas assinaram um Heads of Agreement (HoA) que estabelece as bases para a potencial produção de 20 Gripen adicionais no Brasil. O documento ainda não constitui o contrato definitivo, mas prevê que a Embraer assuma a montagem dessas aeronaves e que a linha brasileira complemente a de Linköping, na Suécia, para responder ao crescimento da demanda global. As empresas declararam a intenção de concluir o acordo correspondente ainda em 2026.

Esse aspecto altera qualitativamente a posição brasileira no programa. A instalação criada inicialmente para atender parte da encomenda da FAB passa a ser tratada como elemento do sistema produtivo internacional do Gripen. O próprio comunicado divulgado após o voo inaugural afirma que o sucesso da missão valida Gavião Peixoto como parte integrante do sistema global de produção do caça.

Mercado internacional aumenta a importância da linha brasileira 

A expansão ocorre em um momento favorável ao Gripen E/F. Além das encomendas do Brasil e da Suécia, a Colômbia assinou em novembro de 2025 contrato de 3,1 bilhões de euros para 17 aeronaves, sendo 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. A Tailândia, que já opera o Gripen C/D, contratou quatro aeronaves da nova geração, três Gripen E e um Gripen F, em negócio de aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas.

A Ucrânia acrescenta uma variável de grande dimensão. Em maio, Estocolmo e Kiev anunciaram passos para uma possível aquisição inicial de até 20 Gripen E/F pela Ucrânia, paralelamente à intenção sueca de doar até 16 Gripen C/D. A Saab ressalvou, entretanto, que a negociação dos novos Gripen ainda não representa uma encomenda contratada.

Esse crescimento potencial da carteira pressiona a capacidade produtiva da Saab e ajuda a explicar a decisão de estruturar dois polos de montagem. Informações divulgadas pela própria empresa e acompanhadas pelo LRCA indicam que aeronaves destinadas a clientes internacionais poderão ser produzidas no Brasil. Isso não significa que toda nova encomenda será automaticamente direcionada a Gavião Peixoto, mas torna a unidade brasileira uma alternativa industrial concreta para distribuir carga de produção e reduzir prazos de entrega. 


A Colômbia pode ser o primeiro teste da vocação exportadora 

A encomenda colombiana é especialmente relevante por razões geográficas, logísticas e industriais. O LRCA vem acompanhando desde 2025 a possibilidade de participação da Embraer na produção dos Gripen destinados à Força Aeroespacial Colombiana. Com o contrato já assinado, o tema deixou de ser apenas uma hipótese comercial sobre a escolha do caça e passou a depender da definição de como Saab e Embraer distribuirão efetivamente a fabricação dos exemplares colombianos.

A proximidade entre os dois países e a existência de uma linha já capacitada na América do Sul favorecem Gavião Peixoto, mas a participação brasileira em cada lote deve ser tratada com cautela até que os fabricantes divulguem o planejamento industrial definitivo. O fato objetivo é que Saab e Embraer passaram a apresentar a planta paulista como instrumento para atender também à demanda global. 

Um ativo estratégico para a Embraer e para a BID 

Para a Embraer, a maturidade alcançada no Gripen amplia um conjunto de competências que vai além da fabricação de uma aeronave específica. A empresa já domina projetos complexos de aviação comercial, executiva e militar, mas a produção e os ensaios de um caça supersônico moderno acrescentam experiência em integração de sistemas de missão, processos industriais de elevada segurança, testes de produção e interação com cadeias internacionais de defesa.

Para a Base Industrial de Defesa (BID), o ganho mais importante é a permanência dessas competências no País. Transferência de tecnologia só produz valor estratégico duradouro quando gera pessoal qualificado, instalações, processos, propriedade intelectual acessível nos termos acordados e capacidade de aplicar o conhecimento em novos ciclos industriais. O voo de 7 de outubro constitui uma evidência concreta de que uma parcela relevante desse objetivo foi atingida.

Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, classificou o primeiro voo como um marco histórico e afirmou que as competências desenvolvidas ao longo dos anos se converteram em capacidades industriais reais e comprovadas no Brasil. Marcus Wandt, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab, destacou que a produção brasileira atingiu um novo nível de maturidade e cria uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no País. 


O próximo passo 

A aeronave que voou nesta quarta-feira seguirá agora pela campanha de testes de produção e aceitação antes da entrega à FAB. Em paralelo, a atenção se volta para dois movimentos: a continuidade da fabricação dos demais Gripen previstos para a linha brasileira e a transformação do acordo de julho para 20 aeronaves adicionais em contratos definitivos.

O contrato original de 2014 permanece como a base do programa brasileiro. O comunicado de 7 de outubro informa que dez aeronaves foram entregues à FAB até o momento, embora divulgações oficiais anteriores tenham apresentado contagens diferentes em determinados estágios do programa. Por essa razão, o número mais recente divulgado pelas empresas é o mais prudente para retratar a situação atual.

Se a expansão prevista for confirmada e Gavião Peixoto receber também aeronaves destinadas ao mercado externo, o primeiro voo realizado em 7 de outubro poderá ser lembrado como o momento em que a transferência de tecnologia do Programa Gripen ultrapassou definitivamente a condição de compensação industrial e passou a sustentar uma atividade brasileira permanente dentro de um programa mundial de aeronaves de combate.

04 agosto, 2026

Colômbia assina contrato para dois KC-390 Millennium e amplia parceria de mais de 35 anos com a Embraer

Acordo estimado em US$ 366,4 milhões inclui equipamentos de missão, pacote de suporte e programa de offset; entregas estão previstas para 2029 e 2030

 

*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026

A Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) assinou contrato com a Embraer para a aquisição de duas aeronaves KC-390 Millennium, cargueiro multimissão fabricado no Brasil. O anúncio foi confirmado pela fabricante, que classificou o acordo como um marco na modernização das capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo da força colombiana. A negociação já vinha sendo acompanhada desde março, quando o presidente Gustavo Petro determinou a aceleração das tratativas para substituir parte da envelhecida frota de C-130H Hercules.

Segundo a Embraer, o contrato contempla, além das duas aeronaves, equipamento de missão, um pacote integrado de serviços e suporte, e um programa de offset estruturado para atender às exigências regulatórias colombianas. A FAC poderá empregar o KC-390 Millennium em ações de assistência humanitária, resposta a desastres, transporte de carga e tropas, lançamentos aéreos e reabastecimento em voo. As aeronaves terão conectividade plena para operar de forma integrada com os caças Gripen, adquiridos recentemente pela Colômbia junto à sueca Saab, ampliando a interoperabilidade da força aérea colombiana.


Valores e cronograma
Reportagens do setor de defesa da região, como as publicadas por Infodefensa, Cronista e Aviacionline, estimam o valor total do contrato em US$ 366.430.371, o que equivale a mais de US$ 159 milhões por aeronave. O esquema de pagamento previsto contempla uma parcela antecipada de US$ 182.872.498, com desembolsos distribuídos entre 2027 e 2030. Há, no entanto, divergência entre fontes quanto à distribuição exata das parcelas anuais: Infodefensa indica repasses de US$ 94.337.349 em 2027 e US$ 88.535.149 em 2028, enquanto a Aviacionline descreve pagamentos de US$ 94 milhões em 2027, US$ 88 milhões em 2028, cerca de US$ 93 milhões em 2029 (incluindo a entrega da primeira aeronave) e US$ 90 milhões em 2030.

As duas aeronaves serão fabricadas na planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e voarão diretamente até a base aérea El Dorado, em Bogotá, onde passarão a integrar o Comando Aéreo de Transporte Militar (CATAM) da FAC. A primeira unidade deve ser entregue até 30 de outubro de 2029; a segunda, até 30 de novembro de 2030. O contrato também prevê sistema de reabastecimento em voo em configuração probe and drogue, com boom e pods REVO equipados com câmeras e sensores eletro-ópticos.

Uma parceria de mais de três décadas
Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que a companhia está honrada com a escolha da FAC e destacou que a decisão reforça uma parceria que remonta a mais de 35 anos, iniciada com a aquisição do turboélice EMB-312 Tucano pela força aérea colombiana e seguida pela compra do A-29 Super Tucano. Segundo o executivo, o KC-390 deve ampliar de forma significativa as capacidades colombianas de transporte aéreo e reabastecimento em voo, elevando o padrão operacional da força.

Capacidades da aeronave
Projetado e desenvolvido no século XXI, o KC-390 Millennium é apresentado pela Embraer como a aeronave de transporte militar mais moderna de sua categoria. Tem capacidade de carga de 26 toneladas, superior à de outros cargueiros militares de porte médio, e velocidade de cruzeiro de 470 nós (cerca de 870 km/h), o que lhe garante maior alcance e menor tempo de voo em comparação a concorrentes turboélice, como o C-130J. A aeronave pode operar a partir de pistas curtas, não pavimentadas ou semipreparadas, e cumprir missões de transporte de carga e tropas, lançamento aéreo de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios florestais e ajuda humanitária. Quando configurada com o kit de reabastecimento em voo (AAR) de instalação rápida, a aeronave pode operar tanto como reabastecedora quanto como receptora.

Alcance internacional
Além da Força Aérea Brasileira, o KC-390 Millennium já havia sido selecionado pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia. Com a assinatura do contrato, a Colômbia se torna o 13º país a selecionar a aeronave e a primeira nação latino-americana, além do Brasil, a adquirir o modelo.

Substituição da frota e alternativas avaliadas
O KC-390 vai substituir parte da frota de C-130H Hercules da FAC, composta por aeronaves com décadas de uso e crescentes restrições de disponibilidade. Durante o processo de seleção, a força aérea colombiana chegou a avaliar, ao lado do modelo brasileiro, o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o Airbus A400M Atlas, sob critérios técnicos e operacionais, entre eles a capacidade de operar em pistas curtas e não preparadas, relevante para regiões como a Amazônia, a Orinóquia e o litoral do Pacífico colombiano.

A decisão presidencial de acelerar a compra, formalizada por Petro em 30 de março de 2026, gerou debate interno na FAC, já que o KC-390 incorpora sistemas de autoproteção e contramedidas eletrônicas desenvolvidos pela indústria israelense, país sobre o qual o próprio Petro havia determinado anteriormente restrições à aquisição de armamentos e equipamentos militares.

Contrato assinado em meio a transição política tensa
A assinatura ocorre nos últimos dias do mandato de Gustavo Petro, que deixa a Presidência da Colômbia em meio a um processo de transição marcado por forte tensão política. O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, chegou a suspender as reuniões de transição com o governo colombiano após acusações mútuas envolvendo o resultado eleitoral, e a posse está marcada para o dia 7 de agosto. O contexto adiciona uma camada de escrutínio sobre contratos de defesa firmados nesta fase final de governo, embora não haja, até o momento, indicação de que o acordo com a Embraer esteja sob contestação formal por parte da futura gestão.

O ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez Suárez, afirmou anteriormente que o país reservou orçamento para adquirir até 14 aeronaves de transporte tático pesado e 33 helicópteros, sinalizando que a compra dos dois KC-390 Millennium pode ser o primeiro passo de um programa mais amplo de modernização da força aérea colombiana.

31 julho, 2026

Documentos revelam termos da compra dos dois KC-390 da Colômbia, em meio a crise na transição de governo

Proposta financeira da Embraer supera US$ 366 milhões, com entregas previstas até 2030, enquanto o Ministério da Defesa colombiano alerta para a necessidade de fechar o negócio antes da posse do novo governo

 
*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026 (atualizado em 01/08)

A rádio colombiana Caracol Radio divulgou nesta sexta-feira, 31 de julho de 2026, documentos que comprovam que a Força Aeroespacial Colombiana (FAC) avança na compra de duas aeronaves KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer. Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista José David Rodríguez, a proposta financeira apresentada pela Embraer SA totaliza US$ 366.430.371 e inclui as aeronaves, treinamento, suporte logístico, equipamentos especializados e demais recursos necessários para sua operação. Na documentação, o modelo é identificado como "KC-390, aeronave básica", enquanto a finalidade do processo é descrita como a aquisição de aeronaves de transporte tático militar pesado, treinamento, equipamentos associados e suporte logístico.
A reportagem da Caracol Radio confirma e detalha uma informação já antecipada em 14 de julho pelo portal espanhol Infodefensa, segundo o qual o presidente Gustavo Petro teria determinado o encerramento do processo de aquisição das duas aeronaves. Àquela altura, a FAC ainda comparava o KC-390 com o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus. Antes disso, em 30 de março de 2026, o próprio Infodefensa já havia noticiado uma primeira ordem presidencial para iniciar o processo de compra, atribuída ao interesse de Petro em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Confirmação no SECOP II
A existência do processo foi confirmada de forma independente na consulta pública do SECOP II (Sistema Electrónico para la Contratación Pública), a plataforma oficial de contratos do Estado colombiano. O registro identifica a FAC como entidade contratante e apresenta o seguinte resumo do processo:

País

Colômbia

Entidade estatal

Força Aeroespacial Colombiana (FAC)

Referência do processo

232-00-A-COFAC-CODAF-2026

Descrição

Aquisição de aeronaves de transporte tático militar pesado

Fase atual (na consulta)

Apresentação da oferta

Data de publicação

29 de julho de 2026, 21h (UTC-5)

Prazo para apresentação de propostas

31 de julho de 2026, 8h (UTC-5)

Quantia

COP 1.566.000.000.000

A quantia registrada no SECOP II, de COP 1.566.000.000.000, corresponde a aproximadamente US$ 366 milhões pela taxa de câmbio do período, valor que coincide com os US$ 366.430.371 informados pela Caracol Radio com base na proposta financeira da Embraer, o que confirma de forma independente os números revelados pela emissora. Chama a atenção também a janela de tempo do processo: a oferta foi publicada em 29 de julho às 21h e o prazo para apresentação de propostas se encerrou em 31 de julho às 8h, um intervalo de menos de 36 horas, o que reforça o caráter apressado da tramitação nas últimas semanas do governo Petro.

Valores e cronograma de entrega
De acordo com os documentos obtidos pela Caracol Radio, cada aeronave está avaliada em mais de US$ 159 milhões, totalizando US$ 319.915.860 pelas duas unidades. Os US$ 46,5 milhões restantes da proposta cobrem equipamentos adicionais, treinamento, suporte logístico e outros elementos necessários à operação. Os documentos estipulam ainda um pagamento adiantado de US$ 182.872.498, a ser desembolsado entre 2027 e 2028, conforme o cronograma financeiro do contrato, com os pagamentos restantes condicionados à fabricação e entrega das aeronaves e de seus equipamentos associados. Os preços foram descritos como fixos e imutáveis durante toda a execução do contrato.
Segundo o cronograma obtido pela emissora, a primeira aeronave deverá ser entregue antes de 30 de outubro de 2029, e a segunda, antes de 30 de novembro de 2030. O contrato prevê ainda o treinamento inicial de pilotos e pessoal técnico da FAC, suporte logístico por 24 meses, equipamentos de apoio em solo e o transporte da primeira aeronave das instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no Brasil, até a Base Aérea de CATAM, em Bogotá.
Reabastecimento em voo e uso humanitário
Um dos pontos centrais da oferta é que a primeira aeronave será configurada para realizar reabastecimento em voo, por meio da instalação de sistemas sob as asas, um tanque auxiliar, câmeras e outros equipamentos que permitirão o fornecimento de combustível a outras aeronaves durante operações, entre elas os caças Gripen E/F que a Colômbia também adquiriu da sueca Saab. A mesma unidade incorporará um pacote de sistemas de contramedidas para aumentar sua proteção. As duas aeronaves serão equipadas com comunicações via satélite, rádios militares seguros e sistemas de navegação avançados.
O KC-390 também poderá ser empregado em missões humanitárias e de evacuação aeromédica. A oferta inclui 74 macas, com sistema de empilhamento, o que permitirá adaptar a aeronave para o transporte simultâneo de dezenas de pacientes em emergências ou desastres, uma capacidade relevante para um País marcado pela Cordilheira dos Andes, por extensas áreas amazônicas e por regiões com infraestrutura aeroportuária limitada.
O impasse dos sistemas israelenses
A negociação segue esbarrando em uma questão política sensível para o governo Petro. Segundo o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390 incorporam sistemas desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o sistema de missão da aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua subsidiária brasileira AEL Sistemas, responsável por elementos críticos da cabine, incluindo os sistemas de visualização e o Head-Up Display (HUD). A configuração também pode integrar suítes de autoproteção e guerra eletrônica de origem israelense, entre elas sistemas Dircm (Directional Infrared Countermeasures), dispensadores de contramedidas (CMDS) e pods de guerra eletrônica ativa (AECM), o que colide com restrições que o próprio Petro impôs à aquisição de equipamentos de origem israelense.
Uma compra fechada às pressas na transição de governo
O avanço do negócio ocorre em um momento politicamente delicado. A Colômbia atravessa o processo de empalme (transição institucional) entre o governo de Gustavo Petro e o do presidente eleito, Abelardo De la Espriella, ainda não empossado. O comitê de transição designado pelo mandatário eleito suspendeu sua participação no processo em 7 de julho de 2026, após atritos com a equipe de Petro, o que levou vários ministérios, entre eles o da Defesa, a manter as reuniões previstas e a deixar prontos os relatórios de gestão diante de cadeiras vazias reservadas aos delegados do novo governo.
Segundo relatos reproduzidos em fóruns especializados em defesa colombianos, um informe de empalme do Ministério da Defesa, sob o comando do ministro Pedro Sánchez, alertaria para a necessidade de concluir o processo de compra dos KC-390 ainda durante a atual gestão, o que tem gerado debate sobre a conveniência de fechar um contrato dessa magnitude sem mecanismo de financiamento plenamente assegurado antes da posse do governo entrante. Não há, até o momento, confirmação oficial de assinatura do contrato.
Peça de um rearmamento mais amplo
A eventual chegada do KC-390 se soma a uma renovação mais ampla da aviação militar colombiana, que também inclui a aquisição de 17 caças Gripen E/F, da Saab, em substituição aos veteranos Kfir, de origem israelense. Caso o contrato seja formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador do C-390 Millennium, que já opera ou foi selecionado por Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos, Lituânia e Uzbequistão, além do Brasil. 
O mesmo movimento de renovação de frotas de transporte tático alcança outros países da região, caso do Chile, cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.

14 julho, 2026

Petro determina avanço da compra de dois KC-390 da Embraer para a Colômbia

Ordem presidencial busca acelerar a substituição dos C-130H Hercules na Força Aeroespacial Colombiana, em meio a debate sobre sistemas de origem israelense embarcados na aeronave brasileira


*LRCA Defense Consulting - 14/07/2026

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, teria determinado o encerramento do processo de aquisição de dois aviões de transporte tático Embraer KC-390 Millennium para a Força Aeroespacial Colombiana (FAC), segundo informação divulgada nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, pelo portal espanhol Infodefensa, assinada pelo jornalista Erich Saumeth. A decisão acelera um processo que ainda envolvia a comparação técnica com outras duas plataformas disputadas no mercado internacional: o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus.

A orientação de Petro não é isolada. Já em 30 de março de 2026, o presidente colombiano havia ordenado formalmente, em Conselho de Ministros, o início do processo de compra das duas aeronaves brasileiras, segundo apurou à época o próprio Infodefensa. Naquele momento, a razão apontada pelo portal era o interesse do mandatário em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova orientação, agora, teria como objetivo fechar definitivamente o negócio.

A urgência da renovação da frota de transporte colombiana cresceu depois do acidente registrado em março de 2026 com um C-130H Hercules da FAC, que caiu pouco depois de decolar de Puerto Leguízamo, no departamento de Putumayo, durante uma missão de transporte de militares, deixando dezenas de mortos e feridos. O episódio expôs o desgaste de uma frota que serve à Colômbia há décadas em missões logísticas exigentes, sobre uma geografia marcada pela Cordilheira dos Andes, extensas áreas amazônicas e regiões com infraestrutura aeroportuária limitada.

É nesse cenário que o KC-390 Millennium apresenta parte de seu apelo comercial. Desenvolvido pela Embraer, o bimotor a jato pode transportar até 26 toneladas de carga, atingir velocidades de cruzeiro próximas de 470 nós e operar em pistas curtas, não pavimentadas ou pouco preparadas, características relevantes para o teatro operacional colombiano. A aeronave também está apta a realizar reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, apoio humanitário e combate a incêndios.

O impasse dos sistemas israelenses
A possível aquisição, no entanto, esbarra em uma questão política sensível para o governo Petro. Segundo o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390 incorporam sistemas desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o sistema de missão da aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua subsidiária brasileira AEL Sistemas, responsável por elementos críticos da cabine, incluindo os sistemas de visualização e o Head-Up Display (HUD). A configuração da aeronave também pode integrar suítes de autoproteção e guerra eletrônica de origem israelense, entre elas sistemas Dircm (Directional Infrared Countermeasures), dispensadores de contramedidas (CMDS) e pods de guerra eletrônica ativa (AECM).

O tema ganha relevância porque o próprio Petro já havia restringido, em decisões anteriores de seu governo, a aquisição de equipamentos, sistemas ou armamentos de origem israelense ou que incorporem componentes fabricados naquele país. Ainda não está claro, segundo as fontes consultadas, como essa política seria aplicada à configuração específica destinada à Colômbia, tampouco se determinados sistemas poderiam ser substituídos por equipamentos de outros fornecedores.

Peça de um rearmamento mais amplo
A eventual chegada do KC-390 se insere em uma renovação mais ampla da aviação militar colombiana. O País, além da negociação em curso com a Embraer, avança na aquisição de 17 caças Gripen E/F, da sueca Saab, para substituir os veteranos Kfir, de origem israelense, ampliando a participação das indústrias aeronáuticas brasileira e sueca na modernização das capacidades aéreas da FAC. Analistas do setor observam que o KC-390 é compatível com as operações dos Gripen, sobretudo para o reabastecimento em voo, o que facilitaria a integração da nova frota de combate colombiana.

Caso o contrato seja formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador internacional do C-390 Millennium, aeronave que já conquistou clientes como Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além do Brasil. O mesmo movimento de renovação de frotas de transporte tático move outros países da região, caso do Chile, cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.

Até o momento, não foi anunciado publicamente um contrato definitivo entre o governo colombiano e a Embraer para as duas aeronaves. A orientação de Petro para avançar com o processo ainda deve envolver negociações comerciais, a definição da configuração dos aviões, o pacote logístico, o treinamento de tripulações e equipes de manutenção, além do cronograma de entregas.

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