Subsidiária da gigante aeronáutica brasileira, a Eve Air Mobility acumula mais de duas horas de voo com seu protótipo eVTOL em escala real e prepara a transição para voos de cruzeiro ainda em 2026
*LRCA Defense Consulting - 09/04/2026
A Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana controlada pela Embraer, anunciou nesta quinta-feira (09) ter completado seu 50º voo de teste bem-sucedido com o protótipo de engenharia em escala real de seu eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical popularmente conhecida como "carro voador". Os ensaios são conduzidos na própria unidade de testes da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e acumulam mais de duas horas de voo desde o histórico voo inaugural, em 19 de dezembro de 2025.
O marco reforça o ritmo acelerado da campanha, que ocorre com frequência quase diária, e demonstra a solidez técnica do programa. Os voos têm gerado dados de alta fidelidade sobre o desempenho dos sistemas da aeronave, incluindo propulsão elétrica, eficiência aerodinâmica dos rotores, gerenciamento de energia, controlabilidade e níveis de ruído, todos dentro ou acima das projeções iniciais.
"Alcançar 50 voos de teste bem-sucedidos com nosso protótipo de engenharia é mais do que um marco técnico. É uma prova clara da maturidade do nosso programa e da robustez das soluções que estamos desenvolvendo." - Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility
O DNA da Embraer no projeto
A Eve se beneficia de uma mentalidade de startup apoiada pelos 56 anos de
experiência aeroespacial da Embraer, e essa herança é visível em cada etapa do
programa. O processo de desenvolvimento está ancorado na metodologia
consolidada pela fabricante ao longo de mais de cinco décadas, uma abordagem
integrada que vai além da aeronave em si, contemplando soluções para
operadores, cidades, vertiportos e provedores de navegação aérea.
Não por acaso, todos os testes acontecem nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, um dos maiores centros de aviação da América Latina. A Eve nasceu como projeto dentro da EmbraerX, a divisão de inovação disruptiva da Embraer, antes de se tornar uma empresa independente em 2020. A matriz permanece acionista relevante e parceira estratégica insubstituível.
Em março, o protótipo já havia protagonizado uma demonstração de voo para autoridades do governo federal. O evento contou com a presença do presidente brasileiro, da ministra de Ciência e Tecnologia, do ministro de Portos e Aeroportos e do presidente da ANAC. Na ocasião, a aeronave havia acumulado 35 voos e quase 1h30 de tempo de voo, atingindo altitude máxima de 43 metros.
A aeronave e o que vem a seguir
Com 50 voos concluídos, a Eve avança agora para a expansão do envelope de voo, aumentando gradualmente a velocidade, com vistas à realização de voos de transição completos ainda este ano, fase em que a aeronave passará a sustentar o voo com as asas fixas. Com voos de teste ocorrendo quase diariamente e a previsão de cerca de 300 voos ao longo de 2026, o programa se prepara para avançar para a fase de voo em cruzeiro sustentado pelas asas, validação essencial da configuração lift + cruise.
Para a etapa de certificação, a empresa planeja produzir seis protótipos certificáveis para conduzir a campanha de testes em voo focada na certificação da aeronave junto à ANAC, e em 2027 espera realizar as primeiras entregas. A validação também contará com o envolvimento da norte-americana FAA e da europeia EASA.
Financiamento robusto e mercado aquecido
O suporte financeiro é expressivo. O BNDES forneceu mais de R$ 1,4 bilhão
em financiamento desde 2022, e a Finep aprovou até R$ 90 milhões em subvenções
para acelerar iniciativas de inovação digital e aviação sustentável. No início
de 2026, a Eve também fechou um financiamento de US$ 150 milhões com um
sindicato de credores, afirmando ter recursos suficientes para sustentar suas
operações até 2028.
No mercado, o interesse é crescente. A carteira da empresa ultrapassa 2.900 unidades comprometidas. Entre os contratos vinculantes já assinados estão a operadora brasileira Revo, que firmou acordo para até 50 eVTOLs para operar em São Paulo de forma totalmente elétrica, e a japonesa AirX, que assumiu compromisso para até 50 eVTOLs com planos de uso em operações de turismo aéreo e mobilidade de última milha a partir de 2029.
A produção em série está prevista para Taubaté (SP), onde a planta industrial terá capacidade inicial para fabricar até 480 unidades por ano.
Não apenas uma aeronave, mas todo um ecossistema
Fiel à abordagem holística herdada da Embraer, a Eve não se limita a
fabricar aeronaves. A empresa avança em paralelo com o Eve Vector, seu software
de gestão de tráfego aéreo urbano, e com o Eve TechCare, sua plataforma de
serviços pós-venda e suporte operacional. A companhia também participa
ativamente da construção do marco regulatório brasileiro, tendo integrado
recentemente o processo de consulta pública que deverá embasar a Política
Nacional de Mobilidade Aérea Urbana, conduzida pelo Ministério de Portos e
Aeroportos.
Com 50 voos no currículo, o "carro voador" da Embraer já não é ficção científica, é engenharia em andamento.

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