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08 março, 2026

Fuzileiros Navais concluem reestruturação e ampliam capacidades com novas tecnologias e meios operativos

 


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LRCA Defense Consulting - 08/03/2026

O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil completou 218 anos no dia 7 de março em meio a uma profunda transformação institucional. Para marcar a data, a corporação reuniu a imprensa nacional e internacional na Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro, para apresentar os resultados de um processo de reestruturação iniciado em 2023 e alinhado à revisão da Estratégia Nacional de Defesa de 2024.

A reorganização estruturou a atuação dos Fuzileiros em quatro vertentes operacionais: anfíbia, ribeirinha, litorânea e de proteção. A vertente anfíbia, a mais tradicional na história da Força, mantém o foco na projeção do poder naval do mar para a terra. A ribeirinha amplia a presença militar em áreas estratégicas do interior do país; atualmente, três Batalhões de Operações Ribeirinhas atuam na proteção da soberania nacional em regiões fluviais.

O principal elemento de novidade doutrinária está na vertente litorânea. Historicamente voltados para operações de desembarque, do mar em direção à terra, os Fuzileiros passam a incorporar também a missão inversa: defender o litoral a partir do continente, com sistemas capazes de engajar ameaças no ambiente marítimo. Trata-se de uma inversão estratégica relevante para a defesa da chamada Amazônia Azul.

O Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, sintetizou o alcance das mudanças: "A reestruturação está muito ligada ao que foi previsto na revisão da Estratégia Nacional de Defesa de 2024, que estabelece quatro vertentes principais de atuação. Criamos unidades voltadas para cada uma dessas áreas, sem aumento do efetivo, o que nos deixa mais preparados para enfrentar os desafios do presente e do futuro."

Embarcações nacionais de alta velocidade
Entre os novos meios operativos estão as Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit), projetadas e produzidas no Brasil. Blindadas e de alta mobilidade, atingem cerca de 74 km/h e podem transportar até 13 militares. Equipadas com metralhadoras pesadas, sensores e câmeras termais, permitem a inserção rápida de tropas em regiões costeiras ou fluviais com infraestrutura limitada, incluindo áreas alagadas de difícil acesso, como as afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Drones: da batalha ao salvamento
Outro campo central da modernização é o emprego de sistemas não tripulados. O CFN ativou recentemente um Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, equipado com diferentes categorias de aeronaves remotamente pilotadas.

Os drones de quatro hélices dispõem de sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais, e podem operar tanto em missões militares quanto em buscas e salvamento, auxiliando na localização de vítimas em áreas de desastre. Já os drones de asa fixa, popularmente chamados de "kamikazes", são plataformas projetadas para missões de ataque controlado, ampliando a capacidade de neutralização de ameaças sem expor diretamente as tropas em solo.

O Contra-Almirante Cláudio Lopes de Araujo Leite, Comandante do Material de Fuzileiros Navais, destacou o caráter dual dessas tecnologias: "Os equipamentos chamados de drones, também do outro lado os antidrones, tornam-se uma necessidade essencial, não somente no campo de batalha de hoje, mas para muitas das outras atividades que nós fazemos dentro daquele emprego dual. Muitas vezes utilizados em situações de apoio à população, no caso de um desastre ambiental, por exemplo."

Para consolidar a formação nessa área, a Marinha anunciou a criação da Escola de Drones, que funcionará no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), no Complexo Naval da Ilha do Governador, com inauguração prevista para 17 de março.

Mísseis nacionais reforçam defesa do litoral
No campo dos sistemas de armas, destaque para a integração do Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) ao sistema ASTROS. Desenvolvido no Brasil, o MANSUP tem alcance aproximado de 70 quilômetros e perfil de voo rasante sobre o mar, ampliando a capacidade de engajamento contra alvos navais. O armamento pode ser empregado tanto a partir de navios da Esquadra quanto por plataformas terrestres integradas ao ASTROS, formando baterias móveis de defesa litorânea.

Outro sistema incorporado é o Sistema de Mísseis Anticarro Expedicionário (SMACE), composto por uma viatura blindada de alta mobilidade equipada com o míssil MSS 1.2 MAX, guiado a laser e capaz de perfurar blindagens pesadas.

A FRIDA e o apoio à sociedade
A reestruturação também fortaleceu a capacidade civil da corporação. Foi criada a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), iniciativa desenvolvida em parceria com o BNDES e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). A tropa conta com viaturas, embarcações e hospital de campanha, e já foi empregada em sua primeira missão durante as fortes chuvas que atingiram o Norte Fluminense.

A experiência acumulada em operações como as enchentes do Rio Grande do Sul e as tragédias em Petrópolis (RJ) reforça essa vocação: a logística de combate e a logística humanitária exigem capacidades semelhantes, e os Fuzileiros têm mobilizado rapidamente pessoal e equipamentos em ambas as situações.

 

Mulheres nas frentes operativas
A transformação do CFN alcança também a composição do efetivo. Mais de 400 militares femininas já atuam plenamente integradas às atividades operativas da corporação. Entre elas, a Segunda-Tenente Caroline Ávila, que comandou um pelotão durante a COP30 e permaneceu embarcada por 83 dias.

O Vice-Almirante Pedro Luiz Gueiros Taulois, Comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, ressaltou a amplitude dessa integração: "Além da parte da infantaria, nós temos mulheres na artilharia, na engenharia, operando blindados, carros de combate, então é uma gama muito grande."

Cooperação internacional
No plano externo, o CFN participa regularmente de exercícios conjuntos com forças de França, Itália, Reino Unido, Chile e Portugal, em operações como "Jeanne d'Arc" e "Dragão", além dos exercícios internacionais "Catamaran", "Unitas" e "Integrated Training Exercise (ITX)".

*Fonte: Agência Marinha de Notícias 

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