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18 abril, 2026

No combate não há distinção; já não está na hora de repensar os padrões físicos militares entre homens e mulheres combatentes?

 


*Luiz Alberto Cureau Jr. - Março/2026

Já escrevi sobre esse tema em outras ocasiões. Ainda assim, após o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, não poderia deixar de retomar essa reflexão. A presença feminina nas Forças Armadas é um avanço institucional relevante, fruto de um processo de abertura e reconhecimento da capacidade das mulheres brasileiras. Mas exatamente por respeito a essa presença e à missão que todos juramos cumprir, algumas perguntas precisam ser feitas com serenidade e franqueza.

Será que o Exército está agindo corretamente ao manter índices físicos diferentes para homens e mulheres nas funções de combate? Será que, ao fazer isso, não estamos criando um problema operacional e institucional no futuro? No campo de batalha, a mochila será a mesma, o terreno será o mesmo e o combate também não fará distinções e, ao não termos padrões semelhantes, como ficará a higidez física dessas militares passados alguns anos?

A prontidão física sempre foi um dos pilares da profissão militar. Em operações reais, não há espaço para adaptações ou exceções. A missão exige que o combatente consiga marchar longas distâncias com carga completa, evacuar um ferido, transpor obstáculos e manter capacidade de combate mesmo sob forte desgaste físico e psicológico.

Diversos exércitos já enfrentaram esse debate. O exemplo mais citado é o Army Combat Fitness Test (ACFT) do Exército dos Estados Unidos, que estabelece critérios ligados à função operacional e não ao gênero. O foco passa a ser a capacidade efetiva de cumprir tarefas de combate, como força, potência, resistência e mobilidade. No Brasil, o Teste Físico Operacional (TFO) começa a caminhar nessa direção.

A questão central não é negar diferenças fisiológicas entre homens e mulheres. Elas existem e são conhecidas. O ponto fundamental é outro, quando se trata de função de combate, a exigência da missão precisa ser a mesma para todos.

Manter padrões distintos pode gerar duas consequências indesejadas, criar uma percepção de desigualdade dentro da tropa e comprometer a operacionalidade em situações reais.

Isso não diminui a importância da presença feminina nas Forças Armadas. Mulheres já demonstraram, no Brasil e no exterior, competência, liderança e capacidade operacional. O debate não é sobre capacidade individual, mas sobre coerência institucional.

Talvez o caminho mais sensato seja evoluir para padrões baseados na função e não no gênero. Quem ocupar uma função de combate deve cumprir os mesmos requisitos físicos exigidos pela missão.

No fim, igualdade verdadeira não significa reduzir exigências, mas garantir que todos os que vestem a mesma farda estejam igualmente preparados para enfrentar o mesmo combate. 


*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.  


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