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19 outubro, 2026

Carteira do Gripen passa de 130 caças e amplia o espaço de Gavião Peixoto na produção global

Segunda fase tailandesa, contrato ucraniano e meta de quase dobrar a produção valorizam a linha da Embraer, mas a montagem de aeronaves estrangeiras no Brasil ainda depende de decisões contratuais

 


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LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 22h31

A Real Força Aérea da Tailândia (RTAF) pretende dar sequência à compra de caças Gripen E/F, com recursos previstos no orçamento fiscal de 2027 e recebimento das novas aeronaves em 2029. O anúncio, feito em 12 de outubro pelo comandante da força, Seksan Khantha, soma-se a um ano de forte expansão da carteira do caça sueco e aumenta a pressão sobre a capacidade industrial da Saab, que tem no complexo da Embraer em Gavião Peixoto (SP) sua única linha de montagem final fora da Suécia.

A segunda fase tailandesa ainda não constitui contrato, e o comandante não informou publicamente quantas aeronaves serão adquiridas. O Parlamento sueco autorizou a venda de até 12 Gripen E/F à Tailândia, e a Saab mencionou, em fevereiro, conversas sobre um segundo e um terceiro lotes de quatro aeronaves cada; publicações especializadas brasileiras falam em até oito unidades adicionais. O orçamento de 2027 poderá, portanto, cobrir um lote de quatro aviões ou as oito unidades restantes de uma só vez.

O primeiro lote tailandês, contratado em 25 de agosto de 2025 por aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas, reúne três Gripen E e um Gripen F, além de equipamentos, suporte e treinamento. O contrato prevê entregas no período de 2025 a 2030, com a primeira aeronave esperada para 2029. As novas unidades substituirão os F-16A/B da Ala 1, em Nakhon Ratchasima, e operarão ao lado dos 11 Gripen C/D que a RTAF mantém desde 2011.

Ucrânia muda a escala da carteira 
Desde a origem, o programa Gripen E/F acumula 133 aeronaves contratadas: 60 para a Suécia, 36 para o Brasil, 17 para a Colômbia, 16 para a Ucrânia e quatro para a Tailândia. O número inclui unidades já entregues e, por isso, não equivale à carteira de produção ainda pendente. Caso a segunda fase tailandesa seja formalizada com oito aeronaves, o total chegará a 141.

O contrato ucraniano é o fato mais relevante do ano para o programa. Assinado em 30 de junho entre a Saab e a Administração de Material de Defesa da Suécia (FMV), cobre 16 Gripen E, peças de reposição e equipamentos, por cerca de 24,6 bilhões de coroas suecas, com entregas à FMV em 2029 e 2030. É a primeira parcela de uma cooperação que, segundo os governos sueco e ucraniano, poderá chegar a até 150 aeronaves. Paralelamente, a Suécia decidiu doar Gripen C/D à Ucrânia e comprar caças novos para repor os aviões cedidos, o que cria demanda adicional para a fabricante.

A Colômbia, por sua vez, firmou em novembro de 2025 contrato estimado em 3,1 bilhões de euros para 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. O Peru, que chegou a anunciar a escolha do Gripen em julho de 2025, ilustra o outro lado da moeda: o processo travou em meio à instabilidade política, e o governo peruano passou a sinalizar preferência pelo F-16 Block 70, ainda sem decisão formal confirmada. Intenções de compra, portanto, não podem ser somadas a contratos firmes.

Meta de quase dobrar a produção 
O desafio para a Saab está menos na soma dos pedidos do que na sobreposição dos cronogramas entre 2028 e 2032. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, em 17 de julho, o presidente e CEO da empresa, Micael Johansson, informou que a capacidade efetiva atual está próxima de 15 aeronaves por ano e que a meta é alcançar algo entre 25 e 30. A companhia não anunciou o ano em que atingirá esse ritmo, e a execução depende de fornecedores de motores, radares e sistemas eletrônicos, além de mão de obra qualificada e estoques.

A expansão não se limita à montagem final. Em São Bernardo do Campo (SP), a Saab abriu uma segunda linha de aeroestruturas e dobrou, de oito para 16 unidades por ano, a capacidade de produção da fuselagem traseira do caça, o que amplia a participação brasileira na cadeia de fornecimento do programa. 



O lugar de Gavião Peixoto 
Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, Saab e Embraer assinaram um acordo preliminar (Heads of Agreement, HoA) para a potencial produção de 20 Gripen adicionais em Gavião Peixoto, em complemento à linha sueca de Linköping, como noticiou o LRCA. As empresas pretendem concluir o acordo definitivo ainda em 2026; até lá, não há valores, cronograma nem destinatário definidos para essas aeronaves.

O acordo industrial veio pouco mais de um mês depois de o governo brasileiro manifestar, em 4 de junho, em Estocolmo, interesse em adquirir mais 20 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), além dos 36 do contrato de 2014. A intenção foi registrada em declaração assinada pelos ministros da Defesa José Múcio Monteiro Filho e Pål Jonson, que informaram estar em negociação um aditivo ao contrato existente; segundo Jonson, essas aeronaves seriam fabricadas no Brasil. As empresas, contudo, descrevem os 20 Gripen do HoA como capacidade para oportunidades nacionais e internacionais, sem esclarecer se correspondem ao lote pretendido pela FAB. Os dois números não devem, portanto, ser somados nem tratados automaticamente como a mesma encomenda.

A capacidade da linha brasileira ganhou demonstração concreta em 6 de outubro, quando o primeiro Gripen E montado no País realizou seu voo inaugural, conduzido por um piloto de testes da Saab. A aeronave é a primeira de 15 previstas para produção local dentro do contrato da FAB, que abrange 28 Gripen E e oito Gripen F. Concluída a campanha de aceitação, seguirá para o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), na Base Aérea de Anápolis (GO).

Colômbia, o primeiro teste exportador 
O contrato colombiano é o candidato mais provável a inaugurar a exportação a partir de Gavião Peixoto. Em junho, Johansson declarou à CNN Brasil que a Saab pretende fazer no Brasil o máximo possível do contrato com a Colômbia, ampliando a capacidade tanto em Linköping quanto na linha brasileira. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 7 de outubro informou que os 15 Gripen E colombianos deverão ser montados em Gavião Peixoto, e os dois Gripen F, em Linköping. A divisão de tarefas, entretanto, ainda carece de confirmação formal das fabricantes.

Tailândia, uma possibilidade ainda distante 
No caso tailandês, a montagem no Brasil é apenas uma hipótese. A RTAF exige transferência de tecnologia e cooperação industrial com a própria Tailândia, e a definição sobre onde as aeronaves serão montadas dependerá da negociação com Bangkok, da ocupação das linhas, dos custos e das condições de fornecimento. A distância geográfica, por si só, não determina a origem dos aviões; a ocupação de Linköping com os contratos sueco e ucraniano, por outro lado, pode fazer de Gavião Peixoto uma alternativa para distribuir a carga de produção.

Gripen F e os limites da participação brasileira 
A versão biposto, desenvolvida com participação da indústria brasileira, constitui outra dimensão da parceria. O primeiro F-39F foi apresentado em Linköping em 2 de junho e voou em agosto, na Suécia, onde cumprirá a campanha de ensaios antes da entrega à FAB. Brasil, Colômbia e Tailândia encomendaram exemplares dessa configuração. O envolvimento nacional no desenvolvimento pode gerar atividades adicionais de engenharia e fornecimento, mas não significa que os Gripen F exportados serão montados no País; no caso colombiano, a previsão é de que os bipostos saiam da linha sueca.

O que está em jogo para a BID 
Para a Base Industrial de Defesa (BID), a principal oportunidade é transformar a infraestrutura criada pelo Projeto F-X2 em atividade contínua. O programa já qualificou mais de 350 profissionais brasileiros na Suécia e, segundo levantamento do LRCA, está associado a mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. Sem novas encomendas, porém, a linha de Gavião Peixoto teria sua carga de trabalho esgotada com o último dos 15 caças previstos no contrato original.

A nova intenção tailandesa reforça essa perspectiva, mas não assegura a montagem de aeronaves daquele país no Brasil. O avanço mais concreto está na combinação entre a capacidade já demonstrada pela Embraer, o acordo preliminar com a Saab, a intenção da FAB de ampliar a frota e o contrato colombiano. O passo decisivo será converter esses movimentos em contratos com atribuições de produção efetivamente definidas.

26 setembro, 2026

Taurus no Gripen reforça perspectiva para mísseis brasileiros, mas integração exige etapas próprias

Avanço anunciado na Suécia mostra a capacidade de adaptação do caça; MICLA-BR é o candidato mais diretamente associado ao F-39, enquanto emprego do MARSUP ainda dependeria de decisões e estudos específicos



*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026

A TAURUS Systems anunciou em 24 de setembro que concluiu em “tempo recorde” a integração do míssil de cruzeiro Taurus ao Gripen. O resultado é um sinal favorável para o Brasil, que opera o F-39 e desenvolve projetos próprios de mísseis de lançamento aéreo. Ele, contudo, não estabelece um prazo para integrar armamentos brasileiros nem prova que esse trabalho poderia repetir a velocidade alcançada na Suécia.

O comunicado da fabricante não informa a duração dos trabalhos, os testes realizados, o alcance da certificação ou a configuração precisa da aeronave. A notícia da Defense Express identifica o Gripen C/D sueco e relata que houve um primeiro lançamento em agosto. O F-39 brasileiro pertence à família Gripen E/F. Por isso, a experiência é um precedente relevante, mas seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a versão brasileira. 


O que a integração realmente demonstra 
A Saab apresenta o Gripen E como uma plataforma concebida para incorporar novos armamentos e atualizar suas funções de missão. Essa arquitetura pode facilitar o trabalho de engenharia. Ainda assim, a integração de um míssil envolve verificar peso e dimensões, suportes e alimentação elétrica, troca de dados, apresentação de informações ao piloto, programação da missão e separação segura durante o lançamento. Ensaios em solo e em voo e a aprovação da configuração completam o processo. A dificuldade e o prazo variam de arma para arma.

Há outra particularidade: a TAURUS Systems reúne a MBDA e a Saab entre seus acionistas. Essa relação industrial pode ter facilitado a cooperação no programa sueco. Ela não constitui, por si só, garantia de acesso equivalente a interfaces, equipes e recursos para um projeto brasileiro.

MICLA-BR é a conexão mais direta 
O MICLA-BR nasceu da busca da Força Aérea Brasileira por uma capacidade nacional de ataque de precisão a longa distância. Documentos de planejamento da Aeronáutica o descrevem como míssil de cruzeiro ar-superfície, com histórico de estudos para adaptar tecnologia do AV-TM 300. O LRCA Defense Consulting já registrou sua ligação histórica com a futura integração à família Gripen e observou que o projeto aparece no PLOA 2027 com R$ 11 milhões previstos para aquisição de mísseis de longo alcance.

A rubrica orçamentária, entretanto, não esclarece que material será adquirido, em que estágio está o armamento nem se há contrato de integração ao F-39. Uma eventual campanha dependeria de uma configuração definida do míssil, requisitos da FAB, financiamento, acesso aos dados técnicos necessários e um programa de ensaios acordado com os responsáveis pela aeronave.

MARSUP tem outro ponto de partida 
O MARSUP é objeto de um protocolo de intenções firmado em fevereiro entre a Marinha do Brasil e a SIATT para estudar mísseis ar-superfície antinavio derivados da experiência do MANSUP. Segundo a divulgação do projeto, o foco inicial está em aeronaves da Aviação Naval. Não há anúncio público de escolha do Gripen como plataforma do MARSUP ou de uma campanha para integrá-lo ao F-39.

A possibilidade merece estudo, sobretudo se houver interesse conjunto da Marinha e da FAB em uma capacidade antinavio lançada pelo caça. Seria necessário definir qual versão do míssil seria adequada, sua compatibilidade com a aeronave, a cadeia de designação de alvos marítimos e o custo da integração. Nesse caso, a experiência sueca inspira uma pergunta, não oferece uma resposta pronta. 


Uma oportunidade que depende de decisões 
O avanço com o Taurus mostra que o Gripen pode receber um míssil de cruzeiro de grande porte mediante um programa de integração bem conduzido. Para o Brasil, o principal ganho potencial está em planejar desde cedo o desenvolvimento do míssil e sua interface com o F-39 como partes de uma mesma capacidade operacional. A rapidez sueca fortalece a perspectiva, mas o calendário brasileiro só poderá ser estimado quando houver armamento definido, recursos contratados e dados públicos sobre os ensaios previstos.

31 agosto, 2026

Gripen F, versão biposto do caça sueco, realiza seu primeiro voo na Suécia com piloto brasileiro a bordo

Aeronave decolou de Linköping e permaneceu 40 minutos no ar; caça de dois lugares é fruto da parceria entre Brasil e Suécia e será operado pelo 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis



*LRCA Defense Consulting - 31/08/2026

O caça Gripen F, variante biposto do Gripen E, realizou nesta sexta-feira (28) seu primeiro voo, decolando às 9h40 no horário local (4h40 em Brasília) do aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia. A aeronave permaneceu no ar por 40 minutos, em missão que verificou o funcionamento dos sistemas principais e o desempenho inicial de voo.

O voo foi conduzido pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da Força Aérea Brasileira (FAB). A presença de um piloto brasileiro no comando compartilhado da missão inaugural reforça o caráter binacional do programa, que tem o Brasil como cliente lançador da versão de dois lugares.

Designado F-39F na nomenclatura da FAB, o Gripen F é destinado ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), sediado na Base Aérea de Anápolis (BAAN), para onde a primeira unidade deve seguir em 2027, segundo informações veiculadas por veículos especializados em defesa. Com o primeiro voo, a aeronave entra oficialmente na fase aérea de sua campanha de testes, conduzida pelo Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia.

Segundo a Saab, a etapa seguinte será a expansão progressiva do envelope de voo, quando serão validados gradualmente parâmetros como velocidade, altitude, fator de carga (carga G) e ângulo de ataque. Em paralelo, serão avaliadas as capacidades táticas e as funções específicas do cockpit traseiro, elemento que diferencia o Gripen F da versão monoposto.

“Esse primeiro voo representa um passo importante tanto para a Saab quanto para a Força Aérea Brasileira. Ver o Gripen F decolar é particularmente significativo para todas as equipes suecas e brasileiras cujos anos de trabalho de engenharia ajudaram a transformar esta aeronave em realidade. Ela é projetada para acelerar o treinamento de pilotos, ao mesmo tempo em que aprimora o desempenho operacional em missões de combate avançadas”, afirmou Lars Tossman, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab. 


O desenvolvimento do Gripen F resulta da parceria estratégica entre Brasil e Suécia e da ampla transferência de tecnologia realizada no âmbito do Programa Gripen Brasileiro, que já capacitou mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros em atividades ligadas ao desenvolvimento, à produção, aos ensaios em voo e à manutenção da aeronave. Como cliente lançador, o País teve papel ativo no codesenvolvimento da variante de dois lugares, o que garantiu participação industrial direta e cooperação de longo prazo.

O programa F-39 Gripen foi firmado em 2014 e prevê a aquisição de 36 aeronaves pela FAB, sendo 28 monoposto (Gripen E) e oito biposto (Gripen F), em contrato avaliado em aproximadamente US$ 4,5 bilhões. As entregas começaram em 2020 e devem se estender até 2032, com parte da produção realizada na planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Atualmente, o Brasil já opera dez unidades do Gripen E, que equipam o 1º GDA.

O primeiro Gripen F havia sido apresentado ao mundo em cerimônia de roll out realizada em junho, também em Linköping, com a presença do então ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, e do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno. Concluída a campanha de testes e os procedimentos de aceitação, a aeronave será preparada para entrega à Força Aérea Brasileira.

21 julho, 2026

Embraer e Saab assinam acordo para produção de mais 20 caças Gripen no Brasil

Memorando firmado em Farnborough abre caminho para ampliar a linha de montagem em Gavião Peixoto, única fora da Suécia



*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e a Saab assinaram nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um Memorando de Entendimento (Heads of Agreement, HoA) que estabelece as bases para a potencial produção de 20 caças Gripen adicionais no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O documento não equivale a um contrato fechado: define um arcabouço de cooperação que as duas empresas pretendem transformar em acordo definitivo ainda em 2026.

A Embraer ficará responsável pela montagem das novas aeronaves, que complementarão a linha de montagem final da Saab em Linköping, na Suécia, no esforço conjunto de atender à demanda global pelo caça sueco. A unidade de Gavião Peixoto é, hoje, a única linha de montagem final do Gripen fora do território sueco.

Uma parceria de dez anos
O acordo representa mais um marco na parceria entre as duas empresas, iniciada há uma década, e amplia a capacidade de entrega dentro de um modelo de fabricação globalmente integrado, ao mesmo tempo em que proporciona maior flexibilidade para atender a futuras necessidades dos clientes.

“A expansão desta parceria com a Saab reflete a confiança mútua construída ao longo dos últimos dez anos e reforça o papel estratégico da Embraer no programa Gripen. Estamos bem posicionados para apoiar o aumento da capacidade de produção, caso a demanda o exija”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

“A parceria entre a Saab e a Embraer reforça nosso compromisso de longo prazo com a América Latina. Juntos, estamos fortalecendo nossas capacidades, garantindo capacidade adicional para futuras oportunidades de negócios e adotando uma abordagem proativa para atender às necessidades em constante evolução de nossos clientes em toda a região”, disse Micael Johansson, presidente e CEO da Saab.

Gavião Peixoto como polo estratégico
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto (GPX) consolidou-se como um polo industrial estratégico, reconhecido por suas capacidades de manufatura, mão de obra qualificada e capacidade produtiva. Operando dentro de um modelo de produção globalmente integrado, que reúne fornecedores brasileiros e internacionais, a planta reflete a força da parceria entre as duas empresas e amplia as oportunidades de crescimento para programas aeroespaciais de alta tecnologia no País.

Ao longo de mais de uma década de colaboração, a parceria entre a Embraer e a Saab consolidou-se como referência de inovação, desenvolvimento industrial e troca de conhecimento. Por meio de um programa abrangente de transferência de tecnologia e treinamento em serviço, no âmbito do atual programa Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), engenheiros, pilotos de teste, técnicos, operadores de montagem e especialistas em manutenção foram qualificados na Suécia. Essa cooperação fortaleceu a expertise e as melhores práticas de ambas as partes e já gerou benefícios duradouros para as duas empresas.

Contexto: um interesse já sinalizado por Brasília
O memorando formaliza, no plano industrial, um movimento que já vinha sendo sinalizado pelo governo brasileiro. Em junho de 2026, o portal LRCA (LRCA Defense Consulting) noticiou que o Brasil manifestara interesse em adquirir mais 20 Gripen além dos 36 já contratados, com produção também prevista para o complexo de Gavião Peixoto. À época, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, referiu-se a “talvez 20 Gripen” adicionais, enquanto o governo sueco confirmou o interesse formal brasileiro.

O CEO da Saab, Micael Johansson, já havia declarado publicamente a intenção de transformar Gavião Peixoto em polo regional de produção do caça para a América do Sul, movimento que se soma a negociações paralelas envolvendo Colômbia e Ucrânia como potenciais compradores do Gripen E, ainda sem contratos assinados. Uma eventual ampliação da linha brasileira para 20 aeronaves adicionais tende a aumentar a escala produtiva do complexo e reduzir custos unitários, o que beneficiaria também os programas de exportação da Saab.

Por ora, o HoA assinado em Farnborough não detalha valores, cronograma de entregas ou a origem do financiamento das 20 aeronaves adicionais. A confirmação desses termos depende da conclusão do acordo definitivo, que Embraer e Saab pretendem fechar ainda em 2026.

30 junho, 2026

Saab assina contrato com a FMV para fornecer 16 caças Gripen E à Ucrânia

Pedido de SEK 24,6 bilhões, equivalente a cerca de US$ 2,5 bilhões, será contabilizado no terceiro trimestre de 2026; entregas à Força Aérea sueca estão previstas para 2029 e 2030, antes da transferência dos caças a Kiev 


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2026

A fabricante sueca Saab assinou nesta terça-feira (30/06) um contrato com a FMV (Försvarets materielverk, a Administração de Material de Defesa da Suécia) para o fornecimento de 16 caças Gripen E destinados à Ucrânia. O valor do pedido corresponde a aproximadamente SEK 24,6 bilhões, cerca de US$ 2,5 bilhões, e será contabilizado no terceiro trimestre de 2026. As entregas da Saab à FMV estão programadas para o período de 2029 a 2030; depois de recebidas pela administração sueca, as aeronaves serão repassadas à Força Aérea da Ucrânia.

Além dos 16 caças, o contrato inclui peças de reposição e equipamentos e itens associados, segundo comunicado da Saab. A empresa não detalhou publicamente o cronograma de treinamento de pilotos, adaptação de bases ou pacote de armamentos que acompanhará as aeronaves.

Declarações
O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, declarou estar profundamente orgulhoso de que a Suécia e a empresa possam agora viabilizar o fornecimento do Gripen E à Ucrânia, afirmando que o caça vai transformar a capacidade da Força Aérea ucraniana e fortalecer significativamente a defesa aérea do país. O ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, classificou em rede social a assinatura como o primeiro passo da ambição ucraniana de adquirir até 150 caças Gripen E/F ao longo do tempo. O vice-primeiro-ministro ucraniano, Mykhailo Fedorov, descreveu o acordo como histórico e afirmou que os caças vão reforçar a capacidade de Kiev contra drones, mísseis de cruzeiro e aviação inimiga.

Características do Gripen E destacadas pela Saab
Segundo a fabricante, o Gripen foi projetado para operar em ambientes de ameaça avançada, com flexibilidade operacional que permite o uso a partir de pistas curtas, pistas temporárias ou rodovias, viabilizando operações dispersas e alta disponibilidade. A arquitetura baseada em software facilita atualizações contínuas e adaptação a requisitos operacionais em evolução. A Saab também ressalta o baixo custo de manutenção e o tempo reduzido de preparação entre missões como diferenciais do caça.

Como o acordo evoluiu
O contrato assinado nesta terça-feira representa um recuo em relação ao desenho anunciado em 28 de maio de 2026, quando o premiê sueco, Ulf Kristersson, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, divulgaram a intenção de Kiev de adquirir até 20 caças Gripen E/F, somados à doação de até 16 unidades usadas do modelo Gripen C/D pela Suécia. O acordo final ficou restrito a 16 unidades do Gripen E, sem confirmação pública, até o momento, da doação dos C/D. Segundo a Reuters, a entrega dos modelos C/D mais antigos, se confirmada, está prevista para o início de 2027, enquanto os primeiros Gripen E só devem chegar a partir de 2029.

A aproximação entre Suécia e Ucrânia no tema remonta a outubro de 2025, quando Zelensky visitou as instalações da Saab em Linköping e assinou, com o governo sueco, uma carta de intenções para aprofundar a cooperação em defesa aérea, citando um potencial de exportação de 100 a 150 caças Gripen E. O financiamento da compra ucraniana tem como referência recursos do Ukraine Support Loan, mecanismo europeu de apoio a Kiev lastreado, entre outras fontes, em ativos russos congelados.

Onde e quando
A assinatura ocorreu na Suécia e foi divulgada oficialmente pela Saab e pela FMV em 30 de junho de 2026. Segundo a Saab, o treinamento de pilotos e técnicos ucranianos no Gripen C/D já está em andamento e deve ser ampliado a partir do outono europeu, ou seja, entre setembro e novembro de 2026.

Por que agora
O acordo se insere no esforço ucraniano de reconstruir sua força aérea diante do desgaste da frota soviética remanescente e da necessidade de contrapor ataques russos com drones, mísseis de cruzeiro e bombas planadoras. A capacidade do Gripen de operar a partir de bases dispersas e pistas improvisadas é apontada por analistas como especialmente adequada ao cenário de bases aéreas ucranianas sob ameaça constante de ataques russos de longo alcance. Em paralelo, Kiev também negocia a compra de até 100 caças Rafale F4 da França, em carta de intenções que prevê aquisições ao longo de dez anos.

Para que: o Gripen como ativo estratégico para a Saab
Para a Saab, o eventual avanço do contrato ucraniano para o patamar de 100 a 150 unidades representaria um dos maiores negócios de exportação de caças da história da empresa, conferindo ao Gripen visibilidade inédita em um cenário de combate real. O programa já vive expansão comercial relevante: o Brasil encomendou 36 unidades do Gripen E/F, das quais cerca de dez já estão operacionais na Força Aérea Brasileira; a Colômbia assinou, em 2025, contrato para 17 unidades, no valor de 3,1 bilhões de euros, com entregas entre 2026 e 2032; e a Tailândia contratou inicialmente quatro aeronaves, com opção de ampliar a frota.

Diante da demanda crescente, a Saab avalia ampliar sua capacidade produtiva, hoje em torno de 20 a 30 aeronaves por ano, e já discute com a Bombardier, do Canadá, a possibilidade de localizar parte da produção do Gripen em solo canadense, parceria que também poderia se tornar fonte adicional de entregas para a Ucrânia, assim como as aeronaves colombianas poderão ser fabricadas nas instalações brasileiras da Embraer. O backlog de pedidos da divisão de aeronáutica da Saab soma cerca de SEK 82,2 bilhões, dentro de uma carteira total de pedidos de aproximadamente SEK 274 bilhões.

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