*LRCA Defense Consulting - 17/01/2026
Um filme sobre a épica resistência de uma unidade militar exclusivamente feminina de tanquistas das Forças de Defesa de Israel (IDF) chega aos cinemas, destacando 17 horas de combate intenso na fronteira com Gaza durante os ataques de 7 de outubro de 2023.
Hollywood e a indústria cinematográfica israelense preparam-se para levar às telas uma das histórias mais extraordinárias daquele dia sangrento: essa equipe do Batalhão Caracal, possivelmente apelidada como companhia "Pare", eliminou dezenas de militantes do Hamas, marcando a primeira batalha da história militar moderna conduzida por uma unidade blindada inteiramente feminina.
A batalha que entrou para a História
Em 7 de outubro de 2023, sete jovens mulheres tanquistas do Batalhão
Caracal das Forças de Defesa de Israel (IDF) enfrentaram militantes do Hamas em
combate contínuo por 17 horas. As soldadas Karni, Michal, Hagar, Hila,
Tal-Sarah, Ophir e Tamar, todas com cerca de 20 anos, eliminaram aproximadamente 50 militantes, segundo informações oficiais israelenses.
Estacionadas em sua base em Nitzana, na fronteira com o Egito, a companhia de tanques totalmente feminina recebeu ordens para se deslocar ao norte assim que os primeiros relatos dos ataques chegaram, por volta das 6h da manhã. Em uma decisão altamente irregular, os comandantes autorizaram que os tanques Merkava IV circulassem em estradas civis em velocidades muito superiores às recomendadas, uma medida da urgência absoluta da situação.
Ao chegar à área da fronteira, a Capitã Karni, comandante da companhia, descreveu o momento de impacto: "Vi 40 terroristas correndo em minha direção e ouvi os tiros em direção ao tanque. Entendi: é isso, preciso acalmar meu medo, estou em uma guerra. Uma guerra pela minha vida e uma guerra pelos meus concidadãos".
Decisões táticas instantâneas
A capitã Karni rapidamente dividiu suas forças: deixou um tanque protegendo uma brecha na cerca fronteiriça com ordens de "atirar à vontade", enviou outra tripulação para o posto militar de Sufa, e ela própria seguiu para defender o Kibutz Holit.
A tenente Hila, uma das comandantes, revelou que nenhuma delas havia sido treinada no sistema de armas instalado no Humvee blindado. "Em 10 minutos, todas nos tornamos especialistas: como operá-lo, como atirar, como frear bruscamente".
Combate urbano improvisado
No caminho para Holit, a motorista de um dos tanques avistou dois terroristas na estrada. A comandante Michal ordenou: "Atropele-os". Ela simplesmente passou por cima dos terroristas e seguiu em frente, impedindo outra infiltração.
Ao chegarem à entrada de Holit, o portão principal estava fechado. Um soldado em pânico correu gritando sobre terroristas infiltrados no kibutz. "Fizemos uma manobra com o tanque, arrebentamos o portão amarelo e começamos a galopar na direção indicada por aquele soldado apontando com as mãos", descreveu Michal.
Batalha em Sufa: seis horas de fogo contínuo
Paralelamente, outra tripulação comandada pela tenente Michal (havia duas comandantes com o mesmo nome) enfrentou centenas de militantes do Hamas no Kibutz Sufa. Após mais de seis horas de batalha, sua equipe eliminou dezenas de membros do Hamas.
Ao se aproximarem da fronteira, avistaram corpos queimados de terroristas escondidos nas árvores. "Continuamos atirando enquanto avançávamos para garantir que pegássemos todos", relatou Michal. "Quando continuamos, percebemos que aqueles 50 terroristas, isso era apenas o começo".
Aprendizado sob fogo
As jovens soldadas, algumas com apenas 18 anos e em sua maioria sem experiência de combate real, demonstraram uma capacidade extraordinária de adaptação. Operaram canhões de tanque, metralhadoras pesadas, sistemas de morteiro e até mesmo usaram os próprios tanques de 65 toneladas como armas, atropelando militantes armados com AK-47 e lançadores de granadas propelidas por foguete (RPGs).
"Sinto que é exatamente para isso que treinamos. Estávamos realmente preparadas para tudo", disse a comandante Tamar. "Apenas fizemos o que nossos cérebros e nossas mãos sabiam fazer. No momento você não pensa: 'Estou salvando aquela pessoa ou aquela casa?' Você entende: há um terrorista e eu tenho que matá-lo antes que ele entre em uma das comunidades fronteiriças".
O impacto decisivo
O Coronel Shemer Raviv, comandante da Brigada Paran, afirmou: "As operadoras de tanques que vieram com seus tanques realmente quebraram o ataque. Nos dois lugares onde os tanques encontraram o fogo dos terroristas, os terroristas foram em sua maioria eliminados, e aqueles que não foram simplesmente fugiram porque perceberam que não tinham chance".
O desempenho da unidade foi creditado pela liderança da Brigada Paran como crucial para interromper o avanço do Hamas em direção ao sul de Israel, protegendo comunidades inteiras de um massacre ainda maior. Do início da batalha até o cessar-fogo foram exatas 17 horas de combate ininterrupto, sem que a companhia sofresse uma única baixa fatal entre suas tripulantes.
O Batalhão Caracal: pioneirismo militar
Criado em 2004 como unidade mista de infantaria, o Batalhão Caracal recebe
seu nome do caracal, um felino do deserto, escolhido porque os sexos deste
animal são praticamente indistinguíveis. A unidade tem como missão principal a
vigilância das fronteiras com Egito e Jordânia no deserto de Negev.
Em 27 de outubro de 2022, as IDF anunciaram a formação de tripulações de tanques exclusivamente femininas, que haviam completado com sucesso dois anos de testes. A companhia, armada com tanques Merkava IV, estava defendendo a fronteira egípcia quando os ataques de outubro começaram.
O desempenho da unidade naquele dia teve impacto significativo. O Chefe do Estado-Maior das IDF, Herzi Halevi, encontrou-se com as tanquistas e disse que suas ações "silenciaram os céticos" sobre a capacidade das mulheres em funções de combate.
Das telas para o cinema
O projeto cinematográfico, intitulado provisoriamente
"Tankistas", está sendo desenvolvido por Ayelet Menahemi, cuja obra
"Seven Blessings" venceu o Prêmio Ophir em Israel e se tornou a
indicação do país ao Oscar 2024. A diretora trabalha novamente com a atriz e
roteirista Eleanor Sela.
"Em meio às histórias inconcebíveis de bravura desde 7 de outubro, esta é uma das excepcionais e heroicas", declararam as cineastas ao anúncio do projeto em dezembro de 2023. "Mostra o que acontece quando as mulheres tomam as coisas em suas próprias mãos depois que homens duvidaram de seu direito e capacidade de lutar. Essas jovens fizeram história, duas vezes."
A produção está sendo realizada em coordenação com as IDF, com as cineastas conduzindo pesquisa aprofundada e entrevistas com as combatentes. Segundo informações de maio de 2025, as filmagens estavam programadas para começar em outubro daquele ano, com Swell Ariel Or, estrela da série da Netflix "A Rainha da Beleza de Jerusalém", escalada para interpretar a capitã da unidade.
Além da batalha: contexto e controvérsia
O filme não se limitará à ação do dia 7 de outubro. As cineastas pretendem
explorar também a fundação da unidade e as lutas enfrentadas pelas jovens
combatentes para serem levadas a sério em meio ao ceticismo e, às vezes,
discriminação de colegas masculinos.
Estudo do Departamento de Educação dos EUA de 2015 sobre unidades mistas descobriu que elas se destacavam na tomada de decisões complexas e tinham menos problemas disciplinares. No entanto, alguns setores conservadores em Israel consideram a integração de gênero como um "experimento social perigoso" com possíveis ramificações para a segurança nacional.
A performance das mulheres em 7 de outubro parece ter mudado essa percepção. A Tenente-Coronel Or Ben Yehuda, comandante do Batalhão Caracal, afirmou: "Não há mais dúvidas, as mulheres podem estar em qualquer lugar".
Produção internacional
O projeto é uma coprodução israelo-internacional produzida pela Bleiberg
Entertainment, com sede em Los Angeles, conhecida por filmes como "In the
Land of Saints and Sinners", "The Iceman" e "The Band's
Visit", junto com Ronen Ben Tal, que também produziu "Seven
Blessings".
Embora ainda não haja data confirmada de estreia para 2026, o filme já desperta expectativa nos circuitos de festivais internacionais e pode se tornar um marco importante na discussão sobre igualdade de gênero nas forças armadas globalmente.
Impacto duradouro
Em setembro de 2024, as IDF confirmaram que tripulações de tanques
femininas continuariam operando na fronteira de Gaza, consolidando a presença
de mulheres em funções de combate blindado. Em 2021, 18% da força de combate
das IDF era composta por mulheres, contra apenas 3% em 2012.
O filme chega em momento em que, após os ataques de outubro de 2023, mais de 42 mil mulheres israelenses solicitaram licenças para porte de armas, com 18 mil já autorizadas, refletindo mudanças profundas na sociedade israelense pós-7 de outubro.
A história das sete tanquistas do Batalhão Caracal representa não apenas um feito militar histórico, mas também um ponto de virada cultural na forma como capacidades e papéis femininos são percebidos em contextos de combate ao redor do mundo.

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