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25 fevereiro, 2026

Brasil acelera programa de lanchas blindadas ribeirinhas: Exército e Marinha assinam contrato para quatro novas EBT2

 


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LRCA Defense Consulting - 25/02/2026

Em cerimônia realizada ontem na capital fluminense, a Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro e o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) formalizaram um novo Termo de Execução Descentralizada (TED) para a fabricação de quatro Embarcações Patrulha de Grupo Blindada Tipo II (EBT2). O ato marca uma nova fase do Projeto de Obtenção de Embarcações Blindadas (POEB) e consolida uma das mais relevantes parcerias interforças da defesa nacional na última década.

O documento foi assinado pelo General de Divisão Tales Eduardo Areco Villela, Diretor de Fabricação do Exército, e pelo Contra-Almirante (EN) Mauro Nicoloso Bonotto, Diretor do AMRJ, com a presença do Vice-Almirante Manoel Luiz Pavão Barroso, Diretor Industrial da Marinha. Para o General Villela, o novo TED "reafirma e evidencia o trabalho sistêmico entre a Marinha do Brasil e o Exército Brasileiro na geração de capacidades e poder de combate, potencializando a presença do Estado com maior efetividade operacional."

Uma evolução testada em campo
A contratação das EBT2 não nasce do zero. Ela é resultado direto da experiência acumulada com as Lanchas de Operações Ribeirinhas da Classe São Félix do Araguaia (LOpRib-SFA), adquiridas no primeiro TED entre as duas forças e entregues ao Exército ao longo de 2024 e 2025. Essas embarcações foram distribuídas e testadas em condições reais de emprego nos Comandos Militares da Amazônia (CMA), Norte (CMN), Oeste (CMO) e Sul (CMS), percorrendo rios estratégicos do Brasil, da Amazônia ao Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai.

O retorno dos militares que operaram as amostras foi determinante para o desenho do novo lote. As customizações incorporadas à EBT2 visam ampliar eficiência, proteção e manobrabilidade no teatro de operações ribeirinho, um ambiente que exige capacidade de reação rápida em águas rasas, densamente vegetadas e frequentemente distantes de qualquer infraestrutura de apoio logístico.

A trajetória tecnológica da embarcação tem raízes ainda mais antigas: o projeto atual descende da Classe "Excalibur" e do protótipo "Cuiabá", entregue em 2021. O uso de modelagem 3D e máquinas de corte CNC na produção garante precisão dimensional na montagem da proteção balística, um diferencial que elimina erros construtivos e eleva a confiabilidade operacional.

O que é a EBT2
A Embarcação Patrulha de Grupo Blindada Tipo II é concebida para operar em rios e áreas de difícil acesso, combinando poder de fogo, proteção balística e alta mobilidade. Comparada ao modelo Tipo I, oferece maior robustez e capacidade de fogo. Seus motores de 320 hp permitem atingir velocidade máxima de 35 nós (cerca de 65 km/h), enquanto a autonomia em velocidade de cruzeiro alcança aproximadamente 13 horas. A embarcação transporta até 17 pessoas, incluindo um Grupo de Combate de Infantaria armado e equipado.

Além de patrulha e fiscalização de fronteiras, a EBT2 é versátil o suficiente para atuar no combate a incêndios florestais, em levantamentos hidrográficos e em operações conjuntas como as Operações Hórus e Ágata, que integram Forças Armadas e órgãos de segurança pública no enfrentamento de crimes transfronteiriços como o garimpo ilegal e o tráfico de drogas.

Um programa decenal de R$ 136 milhões
O novo contrato está inserido num plano de longo prazo de envergadura considerável. O POEB prevê investimentos de até R$ 136 milhões até 2035, com orçamento estimado de R$ 11 milhões anuais a partir de 2026. A meta estabelecida aponta para a produção de pelo menos quatro unidades por ano, podendo chegar a até 12, conforme a disponibilidade orçamentária. Ao final do período decenal, o Exército estima a necessidade de 45 embarcações blindadas, com projeções de longo prazo que chegam a falar em até 200 unidades ao longo de toda a vida do programa.

A fabricação será conduzida prioritariamente pelo AMRJ, localizado na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, mas o projeto prevê que a construção possa ser descentralizada para outras unidades navais, como a Base Naval de Val-de-Cães (PA) e a Base Fluvial de Ladário (MS), ampliando a capilaridade produtiva e fortalecendo a Base Industrial de Defesa em diferentes regiões do país.

Soberania nos rios
Em um país que abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, com mais de 8 milhões de km² de território, incluindo fronteiras amazônicas de difícil vigilância terrestre, a capacidade de operar com eficiência nos rios deixou de ser acessória para se tornar estratégica. A EBT2 representa o esforço das Forças Armadas brasileiras de construir, com tecnologia nacional, meios adequados a esse desafio singular: rios que são, ao mesmo tempo, vias de escoamento de riquezas, corredores de crimes e fronteiras vivas de um país continental.

A cerimônia de assinatura do TED na segunda-feira foi mais do que um ato burocrático. Foi a formalização de uma aposta: a de que o Brasil pode e deve dominar seus próprios rios. 

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