Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador eVTOL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eVTOL. Mostrar todas as postagens

25 outubro, 2026

Eve Air Mobility aposta no ecossistema para transformar aeronaves em operações sustentáveis

Estratégia apoiada na experiência da Embraer combina eVTOL, manutenção, treinamento e gestão de tráfego aéreo urbano, enquanto a empresa busca converter uma carteira de cerca de 2.700 compromissos comerciais em operações efetivas



*
LRCA Defense Consulting - 25/10/2026 - 08h40

A corrida pela mobilidade aérea urbana não será decidida apenas pelas características das aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL). A capacidade de mantê-las disponíveis, oferecer suporte aos operadores e integrá-las com segurança ao espaço aéreo deverá desempenhar papel central na viabilidade econômica do setor. Essa é a mensagem transmitida por Johann C. Bordais, CEO da Eve Air Mobility, em publicação no LinkedIn sobre o Eve TechCare, a plataforma de serviços e suporte da companhia controlada pela Embraer.


Bordais sustenta que uma aeronave precisa de treinamento, manutenção, materiais, apoio operacional e soluções digitais. Francês naturalizado brasileiro, ele assumiu a presidência da Eve em setembro de 2023, depois de mais de duas décadas na Embraer, onde comandou a área global de Serviços e Suporte e presidiu o conselho da OGMA, em Portugal. Essa trajetória ajuda a explicar por que a Eve procura desenvolver essas capacidades antes mesmo da entrada em serviço de seu eVTOL, o Eve 100.

Três componentes de uma mesma estratégia 
A proposta da Eve reúne o desenvolvimento do eVTOL, o Eve TechCare e o Eve Vector. O primeiro constitui a aeronave destinada às operações de mobilidade aérea; o TechCare abrange manutenção, materiais, treinamento, assistência técnica e serviços de dados; e o Vector é voltado ao gerenciamento do tráfego aéreo urbano, com cartas de intenção de 21 clientes, segundo a empresa. Em conjunto, esses produtos buscam reduzir obstáculos à adoção da nova modalidade de transporte.

A companhia prevê que o TechCare possa atender também aeronaves de outros fabricantes, abordagem que já apresentava a autoridades japonesas em 2024. No relatório do segundo trimestre de 2026, a Eve chegou a afirmar que, por essa razão, receitas de serviços poderiam anteceder a primeira entrega de seu próprio eVTOL. Trata-se, porém, de uma oportunidade estratégica, não de uma receita já comprovada em escala.

O que há dentro do TechCare 
Na teleconferência de resultados de agosto, Bordais descreveu o TechCare como um programa de suporte por hora de voo (fly-by-the-hour), modelo consagrado na aviação comercial. O pacote reúne manutenção, reparo e revisão (MRO), disponibilidade de materiais com programa de troca, rede de reparo de componentes, treinamento de pilotos e mecânicos e serviços técnicos. O treinamento será feito por meio de contrato com a ECTS, joint venture entre a CAE e a Embraer, e o monitoramento aproveitará o AHEAD Pro, serviço de prognóstico de manutenção que a Embraer oferece a seus clientes, com sensores distribuídos pela aeronave.

Segundo o executivo, os contratos negociados com os cerca de 21 a 22 fornecedores principais cobrem todo o ciclo de vida do produto, e não apenas a produção, o que permitiria à Eve se apresentar como interlocutora única do operador. A empresa afirma ainda que os dados obtidos em seu Iron Bird, bancada que integra os sistemas reais da aeronave, alimentam o TechCare com previsões de desgaste de componentes.

A Embraer como vantagem competitiva 
A Embraer oferece à Eve uma base de competências em engenharia, certificação, produção e suporte internacional difícil de construir rapidamente. A relação é regida por um Master Service Agreement (MSA), contrato pelo qual cerca de 800 profissionais da Embraer trabalham no desenvolvimento e na industrialização do programa, e que responde pela maior parte dos gastos de pesquisa e desenvolvimento da Eve. Na teleconferência do segundo trimestre, a empresa estimou entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões as sinergias possíveis com a controladora nos próximos três anos, obtidas na estrutura administrativa, no próprio MSA e no uso compartilhado de instalações industriais e de ensaio, como os hangares de Gavião Peixoto (SP).

O aproveitamento dessa experiência pode reduzir riscos percebidos pelos operadores, particularmente empresas de helicópteros familiarizadas com os custos de indisponibilidade de aeronaves. Ainda assim, sistemas elétricos de propulsão e baterias exigem soluções próprias de manutenção, treinamento e certificação. A experiência acumulada não dispensa a validação operacional do novo modelo. 

Carteira expressiva, mas com diferentes graus de compromisso 
A Eve divulgou aproximadamente 2.700 pré-pedidos, com valor potencial de cerca de US$ 13,5 bilhões a preços de tabela. O relatório do segundo trimestre informa 28 clientes; em entrevista à Forbes Brasil publicada em outubro, Bordais mencionou 29 clientes em nove países. Operadores de asa fixa respondem por 41% da carteira, operadores de helicópteros por 29%, empresas de leasing por 17% e plataformas de transporte por aplicativo por 7%, e as Américas concentram perto de três quartos do valor. A carteira é apresentada pela empresa como a maior do setor em quantidade de aeronaves, mas é composta predominantemente por cartas de intenção não vinculantes. Portanto, não pode ser tratada integralmente como encomendas firmes ou receita contratada.

Os compromissos vinculantes somam até 100 aeronaves: até 50 para a Revo, no Brasil, e até 50 para a AirX, no Japão, ambos com pagamentos antecipados à entrega. O acordo com a Revo inclui o suporte do TechCare e do Vector, e a AirX prevê iniciar operações em 2029, com voos turísticos e de mobilidade de última milha. No Farnborough International Airshow, em julho, a carteira ganhou duas novas cartas de intenção: até 30 aeronaves para a Moov, voltadas ao turismo e à mobilidade regional em Cabo Verde, e até 16 para a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point, sinal de interesse do mercado de leasing.

Esses casos mostram um movimento de amadurecimento comercial e indicam que o ecossistema faz parte do que é contratado. Não permitem, contudo, concluir que o TechCare tenha sido o fator determinante na escolha dos clientes. Essa influência é plausível, porém não foi quantificada publicamente.

Serviços podem ampliar a dimensão econômica do negócio 
Segundo o relatório do segundo trimestre, a Eve firmou contratos não vinculantes de serviços com 12 clientes que, juntos, respondem por cerca de 900 eVTOLs, ou 39% da carteira. Esses contratos abrangem MRO, treinamento, serviços de bateria, integração de dados, soluções de peças e reparo de componentes, e poderiam gerar receitas de aproximadamente US$ 1,4 bilhão nos primeiros anos de operação das aeronaves. Um memorando de entendimento com a DHL Supply Chain trata da logística para os centros de serviço, inclusive transporte, armazenamento e descarte de baterias.

O valor sinaliza o potencial comercial do TechCare, mas não equivale a faturamento realizado. Sua materialização dependerá, entre outros fatores, da conversão desses compromissos em contratos firmes, da entrada em operação das aeronaves, das horas voadas e da execução dos serviços. Para os operadores, a questão central será a previsibilidade dos custos e da disponibilidade. Para a Eve, poderá significar receitas recorrentes e relacionamentos de longo prazo com clientes.

Ensaios em voo e calendário de certificação 
O protótipo de engenharia, pilotado remotamente, voou pela primeira vez em 19 de dezembro de 2025, em Gavião Peixoto. Depois de 59 voos na fase de pairado e baixa velocidade, a aeronave realizou, em 3 de agosto de 2026, o primeiro voo de transição parcial, com o propulsor traseiro acionado em voo e velocidade estabilizada de 27 nós (cerca de 50 km/h). Na teleconferência do dia seguinte, a empresa contabilizava 66 voos e 150 pontos de ensaio validados.

A meta é concluir ainda em 2026 a transição completa, quando, entre 60 e 80 nós, conforme as condições atmosféricas, os rotores de sustentação são desligados e a asa passa a sustentar o voo, na arquitetura lift-plus-cruise escolhida pela Eve. O congelamento do projeto também está previsto para o fim de 2026. Em seguida, seis protótipos conformes, montados pela Embraer, conduzirão a campanha de certificação, com primeiro voo tripulado no segundo semestre de 2027 e cerca de 12 meses de ensaios. A empresa espera obter o certificado de tipo da ANAC, com validação simultânea pela FAA, em 2028, e Bordais situa essa conclusão no fim daquele ano. Na Europa, os ensaios para a EASA deverão começar em meados de 2028, em processo estimado em cerca de 18 meses. 


Concorrência e obstáculos à implantação 

Archer Aviation e Joby Aviation também investem em parcerias, infraestrutura e capacidades operacionais, e estão mais adiantadas no processo de certificação da FAA. A Joby, em particular, anunciou com a Uber o lançamento de serviços de táxi aéreo em Dubai em 2026. Não seria correto, portanto, apresentar a Eve como a única empresa a desenvolver um ecossistema, nem como líder do calendário. Seu diferencial potencial está na combinação dessas iniciativas com a estrutura e a experiência da Embraer, sem que isso assegure vantagem definitiva sobre os concorrentes.

O programa permanece pré-operacional. No segundo trimestre, a Eve registrou prejuízo líquido de US$ 34,2 milhões, ante US$ 64,7 milhões um ano antes, e consumiu US$ 49,4 milhões em caixa. Encerrou junho com US$ 403,3 milhões em caixa, equivalentes e aplicações e liquidez total de US$ 531,3 milhões, que inclui US$ 128 milhões em linhas ainda não sacadas do BNDES e um grant. A empresa considera esses recursos suficientes até 2028 e projeta consumo de caixa entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões em 2026. À Forbes Brasil, Bordais estimou que a companhia terá levantado cerca de US$ 1,2 bilhão até a certificação, em proporção de 60% de capital e 40% de dívida.

A produção seriada está prevista para Taubaté (SP), em instalação da Embraer adaptada para os eVTOLs, com montagens a partir de 2028 e capacidade modular de 120, depois 240 e até 480 aeronaves por ano. A certificação, a expansão industrial, a infraestrutura de vertiportos, tema de um memorando com a Hitachi para conexão à rede elétrica e recarga rápida, e a comprovação dos custos operacionais continuarão determinantes para a concretização das expectativas.

O que realmente poderá diferenciar a Eve 
A principal tese que emerge da publicação de Bordais é que o mercado não comprará somente aeronaves: precisará adquirir a capacidade de realizar voos regulares, seguros e economicamente previsíveis. O TechCare e o Vector fazem parte dessa proposta, enquanto a Embraer oferece competências industriais e operacionais relevantes para executá-la.

A expressiva carteira de intenções de compra sugere receptividade comercial, mas não demonstra, isoladamente, que o ecossistema seja sua causa principal. O teste decisivo virá com a transição completa em voo, a certificação, a conversão de compromissos em encomendas efetivas, a entrada em serviço e a capacidade de manter as frotas disponíveis a custos competitivos. O próximo ponto de verificação será a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, em 5 de novembro. Se esses objetivos forem alcançados, a Eve poderá consolidar uma posição que ultrapassa a fabricação de eVTOLs e alcança a prestação de serviços à mobilidade aérea urbana.

22 agosto, 2026

Eve, da Embraer, deixa de discutir "se vai dar certo" e foca em "quando e quanto", diz CEO

Fabricação do "táxi voador" em Taubaté avança com carteira de US$ 13,5 bilhões e caixa de US$ 531 milhões



*LRCA Defense Consulting - 21/08/2026

A Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana controlada pela Embraer, começa a colocar em prática seu plano de fabricação do eVTOL apelidado de “táxi voador”. Segundo o CEO da companhia, o francês naturalizado brasileiro Johann Bordais, em entrevista ao portal Broadcast publicada em 21 de agosto de 2026, a empresa não tem mais dúvidas de que o veículo é viável, tanto como produto de engenharia quanto como modelo de negócio, e avança agora para a etapa de produção em série, com o objetivo de atender a uma carteira de pedidos que já soma US$ 13,5 bilhões.

A força da controladora Embraer foi apontada por Bordais como diferencial para reduzir o risco de a Eve seguir o caminho de concorrentes mundo afora que ficaram sem recursos à espera de dois desafios ainda incertos no setor: a segurança do produto em voo e a certificação. Com os engenheiros e recursos da empresa-mãe, somados ao apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Eve diz ter caixa para aguardar a certificação, prevista para 2028, sem pressa.

O eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) da Eve lembra um grande drone e decola como um helicóptero, na vertical, para depois voar como um avião, na horizontal. Entre suas vantagens, segundo a empresa, está o custo operacional, 25% mais baixo do que o de um helicóptero, além da ausência de ruído por ser elétrico. Cada aeronave deve custar em torno de US$ 5 milhões.

Fábrica em Taubaté 
Uma unidade de apoio fabril da Embraer, localizada em Taubaté, no interior de São Paulo, deve começar a dar lugar, nos próximos meses, à primeira linha de produção do veículo. O projeto executivo, orçado em US$ 88 milhões, já está pronto e passa agora pela fase de validação. Segundo Bordais, o plano prevê, inicialmente, um módulo de produção com capacidade para até 120 aeronaves por ano; o local poderá abrigar até quatro módulos, elevando a capacidade máxima a 480 unidades anuais. “Não sabemos o quão rápido vamos chegar nesse patamar. Vai depender da demanda”, afirmou o executivo.

O cronograma da empresa prevê o primeiro voo com piloto humano no segundo semestre de 2027 e a certificação completa da aeronave pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Federal Aviation Administration (FAA) em 2028. Uma vez certificada, a primeira entrega deverá ocorrer no prazo de uma semana e será destinada à empresa brasileira Revo, que detém pedido firme para até 50 unidades, além de contrato de serviços de pós-venda, e será pioneira no uso comercial da aeronave.

Carteira de pedidos 
A Eve possui atualmente uma carteira de aproximadamente 2,7 mil eVTOLs, distribuída entre 28 clientes de dez países, com valor potencial estimado em cerca de US$ 500 milhões em pedidos firmes. Somado o livro de pré-vendas, o valor total sobe para US$ 13,5 bilhões. A previsão de Bordais é a de que o breakeven do negócio, ponto de equilíbrio financeiro, seja alcançado quando o nível de produção atingir de 90 a 100 aeronaves por ano, o que o executivo estima ocorrer entre dois e três anos após a certificação.

Finanças 
A Eve registra queima de caixa anual entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões, mas conta com liquidez de US$ 531 milhões. “Temos caixa suficiente para chegar à certificação. A disciplina de gastos é uma prioridade”, disse Bordais, descartando novas captações no mercado, ao menos no curto prazo.

O executivo lembrou que a empresa teve três principais fontes de financiamento: a própria Embraer, que detém 72% do capital da Eve; o BNDES, com pouco mais de R$ 1 bilhão aportados; e a abertura de capital no exterior, realizada em 2022. A Eve é listada na Bolsa de Nova York, com valor de mercado de cerca de US$ 900 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões); como comparação, a própria Embraer vale hoje pouco mais de R$ 70 bilhões na bolsa. A partir da certificação, segundo Bordais, a empresa passa a ser financiada pela receita da venda das aeronaves.

A Eve revê constantemente o processo em busca de sinergias adicionais, tanto com a Embraer quanto com os 22 fornecedores atuais do programa. Entre eles estão a britânica BAE Systems, responsável pelas baterias; a japonesa Nidec Aerospace, fabricante dos motores elétricos; e a americana Beta Technologies, que fornece os sistemas de propulsão.

Bordais rejeitou a hipótese de inviabilidade do projeto e afirmou que a discussão central deixou de ser “se vai dar certo” para se concentrar em “quando e quanto”, condicionada à escala do ecossistema e da infraestrutura de mobilidade aérea urbana. “O eVTOL nasceu da necessidade do cliente. E a Eve tem o mesmo DNA da Embraer, que é uma referência mundial na área de aeronáutica, com know-how de 57 anos, completados nesta semana”, declarou. Atualmente, a Eve conta com 176 funcionários próprios e outras 800 pessoas da Embraer dedicadas integralmente ao desenvolvimento do eVTOL, em regime de prestação de serviços, distribuídas entre as áreas de engenharia, suprimentos, finanças, compliance e pós-venda.

Mercado endereçável 
A Eve projeta que a frota global de táxis voadores possa atingir 30 mil unidades até 2045, volume necessário para atender a uma estimativa de 3 bilhões de passageiros transportados no período, o que geraria receita potencial de US$ 280 bilhões. Os números constam do estudo de perspectivas de mercado global de eVTOLs publicado pela própria companhia, que considerou dados de 1.800 cidades do banco World Urbanization Prospects, das Nações Unidas, informações de cerca de mil aeroportos e mais de 27 mil helicópteros civis atualmente em operação.

A chegada da Eve ao mercado deve ter reflexo positivo também para a Embraer. Em relatório divulgado na semana anterior à reportagem, analistas do Citi destacaram o avanço da companhia no processo regulatório e observaram que pouco ou nada do valor da Eve está refletido na avaliação de mercado da Embraer. Os analistas citaram ainda concorrentes da Eve mais bem avaliadas em bolsa, como as americanas Joby Aviation, com valor de mercado de US$ 7,3 bilhões, e Archer Aviation, avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, ambas listadas na Bolsa de Nova York.

Na última teleconferência de resultados da Embraer, o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, destacou que a Eve terá papel fundamental nos planos de longo prazo do grupo. “Estamos muito confiantes com relação à contribuição da Eve com o crescimento da Embraer, principalmente em 2029 e 2030, para complementar a nossa estratégia de crescimento no início da próxima década”, afirmou. Segundo o executivo, a Embraer pretende acompanhar a evolução da demanda antes de decidir sobre eventuais novas unidades de produção do eVTOL.

A fábrica de Taubaté já vinha sendo acompanhada por esta Consultoria desde o anúncio original do sítio industrial, em 2023, passando pela conclusão da fase de voos pairados do protótipo em escala real, em maio de 2026, e pela assinatura do pedido firme da Revo para o Eve 100. Os números de investimento (US$ 88 milhões) e a estrutura modular da planta, com capacidade entre 120 e 480 aeronaves por ano, confirmam o cronograma já sinalizado pela empresa nos últimos meses.

19 agosto, 2026

Revo aposta no Eve 100 e se torna operadora lançadora da Eve Air Mobility

Contrato de US$ 250 milhões prevê até 50 eVTOLs para o mercado de São Paulo, com entregas a partir de 2027 e início das operações comerciais em 2028 

Imagem ilustrativa renderizada por IA


*LRCA Defense Consulting - 19/08/2026

No programa É Negócio, da CNN Brasil, exibido no domingo, dia 9 de agosto de 2026, o CEO da Revo, João Welsh, detalhou os planos da operadora de mobilidade aérea urbana para incorporar o Eve 100, eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, à sua frota em São Paulo. A entrevista reforça um movimento acompanhado desde junho de 2025, quando as duas empresas assinaram o primeiro contrato firme para o fornecimento da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. 

Quem é a Revo
Lançada em agosto de 2023, a Revo é uma operadora de mobilidade aérea urbana voltada ao público de alta renda, com atuação em São Paulo. A empresa oferece um serviço porta a porta que combina transporte terrestre em carros blindados, lounges e hosts exclusivos a voos regulares de helicóptero, com plataforma própria de reservas via aplicativo, site ou concierge. Segundo Welsh, a operação não se resume ao voo: dos onze passos que compõem a jornada do cliente, o trecho aéreo é apenas um deles, do momento em que o passageiro sai de casa até a porta do avião no destino.

A Revo pertence à Omni Helicopters International (OHI), grupo multinacional de origem portuguesa com frota de cerca de 90 helicópteros, mais de 1.500 voos semanais e histórico de mais de 7 milhões de passageiros transportados com segurança, segundo dados da própria companhia. A Revo opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque em São Paulo, cinco deles fixos, com a rota entre a Zona Sul da capital e o Aeroporto de Guarulhos entre as mais procuradas. De acordo com Welsh, a base de clientes é mais ampla do que se poderia supor, e vai de executivos em início de carreira a famílias bilionárias que buscam o padrão de segurança e o cuidado oferecidos pela empresa.

O contrato entre a Revo e a Eve 
A Revo assinou em 15 de junho de 2025, durante o Paris Air Show, o primeiro binding agreement da Eve Air Mobility para a compra de até 50 unidades do Eve 100. O negócio, avaliado em US$ 250 milhões (R$ 1,39 bilhão à época), inclui ainda soluções de entrada em operação e suporte pós-venda pelo pacote TechCare, da própria Eve. Pelo acordo, a Revo se tornará a operadora launch operator do eVTOL da Embraer, com a primeira entrega prevista para o quarto trimestre de 2027.

Como funcionará a operação 

Segundo Welsh, o Eve 100 tem capacidade para quatro passageiros mais um piloto e autonomia de até 100 quilômetros. As primeiras rotas devem conectar pontos estratégicos da Região Metropolitana de São Paulo, entre eles os aeroportos de Guarulhos e Congonhas, as avenidas Paulista e Faria Lima, além de Alphaville e Bragança Paulista. A Revo planeja integrar helipontos já existentes a novos vertiportos, com recarga elétrica em até 15 minutos, e prevê o início das operações comerciais no começo de 2028.

Redução de custo e treinamento de pilotos 
Na entrevista à CNN Brasil, Welsh afirmou que a expectativa da Revo é reduzir em cerca de 30% o custo operacional em relação ao helicóptero, no médio e longo prazo, número compatível com a faixa de 20% a 30% de redução nos custos de viagem informada pela empresa em julho. Segundo o executivo, a companhia já iniciou o treinamento de pilotos em simuladores da Eve, processo que deve se estender por 18 a 24 meses, ao lado da capacitação de mecânicos, para que exista equipe pronta no momento da entrega da primeira unidade. Welsh destacou que o eVTOL exige um modo de operação mais automatizado, com poucas semelhanças em relação ao helicóptero.

Um mercado maduro para a decolagem urbana 
São Paulo concentra mais de 400 helicópteros registrados e cerca de 2 mil pousos e decolagens diários, o que torna a cidade um dos mercados mais avançados do mundo em mobilidade aérea, segundo a Eve. A Revo já opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque na capital paulista, sendo cinco fixos, e amplia a rede conforme identifica demanda dos clientes, caso recente de Alphaville. De acordo com a empresa, a introdução do eVTOL não vai substituir o helicóptero, mas ampliar as possibilidades de deslocamento, com os trajetos curtos ganhando lógica operacional própria.

A importância do contrato para a Eve Air Mobility 
Para a Eve, o acordo com a Revo representa a transição do desenvolvimento para a execução comercial do Eve 100 e um marco na consolidação da empresa como líder do setor de mobilidade aérea urbana. Segundo Johann Bordais, CEO da Eve, o contrato demonstra a confiança crescente do mercado na tecnologia e no modelo operacional da companhia e contribui para a construção de um ecossistema sustentável de eVTOLs no País.

A Eve mantém carteira de cartas de intenção de compra (letters of intent, ou LOIs) que somava cerca de 2.700 aeronaves em maio de 2026, distribuídas entre mais de 26 clientes em mais de 12 países, o maior portfólio de pedidos do setor. Em julho, durante o Farnborough International Airshow, a companhia ampliou a carteira comercial com uma carta de intenção da Shearwater Global Capital para até 16 unidades destinadas a operações de leasing, ao mesmo tempo em que avançou em duas etapas regulatórias: a abertura de consulta setorial pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre critérios revisados de aeronavegabilidade e o pedido de validação do certificado de tipo junto à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Testes e cronograma de certificação 
O protótipo em escala real do Eve 100 já soma dezenas de voos de teste na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, com mais de duas horas de voo acumuladas. A empresa concluiu a fase de voos pairados e avança agora para os testes de transição, etapa que antecede o voo do primeiro protótipo de produção, previsto para 2027, antes da campanha final de certificação com seis aeronaves conformes aos requisitos da ANAC, autoridade certificadora primária do projeto, em alinhamento com a FAA, dos Estados Unidos, e a EASA. A fábrica da Eve em Taubaté, no Vale do Paraíba paulista, terá capacidade projetada entre 120 e 480 unidades por ano em regime de maturidade.

Ao lado da Revo, a aposta da Eve Air Mobility no Eve 100 integra a estratégia mais ampla da Embraer de diversificar receitas para além da aviação comercial, executiva e de defesa, com um novo segmento de mobilidade aérea urbana que a companhia projeta se tornar, no médio prazo, um vetor relevante de faturamento.

04 agosto, 2026

Aeromot e Volocopter assinam parceria para trazer eVTOL alemão ao Brasil

Acordo de representação exclusiva do VoloXPro tem como pano de fundo a compra da Volocopter pelo grupo chinês Wanfeng, controlador também da Diamond Aircraft, parceira histórica da Aeromot


*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026

A Aeromot S.A., empresa brasileira de tecnologia aeroespacial sediada em Porto Alegre (RS), e a alemã Volocopter Technologies GmbH assinaram, em 4 de agosto de 2026, um Exclusive Representation Agreement pelo qual a companhia gaúcha se torna representante exclusiva da fabricante alemã no Brasil. 
O acordo cobre a comercialização do VoloXPro, eVTOL ultraleve totalmente elétrico lançado pela Volocopter em abril deste ano, e marca a entrada oficial das duas empresas no mercado brasileiro de mobilidade aérea avançada (Advanced Air Mobility). 
A parceria foi apresentada durante a Labace 2026, principal feira de aviação executiva da América Latina, realizada de 4 a 6 de agosto no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, evento que também marcou a estreia pública da aeronave no País.
Escopo do acordo
Pelo contrato, a Aeromot assume quatro frentes de atuação: distribuição comercial da aeronave, manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de pilotos e equipes técnicas, e estruturação de futuras operações de mobilidade aérea por meio da VOWE, unidade de operações da empresa. Segundo a Volocopter, a Aeromot oferece a experiência integrada necessária para sustentar o lançamento comercial do VoloXPro no território brasileiro, somando quase seis décadas de atuação em integração, certificação, manutenção e comercialização de aeronaves.
A aeronave
O VoloXPro é um multicóptero ultraleve de dois lugares, totalmente elétrico, desenvolvido em conjunto com a Diamond Aircraft ao longo de 2025 e apresentado publicamente em abril de 2026, na feira AERO Friedrichshafen, na Alemanha. 
A aeronave tem 18 rotores, velocidade de cruzeiro de 70 km/h, alcance máximo de 40 km, peso máximo de decolagem de 600 kg e capacidade de carga útil de 154 kg. Sua arquitetura modular permite configurações que vão de cabines simplificadas, com comando único, a versões voltadas a operadores profissionais. 
A certificação como aeronave ultraleve na Alemanha é esperada para o fim de 2026; no Brasil, a previsão é de que o VoloXPro chegue ao mercado no fim de 2027, com um protótipo previsto para desembarcar em setembro deste ano no hangar da Aeromot, no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
O pano de fundo chinês
A aproximação entre Aeromot e Volocopter não nasce isolada. Em março de 2025, a Volocopter, então às vésperas da insolvência, foi comprada por cerca de dez milhões de euros pelo grupo chinês Wanfeng Auto Holding Group, que também controla a Diamond Aircraft, fabricante já representada pela Aeromot no Brasil. Foi essa aquisição que recolocou a Volocopter em operação e viabilizou o desenvolvimento do VoloXPro, projeto conduzido em parceria direta com a Diamond ao longo de 2025. 
Em comunicado, o diretor técnico da Volocopter, David Bausek, associou explicitamente a nova parceria a esse vínculo prévio, afirmando que o acordo com a Aeromot se apoia em uma cooperação já estabelecida dentro do Grupo Diamond. Na prática, isso significa que a chegada da Volocopter ao mercado brasileiro segue o mesmo canal comercial já usado pela Diamond Aircraft, sob o guarda-chuva do mesmo controlador chinês.
VoloXPro x Eve 100: dois caminhos para a mobilidade aérea
O VoloXPro chega ao Brasil em rota diferente da do Eve 100, eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. As duas aeronaves respondem a segmentos distintos da mobilidade aérea avançada. 
O VoloXPro é um multicóptero puro, sem asas fixas, projetado como ultraleve de dois lugares (um piloto e um passageiro), com alcance de 40 km e velocidade de cruzeiro de 70 km/h; seu uso previsto abrange escolas de voo, aeroclubes, esportes aéreos e, em mercados internacionais, operações de táxi aéreo de curta distância. 
Já o Eve 100 adota a configuração lift and cruise, combinando rotores dedicados à decolagem vertical com asas fixas e hélice traseira para o voo de cruzeiro, o que lhe confere maior eficiência em deslocamentos mais longos: capacidade para cinco ocupantes (um piloto e quatro passageiros), alcance de 100 km e velocidade máxima de 200 km/h, valores superiores aos do modelo alemão em todos os quesitos.
Os cronogramas de certificação também seguem ritmos diferentes. O VoloXPro busca certificação como aeronave ultraleve na Alemanha até o fim de 2026, processo mais simples por não se enquadrar como aeronave de transporte de passageiros em categoria plena. 
O Eve 100, por sua vez, persegue o Certificado de Tipo junto à ANAC, à FAA e à EASA, trâmite mais longo e rigoroso: a Eve protocolou pedido de validação junto à EASA e viu a ANAC abrir consulta pública sobre os critérios de aeronavegabilidade do modelo, com previsão de início de operações comerciais em 2027, o mesmo horizonte estimado pela Aeromot para o VoloXPro no País.
Do ponto de vista industrial, os dois programas partem de bases opostas. O Eve 100 é produzido no Brasil, na futura fábrica de Taubaté (SP), com capacidade projetada de 480 unidades por ano, enquanto o VoloXPro é fabricado na Alemanha, com a Aeromot atuando, por ora, como representante comercial e futura base de manutenção, sem produção local confirmada, ainda que as duas empresas avaliem iniciativas de manufatura dentro da AeroCITI, ecossistema aeroespacial que a Aeromot desenvolve no Rio Grande do Sul.
Próximos passos
Além da comercialização, Aeromot e Volocopter avaliam oportunidades de cooperação industrial de mais longo prazo no País, incluindo suporte técnico, infraestrutura de manutenção e futuras iniciativas de manufatura, que poderão ser desenvolvidas dentro da AeroCITI. 
As empresas também mantêm diálogo com a ANAC e outros agentes do setor para acompanhar a evolução do marco regulatório brasileiro voltado à mobilidade aérea avançada, etapa considerada indispensável para viabilizar, com segurança, as futuras operações do VoloXPro no território nacional.
 

03 agosto, 2026

FlyBIS assina protocolo com a Prefeitura de Gramado para operar eVTOLs da Eve a partir de 2028

Acordo com o município e o complexo Sirena amplia rede que já inclui Santa Catarina; startup gaúcha tem raízes na Brave Aviation e parceria com a Eve desde 2022
 
Renderização produzida por IA

*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A FlyBIS Air Mobility, startup de mobilidade aérea sediada em Caxias do Sul (RS), assinou na segunda-feira (27/07) um protocolo de intenções com a Prefeitura de Gramado para implantar uma das primeiras operações comerciais de eVTOLs no país, as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical popularmente chamadas de “carros voadores”. A previsão de início das operações é 2028, com voo entre Porto Alegre e o complexo turístico Sirena Gramado estimado em 25 minutos.
As aeronaves previstas para a operação na região terão autonomia de 100 quilômetros e capacidade para até quatro passageiros, dispensando pistas convencionais por decolarem e pousarem na vertical. Representantes da FlyBIS estiveram, também na segunda-feira, na área do complexo Sirena, no bairro Mato Queimado, onde será construído o primeiro vertiporto de Gramado. Segundo a diretoria da empresa, as primeiras rotas ligarão Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, com planos de expansão para Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
Uma rede que já vinha sendo construída desde maio
O protocolo com Gramado não é o primeiro movimento da empresa na Região Sul. Em maio, a FlyBIS já havia firmado, durante o Gramado Summit, um memorando de entendimento com o Grupo Sirena, incorporador do complexo turístico de 205 hectares onde ficará o vertiporto, e um acordo semelhante com o governo de Santa Catarina. Nesse último, estão previstas operações em toda a ilha de Florianópolis no primeiro ano, com inclusão de Balneário Camboriú, Joinville e Porto Alegre na segunda etapa.
O complexo Sirena Gramado, erguido entre o município e o Parque do Caracol, é liderado por Dody Sirena, cofundador da DC Set Group, com gestão e incorporação da Star Ópera sob o CEO Jaime Sirena, e tem o Club Med como parceiro de hotelaria, o primeiro Exclusive Collection da América Latina no país. O empreendimento, estimado em cerca de R$ 1 bilhão, está incorporando a mobilidade aérea avançada como diferencial de posicionamento turístico.
Parceria com a Eve remonta a 2022
A carta de intenções entre FlyBIS e Eve Air Mobility, controlada pela Embraer, para até 40 aeronaves não é recente: foi assinada em 8 de dezembro de 2022, com declaração do então co-CEO da Eve, André Stein, sobre a expansão da mobilidade aérea para “áreas do Sul do Brasil”. À época, a previsão de início das operações apontada em entrevistas do setor era 2026, prazo que desde então foi postergado para 2028. Dos 40 eVTOLs contratados, os três primeiros devem ser entregues no primeiro ano de operação no Rio Grande do Sul, conforme a assessoria técnica do projeto.
As aeronaves da FlyBIS integram o backlog global da Eve, que soma até 2.770 unidades encomendadas por operadores em diferentes países, incluindo parceiros como a United Airlines e a Blade Air Mobility.
Quem é a FlyBIS
A FlyBIS Aviação Ltda. foi fundada em 10 de março de 2022, em Caxias do Sul, pelos sócios Carlos Alberto Bertotto (sócio-administrador), Gustavo Flores da Cunha Zanettini (administrador), André Luis Tessari e a holding VZM Aero Participações Ltda. Zanettini é consultor em aviação e piloto comercial em atividade; Bertotto se apresenta como piloto, empresário e cientista da computação, com mais de 25 anos de experiência em aviação, formado pela Unisinos.
A empresa é apoiada pela Brave Aviation, companhia gaúcha de propriedade compartilhada de aeronaves sediada em Caxias do Sul, cuja frota atual inclui o jato executivo Phenom 100, da Embraer, além de outras aeronaves. A Brave, que iniciou voos em 2019 e investiu R$ 18 milhões na aquisição do primeiro jato do grupo, tinha entre seus sócios fundadores André Tessari, o mesmo nome que figura no quadro societário da FlyBIS, o que indica continuidade entre os dois negócios.
Desde a assinatura da carta de intenções com a Eve, a FlyBIS ganhou visibilidade em eventos do setor, como o SITRAER 2023, o World Aviation Festival em Lisboa, painéis na LABACE ao lado de executivos da Eve e da ANAC, o Paris Air Show 2025, quando apresentou um mock up em escala real de seu eVTOL, e o Electric Move Brasil 2024, em Caxias do Sul.
Certificação segue em andamento
A assessoria técnica do projeto é feita pela Leading Aviation, empresa sediada em Madri. Segundo a consultora Laura Calegari, o processo de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) está em andamento, com conclusão prevista para o final de 2027 para o conjunto de cinco empresas interessadas em operar esse novo modal no país, cronograma compatível com o início comercial anunciado para 2028.
A aeronave que a Eve pretende fornecer, porém, ainda não está certificada. A empresa concluiu em dezembro de 2025 o primeiro voo de seu protótipo em escala real, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP), consistindo em uma manobra de pairar não tripulada que validou sistemas como a arquitetura fly by wire de quinta geração. A Eve planeja fabricar seis protótipos e realizar centenas de testes ao longo de 2026 antes da certificação, e fez sua estreia em um evento do setor de helicópteros, a Verticon 2026, em março, com um mock up em escala real da aeronave. 

Eve Air Mobility alcança o primeiro marco de voo de transição, avançando com o programa eVTOL rumo ao voo convencional

Acionamento do sistema de propulsão traseiro confirma aspectos fundamentais do design da aeronave 
 

 
*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A Eve Air Mobility, líder em mobilidade aérea avançada (AAM), anuncia que seu protótipo de engenharia realizou o primeiro voo da fase de transição, representando um marco fundamental no desenvolvimento e nos ensaios da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da empresa.

O voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira da aeronave (pusher), sinalizando o início da fase de transição do voo vertical para o voo horizontal. Durante o ensaio, a aeronave atingiu uma velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e velocidade máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice propulsora operando até 1.200 RPM.

O voo teve duração de 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 0,84 milha náutica (1.550 metros) e atingiu uma altura de 90 pés (27 metros) acima do nível do solo.

"Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante na trajetória de desenvolvimento da Eve", afirma Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. "A ativação bem-sucedida do sistema de propulsão traseiro valida um aspecto fundamental do design da nossa aeronave e nos aproxima cada vez mais de entregar soluções de mobilidade aérea seguras, eficientes e escaláveis."

A fase de transição é um dos aspectos mais críticos do voo de eVTOL, envolvendo a transição da sustentação vertical para o voo horizontal. A conclusão do ensaio inicial de transição parcial representa um avanço significativo nos esforços da Eve para ampliar o envelope de voo da aeronave e validar o desempenho dos seus sistemas.


"Este voo demonstrou com êxito a ativação da hélice propulsora traseira durante o voo e validou as principais metas de desempenho no início da fase de transição", destaca Marcelo Basile, diretor de engenharia da Eve Air Mobility. "Os dados coletados darão apoio à expansão contínua do envelope de voo à medida que avançamos em direção a velocidades mais elevadas e a ensaios de transição progressivamente mais complexos."

A equipe de engenharia de ensaios em voo da Eve continua conduzindo análises de cargas e estruturais para apoiar a futura expansão do envelope de voo. Na sequência do programa de ensaios em voo da aeronave, a empresa planeja realizar testes de enlace de dados para validar o desempenho do enlace de rádio e apoiar operações em velocidades de até 50 nós (92 km/h).

Nas próximas semanas, a Eve prevê expandir progressivamente o envelope de velocidade da aeronave como parte da campanha de ensaios em voo de transição.

09 abril, 2026

Eve-100, "carro voador" da Embraer, atinge 50 voos de teste e avança rumo à certificação

Subsidiária da gigante aeronáutica brasileira, a Eve Air Mobility acumula mais de duas horas de voo com seu protótipo eVTOL em escala real e prepara a transição para voos de cruzeiro ainda em 2026


*LRCA Defense Consulting - 09/04/2026

A Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana controlada pela Embraer, anunciou nesta quinta-feira (09) ter completado seu 50º voo de teste bem-sucedido com o protótipo de engenharia em escala real de seu eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical popularmente conhecida como "carro voador". Os ensaios são conduzidos na própria unidade de testes da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e acumulam mais de duas horas de voo desde o histórico voo inaugural, em 19 de dezembro de 2025.

O marco reforça o ritmo acelerado da campanha, que ocorre com frequência quase diária, e demonstra a solidez técnica do programa. Os voos têm gerado dados de alta fidelidade sobre o desempenho dos sistemas da aeronave, incluindo propulsão elétrica, eficiência aerodinâmica dos rotores, gerenciamento de energia, controlabilidade e níveis de ruído, todos dentro ou acima das projeções iniciais.

"Alcançar 50 voos de teste bem-sucedidos com nosso protótipo de engenharia é mais do que um marco técnico. É uma prova clara da maturidade do nosso programa e da robustez das soluções que estamos desenvolvendo." - Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility

O DNA da Embraer no projeto
A Eve se beneficia de uma mentalidade de startup apoiada pelos 56 anos de experiência aeroespacial da Embraer, e essa herança é visível em cada etapa do programa. O processo de desenvolvimento está ancorado na metodologia consolidada pela fabricante ao longo de mais de cinco décadas, uma abordagem integrada que vai além da aeronave em si, contemplando soluções para operadores, cidades, vertiportos e provedores de navegação aérea.

Não por acaso, todos os testes acontecem nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, um dos maiores centros de aviação da América Latina. A Eve nasceu como projeto dentro da EmbraerX, a divisão de inovação disruptiva da Embraer, antes de se tornar uma empresa independente em 2020. A matriz permanece acionista relevante e parceira estratégica insubstituível.

Em março, o protótipo já havia protagonizado uma demonstração de voo para autoridades do governo federal. O evento contou com a presença do presidente brasileiro, da ministra de Ciência e Tecnologia, do ministro de Portos e Aeroportos e do presidente da ANAC. Na ocasião, a aeronave havia acumulado 35 voos e quase 1h30 de tempo de voo, atingindo altitude máxima de 43 metros.

 
A aeronave e o que vem a seguir
O eVTOL da Eve conta com oito propulsores dedicados ao voo vertical, uma hélice traseira para o voo de cruzeiro e controles fly-by-wire de quinta geração. O design "lift & cruise" foi projetado para transportar quatro passageiros e um piloto, com alcance previsto de 100 km. A aeronave é 100% elétrica e produz níveis de ruído significativamente inferiores aos dos helicópteros convencionais.

Com 50 voos concluídos, a Eve avança agora para a expansão do envelope de voo, aumentando gradualmente a velocidade, com vistas à realização de voos de transição completos ainda este ano, fase em que a aeronave passará a sustentar o voo com as asas fixas. Com voos de teste ocorrendo quase diariamente e a previsão de cerca de 300 voos ao longo de 2026, o programa se prepara para avançar para a fase de voo em cruzeiro sustentado pelas asas, validação essencial da configuração lift + cruise.

Para a etapa de certificação, a empresa planeja produzir seis protótipos certificáveis para conduzir a campanha de testes em voo focada na certificação da aeronave junto à ANAC, e em 2027 espera realizar as primeiras entregas. A validação também contará com o envolvimento da norte-americana FAA e da europeia EASA.

Financiamento robusto e mercado aquecido
O suporte financeiro é expressivo. O BNDES forneceu mais de R$ 1,4 bilhão em financiamento desde 2022, e a Finep aprovou até R$ 90 milhões em subvenções para acelerar iniciativas de inovação digital e aviação sustentável. No início de 2026, a Eve também fechou um financiamento de US$ 150 milhões com um sindicato de credores, afirmando ter recursos suficientes para sustentar suas operações até 2028.

No mercado, o interesse é crescente. A carteira da empresa ultrapassa 2.900 unidades comprometidas. Entre os contratos vinculantes já assinados estão a operadora brasileira Revo, que firmou acordo para até 50 eVTOLs para operar em São Paulo de forma totalmente elétrica, e a japonesa AirX, que assumiu compromisso para até 50 eVTOLs com planos de uso em operações de turismo aéreo e mobilidade de última milha a partir de 2029.

A produção em série está prevista para Taubaté (SP), onde a planta industrial terá capacidade inicial para fabricar até 480 unidades por ano.

Não apenas uma aeronave, mas todo um ecossistema
Fiel à abordagem holística herdada da Embraer, a Eve não se limita a fabricar aeronaves. A empresa avança em paralelo com o Eve Vector, seu software de gestão de tráfego aéreo urbano, e com o Eve TechCare, sua plataforma de serviços pós-venda e suporte operacional. A companhia também participa ativamente da construção do marco regulatório brasileiro, tendo integrado recentemente o processo de consulta pública que deverá embasar a Política Nacional de Mobilidade Aérea Urbana, conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

Com 50 voos no currículo, o "carro voador" da Embraer já não é ficção científica, é engenharia em andamento.

Postagem em destaque