Acordo de representação exclusiva do VoloXPro tem como pano de fundo a
compra da Volocopter pelo grupo chinês Wanfeng, controlador também da Diamond
Aircraft, parceira histórica da Aeromot
*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026
A Aeromot S.A., empresa brasileira de tecnologia aeroespacial sediada em
Porto Alegre (RS), e a alemã Volocopter Technologies GmbH assinaram, em 4 de
agosto de 2026, um Exclusive Representation Agreement pelo qual a
companhia gaúcha se torna representante exclusiva da fabricante alemã no
Brasil.
O acordo cobre a comercialização do VoloXPro, eVTOL ultraleve
totalmente elétrico lançado pela Volocopter em abril deste ano, e marca a
entrada oficial das duas empresas no mercado brasileiro de mobilidade aérea
avançada (Advanced Air Mobility).
A parceria foi apresentada durante a
Labace 2026, principal feira de aviação executiva da América Latina, realizada
de 4 a 6 de agosto no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, evento que
também marcou a estreia pública da aeronave no País.
Escopo do acordo
Pelo contrato, a Aeromot assume quatro frentes de atuação: distribuição
comercial da aeronave, manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de
pilotos e equipes técnicas, e estruturação de futuras operações de mobilidade
aérea por meio da VOWE, unidade de operações da empresa. Segundo a Volocopter,
a Aeromot oferece a experiência integrada necessária para sustentar o
lançamento comercial do VoloXPro no território brasileiro, somando quase seis
décadas de atuação em integração, certificação, manutenção e comercialização de
aeronaves.
A aeronave
O VoloXPro é um multicóptero ultraleve de dois lugares, totalmente
elétrico, desenvolvido em conjunto com a Diamond Aircraft ao longo de 2025 e
apresentado publicamente em abril de 2026, na feira AERO Friedrichshafen, na
Alemanha.
A aeronave tem 18 rotores, velocidade de cruzeiro de 70 km/h, alcance
máximo de 40 km, peso máximo de decolagem de 600 kg e capacidade de carga útil
de 154 kg. Sua arquitetura modular permite configurações que vão de cabines
simplificadas, com comando único, a versões voltadas a operadores
profissionais.
A certificação como aeronave ultraleve na Alemanha é esperada
para o fim de 2026; no Brasil, a previsão é de que o VoloXPro chegue ao mercado
no fim de 2027, com um protótipo previsto para desembarcar em setembro deste
ano no hangar da Aeromot, no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
O pano de fundo
chinês
A aproximação entre Aeromot e Volocopter não nasce isolada. Em março de
2025, a Volocopter, então às vésperas da insolvência, foi comprada por cerca de
dez milhões de euros pelo grupo chinês Wanfeng Auto Holding Group, que também
controla a Diamond Aircraft, fabricante já representada pela Aeromot no Brasil.
Foi essa aquisição que recolocou a Volocopter em operação e viabilizou o
desenvolvimento do VoloXPro, projeto conduzido em parceria direta com a Diamond
ao longo de 2025.
Em comunicado, o diretor técnico da Volocopter, David Bausek,
associou explicitamente a nova parceria a esse vínculo prévio, afirmando que o
acordo com a Aeromot se apoia em uma cooperação já estabelecida dentro do Grupo
Diamond. Na prática, isso significa que a chegada da Volocopter ao mercado
brasileiro segue o mesmo canal comercial já usado pela Diamond Aircraft, sob o
guarda-chuva do mesmo controlador chinês.
VoloXPro x Eve
100: dois caminhos para a mobilidade aérea
O VoloXPro chega ao Brasil em rota diferente da do Eve 100, eVTOL
desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. As duas aeronaves
respondem a segmentos distintos da mobilidade aérea avançada.
O VoloXPro é um
multicóptero puro, sem asas fixas, projetado como ultraleve de dois lugares (um
piloto e um passageiro), com alcance de 40 km e velocidade de cruzeiro de 70
km/h; seu uso previsto abrange escolas de voo, aeroclubes, esportes aéreos e,
em mercados internacionais, operações de táxi aéreo de curta distância.
Já o
Eve 100 adota a configuração lift and cruise, combinando rotores
dedicados à decolagem vertical com asas fixas e hélice traseira para o voo de
cruzeiro, o que lhe confere maior eficiência em deslocamentos mais longos:
capacidade para cinco ocupantes (um piloto e quatro passageiros), alcance de
100 km e velocidade máxima de 200 km/h, valores superiores aos do modelo alemão
em todos os quesitos.
Os cronogramas de certificação também seguem ritmos diferentes. O
VoloXPro busca certificação como aeronave ultraleve na Alemanha até o fim de
2026, processo mais simples por não se enquadrar como aeronave de transporte de
passageiros em categoria plena.
O Eve 100, por sua vez, persegue o Certificado
de Tipo junto à ANAC, à FAA e à EASA, trâmite mais longo e rigoroso: a Eve
protocolou pedido de validação junto à EASA e viu a ANAC abrir consulta pública
sobre os critérios de aeronavegabilidade do modelo, com previsão de início de
operações comerciais em 2027, o mesmo horizonte estimado pela Aeromot para o
VoloXPro no País.
Do ponto de vista industrial, os dois programas partem de bases opostas.
O Eve 100 é produzido no Brasil, na futura fábrica de Taubaté (SP), com
capacidade projetada de 480 unidades por ano, enquanto o VoloXPro é fabricado
na Alemanha, com a Aeromot atuando, por ora, como representante comercial e
futura base de manutenção, sem produção local confirmada, ainda que as duas
empresas avaliem iniciativas de manufatura dentro da AeroCITI, ecossistema
aeroespacial que a Aeromot desenvolve no Rio Grande do Sul.
Próximos passos
Além da comercialização, Aeromot e Volocopter avaliam oportunidades de
cooperação industrial de mais longo prazo no País, incluindo suporte técnico,
infraestrutura de manutenção e futuras iniciativas de manufatura, que poderão
ser desenvolvidas dentro da AeroCITI.
As empresas também mantêm diálogo com a
ANAC e outros agentes do setor para acompanhar a evolução do marco regulatório
brasileiro voltado à mobilidade aérea avançada, etapa considerada indispensável
para viabilizar, com segurança, as futuras operações do VoloXPro no território
nacional.

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